Saint Agnes Academy - Interativa

4 Cuidado com seu passado


Notas iniciais
Oie, desculpem por ter atrasado, de novo. Mas eu precisei fazer uma benção, chamada recuperação, e não deu tempo de postar. Sinto muito, me desculpem, perdoem-me, por favor, forgive me... Agradecendo á Princess Juliet, que deixou aquela recomendação linda que me fiz ficar gritando pela casa toda. Agradeço também aos lindos e perfeitos que favoritaram, comentaram, e me fizeram sentir a autora mais sortuda do mundo, por ter leitores tão amáveis e perfeitos como vocês. Tenho boas novas, mas vou deixar para as notas finais, já atrasei demais essa leitura. Espero que tenham compreendido meus motivos, com escola não se brinca, ainda por cima quando se tira uma nota baixíssima. MAAAAAAS, tirei um lindo de um 10 em português, e outro 10 ainda mais lindo em ciências. Tirei onda, rsrsrsrs. Até as notas finais.

POV Skylar Jones

Mordi mais um pedaço de torrada, estava simplesmente deliciosa. Lee conversava com Karen e uma novata, Talita. Leonardo Parker comia com uma elegância fora do comum, olhava para nós com um tipo de olhar misterioso e sexy, aquele homem era lindo, e sabia bem disso. Johanna comia tranquilamente, conversando e rindo com as professoras novas. Johanna me parecia bem feliz, estava toda sorridente, seus olhos azuis brilhavam toda vez que ela olhava para nós, coisa que ela fazia com um tipo de adoração no olhar, eu não a conhecia bem, mas aquela mulher parecia amar todos nós.

– Sky, o que você acha? – perguntou Karen, sorrindo de forma entusiasmada.

– O que eu acho sobre o que? – perguntei, voltando á realidade.

Lee revirou os olhos, Talita deu um sorrisinho e encarou o prato, Karen continuou sorrindo, paciente.

– Sobre a casa – falou, forçando um pouco a ultima palavra, sua paciência era clara – O que achou da casa?

– Ah, isso – falei – Eu achei bem legal, quer dizer, viu só tudo aquilo?

Karen ficou vibrante, entusiasmada demais para descrever.

– Eu achei fascinante, aquela piscina é incrível, a biblioteca também tem seu espaço, e sem falar da sala de jogos – comentou.

Talita estava perdida, ela não participara do passeio, logo, não entendia nada.

– Talita, talvez depois a gente possa te mostrar a casa – falei, sorrindo de forma simpática – Eu não acho que a Claire vá querer fazer isso de novo.

– Podes crer – disse Lee, encarando a loira na outra ponta da mesa.

– Sim, eu quero – respondeu Talita – Mas, quem é Claire?

Apontei para a garota certa, Claire comia uma minúscula porção de torradas, e parecia não ligar para isso, pois apenas olhava de forma cobiçosa os novos garotos.

– É aquela ali – mostrei – A que parece uma fada drogada.

Talita riu, assim como Lee e Karen, dei um pequeno sorriso por minha piada e continuei á comer, desfrutando da culinária da minha escola nova. Eu já havia comido umas dez torradas quando Lee franziu as sobrancelhas, me olhando como se eu fosse um tipo novo de monstro.

– Não é muito educado acabar com toda comida da mesa no seu primeiro dia – disse meu irmão, sarcástico.

Fingi que estava rindo, Lee me encarou, ainda sarcástico.

– Você sabe que adoro comer – justifiquei – Já provou essas torradas? São de outro planeta.

Lee revirou os olhos enquanto Karen ria, Talita provou uma torrada.

– Tem razão, isso aqui é ótimo – falou.

Lee deu um sorriso galanteador, revirei os olhos, vai começar.

– Realmente, tem um sabor magnífico, assim como essa sua pele morena – disse, fazendo um cosplay capenga de Brad Pit – Eu já mencionei o quanto é bonita, senhorita Ferraz?

Talita o encarou, parecia um tanto pensativa, como se decidisse se valia ou não á pena. Eu abafei uma risada, Lee era sempre assim, com todas as garotas bonitas que via pela frente, mas nunca ficava com uma por mais de uma noite.

– Obrigada – respondeu Talita, educada.

Lee deu um sorriso estilo cafajeste, pobre Talita, tá na mira. Continuei comendo, assim como os outros alunos. Eles conversavam entre si, acabei escutando fragmentos da conversa de Lorena, Anah, Jully e Cindy, elas falavam sobre coisas normais, conversas comuns, como toda garota faz. Eu não gostava muito disso, em geral, não sabia como me portar em uma conversa sobre garotos, tenho mais facilidade de fazer amizade com meninos por conta disso. Stiles estava do meu lado, comia em silencio, só sorria e conversava um pouco de vez em quando. Decidi que era a hora de fazer amigos.

– Oi – falei.

– Oi – respondeu Stiles, simpático.

O que eu digo agora? Puxar assunto não é muito o meu forte.

– Gostou da casa? – perguntei, foi a primeira coisa que veio á minha mente.

Seus olhos brilharam, deve ter me saído bem.

– Amei, principalmente a sala de jogos – falou, animado – É realmente muito legal, vou gostar de morar aqui.

– É, eu também – falei, dando um meio sorriso.

Mordi outra torrada, Stiles tomou um gole de suco de uva.

– a comida daqui é muito boa – comentei.

– realmente – respondeu, encarando a grande travessa de torradas á sua frente – sempre vou querer comer mais um pouco.

Ri, ele sorriu.

– você e Lee vieram por quê? – perguntou.

– você sabe, a lei beneficiou bastante nossa classe – respondi – e uma escola só para pessoas como nós finalmente traria a paz. E você?

– quase a mesma coisa – respondeu, olhando para seu copo de suco – vou tentar me adaptar aqui, acho que vai ser bom.

Assenti, sentindo que aquela não era toda a verdade, mas eu não podia amolar o garoto, não na nossa primeira conversa. Johanna deu uma risada, assustando á quase todos nós. Quando percebeu o que tinha causado, Johanna sorriu de forma envergonhada.

– desculpem – falou, rindo um pouco.

Não contive uma risada pelo nariz, aquela mulher parecia ser meio doida.

– ela parece ser legal, você não acha? – perguntou Stiles.

– parece, mas pelo que ouvimos, ela gosta de botar fogo nas coisas – comentei – espero não estar por perto quando ela fizer isso outra vez.

Stiles riu, dei um sorrisinho, observando a Johanna rir e comer ao mesmo tempo, como se não ligasse mais para manter a compostura seria que carregava antes.

– como acha que vai ser as aulas? – perguntou Stiles.

– interessantes, em uma escola onde todos os alunos são mutantes e todos os professores também, isso vai ser uma experiência e tanto – comentei.

Stiles assentiu, dando um sorriso pacifico e voltando sua atenção ao prato de bolinhos perto de Karen. Morreu o assunto, mas foi bom trocar frases com Stiles, ele parecia um garoto bem legal, e eu gostei dele logo de cara. Pude sentir uma amizade nascendo.

E não foi só comigo, observando os outros alunos, pude ver que os primeiros laços de afeto estavam formando-se. Karen parecia se dar bem com todos, puxava assunto com vários alunos ao mesmo tempo, sem parecer esgotar seu estoque de sorrisos e conversas interessantes. Lorena era tímida, estava ligeiramente vermelha, sob o olhar de um dos garotos novos. Cindy parecia não estar nem aí para os olhares que o segundo garoto novo lançava-lhe, e ele também não parecia envergonhado por estar sendo ignorado. Rick conversava com Daniela, ambos sorriam, como se estivessem ficando mais próximos. Bruna conversava com Alex, ambos eram calmos e quietos, ficariam amigos sem sombra de duvida. Talita conversava com Lee, ele não desistira de canta-la, mas ela não dava muita bola, isso poderia resultar em uma amizade. E também tinha outra garota nova, Larissa, se não me engano.

Ela fala normalmente, mas estava um pouco mais distante, quase pensativa. Não tive muito tempo para processar o que vi, pois meu braço esbarrou no de Stiles.

Eu não fiz por querer, mas estava pensando no quanto queria conhecer melhor todos eles, e acabou rolando.

Visão: On

O garoto correu, seus pés tocavam o chão com tanta leveza que parecia que ele flutuava na relva. Seu rosto estava distorcido pela dor, lagrimas escorriam pela extensão de seu rosto, lavando todos os vestígios de que ele fora feliz um dia. A chuva caia de forma agressiva, trovões cortavam o céu, deixando um clarão na imensidão azul. O garoto continuou correndo, correndo como nunca havia corrido antes. Sua dor estava estampada em seu rosto jovem, os olhos castanhos mal piscavam, os cabelos também castanhos estavam grudados no rosto infantil e retorcido pela dor. Ele precisava fugir, correr para longe dali, não podia parar de correr.

A visão do corpo de seus pais assombrava sua mente infantil, sua inocência sofreu um grande abalo naquele momento. O medo do garoto transparecia em seus soluços, o choro incessante vinha com força, abalando o pequeno menino. Tudo que ele pensava era em fugir dali, correr para longe.

E assim fez, correu como nunca correra antes, deixando o terror para trás e enfrentando o desconhecido.

Visão: Off

Retesei-me rápido, ainda tremula e chocada pela cena que presenciei. Stiles me olhou, parecia preocupado comigo.

– Você está bem? – perguntou.

Engoli em seco, tentei desviar o olhar, evitar o máximo possível encarar o rosto de Stiles, pois tinha certeza de que encontraria semelhança. Fixei meu olhar na mesa, Stiles enfiou o rosto em meu campo de visão, franzindo uma sobrancelha ao fitar meu rosto.

– Sky? – chamou Lee.

Encarei meu irmão, dei uma rápida olhadinha de canto de olho na direção de Stiles, fazendo a referência sair com exatidão. Lee respirou fundo, depois assentiu, compreendendo meu recado. Engoli em seco, olhei para Stiles, que ainda me encarava com certa preocupação.

A imagem do garotinho passou por minha mente, com a imagem do rosto de Stiles sobrepondo-se por cima ela. Com certeza era a mesma pessoa, com certeza era o mesmo olhar. A semelhança era clara como a água de um rio límpido e fresco, o rosto era exatamente o mesmo, ainda que um pouco mais velho.

Eu vira o passado de Stiles, senti o medo que ele sentiu, e posso afirmar com toda a certeza que tenho, ele sentia a mesma dor que eu. Ele sabia como era perder os pais. Mas era pior para ele, eu tinha o Lee, Stiles não parecia ter ninguém, ele era sozinho.

– Desculpe, só estou com dor de cabeça – falei, sentindo a pontada aguda que perfurava meu cérebro – A gente se vê.

Empurrei a cadeira para trás, sem dar á ele a chance de responder. Dei ás costas á todos na mesa e andei á passos largos em direção ás escadas, subi-as com pressa, sem nem mesmo ligar para os latidos indignados de Ash quando eu passei com tudo, pulando por cima dele, que estava deitado no chão, para entrar no meu quarto. Joguei-me em minha cama, agarrando-me á meu travesseiro.

Eu não tive culpa, foi um acidente. Mas saber do passado de Stiles me deixou tão estranha, eu me sentia mal por ele, por ter invadido sua privacidade. Eu uso meu dom contra o Lee, na maioria das vezes, esse tipo de coisa não me abala. Mas saber de algo tão pessoal, de algo tão profundo e doloroso para alguém, isso me fez sentir mal. Eu devia desculpas á Stiles, mas não podia falar para ele o que fiz, com certeza ele não iria gostar.

– Sky – chamou alguém.

Espiei por cima do ombro, Lee entrava no meu quarto. Meu irmão fechou a porta e sentou na poltrona do quarto.

Eu ainda não descrevi o meu quarto. Tinha uma cama, uma escrivaninha com um notebook novinho, uma poltrona giratória, um banheiro, um quadro para colocar fotos e uma cama para Unicorn, minha gata.

Liam me encarou, voltei á enterrar o rosto no travesseiro, a dor de cabeça não passava.

– Você viu o que? – perguntou Lee

Bufei, não queria ficar pensando naquilo.

– Algumas coisas da vida do Stiles – respondi, minha voz saiu abafada por conta do travesseiro em meu rosto.

– Que coisas? – perguntou

– Eu não vou dizer – resmunguei – Não é da sua conta.

– E nem da sua – reparou, sarcástico.

Suspirei, era verdade, nada do que eu tinha visto era da minha conta.

– Tem razão – falei.

Virei de barriga para cima na cama, cruzei os braços acima do peito, como se estivesse vegetando.

– Eu vi umas coisas muito ruins, e eu preferia não comentar, já é ruim demais que eu tenha ficado sabendo disso, não quero que isso se espalhe – falei – Não que eu não confie em você, mas eu não quero prejudicar o Stiles.

Lee assentiu, depois olhou em volta e franziu as sobrancelhas.

– seu quarto é melhor que o meu – reclamou.

– todos são a mesma coisa – falei – pelo menos é o que eu acho.

Lee analisou direito o ambiente, seu olhar esquadrilhou tudo que tinha no meu quarto, depois recaiu-se sobre a cama de Unicorn.

– o meu não tem aquilo – disse, apontando para o amontoado de almofadas macias que abrigavam minha gata adormecida.

Revirei os olhos, sentando na cama.

– mais é claro, você não tem uma gata – falei, arregalando os olhos como se fosse a coisa mais obvia do mundo.

– e nem quero – comentou, cruzando os braços acima do peito – esses bichos são nojentos.

– hey, não fala assim da Unicorn – protestei, tacando uma almofada em Lee – ela é mais bem cuidada que você.

Lee bufou, atirando a almofada de volta para mim. Unicorn acordou, bocejou enquanto espichava seu corpo, para depois pular em meu colo e começar á miar. Pedindo comida.

– está com fome, Unicorn? – perguntei, fazendo carinho em seu pelo macio e escovado – quer sua ração?

– miau – respondeu Unicorn, ronronando e cutucando meus cabelos com a pata.

Lee bufou, lançou um olhar de repulsa para a gata em meu colo.

– não sei como consegue gostar disso – falou – parece um cruzamento de rato com um lêmure.

Bufei, Lee deu um sorriso sarcástico, ele adorava ofender minha gata.

– ela é mais bonita que você – falei.

– e eu sou mais bonito do que você – retrucou – e de quebra, sou melhor com as garotas.

– não ligo para seus talentos com garotas, eu não preciso disso, e nem quero – retruquei.

– mas, cá entre nós, bem que você queria ser tão maneira quanto eu – debochou, dando uma piscadela e um sorriso sarcástico.

Revirei os olhos. Coloquei Unicorn no chão, procurei sua ração em meio ás coisas dela, achei e depositei a quantidade ideal em sua vasilha. Coloquei a vasilha com ração no chão, minha gata correu e atacou a comida, fazendo Lee fazer uma careta.

– como pode não gostar de animais? – perguntei, observando Unicorn comendo, era tão fofa.

– sei lá, não gosto desses bichos – respondeu, dando de ombros.

Expirei pesadamente, não entendia o motivo de Lee não gostar de animais. Não tem como não gostar, são criaturas tão fofas e lindas. Lee bateu palmas, chamando minha atenção. Virei para encara-lo, meu irmão parecia ligeiramente cético.

– e você, maninha – falou, fazendo aspas com os dedos na ultima palavra – eu vi um dos garotos novos olhando para você.

– viu? – perguntei, confusa – eu vi um deles encarando Cindy, e o outro encarando a Lorena, mas nenhum me encarou.

você não viu, isso não significa que ele não estava olhando para você – retrucou, juntando as mãos e apontando para mim – e ele com certeza não estava pensando no quanto você parece ser inteligente.

Revirei os olhos, Lee ainda me encarava.

– eu não vi nada, e eu sou inteligente – respondi, tirando uma mecha de cabelos do meu rosto – e ele devia estar olhando apenas por olhar, já que não ficou me encarando.

– ele parou de te encarar quando eu comecei á encara-lo – respondeu Lee – eu vi o que ele estava pensando, e ele devia ser preso por ter esses pensamentos com uma garota que não conhece.

– você faz pior, posso ter certeza disso sem nem mesmo estar presente, ou toca-lo – resmunguei – e pode parar com essas atitudes, esse seu comportamento me dá nos nervos.

Lee revirou os olhos, respirei fundo, pronta para colocar uma pedra nesse assunto.

– que seja, mas eu vou ficar de olho nesse Henry – disse, fazendo uma careta cética e sarcástica.

Pisquei, então foi o Henry. Não estou decepcionada, ele é muito bonito, e tem um charme incrível. Mas Lee estava disposto á bancar o irmão resmungão, e isso eu não vou aturar.

– não importa o que ache que tenha visto, eu quero que pare de ficar me marcando – falei, apontando meu dedo indicador para o rosto de Lee – eu sei me cuidar, não preciso de sua idiotice atrasando minha vida.

Lee semicerrou os olhos, dei um sorriso provocador, desafiando-o á dizer alguma coisa.

– certo – respondeu – eu vou te deixar em paz.

Eu sabia que ele estava mentindo, mas não tive tempo de tentar contraria-lo. Alguém começou á bater na porta, Lee e eu nos entreolhamos.

– Sky? – chamou a pessoa do lado de fora.

Lee levantou e abriu a porta, Karen meteu a cabeça para dentro do quarto, dirigiu-me um pequeno sorriso afetado.

– você está bem? Tá todo mundo preocupado – falou.

– sim, eu estou bem – falei, dando um sorriso sem mostrar os dentes.

– tem certeza? Você saiu com pressa, parecia que viu um fantasma – falou, parecia preocupada.

Assenti, ela pareceu um pouco indecisa, como se ainda duvidasse de mim.

– tudo bem – falou, hesitante – eu vou ao jardim, devia vir também.

– eu já vou – falei.

Karen assentiu, ouvi seus passos sumirem no corredor. Lee me olhou, indicou a porta com cabeça.

– vamos – chamou.

– vamos – concordei.

Peguei Unicorn e saí do quarto, Lee fechou a porta e emparelhou-se comigo no corredor.

– você vai dizer ao Stiles o que você fez? – perguntou

Hesitei, acariciando minha gata.

– vou – falei – mas, não agora.

Lee me olhou, fugi de seu olhar.

– faz o que quiser – falou, dando de ombros.

Sorri, Lee olhou para o chão enquanto andava.

– é claro que eu vou fazer o que eu quiser – respondi.

Dei um sorriso maroto, Lee revirou os olhos, dei-lhe um soco brincalhão e desci as escadas.

POV Cindy Peterson

Sentei no banco de mármore, olhando em volta, absorvendo tudo isso. Á duas horas atrás, eu estava encarando os grandes portões brancos da nova academia, a academia especial, para pessoas especiais. Eu estava muito feliz por estar aqui, meus pais me apoiaram muito, e eu sei que eu vou ser feliz aqui. Mesmo convivendo tão pouco com todos os alunos, eu já gostava de alguns deles, eram boas pessoas.

– Hey, seu nome é Cindy, não? – perguntou alguém.

Olhei para trás, era uma das garotas que chegaram hoje, junto comigo.

– sim, sou eu – respondi – você é Larissa.

– Lary – respondeu, dando um sorriso – Larissa é muito grande.

Assenti, sorrindo de volta. Lary sentou ao meu lado, olhando em volta, assim como eu.

– bem legal, esse lugar – comentou

– concordo – respondi, assentindo vagarosamente – mesmo só conhecendo o caminho para a sala de jantar.

Ela riu.

– verdade – falou – mas deve ter um tuor ou algo assim.

– já teve, descobri com outros alunos – falei.

– isso é um problema, vamos ficar perdidas logo no nosso primeiro dia – reparou, fazendo uma careta.

Levantei rápido, assustando Lary.

– não se explorássemos agora, enquanto não temos aulas – falei, sorrindo – topa?

Lary riu, mas levantou-se.

– topo – respondeu

Sorri, ela fez o mesmo. Virei a esquerda e segui em frente, Lary ia ao meu lado, olhando tudo, assim como eu.

– é uma bela casa – comentou.

– realmente – concordei – mas, será que tem uma piscina?

– com certeza deve ter uma – comentou, olhando em volta – estamos na entrada, não é melhor entrarmos?

Revirei os olhos, Lary riu.

– é, eu sei que isso foi bem idiota de minha parte – falou, ainda sorrindo – foi mal.

– sem problemas, mas você tem razão – falei – melhor entrarmos.

Lary assentiu, entramos na casa e reobservamos o saguão de entrada. A mobília era diversa, uma mistura de estilos, clássico e despojado ao mesmo tempo. Não tinha muitos moveis ali, apenas mesas, encostadas nas paredes, cheias de plantas e fotos. Aproximei-me das fotos, eram pessoas e lugares variados, mas todos sorriam nas inúmeras fotografias.

– essa é a Johanna? – perguntou Lary, apontando para uma foto.

A pessoa na foto era uma garotinha, tinha grandes e espertos olhos azuis, seu sorriso era um tanto maroto. Ela segurava uma bola de basebol chamuscada, como se tivesse sido agarrada por uma mão em chamas.

– ela era fofa – comentou Lary, indicando outra foto.

Aproximei-me da tal, mostrava uma menina pequena, devia ter uns quatro anos. Estava nas costas de um homem alto, tinha cabelos castanhos e olhos azuis, aparentava ser jovem. Seu sorriso tinha certa adoração, a garotinha sorria abertamente, exibindo sua arcaria dentaria incompleta. Ela tinha o mesmo sorriso do homem, o mesmo nariz, os mesmos olhos.

– eu arriscaria dizendo que esse é o pai dela – disse alguém atrás de nós.

Virei, era um garoto alto e forte, sorria de forma simpática.

– vocês são novas aqui, eu sou Alex – falou, dando um passo á frente.

– Lary – disse Lary, sorrindo e dando um pequeno aceno com a mão.

– Cindy – falei, fazendo um gesto com a cabeça.

Ele sorriu, voltei á olhar para as fotos, cada uma mostrava um momento diferente.

Em uma, um garotinho brincava com vários bonecos de ação, sorria e olhava para a câmera, parecia ter cinco anos. Em outra, esse mesmo garotinho, um pouco mais novo, fazia uma carinha estilo gato de botas para a câmera, vestia uma camisa de algum time que não reconheci.

– nossa mãe – falei, abismada com a foto que achara.

Era Leonardo Parker, um pouquinho mais jovem, em uma praia. A beleza daquele homem era tanta, que eu fiquei uns bons dez segundos encarando a foto, de boca aberta, como uma idiota.

Lary pegou um porta retratos, olhou bem a foto e soltou uma risada. Aproximei-me, curiosa.

– o que foi? – perguntou Alex.

– olha só – disse Lary, passando a foto para Alex.

Cheguei perto de Alex, vendo a foto também. Mostrava aquele garotinho, talvez aos sete anos, chorando de raiva. Aprumei-me para ver melhor, reconheci a garotinha, segurando um boneco do Max Still em chamas. O melhor nem era isso, e sim a cara da menina. Ela exibia um sorriso psicopata, seus olhinhos brilhavam, como se ela tivesse adorado queimar o boneco do menino. Eles estavam em um belo jardim, pude ver o homem da outra foto atrás, rindo tanto que dobrava seu corpo para frente. O garotinho espumava de raiva, olhava para a câmera como se pedisse ajuda para quem estava fotografando, enquanto a menina ria de modo quase insano ao queimar o boneco. As chamas lambiam o boneco e as mãos da menina, mas ela não parecia ligar para isso, apenas queimava enquanto o menino chorava de raiva.

Explodi em uma risada, assim como Alex e Lary. Ficamos um bom tempo rindo da foto, tempo demais para reparar quem estava atrás de nós. A própria Johanna olhava-nos, seu olhar mostrava divertimento, assim como seu sorriso.

– admirando minha capacidade de irritar meu irmão? – perguntou, aproximando-se de nós.

Paramos de rir, um tanto nervosos pela cena. Johanna aproximou-se de nós e pegou o porta retratos das mãos de Alex, que ficou ainda mais nervoso. Johanna percorreu a foto com o olhar, todos nós relaxamos quando ela riu, contagiando todos nós, fazendo-nos voltar á rir.

– eu lembro um pouco desse dia – contou – Leonardo estava brincando no jardim, eu pedi para brincar com ele, e ele disse não.

– por isso queimou o brinquedo? – perguntou Lary.

Johanna assentiu, dando uma risada baixa.

– eu disse que se ele não brincasse comigo, não brincaria mais – contou, sorrindo para a foto – ele devia ter me ouvido.

Dei um sorriso, imaginado o quanto a infância deles não devia ter sido louca.

– posso saber por quê vocês estão aqui, e não lá no jardim com os outros? – perguntou Johanna – não estou repreendendo, mas nem mesmo eu fico aqui o dia todo.

– estávamos conhecendo a casa – falei – perdemos o tuor.

– e eu estava procurando a Bruna – disse Alex

Johanna assentiu, deu um ultimo sorriso, antes de colocar a foto no lugar e virar-se para nós.

– Bruna está lá fora – falou – assim como a maioria dos outros alunos.

Alex assentiu, acenou para nós e saiu pelas portas principais, deixando-nos com Johanna, que olhava para nós.

– se vocês quiserem, eu posso mostrar a casa á vocês – disse, dando um passo para o lado – vocês podem acabar perdidas.

Lary me olhou, dei de ombros. Era melhor ter uma guia.

– queremos – disse Lary.

Johanna assentiu, depois virou e começou á andar.

– essa é a sala principal, a sala de jantar fica á esquerda – falou, girando o dedo indicador – vamos pelo lado sul.

Ela entrou em um corredor, Lary e eu fomos em seu encalço, observando tudo á nossa volta. Johanna apontou para uma porta, estava fechada.

– essa é a única área privada da casa – falou – não podem entrar aí, tem acesso restrito.

Assentimos, assim que ela virou-se, Lary e eu nos entreolhamos, ela parecia tão curiosa quanto eu estava. Deixei isso de lado, passando pela sala reservada dando uma rápida olhadela para a porta grossa de madeira. Continuamos andando pelo corredor, até que Lary parou de andar, encarando fixamente uma parte da parede.

– o que é isso? – perguntou

Johanna virou, encarou a marca na parede, depois ficou um tanto tensa. Aproximei-me para ver melhor, a marca era uma mão, rodeada por brasas, como se tivesse sido feita por uma mão em chamas.

– isso é só uma marca – respondeu Johanna, um pouco hesitante – eu a fiz.

Virei para ela, que ainda encarava a marca.

– por que? – perguntei

– foi em um momento ruim, eu não estava muito bem, acabei perdendo o controle por um segundo – respondeu – mandei reformar a casa, mas deixei-a ai, como algo importante.

– importante como? – perguntou Lary

Johanna respirou fundo, ainda encarando a marca.

– ficou bonito – respondeu – fora que combina com a decoração, dá um toque mais pessoal ao ambiente.

Não falei nada, apenas refleti sobre o que acontecera. Johanna parecia perdida em lembranças, seu olhar, antes serio e centrado, estava tenso e levemente amargurado. Semicerrei os olhos um pouco, ela não reparou, continuou encarando sua marca com um misto de tristeza e tensão no olhar. Fiquei ainda mais curiosa, forcei minha mente, pronta para descobrir minhas respostas.

Visão: On

A garota entrou no corredor, andando á passos trôpegos, como se nem ao menos ligasse para andar corretamente. Ela chorava, seu rosto estava triste, marcado pela decepção. Ela deu mais uns três passos trôpegos, até tropeçar em um par de sapatos. A garota apoiou a mão na parede, buscando apoio para seu corpo, evitando sua queda eminente. Assim que conseguiu ficar de pé corretamente, ela tirou a mão da parede. Fagulhas começavam á arder, fumaça saiu do local. Vestígios de chamas iniciaram-se, consumindo a madeira da parede, iniciando um pequeno incêndio. A garota fungou, aproximou-se da parede, respirando fundo. Ela abriu a boca, aspirando o fogo que consumia lentamente a parede. O pequeno incêndio apagou-se, a garota apagou as fagulhas, mas deixou, sem querer, a impressão de sua mão naquela parede. A garota virou as costas para a parede, fungou e secou suas lagrimas. Seu olha não estava mais daquele jeito, agora estava focado e decidido.

Visão: Off

Pisquei, com certeza tinha sido um momento ruim, mas eu não sabia o motivo. Johanna ainda olhava a marca na parede, repetindo varias e varias vezes em sua mente o momento em que a fizera. Seu olhar ficou mais distante, era quase como se ela lembrasse de algo ainda mais antigo, algo bom, que ela sentia falta. Concentrei-me outra vez, entrando em sua mente.

Visão: On

Dois jovens estavam sentados no jardim, a grama fofa e macia recebia seus corpos. Deviam ter vinte anos, talvez menos, não sei dizer, mas eram jovens. A garota estava sentada ao lado do garoto, suas costas estavam escoradas nas pernas dele, usando-o como o apoio que precisava. O garoto acariciava carinhosamente a mão da garota, demorando-se um pouco em seus dedos, levando sua mão á boca logo em seguida, dando um beijo gentil. A garota sorriu, encarando os olhos claros do garoto, que logo começou á afagar seu rosto, sorrindo para ela.

Visão: Off

Fiquei desorientada por um segundo, Johanna parou de pensar naquela lembrança, cortando minha conexão. Respirei fundo, buscando uma nova concentração.

Visão: On

O garoto aproximou o rosto do da garota, segurando seu queixo, puxando seu rosto em sua direção. A ponta de seus narizes roçaram, a garota fechou os olhos, absorvendo o contato tão esperado.

Visão: Off

Johanna recompôs a expressão, deixando de lado o momento de reflexão que tivera agora á pouco. Ela olhou para nós, seus olhos estavam um tanto molhados.

– desculpem por isso – falou, sua voz vacilou um pouco, ela pigarreou – vamos continuar.

Lary estava confusa, olhava de mim para Johanna, como se tentasse compreender o que acontecera. Johanna deu as costas á marca, outra vez, e seguiu á passos lentos, quase trôpegos, outra vez. Lary encarou outra vez a marca na parede.

– ela mentiu – sussurrei, falando comigo mesma.

Lary virou-se, olhando-me.

– sobre o que? – perguntou.

Pisquei, eu falara tão baixo.

– sobre a marca, tem mais coisa por trás dela – respondi, mas logo franzi as sobrancelhas – como ouviu o que eu disse?

Ela sorriu.

– minha mutação – respondeu – é um dos meus talentos. Posso ver e ouvir tudo, tenho sentidos bem aguçados. E você, como soube que ela mentiu?

– eu li a mente dela – respondi, sacudindo os braços – é minha mutação.

– legal – falou.

– o seu também – respondi – obrigada.

Ela sorriu, Johanna virou-se para nós. Ela já estava no meio do corredor, esperando por nós.

– vamos? – chamou

– sim – respondi.

Ela sorriu, deixando sua tensão de lado. Lary e eu entreolhamos-nos, resolvemos seguir Johanna.

Encarei mais uma vez a marca na parede, pensando no que tinha visto na mente de Johanna. Seja quem for aquele garoto, causou um bom estrago.

Segui Johanna e Lary, tentando não revirar as memórias da mais velha, de novo.

POV Lorena Lower

– o que você acha? – perguntou Jully, sorrindo.

– bem legal – respondi – boa mutação, metamorfose, é algo muito legal.

– obrigada – falou, ainda sorrindo – e você, o que faz?

– sou uma telepata, posso conversar com qualquer um, através da mente, e ainda posso invadir seus sonhos – respondi, com um meio sorriso.

Ela sorriu lentamente, absorvendo a ideia.

– legal – falou – muito legal.

Sorri para ela, um pouco acanhada, como sempre. Olhei em volta, eu estava no jardim da casa, sentada em um banco de mármore, perto de um bebedouro para pássaros. O dia estava bonito, o jardim estava cheio de alunos, eu estava em uma parte mais afastada, olhando para o céu, com Jully ao meu lado.

– o dia hoje vai ser bem tranquilo – falei – as aulas só começam amanhã, e até agora não teve nenhuma confusão.

– verdade, eu odiaria se o meu domingo fosse chato – comentou Jully, balançando os pés.

Assenti, olhando para o chão. Anah veio caminhando em nossa direção, parecia um tanto irritada.

– vocês não vão acreditar, eu acabei de descobrir que a piscina foi liberada – contou.

– e isso é ruim? – perguntei

– claro que é – respondeu, revirando os olhos – eu não trouxe roupa de banho, como ia imaginar que aqui tinha uma piscina?

Jully e eu trocamos um olhar, ela sorriu, depois olhou para Anah.

– eu posso te emprestar algo que eu tenho aqui – falou, prendendo o riso – só se você parar de fazer bico.

Anah abriu um sorriso, depois sentou ao nosso lado, bem mais alegre.

– obrigada – falou.

Sorri, revirando os olhos. Anah era legal.

– Lorena, não olha agora, mas acho que Edward está olhando para você – cochichou Jully.

Fiquei ainda mais vermelha que meus cabelos, disfarcei, fingindo que estava olhando para um chafariz no meio do jardim, quando, não verdade, procurava Edward. Achei-o perto de um dos arbustos, ele estava escorado na parede, suas mãos estavam enfiadas nos bolsos de sua jaqueta. Ele tinha um cigarro acendido em meio aos dentes, me encarava fixamente, sem nem ao menos ligar para o fato de ter três meninas, Jully, Anah e eu, observando-o.

– o que você acha? – sondou Anah.

– o que eu acho sobre o que? – perguntei

Ambas reviraram os olhos, fiquei ainda mais vermelha do que já estava.

– sobre o gatinho que está te olhando – disse Jully

– ah, isso – respondi, gaguejando um pouco – ele é bonito.

As duas reviraram os olhos, encarei o chão.

– isso é bem obvio – disse Anah.

Dei de ombros, ainda envergonhada.

– ele não para de olhar para você – comentou Jully, com um meio sorriso – talvez ele venha falar com você.

– acho que não – falei, tímida.

– por que não? – perguntou Anah – você é uma garota bonita, ele deve estar interessado.

Corei com o elogio, sorri para agradecer. Encarei Edward, ele ainda me olhava. Respirei fundo, olhando-o. Ele deu um pequeno sorriso ao ver que era observado, corei e desviei o olhar para o chão, decidida á não olha-lo novamente.

– atenção pessoal, a piscina está liberada – anunciou Claire, saltitando na porta da frente – vamos lá!

Anah e Jully levantaram, sorrindo, animadas.

– você não vem? – perguntou Anah

Neguei com a cabeça, dando um pequeno sorriso.

– prefiro ficar aqui – respondi – não curto muito isso.

Jully assentiu, as duas acenaram para mim e se afastaram, conversando sobre algo que eu não pude ouvir. Suspirei, curtindo minha própria companhia. Olhei em volta, o jardim era muito bonito, convidativo para uma bela caminhada. Foi o que eu fiz, levantei-me e comecei á caminhar, sozinha, do jeitinho que eu gosto.

Passei por baixo de uma arvore, uma florzinha caiu em minha cabeça. Peguei-a e cheirei-a, o perfume era maravilhoso, tão sutil e calmo quanto eu. Sorri e pus a flor no cabelo, retomando minha caminhada. Tinha uma trilha mais afastada, resolvi segui-la, já que era calma e estava deserta. Caminhei, minhas mãos estavam dentro dos meus bolsos traseiros, como sempre. Respirei fundo, uma brisa fresca e agradável soprou, vinda da floresta. Senti certa curiosidade, eles tinham até mesmo uma floresta particular, de onde tiraram tanto dinheiro? Tinham uma casa luxuosa, e eu não duvidava nada que eles tinham uma bela garagem cheia de carros novos e complexos demais para eu saber seu nome.

– Hey! – chamou-me alguém.

Olhei para trás, um tanto assustada. Era aquele garoto, Edward. Ele vinha em minha direção, estava com aquele cigarro na mão, ainda aceso. Desviei os olhos para o chão, ele chegou onde eu estava.

– sou Edward Howard – falou, dando um meio sorriso – e você?

– Lorena Lower – respondi, corando e dando um suave repuxar de lábios.

Ele assentiu, dando um sorriso. Balancei-me de um lado para o outro, querendo retomar minha caminhada, mas não podia, já que estaria sendo grossa se deixasse-o falando sozinho. Edward percebeu, deu outro meio sorriso atraente e deu alguns passos vagarosos pela trilha.

– do onde você veio? – perguntou, afastando-se de mim, mas olhando para onde eu estava.

– Boston – respondi, retomando minha caminhada – e você?

– New York – respondeu – meu pai medico lá, e minha mãe é jornalista do The New York Times.

Assenti, ainda cabisbaixa.

– e seus pais? – perguntou.

– mortos – respondi, minha voz saiu bem baixa – antes disso, cientistas.

– ah – falou, baixando o tom de voz e desfazendo um pouco seu sorriso – sinto muito.

– tudo bem – falei, dando um sorriso mínimo.

Ficamos em silencio por um tempo, apenas andando pela trilha. Eu queria ficar sozinha, mas não queria ser indelicada.

– por que não está na piscina com os outros? – perguntou Edward

Dei de ombros, ele ficou me olhando.

– não gosto muito de aglomerações – respondi, olhando para a trilha – prefiro ficar sozinha.

– eu também curto minha própria companhia – falou – cá entre nós, é uma ótima companhia.

Ri sem querer, ele sorriu, curtindo o que tinha feito.

– você parece ser nova, quantos anos tem? – perguntou

– 15 – respondi, acanhada.

– como eu disse, nova – falou – eu tenho 17.

Dei um pequeno aceno com a cabeça, indicando que tinha ouvido. Continuamos caminhando, o silencio não me incomodava, e nem parecia incomoda-lo, já que ele não fazia nada para muda-lo.

– você é bem tímida – reparou.

Assenti, corando apenas com essa afirmação. Ele sorriu.

– está vendo? – falou – eu fiz um comentário, e você ficou vermelha.

Fiquei ainda mais vermelha, ele riu de minha reação automática.

– isso é bem constrangedor – comentei, corando.

Ele deu um sorriso e ficou encarando-me fixamente, pigarreei e desviei o olhar, tentando não ficar ainda mais vermelha do que já estava. Edward colocou o cigarro na boca, tragou-o profundamente, depois jogou-o no chão e pisou nele, apagando-o. Observei cada movimento com uma careta, cigarros são horríveis. Ele percebeu que eu olhava, deu um aceno discreto, indicando o cigarro recém apagado.

– gosta? – perguntou

Neguei com a cabeça, ele franziu as sobrancelhas por um segundo.

– já fumou alguma vez? – perguntou.

– não – respondi.

– então, como pode dizer que não gosta? – perguntou.

Dei de ombros.

– faz mal á saúde, e engolir fumaça não me parece muito atrativo – respondi, simples.

Ele abriu a boca para responder, mas eu não deixei.

– cigarro é feito com coisas prejudiciais á saúde, tem formol, aquele produto que usam em cadáveres. Tem propriedades suspeitas, e até mesmo veneno para ratos – falei, fazendo uma careta – fora que deve ter um gosto horrível.

Ele recuperou-se de minha crise de inteligência momentânea, piscou, um tanto atordoado.

– mas, você já provou o gosto? – perguntou

– não – respondi, franzindo as sobrancelhas.

Ele deu um sorriso misterioso, ficando na minha frente, impedindo-me de andar.

– então como você sabe que tem um gosto ruim? – perguntou.

Pisquei, ele continuou sorrindo.

– eu li sobre isso, com tanta química e materiais perigosos, não deve ter um gosto bom – respondi.

Seu sorriso cresceu, ele aproximou-se de mim, senti sua respiração em meu rosto.

– a teoria nem sempre está certa, ás vezes precisamos provar certas coisas, para realmente sabermos o sabor – falou, sua voz saiu sedosa e hipnotizante.

Pisquei, um pouco chocada por sua proximidade, e por seu modo de falar. Edward abriu um sorriso ao ver minha confusão mental, pisquei outra vez.

– eu não preciso provar certas coisas para saber que são erradas – falei, resistindo ao impulso de dar um passo para trás – certas coisas vem com seu próprio selo de perigo.

Ele deu um sorriso deliciado, engoli em seco, esperando que ele se afastasse.

– é uma bela tese, temo que esteja errada – falou – é preciso provar o sabor das coisas.

– discordo – falei, sem querer – certas coisas não tem sabor, apenas fingem ter.

Com essa eu devo ter desarmado-o, espero que sim, porque meu estoque de respostas boas esgotou-se com essa ultima. Edward sorriu, como se tivesse gostado da minha resposta.

– vou fazê-la mudar de ideia, mais cedo ou mais tarde – falou.

Ele afastou-se antes que eu pudesse reagir, estava indo para a porta da frente, mas virou e dirigiu-me um sorriso brilhante.

– aliás, pode me chamar de Teddy – falou, um pouco alto, para que eu pudesse ouvi-lo – te vejo por aí, Lorena.

Pisquei, ele riu e sumiu na paisagem, deixando-me sozinha e confusa. Sacudi a cabeça, recuperando-me do choque repentino. Recomecei á andar, pensando na conversa louca que tivera.

POV Rick Stevenson

Mordi o lábio inferior, apertando os botões como se minha vida dependesse disso, o que não deixava de ser uma meia verdade. Na tela, Leon Scott Kennedy lutava contra Osmund Sadler, minha vida já não estava assim tão cheia, mas eu ainda tinha chances de vencer. Ao meu lado, no Xbox 360, Daniela jogava Assassins Creed III, e arrasava na ação. Atrás de mim, Stiles tocava o controle do Play Station 4 com adoração, era quase como se ele fosse a coisa mais preciosa do mundo. E no Xbox One, Bruna jogava Forza Motorsport 5 como se sua vida dependesse disso. Voltei minha atenção ao Play Station 2 á minha frente, bateu nostalgia e acabei jogando Resident Evil 4, era um bom jogo, e o único ponto negativo era precisar aturar a voz da Ashley. Stiles trocou de jogo, colocando o Call Of Duty Ghosts no console.

– morri! – guinchei, vendo a tela ficar vermelha e a legenda: “you are dead” aparecer.

– não foi só você – resmungou Daniela, baixando o controle na mesa de centro.

Bruna deu uma risadinha, ela dirigia muito bem no jogo, estava em primeiro lugar na partida, á um passo da linha de chegada. Ela venceu a partida, deu um sorriso aliviado e também baixou seu controle na mesinha de centro. Lancei um olhar de esguelha para minha tela, soltei um suspiro pesado e reiniciei, dando mais uma chance á Leon.

– aprovei o Forza – disse Bruna, sorrindo para a capa do jogo – os controles respondem muito bem, e a inteligência artificial é boa.

– ao contrario dos Ganados aqui – resmunguei – eles são muito burros.

As duas olharam para a tela, um inimigo gritou em espanhol: “detrás de ti, imbecil”. Ri, atirei em suas nádegas, ele soltou um urro, mas logo calou-se, eu o matei. As meninas riram.

– eles são mesmo uns idiotas – disse Daniela – e ficam parados enquanto você atira.

Rimos ainda mais da burrice dos meus adversários, logo, eu já tinha avançado para a batalha final outra vez. Bruna e Daniela estavam atrás de mim, empoleiradas nas costas da minha poltrona, assistindo meu jogo.

– finalmente – falei, sorrindo – adeus, senhor Sadler.

Na minha tela, a explosão do chefe final enchia a visão, ri ainda mais. A Cut Scene acabou, e eu precisei correr, a ilha ia explodir, e eu ainda precisava tirar Ashley dali.

– beleza, eu vou jogar Minecraft – disse Bruna, afastando-se de nós e indo para o computador enorme.

Zerei o jogo, respirei fundo, já que passara as ultimas seis horas jogando-o direto. Daniela deu um sorrisinho, aprovando minha nova escolha de console quando eu rumei para o Play Station 3. Procurei nas prateleiras de jogos, dei um sorriso ao achar o que procurava. Voltei para o console e coloquei The Last Of Us.

– ouvi dizer que esse é muito bom – comentou Daniela, pegando a capa do jogo para ver – dizem que tem um começo emocionante.

– ouvi dizer a mesma coisa – falei – mas não me importo em soltar umas lagrimas por um bom jogo.

Daniela sorriu, colocou a capa do jogo na mesinha de centro e foi até outra prateleira, a dos consoles portáteis, e pegou um Play Station Vita.

– zerei! – gritou Stiles.

Assustei-me, as meninas também, mas Stiles não parecia envergonhado. Ele colocou o controle na mesinha de centro e deu um grande sorriso satisfeito.

– estou completamente satisfeito com esse jogo, mas a campanha devia ser mais longa – disse, ainda sorrindo – mas é ótimo, só tenho boas impressões á respeito.

– eu ainda não joguei, mas pretendo – falei.

– jogue, é muito bom – disse Stiles – e o que você está jogando?

– The Last Of Us – respondi – e, pela meia hora que eu já joguei, o jogo é incrível.

– vou jogar depois – disse Stiles, sorrindo.

Assenti e voltei minha atenção ao jogo, já estava na metade quando Bruna arquejou, arregalando os olhos para nós. Era bom ver que ela estava mais solta conosco, assim como Daniela, que já até sorria espontaneamente.

– já são cinco da tarde, estamos aqui desde nove da manhã – falou, pasma.

Abri a boca, um tanto incrédulo. Stiles quase caiu da cadeira, Daniela guardou o portátil que estava jogando bem na hora em que a porta foi aberta, e Alex entrou.

– vocês passaram o dia todo aqui, perderam a piscina – falou – não que eu tenha ficado lá, mas Claire insistiu na presença de todos.

– preferimos ficar aqui, jogando – respondeu Daniela.

Alex soltou um suspiro pesado.

– se eu soubesse, teria vindo com vocês – falou – melhor do que passar a tarde toda sem fazer nada.

Dei um sorriso afetado, a porta foi empurrada uma segunda vez, e quem entrou foi Ash dessa vez. Ele veio latindo educadamente, tinha algo preso á coleira, um papel enrolado. O cão parou na frente de Bruna, deu um latido sugestivo, como se chamasse ela.

– ele quer que eu pegue? – perguntou, confusa e sorridente pelas ações do cachorro.

Bruna agachou-se e tirou o papel da coleira, Ash permaneceu na mesma posição, deu um rosnado fino do fundo da garganta.

– ele quer o pagamento – falei, comunicando-me com o cão.

– como você saber? – perguntou Daniela.

Dei de ombros, ficando um pouco vermelho.

– é minha mutação – respondi, encarando o cão – posso alterar minha forma, virando animais, e de quebra, posso comunicar-me com eles, mesmo estando em minha forma humana.

Todos sorriram, apreciando o que eu tinha dito. Corei e desviei os olhos, ser o centro das atenções não era lá o meu forte.

– muito bem, bom garoto – disse Bruna.

Ash latiu, abanando o rabo, e pulou em Bruna, derrubando-a no chão. Ela começou á rir, o cão grunhia e latia, pedindo carinho.

– para, Ash! – disse Bruna, ainda rindo.

Todos nós começamos á rir, o cão pedia carinho, brincava como um filhote, descombinando com seu tamanho de adulto. Ele não parou até Bruna sentar no chão e começar á fazer carinho nele, Ash fechou os olhos e colocou a língua para fora, aproveitando as caricias de uma risonha e sorridente Bruna. Alex foi até a garota e ajudou-a á levantar, o cão latiu, agradecendo o carinho, e saiu pela porta, deixando cinco jovens risonhos por suas ações.

– esse cão é uma graça – disse Daniela.

– é mesmo – concordei – e ele gostou de você, Bruna.

Bruna sorriu, depois pegou o papel que Ash trouxera e abriu-o.

– é só um informe, só teremos aula amanhã, já que hoje é domingo – falou – a piscina só vai ser liberada nos fins de semana, mas a sala de jogos é livre, isso é bom.

Assenti, concordando. Bruna continuou lendo, depois guardou o papel no bolso da calça.

– pelo que diz no informe, o jantar á ás seis, ou seja – falou, consultando seu relógio – daqui é cinco minutos.

– realmente, passamos tempo demais aqui – disse Daniela.

Desliguei meu console, guardei o jogo e o controle em seus respectivos lugares. Os outros começaram á espreguiçar-se, Stiles bocejou de leve.

– vamos lá, ou chegaremos atrasados – disse Daniela.

Fomos andando em direção á porta, saímos e fomos conversando pelo corredor. Gostei de saber que já tinha amigos, aquelas pessoas eram muito legais, e tínhamos muita coisa em comum, mesmo sendo tão diferentes. Tínhamos algo que ligava á todos nós, alem da matricula nessa escola. Tínhamos uma diferença, e era exatamente isso que nos fazia tão iguais. Todos nós passamos pelo preconceito, pelo desprezo da sociedade, e tínhamos um lar agora, estávamos todos juntos aqui.

Chegamos na sala de jantar, algumas pessoas já estavam sentadas á mesa, Skylar acenou para Stiles, que sorriu e acenou de volta. Sentamos, fiquei entre Bruna e Daniela, bem de frente para um maravilhoso prato de pizza. Stiles sorriu bastante ao ver o strogonoff á sua frente, assim como Bruna. Johanna entrou, conversando e sorrindo para cinco novas pessoas. Uma era uma moça, tinha cabelos castanhos e um tanto ondulados, olhos castanhos que puxavam um pouco para o verde, pele branca e exibia um sorriso gentil e levemente acanhado. Outro era um garoto, tinha mais ou menos 1,80 de altura, olhos claros em uma mistura de azul com verde, cabelos castanhos que caiam-lhe até a nuca, a pele era clara e o nariz fino e bem desenhado. A terceira era outra mulher, tinha olhos cinzentos e pele pálida, seus cabelos negros caiam em cascata até o meio das costas, era um pouco baixa e tinha lábios cheios e avermelhados. O quarto era um homem alto, tinha olhos esverdeados e cabelos castanhos. E por fim, tinha outro garoto, tinha 1,65, mais ou menos, e parecia ser novinho.

– muito bem, pessoal – disse Johanna, atraído a atenção de todos – essa é Elizabeth Williams, a professora de física.

Ela apontou para a primeira mulher, a com cabelos castanhos. Ela deu um sorrisinho e acenou para nós.

– esse é Jost Hunter Lancaster – falou, apontando para o primeiro garoto, o mais alto.

– Becky Taylor – apontou para a mulher de lábios vermelhos e cabelos negros.

– Marco Vicent – disse o homem, sem esperar Johanna apresenta-lo.

– e esse é Matheus Lepeyre Ritch – concluiu Johanna, sem ligar para Marco.

O garoto deu um sorriso tímido, mas acenou para todos.

– sentem – mandou Johanna – vamos comer.

Todos sentaram, os novos professores cumprimentaram os mais antigos, Marco sentou ao lado de Johanna, os dois começaram uma conversa. Os alunos novos sentaram mais perto de nós, Jost sentou ao lado de Skylar, e Matheus sentou ao lado de Talita, ambos no ultimo lugar da mesa.

– Rick, me passa o sal? – pediu Daniela.

– claro – respondi, sorrindo e passando o sal á ela.

Leonardo entrou na sala, acenou para todos, até mesmo para os novos professores. Stiles estava estático, olhando para a professora de física.

– o que foi? – perguntei.

– eu não acredito, é ela mesma – falou, ainda abobado – é ela mesma.

– quem? – perguntou Daniela.

Stiles engoliu em seco, ainda fitando a moça.

– Elizabeth Williams, filha de uma matemático muito famoso – contou, baixando um pouco seu tom de voz – formou-se muito jovem, consegue fazer cálculos praticamente impossíveis. Eu não acredito que ela está aqui, e vai ser nossa professora de física!

Stiles parecia muito entusiasmado, mas isso não me impediu de prestar atenção no que Johanna falava com Leonardo, e parecia irritada.

– que irresponsável, as aulas começam amanhã, e ele ainda não apareceu – falou.

– calma Jo, ele vai aparecer – disse Leonardo, revirando os olhos.

– atrasado, é bem um de seus amigos – disse Johanna, bufando de irritação, e posso jurar que suas sobrancelhas começaram á fumegar.

– ele é profissional – disse Leonardo – e tenta não botar fogo na mesa.

Johanna bufou, mas acalmou-se.

– se ele não aparecer em meia hora, nem precisa vir mais – falou, em um tom de voz de quem encerra uma conversa.

Fiquei pensativo, um professor estava atrasado, e Johanna estava nervosa, isso não ia dar muito certo.

Terminamos de jantar em vinte minutos, Johanna estava ainda mais impaciente. Andava de um lado para o outro, sem nem mesmo perceber que a barra de sua blusa estava em chamas até que Claire gritou e jogou um copo de água na prima.

Silencio mortal, os olhos de Johanna brilharam de fúria.

– castigo, Claire – mandou – vá já para o seu quarto.

Claire bufou, irritada.

– não pode fazer isso, você não manda em mim, e nem tem idade para isso! – protestou

Johanna virou, encarando a prima, fazendo todos os presentes ficarem nervosos, como se a qualquer momento, ela fosse matar todos nós.

– não venha me dizer o que eu posso ou não fazer, vá para o quarto, agora – mandou

Ela colocou tanta autoridade na voz, que nem mesmo Leonardo tentou discutir. Claire levantou, fungando como uma criança, e sumiu em direção as escadas. Johanna virou para o irmão, que assustou-se.

– ele ainda não chegou – falou – é tudo culpa sua.

– Jo, calma, ta bom? – falou – ele vai aparecer, ele é de confiança.

– percebe-se – ironizou – ele não veio até agora.

Leonardo bufou, impaciente com a impaciência da irmã. Ele olhou para nós, reparando agora em nossa presença.

– vão ao jardim, fiquem lá um pouco – mandou – Johanna e eu vamos conversar.

Nem mesmo hesitamos, apressamos-nos á sair para o jardim, sem nem precisar mesmo olhar para trás para saber que Johanna estava nervosa. Sentei em uma mureta, Bruna, Daniela, Stiles e Alex sentaram perto de mim, juntos como um grupo, e isso me alegrou.

– por que será que a Johanna está tão nervosa? – perguntou Daniela.

– ela está esperando alguém, que obviamente, está atrasado – disse Alex, chutando uma pedrinha do chão.

– achei que ela fosse fazer a Claire de tocha humana – disse Bruna – sinceramente, eu não me importaria se ela fizesse.

Todos nós rimos, Bruna corou um pouco, ao ver que tínhamos curtido sua piada. Ficamos um tempinho em silencio, apenas curtindo o fim de tarde bonito que fazia. O tempo estava bem agradável e fresco, Sr Strogonoff devia estar dormindo em algum lugar do meu quarto á essa hora.

E do nada, um ronco quebrou o silencio da quase noite. Uma motocicleta entrou em alta velocidade na propriedade, deixando um rastro de pneus e todos nós exaltados. As portas principais foram abertas, Johanna saiu, seguida por um Leonardo sorridente.

– eu disse que ele viria – falou.

Johanna botou as mãos na cintura, estreitou os olhos e encheu os pulmões de ar.

– achei que nunca chegaria – falou – professor.

O motorista desceu da moto, guardou suas chaves no bolso da jaqueta de couro, mas não tirou o capacete.

– desculpe, me atrasei um pouco – falou, levou as mãos ao capacete e tirou-o – Johanna.

Johanna escancarou a boca, antes de começar a rir e pular no homem recém chegado, abraçando-o e fazendo todos nós ficarmos de sobrancelhas erguidas.

– ai meu Deus, Gabe! – guinchou, ainda agarrada ao homem.

Ele riu, afagou as costas da mulher, que soltou-se dele, antes de dar-lhe uma tapa leve no braço.

– por não disse que viria? – perguntou Johanna, ainda muito pasma e sorridente – eu teria dado uma festa.

Gabe riu, Leo deu um passo á frente.

– eu sabia que ia aprovar minha escolha de professor – disse, sorrindo ironicamente para a irmã.

Gabe sorriu para Leonardo, eles trocaram um abraço de homem.

– Leo, meu chapa – disse gabe, sorrindo – ainda guarda revistas PlayBoy no armário?

Leonardo riu, depois fez um gesto de desdém com a mão.

– eu não preciso mais de revistas – zombou, sorrindo de canto.

Johanna encarou o irmão, ligeiramente irritada.

– o que quer dizer com isso? – perguntou, ameacadoramente.

Leonardo fez uma careta enquanto gabe ria, assim como nós.

– nada não, deixa quieto – disse Gabe, depois sorriu para Johanna – e você Jo, ainda põe fogo em tudo que vê?

– o jardim foi reformado recentemente – respondeu, dando um sorriso provocador – o que você acha?

– acho que isso foi um sim – disse Gabe, recuando um passo.

Johanna riu de sua reação, para depois reparar nos alunos.

– gente, esse é Gabriel Keller, o novo professor de defesa pessoal – falou.

– na verdade, eu vim lecionar historia – disse Gabriel.

Johanna olhou para ele, confusa.

– achei que fosse lecionar defesa pessoal – disse, com uma sobrancelha franzida.

– não, esse sou eu – interveio Leonardo.

Johanna virou para o irmão, ainda mais confusa.

– você é o professor de historia, não de defesa pessoal – falou – de onde saiu essa sua ideia?

Leonardo riu, assim como Gabriel, da confusão da irmã.

– na verdade, eu prefiro defesa pessoal. Gabe é melhor em historia do que eu, e eu prefiro a pancadaria, você sabe disso – respondeu.

– por isso não deixou eu ver a ficha do professor de defesa pessoal, e nem a do professor de historia – disse Johanna, ligando os pontos – era uma conspiração, o tempo todo.

– eu prefiro o termo “surpresa”- disse Leonardo, sorrindo.

Johanna protestaria, mas Gabriel ficou ao seu lado e passou seu braço em sua cintura, abraçando-a de lado. Todos os alunos trocaram olhares, Bruna balançou as sobrancelhas para mim, maliciando o gesto de Gabriel.

– gostou da surpresa? – perguntou Gabriel, sorrindo de canto para Johanna.

Johanna riu, mas correspondeu ao abraço, sorrindo.

– adorei – respondeu – senti sua falta, Gabe.

Troquei um olhar com Daniela, os outros fizeram o mesmo.

– parece que nossa professora não é tão séria quanto aparenta – cochichou Stiles.

Assenti, dando uma risadinha. Leonardo olhou para nós, depois para sua irmã com seu amigo.

– você já sabe onde fica tudo, Gabe, se tiver duvidas, pergunte á Johanna – disse, depois acenou para nós – podem entrar em casa se quiserem, é melhor dormirem, as aulas de amanhã serão bem interessantes.

Sacudi-me de expectativas, o dia de amanhã promete.

– vamos? – chamou Alex.

– vamos – concordou Bruna.

Subimos as escadas, em direção á porta da frente.

É, parece que Johanna esconde ainda mais coisas do que pensávamos, já que parte de seu passado acabara de chegar, dirigindo uma bela moto.

FOTOS (PERSONAGENS QUE TIVERAM POV)

Lorena Lower

Skylar Jones

Cindy Peterson

Gabriel Keller

Unicorn (Gata da Sky)

Notas finais
Pronto, não sei se ficou bom, ou se vocês vão gostar, mais é que eu precisei fazê-lo ás pressas para postar hoje, i'm sorry for that (meu inglês é uma merda, relevem de tiver algum erro). Quanto ás notícias que eu prometi no começo da postagem, lá vai: 1- Eu estava em outro devaneio, sobre a vida no Acampamento Meio Sangue dessa vez, e puxei assunto com meu irmão. Acabei tendo umas idéias muito boas, boas demais para caber em apenas uma Fic. Então eu pensei: "já que tá todo mundo amando, e eu também tô amando escrever essa Fic, por que não fazer uma segunda temporada? E assim foi pelo resto da madrugada de domingo, acabei ficando morrendo de sono na segunda, mas fiquei feliz. Anotei minhas idéias, que, cá entre nós, ficaram perfeitas demais, e separei-as direitinho. Tenho material suficiente para nutrir três ou quatro temporadas, com folga. PERGUNTA DO DIA: QUEREM MAIS DE UMA TEMPORADA? Respondam, não me ignorem, isso é importante. 2- Se não quiserem mais temporadas, tudo bem. MAS, a história ficará mais simples e apertada, para caber em, no máximo, cinquenta capítulos. Prolongar as temporadas, além de enriquecer a história, pois dará mais espaço para novos detalhes, irá estender o nosso tempo juntos, já que meu planejamento vai até o ano que vem. Fora que dará mais espaço á seus personagens, já que vamos ter mais capítulos, teremos mais POV's. 3- Fica á seu critério, não vou fazer nada sem seu consentimento, por isso estou avisando logo agora. 4- Era só isso, não gosto de número ímpar, então coloquei esse quarto aviso. Ignorem-me, sou louca. Beijo, vejo vocês nos reviews. P.S.: Vão lá: http://www.youtube.com/watch?v=ICGLR6ZJi10 Me digam se gostaram depois, essa música é minha, perfeita para minha pessoa.