Saga Starion - Os Quatro Elementos
2 Chapter I
Meu sonho era o seguinte:
Eu estava em um quarto rodeada por mulheres, algumas ajeitavam meu vestido, outras me maquiavam, outras cuidavam do meu cabelo. De repente todas elas pararam, eu virei e deparei com meu reflexo. Eu estava com um lindo vestido armado, o busto tomara que caia era todo dourado e o brilho descia pelo tecido negro que formava a saia. Meu cabelo estava preso decorado com algumas perolas e a minha maquiagem estava simples, mas formal.
Então de repente o sonho mudou. Agora eu estava em um salão de baile dançando com um cara mascarado, a dança parecia coreografada, todos dançavam igual e no mesmo ritmo. Lembrava-me os bailes medievais que eu via em filmes.
O sonho mudou novamente, eu continuava no salão de baile, que agora estava coberto por uma fumaça verde, as pessoas estavam desesperadas e uma risada maligna corria pelo espaço. Senti uma tontura, tudo começou a rodar e então eu acordei.
Acordei suando frio, com falta de ar, e um despertador berrando na cabeceira da cama. Levantei e fui até o banheiro, fiz as minhas higienes matinais, fiz uma trança no cabelo e coloquei o belíssimo (sentiu o sarcasmo?) uniforme padrão do Internato Washington Good, ou seja, saia plissada vermelha escarlate, blazer combinando, uma blusa social branca lisa e um sapato estilo boneca preto fosco com salto de quatro centímetros. Apesar do nome o internato não tem nada de bom, é um internato para jovens órfãos, onde passamos o ano todo como se fossemos peças de uma vitrine para que no final do ano os pais interessados já tenha certeza das suas escolhas.
Aposto que estão se perguntando quem eu sou, meu nome é Katharina Renner, tenho 17 anos. Minha aparência? Pele branca, olhos azuis e cabelo castanho. Levantei preguiçosa e fui tomar um banho frio para acordar, quando sai do banheiro, percebi que só eu havia acordado, peguei o secador de cabelo e liguei. Quando o som saiu, as meninas tomaram um susto, Ana sentou num pulo e Marcela caiu da cama, comecei a rir. Ana começou a me fulminar com o olhar, parei de rir imediatamente.
— O que é? Se eu não fizesse isso vocês iriam atrasar pra aula._digo com cara de inocente._.
— Você não tem jeito mesmo.
Elas levantaram e foram se aprontar. Um tempo depois elas estavam prontas. Saímos do quarto e fomos para a fila, quando todos do andar chegaram fomos guiadas pela Sra. Swift para o ginásio.
O Instituto Washington Good é um local com um ensino, como eu posso dizer "tradicional", com uma lista de regras intermináveis e com castigos igualmente tediosos. Porém, a escola utiliza da tecnologia na hora das aulas, o que tira um pouco a pressão de estar enjaulada naquele lugar.
Quando chegamos ao ginásio a Sra. Swift nos guiou por meio dos meninos, vi Ana dar um tchauzinho pra um dos meninos, não consegui ver quem era, mas tenho quase certeza que foi para Miguel. Vou dar uma resumida sobre a "relação" de Ana e Miguel, ela me diz que eles não têm nada, mas eu não acredito, pensem comigo, toda vez que eu encontro ela, ele está junto e quando eles me vêm mudam de assunto, depois ela me pergunta por que eu fico imaginando esse tipo de coisa.
Quando chegamos aos nossos lugares, a Sra. Swift se retirou, nos deixando sozinhas. Se você acha que ficamos sentadas como damas requintadas esperando o inicio dos anúncios, estão muitos enganados, começaram a se formar os grupinhos. De longe vi as minhas cúmplices num grupinho.
— Jasmine! Carla!_ Jasmine virou pra trás e me viu, falou alguma coisa pra Carla, elas deram um thauzinho para o grupinho em que estavam e vieram até mim.
— Chefia! Quanto tempo!_ Disse Jasmine me abraçando.
— Só foram alguns meses. Mas ainda me impressiono de encontrar vocês aqui, soube que vocês foram passar um tempo com uma família adotiva.
— Nem me lembre._ Disse Carla._.
— Eu não gosto nem de pensar._ Disse Jasmine._ Mas então, preparada para agir como uma aluna exemplar? Soube que está em observação.
— Se você conseguir passar uma semana sem se encrencar já vai ser um milagre._comentou Carla rindo._.
— Ah, que isso meninas, vamos ser otimistas. O ano só está começando, a escola é grande, com certeza eles vão ter mais a se preocupar do quer ficar vigiando uma pessoa vitima de um imã pra encrencas.
Carla ri e Jasmine balança a cabeça, ela nunca sorri. Nesse instante, uma mulher subiu no palanque. A mulher bateu no microfone e disse:
— Sentados alunos.
Todos se sentaram e a mulher continuou:
— Sejam bem vindos, alunos, para quem não me conhece, sou a diretora Caterine, e desejo a vocês um esplêndido ano letivo.
Todos bateram palmas educadas. A diretora Caterine começou a apresentar os professores, não consegui me concentrar, estava com a sensação de estar sendo observada. Com o fim das apresentações fomos para as aulas, mesmo assim eu não me sentia confortável ainda.
Primeira aula, História americana, cinquenta minutos ouvindo Madame Michelle dizer e repetir o nome de vários velhos de peruca que já estavam mortos e não mudariam nada na minha vida.
Segunda aula, Inglês, o professor chega 40 minutos atrasado para no fim dizer um resumo rápido do livro da vez e liberar para a próxima aula.
Terceira aula, artes, e eu na minha vida emocionante tentando criar o tom perfeito para pintar o desenho do meu coração murcho e aprisionado naquele lugar.
Passando as primeiras aulas, chegou o almoço, se você acha que o almoço será daqueles típicos de escolas americanas com mesas separando a escola em grupinhos, pode tirar o cavalinho da chuva. No instituto os alunos pegam o almoço no refeitório e comem no quarto. Todos tem o dever cívico de manter seus quartos limpos e organizados, volta e meia ocorrem inspeções surpresas e quem fosse pego irregular já recebia um negativo na nota bônus semanal. Como eu dividia o quarto com a Ana, com certeza eu nunca receberia um negativo, o que compensava todas as notas péssimas do resto do ano.
Quando acabei de comer o bolo de carne requentado que era o almoço daquele dia, peguei os livros das aulas seguintes, resolvi ir pelo caminho mais curto para as salas, que seria passando pelo refeitório, quando eu vi a cena mais bizarra que existe. Duas meninas estavam num canto chorando desesperadas e na frente delas um sapo estava preste a atacar. Não um sapinho daqueles de lagoas, nem o maior sapo do mundo, esse perde feio pro do refeitório, era um homem sapo verde, gosmento, cheio de verrugas e fedorento. Eu não podia deixar que aquele sapo fedorento, jantar as pobres menininhas, então resolvi fazer a coisa mais sensata que se pode fazer num momento desses, chamar a atenção dele:
— Ei!_ Ele nem ligou. Soltei um assobio, ai ele me viu._ Ei grandão, não prefere alguém do seu tamanho.
Ele virou em minha direção, parou por um instante, senti um frio na espinha, de repente ele começou a pular de mesa em mesa vindo em minha direção. Sabe aquelas imagens que diz que se ocorresse um apocalipse zumbi a sua arma seria o objeto à direita. Pois é, eu segui o conselho e peguei a bandeja mais próxima. O sapo fedorento se aproximou e ficou de quatro na mesa a minha frente, ele rugiu pra mim e então pulou pra dar o bote, em uma reação realmente impensada e inesperada dei uma bandejada na cabeça dele.
O monstro fedorento caiu desacordado na minha frente, eu parei por um tempo no mesmo lugar com a bandeja pronta para outro golpe caso fosse necessário. Passando alguns dois minutos eu percebi que o monstro não levantaria. Sai de perto dele, coloquei a bandeja em cima da mesa, e fui até as meninas que estavam chorando abraçadas no canto ainda. Ajoelhei e coloquei a mão no ombro da maior, ela me olhou e seus olhos estavam vermelhos e suas bochechas estavam molhadas.
— Um... Um mons... Monstro queria devorar a gente.
— Calma, ele já foi. Pode ir embora agora tá._ Ela assentiu com a cabeça, me deu um beijo na bochecha, pegou a mão da menina mais nova e saiu correndo para fora do refeitório._.
Levantei e segui-as com o olhar, um tempo depois que elas saíram fui atirada com força em direção à parede. Após o impacto abri os olhos e percebi que o que havia me acertado tinha sido o monstro. Ele veio até mim e ficou totalmente em pé, ele tinha o dobro do meu tamanho e nas minhas condições nunca iria vencer ele, o monstro rosnou pronto para dar a cartada final quando, de repente, uma flecha prateada atravessou seu tronco e ele despencou no chão. Só tive tempo de ver Jasmine com um arco pronto para ataque gritando:
— Ela está aqui.
Então tudo ficou preto.
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