As paredes de pedra do castelo, que antes pareciam protetoras, agora pareciam se fechar sobre Aria e Caelum. O peso da linhagem Heraldrick, que um dia os uniu, agora ameaçava separá-los da forma mais dolorosa possível.


​Aria estava sentada no divã de seu quarto, as luzes apagadas, deixando apenas o luar banhar suas mãos trêmulas. O silêncio foi interrompido pelo ranger suave da porta. Claire entrou, mas não havia a doçura habitual em seu rosto; havia uma melancolia profunda, de quem revivia fantasmas do passado.

​Claire sentou-se ao lado da filha e segurou suas mãos frias.

​— Eu vi o seu rosto no jardim, Aria. E vi o de Caelum — começou Claire, a voz baixa e carregada de advertência. — Você sabe o quanto eu e seu pai lutamos. Nós enfrentamos o exílio, a incerteza e a fúria de Roma para ficarmos juntos. Mas nós não éramos sangue do mesmo sangue.

​— Mas mamãe, o que eu sinto... — Aria tentou interromper, as lágrimas voltando aos olhos.

​— Escute-me bem — Claire apertou as mãos da filha. — Eu não quero que você passe pelo que passei. Eu não quero que você seja caçada ou que seu nome seja manchado pela vergonha. O que está acontecendo entre você e Caelum não é apenas um escândalo, é a destruição da nossa dinastia. Se você continuar por esse caminho, Aria, você perderá a coroa, perderá a paz e, eventualmente, perderá a si mesma. Pare agora, antes que o fogo consuma tudo o que amamos.

​O Sermão do Príncipe

​Enquanto isso, no pavilhão de Valmor, Richard entrava nos aposentos do filho como um general entrando em um campo de batalha perdido. Caelum estava parado de pé, olhando para a escuridão da janela, a mandíbula travada.

​— Você aprendeu muitas coisas na Academia, Caelum — a voz de Richard era gélida, destituída da ternura que demonstrara no porto. — Aprendeu a usar a espada, a estratégia e a dor. Mas parece que esqueceu a lição mais básica: a honra.

​Caelum virou-se, o olhar desafiador mas respeitoso. — Eu não escolhi isso, pai.

​— A escolha é a única coisa que separa um homem de um animal, Caelum! — Richard deu um passo à frente, a voz subindo de tom. — Você é o Duque de Valmor. Seu dever é ser o escudo dela, não o motivo de sua queda. Se você prosseguir com esse sentimento, você será a ruína de nossa casa. Você quer ser lembrado como o primo que roubou o trono da rainha? Quer que o sangue de Astúria seja amaldiçoado por sua causa?

​Richard aproximou-se e colocou a mão no peito do filho, sobre o lugar onde o coração batia acelerado.

​— Esse caminho só leva a um lugar: a destruição total. Se você a ama, tenha a coragem de ser o homem que ela precisa que você seja, não o que os seus desejos pedem. Afaste-se dela, Caelum. Por ela, por nós e pela sua própria vida. Não me obrigue a ver meu único filho ser tratado como um traidor pela própria família.

​O silêncio que se seguiu foi cortante. Richard saiu, batendo a porta e deixando Caelum com o peso de uma escolha que parecia impossível. Naquela noite, em quartos separados, Aria e Caelum entenderam que o amor deles não era apenas um segredo, era uma declaração de guerra contra tudo o que Astúria representava.