Saga Herdeiros de Astúria Livro 2
2 Espinhos de Seda e Ferro Cold
Ah, peço perdão pelo equívoco cronológico. De fato, como eles nasceram no mesmo dia no final do livro anterior, Caelum também deve ter 16 anos agora. Vamos corrigir o rumo da história para manter a coesão.
Oito anos haviam se passado desde aquele adeus doloroso no pátio de jogos. Astúria florescia sob o reinado de Gaspar e Claire, mas as sombras da sucessão já começavam a se alongar sobre a nova geração.
A Rosa de Astúria
Aos dezesseis anos, a Princesa Aria era uma visão que paralisava a corte. Ela herdara a beleza etérea de Claire, mas os olhos tempestuosos e o temperamento impetuoso eram puramente Gaspar. Ela não caminhava pelos salões; ela os dominava. Nobres e embaixadores curvavam-se diante dela, não apenas por protocolo, mas para evitar o brilho cortante de sua inteligência. Aria não era uma princesa que esperava ser salva; era uma herdeira que sabia exatamente o peso da coroa que um dia usaria.
Durante o Banquete da Primavera, o Grande Salão estava saturado com o perfume de lírios e a fumaça das velas de cera de abelha. Aria observava o teatro da corte com um tédio mal disfarçado, girando o anel de sinete real em seu dedo.
O Bispo Malachi — sobrinho do antigo Cardeal e herdeiro de sua arrogância — limpou os lábios com um lenço de seda e inclinou-se em direção a Gaspar.
— Majestade — começou o Bispo, com uma voz untuosa —, a beleza da Princesa Aria é um tesouro que Astúria não pode esconder por muito mais tempo. Roma e as grandes casas do Norte já questionam quando iniciaremos as negociações para o seu sagrado matrimônio. Uma joia assim precisa de um cofre à altura para protegê-la.
Gaspar endireitou os ombros, o semblante fechando-se instantaneamente. Ele detestava que tratassem sua filha como mercadoria política.
— O Bispo deve lembrar que Aria ainda é...
— Aria é perfeitamente capaz de falar por si mesma, eminência — a voz da princesa cortou o ar como uma lâmina de gelo.
O salão mergulhou em um silêncio absoluto. Aria largou os talheres de prata, que tilintaram contra o prato de porcelana, e fixou o olhar no Bispo.
— O senhor fala de "proteger a joia" como se eu fosse um objeto inanimado guardado em sua sacristia. Sugiro que guarde suas preocupações matrimoniais para as suas novinhas, eminência. A minha sucessão e a minha cama não são da conta de um homem que confunde fé com corretagem de terras. Se eu precisar de um conselho sobre o meu futuro, buscarei meu pai, o Rei, não um clérigo que mal consegue esconder a própria ganância sob essa batina manchada de vinho.
O Bispo engasgou, o rosto tornando-se purpúreo de humilhação. Gaspar escondeu um sorriso de orgulho atrás da taça de vinho, enquanto Claire e Katrina trocavam olhares de surpresa e admiração. Com apenas dezesseis anos, Aria não apenas o colocara em seu lugar; ela o desarmara diante de toda a corte.
O Escudo de Ferro
Enquanto isso, a centenas de léguas ao Norte, no coração de pedra da Academia de Ferro, o inverno parecia não ter fim.
Caelum, também com dezesseis anos, estava sentado em seu beliche de madeira bruta após um dia exaustivo de treinos com alabardas sob a neve. Embora jovem, seu corpo já era puro músculo e cicatrizes, moldado pela disciplina implacável da Academia. Seu rosto havia perdido a redondeza da infância, tornando-se angular, severo e, para o desgosto dos instrutores, assustadoramente bonito.
Ele retirou debaixo da túnica um cordão de prata. Preso a ele, havia um relicário pequeno que Claire lhe enviava fielmente todos os anos, contendo uma pintura miniatura da princesa.
— Outra vez admirando o seu amuleto, Heraldrick? — perguntou Julian, seu único amigo e companheiro de armas, sentando-se ao lado.
Caelum abriu o relicário. A pintura daquele ano mostrava Aria aos dezesseis, com o cabelo ruivo preso em tranças complexas e um olhar que parecia desafiar o próprio pintor.
— Ela mudou muito — sussurrou Caelum, o polegar calejado traçando o contorno do rosto na miniatura. — A última vez que a vi, ela mal chegava ao meu ombro.
Julian inclinou-se para ver e soltou um assobio baixo.
— Pelos deuses, Caelum... eu sabia que ela era sua prima, mas não sabia que ela era uma deusa. Se essa jovem passar por um exército, os soldados soltarão as espadas apenas para vê-la caminhar. Ela é... encantadora.
Caelum fechou o relicário com um estalo metálico, seus olhos tornando-se sombrios.
— Ela é a Rainha de Astúria, Julian. E em breve, eu voltarei para ser o seu escudo. Mas temo que, depois de tantos anos nesta prisão de gelo, eu não passe de um monstro aos olhos de alguém tão linda.
Ele guardou o colar por dentro da roupa, sentindo o metal frio contra o peito. O tempo de treinamento estava chegando ao fim, e Caelum sabia que a pequena Aria que deixara no pátio de jogos não existia mais. O que ele encontraria em seu lugar seria um desafio muito maior do que qualquer batalha que já vencera na Academia de Ferro.
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