Saga Herdeiros de Astúria Livro 2
3 Capítulo 3: O Retorno do Lobo de Ferro
O dia em que o sol parecia brilhar apenas para ela finalmente havia chegado. O aniversário de dezoito anos da Princesa Aria não era apenas uma data no calendário de Astúria; era o marco de uma nova era. O castelo estava decorado com estandartes de ouro e carmesim, e o perfume de milhares de gardênias flutuava pelo ar.
No porto de Mistral, as águas batiam contra o casco de um navio de guerra imponente que trazia o selo da Academia de Ferro. Assim que a passarela foi baixada, um jovem saltou para o cais com uma agilidade felina.
Richard e Katrina estavam lá, o coração na boca. Quando o rapaz se aproximou, Katrina soltou um soluço de alegria. Aquele não era mais o menino franzino que partira há oito anos. Caelum agora era um homem alto, de ombros largos, vestindo uma armadura de couro negro e placas de metal. Seu rosto, embora mantivesse a beleza clássica dos Heraldrick, era marcado por uma maturidade severa e pequenas cicatrizes que contavam histórias de combates brutais.
— Meu filho... — Richard o abraçou com força, sentindo a armadura rígida contra si. — Você voltou como um verdadeiro guerreiro.
Caelum sorriu, um gesto raro que suavizou suas feições endurecidas. — Eu prometi que voltaria, pai. E um Heraldrick sempre cumpre suas promessas.
Nos Aposentos Reais
Dentro do palácio, Claire ajudava Aria com os últimos detalhes do seu vestido de seda azul-noturno, bordado com fios de prata que brilhavam como estrelas. Aria estava inquieta, olhando-se no espelho, mas seus pensamentos estavam longe das joias.
— Aria, querida, pare de mexer nesse colar — Claire disse com um sorriso doce, aproximando-se da filha. — Tenho uma notícia que fará você esquecer qualquer etiqueta.
Aria virou-se rapidamente. — O que foi, mamãe?
— Ele voltou. Caelum está no castelo. Ele se preparará para o baile e vocês se verão no salão.
O coração de Aria deu um salto tão violento que ela precisou se apoiar na penteadeira. A euforia tomou conta de cada célula de seu corpo. O primo, o seu escudo, o seu único e verdadeiro amigo, estava de volta.
— Ele... ele está bem? Ele mudou muito? — as perguntas saíam em disparada.
— Você verá com seus próprios olhos, minha princesa.
O Baile de Máscaras e Reencontros
O Grande Salão estava lotado quando os arautos anunciaram a entrada da aniversariante. Aria desceu as escadarias com a graça de uma rainha, mas seus olhos buscavam apenas uma pessoa entre a multidão de nobres mascarados e vestidos luxuosos.
De repente, a multidão se abriu.
Um rapaz, cuja estatura e presença faziam os outros nobres parecerem sombras, caminhou em sua direção. Ele não usava as sedas coloridas da corte, mas um traje de gala militar negro que realçava seu porte imponente. As cicatrizes em seu rosto, longe de serem feias, davam-lhe um ar de mistério e perigo que fascinava a todos.
Ele parou diante dela e, com uma reverência lenta e elegante, esticou a mão calejada.
— Aceitaria dançar com seu primo, que ficou anos esperando por este momento? — A voz dele havia mudado; era profunda, vibrante, capaz de arrepiar a pele de Aria.
Aria paralisou por um segundo, os olhos fixos nos dele. O azul daqueles olhos era o mesmo que ela guardara na memória, mas o homem diante dela era um estranho encantador. Um sorriso radiante iluminou seu rosto enquanto ela ignorava o protocolo e o abraçava com força, escondendo o rosto no pescoço dele, sentindo o cheiro de metal e liberdade que ele trazia.
— Você demorou demais, Caelum — ela sussurrou, afastando-se apenas o suficiente para aceitar sua mão.
Eles começaram a dançar, e o salão pareceu desaparecer. Enquanto giravam sob os olhares de surpresa e admiração de todos, Aria percebeu que o menino que ela amava havia se tornado o homem que agora a fazia perder o fôlego. O escudo havia voltado para sua coroa, mas o brilho nos olhos de ambos dizia que, desta vez, a brincadeira de conselho seria muito mais séria.
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