Sadistic Vampire
2 You Again...?
Notas iniciais
Rin acordou de forma abrupta em sua cama. Ela estava em casa. A loira não lembrava bem da noite passada, mas o que lembrava a fez por a mão na garganta, procurando por cicatrizes de mordida. Por incrível que pareça não tinha nenhuma cicatriz ali. Não tinha acontecido nada?
Ela levantou na cama e andou pelo seu quarto, indo até a sala e se sentando no sofá improvisado que tinha ali. As únicas coisas que se lembrava na noite eram seus xingamentos à Miku e a conversa com Len. Depois de estar com o garoto na cama ela não se lembrava de mais nada, e também não queria se lembrar, os pensamentos que rondavam sua cabeça eram todos os piores.
Olhando pela janela, ela percebeu que devia estar de tarde, ela devia ter dormido o dia inteiro. Passando os olhos pela sala, ela percebeu que tinha um papel preso por um pote em sua cômoda. Fazendo um certo esforço Rin levantou do seu sofá e foi ver o que era aquele papel. Quando ela o pegou, viu que era um bilhete, e ela não ficou surpresa ao ver de quem era.
"Rin, te esperamos por horas ontem à noite, mas você não apareceu. Eu e Luka viemos aqui ontem, porém você não atendeu. Voltei hoje cedo e vi que você dormia no quarto. Nunca mais me deixe preocupada desse jeito. Ass: Miku"
Ela pensou em rasgar o bilhete de Miku, porém não fez, só o amassou e jogou para trás. Tinha um espelho em cima da cômoda, Rin aproveitou e se olhou nele. Ela estava como sempre esteve. Seu cabelo chanel loiro estava bagunçado e seus olhos azuis claros cercados de olheiras. Ela estaria normal se não estivesse faltando algo. Um antigo colar que pertenceu à mãe de Rin. a loira jamais o tirava, mas agora estava sem ele.
— Só pode ter sido aquele… — ela não terminou a frase.
Só soltou um grunhido e voltou para o seu quarto começando a mexer em um baú de roupas. De dentro dele Rin tirou uma capa com um capuz que serviria para cobrir seu rosto. Ela não podia ser vista entrando sozinha na floresta.
Voltando ao espelho, ela amarrou o nó da capa e depois colocou o capuz colocando-o de um jeito que escondia seu rosto e seu cabelo. Mesmo estando de dia ela tinha que ao menos tentar procurar o colar. Rin não podia ficar sem ele.
Sem se importar com a bagunça deixada dentro da casa, Rin saiu porta à fora tomando cuidado para não ser vista por ninguém que conhecia. Sua casa não era tão longe da entrada da floresta. Se ela tomasse bastante cuidado, tudo aconteceria do jeito que queria. Ela olhava para todos os lados, as pessoas pareciam distraídas com seus próprios afazeres. Por sorte não prestavam atenção nenhuma na loira. Excerto somente uma pessoa...
— Rin! — uma voz foi ouvida, fazendo a garota parar e surtar por dentro. — O-oi Rin.
— Não, não, não… Porquê ele tinha que aparecer agora? — Rin perguntou mentalmente para si mesma enquanto virava para falar com o garoto. — Olá Oliver — ela sorriu. — Você parece cansado…
— Passei o dia inteiro te procurando — Oliver respirava forte, afinal fazia horas que ele procurava a garota e não obteve sucesso até o momento. Era um alívio para ele tê-la encontrado. — A Miku me contou que você talvez pudesse ter entrado na floresta sozinha ontem — ele ofegava. — Você me deixou preocupado.
— Oliver, já disse que você se preocupa demais comigo — Rin sorriu para o garoto.
— Sou seu melhor amigo, Rin. Esse é o meu dever.
Rin e Oliver se conheciam desde que eram bebês. Um sempre esteve do lado do outro para tudo. Claro que dessa amizade, um amor iria surgir. Todos da aldeia sabiam que Oliver era apaixonado pela melhor amiga, excerto a própria garota. Rin se recusava a aceitar que Oliver gostava dela. Em sua cabeça ele era seu irmão mais mais novo que as vezes era obsessivo com ela.
— Você exagera algumas vezes… — quase sempre. Ela acrescentou na mente.
— Tudo bem, mas só às vezes — ele riu. — Aonde você vai vestida assim?
Oliver tinha um problema… Ele sempre fora muito curioso.
— Oras Oliver, não posso mais passear? — Rin cruzou os braços de maneira infantil, causando risadas no seu amigo.
— Pode sim — ele bagunçou os cabelos de Rin. — Só não demore, já vai anoitecer.
— Eu sei me cuidar.
— Eu sei disso Rin — Oliver coçou a nuca enquanto pensava no que falar. — Mas você não tem senso de direção.
Rin riu.
— Fala sério! Eu não vou me perder — Rin imitava o modo de falar de uma criança.
— Já que você diz — o garoto deu um peteleco na testa da loira, fazendo os dois rirem.
E assim a loira voltou a fazer seu caminho, deixando para trás o melhor amigo ainda sem entender o motivo da pressa da garota. Rin estava tão concentrada em achar seu colar que nem chegou a ouvir a voz de Oliver a chamando de volta.
XxX
"Eu podia ter pedido ao Oliver para vir comigo, pelo menos não estaria aqui sozinha".
Claro que Oliver estava certo. Rin conseguira se perder na floresta após poucos minutos procurando o colar. Ainda estava um pouco claro, então ela conseguia enxergar bem ao seu redor. Ela sabia que era burrice voltar àquele lugar depois do que aconteceu, mas o colar era o bem mais precioso da garota. Rin precisava daquele colar como precisava de ar.
Rin parou por um momento e tirou seu capuz com uma das mãos, encarando a sua volta. De tarde a floresta era um lugar lindo de se ver, ela tinha que assumir isso. As lendas que ouvia sobre esse lugar não faziam mais sentido agora. Era lindo demais para acreditar. Toda aquela beleza destruiu a garota. Enquanto ela olhava para a luz do sol entre os galhos altos das árvores, ela não percebeu quem chegara por trás. Somente notou quando braços fortes rodearam sua cintura. Agora não tinha mais como ela fugir.
— Rin… O que faz aqui? — os olhos arregalados da loira demonstravam seu pânico. Sim, ela sabia que ele estava a vigiando, mas não sabia que era tão de perto. Então, ouvir a voz de Len em seu ouvido a deixou assustada. — O que você faz aqui?
— Eu procuro algo — ela disse baixo olhando para o chão enquanto sentia as mãos de Len passarem pelo seu cabelo devagar.
— O que seria esse algo? — Len disse baixo no ouvido de Rin, enquanto puxava o corpo da loira para mais próximo do seu.
— Um colar.
Rin se sentia desconfortável com o que acontecia. Ela podia sentir a respiração pesada de Len em seu pescoço e os dedos do garoto mexendo em seu cabelo. Rin não admitiria, mas estava gostando de Len mexer em seus fios claros. A loira ficou surpresa quando ele colocou algo em volta do seu pescoço.
— Esse colar…? — Len parou na frente de Rin e segurou o pingente do colar em uma das mãos. — Fica bem em você.
— Estava com você — Rin disse finalmente olhando Len nos olhos.
Os olhos azuis de Len fitavam os de Rin de maneira maliciosa, mas Rin não parecia entender entender as verdadeiras intenções do garoto. Para ela, ele a encara como se tivesse a querendo morta. Len também queria isso, mas antes queria se aproveitar da loira o máximo que podia.
— Sim, óbvio que estava — Len sorriu malicioso. — Só se você esteve com outra pessoa depois que eu a deixei em casa.
— Não estive com ninguém… — Rin corou. — E-e como assim "depois que eu a deixei em casa"?
— Ah claro, você não se lembra do que aconteceu — os olhos da loira se arregalaram, fazendo o loiro revirar os seus. — Você somente desmaiou, Rin. Eu não fiz nada com você.
— E porquê não?
Rin percebeu que não devia ter feito aquela pergunta. Len pegou no braço da loira, puxando-a para mais perto e assim colando seus peitos. O jeito que ele sorria era maldoso, mas de alguma maneira, ela gostava disso.
— Eu te quero acordada quando for fazer algo com você — ele disse sorrindo, exibindo as presas com isso.
— Acho que está na minha hora de ir...
Rin tentou correr, mas foi em vão. Len a puxou pelo braço, a fazendo bater as costas em uma árvore com força. Ela grunhiu com a dor, porém logo teve a boca tampada pela mão do garoto que agora a prensava contra o tronco alto da árvore.
Da maneira que Len encara a loira, parecia que ele iria matá-la ali mesmo. Rin não sabia que o garoto se controlava para não fazer isso. Ele a queria viva pelo menos por agora. Enquanto Len controlava a vontade de matar a mais nova, Rin se controlava para não se render ao vampiro.
Aos poucos Len subia a saia do vestido de Rin, passando as mãos pelas pernas da loira devagar, fazendo se arrepiar. Rin sabia que caso mostrasse algum sinal de excitação teria grandes problemas, mas ela não conseguia se conter aos toques frios do loiro.
— Eu ainda nem comecei nada e você já está assim? — Len fingiu estar surpreso. — Isso me decepcionado — ele apertou a coxa de Rin, fazendo a loira soltar um gemido baixo. — Ontem fui muito bom com você, hoje não vou fazer isso.
— L-Len… — Rin engoliu seco. — N-não faça…
— Pelo visto eu irei ter que calar sua boca — Len prendeu mais o corpo da garoto contra a árvore, fazendo com que seus rostos ficassem próximos.
Os lábios dos dois estavam quase se encostando, até que um barulho fez com que Rin "recuperasse" a consciência e empurrasse o vampiro para trás, quase fazendo com que ele caísse no chão. Quando os dois notaram que era somente um pequeno esquilo, os dois ficaram levemente aliviados por não ser uma pessoa. Eles se encararam novamente e Rin engoliu seco de novo. Parecia que Len iria matá-la só com o olhar. Logo o loiro se aproximou novamente da garota e em seguida puxando-a pelo braço, fazendo com que ela seguisse seus passos rápidos.
— Você está me machucando, Len — Rin murmurou tentando soltar seu pulso dos dedos do vampiro. — LEN!
Com o grito de Rin, o garoto parou de forma brusca, levando a loira quase ao chão, porém foi segurada por Len de um certo mal jeito. A garota corou um pouco com o lugar que Len estava a segurando.
— Vamos esclarecer uma coisa, Rin — o loiro se aproveitou da posição vantajosa que estava com Rin para deixá-la mais vermelha. — Você tem muita sorte. Normalmente eu não deixo uma presa viva por tanto tempo... Vamos fazer o seguinte, vou te levar para casa de novo e você nunca mais vai entrar na floresta novamente, estamos entendidos? — Rin assentiu devagar. — Ótimo — Len deixou que o corpo da garota caísse no chão com força. — Levante logo.
Rin bufou, mas mesmo assim se levantou do chão e arrumou seu vestido e sua capa enquanto recolocava o capuz. Ela foi na frente do loiro, que seguiu a garota irritada e se controlava para não rir dela. A loira queria distância máxima do vampiro. Ainda mais depois do que ele disse. "Você tem muita sorte". A verdade era que Rin nunca teve sorte para nada. O que estava acontecendo poderia ser somente uma série de coincidências.
Len olhava Rin andar com pressa na sua frente. Algo que ele tinha que admitir era que Rin era bonita. Isso podia ser até narcisismo, já que os dois poderiam muito bem ser gêmeos. A única diferença entre os dois era a altura. Len era bem mais alto que Rin.
A garota, que deixava a raiva transparecer estava quieta, do mesmo jeito que o garoto estava. O clima ficava pesado a cada momento que os dois permaneciam calados. Ela não queria falar e ele não iria falar até que Rin falasse. Era uma situação sem solução. Por sorte, os dois já conseguiam ouvir o barulho da aldeia. Quando Rin notou, Len havia parado perto de uma árvore. Ela o encarou com um olhar confuso e então ele suspirou.
— Não posso passar daqui — ele disse baixo. — Se nos virem juntos vamos ter muitos problemas.
— Ah, certo… — Rin disse baixando o olhar.
— Adeus Rin…
Quando Rin se deu conta, ela estava sozinha na frente da entrada da floresta. E assim ela suspirou. Provavelmente aquela seria a última vez que ela veria Len. De alguma forma Rin não se sentia bem com isso. Ela devia estar feliz, havia conseguido se livrar do vampiro, porém de alguma forma não estava.
Deixando esse pensamento de lado, ela pôs a mão em seu pescoço à procura do seu colar, mas não demorou muito para que Rin percebesse que não estava mais com ele. Grunhindo com bastante raiva ela voltou a andar, só que dessa vez bem mais depressa.
— Len, seu maldito… — ela murmurou enquanto seguia em direção à sua casa. — Se fosse pegar de novo não precisava ter me dado o colar — bufou com raiva. — Idiota. Maldito vam…
— Rin…?! — uma voz chamou a atenção da loira, que se virou feliz por não ser nenhuma pessoa que pudesse a delatar por ser vista saindo da floresta.
— Oi, Luka e oi Gumi — ela sorriu para as duas amigas. — O que vocês fazem aqui?
— Na verdade era isso que pretendíamos te perguntar — Gumi respondeu.
— Eu perguntei primeiro — a loira disse batendo o pé rapidamente.
— Rin, hoje é dia 31, esqueceu? — a garota de longos cabelos róseos, Luka, perguntou fazendo Rin dar um tapa na própria testa. — Sim, você esqueceu.
Ela estava tão concentrada no colar que esqueceu o seu compromisso. Todo o dia 31 a aldeia inteira se reunia para contar histórias, ou somente saber se todos estavam vivos. Normalmente ela iria com Oliver, mas desde a manhã ela não via mais o garoto. Seria bom ir com Luka e Gumi para essa "reunião", assim ela não teria que aturar perguntas vindas do melhor amigo.
— Já estamos atrasadas — Luka disse, ou melhor, esbravejou para as duas garotas. — Da última vez eu recebi uma bronca no seu lugar Gumi, não vou fazer isso de novo.
— Sinto muito por isso Luka — os olhos da garota de cabelos verdes brilharam. — Então vamos logo.
— Não temos opção mesmo… — Rin sussurrou, seguindo Luka e Gumi se colocando entre as duas.
Rin sabia de uma coisa…
Se seu dia havia sido longo, a sua noite seria mais ainda.
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