Sadistic Vampire
18 Welcome to the Tea Party
Notas iniciais
Fazia alguns minutos que o vampiro observava a loira tentar amarrar sua capa para que pudessem ir embora. Ela não conseguia fazer nada enquanto era vigiada pelo garoto. Seus sentimentos estavam abalados nos últimos dias, e ele estava fazendo tudo piorar. Sua vontade de sumir do mundo só aumentava.
— Quanto tempo ainda irá demorar?! — Len perguntou sem muita paciência. — Ande logo!
— Eu já acabei… — Rin suspirou desistindo de terminar o laço da capa. — Podemos ir.
A mais nova não estava sentindo-se bem. Não só seus sentimentos estavam arruinados, ela realmente estava passando mal. Ela iria vomitar a qualquer momento. O loiro havia percebido o estado da garota, porém ele não ligava para isso. Era melhor que ela fosse para casa no momento. Assim que se livrasse da loira, ele iria ter que ter uma longa conversa com Lenka.
— Len… Está sol lá fora, como você irá sair? — a mais nova perguntou baixo, olhando a paisagem pela janela.
— As árvores bloqueiam a luz do sol, sua tonta — ele sorriu ao falar. — Como consegue ser tão burrinha?
Rin até pensou em responder o vampiro, mas sabia que isso não era a melhor escolha. Mais uma vez ela achou melhor ficar calada. Len sentia-se um pouco mal por estar tratando a loira de um jeito frio, mas era melhor que ele fizesse isso por enquanto. Depois ele explicaria a ela tudo o que acontecia.
O mais velho puxou a garota pela mão com um pouco de força, fazendo com que ela andasse ao seu lado de cabeça baixa. Os dois estavam em um silêncio perturbador. A loira estava prestes a vomitar e o loiro percebeu isso. Ele soltou a mão dela e quase instantaneamente a mais nova caiu no chão. Ela sentia-se cansada. Sua cabeça girava, ela não estava bem.
Vendo que a loira não iria conseguir andar sozinha, ele a pegou no colo devagar, fazendo com que ela corasse muito por estar tão próxima ao vampiro. Ela sorriu um pouco envergonhada e apoiou a cabeça no peito do loiro.
Rin quase dormia no colo de Len, como só ele andava, era possível ir bem mais rápido do que poderiam ir se os dois andassem. Ela ofegava e estava ansiosa para voltar para casa e contar o que tinha acontecido à Miku e Luka.
O vampiro sabia o porquê da loira estar assim. Era efeito do sangue que ele havia dado a ela. Provavelmente, a dose havia sido um pouco alta, mas não suficiente para transformá-la em vampira.
Ele suspirou alto, parando próximo a uma árvore. Já era possível ver a aldeia do local onde estavam. Len não poderia mais seguir com a loira. Ela teria que ir sozinha. Por sorte, ela poderia correr para evitar que a vissem naquele estado.
— Rin… Está acordada? — ele perguntou vendo a loira assentir enquanto abria os olhos. — Chegamos.
— Você não pode me levar até em casa? — ela murmurou sendo um pouco infantil. — Eu estou meio cansada.
— Sei que está, mas a partir daqui o número de árvores diminui, não quero me arriscar — o loiro a colocou no chão enquanto suspirava. — É só você tentar agir normalmente e não demonstrar que está com tontura.
A mais nova assentiu devagar como se tivesse acabado de receber uma ordem. Len sorriu ao notar a submissão da loira. Devagar, ele a puxou para um último selar de lábios, fazendo com que ela corasse muito.
— Eu acho que... Vou indo — ela sorriu ainda envergonhada. — Quando iremos nos ver de novo?
— Venha até aqui amanhã a noite — ele falou bagunçado levemente os cabelos da mais nova. — De preferência, depois da meia noite.
— T-tudo bem… — falou calma, seguindo em direção à sua casa, em seguida virando e acenando para o vampiro.
Len ficou observando a garota ir embora em silêncio. Ele podia ouvir os passos dela a distância e também ouvia vozes misturadas, impossibilitando que conseguisse entender o que diziam. O loiro só relaxou quando parou de ouvir os passos da loira.
Ele ficou por alguns minutos parado onde estava, e logo sorriu e riu. Rin era realmente tonta. Em nenhum momento ela preocupou-se em perguntar o porquê dele estar comportando-se daquele jeito, caso tivesse feito, ele teria explicado. Ela ficaria em choque, porém saberia a verdade.
— Certo, Lenka, pode sair agora… — ele suspirou um pouco debochado, ouvindo uma risada irônica.
Ele olhou para cima, em direção à alguns galhos, vendo a vampira loira encará-lo sorridente. Ela havia conseguido ouvir parte da conversa do irmão, por isso estava tão "alegre". Len não estava tão feliz por ver a irmã, mas de qualquer forma, precisava falar com ela.
— "Você não pode me levar até em casa?"! — ela falou imitando a voz de Rin perfeitamente. — Eu vou vomitar se ouvir algo assim de novo.
— Sempre tão delicada — o vampiro foi irônico ao falar. — Você pode descer para que possamos conversar direito?
A vampira riu alto, chutando levemente a cabeça do mais velho com a perna que balançava no ar. Ela estava deitada em um dos galhos da árvore, observando tudo por cima a tempos. Ela não iria descer dali tão cedo.
— Não sei o que você vê nessa garota — Lenka bufou de maneira infantil. — Ela é tão sem graça.
— Como se você fosse uma princesa perfeita — Len sabia que dizer aquilo causaria o ódio da irmã, por isso ele sorriu ao falar.
— Eu sou perfeita — ela sorriu. — Só não sou uma princesa ainda.
— Sempre modesta, não é, irmãzinha? — ambos riram. — Quer que eu seja seu príncipe?
— Não. Se você ainda fosse meu amante, poderia ser meu príncipe — a mais nova falou um pouco chorosa. — Queria que passássemos a eternidade juntos…
— Se quiser tanto isso, por que está com a Tei?
A vampira ficou séria logo após ouvir o nome da garota de cabelos brancos. Ela já sabia que o irmão sabia sobre a presença da garota, mas não achou que eles já tivessem se visto. Tei era louca, louca o suficiente para arriscar-se a ver Len sem a loira estar por perto.
— Quando vocês se viram? — ela perguntou pulando da árvore, ficando na frente do loiro. — Ontem à noite?
— Como sabe disso? — a loira sorriu. — Claro que vocês duas aliaram-se novamente.
Lenka assentiu devagar e com um sorriso psicótico ao que foi dito pelo irmão. Não era difícil para o vampiro descobrir o motivo do comportamento estranho da irmã, porém ele jamais imaginaria que ela teria voltado a falar com a ex-melhor amiga. Afinal, as duas não se falavam desde quando ele morava na Itália.
— Por que está com ela? — ele perguntou tentando ficar calmo.
— Ela me devia um favor — a vampira deu de ombros. — Tem uma coisa que nós duas queremos, e como não posso fazer sozinha, pedi para ela ajudar-me.
Len não precisou pensar muito para descobrir o que a mais nova queria dizer com aquilo. Só existia uma coisa que chamava a atenção de ambas. Uma coisa que era mortal a ele, e que juntas, não demoraria muito para que conseguissem.
— O que pretende fazer? — não parecia, mas o vampiro estava bem calmo. Ele não podia irritar-se com a mais nova.
— Você sabe o que quero — ela aproximou-se do irmão, encarando-o com os olhos azuis. — É a punição de ter arruinado minha vida.
Lenka passou a andar na direção oposta à casa do irmão e da aldeia, indo para a casa de sua "amiga". Caso continuassem aquela conversa, as coisas não terminariam nada bem. Os dois acabariam chegando em um assunto que era proibido.
O mais velho não iria deixar que ela fosse embora sem que ele terminasse de falar. Ele puxou-a pelo braço, fazendo que seus olhares se cruzassem novamente. O vampiro pressionava com força o pulso, deixando-a sem escapatória.
— Tem certeza que fui eu quem estragou sua vida? — o loiro sorriu de maneira irônica. — Quem contou a todos sobre nosso relacionamento?! Quem me contou que você estava em Tóquio?! — ele suspirou antes de continuar. — Quem contou aos nossos pais sobre o bebê?!
— Já pedi para você nunca mais falar sobre isso, Len — a mais disse nova disse controlando a vontade de chorar.
— Tudo foi culpa dela, você sabe disso — os dois fitaram-se com um certo sentimento de culpa.
A loira puxou o braço com força sem responder ao irmão, em seguida desaparecendo. Len sabia que ele tinha exagerado, porém precisava dizer isso para que a irmã pudesse pelo menos pensar sobre aquilo. Era melhor deixá-la ir. Ele suspirou alto e seguiu seu caminho para casa. Depois ele teria que pedir desculpas para Lenka e falar com Tei. Agora ele não iria deixá-la viver.
XxX
Rin achou melhor não ir para casa e ficar sozinha. No estado que ela encontrava-se, a qualquer momento ela poderia voltar a passar mal ou até mesmo desmaiar, era melhor ir para a casa de Miku novamente. Estar cercada pelas amigas seria bom depois de tudo o que havia passado.
Desde que começou a andar na rua, a loira foi obrigada a responder o porquê de estar parecendo estar doente. Sua melhor opção foi mentir e dizer que era apenas cansaço. Todas as ruas estavam cheias, parecia que toda a aldeia havia resolvido sair de casa ao mesmo tempo. O motivo para isso ela não conseguiu perguntar.
Ela parou na frente da casa da melhor amiga, ouvindo os gritos dela do lado de fora mesmo. Também era possível ouvir a voz de Luka, aparentemente tentando acalmar a mais nova. A loira hesitou inicialmente em bater, mas acabou fazendo o que queria, pois sentia que a qualquer momento desmaiaria.
A voz alta da garota de cabelos rosas foi ouvida. Era algo como "Abra a porta, Miku!", seguido de um som de choro. Isso fazia Rin se perguntar o que acontecia ali dentro, mas algo a impedia.
Não demorou muito para que a porta fosse aberta, e a loira fosse puxada para dentro da casa por sua melhor amiga. Miku apertava o corpo da mais nova enquanto chorava muito, quase deixando ambas sufocadas. Luka assistia a tudo em uma certa distância por causa do sol.
— Nunca mais me deixe preocupada desse jeito, Rin! — a garota de cabelos turquesa berrou enquanto fechava a porta. — Onde você estava?
— E-eu… Tinha que resolver uma coisa… — a loira corou ao lembrar-se da noite anterior. — Mas o que aconteceu agora?
— Encontraram um corpo hoje — a mais velha de todas pronunciou-se. — Como você sumiu, começamos a pensar que era você.
A mais nova ficou estática. Ela passou a pensar em coisas como "Será que foi o Len?", "Ele estava estranho…". Todos os seus pensamentos envolviam o vampiro que dormira na noite passada.
— O que importa é que eu estou bem — essa fora a única coisa que a loira foi capaz de dizer. — Devem ser que horas?
— Quatro no máximo — Luka deu de ombros. — Hoje a noite vamos tentar descobrir quem morreu. Eu não posso sair no sol e vocês duas juntas têm metade do cérebro de uma pessoa.
Como sempre, a vampira estava vangloriando-se de sua inteligência que não era pouco. Desde sempre ela fora um gênio, a loira estava logo atrás no quesito intelecto. Luka era a inteligente enquanto Rin era a esperta.
— Você está mais calma, Miku? — a mais velha perguntou vendo a amiga assentir. — Ótimo, não ouvi você chorar o dia inteiro para nada.
— Eu só estava preocupada — Miku abraçou a loira, mas logo soltando-a. — Rin… — ela tocou por um momento o rosto da amiga. — Você está quente.
— Eu só não estou muito bem — ela não queria sobre Len ter parte da culpa de seu mal estar. — Não precisa se preocupar.
A loira sentou-se no sofá sendo encarada pelas duas amigas. Não era novidade a mais nova não gostar de falar sobre quando está doente. Ela poderia estar morrendo que não iria contar. As mais velhas trocaram um olhar rápido e sentaram-se ao lado da loira.
— Você está pálida e aparenta não ter comido nada — Luka tentou ser racional. — Você está bem de verdade?
— E-eu… — ela apoiou a cabeça no ombro de Miku começando a ofegar bastante. — Eu não estou bem.
Logo o corpo de Rin escorregou, caindo no colo da melhor amiga. As duas garotas encararam-se sem saber o que fazer. Não era a primeira vez que a loira desmaiava daquele jeito, mas ela parecia estar pior do que antes.
— Acho que é anemia — a garota de cabelos rosas disse passando a mão pelos fios claros da mais nova.
— Como sabe disso? — Miku perguntou ainda um pouco assustada pelo o que tinha acabado de acontecer.
— Ela está namorando com um vampiro, não duvido que ele já tenha a mordido — a garota suspirou. — Só espero que ela não faça algo que vá se arrepender. Não a vejo como uma vampira — a mais nova maneou levemente com a cabeça em forma de aprovação. — Mas de qualquer forma, acho que ele a faz bem.
— Como assim? — a garota de cabelos turquesa perguntou confusa.
— Há quanto tempo você não a via sorrir, rir? Ela estava virando uma máquina. Pelo menos agora ela anda um pouco mais feliz — a vampira suspirou. — Deixe-a deitada, temos que fazer algo para que ela coma, senão ela irá desmaiar novamente.
XxX
Fazia horas que Len encontrava-se pensando em coisas que ele queria esquecer. Pensar em coisas do passado o irritava profundamente, mas caso não descobrisse o porquê de Lenka e Tei terem se aliado novamente, ele acabaria surtado.
As duas juntas eram um problema, mas não fazia sentido esse reencontro repentino. Ele sabia que ambas não falavam a muito tempo. O vampiro pensava no que poderia ter acontecido nos anos que não viu a irmã. Ele sabia que a vampira não gostava de ficar no mesmo lugar por muito tempo.
O loiro suspirou e tentou afastar todos os pensamentos que o incomodavam, mas sem muito sucesso. Aquilo parecia querer atormenta-lo propositalmente. Tei não podia ter escolhido hora pior para aparecer. Caso ela e Rin encontrassem-se, a loira não teria chances. Mesmo se a mais nova se tornasse uma vampira, Tei continuaria sendo bastante poderosa, nem mesmo Len era capaz de vencê-la sem ajuda.
Vendo que não teria sucesso em se livrar do que o irritava, principalmente agora que havia começado a pensar em Rin, o vampiro foi em direção ao quarto, pensando que se conseguisse descansar, os pensamentos sumiriam.
"Às vezes sinto vontade de ver o amanhecer somente para morrer" ele pensou, pronto para "pular" na cama, mas um barulho fez que não fizesse o que pretendia.
O loiro sorriu de forma psicótica e voltou à sala, logo observando uma garota de longos cabelos brancos iluminada pela luz da lua que entrava pela janela. Era Sukone Tei, a bruxa que havia feito Len tornar-se um vampiro. Ele tinha um bom motivo para odiá-la, e era bom também para matá-la.
— Lenny! — a bruxa correu em direção ao vampiro, como se fosse jogar-se em seus braços, mas logo foi impedida pelo mais velho que a prensou contra a parede. — Você poderia fazer o favor de soltar-me?
— Não… — o loiro apertou a pescoço da garota com força, deixando-a um pouco sem ar. — O que faz aqui, Tei? Já falei que nunca mais queria vê-la na minha frente.
Por mais que tentasse fazer o maior soltar seu pescoço, para que pudesse respirar e então falar, a mais nova não conseguia fazer nada, o ar estava acabando aos poucos, quando a bruxa estava prestes a desmaiar por falta de ar, o vampiro soltou-a no chão, fazendo que ela respirasse fundo antes de falar.
— Eu só vim conversar — ela olhou-o de maneira melancólica. — Não podemos fazer as pazes?
— Como se eu confiasse em você para fazer isso — sorriu. — Diga o que quer, não estou de bom humor.
— Quer ir a uma festa do chá?
Len não sabia se ria da bruxa ou se pedia para que ela continuasse. O vampiro sempre odiou-a, desde quando era humano, e a garota não estava em posição de enfrentá-lo. Ela estava à mercê dele.
— Festa do chá?! — ele achava a ideia idiota, mas queria saber se era mesmo verdade.
— Sim, Len, uma festa do chá — a mais nova sorriu de maneira fofa. — Você aceita?
— Claro, por que não? — o loiro riu. — Afinal, eu adoro tomar chá.
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