Sadistic Vampire
19 Falling
Notas iniciais
Itália, 1779
O vampiro andava com calma pelas ruas da cidade sem importar-se aonde ia. Após mais uma briga com a irmã mais nova, ele precisava descansar, livrar-se um pouco de toda a pressão que andava sentindo.
Desde que havia voltado a morar com a irmã, não existia uma noite que não ocorrerem brigas. Os dois eram como psicopatas, não era seguro deixá-los juntos por muito tempo. O instinto dominador que ambos tinham por serem irmãos parecia vir à tona quando isso acontecia.
Ele precisava matar alguém somente para não acabar surtando. Como tinha chegado a pouco tempo na cidade, não teria problema em fazer uma vítima. Qualquer coisa, ele poderia jogar o corpo em um rio.
Len precisava ser rápido, caso Lenka saísse de casa e tentasse procurá-lo. A vampira era esperta, não demoraria para que ela o encontrasse. O loiro suspirou indo em direção à um bordel. Matar uma prostituta não iria trazer tantos problemas quanto matar uma garota qualquer na rua.
Seus passos ecoavam na rua deserta, ele mantinha o olhar baixo, quase desligando-se do mundo. Mesmo com sua velocidade, o local onde queria ir era longe, quase do outro lado da cidade.
O vampiro não andava em sua velocidade máxima, ele queria atravessar Florença com calma. Quanto mais ficasse na rua, melhor. Sua vontade era de pegar tudo o que tinha e ir embora, somente para não ter mais que brigar com a irmã.
— Pensou que iria fugir de mim, irmãozinho? — a voz sempre irônica da vampira soou alta. — Pare de ser tão tonto e volte para casa.
O mais velho virou-se para encarar a loira, vendo que ela estava um pouco mais próxima do que imaginava. Len conseguiu perceber que a irmã usava uma roupa um pouco apertada, que mostrava bem seu corpo.
Lenka sempre tivera um corpo avantajado para a idade, mas somente depois de tornar-se uma vampira ela passou a aproveitar-se do que tinha. Demorou um tempo até que aprendesse a usar suas curvas para saciar sua sede.
— O que pretende fazer? — ela perguntou calma. — Não esqueça que se pessoas começarem a morrer, primeiro irão desconfiar dos forasteiros, ou seja, nós.
— Por isso quis que assumíssemos o lugar de nossos pais. Não teriam coragem de matar o conde e a condessa Kagamine, isso poderia iniciar uma guerra — o mais velho puxou a irmã para seus braços, abraçando-a de forma protetora. — Caso isso não funcione, a herança que temos é imensa, duvido que não aceitem suborno.
— Vamos para casa. De qualquer forma não quero pôr-nos em perigo — a loira suspirou. — Amanhã se quiser nós podemos matar alguém.
Mesmo brigando muito, os irmãos eram bastante próximos. Não tanto quanto eram na infância, mas eram. A loira sabia como controlar o irmão, fazê-lo obedecer. Esse era um de seus muitos truques.
— Irmãzinha, você parece tão humana — o vampiro ergueu o rosto da mais nova, fazendo com que ela olhasse em seus olhos. — Se eu não soubesse que você é um ser que mata para poder viver…
— Um ser idêntico a você.
Os dois estavam próximos, quase tocando os lábios quando começaram a ouvir uns barulhos vindo de um lugar perto dali. Os irmãos trocaram um rápido olhar preocupado. Por instinto, Lenka afastou-se do mais velho um pouco corada. Caso tivessem sido vistos, não teriam opção a não ser matar quem quer que fosse.
Len tomou a dianteira, puxando a irmã pelo pulso com cuidado. Aquela hora da noite não era hora de ninguém estar na rua, muitos menos os dois. Grande parte de Florença achava que os irmãos eram nobres da alta sociedade, eles precisavam manter o teatro.
Não houve problemas na ideia de "trocar" de papéis com os pais assassinados. A notícia não chegou a sair da cidade em que moravam. A vampira não deixou que saíssem contando para todos. A única coisa que ouviam era "Sabia que o conde e a condessa eram jovens, porém não tão jovens assim".
— Está sentindo esse cheiro? — os olhos da vampira mudavam de cor enquanto ela falava.
— Sangue fresco… — ambos olharam-se e então sorriram.
Os dois pareceram ter o mesmo pensamento. Essa noite, dependendo do que acharem, poderiam ter um banquete. A mais nova ainda era um pouco tímida quando o assunto era "matar", mas Len já estava acostumado, muitas vezes ele fazia o trabalho sujo.
O vampiro andava sem medo de mostrar as presas e a vampira estava de cabeça baixa. Ela era uma pessoa bastante envergonhada. Em sua mente ainda existe uma certa culpa em matar pessoas.
Os irmãos pararam próximos a uma parede, tomando cuidado para não serem vistos. Seus sentidos diziam que era dali que vinha o cheiro de sangue. Lenka foi a primeira a olhar, logo arrependendo-se de ter o feito. Ela sentiu vontade de vomitar.
Haviam um monte de corpos espalhados pelo chão, um massacre tinha sido feito. Len segurou a irmã por temer que ela desmaiasse. Ele sabia do trauma que ela tinha de ver corpos mortos. A vampira conseguiu notar que ainda tinha uma pessoa viva, que vomitava uma imensa quantidade de sangue. Somente por causa do cabelo ela conseguiu descobrir quem era.
— Tei…?! — ela falou alto, chamando atenção da garota de longos cabelos prateados.
— Le-Lenka…?! — a bruxa tentou sorrir ao ver a loira, mas logo ficou séria ao ver o vampiro atrás dela.
— Pelo visto o povo daqui é esperto… Não sabe que não se deve fazer rituais no meio da rua, Tei? — o loiro provocou, ganhando um olhar de ódio da garota que voltou a tossir sangue. — Eu adoraria ficar e vê-la morrer, porém tem sangue demais aqui.
Não era nenhuma novidade o ódio que o vampiro sentia pela bruxa. Ele a odiava desde a adolescência. A vampira havia começado de desenvolver um certo receio de ficar com a ex-melhor amiga, era mais medo do que receio.
— Você não pode deixar-me aqui! — mais uma vez ela tossiu uma imensa quantidade de sangue.
— Claro que posso… Você irá morrer — ele sorriu. — Vamos, Lenka. Não quero que você veja mais isso.
A loira assentiu devagar, sendo puxada pela mão pelo irmão. Ela olhou uma última vez para a ex-amiga, vendo-a encarar um pouco assustada. A vampira voltou a andar com o mais velho, sendo puxada por ele para mais perto.
Os irmãos pretendiam ir embora sem dizer nada sobre o que haviam visto. Na manhã seguinte provavelmente seriam informados sobre o massacre que ocorrera. Os dois vampiros iriam saber como disfarçar caso algo assim acontecesse.
— Len… — a mais nova parou de andar. — Pode ir na frente, tenho que ir a uma joalheria. Quero ver um colar.
— Não quer que eu vá com você? — ela negou devagar. — Tudo bem… — o loiro puxou a irmã para um selar leve de lábios. — Não volte para casa muito tarde.
— Claro…
XxX
Len não havia conseguido entender ainda o porquê de Tei querer dar uma festa do chá aquela hora da noite. Os dois estavam em cadeiras de lados opostos na sala, Lenka fingia estar dormindo no sofá ao lado do irmão.
Até agora o vampiro não tinha tomado o chá feito pela bruxa. Ele não descartava a ideia de ter veneno na bebida. A garota de cabelos brancos parecia ser a única animada naquele lugar. Os irmãos estavam entediados, ela havia os obrigados a estar ali. Caso os vampiros pudessem sair dali já teriam feito a muito tempo.
O loiro ainda não fazia ideia de como a bruxa estava viva, a última vez que os se viram, ela estava à beira da morte. A única coisa que sabia era que a irmã tinha algo a ver com isso. Ele sabia do acordo da vampira com bruxas, mas nunca pensou que era com Tei.
Ele lembrava-se bem de quando a amizade das duas acabou. Se não tivesse separado-as era capaz de uma matar a outra. Nem parecia que um dia elas haviam sido melhores amigas.
— Lenny, vai ficar em silêncio até quando?! — a bruxa falou de maneira manhosa. — E você Lenka? Vai ficar quieta?!
Nenhum dos dois respondeu nada. A vampira chegou a abrir um dos olhos vermelhos para encarar a bruxa, mas logo fechou-o novamente. Len não fez nada, só olhou para a garota deitada ao seu lado e voltou a encarar a garota de cabelos brancos.
— Vocês dois são muito chatos! — os vampiros reviraram os olhos. — Não acredito que terei que fazê-los falar… — ela sorriu. — Fiquei sabendo que você está com uma humana, não é, Len? Parece que não aprende…
Lenka sorriu ao ver a expressão de ódio do irmão. Aquela festa seria bastante interessante para ela, e caso algo desse errado, ela se livraria de Len e Tei no mesmo dia e ainda poderia assistir tudo de camarote. Ela não iria meter-se em uma briga dos dois.
— Não faça essa cara, Lenka. Sei que você andou dormindo com aquele amigo da garota que seu irmão está namorando. Uma linda traição, devo dizer.
Os loiros encararam a bruxa com uma certa raiva. Não era para ela contasse sobre o que sabia. Isso poderia muito bem causar uma briga entre os vampiros. Ambos eram ciumentos entre si, principalmente Len. Ele era extremamente protetor com a irmã mais nova.
— Como assim, Lenka?! Você está dormindo com um humano?! — o vampiro não escondeu a raiva.
— Ora, só você pode agora? — ela provocou. — Diferente de você, só penso no prazer sexual, não estou apaixonada por um ser inferior.
— Calada, pirralha!
Os irmãos iam começar a brigar, para a alegria da bruxa. Ela queria vê-los brigando. Seria divertido, porém, ela não queria que eles se matassem agora. Não teria tanta graça. Com um movimento, Tei jogou cada um dos vampiros para um lado da sala.
Len acabou indo parar na parede e Lenka na estante de livros. Ambos rosnaram para a bruxa, fazendo que ela risse alto. A loira foi a primeira a atacar a bruxa, ela conseguiu chutar a barriga dela, mas sua perna foi segurada pela garota de cabelos brancos fazendo que ela caísse para trás com muita força.
O vampiro aproveitou a distração para atacar a bruxa por trás. Ele deu um chute nas costas de Tei, que iria cair na direção da vampira, mas antes a loira conseguiu chutá-la, fazendo com que ela voasse para trás, e batesse com força na parede.
— Vocês são tão divertidos! — ela riu como se não tivesse sido machucada. — Deveríamos repetir isso mais vezes.
— Da próxima vez duvido que você saia viva — Lenka grunhiu com raiva. — Eu vou embora! Não sou obrigada a ficar aqui.
Dito isso, a loira sumiu da sala sem mais nem menos, deixando a bruxa e o vampiro juntos sozinhos. Tei sorria feito uma criança enquanto Len a encarava com um ódio extremo. Como ele ainda queria ter respostas da garota, ele ainda precisava dela. Agora que a irmã havia ido embora, ele poderia usar outros métodos para convencê-la a falar.
— Quer terminar de tomar chá, Lenny? — ela sorriu tentando ser fofa, mas na opinião do vampiro, ela estava assustadora, parecendo uma psicopata. — Vamos, eu o fiz para você.
— Já que quer tanto… — ele suspirou voltando a sentar-se no sofá. Sendo seguido pela garota de cabelos brancos, que se sentou ao seu lado.
A bruxa segurou o braço do vampiro e tentou beijá-lo no pescoço, mas ele impediu. Tei ficou com cara triste. Os dois estavam muitos próximos já que a bruxa não deixava o loiro se mover.
— Você poderia soltar-me? — Len perguntou grunhindo.
— Não, meu amor. Nunca…
O loiro tentou mais uma vez puxar-se para longe da garota, mas não conseguiu. A proximidade dos dois estava irritando-o, era como se a bruxa tentasse deixá-lo fora de si propositalmente.
— Tei, me solta! — ele gritou, mas isso não pareceu intimidar a bruxa.
— Len, assuma logo que você me ama — a garota fora manhosa a falar.
— Eu não te amo e eu nunca te amei.
Aquilo foi suficiente para fazer o vampiro soltar-se da mais nova. Ele sabia que aquilo faria o emocional da bruxa quebrar-se, e ainda por cima era uma verdade dolorosa, perfeito para usar naquele tipo de situação.
— Preste bastante atenção no que irei lhe dizer — ele falou seguindo em direção a saída. — Falei isso uma vez, mas você não escutou: Jamais irei amar uma louca psicopata feito você.
XxX
Rin passou a noite inteira desacordada e só levantou na manhã seguinte, o que deixou as amigas preocupadas. A loira achou que era melhor contar às amigas sobre o que havia acontecido, assim pelo menos elas poderiam entender o que havia a feito desmaiar. A vampira de cabelos róseos passou grande parte do tempo dando sermão na amiga, dizendo coisas que de certa forma ela precisava ouvir. Miku achou melhor não se envolver no que acontecia e continuou a fazer o que fez a noite toda: ler livros de magia.
A garota de cabelos turquesa ainda não tinha absorvido completamente a história de ser uma bruxa, mas estava começando a tentar aproveitar-se disso. Ela queria aprender a usar a mágica que tinha. Ela treinou feitiços que julgava serem fáceis. Muitas coisas foram quebradas durante a noite, o que só causou risadas de Luka. A vampira passou a noite vigiando as duas mais novas, checando se Rin ainda respirava e impedindo que Miku colocasse fogo na casa.
As três garotas estavam sentadas no sofá enquanto riam de algo dito pela loira. Depois do clima tenso que havia se instalado, elas pareciam ter esquecido desse fato. Luka ainda estava um pouco receosa em relação a amiga, mas não demonstrava.
— Está ficando tarde… Quero ir para casa — Rin falou bocejando.
— Você não pode estar com sono, dormiu praticamente por vinte e quatro horas! — a mais velha esbravejou. — Mas de qualquer forma, também quero ir para casa. Meus pais vão acabar comigo quando eu chegar em casa e além disso, minha garganta está começando a arder.
As mais novas entenderam o que ela quis dizer. A vampira estava começando a sentir fome. Por sorte, havia anoitecido a alguns minutos, não iria demorar para que tudo estivesse um breu.
— Não se preocupem, não pretendo matar ninguém, só talvez tirar um pouco de sangue do idiota do meu irmão — ela sorriu.
— Ele não irá contar sobre você…? — Miku perguntou expressando sua preocupação.
— Se eu ameaçar contar os nossos pais que ele gasta o dinheiro deles com prostitutas, ele irá ficar quieto — as três riram alto. — Além do mais, também estou com dor de cabeça.
— Você vai ficar bem sozinha, Miku? — a loira perguntou olhando para a melhor amiga.
— Vou, vou sim. Só terei de esperar minha avó chegar.
As duas garotas levantaram-se e começaram a arrumar-se para poder ir embora. Luka iria levar Rin até em casa, por segurança. Ela não queria deixar a loira sozinha sabendo que ela estava envolvendo-se demais com vampiros. Mesmo sendo uma, ela ainda tinha bom senso, sabia que a amiga era uma zonza quando queria.
A loira havia lembrado a pouco tempo do encontro que teria mais tarde com Len. Ela sabia que se dependesse da amiga, ela não conseguiria sair de casa. Não teria como acontecer o encontro.
— Vamos, Luka? — a mais nova perguntou terminando de ajeitar seu cabelo. — Amanhã a gente volta, certo, Miku?
A garota de cabelos turquesa nem se importou com o que foi dito pela loira, ela somente empurrou as duas amigas para fora de casa, como se tivesse expulsando-as. As três riam com isso. A mais nova acenou para a melhor amiga, que sorriu em retribuição. A vampira saiu sem dizer nenhuma palavra. Ela nunca gostou da aproximação das duas garotas.
"Por que eu me preocupo tanto com elas?" ela pensou suspirando. Rin acabou percebendo isso, mas acabou ficando calada. As duas começaram a andar em direção à casa da loira em silêncio, tentando não pensar no clima tenso formado entre as duas.
Rin queria poder sair de casa, porém sabia que não conseguiria. Ela estava com vontade de ver Len, ainda tinham questões que os dois precisavam resolver. A loira ainda se sentia um pouco mal pelo que jeito que ele a tratava.
— Poderia ser mais fácil — ela suspirou alto.
— O que poderia ser mais fácil? — Luka perguntou fingindo estar interessada no que a mais nova dizia.
— O meu relacionamento com o Len.
A vampira deve de se controlar para não rir. Mesmo já tendo vinte e um anos, Rin era péssima em relacionamentos, tanto que em sua vida inteira ela só tivera um relacionamento sério, que a deixou com um certo trauma por relações amorosas.
— Ele é um vampiro, queria que esse namoro fosse um mar de rosas? — a mais velha provocou. — Sei que você falou que não tem nada sério entre vocês, mas sei que tem um sentimento maior vindo do seu lado.
— Está dizendo que eu realmente o amo?
Ela não respondeu, somente sorriu, mas a loira sabia o que aquilo significava. Luka sempre a ajudou quando o assunto era "homens" não seria agora, mesmo com tudo o que aconteceu e não gostando do aproximação da amiga com o vampiro, ela iria deixar de ajudar.
— Sabe aquela sensação de estar sendo observado? — Rin parou de andar e olhou para a garota de cabelos rosas. — É estanho que eu esteva sentindo isso agora?
Antes que a vampira conseguisse responder, alguém as puxou para trás de uma das casas, o que acabou deixando-as assustada, principalmente a loira, porém ela logo relaxou ao ver quem era.
— Ficou louco, garoto?! — Luka ficou com os olhos vermelhos, parecendo mesmo estar irritada.
— Pretendia perguntar a mesma coisa a vocês — Oliver falou um pouco raivoso. — Não é muito bom que vocês andem por aqui agora.
— Mas, por… — a loira teve a boca tampada pelo melhor amigo antes que pudesse terminar de falar.
Os três começaram a ouvir vozes e passos vindo em sua direção, logo a mais nova entendeu o porquê de ter que ficar quieta. Demorou um pouco até que conseguissem ouvir perfeitamente o que as pessoas diziam, mas logo eles reconheceram quem era.
— O corpo foi completamente mutilado, jamais saberão quem era! — um dos homens exclamou com raiva. — Caso alguém desconfie é só fazermos o que sempre fazemos.
— Mas… E a garota? — o outro perguntou um pouco confuso.
— Deve ter puxado a avó, essas pragas costumam ser hereditárias. Enquanto ela achar que Sona está viajando será melhor.
Rin sentiu seu olhos marejarem um pouco. Ela não conseguia acreditar no que ouvia. Ela só não foi ao chão por que Oliver a segurava. Luka tentava não demonstrar sua tristeza, mas não conseguia.
— Tem certeza do que está fazendo, Gumiya? Primeiro você mata uma das anciãs e agora quer dar uma fes…
— Ela sabia demais! — o homem de cabelos verdes berrou de raiva. — Além de ser uma feiticeira, ainda sabia a identidade dos vampiros que rondam esse lugar! E não irei dar uma festa, Al. Será algo aberto a pessoas de fora da aldeia, é a oportunidade perfeita para descobrirmos a identidade daqueles sanguessugas.
— Se está dizendo, meu irmão, creio que esteja certo — o mais velho suspirou. — Se me der licença, tenho que resolver alguns problemas com o Oliver. Ele se recusa a fazer o que mando, parece que ainda é um adolescente!
— Ele precisa de um motivo para juntar-se à nossa causa, parece que a morte de sua tão querida prima não fora suficiente para fazê-lo…
A partir dali eles não conseguiam escutar mais nada. A loira encontrava-se em um estado de choque, a qualquer momento parecia que iria desmaiar. Oliver também parecia não estar em seu melhor estado mental. Luka parecia ser a única que não se importava. Os três permaneceram em silêncio por alguns minutos, ninguém conseguia falar nada.
— Você nos puxou por causa disso, não foi? — a vampira perguntou diretamente para o loiro, vendo-o assentir logo em seguida. — Como sabia que eles estavam vindo?
— Cansei de ouvi-los, então passei a andar na frente deles — ele respondeu um pouco ríspido. — E-eu não sabia que…
— Sei que não sabia — a mais velha sorriu. — Rin, você está bem?
A mais nova assentiu com uma certa dificuldade, de maneira silenciosa. Ela ainda não havia conseguido acreditar no que tinha ouvido. Sua mente recusava-se a crer naquilo, porém fazia sentido. Sona jamais viajaria sem dar explicações, muito menos com o que estava acontecendo.
— Eu... Posso ir para sua casa, Luka? — a loira suspirou ao perguntar. — Não quero ficar sozinha hoje.
— Eu posso te levar para casa se você quiser, Rin — o loiro falou tentando ser amigável com a garota em seus braços.
— Não precisa, Oliver — ela sorriu. — Prefiro ir com a Luka.
— Perdeu, loirinho — a mais velha riu. — É melhor que você vá para minha casa, mesmo.
— Amanhã falo com você, Ollie — a loira acenou para o melhor amigo e passou a andar ao lado da vampira.
As duas garotas saíram andando em silêncio, deixando o loiro sozinho no local. Ele conseguia ouvir a voz delas por uns segundos, a garota de cabelos róseos deveria estar querendo ser rápida para voltar para casa, principalmente sabendo que a mais nova não estava com seu melhor estado mental.
Ele suspirou e então andou para a parte de trás das casas, indo em direção a uma das entradas da floresta. Oliver conseguia ouvir passos vindo de trás de si, como já sabia quem era, ele não estava preocupado.
— Eu estava pronta para matá-las — a voz doce da vampira pôde ser ouvida. — Por que você tinha que ter as puxado?
— Iria chamar muita atenção, não acha?
O loiro virou-se para encarar a vampira, vendo-a sorrir tentando parecer inocente. O que o deixava um pouco nervoso era os olhos vermelhos o encarando com um certo desejo. A loira se aproximou devagar do garoto e colocou seus braços ao redor de seu pescoço, beijando-o em seguida.
— Nunca mais faça isso — ela sussurrou bem baixo. — Estou de bom humor, por isso não irei fazer nada com você.
— Acha mesmo que eu tenho medo de você, Lenka? — a loira riu e negou lentamente com a cabeça.
— Deveria ter, afinal… — antes de completar a frase, ela enfiou as unhas na pele do mais velho, fazendo que sangrasse um pouco. — Sou uma vampira, não pense que só por que você é fofo não irei te matar.
O loiro corou ao ser chamado de "fofo" pela vampira. Normalmente só sua mãe a chamava assim, nem mesmo Rin fazia isso. Lenka sorriu ao ver o rubor do garoto e logo passou a beijar seu pescoço, deixando também arrepiado.
— Por que não me contou que teria uma festa? — ela perguntou sorrindo. — Eu adoro festas.
— Não é uma festa. Você ouviu, é uma armadilha.
— Você precisa de mais senso de aventura — a vampira riu, mas logo voltou a ficar séria. — Vai dizer que quer perder a chance de dançar comigo?
— N-na frente de todo o mundo — a loira voltou a rir, dessa vez do nervosismo. — Não ria!
— Será divertido… — pelo menos para mim será muito divertido.
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