Sadistic Vampire

25 The Last Dance


Notas iniciais
Bom, acabou a fanfic, não quero fazer mais, PRA MIM CHEGA. Depois desse capítulo minha paciência acabou. 8.000 palavras... Eu pretendia fazer 6 ou quase 7 mil, mas quando eu vou fazer o capítulo não aparece a quantidade de palavras que eu escrevo, então acho que me empolguei um pouquuuuuinho demais. Sério, esse capítulo beiraria uns 10 mil se eu tivesse feito tudo o que queria, but, não deu. Eu sabia que o capítulo tava grande, mas não imaginei que estava tão assim. Hellow cats! Não vou enrolar muito. Sorry, sorry, sorry. Avisei que demoraria... Não vou prender ninguém aqui, então, fiquem com o capítulo.

— Já disse que será divertido! Vamos por favor! — a bruxa falou, ajeitando suas maria-chiquinhas no reflexo do espelho da melhor amiga, observando a mais nova pelo vidro. — Vai mesmo ficar aqui enquanto todos se divertem? Rin, vamos!

— Não, Miku — a loira disse pela enésima vez. — Não ligo se será divertido ou não. No momento eu quero ficar longe de pessoas, e por isso não irei a um lugar onde vai estar cheio de pessoas — ela deu de ombros à amiga.

Fazia horas que a garota de cabelos esverdeados estava tentando convencer a loira a sair de casa, mas não tinha muito sucesso, já que ela parecia ter colocado em sua cabeça que não iria sair de casa.

O plano inicial da bruxa e da vampira era deixar a garota em casa, porém após uma longa reflexão, ambas acharam melhor vigiar a loira de perto. Como as duas iriam a festa, nada melhor do que convencer a amiga a ir também.

A feiticeira não achava que seria tão difícil conseguir fazer a mais nova sair de casa, mas pelo visto estava sendo uma missão impossível, visto que fazia quase duas horas que estava ali, e até agora não obtivera sucesso.

— Fica só meia hora — a garota tentou seu último argumento. Já estava pronta para desistir. — Só isso e depois a Luka te traz para cá de novo.

Rin suspirou, dando-se por vencida. Contanto que ela conseguisse ter a paz que tanto queria, passaria uma inteira na "festa" sem reclamar. Tudo o que ela não queria era encontrar com o vampiro ou seu melhor amigo. Depois de pensar muito, ela achou melhor se afastar dos dois por um tempo. O sonho do dia anterior ainda a perturbava.

— Eu vou, mas saiba que assim eu cansar, irei embora, certo? — a mais velha assentiu animada, dando alguns pulinhos de alegria. — Saia do meu quarto, quero trocar de roupa.

Por falta de opção, a bruxa saiu sem dizer nada, indo para a sala com um sorriso no rosto. A loira suspirou novamente, deixando o peso cair na cama. Ela olhou para a janela vendo os poucos raios de sol sumirem no horizonte. Era possível ouvir o barulho de música e vozes ao longe, indicando que a festa já tinha começado.

Sem muito mais, ela retirou o vestido sem dificuldade, ficando somente com sua roupa íntima. A porta do quarto estava fechada, impedindo que a mais velha olhasse enquanto ela trocava de roupa.

A loira parou na frente do seu armário, procurando pelo vestido que queria utilizar na noite. Quando o achou, involuntariamente ela sorriu abraçando o tecido de maneira infantil, como se fosse uma criança acabando de ganhar um presente.

Ela encarou o vestido bege com mangas de renda dourada e detalhes na cor de ouro com um sorriso. O vestido tinha sido um presente dado por seu irmão da última vez que se viram, mesmo tendo raiva do garoto, ela havia guardado o presente.

Logo ela vestiu a roupa que tanto queria usar, analisando a si mesma. O decote não a favorecia em nada. Se qualquer outro pessoa usasse o vestido ficaria melhor que ela, porém, isso não importava.

Rin tirou de seus cabelos as duas presilhas gêmeas que prendiam sua franja, deixando os fios claros e desarrumados caírem em seus olhos. Suas órbitas azuis foram cobertas pelo cabelo loiro, dando-lhe um ar misterioso.

Terminando de ajeitar o vestido, a loira seguiu para fora do quarto, chamando a atenção da bruxa, que passou a bater palmas ao ver sua melhor amiga daquele jeito. A garota boba que todos conheciam parecia ter sumido. Pela primeira vez em muito tempo, Rin se sentia confiante, pronta para encarar qualquer coisa.

— Maravilhosa — ambas sorriam de maneira agradável ao olhar. — Esse vestido está meio apertado, mas pelo menos realça sua cara de criança.

— O que falei sobre não me encher? — a loira falou pondo as mãos na cintura. — Mas obrigada pelo elogio.

— Seja breve, Princesa Rin, não quero me atrasar mais — a bruxa sorriu. — Já está pronta, não é?

— Princesa Rin…? Nunca entendi porque vocês me chamam assim — a mais nova disse alto, terminando de por suas botas. — Já estou pronta. Se quiser ir agora não tem problema.

Com um sorriso no rosto, Miku saiu do sofá e seguiu em direção à porta, abrindo-a em seguida. A bruxa gostava de festas. Mesmo sabendo que não iria a uma verdadeira confraternização, ela continuava a gostar.

As duas saíram da casa encarando a rua praticamente deserta, logo em seguida encarando a vampira de cabelos rosas, que fitava a bruxa de maneira matadora. A loira segurou a risada ao ver a expressão de medo de sua melhor amiga. As três eram as únicas naquela parte da aldeia, não teria problema em ter uma conversa sobre "outros" assuntos sem problemas.

— Fiquei meia hora esperando por você, bruxinha. Saiba que da próxima vez eu te arrasto pelos cabelos — Luka sorriu ao falar. — Vocês duas estão lindas — ela continuou, olhando para a loira. — Está linda, Rin. Parece uma feiticeira, porém está linda.

A mais nova revirou os olhos, soprando a franja de cima de suas órbitas. Claro que com aquele vestido e o cabelo bagunçado ela parecia uma feiticeira. Só faltava poderes mágicos. A mais velha também não estava nada mal, usava um vestido branco com renda no busto, quase deixando os seios à mostra e o cabelo estava parcial preso, deixando-a com um ar mais jovem. A bruxa parecia ter sido a única que tinha escolhido uma roupa normal para a comemoração.

— Vamos nos divertir, então? — a mais velha sorriu, tentando ser amigável.
— Se você está dizendo… — a loira murmurou. — Não vou ficar muito.

— Será divertido, Rin. Pare de ser tão negativa — a bruxa disse pondo a mão no ombro da melhor amiga.

— Não será divertido. Sei que não vai…

As mais velhas suspiraram derrotadas, seguindo a loira que já começava a andar em direção à fogueira, já que lá iria ocorrer a festa. As três seguiram conversando sobre vários tipos de assuntos, menos sobre o que estava acontecendo ultimamente com elas. Todas pretendiam esquecer tudo, e pelo menos tentar se divertir.

Os cinco minutos que andariam até chegar à festa passariam rápido se continuassem a falar daquele jeito. O papo estava bom, porém a bruxa se sentia um pouco excluída da conversa. A vampira parecia ter se envolvido na conversa com a loira, esquecendo-a completamente. Parecendo não se importar muito com isso, a garota seguiu um pouco mais à frente do que as outras duas.

Quando as garotas perceberam, a bruxa já tinha sumido do campo de visão das duas. Não faltava muito para chegarem ao local, praticamente mais dois minutos. Na cabeça de ambas, Miku já deveria estar na fogueira. Como sempre ela havia ido na frente das duas.

— Depois encontramos com ela — a loira disse respondendo a pergunta feita pela vampira. — Voltando ao que estávamos falando… Tem certeza de que não está com sede? — ela perguntou. — Não acho que uma crise de vampirismo na frente de todos vai ser algo bom.

— Estou com um pouco de sede, mas não o suficiente para que eu surte por causa disso — a mais velha falou ajeitando pela milésima vez o laço frouxo de sua capa. — Ando até assustada com a falta de sede que tenho. Não acho que seja normal.

A vampira já estranhava a sede por sangue não ser recorrente. Ela não demonstrava nada disso. A garota ainda tentava manter o comportamento normal de sempre. Em nenhum momento ela duvidava que alguém duvidasse dela. Se alguém duvidava, Luka não fazia ideia de quem era.

— Terei que levar alguém até a floresta e matar, aproveitando que está escuro.

Por mais que tentassem era impossível não chegarem a algum assunto envolvendo algo que estava acontecendo ultimamente com uma das duas. Rin desviava todas as perguntas feitas pela vampira para que não tivesse que falar sobre sua conturbada vida amorosa. A loira tentava falar o menos possível, fazendo quase papel de ouvinte naquela conversa.

— Pretende fazer algo hoje? — a mais velha perguntou calma. — Sei que vai ficar pouco tempo, mas não irá fazer nada?

— Talvez eu beba um pouco, porém será só isso — a loira disse sem dar importância ao que dizia. — Não vou correr o risco de acabar fazendo algo que eu possa me arrepender sabendo que posso estar bêbada.

A mais nova ainda estava um pouco receosa em relação ao que tinha conversado com Gumi no dia anterior. À contragosto, ela achou melhor acreditar no que a amiga tinha falado. Ela não pretendia confiar no vampiro, mas sim iria tentar uma reaproximação. Depois de tudo o que tinha acontecido, Rin não conseguia mais confiar em Len. Seus sonhos eram avisos, e em todos ela confiava no vampiro. Era um sinal para não confiar nele de jeito nenhum.

— Diferente de você, preciso ficar bêbada. Assim não me arrependo de nada que fizer — a mais velha suspirou cansada. — Acho que depois de terminar com o duque acabei virando uma frustrada sexual.

— Bem-vinda ao grupo.

As duas riram alto com a afirmação da vampira. Se a loira soubesse o que a garota andou aprontando nos últimos dias, entenderia o motivo da frustração dela. Luka achava melhor não contar à mais nova sobre o beijo com o vampiro. Todas as formas para explicar o que tinha acontecido acabava a enlouquecendo aos poucos.

Elas já podiam ver a festa do local onde estavam. Várias pessoas atravessavam a entrada da fogueira que fora decorada somente para essa comemoração. Grande parte das pessoas da aldeia já estavam lá, as que estavam chegando eram de fora.

— Esss cheio… — a mais velha sussurrou encarando a entrada. — Isso não é bom. Acho que… É melhor que eu vá para casa.

— Não! — a loira exclamou com raiva. — Você já está aqui, não vai voltar agora.

— Não acho que deva ir embora — as duas pararam de andar por um momento, olhando para trás. — Irá perder um excelente banquete.

Rin deixou o queixo cair por um momento. Ela já tinha passado por sua cabeça a hipótese de um encontro com o vampiro, porém não achava que seria tão cedo, antes mesmo de entrar na festa. A vampira somente rosnou, cruzando os braços em desaprovação ao olhar perdido da loira. A mais velha parecia não demonstrar nenhuma reação.

— L-Len… — a loira murmurou, ficando vermelha aos poucos. — O que você está fazendo aqui?

— O que quer dizer com "banquete"? — a mais velha indagou alto, sobressaindo a voz baixa da garota ao seu lado.

— Está cheio de gente aqui, e a maior parte está bêbada. Não existe oportunidade melhor para seres como nós — o sorriso provocante do loiro fez o sangue de Luka ferver. Ela estava decidida a tirar aquele sorriso do rosto do vampiro.

— "Como nós"? — ela riu baixo. — Como se fôssemos iguais para que algo assim. Sou superior a você em todos os sentidos. Você é somente um assassino idiota.

O loiro suspirou fundo para não perder o controle. Depois de muito tempo, a bruxa o convenceu a ir a festa, mesmo sendo contra sua vontade. Ele sabia que a irmã também estaria no local, e queria distância dela no momento. O acordo que fizera com a bruxa era simples: os dois somente dançariam e não teriam que ficar juntos. Ele tinha completa liberdade para fazer o que quisesse.

— Vamos, Rin — a mais velha falou firmemente, tentando puxar a loira pelo braço. — Rin…

— Pode ir na frente. Eu já vou — a mais nova suspirou, vendo o olhar reprovador da amiga. — Vai, prometo que já vou.

— Claro. Depois de tudo que aconteceu volte correndo para ele! — a garota falou alto, quase berrando.

Sem dizer mais nada, a vampira saiu bufando, pondo o capuz escuro por cima de seus cabelos claros, atravessando o portão da fogueira. A loira passou a encarar o mais velho com dificuldade por estar de cabeça baixa. Ela só levantou o olhar quando o garoto a fez olhar em seus olhos vermelhos.

Não tinha como Rin fugir agora. Ela se encontrava sozinha com o vampiro, e por mais que tentasse gritar, não teria como. Ninguém ouviria com o barulho que vinha da festa. Agora, era somente os dois, completamente afastados de todos.

— Quer falar comigo? — o vampiro perguntou calmo, sorrindo de maneira involuntária.

— Não, porém sei que você quer falar comigo — ela não demonstrou emoções ao falar. — Não vou perder mais meu tempo com você. Diga o que quer e vá embora.

Len não conseguiu conter a expressão surpresa ao ouvir aquelas palavras vindas da loira. Ele já imaginava que ela deveria estar com raiva, mas não ao ponto de dizer isso. A única pessoa que falava assim com ele estava morta a anos. O loiro não esperava ouvir algo assim novamente.

— Só quero lhe dizer que irei embora…

A loira não demonstrou sua surpresa. De tudo o que o vampiro poderia dizer, isso era o que ela menos esperava. Ela baixou o olhar novamente, encarando seus pés para esconder o rubor de suas bochechas. Por mais que não quisesse, ela era apaixonada pelo garoto. Vê-lo partir seria uma das piores coisas para seu emocional.

O loiro abaixou o rosto até ficar próxima ao da mais nova, fazendo ambos olhares ficassem frente a frente. Enquanto ele permanecia calmo, ela estava séria sem demonstrar suas verdadeiras emoções. Rin estava destruída por dentro, porém sabia como não demonstrar a sua dor.

— Você queria dizer só isso? — ela perguntou calma, sorrindo de forma cínica.

— Não. Na verdade, vim te pedir um favor — a loira controlou por alguns segundos a risada, porém não conseguiu por muito. — Falo sério, Loirinha. Não estou de bom humor, não me teste —o vampiro falou sério, sem o sorriso de alguns segundos atrás. — Serei legal com você hoje.

— Não quero saber! Diga o que quer e vá embora.

O loiro tirou de algum lugar que ele não sabia, uma força de vontade imensa, e acabou controlando a vontade de segurar a garota pelo pescoço e vê-la morrer sem ar. Com isso, ele foi se acalmando aos poucos.

— Antes que eu vá, passe esta noite comigo — a garota arregalou os olhos, mas voltou logo ao normal, causando um sorriso de curiosidade do mais velho. — Não no sentido que pensou, sua tonta. Iremos passar o tempo que ficarmos na festa juntos.

A risada da loira acabou deixando o lugar com um clima pesado. Ela não deveria estar rindo. Já tinha notado que o garoto não parecia estar de bom humor. Isso era perigoso para ela, depender da boa vontade de Len sempre era arriscado.

— Por que acha que eu vou aceitar isso? — ela perguntou alto, confrontando o vampiro sem medo.

— Porque você só está bancando a difícil — ele sorriu, fazendo a garota revirar os olhos. — Sei que quer. Não complique as coisas.

— Não tenho como dizer não, certo? — o vampiro negou sorrindo, causando um suspiro da mais nova. — Tudo bem — ela murmurou. — Vamos logo fazer isso. Não quero perder meu tempo.

Rin sentiu uma das mãos do mais velho encostar em sua cintura, em seguida puxando-a para mais perto. Ela pretendia se reaproximar do garoto, mas não iria ser fácil como da primeira vez. Ela iria ser difícil, não deixaria se render com tanta facilidade. A loira pretendia enlouquecer o vampiro aos poucos, até que por fim, ele vá embora.

Os dois andavam lado a lado como se fossem um verdadeiro casal. Logo ao entrarem no local, o olhar das pessoas se viraram para os dois, o que deixava a loira envergonhada. O vampiro também não facilitava. Ele segurava a mão da mais nova com força, sem ter como se soltar.

A garota conseguia ouvir os murmúrios de pessoas, já sabendo que elas falavam sobre ela e o loiro ao seu lado. Len ouvia o que diziam, por esse motivo, exibia um sorriso provocante no rosto. Caso a garota descobrisse o que todos falavam sobre ela, provavelmente teria um surto.

— Levante a cabeça, você está bonita — ele disse baixo para que somente ela ouvisse.

— Sei que estou, não precisa ficar dizendo — a loira bufou. — Iremos dançar somente uma música, depois irei voltar para casa.

— Tudo bem. Não irei forçá-la a ficar.

A loira sentou em um tronco em um lugar um pouco afastado de todos. Ela conseguia ver todo o local de onde estava. O vampiro ficou em pé encostado em uma parede, observando a garota sentada ao seu lado. Ele estava aliviado por até agora não ter tido nenhum sinal da bruxa. Enquanto ela ficasse longe, ele poderia conversar com Rin sem maiores problemas. Isso, é claro, se a loira colaborasse.

— Você não está sorrindo tanto quanto antes… — ele falou alto, fazendo a garota olhar diretamente em seus olhos. — Tem algum problema?

— Não. Eu estou bem — ela disse séria, causando um arregalar de olhos vindo do loiro. — Pare de falar, não vê que quero ficar quieta?

"Essa garota está pedindo para que eu a mate" ele pensou rosnando, vendo a mais nova sorrir. "Só tenho que segurá-la por alguns minutos". A garota tirou o sorriso do rosto, voltando a encarar a paisagem, assim como o vampiro havia feito.

Len conseguia sentir a aproximação de alguém, por isso, entrou em alerta. Caso fosse a bruxa, Rin estaria correndo perigo. Tei iria querer matá-la e ele não conseguiria impedir, seria arriscado demais, ainda mais sabendo que Lenka estava por perto.

O loiro puxou a garota que estava sentada, fazendo-a quase cair por causa da força que havia sido puxada. Em uma fração de segundos, o olhar de ambos se encontraram. Os olhos vermelhos do vampiro a assustaram. Ela nunca havia os vistos tão ardentes. Ele parecia estar com raiva.

Os dois estavam se afastando mais da fogueira, quase entrando do outro lado da floresta, a parte mais escura dela, que ficava pior a noite. A loira sentiu seu pouco almoço querer voltar pela garganta. Só a hipótese de ir a um lugar escuro com o vampiro já a deixava enjoada.

O loiro empurrou a garota contra uma árvore, beijando-a com força, sem deixá-la escapar. O beijo era quente mesmo sendo forçado. O vampiro era agressivo ao explorar a boça da menor, já a loira parecia não se importar, já que suas unhas penetravam a pele do garoto com força. Ela só notou o que estava fazendo quando sentiu a mão atrevida do loiro descer em direção à sua bunda.

— O que pensa que está fazendo?! — ela berrou, sem medo de ser ouvida, visto que a única companhia dos dois era uma coruja.

— Te colocando em perigo — ele falou sério, vendo a loira arregalar os olhos. — Não se preocupe, sei o que estou fazendo.

— Sabe?! Tem certeza?! — a loira controlou o berro, acalmando-se aos poucos. — Como assim você está me colocando em perigo?

— Minha ex-namorada louca está aqui, e provavelmente ela viu o beijo — o garoto suspirou. — Ela é uma bruxa, antes que pergunte — ele completou, já adiantando a pergunta da mais nova.

"Pelo menos não é mais uma vampira" Rin suspirou aliviada, um pouco mais calma por não ter que aturar mais um sanguessuga. A loira ainda queria entender o porquê do vampiro tê-la beijado. Querer fazer ciúmes não parecia ser um bom motivo, por isso ela não queria arriscar.

— Preciso falar com a minha irmã — ele murmurou, mas a loira conseguiu ouvir.

— Ótimo! Vá procurá-la. Eu vou embora.

Antes que Len pudesse dizer alguma coisa para contestar a garota, ela saiu em passos firmes deixando-o sozinho sem conseguir dizer nada. O rosnado alto do vampiro pôde ser ouvido por quem estava por perto. Ele assistia a loira sumir em meio às pessoas. Logo seus olhos azuis encararam as árvores. Uma risada irritante, em sua opinião, preencheu o local, deixando-o mais irritado do que já estava.

— Vocês ouviram tudo, certo? — ele perguntou baixo, vendo a bruxa aparecer por entre as árvores, sendo iluminada pela lua. — Nunca ensinaram a vocês duas que não se deve escutar a conversa dos outros?

— Não. Nunquinha — a albina sorriu.

— Até ensinaram-me, mas ouvir as suas conversas é divertido — a vampira falou olhando para as unhas, baixando o olhar em seguida para ver o irmão. — Como essa garota me irrita! Ela é muito idiota.

— Ainda bem que sabe que a colocou em perigo — Tei sorriu novamente, pondo suas mãos no peito do mais velho, porém logo sendo empurrada por ele. — Agora que sei como é o rosto dela, será mais fácil para matá-la, certo, Lenka?

— Não acho que vá precisar — a loira falou suspirando alto, parecendo estar cansada. — De hoje ela não passa.

Os dois que estavam embaixo não conseguiram entender por completo o que a vampira havia dito, porém a bruxa parecia ter entendido uma pequena parte do que sua "amiga" havia falado. Logo um sorriso travesso surgiu em seu rosto.

— Você fez mesmo o que falou que fez? — a albina soltou uma risada alta. — Achei que você nunca faria algo assim.

— O que você fez, Lenka?! — o vampiro falou quase gritando, causando uma risada da irmã mais nova. — Não ria. O que fez agora?!

— Lembra de alguns anos atrás quando falei que nunca seria capaz de transformar alguém em um ser igual a nós…? Era uma mentira.

Len rosnou alto, assustando as duas garotas que estavam ao seu lado, fazendo a loira quase cair do galho que estava sentada sentada. Ele saiu rápido do lugar, deixando as duas garotas sozinhas em poucos segundos. A loira soltou uma risada abafada por sua mão ao tentar conter o riso. A bruxa a olhou raivosa, fazendo-a virar os olhos.

— Não era para espantá-lo, sua idiota — a albina estava irritada, o que só animava a vampira. — Na verdade, era para você ter ficado calada.

— Como se você mandasse em mim para querer que eu fique quieta — ela pulou da árvore, caindo agachada no chão. — Se der-me licença, eu irei aproveitar o show.

Lenka sumiu rapidamente da vista da bruxa, deixando-a completamente sozinha. A loira dava a volta pelas casas, passando por fora. Ela conseguia ver tudo e todos com sua visão apurada. Isso facilitava sua procura por seu namorado. Até agora os dois ainda não tinham se visto, por isso, ela estava bastante preocupada.

A vampira era rápida, e por isso, era invisível aos olhares de todos os que estavam ali. Ela sabia que em alguns minutos um show iria acontecer, e ela adoraria assistir tudo de camarote. Seria divertido… Pelo menos para ela.

XxX

Rin sorriu involuntariamente ao ver seu melhor amigo próximo a si, após dias sem vê-lo. Claro que o loiro também estava feliz por ver a garota, porém estava um pouco nervoso já que a loira não parecia estar muito feliz. Isso o deixava intrigado para saber o que havia a deixado assim.

A loira deixou o garoto envolvê-la em seus braços, e logo escondeu o rosto no pescoço do mais novo, tendo seus fios claros afagados por ele devagar. Ela se sentia segura com o loiro. Sabia que ele nunca conseguiria fazer nada contra ela.

— O que houve? — ele perguntou baixo.

— Pode me levar para casa? Não quero mais ficar aqui — ela disse no mesmo tom que o mais novo. — Já tive experiências demais para esta noite.

Os dois seguiram em direção à saída, por um lugar afastado para que ninguém os visse. Oliver sabia que sua mãe já tinha contado a quase todos sobre seu namoro com a vampira, mesmo ele tendo a alertado para não fazer isso. Caso alguém a visse com a loira, os dois teriam muitos problemas.

A loira era puxada pelo amigo pela mão, andando de cabeça baixa. O loiro sentia-se incomodado por estar próximo a garota. Sua garganta ardia, por isso ele sentia tanto medo. Ambos estavam nervosos, porém por motivos diferentes.

— Acho que te devo um pedido de desculpas, não é? — o garoto perguntou, vendo a loira negar. — Não devo?

— Quem deve sou eu… — ela falou baixo. — Fui uma tonta.

— E eu fui um idiota por ter falado aquilo para você… Sinto muito.

Ambos cessaram os passos, parando próximos um do outro. Rin sorria feito uma boba, enquanto o loiro mantinha uma expressão séria, porém amigável. Com um pouco de dificuldade, a mais velha ficou na ponta dos pés, beijando o nariz do loiro, fazendo-o rir.

— Mudou de ideia? — ele perguntou segurando a melhor amiga pela cintura. — Você não se chamaria de tonta caso não fosse necessário.

— Não sou tão orgulhosa assim — a garota falou corando.

A loira já tinha percebido o desconforto do mais novo, e por isso, estava curiosa para saber o que estava o deixando aflito. Ela pousou a mão no rosto do loiro, franzindo a testa em seguida. O olhar desanimado, até mesmo assustador de Oliver a deixava nervosa.

— Você está gelado… — sua voz saiu mais baixa do que deveria, saindo em tom de sussurro.

— Ah… Estou…? — o loiro falou baixo, parecendo estar abatido. — Você também está. A noite está fria, por isso estamos assim.

— É diferente… — ela falou séria, dando alguns passos para trás, afastando-se de seu melhor amigo. — Oliver… Tem alguma coisa que você queira me contar?

— Não. Não tenho nada para te contar — ele sorriu de modo falso. — Você não queria ir para casa?

A aproximação repentina do loiro fez com que a mais velha se afastasse o máximo que podia, até que acabou batendo em uma parede, sem nenhuma escapatória. Sua sensação de segurança de poucos segundos atrás havia sumido.

O garoto puxou-a pela cintura, deixando seus rostos próximos. Ambas respirações estavam emboladas. Uma mais forte e a outra fraca, quase inexistente. Os dois estavam próximos, quase selando os lábios, quando o barulho de palmas lentas seguidas de uma risada irônica. Por instinto, cada um foi para um lado, encarando a vampira que não sorria como sempre. Ela estava séria.

— Não acredito que você iria me trair com essa… — ela não terminou a frase, já que grunhiu antes que pudesse fazê-lo. — Como ousa fazer isso?

— Le-Lenka… — ele falou baixo, vendo os olhares raivosos das duas loiras virados para si. — E-eu…

— Você…? — as duas falaram ao mesmo tempo, trocando um olhar de raiva em seguida. — Adoraria ver você se explicar… — Rin completou a frase séria.

— Ora, ele não te contou que nós dois estamos juntos? — a vampira falou sorrindo, indo para perto do loiro, beijando-o na bochecha. — Como esqueceu de contar para sua melhor amiga que nós estamos namorando?

Rin sentiu-se quebrada por dentro. Ela sentia vontade de berrar, chorar, não queria acreditar no que a vampira havia falado. Pela expressão de seu "melhor amigo", ela sabia que era verdade. Seu coração se partiu em mil pedaços, porém ela não iria fraquejar. Por fim, ela acabou escolhendo fazer o que achava certo.

— Sejam felizes juntos — ela falou um pouco chorosa, correndo para a direção da aldeia em seguida.

O loiro olhou para a namorada que ria alto do que tinha acabado de acontecer. Ele grunhiu alto, colocando a loira contra a parede com muita força. A vampira arregalou os olhos, um pouco assustada com o comportamento anormal do mais velho. Os dois se encararam com os olhos vermelhos, cada um sorrindo por um motivo diferente.

A garota beijou os lábios do loiro devagar, sentindo-o passar a mão por todo seu corpo devagar. O selar de lábios era quente, porém seco, não existia paixão. Como estavam longe da comemoração, ninguém os veria, do jeito que a vampira queria. O beijo não parou por falta de ar, e sim porque a loira acabou se separando do mais velho.

— Acho que fiz de você um pervertido — a loira sorriu de maneira maliciosa. — Gosto disso, mas prefiro que você seja fofo.

— Pareço ser fofo, porém você não me conhece tão bem quanto pensa — o garoto falou baixo, próximo ao ouvido da mais nova.

— Conheço você melhor do que pensa — ela disse baixo. — Quando fiz de você um vampiro, acabei descobrindo coisas interessantes sobre você. Coisas que nem você deve saber.

Ele beijou o pescoço da vampira lentamente, ora chupando, ora mordendo com as presas. Esse era o único jeito de tornar a loira submissa de alguma forma. Ele traçou uma trilha de beijos até os lábios da mais nova, beijando-os em seguida.

Desde que havia se tornado um vampiro, seu relacionamento com Lenka tinha mudado. O "eu te amo" de ambos tinha sido dito depois disso, por esse motivo, havia sido especial. Ela realmente havia o transformado por sentir uma atração, e não somente por diversão.

— Pare de querer me assustar, Lenka — o loiro riu baixo, beijando os cabelos da garota bem mais baixa do que ele. — Terei que ir atrás da Rin. Não quero você por perto.

— Sem graça — ela sorriu. — Tenho que fazer outras coisas também.

— Que coisas? — ele perguntou confuso.

— Preciso me preparar para o espetáculo…

XxX

— Miku, me desculpe! Quantas vezes tenho que dizer isso? — a vampira falou quase beirando o pânico. — Vai mesmo ficar assim?

Ela jogou a cabeça em cima do ombro da mais nova, suspirando por não conseguir chamar a atenção de sua amiga de jeito nenhum. Fazia alguns minutos que Luka estava tentando convencer Miku a ter uma conversa verdadeira com ela, porém a bruxa era teimosa, e não queria falar com a vampira.

— Você está sendo infantil!

E essa acabou sendo a decisão final de Luka, que após todo o tempo que havia levado para convencer sua melhor amiga a falar consigo. Ambas estavam sendo teimosas. A bruxa por continuar sem falar com a mais velha, e a vampira por tentar prolongar sua missão impossível. A situação era crítica.

Como uma última solução, a garota de cabelos rosas achou que estava na hora de apelar para o emocional. Já que pedir desculpas e implorar não havia adiantado, ela teria de apelar. Era o único jeito de, talvez, conseguir falar com sua amiga.

— Tudo bem — ela suspirou cansada. — Irei procurar por algum lugar que tenha bolo — a bruxa amava bolo. Aquilo seria uma tentação para ela. — Vai querer um pedaço?

— Não. Não quero bolo — a mais nova suspirou, parecendo estar sem vontade de falar. — Luka, será que você não entende que não quero falar com você?! Não é a primeira vez que você me deixa de lado para ficar com a Rin — ela suspirou antes de continuar. — Odeio isso. Depois de se tornar uma vampira, você passou mais tempo com ela do que comigo. Cansei disso. Cansei! Bem que você podia voltar a odiá-la.

A vampira suspirou, sentando-se novamente ao lado da amiga, pondo a mão no ombro dela e então beijando-a na bochecha. A mais nova corou e bufou em seguida, cruzando os braços, fazendo a mais velha rir. Por sorte, eram poucos que estavam naquela parte da fogueira, e os que estavam, não prestavam atenção nelas.

— Boba — a vampira sorriu ao falar. — Passei tanto tempo com você essas semanas… Mais tempo na sua casa do que na minha… Até te vi dormir em algumas noites.

A bruxa riu baixo, baixando a cabeça e em seguida olhando para a amiga. Ela colocou a cabeça no ombro da mais velha, sentindo-a abraçar-lá pelo lado. Luka sorriu fraco, e então suspirou, deixando a cabeça cair para trás.

— Miku, prometo que irei passar mais tempo com você. A partir de amanhã iremos passar mais tempo ao seu lado.

— Tudo bem… Espero que cumpra essa promessa — a mais nova sorriu alegre. — Eu quero bolo — ela cruzou os braços de maneira infantil. — Luka-nee…

— Pegue o bolo você mesma, sua aproveitadora! — a vampira falou rindo. — Vai caçar seu pedaço de açúcar, e traga para mim um pedaço. Prefiro que seja de veludo vermelho.

— Aish, depois eu é que sou a aproveitadora — a Miku sorriu. — Já volto. Não saia daqui.

Luka assentiu devagar, mexendo em uma mecha solta de seu cabelo, observando a bruxa sumir por entre as pessoas que estavam ali. Ela sorriu por estar de bem novamente com a mais nova. Era óbvio que com o passar dos anos as duas passaram de quase irmãs à apenas boas amigas. Claro que o tempo que passaram se relacionando não se incluía em seus tempos de amizade.

O frio da noite a fez se esconder um pouco mais na capa escura que usava. Até agora ela não tinha feito nada do que tinha planejado. Sua garganta ardia, era difícil saber até quando conseguiria aguentar. Sua melhor opção era ter ficado em casa, como tinha pensado antes. Agora, tudo o que ela queria era um pedaço de bolo, para pelo menos conseguir esquecer a sede.

Ela suspirou, bocejando em seguida. Não que estivesse com sono. Só estava cansada, não tinha vontade de dormir. Com a audição apurada, ela conseguia ouvir os passos de alguém se aproximarem lentamente, e por isso, seu olhar virou para trás.

Seus olhos azuis marejaram por alguns segundos, porém logo ela se recompôs. A felicidade e o pânico entravam ao mesmo tempo em sua cabeça. Subitamente, a vampira pôs-se de pé, quase caindo por causa da velocidade que ficou em pé. Seu sorriso bobo e a vermelhidão em suas bochechas mostravam sua vergonha.

— Oi… — a voz firme e forte do homem soou feito uma melodia para a garota. — Senti sua falta.

— Eu… Também senti — ela sorriu fraco. — O que faz aqui?

— Vim a procura da minha noiva — ele disse se aproximando da vampira, puxando-a com delicadeza pela cintura, deixando-os com os rostos próximos. — Por que não voltou? Você falou que ficaria somente alguns dias. Iria falar com seus pais, despedir-se de todos e então viveríamos juntos.

A garota enroscou os braços no pescoço do maior, escondendo o rosto em seu peito. Logo as lágrimas de felicidade dela encharcaram a camisa do homem, fazendo com que ele a abrasasse com força. Luka não conseguia acreditar que o duque estava ali somente para vê-la. Ela se sentia feliz. Mesmo tendo um certo medo de ver o noivo, ela sentia falta dele. Sentia-se vazia.

— Por que demorou tanto ao ponto de eu ter que vim te procurar? — o homem indagou indagou sério, olhando nos olhos da garota. — Sabe o quanto fiquei preocupado?

— Não queria te preocupar — ela sorriu, enxugando as lágrimas. — Aconteceram algumas coisas, acabei conseguindo voltar — sua expressão se tornou triste de uma hora para a outra. — Já está tudo bem agora.

Era mentira. Nada estava bem. Luka estava nervosa, tinha medo de perder o controle na frente do duque. Embora estivesse feliz por vê-lo, o medo falava mais alto. Era a hora de fazer o que ela pretendia fazer desde antes de tornar-se uma vampira.

— Gakupo, não… Não podemos mais nos ver — ela falou soluçando um pouco. — Quero terminar tudo.

— Como?! Por quê?! — o duque falou assustado. — Luka, do que você está falando?! E o nosso filho?!

— Eu perdi o bebê…

Os dois ficaram em silêncio por alguns segundos. A vampira acabou se sentando novamente no banco onde estava, deixando as lágrimas correrem por seu rosto. O duque não aguentava ver a garota daquele jeito, e por isso, ajoelhou-se na frente dela, e a fez olhar para ele. Ela sentiu o noivo secar as lágrimas com o polegar, e então, ela sorriu.

— Não chore, por favor — ele falou sorrindo, passando a mão pelo cabelo rosa da garota. — Não ligo se perdeu o bebê. Eu nem o queria! Megurine Luka, você é a garota que eu amo! Quero passar todos os meus dias com você até que eu morra! Eu te amo! Por favor, não me abandone.

Por instinto, a vampira pulou no colo do homem, fazendo-o cair para trás por causa do peso extra que tinha que carregar. Ambos riram por estarem jogados no chão um por cima do outro. A felicidade dos dois pareceu sobressair todos os outros sentimentos.

— Também te amo, Gakupo — ela sorriu. — Eu te amo muito...

A garota levantou sem pressa de cima do homem, vendo-o se levantar e em seguida ajeitar a roupa de ela tinha bagunçado. A garganta da mais nova tinha voltado a arder, e isso a preocupava.

A ideia de não ser aceita por seu noivo por ser uma vampira. Claro que a ideia de transformá-lo tinha passado por sua mente, porém ela não queria ter que fazer isso. Não queria condená-lo à ser um ser como ela.

— Quer mesmo terminar…? — a voz do duque saiu embriagada.

— Jamais. Eu não teria coragem…

Subitamente, o homem puxou a vampira pela cintura para um beijo apaixonado. Luka gemeu alto ao sentir o noivo apertar um de seus seios com força. O duque era extremamente pervertido, e isso sempre a fez se apaixonar. Quando os dois se separaram, o homem pousou a mão no rosto da noiva, levando um choque por tocar na pele fria da garota.

— Luka… Você está tão… — ele procurou por palavras para continuar a frase. — … Fria. Por quê? O que houve?

— Eu… Eu… — ela tentou falar sem gaguejar, porém não conseguiu. — E-eu… Eu sou uma vampira.

A garota se afastou aos poucos do noivo, até ficar de costas para ele. Ela suspirou alto, deixando seu peso ficar todo por cima da parede que havia acabado de se encostar. Dizer aquilo tinha doído. Agora ela só precisava saber qual seria a reação do duque.

Gakupo mantinha-se sério. Ele não tinha motivos para duvidar de sua noiva, porém, ele não conseguia acreditar no que ouvia. Luka era o ser mais perfeito que já tinha conhecido. Era impossível para ele, acreditar que sua tão amada noiva havia sido corrompida por um ser das trevas, e tinha se tornado um deles.

— Luka… Quero que prove.

A vampira olhou para o mais velho um pouco assustada. A expressão séria do duque a deixava nervosa. Como a reação de seu noivo havia sido melhor do que esperava, ela apenas assentiu para que ele continuasse a falar.

— Você terá que tomar meu sangue.

Luka sentiu por um instante seu mundo parar. Era difícil para ela acreditar que seu futuro marido estava lhe pedindo algum assim. Caso negasse, ele poderia se irritar, e assim terminar o noivado. Conhecendo-o como conhecia, sabia que ele era capaz de fazer algo assim. Seu maior medo era não conseguir se controlar e acabar matando seu amado. Ela não se perdoaria caso fizesse isso.

Hesitando no início, a garota voltou a se aproximar do duque, rondando seu pescoço com seus braços. Seus olhos azuis tornaram-se escarlates, e logo as presas se revelaram. Ela aproximou o rosto da pele exposta. Logo seus instintos tomaram conta, e por fim, a vampira deu o beijo da morte em seu amado.

XxX

Rin deixou seu peso cair no chão com força. Ela estava frustada, iria surtar a qualquer momento se tudo não voltasse ao normal logo. Ao ver Lenka e Oliver juntos, e ouvir o que a vampira havia falado tinha sido demais para o resto de sua sanidade. Algo havia sido se acendido dentro de si. Era raiva. Ela sentia vontade de estrangular a loira que tinha ousado tirar seu melhor amigo de si, porém não podia. Mas queria.

As lágrimas que queriam descer estavam sendo contidas com muita vontade. Ela não iria chorar por mais nenhum garoto. No momento, ela pretendia somente ficar ali, sentada no chão, esperando por um tempo até que conseguisse encontrar as palavras certas para poder falar com seu melhor amigo.

Como conhecia o loiro, ela sabia que ele viria atrás dela. Na verdade, já deveria estar nesse momento. Claro que, em sua mente, já se passava a conversa mais estranha de sua vida. O que ela poderia ouvir vindo dele? Tudo o que entrava em sua mente terminava de forma trágica. Ela ainda não estava pronta para ter que encarar seu amigo.

O vampiro a observava a uma certa distância em silêncio. A garota parecia estar chorando, porém ele sabia que não estava. Depois de tudo que tinha acontecido, Rin jamais choraria por alguém. Ele poderia continuar a vigiando por horas, mas ao vê-la encará-lo com um olhar vazio, ele suspirou. Rapidamente, o garoto sentou ao lado de sua amiga, fitando profundamente seus olhos azuis.

O único barulho que os dois ouviam era o da música que ecoava na festa. Ambos estavam quietos, com medo de dizer qualquer coisa errada. Oliver mantinha seus olhos dourados vidrados nos da amiga, encarando-a com um sorriso fraco.

— Vamos pular a parte das desculpas esfarrapadas e ir direto as explicações — a loira falou baixo, vendo o mais novo assentir devagar. — Vocês estão mesmo juntos?

— Por incrível que pareça… Sim. Faz um tempo… — ele respondeu calmo, sem falhar a voz em nenhum momento. — Espero que não fique com ciúmes.

— Não ficarei — ela sorriu fraco. — Por acaso ela já…? — o loiro assentiu antes que a garota terminasse de falar. — Por quê?

— Eu pedi... — seu suspiro alto pôde ser ouvido. — Tem certeza que quer pular a parte das desculpas?

Ambos riram baixo, alegrando por poucos segundos o clima do ambiente. Por mais estranho que fosse, Rin não estava chateada com o loiro. Ela estava, de certa forma, feliz. Contanto que Oliver não estivesse mal por estar com a vampira, ela estaria feliz.

Desde que havia descoberto a paixão que seu melhor amigo sentia por si, ela queria que alguma outra garota aparecesse, para que ele pudesse se apaixonar. Claro que, em momento algum, uma vampira passou por sua mente, porém, ela sabia que ele estava feliz.

— Quando falei 'sejam felizes juntos', falei sério — sua voz saiu baixa e fria. — Não me importo que você esteja com a Lenka ou com qualquer outra garota, só quero que você seja feliz — o mais novo sorriu, e então abraçou-a de lado, sufocando-a com o aperto. — Está gostando de ser um vampiro?

— Tirando o fato de que não posso mais andar no sol, preciso matar para viver e se descobrirem sobre mim, eu morro… Até agora não tive nenhum problema.

A loira riu ao ver o quão idiota tinha sido sua pergunta. De qualquer forma, o garoto parecia estar bem, afinal, ele estava namorando uma vampira agora. Ela deveria saber o que devia ou não fazer.

— Ollie… Você gosta mesmo dela? — a loira perguntou com os olhos brilhando. — Pra valer?

— No início eu tomava cuidado para não acabar cedendo ao desejo, mas não consegui... Acabei me apaixonando por ela depois de me tornar um vampiro — a garota iria falar, porém foi impedida pelo mais novo. — Pedi para que ela me transformasse antes de ter certeza que estava apaixonado por ela, porém já a achava bonita, sexy… Sempre achei… Estou falando demais, não estou?

Rin escondeu a cabeça no ombro do loiro, rindo baixo com o que ele havia falado. Oliver sorriu, puxando a mais velha para próximo de si. Há horas atrás os dois nem se falavam, e agora, riam alto. Os dois estavam sentados no chão, abraçados e rindo, sem nem se importarem com o que aconteceu antes.

— E você e o vampiro…? Como estão? — ele perguntou alisando o cabelo da melhor amiga.

— Não fale nele, por favor! — a voz da loira saiu alta, firme, como se fosse uma decisão. — Não quero vê-lo nunca mais.

— Por isso você queria ir embora? — ela assentiu. — Caso ainda queira, posso te levar.

— Não vai ser necessário, eu irei levá-la.

Os dois acabaram se assustando ao ouvir a voz do vampiro. Logo, um foi para o lado e um para outro. Os irmãos fitavam os loiros que tentavam arrumar a roupa para poderem assim se levantar. A vampira fitava a mais velha com raiva, enquanto o mais velho matava o garoto com o olhar.

Len e Lenka haviam conseguido ouvir grande parte da conversa, e por isso, seus ânimos, que já estavam a flor da pele, estavam piores agora. Ter os quatro juntos em um único lugar não seria bom para ninguém. Provavelmente, alguém iria sair morto.

— Primeiro você ousa tocar na minha irmã, e agora estava abraçando a minha namorada em um canto parcialmente escuro… Por acaso está querendo morrer? — Len falou com um sorriso no rosto, encarando o mais novo que também sorria. — Tire este sorriso idiota do rosto! Não irei aguentar te matar com você sorrindo assim.

— Se alguém irá morrer, acredito que não serei eu — o loiro falou sério, ficando próximo ao outro vampiro, ainda sorrindo. — Não fique tão confiante. Só porque você é um assassino não significa que pode me vencer em uma luta.

Rin olhava para aquela cena completamente chocada. Caso ocorresse uma briga, ela teria de escolher entre ajudar seu melhor amigo de infância ou ficar ao lado do garoto que amava. Sua mente estava confusa.

Já Lenka parecia não se importar com a ideia de uma possível briga entre seu irmão e seu namorado. Na verdade, havia algum tempo que ela esperava essa briga acontecer. Não deixaria que os dois se matassem, porém não iria se meter entre os vampiros.

— Vocês não podem brigar! — a loira falou tentando entrar no meio dos dois, porém, seu melhor amigo acabou a empurrando para a parede, fazendo-a gemer por causa da dor. — O-Ollie...

— Não se meta, Rin! — ele falou sério, fitando a loira com os olhos vermelhos. — É melhor que vá embora. Não quero que veja o que irá acontecer aqui.

— Vai, Rin — o mais velho falou pronto para provocar o outro vampiro. — Não quero que veja quando matar seu amiguinho.

A risada alta de Oliver fez Len empurrá-lo contra a parede, quase ao lado da loira, que olhava a cena assustada. O mais novo sentiu a dor de levar um soco no estômago dado com força pelo vampiro, que acabou fazendo-o tossir.

Logo em seguida o mais velho socou-o novamente. Desta vez, na direção do peito. Por um segundo, Len esteve com o coração do garoto na mão. A loira arregalou os olhos ao ver o melhor amigo tossir uma enorme quantidade de sangue.

A vampira sabia que o irmão não pararia caso continuasse, por isso, ela achou que era a hora de se meter na briga. Mesmo querendo ver uma confusão entre os dois, ela ainda queria estar namorando na manhã seguinte.

— Chega — ela falou séria, baixo no ouvido do irmão. — Pare. Não vê como ela está?

Ao ver o olhar assustado da loira, o vampiro soltou o garoto no chão, vendo-o cair aos seus pés. A vampira se abaixou, ficando próxima ao namorado. Ela sussurrou algo para que somente o loiro ouvisse, e sorriu ao sentir o garoto se apoiar em seu corpo.

Rin passou a encarar o vampiro que sorria de modo maléfico para ela. Quando se deu conta, ele já a levava para as profundezas da floresta, guiando-a pelo braço. Ela estava praticamente entorpecida. Não agia por si mesma. Caso estivesse, ela já estaria gritando e implorando para ser solta pelo loiro.

Quando ela percebeu, não conseguia enxergar mais nada. Estava escuro demais para que pudesse ver alguma coisa. A única coisa que sabia era que Len estava ali e eles estavam sozinhos na escuridão. A luz da lua que entrava por entre as árvores não era suficiente para ilumina-los.

Ela não conseguia vê-lo, porém o sentia passar as mãos pelo seu corpo devagar, fazendo com que sua pele fria causasse uma onda de choque na loira. Quando os lábios do morto tocaram em seu pescoço, Rin pareceu acordar de seu transe. Logo um beijo ardente havia sido iniciado pelo mais velho. A garota não correspondia ao beijo, deixava o vampiro comandar.

A cena poderia até ser macabra, porém era bela. Dois jovens se beijando sob a luz da lua, solitários em um lugar frio. Um vampiro e sua mais bela vítima. Rin acabou empurrando o maior, tentando esconder o rosto vermelho, em seguida.

— Está quieta… Por quê? — sua voz saiu baixa no ouvido da mais nova. — Não queria que tivesse visto aquilo, meu amor. Não quero que veja esse tipo de coisa.

— Não sou uma criança e você não manda em mim — ela falou sorrindo. — Não sou um bichinho para obedecer ordens.

— Mas você é minha, só minha, Rin… — ele sussurrou, sentindo a loira arrepiar-se. — Caso alguém ouse tocar em você, eu irei matar a pessoa, entendido?

— Claro, Mestre Len — um sorriso malicioso tomou conta de seu rosto. — Você me deve uma dança para que eu possa voltar para casa, certo?

O loiro não respondeu, somente puxou a garota pela cintura e em seguida, juntou suas mãos. Não precisavam de música ou luz para dançarem. Só precisavam de um ao outro. Em um momento, eles estavam próximos, abraçados, respirando com muita calma. Ele sorria enquanto ela mantinha o semblante sério.

— Você irá mesmo embora...? — ela perguntou apoiando a cabeça no peitoral do vampiro.

— Irei. Quando você está vivo por mais de cem anos, ficar no mesmo lugar por muito tempo acaba enjoando — ele falou baixo, passando a mão pelo braço da garota, até chegar ao seu rosto, acariciando-o. — Quer vir comigo?

— Hm... Não — a loira sorriu. — Não vale a pena ir embora com você.

— E porque não? — indagou um pouco raivoso. — Vai dizer que não gostaria de passar a eternidade comigo? Posso fazer-te eterna.

Ela riu baixo, negando em seguida. Os dois já haviam parado de dançar. A respiração fraca da humana era o único som do ambiente. Ela suspirou antes de aproximar o rosto do ouvido do vampiro, sorrindo antes de dizer o que estava preso há tanto tempo.

— Len… Eu te amo.

— Ama? — ele perguntou, ouvindo a resposta ser sussurrada em seu ouvido. — Não te amo, Rin. Já disse isso, mas você é gostosa… Deliciosa… O cheiro do seu sangue me deixa louco…

— Pode tê-lo se quiser — ela falou baixo.

O vampiro não tardou em tirar o cabelo da frente do pescoço da loira, e em seguida, cravar as presas no local com força. Rin não sentia dor, pelo contrário, ela gostava da queimação. Len sugava mais do que devia, sem cuidado algum, ou medo de matar a jovem em seus braços.

A última coisa que Rin ouviu antes de cair em seu mais profundo sono foi a voz do loiro, o que a fez sorrir com as palavras ditas por ele.

Eu te amo.

Notas finais
Bom, a partir de agora estamos mesmo no fim. Daqui pra frente irei relavar tudo o que tinha que ter relavado a muito tempo atrás... e também irei contar algumas coisas que acho que ninguém imaginava :3 Rin e Oliver fizeram as pazes pela milésima vez, uhhull!!!! Quem vai fazer um bolinho de apostas para ver quanto tempo dura? Len vai embora~~não sei se isso é motivo de festa ou de tristeza... Nesse capítulo aconteceu tanta coisa que nem sei o que vou dizer. Sério, aconteceu coisa demais. O bom é que o próximo capítulo não vai demorar tanto. Sobre o próximo capítulo, irei dar uma dica sobre o que vai ser: Toda ação tem sua reação. O que será que significa isso? Hihi. Todo mundo aprontou na party... So, xoxo Bye bye