Notas iniciais
5000 palavras... ME AMEM!!!! Todos os capítulos a partir de agora vão ter 5000 palavras ou até 6000, claro que para ter 6000, vou levar uma semana inteira para fazer. 5000 vão ser só uns quatro dias. Hellow my little cats

O garoto loiro estava sentado em uma pedra observando alguns pássaros "brincarem". As aves pareciam não notá-lo, o que de certa forma o deixava aflito. Fazia algumas horas que ele se encontrava sozinho naquele lugar, já que havia saído de casa por causa de mais uma briga com sua mãe.

Não muito longe dali a jovem loira o vigiava sem muita coragem de falar com seu amigo, mesmo sabendo que ele precisava de um apoio moral. Ela assistiu os pássaros saírem voando, o que acabou assustando o loiro, que acabou soltando um suspiro.

— Sei que está aí, Rin.

A loira riu alto, saindo do local em que estava, apressando os passos para ficar ao lado do melhor amigo. Não era normal que duas crianças de doze anos ficassem sozinhas em uma floresta. Na verdade, era proibido, mas ambos nunca ligaram para o que era proibido ou não.

— Não consigo te surpreender, Oliver! — ela riu, puxando o loiro pelo braço, fazendo-o sorrir. — Sabe o quanto tempo demorei para te encontrar?! Não suma assim!

— Não queria que você se preocupasse tanto — ele murmurou, fazendo a loira voltar a rir.

— Sou quase sua irmã mais velha, não diga isso!

Vendo que o loiro não parecia se animar, a garota o abraçou com força, quase ficando por cima do mais novo, e em seguida o beijou na bochecha, deixando-o vermelho. Oliver acabou rindo por causa da infantilidade da melhor amiga, o que a fez sorrir.

— Para ser minha irmã mais velha você não deveria ser mais alta do que eu?

O garoto acabou levando um tapa da loira, que ria do que ele havia falado. Rin não era muito alta, mesmo sendo quase dois anos mais velha do que o loiro. Ela sempre dissera que o amigo era na verdade filho de um gigante.

— Rin, por que você veio atrás de mim? — o loiro perguntou suspirando, recebendo um olhar amigável da mais velha. — Sabe os problemas que vai ter por fazer isso?

— Você é meu melhor amigo, eu faço tudo por você! — ela sorriu de maneira infantil. — Nunca irei te deixar.

— Promete? — a loira assentiu devagar, ainda com seu sorriso. — Vamos ser melhores amigos para sempre!

— Para sempre e até mais…

A loira tirou a cabeça da água tossindo muito. Ela havia subestimado sua capacidade de manter-se submersa. Fazia horas que ela estava dentro da banheira sem nenhuma vontade de sair. Praticamente, ela havia visto o sol nascer estando dentro de seu banheiro.

Depois do que acontecera no dia anterior, sua mente estava enlouquecida. Em vários momentos o pensamento de afogar-se ali mesmo passou por sua cabeça, porém, todas as vezes essa ideia foi jogada de lado. Rin era muitas coisas, mas não era uma desistente.

A garota sorriu ao lembrar-se da promessa que havia feito com seu melhor amigo. Se as coisas continuassem como estavam, eles seriam mesmo melhores amigos para sempre. Não era algo bobo. Ambos levavam aquilo a sério. Tanto que, quase oito anos depois, eles ainda não tinham esquecido seu acordo.

Ela tateou seu mini armário para tentar achar sua toalha. Era hora de sair de seu banho de uma noite toda. Com uma certa dificuldade, ela levantou da banheira, enrolando-se no tecido macio. Depois de tanto chorar, ela decidiu esquecer completamente o vampiro. Era melhor assim.

Sua decisão era de nunca mais procurar por Len, mesmo sabendo que ele poderia voltar a querer vê-la somente para aproveitar-se um pouco mais, porém a loira tinha seu plano. Ela iria andar mais com Luka, já que sabia que o vampiro não ouvir ousaria fazer nada caso ela estivesse com a amiga.

A loira seguiu para seu quarto, atravessando a sala escura, já que todas as janelas estavam fechadas. A garota achava melhor abraçar a escuridão, já que estava tão envolta nela. Sua vida havia mudado após conhecer o vampiro. No início, ela achou que a mudança seria para melhor, mas agora, sua opinião havia mudado.

— Não posso dizer que o odeio, mas… Amar um ser como ele…? — a loira murmurou pegando suas roupas íntimas. — Sei que tenho um apreço por dor, mas não preciso exagerar.

Há algumas horas ela se sentia feito uma idiota, agora, ela sentia-se bem. Não feliz, porém bem. Pegando um de seus vestidos no baú, a loira ouviu batidas quase desesperadas vindas da porta. A garota suspirou, colocando sem dificuldade sua roupa, já que ela fechava com elásticos.

— Já vou! — ela gritou, ouvindo as batidas se desesperarem cada vez mais.

Sem vontade alguma, ela seguiu em direção à porta, já sabendo quem estava batendo daquele jeito. Mesmo com sua vontade de sumir do mundo, a loira atendeu a porta, dando de cara com sua melhor amiga, que estava visivelmente alterada.

— Você está horrível! — Miku exclamou ao ver o estado físico da melhor amiga.

— Sei disso, mas obrigada por dizer — a loira sorriu de modo falso. — Diga o que aconteceu para você estar assim…

— Encontraram mais um corpo hoje.

Rin ficou boquiaberta. Ela pensou já saber quem teria cometido o assassinato. Era arriscado tentar adivinhar quem poderia ser o assassino, já que não tinha somente uma opção para escolher, porém ela também sabia que era arriscado para os vampiros saírem matando mesmo sabendo que a aldeia já sabia da existência deles.

— Não tenho nada a ver com isso, antes que pergunte — a voz de Luka pôde ser ouvida. A mais nova virou o olhar para o lado, vendo a vampira encostada em uma parede. — Nem sai de casa noite passada.

— Sabem de quem é o corpo? — a loira perguntou, tentando entrar no assunto.

— Yuki Kaai — a mais velha respondeu sem muita vontade. — O que é bastante estranho. Aquela garota é a rainha do bom senso, não andaria sozinha à noite com qualquer um.

— Ouvi os pais dela conversarem com os anciões. Eles disseram que ela falou que iria passear com um amigo — a garota de cabelos turquesas reentrou na conversa. — O corpo foi achado próximo a trilha da cidade, então ela estava realmente passeando — ela suspirou antes de continuar. — O problema é: Com quem ela estava?

— Até aonde sei, só existem três vampiros por aqui… — e dois deles são discretos o suficiente para esconder o corpo para ele nunca mais ser visto. A loira completou na mente. — Não faço ideia de quem possa ter sido.

Miku engoliu seco. Ela esperava que a amiga soubesse quem era o assassino, porém ela parecia não saber. A bruxa tinha medo de não poder impedir o que tinha visto na noite anterior, mas parecia que aquilo iria realmente acontecer.

— Acho que sei quem foi — ela falou, atiçando a curiosidade das amigas. — Torçam para que eu esteja errada.

XxX

A vampira sentia seu corpo ser pressionado contra a parede com força. Beijos eram distribuídos por todo seu pescoço, deixando-a louca. Ela tinha acabado de acordar e já tinha sido recepcionada assim por seu namorado. A loira surtava aos poucos, já que a pele sensível de seu colo era seu ponto fraco.

O loiro não estava sendo cuidadoso como sempre. Ele queria machucá-la, queria fazê-la sofrer do mesmo jeito que ela o fez, agora que podia. Ele passou a mão por dentro do sutiã da loira, apertando seu seio com força, fazendo-a gemer alto.

Depois da noite que haviam passado, eles mereciam isso. Precisavam fazer sexo para esquecer a culpa. O desejo os consumia com facilidade. Somente o desejo, não existia amor. Lenka era incapaz de amar alguém que não fosse o irmão e Oliver ainda amava Rin. Todo o sexo que faziam não passava de algo prazeroso.

— Isso é uma vingança por acaso? — ela murmurou, vendo o garoto sorrir. — Depois do que fiz com você, tens mesmo coragem de fazer algo assim?

— Quando te pedi para parar, você não me deu ouvidos… Por que eu te escutaria agora? — ele perguntou beijando a vampira nos lábios. — Você é tão linda, Lenka — a loira corou ao elogio. — Não parece ser um demônio…

— Odeio quando me chamam assim — a vampira bufou, empurrando o loiro, pegando o lençol que os cobria a pouco tempo. — Preciso dormir. Faça o que quiser.

— Não sei se vou conseguir acostumar com isso — ele suspirou, passando uma das mãos pelos fios claros da mais nova. — Por causa da sua brilhante ideia de dizer ser minha namorada, agora terei que ouvir meus pais dizendo o quanto sou irresponsável por não contar sobre você.

— Ah, sua mãe pareceu gostar de mim — ela disse baixo enquanto virava o olhar para o garoto.

— Sim, ela gostou, porém meu pai é mais exigente, e ele não irá gostar nada de descobrir que você é uma vampira.

A loira riu alto, deitando-se de lado se preparando para dormir. Oliver suspirou por ver que a garota parecia não ligar sobre o que havia feito. Somente achava graça da situação. Ele passou a pensar se havia de fato feito a escolha certa.

Ele levantou da cama, indo em direção ao seu armário, já que os dois estavam em sua casa. Como os dois haviam voltado tarde, Ann obrigou a vampira a passar a noite com o filho. Claro que o loiro foi contra, mas não pôde fazer nada.

— Vai mesmo dormir…? — ele perguntou calmo, mas não ganhou nenhuma resposta. — Sei que está fingindo estar dormindo.

A vampira não fingia estar dormindo, somente não queria responder. Ela puxou um pouco mais seu kimono, já que estava um pouco frio e ela estava somente de roupa íntima. A loira quase dormia, porém todas as vezes que tentava fazer isso, flashes de memória voltavam a sua mente. Ela não queria lembrar do passado, aquilo a irritava, agora que estava seguindo em frente, ela não queria voltar atrás. Não demorou para que ela se rendesse ao sono.

A loira sentiu o sol penetrar em seus olhos, causando uma certa irritação, mesmo estando com as pálpebras fechadas. Lentamente ela abriu as orbes azuis, sendo encarada pela mulher de aproximadamente quarenta anos, que continha um sorriso no rosto.

— Bom dia, querida — a senhora sorriu de maneira amigável, terminando de abrir as cortinas do quarto da jovem.

— Bom dia, mamãe — a mais nova sorriu de volta. — Preciso mesmo levantar agora? Ando me sentindo muito cansada.

— Sei disso, minha princesa — ela sentou-se na beirada da cama, pegando a mão da filha devagar. — Não gosto de te acordar cedo, porém tem uma surpresa para você na sala, então achei que era melhor te acordar.

— Posso dormir mais um pouco? Por favor… — a loira murmurou demonstrando seu cansaço. — Por favor, mama.

A senhora suspirou, dando-se por vencida por sua filha. Era impossível vencer o "poder" de persuasão de Lenka. Por isso ela sorriu ao ver a expressão de sua mãe, sabendo que ganharia algum tempo de sono a mais.

— Tudo bem, voltarei em meia hora.

A jovem sorriu de maneira gentil, tendo seus cabelos bagunçados pela senhora. A mais velha voltou a fechar as cortinas, vendo a filha voltar a cobrir-se e se preparar para dormir novamente. Ela saiu sem fazer muito barulho, para não atrapalhar a tentativa de dormir da loira.

Por mais que estivesse curiosa para saber qual era a surpresa, a loira queria dormir um pouco, já que fazia noites que ela não conseguia ter uma noite completa de sono. Toda vez que tentava dormir ela era atormentada por pesadelos.

Com uma certa dificuldade, a garota conseguiu entregar-se ao sono sem nenhum sonho ruim, de um jeito que não acontecia a bastante tempo. Não demorou muito para que acordasse ouvindo sua porta abrir. Primeiramente ela achou que fosse sua mãe mais uma vez, porém, ao ouvir a voz da pessoa, um sorriso sorriu em seu rosto.

— Não vim de tão longe para você ficar dormindo…

Ela se levantou com pressa da cama, correndo para perto do loiro ficando na ponta dos pés para poder beijá-lo nos lábios. Para facilitar o beijo, o garoto puxou-a pela cintura, quase a pegando no colo. Brevemente eles se separaram, deixando a loira bem vermelha.

— O que faz aqui, Len? — ela perguntou bastante corada, ganhando um abraço forte do irmão mais velho. — Achei que você não voltaria mais…

— Meu aniversário é em três dias, e eu insisti ao vovô para que deixasse que eu voltar para cá pelo menos por uma semana — o garoto suspirou, passando a mão pelo cabelo da mais nova. — Sei que terei que aguentar o papa, mas por você vale a pena.

A loira baixou o olhar, parecendo estar um pouco triste. Ela sabia que o irmão e o pai não tinha uma boa relação, exatamente por esse motivo o garoto havia resolvido morar com os avós do outro lado do país.

Isso só complicou a relação dos irmãos. Os dois se amavam, tinham uma relação incestuosa desde quando o mais velho era adolescente. Len quase nunca vinha visitar a família, para evitar problemas, porém ele sentia falta da irmã, precisava vê-la.

— Não fique assim — ele disse baixo no ouvido da garota, deixando-a arrepiada. — Eu irei suportar. Não fique se culpando, isso também faz mal à mim.

— Não precisa encarar o papai por mim — a garota encarou o mais velho com um sorriso. — Na verdade, desde que você foi embora, ele anda bem mais calmo.

Fazia pouco mais de quatro meses desde que o loiro resolvera sair de casa, e desde então só havia vindo ver a loira duas vezes. Sendo que em uma delas os dois mal conseguiram ver um ao outro.

— Não duvido disso — o loiro riu alto, porém parou ao sentir alguém se aproximar por trás.

O mais velho virou-se para encarar a pessoa, e logo se acalmou por ver que era sua mãe e não quem ele esperava ser. Em momento algum ele pensou que poderia ser seu pai, já que havia alguns dias que tinha alertado que estava voltando, e sempre que isso acontecia, seu pai desaparecia de casa. Saía de manhã e retornava quase na hora de dormir.

— Você é o único que consegue fazer esta garota acordar cedo — a senhora riu, entrando no meio do abraço dos filhos. — É bom ter vocês juntos novamente.

— Lily, poderia me soltar, por favor? — o garoto levou um tapa na cabeça vindo da mãe, que causou risadas da mais novas.

— Não chame-me pelo nome, Len! — ela repreendeu o filho com um certo pesar. — Não gosto que vocês me chamem pelo nome! Não é porque vai fazer vinte e um anos que tem esse direito.

— Poderia soltar-me, mamãe? — ele sorriu, vendo a mãe apertar a irmã em seus braços. — Obrigado, Lily.

A senhora pensou em fazer alguma coisa contra o filho por causa da provocação, mas achou melhor não fazer nada para não irritá-lo. Len tinha o humor instável, caso ele se irritasse demais, poderia acabar querendo voltar para a casa dos avós. Desde que o loiro tivera a ideia de se mudar, Lily parecia ter entrado em depressão. Ela gostava do filho, não o queria longe, porém por conta de seu marido, ela estava de mãos atadas.

— Deixe sua irmã trocar de roupa. Preparei uma surpresa para os dois no jardim.

Dito isso, a senhora deixou o quarto, deixando novamente os irmãos sozinhos no quarto. O loiro pretendia abusar um pouco da inocência da irmã, mas sabia que seria arriscado. Da última vez que estiveram juntos, quase foram pegos por uma empregada.

— Ouviu a mama. Saia, Len — a loira sorriu somente para provocar o irmão.

— Tudo bem — o mais velho beijou os cabelos de Lenka, passando a mão pelo rosto com traços infantil da irmã. — Não pense que irá escapar novamente.

— Depois que a mama e o papa dormirem nós podemos brincar um pouco — ela sorriu de forma inocente, mesmo sabendo que tipo de brincadeira iria fazer com o irmão.

— Claro, minha princesa…

A vampira acordou assustada, com a respiração desnecessária bastante acelerada. Ela não conseguia crer no que havia sonhado. Raramente seus sonhos com o passado vinham de maneira certa. Sempre algo era distorcido, misturado com momentos sangrentos de sua pós vida. A garota sabia que só podia ser obra de Tei.

— Você está bem…? — a voz de Oliver soou alta, acalmando a loira. Quando ela notou, os braços do garoto a rondaram. —Ouvi você gritar enquanto dormia. Tentei acordá-la, mas não consegui.

— Estava sonhando… E isso não é bom — ela suspirou, deixando seu peso ficar por cima do namorado. — Normalmente só tenho pesadelos, e eles me acalmam.

— Se quiser pode dormir mais um pouco e eu fico com você — o loiro tentou ser gentil e acabou ganhando um sorriso fofo vindo da vampira. — Deite. Parece mesmo que você está cansada.

Sem retrucar, Lenka apoiou a cabeça no travesseiro, sentindo o mais velho fazer o mesmo em seguida. Ele a puxou pela cintura, para que ficassem mais próximos e então passou a acariciar as madeixas cor de ouro da garota.

Desse jeito ela não parecia ser a vampira impiedosa que havia se revelado na noite anterior. Ela parecia ser somente uma garota comum bem chateada. Ela encostou a cabeça no peito do loiro, fechando os olhos para tentar dormir novamente.

XxX

A bruxa gemia alto ao sentir a língua do vampiro passear por seu pescoço. Seus pulsos estavam amarrados para trás, deixando-a com poucas possibilidades de escapatórias, já que se dependesse do loiro, ela não iria a lugar algum tão cedo.

Sem cuidado nenhum, Len enfiou novamente as presas no pescoço da albina, fazendo-a gritar por ter o sangue sugado mais uma vez. Claro que doía, porém ela não se importava com a dor. Ela queria ter seu sangue retirado. Sempre achou a sensação muito boa.

— L-Len… Isso dói — ela murmurou, ganhando um puxão de cabelos vindo do loiro. — P-pare…

Ter o sangue retirada não iria matá-la, mas o vampiro estava sendo bruto, o que a machucava mais do que devia. Com dificuldade, a bruxa conseguiu empurrar o mais velho, afastando-o rapidamente.

— Chega, Tei — ele murmurou, limpando a boca suja do líquido carmesim. Do jeito que o loiro estava, ele assemelhava-se a um animal selvagem. — Não é por que não tenho opção a não ser tomar esse seu sangue podre que eu vá ficar aqui com você.

O vampiro pretendia sair da mansão às pressas para não acabar fazendo algo que o deixaria arrependido. Se a bruxa conseguisse mantê-lo ali por mais poucos minutos, nenhum dos dois seria responsável pelo que faria.

— Irá correr para a sua irmã? Ou talvez tentará algo com a humana? — Tei provocou, ficando próxima ao mais velho, sem medo de encará-lo. A ferida em seu pescoço já havia cicatrizado por causa de sua magia. — Ah, eu esqueci, uma delas te largou e a outra você quebrou o coração. Nenhuma das duas deve o querer mais, só tem a mim agora.

— Prefiro um inseto a você — o loiro murmurou, empurrando a bruxa com força, para que ela batesse no chão.

— Irei acabar com todos os insetos do mundo se precisar — ela sorriu, levantando-se do chão com um pouco de dor. — Assim como irei acabar com aquela loira — isso foi suficiente para prender a atenção do vampiro. — Isso se eu for precisar, certo? Acho que já sabe o que a Lenka aprontou na noite passada.

— Sei o que ela fez, irei deixar por conta dela. Afinal, minha irmã não precisa de babá — ele sorriu, voltando a encarar a bruxa. — A propósito, quem disse que você é minha única opção? Só preciso do seu sangue, Tei, e mais nada.

Ele saiu da mansão sem dizer mais nada, temendo tentar dilacerar a bruxa que tanto o irritava. Quando pudesse ele iria atrás de Rin, pelo menos para saber se ela estava bem. Ele gostava da loira, não a amava, porém gostava muito. De uma certa forma, ela lembrava sua irmã quando ainda era humana. Não só fisicamente, mas também pela personalidade.

A bruxa observava por uma janela o vampiro ir embora. Ela pensou em mover alguns galhos, deixando o sol iluminar a parte escuta da floresta. Mas, em sua opinião, isso seria fácil demais. Ela ainda queria fazê-lo sofrer.

Sem demonstrar emoções, a garota andou lentamente até o sendo de sua sala, ficando próxima à sua bola de cristal. Ela precisava verificar se o futuro havia mudado ou não por causa da imprudência da vampira loira.

— Revelaverit secretum…

A bruxa bufou ao ver a imagem que o cristal mostrava. Não que aquilo não a agrada-se, somente não achava que era a hora daquilo acontecer. Com certeza ela mostraria à Lenka o que via mais tarde, somente para provocar a ex-melhor amiga.

— Quando ela irá apresentar que toda ação tem sua reação?

XxX

— Tudo bem… Deixe-me entender o que está acontecendo… — Luka começou a falar, porém acabou se cortando várias vezes. — Isso é loucura. Você não pode estar falando sério. Sei que você é uma bruxa, mas ver o futuro já é demais, Miku!

Haviam algumas horas que a vampira e a bruxa estavam conversando sobre o que estava acontecendo na aldeia, e obviamente a bruxa não conseguiu esconder o que havia feito na noite passada. Em momento algum ela pensou que a mais velha reagiria tão mal.

— Tem certeza disso?! Absoluta?! — a mais velha voltou a falar.

— Sim, foi o que eu vi — Miku murmurou um pouco envergonhada. — Mas pelo que o livro diz, o futuro é alterável, podemos impedir que isso aconteça.

— Mas se você estiver certa, talvez não consigamos a tempo — a garota jogou a cabeça para trás, deixando seu peso todo em cima do sofá da amiga. — Viu como a Rin estava hoje cedo? Talvez já tenha acontecido.

— Não, não. O feitiço mostra somente um futuro próximo, não algo que irá acontecer rápido.

A vampira suspirou alto. Ela não aguentava mais tudo o que acontecia, sua paciência estava quase chegando ao fim. Quando ela vira o estado da loira pela manhã, sabia que algo estava errado, e sabia que a paixão de sua amiga estava envolvido nisso. A bruxa parecia estar tão aflita ao ponto de não notar o quão mal a melhor amiga estava.

— O futuro é mesmo certo? — Luka perguntou demonstrando desespero.

"Sim, ele é concreto, porém é manipulável e ainda não aconteceu" a voz da fantasma soou alto, fazendo a bruxa virar os olhos e a vampira pular de susto. A garota olhou para todos os lados, procurando de onde vinha a voz, porém acabou encarando somente o vazio da sala da amiga. "Não é por que você pode me ouvir que possa me ver, Luka. Ah, devo dizer que depois que se tornou uma vampira você ficou bem atraente".

— Gumi?! — não demorou para que a garota conseguisse reconhecer a voz. — Mas o que…

— Infelizmente eu estou envolvida nisso também — a mais nova falou forçando um sorriso. — O feitiço era para evocar espíritos, mas nunca achei que seria o espírito dela.

A mais velha teve de se tomar por alto controle para não acabar fazendo alguma bobagem. Sua cabeça iria explodir a qualquer momento. Ela podia aceitar que era uma vampira, Miku sendo uma bruxa, mas ouvir sua amiga morta falar já era demais.

— Se eu perguntar algo, sei que irei arrepender-me, então vou tentar achar que tudo isso é normal... Como se falar com minha amiga morta fosse realmente algo que acontecesse todo o dia para ser normal... — ela suspirou. — Então, quer dizer que você é um fantasma agora?

"Mais ou menos. Eu diria que sou um espírito" a garota falou, sentando-se ao lado da bruxa no sofá, ou pelo menos tentando. "Se eu fosse um fantasma você conseguiria ver-me, porém só quem consegue é a Miku" a mais velha tentou falar, mas foi cortada pela amiga morta. "Você pode me ouvir por que é uma vampira, antes que pergunte".

A bruxa era a avulsa na conversa, mesmo sendo a única a ver a fantasma. O que a surpreendia era ver que a garota estava normal, não parecia estar morta. O que a denunciava como espírito era a palidez extrema, pior do que a dos vampiros.

Ela sentia vontade de perguntar como era morrer, como era o outro lado, e ainda queria saber o porquê da garota ter se envolvido com um vampiro.

"Ouvi o que vocês estavam falando. Quer dizer que o que a Miku viu está próximo de acontecer".

— Como sabe disso? — a mais nova perguntou, aparentando estar enfezada.

"Desde que morri estou vigiando vocês. Sei de tudo o que acontece aqui" ela suspirou antes de continuar. "Vi quando Yuki Kaai foi morta, sei quem foi. Acho melhor mostrar o que viu no cristal, bruxinha".

— Posso fazer isso? — a garota histérica perguntou, meio afobada, vendo a mais nova assentir. — Venha, Luka.

As duas se dirigiram para os fundos da casa, vendo o ambiente ficar cada vez mais escuro até ser iluminado somente por velas. A fantasma já estava no quarto, e observava o andar das garotas. A bruxa se aproximou da bola de cristal, vendo-a se iluminar. A vampira ficou um afastada, com medo de algo explodir.

— Revelaverit secretum — Miku falou calma, vendo mais uma vez s imagem se formar.

— Oh, céus… — Luka murmurou um pouco assusto assustada. — É a Rin mesmo? — ela precisava ter certeza antes de ter mais alguma reação. — Isso não é bom… Mas confirma a teoria da Miku.

— Sabe o que devemos fazer, não é? — a mais nova perguntou um pouco receosa. — Acha certo afastá-los?

— Vou procurá-lo amanhã, tentar descobrir se é verdade ou não — a mais velha disse calma. — Até lá é melhor evitar que ele tenha contato com a Rin.

"Vocês não irão precisar fazer nada. Ontem os dois brigaram feio, a Rin não deve estar querendo vê-lo" Gumi murmurou, chamando atenção das garotas. "Na verdade ela brigou com os dois ontem. Se eu fosse vocês, procuraria vigiar tanto ela quanto ele"

— Você está certa — a vampira suspirou. — A Rin é imprevisível, não sabemos o que ela pode tentar fazer.

— Por que você não tenta falar com ela, Gumi? — a bruxa perguntou, tentando situar-se no que acontecia.

"Eu gostaria, mas ela é humana, não posso falar com ela".

Luka passou a pensar em um jeito de impedir o que poderia acontecer. Ela conseguiu reconhecer o lugar da cena, e era de noite. Não foi preciso muito para que descobrisse em que lugar possivelmente aquilo iria acontecer, mas antes de poder agir, ela precisava ter certeza de uma coisa antes de poder agir.

— Só sei que não podemos deixar isso acontecer… Se deixarmos pode acontecer um desastre…

XxX

A vampira estava sentada em um balanço no jardim da mansão da bruxa, que parecia estar ali a algum tempo. O sol havia se posto a alguns minutos, porém ainda era possível ver alguns raios. Por mais que fosse arriscando ficar ali, ela não se importava. Enquanto a dor fosse somente incomoda, não teria problema nenhum.

Ela passava a língua pelas presas, já que estava com fome e observava um cervo a um certo tempo. Não que ela gostasse de sangue de animais, mas era sua única opção. Não daria para tentar tirar o sangue de Len e ela não poderia voltar para a casa de Oliver somente para mordê-lo. Suas chances de conseguir algo dos dois era nula.

A uma certa distância, a bruxa observava a loira em silêncio. Ela a observava choramingar e até mesmo deixar cair algumas lágrimas, dava para perceber que ela não estava muito bem. Claro que Tei já sabia o motivo. Era claramente arrependimento.

Quando um barulho de trovão cortou silêncio, quase instantaneamente a vampira soltou um grito alto. Algo que não havia mudado nela era o medo irracional de trovões. Daquele jeito, ela parecia somente uma criança assustada, com medo da própria sombra.

— Quanto tempo vai ficar aí? — Lenka perguntou um pouco melancólica. — Acho que já notou que não estou bem.

— Essa sua parte humana a deixa fraca — a bruxa disse alto. — Você deveria ser que nem seu irmão, afinal, ambos são assassinos, não importa o quanto queira mudar, isso é impossível.

— Cale a boca! — ela rosnou. — Você não sabe de nada. Pensa que me conhece quando, na verdade, não sabe nada — a mais velha sorriu ao ouvir aquilo.

— É culpa sua. Tudo é culpa sua. Se você não tivesse transformado o Len em um vampiro nada disso estaria acontecendo!

— Uma simples memória consegue mexer com a sua cabeça — ela riu alto. — Sempre tão fraca, Lenka. Você não passa de um rostinho bonito, fora isso, sempre depende de mais alguém.

Sem mais muita paciência, a vampira saiu dali, indo em direção à floresta, para provavelmente esconder-se lá por um tempo. A vontade de matar a bruxa crescia a cada minuto, não só nela, mas também crescia em Len. Ambos tinham um ódio grande direcionado para a albina, mas Tei era poderosa o bastante para matar os dois em uma luta, não valeria a pena tentar matá-la.

Quando se afastou o suficiente do terreno da mansão, ela parou próxima a uma árvore, deixando seu peso ficar por cima do tronco e então a vampira passou a chorar. Ela estava acabada, cansada, sentia que não conseguiria aguentar por muito tempo. Essa era sua fraqueza. Desistir com facilidade.

Seu sonho acabou a lembrando de boas memórias que pereciam ter se perdido em meio ao sangue. Ela nem mesmo se lembrava dos bons tempos que passara com seus pais e o irmão antes de tudo acontecer.

De todas as coisas que ela se arrependia de ter feito era ter se arriscado a descer àquela escada para descobrir o que fazia tanto barulho na sala. Se não tivesse feito isso, jamais teria visto seus pais serem mortos por seu irmão.

A vampira ouviu passos chegando perto, mas não se importou com isso, ela achava que seria a bruxa, pronta para tirar um pouco mais de sarro dela. Mas, ao sentir uma mão pegar em seu ombro, ela direcionou o olhar a pessoa e então sorriu sem muita vontade.

— Você não deveria estar chorando assim… — o loiro tentou ser amigável. — E aquela sua imagem de vampira inatingível e rainha das trevas?

— Acho que vou dar um tempo de tentar ser a princesa de todo o mal — ela riu.

— Só não volte a ser boba. Já tenho uma assim, não preciso de outra — a loira riu novamente, sendo abraçada pelo mais velho. — Vai ficar tudo bem… Eu prometo…

Notas finais
Era para ter um flashback do Len, mas eu vou esperar um pouco para contar o que eu iria contar. Bem, não tenho muito a dizer em relação ao capítulo, ficou confuso ~~mas pelo menos não teve nenhum sofrimento para a Rin. Os flashbacks são de certa forma, bastante importante, até agora eu não tinha falado da infância da Rin, ou até mesmo de quando o Len e a Lenka eram humanos.Terão mais flashbacks, um que vai ser da Rin e um do Len, acho que isso vai ser no capítulo 27... alguém quer chutar sobre o que vão ser os flashs? Hihi... Só eu que apoio um casamento da Lenka e do Oliver? Iria ser tão fooooooofo ~-~ Algum chute sobre quem estava com a Lenka no fim? Bom, o próximo capítulo já está iniciado, e eu acho que vai ter gente que vai ficar com raiva de mim... Até o próximo capítulo, xoxoxoooo Kisusss