Sadistic Vampire
23 Black Rose
Notas iniciais
A vampira mantinha os pés dentro de uma poça de água um tanto funda para estar dentro de uma floresta. Na noite passada, uma chuva forte castigou a aldeia. Era impossível sair de casa. Seria quase uma tentativa de suicídio, já que, além de chuva, relâmpagos, trovões e raios cortavam o céu toda hora.
A chuva atrapalhou seus planos, porém possibilitou que ela conseguisse andar pelas ruas de dia, já que o céu estava nublado. Ela viu seus planos irem por água a baixo já que fazia poucas horas que a água parara de cair, e isso a fez sair de casa na mesma hora.
Seus pais estavam começando a desconfiar de seu estranho comportamento, tinha vezes que era difícil controlar a força e a velocidade, ainda mais com as provocações de seu irmão. Ela sentia vontade de matá-lo, mas seu auto controle era maior.
Ela deixou os pés saírem da poça, recolocando seus sapatos sem fazer barulho. Por mais que não parecesse, a vampira estava contente. Enquanto conseguisse esconder o fato de ser uma imortal, tudo estaria bem. Ela sabia que seus pais não hesitariam em matá-la caso fosse necessário.
Luka deixou a respiração desnecessária sair, preparando-se para voltar para a aldeia, já que a chuva parecia querer voltar a cair com bastante força. Ela planejava ir até a casa de Rin, e ajudar a loira a fazer alguns biscoitos e também tirar dela algumas respostas.
Por suas contas, ela ainda tinha mais meia hora antes da tempestade voltar com tudo. Como havia se afastado da aldeia, esse seria o tempo necessário para que conseguisse sair da floresta sem pegar muita chuva.
Com a audição apurada ela ouvia galhos quebrarem ao longe, indicando que alguém se aproximava depressa. Sem se importar muito com isso, a vampira continuou a andar mesmo sabendo que estava sendo seguida.
A garota sentia a aproximação, mas não imaginava quem fosse. Ela estava preparada para atacar, caso fosse necessário. A vampira não era indefesa, desde sempre ela teve de virar-se sozinha, nunca gostou de ser dependente de alguém.
Sabendo que a pessoa se encontrava atrás de si, a garota virou-se para encarar a pessoa, logo vendo o rapaz loiro que a encarava sorrindo de maneira pervertida. A vampira automaticamente virou os olhos, pondo as mãos na cintura de maneira presunçosa.
— Você é mais esperta do que eu pensava — Len ficou sério ao falar. — Tentei lhe pegar por trás, mas pelo visto não consegui — o loiro voltou a sorrir de forma pervertida.
— Tente ser um pouco mais silencioso na próxima vez — a garota disse baixo, ajeitando o cabelo com um sopro. — O que você quer?!
— Preciso querer algo? — o vampiro sorriu tentando parecer inocente.
O garoto deu um passo para frente, fazendo com que quase instantaneamente a mais velha fosse para trás, deixando-a quase contra uma árvore. O loiro segurou com força o rosto da vampira, encarando-a com as orbes vermelhas de maneira psicopata.
— Tão bonita — ele fechou a expressão ao ver que a garota não parecia expressar nada. — Além de esperta ainda é séria — seus dedos foram em direção ao queixo da garota, fazendo que ela o encarasse com seus olhos também vermelhos. — Alguém já disse que essa cor de olhos te cai bem?
— Diga logo o que quer — ela murmurou um pouco vermelha.
Sem aviso prévio, o loiro selou levemente os lábios com a vampira, deixando-a cada vez mais vermelha. Por mais que Luka quisesse separar o beijo, ela não conseguia. Não tinha vontade. Ela sabia que era errado estar beijando o vampiro, mas de certa forma, ela não parecia sentir culpa. Na verdade, ela não sentia nada. Ambos não sentiam.
Len deixava que a mais velha o beijo, até porque suas opções eram mínimas, já que seus cabelos eram puxados com força pela garota. O selar só foi encerrado por causa da vampira, que acabou empurrando o mais novo pelos ombros.
— Você se entrega bem rápido, gosto disso em uma garota — o loiro sorriu, logo em seguida segurando a mão da garota, que pretendia lhe dar um tapa. — Não acha que está sendo um pouco radical para o nosso primeiro encontro?
— Isso não é um encontro! — ela gritou, parecendo estar um pouco irritada. — Se queria tirar-me do sério, parabéns, você conseguiu! Agora se me der licença, tenho coisa melhor para fazer.
A vampira saiu em seus passos normais, porém ela andava rápido, já que queria a todo custo fugir do loiro. Sua ideia de fuga fora frustada assim que sentiu uma mão em sua cintura e alguém puxá-la para o lado.
— Tem algum problema se eu a acompanhar? — ele perguntou sorrindo de maneira maliciosa novamente. A garota pensou em dizer "sim, tem problema!", porém acabou encontrando algo melhor para dizer.
— Irei até a casa da Rin. Tem certeza que quer ir lá?
O vampiro ficou sério ao ouvir o nome da loira. Ele não imaginava que ouviria tão cedo o nome da garota que quebrara o coração dias atrás. Ele sabia que Luka era amiga da garota, mas achava que as duas haviam parado de se falar, já que fazia tempos que ele não as via juntas.
— Você vem atrás de mim mesmo depois do que fez a ela… — a mais velha riu de forma irônica. — Afinal, o que fez para fazê-la ficar tão mal?
— Acha que fiz algo? — ele riu, jogando a garota contra uma árvore novamente. — Não acha que está sabendo coisas demais?
— Talvez. Só estou curiosa. A Rin parece ser fraca, porém é mais forte do que pensa. Para fazê-la ficar do jeito que ficou, algo você fez, e não tente parecer inocente. Essa cara de santo não me engana — a vampira sorriu de maneira maliciosa ao ver a expressão assustada do loiro. — Vai falar ou terei que forçar a resposta?
— Depende do jeito que irá forçar-me a responder…
Antes que o vampiro conseguisse soltar mais um de seus sorrisos que davam nos nervos da mais velha, ela lhe roubou mais um beijo, desta vez deixando que o loiro tomasse o controle dos atos, porém não por muito tempo já que logo ela se separou dele devagar.
— Irá falar agora? — ela perguntou calma.
— Não fiz nada demais, só contei a verdade a ela. Disse que não a amava e só queria usá-la para fazer sexo.
— Bem sincero você, não? Sabe, eu deveria lhe agradecer por ter dito isso, pelo menos agora ela vai ficar longe de você — a garota sorriu de maneira irônica.
— Acho que já vou indo.
O loiro pretendia segurá-la pelo braço, para impedir que ela conseguisse escapar, porém a vampira foi mais rápida e conseguiu desviar. Ela não pôde não deixar de sorrir ao ver a expressão de raiva do mais novo.
— Não preciso de mais nada de você. Já tirei todas as respostas que precisava — ela riu alto, deixando o vampiro cada vez mais irritado. — É bom quando é com outra pessoa, não é? Acho que da próxima vez que nos encontrarmos você já tenha aprendido.
Sem dizer mais nada, a garota sumiu da vista do loiro, deixando somente sua risada ecoar por entre as árvores. Len demorou para conseguir entender o que havia acontecido, só se tocou realmente ao ver que estava sozinho. O vampiro soltou um grunhido alto e chamou-se de idiota mentalmente.
— Filha da puta… — ele murmurou.
Logo o loiro ouviu algo soar junto ao vento, era a voz da vampira que dizia claramente "eu ouvi isso!". Ele riu alto, indo na direção contrária à aldeia. Depois do dia anterior, ele precisava ter uma conversa com uma certa bruxa.
XxX
Rin deixou o peso cair no sofá de sua sala, rindo de uma piada que sua melhor amiga havia acabado de contar. Não que ela estivesse com vontade de rir, mas era incrível como a bruxa conseguia alegrar a loira com seu humor sem bom.
— Você não presta, Miku — a mais nova falou alto, ganhando um soco fraco da amiga.
— Tenho que pelo menos tentar animá-la, não é? — a bruxa riu ao falar, abraçando a loira com força. — Por que não me diz o que houve?! Você não está bem! Afinal, o que aconteceu? Fale logo!
Fazia alguns minutos que a mais velha perturbava a garota tentando tirar as respostas para suas perguntas. A loira não falava nada, deixava que a amiga a perturbasse para que pelo menos ela tentasse animar-se. Os sorrisos que escapavam, eram por simples impulso.
Claro que ela não estava animada, porém deixava escapar alguns sorrisos. Ela não queria falar sobre o que tinha acontecido. Lembrar-se disso fazia seu estômago vomitar. Ainda mais após o sonho que tivera na noite passada. Ao ter as duas coisas voltando em sua cabeça ao mesmo tempo, a loira sentia uma tontura forte, como se fosse passar mal.
— Você precisa se alegrar! — a bruxa disse, tentando forçar um sorriso de sua amiga. — Fala, Rin!
— Estou alegre do meu jeito — ela murmurou suspirando. — Pode pegar uns remédios no armário? Estou com dor de cabeça.
A mais velha não chegou a dizer alguma coisa, mas murmurou algo quase inaudível. Ela seguiu para a cozinha, deixando a loira sozinha na sala. A mais nova tinha uma infinidade de remédios em sua casa. Ela nunca chegou a dizer o motivo, porém a bruxa sabia para o que eram usadas as pílulas.
Ela abriu a porta do armário da amiga, vendo vários frascos de remédio junto a ingredientes normais de culinária. Miku pensava em como a loira ainda não tinha se matado por trocar comida por pílulas, já que a mais nova não era a pessoa mais atenta da mundo. Não era nada difícil para a loira se confundir na hora de pegar alguma coisa para comer.
Sem demorar muito, a garota voltou à sala com um frasco e um copo de água, vendo a amiga deitada no sofá mexendo nos fios claros de forma distraída. Ela colocou o copo na mesa de centro da loira, fazendo com que automaticamente a mais nova se levantasse e pegasse o remédio.
— Ai, obrigada, eu precisava disso — Rin sorriu para a amiga, antes de tomar duas pílulas e um pouco de água. — Se quiser falar alguma coisa comigo, fale agora. Na próxima hora já devo estar dormindo.
— Você está com dificuldades para dormir mais uma vez? — a loira assentiu devagar. — Dopar-se não é a melhor opção, mas você já fez mesmo… — a bruxa havia esquecido que a amiga costumava misturar remédios para dormir com pílulas para dor de cabeça. — Está tendo pesadelos novamente.
— Sim. E estão piores agora. Só sonho com cenas sangrentas… O de hoje a noite foi o pior.
Ela sentiu o estômago revirar novamente ao pensar no pesadelo que tivera a horas atrás. Lembrar-se da quantidade de sangue em suas mãos, ter que ver seus amigos serem mortos mais uma vez, e inclusive ter que matá-los havia sido demais. Tanto que a loira acordou chorando bastante, já que tudo o que passara parecia ter sido real demais para ser um sonho.
— Quer que eu fique aqui com você? — a bruxa perguntou calma. — A Luka disse que viria aqui mais tarde, como está chovendo, acho que será bem mais tarde mesmo.
— Se ela vier mesmo é melhor que você fique. Vou dormir pelo resto do dia. Se você ficar, pelo menos irá atender a porta — a loira disse baixo, apoiando a cabeça no colo da amiga.
Miku conhecia bem como era o remédio da mais nova. Ela não demonstrava nunca estar com sono, e quando menos se esperava, ela caía em um sono profundo, normalmente só acordando no dia seguinte. A loira acordaria hiperativa na manhã seguinte, mas pelo menos estaria mais feliz.
— É seguro ficar misturando esses remédios? — a mais velha perguntou, aparentemente estando preocupada.
— É. Na verdade, eles só funcionam quando estão juntos. Para ser fatal eu precisaria tomar muitas doses ao mesmo tempo — a loira suspirou antes de continuar a falar. — Espero que consiga dormir direito. Não sei se aguento outro pesadelo.
— O que tem te atormentado? — a bruxa foi gentil ao perguntar. — O que aparece nesses seus pesadelos?
— Sangue. Muito sangue. Eu matava a todos sem pesar algum. Era como se eu fosse…
A loira não chegou a terminar de falar, acabou dormindo antes que pudesse. Como sempre, o efeito da mistura de remédios era rápido. A mais velha já sabia o que a mais nova iria falar, então não tentou acordar a amiga para conseguir respostas.
— Rin… Cuidado com o que deseja… Sonhos costumam ser avisos…
XxX
O loiro assistia a namorada trocar de roupa na sua frente sem nem poder tocá-la. Ela não havia deixado. Não estava no clima para isso, mas o garoto estava com vontade. Ele queria puxá-la para a cama, e colocá-la de quatro, mesmo sendo contra sua vontade. Desde o início da relação, ele havia sido o submisso, mas agora, ele estava cansado disso.
A vampira sorriu ao ver, através do espelho, a expressão de raiva do loiro. Logo uma ideia surgiu em sua cabeça. Ela se aproveitou por só ter colocado a calça e um par de botas, para tirar sua principal arma da manga.
— Pode fechar para mim? — ela sorriu novamente, segurando o corset na frente do corpo, somente para cobrir os seios. — Vamos, Oliver. Não consigo amarrar sozinha. Faça isso por mim.
Ela sorriu ao perceber que havia conseguido o que queria. Rapidamente o loiro parou atrás da garota, começando a puxar os cadarços da roupa da loira. Sem dificuldade, ele conseguiu fechar o corset, deixando-o bem apertado, de um jeito de que dificultaria a respiração, caso ela realmente precisasse.
— Você apertou um pouco demais, mas por sorte, isso não me incomoda — a loira sorriu mais uma vez, pegando a camisa do loiro que estava em cima da cama. Ela vestiu a peça de roupa sem dificuldade, finalmente terminando o espetáculo particular que havia feito para o namorado. — O que acha?
— Está linda, como sempre — ele sorriu, ganhando um beijo na bochecha da loira. — Não quero que beije este lugar — entendendo o que o garoto quis dizer, a vampira deu-lhe um beijo nos lábios rápido. — Ah, obrigado. Ajudou muito.
Lenka riu alto, jogando-se na cama com força. Logo Oliver se sentou na beirada do colchão. Não demorando para ficar por cima da loira, tirando parte da franja da mais nova de seus olhos, somente para para encontrar-se sendo encarado por seus olhos vermelhos. Mais uma vez os loiros passaram a se beijar de maneira voraz, esquecendo do mundo a sua volta.
A vampira não estava feliz, ou mesmo animada para fazer o que o loiro pretendia. Após a noite que havia passado com o irmão, ela não tinha motivos para estar feliz, porém estava bem mais calma. Ela e Len não haviam feito nada demais. Só sentaram, conversaram e resolveram algumas questões antigas.
Na hora que de dormir, ela praticamente o obrigou a contar uma história para que ela dormisse mais rápido, sem ter nenhum pesadelo. A loira acabou dormindo ouvindo uma história de princesa, onde ela era a princesa e o irmão era o príncipe que iria resgatá-la do dragão. Só de ter que se lembrar da imagem mental que fizera sua em um vestido cor de rosa e de seu irmão em uma roupa bufante, ela sentia vontade de rir.
— Não ouse tirar essa camisa — a mais nova disse baixo, retirando as mãos do loiro dos botões da camisa que usava. — Levei meia hora para colocar essa roupa, nem pense em tirá-la.
— Você está doente ou algo parecido? — ele perguntou, pondo a mão no rosto da vampira, percebendo que ela estava um pouco quente. — Febre? Você está bem mesmo?
— Não estou com febre, só tomei um banho quente antes de vir para cá. Pode sair de cima de mim, por favor?
Vendo que não conseguiria vencer contra a namorada, o loiro se deu por vencido, sentando na beirada da cama como estava antes. A garota sorriu, sentando-se ao invés de ficar deitada como estava antes.
Por mais que Lenka não admitisse, ela gostava de Oliver. Ele sabia quando tinha que ser fofo e quando tinha ser um pouco mais selvagem com ela. Quando vira o garoto pela primeira vez, ela achou que ele era um tonto e que seria fácil usá-lo, mas com o passar do tempo, quando os dois se aproximaram de verdade, ela passou a interessar-se de verdade pelo loiro.
"O que eu disse para ele também vale para mim. Não posso me apaixonar…" ela suspirou ao pensar.
Com esse pensamento em mente, a vampira acabou lembrando do que havia dito ao garoto na primeira noite que passaram juntos. Essas palavras acabaram ecoando em sua mente, como se fosse um aviso. "Não se apaixone por mim. Posso parecer ser boa, mas quando menos esperar posso mostrar minha verdadeira face". Se ela soubesse que terminaria se apaixonando, jamais teria dito aquilo.
— Lenka! — a vampira despertou de seus pensamentos ao ouvir a voz do loiro. — Está distraída hoje, princesa.
— Não estou — ela sorriu. — Sabe, Oliver… Eu gosto de você. Te acho muito fofo.
— E-eu também gosto de você — o garoto ficou vermelho aos poucos. — Você é a garota que sempre sonhei, o problema é que…
— Que ela é uma vampira…?
Os dois olharam para a porta do quarto, observando a garota de cabelos róseos os encarar de forma matadora. O loiro, que já estava vermelho, queria esconder a cabeça debaixo da terra, deixando para a namorada resolver tudo. Já a vampira esboçava um sorriso debochado, sem se preocupar muito com o que poderia acontecer.
— Você andava estranho, Oliver, mas nunca imaginei que você estivesse andando com ela — Luka disse com um certo tom de nojo na voz. — A Rin por acaso sabe disso?
— Não. E você não vai contar a ela — o loiro disse baixo, tentando intimidar a mais velha.
— Quem irá me impedir de contar?! Você?! Ela?! Não tenho medo de nenhum dos dois — ela sorriu. — Até que vocês formam um casal bonitinho. Claro que seriam melhores enterrados a sete palmos abaixo da terra.
— Como se eu tivesse medo de você — a loira sorriu, em seguida sussurrou algo no ouvido do mais velho.
O loiro levantou-se da cama rapidamente, indo para perto da mais velha, puxando-a pelo braço até a sala. A garota conseguiu sentir algo diferente no loiro, mas não soubesse dizer o que era. Ela só desconfiou que algo estava errado ao sentir ser jogada com força contra a parede.
— Vamos deixar algo bem claro aqui — ele disse bem próximo a garota. — Ouse contar para alguém que eu estou namorando com a Lenka e eu conto a todos que você é uma vampira.
A mais velha ficou visivelmente assustada. Ela conhecia o garoto desde criança, e sabia que ele não era assim. A convicção que o loiro tinha ao falar demonstrava que ele estava falando sério e pretendia mesmo cumprir a ameaça. Caso ele fizesse isso, sua vida estaria arruinada. Iriam mata-lá sem dó nem piedade.
— Não percebe que ela só está te usando? Oliver, ela não te ama! — a garota tentou argumentar, mas pareceu não ter tido muito sucesso.
— Ela pode até não me amar, mas eu não ligo, já fiz minha escolha. Eu a amo, e não importa o que diga, não ligo para isso.
Sem dizer nada, a vampira deu um tapa no rosto do loiro, deixando o local bem vermelho. Ela estava com muita raiva, sentia vontade de arrancar a jugular do mais novo, mas se controlava muito para não fazer algo assim. Ela estava contente somente com o que tinha feito.
— Com tantas pessoas para poder amar, você escolhe uma vampira… — ela riu baixo. — Parece até que não sabe como a Rin está… Você será o próximo, e sabe disso, não é?
O loiro pensava em uma forma de responder, porém não sabia nenhuma. Caso ela respondesse a mais velha, era capaz de ter problemas. Ele não sabia o quão irritada a garota estava, uma resposta errada e ele estaria frito.
Desde que havia começado a se relacionar com a vampira, ele sabia que acabaria se apaixonando, mesmo tendo sido alertado para não deixar isso acontecer. Mas já era tarde demais. Depois do que fizeram, não tinha mais volta.
Além da forte conexão que tinham, os dois haviam feito um pacto de sangue. Estavam unidos de uma forma mais forte do que era possível explicar. O amor que um sentia pelo outro era mútuo, porém nenhum dos dois sabia como se expressar.
— Não irei contar a Rin sobre isso — a mais velha disse alto. — Ela não precisa saber que o melhor amigo está traindo sua confiança namorando a sua maior inimiga. Acho que seria demais para ela, não é? Ela já não está mal o suficiente para receber uma notícia dessas, certo? Afinal, você não disse mil e uma coisas e agora está fazendo a mesma coisa.
Luka sabia como atingir as pessoas em seu ponto fraco, era um de seus dons para o mal. Ela sabia que era somente tocar no nome da loira para fazer o garoto mudar de posição. Desde criança ela sabia como manipular a mente das pessoas. Nunca foi preciso que ela usasse muito esse dom, mas todas as vezes que ela o usava, coisas ruins aconteciam.
— Agora está quieto… Que maravilha — a vampira riu alto. — Sabe, eu espero que você seja feliz com a Lenka. Você não irá se importar caso não possa mais falar com a Rin…
— O que…? — ele perguntou em um fio de voz.
— Não quero que ela fique pior do que já está, a única coisa que posso fazer é deixá-lo longe dela.
— Também não quero vocês dois juntos… — Lenka, que até agora ouvia tudo do quarto, se pronunciou, ficando próxima ao loiro. — Posso os manter afastados.
— Sei que pode — Luka disse calma. — Ah, Oliver, caso eu veja você perto da Rin, não hesitarei em contar o que sei.
Antes que o loiro conseguisse dizer alguma coisa, a garota sumiu, deixando somente o vazio a sua frente. A vampira que estava ao seu lado apertava seu braço com força, parecendo estar com raiva. Sem aviso prévio, ela deu um tapa no rosto do namorado, fazendo com que ele a olhasse assustado.
— Falei que o queria longe daquela loira, você parece não me escutar… — a loira disse baixo, mas logo sorriu de maneira maliciosa. — Quer dizer que você me ama?
— Não é nada demais — ele bufou um pouco envergonhado. — Falei somente por falar.
Antes que o garoto pudesse falar alguma coisa, a vampira o beijou, fazendo-o ficar calado sem esforço. Oliver tentava entender o porquê da loira estar o beijando logo após ter lhe dado um tapa, claro que ele sabia que a garota era inconsequente, mas ele não imaginava que ela pudesse agir assim.
— Também te amo, seu bobo. Amo muito…
XxX
O loiro estava sentado em uma poltrona, vendo a bruxa chegar com uma bandeja com bandeja que continha alguns biscoitos para ela e uma taça de sangue para ele. O clima entre dois já havia melhorado, o vampiro até ria de algumas coisas feitas pela garota.
Tei acabou se surpreendendo quando viu o loiro em sua porta segurando algumas rosas negras, sua flor favorita. Fazia tempo que não via uma dessas, e mesmo estando com raiva de Len, acabou deixando-o entrar. Ela estranhava o fato de que ele estava muito "bonzinho" para seus padrões. Ele estava muito quieto e parecia observar o local discretamente. Era muito estranho.
— Ainda quero entender como encontrou essas rosas — ela deixou a bandeja em cima da mesa e sentou-se em uma das poltronas da sala. — Elas são raras e não florescem por aqui… Como as conseguiu? — a curiosidade atiçava a albina. — Vamos, Len! Conte-me, não faça tanto mistério.
— Achei na floresta, como sabia que gostava, eu as trouxe para você — o loiro sorriu, bebericando um pouco de sua taça de sangue. Eu iria dá-las à Lenka, mas como ela sumiu antes que eu pudesse fazer isso… Ele pensou em terminar a frase, mas achou melhor não, para não irritar a feiticeira. — Quem você matou para conseguir isso?
— Alguém na cidade, isso não importa, só gosto mesmo de ouvir os gritos das pessoas quando morrem — ela falou como se fosse algo normal.
— Você me assusta algumas vezes — o loiro disse baixo.
— Obrigada por dizer isso! Não sabe o quanto me deixou feliz.
O vampiro sempre achou a bruxa estranha, desde quando os dois se conheceram, há mais de um século atrás. O loiro a via somente como uma amiga próxima de sua irmã, mas após um certo tempo, depois que ele começou a se relacionar com Lenka, Tei passou a ser uma maníaca, sempre o perseguindo, querendo que ele a amasse de qualquer jeito.
— Terá uma festa depois de amanhã, quer ir comigo? — ela perguntou tentando ser fofa. — Vai ser divertido, Lenny. Vamos!
— Vou com você, não tem problema. Só nunca mais me chame de Lenny. Nunca mais — o loiro disse baixo, vendo a mais nova bater palmas de felicidade. — Parece uma criança… — ele revirou os olhos.
— Você nunca está de bom humor — a bruxa disse alto, fazendo com que lentamente o vampiro se arrependesse de ter vindo a mansão da garota. — Por isso eu gosto tanto de você.
Em um ato não pensado, a garota pulou no colo do loiro, deixando-o um pouco assustado, já que ele não esperava algo assim. Len tentou tirar a bruxa de cima de si, mas acabou não conseguindo. Ela parecia estar o prendendo na cadeira, sem possibilidades de deixá-lo escapar. A bruxa começou a rir de maneira descontrolada por causa das tentativas falhas do loiro em levantar dali o mais rápido possível.
— Por que está tão quieto? — ela perguntou, sorrindo de maneira maníaca. — Não pense que não sei que você está estranho.
— Não estou estranho, só não tenho vontade de falar — ele murmurou tentando novamente tirar a bruxa do seu colo. — Solte-me, sua…
Antes que pudesse terminar de falar, o loiro foi completamente silenciado pelos lábios da albina pressionando-se contra os seus. Ele sentiu vontade de vomitar. Todas as vezes que beijara a bruxa foram por causa dela. Ela sempre forçava os beijos, o que deixava o vampiro enjoado.
Aproveitando a distração de Tei, já que ela estava envolvida no beijo, ele a empurrou no chão, finalmente conseguindo sair da poltrona. O loiro rosnou alto, deixando as presas expostas, assustando a mais nova.
— Eu estava tentando ser legal com você, Tei, porém você só dificulta tudo — ele disse alto, quase gritando.
— Por que você está gritando? — a bruxa choramingou. — N-não gosto que gritem comigo!
Assim como Lenka era sensível a trovões, Tei era sensível a gritos. Ela não gostava quando gritavam com ela, e o vampiro sabia disso. Ele era o único que gritava com a bruxa, já que ele sabia que ela não seria capaz de fazer nada com ele.
Ele a pegou pelo pescoço e então jogou-a em um dos sofás, fazendo-a gritar alto. Ela procurava por uma possibilidade de respirar. O vampiro sumiu por alguns segundos, deixando a garota desesperada por ter perdido o loiro de vista.
A bruxa ouvia os passos do loiro ao longe e ele parecia se aproximar devagar. Ela não sabia por onde ele vinha. Seus olhos percorriam toda sala, deixando-a apreensiva. Sem querer, seus atos haviam irritado o mais velho, o que não era bom. Quando Len se irritava, alguém sempre morria.
A garota sentiu algo encostar em sua nuca, logo uma de suas mãos foi em direção ao seu pescoço, sentindo o sangue descer lentamente por sua pele. A bruxa sentia a lâmina que havia acabado de atravessar seu pescoço ser retirada devagar, e logo seu corpo foi ao chão. Tei vomitava muito sangue, vendo através de um espelho, o vampiro sorrir por trás de si.
— Acho que isso irá dar um jeito em você por um tempo — o loiro disse baixo. — Vai demorar para que esse corte se cure completamente, até lá a deixarei sofrendo um pouco.
A albina tentava chamar pelo nome do vampiro, sem conseguir nenhuma vez. Por fim, ela desmaiou por causa da perda de sangue. O loiro deixou a espada cair ao lado do corpo garota, rindo alto. Por isso ele estava tão quieto. Ele observava tudo procurando por algo para usar contra a bruxa.
— Bons sonhos, sua pirada…
XxX
Rin estava na cozinha, terminando sua terceira garrafa de bebida. Após acordar, Miku não demorou para querer ir embora, já que a loira dormiu por volta de duas horas da tarde, quando acordou, tinha acabado de dar sete horas. Durante esse tempo, a bruxa acabou não fazendo nada, já que a vampira não apareceu como disse que iria.
A loira resolvera beber para acalmar-se e se animar um pouco. Ela precisava animar-se. Por sorte, ela não era de ficar bêbada com facilidade, precisaria de umas cinco garrafas para que pudesse parar de agir por si mesma.
Misturar remédios e bebida parecia não ser uma boa ideia, porém a garota era controlada. Sabia até quando aguentaria sem ter nenhum problema. Com as pílulas que havia ingerido, os pesadelos que tinha pareceram sumir. Nada passou em sua mente enquanto estava desacordada.
Agora, o que passava em sua mente era a festa que aconteceria em alguns dias. Se ela estava animada? Não. Luka a obrigaria a ir mesmo sem vontade alguma, como sempre, tentaria arrumar algum garoto para ela, para tentar fazê-la esquecer do garoto que tinha quebrado seu coração.
Ela voltou para sua sala, iria passar a noite acordada, precisava se preparar para virar mais uma madrugada. Dessa vez, ela ficaria longe da banheira, ela não tinha que ter mais uma ideia suicida. Só as que tivera na noite passada a deixou louca.
A loira atravessou a sala fria, mais do que o comum para uma noite normal. O clima estava pesado, o que de certa forma a deixava um pouco nervosa. A última vez que havia sentido o clima assim, ela terminou a noite dormindo com o vampiro.
Seus olhos claros passaram por toda a sala escura, fitando uma pequena vela acesa em cima de sua mesa de centro. Algo era iluminado pela chama, o que acabou a deixando aflita. Devagar, ela seguiu em direção ao centro da sala, deixando a aflição de lado momentaneamente.
— Mas o que…? — ela murmurou, vendo a pequena flor ser iluminada pela vela. — Uma rosa?
Rin pegou a flor, ficando maravilhada com a beleza das pétalas negras da rosa. Ela cheirou a flor, sentindo o aroma atraente que a deixou louca por uns segundos. A loira observou um pouco mais e então deixou a rosa de lado, pegando uma carta que estava sendo pouco iluminada e quase passou despercebida por ela.
Lentamente a garota abriu o envelope, com um grande receio do que estaria escrito. Ela retirou a carta de dentro de sua proteção e então a abriu, passando o olhar pelo que estava escrito. Um pequeno sorriso surgiu em seu rosto, até que por fim, jogou a carta na chama da vela.
— Irei guardar a rosa como presente — ela sorriu.
A loira apagou a vela após ver o papel queimar, indo até seu quarto sem demora. O sorriso estampado em seu rosto não era de felicidade, mas sim de conforto. Lembrando-se das palavras da carta, ela colocou a rosa em um vaso que estava vazio há anos.
Sinto muito. Era somente isso que dizia na carta.
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