Sadistic Vampire
7 Live and Let Die
Notas iniciais
Rin não podia acreditar. Não parecia estar certo. Ela tinha falado com a garota de cabelos verdes no dia anterior. Como ela poderia ter sumido sem mais nem menos? Miku poderia somente estar exagerando do jeito que sempre fazia, porém por sua expressão ela não parecia estar exagerando. Gumi sempre gostou de chuva, ela poderia somente ter saído para um passeio.
— Diga-me que isso é uma brincadeira, Miku…! — Rin exclamou.
— N-não é! Ela realmente desapareceu! — a garota disse um pouco chorosa. — Ninguém a viu desde a manhã!
A loira percebeu que a amiga estava falando a verdade. Miku não era uma pessoa que costumava mentir, e ela não blefaria sobre algo tão sério assim. Mas Rin era diferente de Miku, ela não sairia surtando desse jeito, ela procuraria um motivo para o sumiço repentino de esverdeada. Do jeito que ela fazia no momento.
— Não é a primeira vez que isso acontece — a loira disse baixo. — Ela já fugiu de casa mais de uma vez, por que desta vez seria diferente?
— Das outras vezes ela levou coisas junto. Quando eu entrei no quarto dela tudo estava no lugar. Ela não fugiu.
Então essa era a verdade. Gumi não tinha fugido. A ideia principal de Rin havia ido por água abaixo em poucos segundos. Ela não podia crer naquilo, não podia estar acontecendo. A loira sabia que a esverdeada estava escondendo alguma coisa, mas agora ela tinha desaparecido. Nada parecia se encaixar.
— Qual foi a última vez que você falou com ela? — Rin perguntou um pouco receosa.
— Ontem à noite — Miku respondeu estranhando a perguntar.
— Como estava o humor dela?
— Bem, ela parecia distraída — a turquesa disse ainda estranhando o motivo das perguntas.
Agora sim as coisas pareciam se encaixar. Mesmo que Rin não percebesse, ela já sabia o que estava acontecendo. Ela se lembrou que sua amiga nunca fora uma pessoa distraída, algo estava errado. Rin tinha que associar os acontecimentos.
— Rin, acho que pelo menos você precisa ficar calma — Lenka, que até agora estava avulsa na conversa, se pronunciou fazendo que os olhares das outras duas garotas olhassem para ela.
— Você nunca me disse que tinha uma irmã, Rin — Miku pronunciou fazendo as duas loiras se olharem.
Era impossível dizer que as loiras não eram parecidas, na verdade, se não fosse por algumas pequenas diferenças, seria fácil confundi-las.
— Não somos irmãs! — elas exclamaram. — E não volte a esse assunto! Lenka, continue a falar — Rin completou.
— O que eu queria dizer é que: Ela já está histérica, o que é suficiente não acha? — as outras duas manearam levemente com a cabeça. — Então acho que você deve permanecer calma. Está óbvio que você está prestes a ficar em um estado pior do que o dela.
As mais velhas olharam para a loira incrédulas. Claro que elas estavam surpresas, principalmente Rin. Ela já tinha percebido o quanto Lenka era esperta para a idade. Mesmo sendo uma diferença de um ano, ela nunca tinha visto alguém tão esperto com essa idade. Ela própria não era tão madura assim.
"Nos conhecemos ontem, mas mesmo assim você já me surpreende…" Rin pensou sorrindo de canto.
"Como elas não são irmãs? A aparência é quase a mesma e as duas usam palavras complicadas…" Miku pensou um tanto confusa.
— Entendi… Você está dizendo que não é para eu surtar e tentar ficar calma — Lenka assentiu brevemente. — Miku, por acaso você falou com o Gumiya sobre isso?
— Sim, na verdade, ele quem me procurou — ela respondeu calma. — Ele disse que Gumi não estava no quarto quando foi acordá-la. Ah, ele também mencionou alguma coisa sobre cartas um pouco antes de sair como um louco.
— Cartas…? — a loira disse arregalando os olhos.
Agora sim as coisas pareciam estar fazendo sentido para ela.
— Sei onde está a Gumi — Rin disse indo em direção ao seu baú de roupas, e de lá tirou uma capa vermelha para se proteger da chuva. — Torça para que eu não esteja certa.
A turquesa nem teve tempo de pedir para a amiga parar e explicar o que ela estava querendo dizer. Rin já havia sumido em meio a chuva que ficava cada vez mais forte. Já a loira que tinha permanecido se controlava para não rir.
— O mundo está prestes a se acabar em água e ela vai mesmo se arriscar nessa chuva? — Lenka perguntou fingindo estar confusa.
— Isso é típico da Rin, ela costuma fazer coisas impulsivas que muitas vezes… Aquilo ali é chá?! — Miku começou sendo séria, porém logo mudou ficando animada de repente.
— É sim, mas se eu fosse você não… — a mais nova não conseguiu terminar a frase. Ela quase se engasgou de tanto rir ao ver Miku cuspindo uma boa parte do chá no chão.
Fazia muito tempo que ela não ria daquele jeito. Lenka havia se acostumado a dar risadas falsas quando fosse necessário, porém agora ela ria de verdade.
XxX
Gumi andava calmamente pela floresta. Muitas vezes ela olhava para o chão, fazendo com que desse algumas voltas sem sair do mesmo lugar. Ela não estava perdida, sabia o caminho que tinha que seguir, porém por algum motivo ela queria seguir o caminho mais longo desta vez. Isso tomaria seu tempo, iria fazê-la demorar mais.
Quem conhecia a garota, nunca poderia dizer que era ela quem andava por ali. O ambiente estava calado, muito diferente de quando a garota de cabelos verdes estava por perto. A verdade é que até mesmo o bom-humor aparentemente eterno de Gumi tinha um fim. Ela havia chegado ao fundo do poço.
O que tinha acontecido na noite passada havia a feito perder completamente as poucas esperanças que tinha, ela não aguentava mais. Sua cabeça doía um pouco, havia passado a noite chorando.
"Patética. Eu sou patética." Ela pensou sorrindo.
A máscara alegre que criara com o tempo parecia finalmente ter sido retirada. Somente ela própria sabia sobre o que se passava em sua cabeça. Qualquer um se recusaria a acreditar nos pensamentos de Gumi em todos os momentos em que ela esteve sorrindo. Ela mesma não acreditava certas vezes.
A verdade era que a garota alegre que todos conheciam estava morta fazia muito tempo. Gumi não era nada mais do que um ser vazio. Alguém que fingia ser o que não era. Ela já havia sido feliz, porém hoje em dia ela era um nada. Tinha desistido de vez. Não aguentava mais.
Ela chegou ao fim do caminho um pouco mais alegre do que quando tinha começado nele. A garota foi recebida com a visão de um garoto loiro encostado em uma árvore. Ele parecia distraído, mas na verdade ele estava atento até demais. Já havia sentido a presença da garota a muito tempo.
— Porquê você demorou tanto? — ele perguntou com a voz rouca.
— Peguei o caminho mais longo — ela se aproximou lentamente dele sorrindo fraco. — Sinto muito.
O loiro sorriu conforme assistia à garota aproximar-se de si aos poucos. Quando os dois estavam próximos, ele a abraçou. Não era difícil notar o quanto ela parecia abalada. O motivo era óbvio, ele se lembrava de quando ela tinha falado sobre o que a deixava sempre para baixo.
— Está tudo bem com você? — ele perguntou olhando nos olhos verdes da garota. — Parece que você está mais triste do que sempre…
— Acabou… Não aguento mais tudo isso — Gumi escondeu o rosto no peito do loiro, fazendo que ele a abraçasse mais uma vez. — E-eu desisto…
Ele a olhou com um ar sério por alguns instantes. Uma hora ou outra ele sabia que isso iria acontecer, porém tudo foi rápido demais.
— O que o seu pai fez agora? — sua voz saiu calma, melodiosa como sempre.
Um pouco hesitante, Gumi levantou uma parte da manga de seu vestido, revelando alguns hematomas roxos em seu braço.
— Ele descobriu as cartas que você escreveu para mim… E não gostou nada do que leu — a esverdeada falou segurando algumas lágrimas.
— Quer dizer que ele quem fez isso? — o loiro perguntou pegando o braço da garota e ajeitando a manga do vestido da mesma. Ela assentiu devagar. — Por que você deixou ele fazer isso?
— E-eu não sei, Len — ela sussurrou. — Nem entendi o porquê dele ter feito isso… Ele é meu pai… Não deveria fazer isso comigo.
— Gumi, você não precisa dele, já lhe disse que você tem a mim — ele sorriu.
— Porém você nunca está por perto quando eu preciso — Gumi virou de costas para o loiro, ficando com uma expressão séria.
— Você sabe que eu não posso ficar sempre com você — Len abraçou a garota por trás, apertando-a com bastante força. — Mas se você veio hoje quer dizer que aceitou a minha proposta, não é?
A garota pensou por alguns instantes, porém ela já estava decidida a continuar com tudo isso. Sua paciência havia chegado ao fim.
— Sim, eu disse que só faria isso se fosse necessário, e agora como eu não tenho mais para onde ir… — a esverdeada disse baixando os olhos.
Percebendo o tom triste da mais baixa, Len percebeu que era a hora de agir. Ele a virou para sua direção fazendo com que seus olhares se encontrassem. Gumi estava meio vermelha. Se tinha algo que a deixava envergonhada esse algo era ter que olhar nos olhos de Len. O garoto então se aproveitando da situação deu um leve beijo nos lábios da mais nova, fazendo-a corar ainda mais.
— Odeio quando faz isso — ela murmurou sorrindo se afastando um pouco.
O loiro sorriu de maneira maldosa, em seguida puxou Gumi para mais perto de si, aproximando os rostos dos dois. Ele começou a passar uma das mãos pelo corpo da garota, enquanto a segurava pela cintura. Len começou a dar beijos que iam desde os lábios de Gumi até o colo da esverdeada.
— Também odeia quando eu faço isso? — ele perguntou baixo, respirando próximo ao pescoço da mais nova.
O mais velho não recebeu uma resposta, porém encarou o silêncio como uma resposta satisfatória. Len começou a distribuir beijos e algumas pelo pescoço de Gumi, fazendo que ela arfasse um pouco.
— Sabemos onde isso vai parar… — Gumi disse baixo. — N-não quero fazer isso na floresta, Len.
A expressão de Len mudou em poucos segundos. Porém logo ele riu deixando Gumi um pouco confusa. O garoto começou a apertar a cintura da mais nova com força, o que estava começando a deixá-la incomodada.
— L-Len…! — ela falou assustada encarando o sorriso maníaco do loiro.
— Como se eu fosse perder meu tempo com uma garota como você…
XxX
Rin corria entre a chuva o mais rápido que podia. Ela não se importava com a sensação de estar sendo cortada toda a vez que sentia uma gota cair em sua pele. A loira não acreditava o quão tonta tinha sido. Já era para ela ter percebido o que estava acontecendo a muito tempo, porém estava tão perdida em seus pensamentos que não notou nada de estranho.
Se não fossem alguns detalhes ela nunca teria notado o que estava acontecendo, mas mesmo existindo uma pequena chance de sua teoria estar errada, sua intuição lhe dizia que estava certa. Ela torcia para que estivesse errada.
As gotas e seu vestido atrapalhavam um pouco sua movimentação, porém ela sabia o caminho que devia seguir. A capa também dificultava um pouco, mas a mantinha protegida, então compensava por atrapalhar.
Mesmo com a chuva forte, a loira conseguia ouvir alguns barulhos, estava próximo, mas ela não conseguia identificar o que era. Isso fez com que Rin parasse de correr e olhasse na direção de onde achava vir o som. Com um pouco de relutância e muito medo do que poderia encontrar. Embora já tivesse uma ideia do que iria encontrar.
Um pouco devagar, a loira começou a dar passos em direção ao barulho, se apertando cada vez mais na capa. Ela parou atrás de uma árvore grande antes de olhar para ver o que causava o som. Rin queria que fosse um cervo. Torcia para que fosse um. Sua curiosidade lhe matava aos poucos.
Por fim, ela tomou coragem para olhar.
Rin colocou as mãos sobre a boca para reprimir um grito que queria escapar. De todos os momentos que sua intuição estivera certa, esse era o único que ela desejou que estivesse errado. Ela não conseguia definir a cena que via. Len. Sangue. E o corpo quase inerte de Gumi eram as coisas que lhe vinham a cabeça.
Demorou um tempo até que ela saísse do transe que aparentemente estava. Rin só percebeu o que realmente estava acontecendo quando notou que ele a olhava. A garota não estava com medo, só em choque, isso a impedia de falar.
— Há quanto tempo você está aí? — sua voz saiu rouca. Ele manteve o sorriso durante todo o momento.
— O-o suficiente — Rin baixou o olhar, evitando ter que olhar para o vampiro. — E-ela está morta?
Se essa pergunta viesse de qualquer outra pessoa, Len teria rido. Porém, como era Rin, ele ficou calado.
— Só me diga o motivo — ela disse finalmente encarando os olhos do loiro.
Ele sorriu com a frase da loira. Era uma coisa tão boba. Ela própria sabia a resposta, mas pelo visto queria ouvir saindo da boca de Len. Quando Rin percebeu, o garoto não estava mais na sua frente. A loira sentiu uma mão pegar em seu ombro e a puxar para trás com força.
— Sou um vampiro, Rin. Mato para viver — Len sussurrou devagar no ouvido de Rin enquanto tirava sua capa sentindo-a estremecer. — Parece nervosa… Porquê?
Ela não respondeu à pergunta. Os lábios um pouco sujos de sangue do loiro começaram a percorrer seu pescoço, algumas vezes dando leves mordidas. Len queria provocá-la. Queria fazer que ela esquecesse o que tinha acabado de ver. E sim, ele estava conseguindo.
— Lembra da última vez que nos vimos? — Rin assentiu lentamente. — Lhe disse para nunca mais voltar aqui, porém, aqui está você, menininha má.…
— Eu não sou má — a loira disse baixo. — O único mau aqui é você.
Len riu com a fala da mais nova.
— Sim, eu sou mal, um monstro, um ser da noite… Mas você ainda não saiu correndo como qualquer um faria…
— Por que eu correria? Você não me dá medo — Rin sabia que estava brincando com fogo, porém queria ver até quando a paciência do vampiro aguentaria.
— Você fala demais para quem está prestes a morrer — Len apertou um dos braços da loira com força, a fazendo gemer de dor. — Não pense que só porque matei sua amiguinha não mataria você agora.
— Tentando me deixar assustado com palavras "doces"… Baixo até mesmo para alguém como você.
Agora ela tinha passado dos limites. Aquilo havia sido demais para Len. Com brutalidade, o loiro empurrou Rin para trás, para que ela batesse com força em uma árvore.
— Palavras não te assustam — Len riu, prendendo a mais nova contra a árvore com os braços. Se a loira soubesse o que passava por sua cabeça, ela preferiria ter ficado ficado calada. — Já que palavras não funcionam… Atos devem servir.
Nesse momento Rin parou com seu teatro. Ela estava assustada antes, agora ela estava apavorada. Com medo do que Len poderia fazer com ela.
— Agora que consegui te fazer ficar quieta — o vampiro abaixou o tom de voz, passando os dedos pelo rosto da loira devagar enquanto falava. — Vamos aproveitar esse momento.
O mais velho baixou o olhar para o colo de Rin por alguns segundos. Ele notou que o vestido dela estava ficando molhado graças à chuva que estava dando uma trégua. Sua blusa também estava molhada e um pouco suja de sangue, ele percebeu o rosto da mais nova corar por ele estar olhando seus seios. Len não conseguiu segurar uma risada fraca.
— Você pode até ser irritante, porém tenho que assumir que é atraente — isso fez com que Rin corasse ainda mais.
— Se sou tão irritante, porquê não me mata logo?
Len não respondeu. O garoto começou a aproximar seu rosto ao de Rin, mexendo no cabelo da loira enquanto isso. E por fim, ele a beijou.
Fale com o autor