Sadistic Vampire
17 Happy Birthday
Notas iniciais
Dentro do quarto, as roupas espalhadas pelo chão demonstravam o quão boa havia sido a noite. A garota já estava acordada fazia alguns minutos, pensando no que tinha feito da noite passada. As coisas haviam passado do limite. Não era para ela ter dormido com o garoto, porém, não tinha como negar que tinha sido muito bom.
Lenka passava a mão pelos cabelos de Oliver devagar para não acordá-lo. Ele dormia calmamente, nem parecia que estava completamente arranhado, com marcas de mordidas por quase todo o pescoço e vários hematomas que seriam difíceis de esconder. A vampira tinha tomado cuidado para não ser cuidadosa. Ela queria machucá-lo, o que não havia sido difícil de fazer, já que ela era forte o suficiente para isso.
De forma lenta, ela aproximou-se do garoto e passou as pontas das unhas no peito dele com força, fazendo que ele acordasse um pouco assustado e olhasse para a loira sorridente. Ele não podia acreditar no que tinha feito. Ele havia feito sexo com Lenka?
— Isso é um sonho…? — ele perguntou causando risadas da vampira. — Não é…
— Por que seria um sonho? — ela beijou-o devagar, em seguida encarando-o. — Bom dia, Oliver.
— B-bom dia...
O garoto ainda estava confuso. Ele se lembrava da conversa com a loira, lembrava de tê-la beijado e tentava esquecer que havia dormido com ela. Ninguém poderia saber que ele tinha feito isso, principalmente seus pais e Rin. As loiras tinham uma inimizade evidente e seus pais eram muito super protetores, dormir com uma garota já lhe traria problemas, com uma vampira ele nem podia imaginar o que fariam.
— Quando essas marcas vão sumir? — sua voz saiu séria. Não tinha como ele esconder as marcas de mordida. — Vai ser breve?
— Se depender de mim irá demorar para desaparecer — ela sorriu de maneira maliciosa, deitando-se no peito do loiro. — Espero que não tenha te machucado muito.
Oliver sentia-se um pouco envergonhado com o atrevimento da vampira. Era impossível que ela conseguisse agir tão normalmente depois do que haviam feito. Já Lenka não importava-se se estava deixando-o mal ou não, de certa forma ela já havia aproveitado-se dele do jeito que queria.
O loiro estava um pouco mal por estar tão próximo da garota, mas não tinha como ele negar o quanto a vampira era bonita. O que mais lhe chamava atenção era os profundos olhos vermelhos, antes azuis da loira. Em sua opinião pessoal secreta, ele os achava lindos.
— Não machucou — sorriu. — Meu pescoço dói um pouco, mas é só isso.
— Que pena. Eu queria ter te machucado — ela pareceu realmente chateada ao falar. — Pode dar-me sua camisa?
— Claro… — ele disse esticando o braço e pegando o pedaço de pano no chão, logo entregando-o a vampira. — Lenka, por acaso vampiros dormem?
A loira demorou a responder por estar ajeitando a camisa do garoto no corpo. Ficava um pouco grande, porém muito bem nela. Ela sorriu de maneira maliciosa e olhou para o loiro rindo bem alto.
— Não, não dormem — ela falou calma. — Mas meu caso é um pouco diferente — sorriu novamente. — Eu conheço algumas bruxas, elas são boas em magia negra, conseguem fazer quase qualquer coisa.
— Está querendo dizer que fez um acordo com elas? — a garota assentiu devagar. — É seguro fazer acordos com bruxas?
— Não, na verdade é bem perigoso, elas são bem traiçoeiras — suspirou um pouco cansada. — O acordo que fiz era para amenizar os efeitos do vampirismo. Por causa disso consigo dormir, ficar um certo tempo no sol sem queimar, não preciso tomar sangue sempre… Mas a magia tem seus efeitos negativos.
— Que são…?
Ela voltou a sorrir para o garoto e então suspirou alto. Ele era muito curioso. Isso era um problema, ele poderia começar a fazer perguntas demais que terminariam deixando-a bastante irritada.
— Um dia irei lhe contar — ela deu de ombros. — Oliver, que dia é hoje?
— Vinte e sete, por quê?
A vampira ficou estática de uma hora para outra. Claro que Oliver não entendeu o motivo, mas parecia ser algo sério já que a loira estava meio chorosa. Lenka controlava-se para não chorar. O dia havia chegado de novo, e ela estava odiando isso.
— Qual é o problema? — ele perguntou abraçando a vampira por trás.
— Hoje é meu aniversário… — ela sussurrou em um tom quase inaudível. — Odeio esse dia. Odeio, odeio e odeio.
"Qual o problema dessas garotas com o próprio aniversário?! Parece que todas elas odeiam essa data" o garoto pensou enquanto apertava o corpo da loira em seus braços.
— Por que não gosta desse dia? — perguntou baixo no ouvido da garota.
— Por causa do meu irmão — respondeu sem emoção. — Ele destruiu a minha vida… No dia do meu aniversário.
— Como isso aconteceu? — o tom curioso de Oliver fez Lenka sorrir fraco.
— Bem… Foi a muito tempo atrás…
A lua brilhava forte naquela noite, porém ela estava sendo escondida por nuvens que pareciam trazer uma forte chuva. Muitos estavam dentro de casa por medo do que poderia vir a acontecer. Era provável que em poucas horas Tóquio inteira estivesse debaixo d'água.
Naquela noite, dentro do prédio, alguns sons podiam ser ouvidos bem baixos. O local era uma faculdade e os barulhos vinham de uma sala de aula. A garota loira deitada em cima da mesa da sala tentava não gemer alto, para não chamar atenção de ninguém. O homem que estava junto à ela, passava as mãos pelas pernas da loira, apertando todos os lugares possíveis.
Caso os dois fossem pegos, virariam motivo de olhares tortos de todos. Um professor e uma aluna não deveria ter nada juntos, porém mesmo assim nenhum dos dois importava-se com isso. Ambos já haviam feito coisas muito piores.
— Professor… — ela suspirou alto. — Não devíamos estar fazendo isto, aqui. Alguém pode entrar e ver tudo.
— Está com medo, senhorita Kagamine? — o homem disse ficando por cima da garota. — Achei que iria querer profanar um pouco mais este lugar.
— Não tenho medo, só receio. Posso ser expulsa caso peguem-me aqui com você — a loira disse empurrando o homem de cima de si, para que pudesse sair da mesa. — A aula já acabou. Tenho que voltar para casa.
— Não que ir para a minha, Lenka? — ele perguntou vendo a garota ajeitar seu vestido. — Podemos terminar lá, se quiser…
A aluna voltou a encarar o professor enquanto descia da mesa e ia em direção à porta da sala devagar, fazendo que o único som no ambiente fosse o barulho de seus passos lentos.
— É uma boa oferta, porém prefiro passar a noite sozinha — ela respondeu sem muita emoção.
— Mas… Hoje não é seu aniversário? — o tom de sua voz mostrava a enorme confusão que sentia. Desde que ele a conhecera, já sabia que ela era uma pessoa confusa.
— Por isso mesmo quero ficar sozinha.
Ela saiu da sala sem dizer mais uma única palavra. Ela não sentia-se no clima para fazer nada, tudo o que queria agora era descansar e esperar que o dia acabasse. Lenka não havia contado a ninguém sobre sua vida antes de mudar-se para Tóquio. Era melhor que ninguém soubesse.
A loira seguiu pelo prédio sozinha, atraindo olhares de vários homens. Como sempre, ela virou os olhos. Era normal que a atenção de homens focasse somente na garota quando ela passava. Ser uma das únicas alunas em uma faculdade antes somente para homens tinha suas desvantagens. Essa era uma delas.
Os estudos de qualquer forma, eram caros, porém, ela podia pagar. Quando seus pais morreram e seu irmão desapareceu, toda a herança acabou ficando com ela. Logo depois que isso aconteceu, a loira acabou mudando-se para Tóquio, tentando esquecer o que acontecera e tentar seguir em frente.
Após sair do local, ela seguiu em direção à sua casa, torcendo para que não chovesse. Justamente naquela noite, ela havia esquecido de trazer o guarda-chuva, caso começasse a chover, não teria como voltar para casa.
"Por que hoje tinha que estar tão frio?" ela pensou passando as mãos pelos braços, como uma maneira de tentar amenizar o frio. "Hoje não é o meu dia". Seus passos lentos ficaram um pouco mais rápidos por querer chegar logo em casa.
Lenka andava sozinha na rua, o que a deixava um pouco assustada. Locais escuros e solitários sempre deixaram-na com muito medo. Ela sentia-se de certa forma, observada, e sabia que esse tipo de sensação não podia significar algo bom.
"É só minha imaginação… É tudo por causa do dia de hoje. Logo essa sensação irá passar" ela apertou o passo, chegando quase a correr. Depois de dezenove anos, ela havia aprendido que nada de bom acontecia no seu aniversário.
Sua casa ficava relativamente longe da faculdade, infelizmente, ela morava no centro, era o melhor lugar para que pudesse morar sozinha sem ter problemas. Um lugar pequeno, porém aconchegante. A loira não queria chamar atenção. Isso seria perigoso para ela.
Ela atreveu-se a olhar para trás por um instante, e logo ficou feliz por não ver ninguém na rua. Estar sozinha nunca havia a deixado tão feliz. Suspirando aliviada, ela voltou a fazer seu caminho bem mais calma.
O que ela não sabia era que alguém a observava de perto. Bem de perto. A pessoa sorria por cousa da fragilidade da loira. Ela estava sozinha em um local escuro, o que facilitava ainda mais as coisas.
Lenka tentava manter seu estado de paz, mesmo estando apavorada. Era melhor que ela tentasse manter a calma ao invés perdê-la e acabar fazendo alguma besteira. Ela permanecia em silêncio, perdida em seus pensamentos, um pouco mais feliz por estar quase chegando em casa.
Sua mente pareceu voltar a realidade quando alguém a puxou para trás, fazendo que ela quase caísse no chão, porém, isso não aconteceu porquê braços fortes a seguraram antes que pudesse cair. Seus olhos arregalaram-se de pavor. Ela já sabia quem era.
— L-Len… — ela sussurrou ouvindo uma risada baixa em seu ouvido.
— Irmãzinha… Faz muito tempo que não nos vemos — ele sorriu de uma forma maldosa. — Você está linda como sempre.
A loira não conseguia se mexer. Ela queria que fosse só um sonho, ou que finalmente ela tivesse ficado louca. Não tinha como ser verdade. Seu irmão não podia estar ali tão perto de si. Tudo tinha que ser somente um sonho.
— Len, v-você… O que faz aqui? — ela perguntou tentando desvencilhar-se dos braços do mais velho sem muito sucesso.
— Não posso vir te ver uma vez ou outra, irmãzinha? — sua voz saiu brincalhona, somente para irritar a garota.
— Não, não pode! — com um pouco de força ela acabou conseguindo soltar-se do garoto, e logo passou a encará-lo. — Você deixou de ser meu irmão quando tornou-se esse monstro que matou os nossos pais!
Len soltou uma risada alta, encarando-a com seus olhos vermelhos profundos. Ela sabia que não tinha como escapar do irmão. Por mais que tentasse correr, ele poderia alcançá-la de qualquer forma.
— Foi a mais de um ano atrás, Lenka… — ele falou pegando no queixo dela, fazendo que ela o encarasse-o nos olhos. — Fiz aquilo para que pudéssemos ficar juntos, sem que eles nos atrapalhassem! Você não tinha que ter contado a todos sobre o que tinha visto. Eu os matei para o nosso bem!
A garota riu alto, dando um tapa forte no rosto do loiro, deixando o local um pouco vermelho. Ele voltou a encarar a mais nova com um olhar matador e mostrando suas enormes presas, intimidando um pouco a loira.
— Não minta para mim! Você os matou para saciar sua maldita sede de sangue! — a loira quase berrava enquanto tentava não derramar lágrimas. — Você é um monstro, Len.
— Monstro?! — ele riu colocando a loira contra a parede. — Lenka, tem certeza que sou um monstro?
O garoto aproximou o rosto do pescoço da mais nova, beijando o local devagar enquanto apertava um dos braços da garota com força. Ela não tinha forças para ir contra o irmão. Ela não podia fazer nada a não ser entregar-se ao mais velho.
— Irmãzinha, diga-me uma coisa… O que acha de ser igual a mim? — o loiro perguntou encarando a irmã nos olhos. — Pense, poderíamos passar a eternidade juntos. Não era isso que você sempre quis? Nós dois juntos?! Você ainda me ama, vejo isso em seus olhos. Você seria tão linda se fosse uma vampira…
Sem aviso prévio, ele a beijou de forma lenta, assustando um pouco a mais nova, porém, ela logo cedeu os encantos do irmão. O toque frio dele parecia atraí-la de uma maneira indescritível. A loira jamais pensou em beijar o irmão novamente.
Desde que seus pais haviam morrido, ela resolvera sair de casa por medo do que Len poderia fazer a ela. Afinal, fora ela quem o entregou para as pessoas da cidade. Ela fez que ele fugisse. Ele fez que ela fugisse para Tóquio.
— Jamais iria aceitar algo assim, Len — ela falou firmemente, empurrando o mais velho para trás. — Eu jamais poderia matar alguém, não tornaria-me nunca um ser igual a você…
O mais velho riu de maneira maldosa, passando a língua pelas presas. Com medo do que poderia acontecer, a loira tentou correr, mas logo foi puxada de volta pelo irmão, que a colocou contra a parede novamente. As lágrimas que antes estavam contidas, caíram de maneira absurda. Len sempre fora cruel, mas, com a raiva que ele mantinha dela, ela podia esperar qualquer coisa vinda dele.
— Meu amor, não faça-se de difícil — ele sorriu enquanto enxugava as lágrimas do rosto da irmã. — Sempre soube o que era melhor para você, por que agora você não confia em mim?
— Você está fora de si! — Lenka tentou argumentar com o loiro, mas não conseguiu muita coisa já que o mais velho tapou sua boca.
— Não queria ter que fazer isso contra sua vontade, mas você não me deixa escolha…
Ignorando todas as tentativas da loira de soltar-se e o choro incessante, ele cravou com força as presas no pescoço da irmã com força, fazendo com que ela soltasse um grito agudo de dor que fora abafado pela mão do vampiro.
Len tirava a vida da mais nova sem hesitar em nenhum momento. Ele não tinha medo de deixá-la à beira da morte, de qualquer forma ela terminaria morta. Só que ele não a perderia novamente.
O loiro segurou o corpo desacordado de Lenka com uma das mãos enquanto ofegava muito. Ela não estava morta, mas não iria demorar para que estivesse. O vampiro soltou o corpo, porém o pegou antes que batesse no chão.
Ele encarou o rosto da irmã sorrindo. Devagar, o mais velho levou o pulso à boca, mordendo-o, em seguida sugando seu próprio sangue. Ele levou a boca cheia do líquido vermelho até os lábios da loira, beijando-a devagar.
O beijo fazia que o sangue do loiro entrasse no organismo da mais nova, fazendo que ela morresse aos poucos. Sangue de vampiro é extremamente venenoso, causa uma morte rápida e pouco dolorosa.
O vampiro só parou o beijo quando sentiu o coração de Lenka parar de bater por completo. Lentamente a loira abriu os olhos, revelando-os diferente de antes, mas logo voltou a desmaiar no colo do irmão. Len soltou um suspiro cansado e passou a seguiu caminho para a casa da mais nova.
— Feliz aniversário, Lenka…
— Resumindo, foi o que aconteceu — a vampira bufou colocando a cabeça para trás, encostando-a no ombro de Oliver. — Nunca contei isso a ninguém. Nem sei por que lhe contei.
A partir da metade da história, o garoto pareceu estar em choque com tudo o que havia ouvido. Ele não conseguia imaginar a vampira como uma garota inocente, mas ouvindo aquilo, seus olhos passaram a vê-la de maneira diferente. Ele sorriu de forma gentil e voltou a abraçá-la com força.
— Você não precisa dele, amor — ela o encarou um pouco confusa. — Irei fazer que ele sofra por fazer você sofrer.
Lenka riu alto com o que foi dito pelo garoto. Foi uma risada sincera, ela realmente havia achado graça no que foi dito pelo mais novo. Ela fez que ele deitasse novamente na cama, ficando por cima de seu corpo.
— Sinto muito, Oliver — ela sorriu. — Em uma batalha entre você e ele, você perderia em segundos. Caso um dia você torne-se um vampiro, irei gostar de ver vocês dois brigando.
"Isso se você conseguir sobreviver até que eu pense em transformar-lhe" ela sorriu de maneira maldosa, enquanto aproximava-se devagar do loiro para beijá-lo novamente. Os dois estavam próximos, quase tocando os lábios quando o som de gritos do lado de fora acabou assustando-os.
— O que está acontecendo? — a vampira perguntou saindo do colo do loiro.
— Vem de fora da casa — Oliver disse calmo. Ele sabia que seus pais não estavam em casa de manhã, então não tinha como ser eles. — Acha que consegue ver pela janela?
— Posso tentar.
Rapidamente a loira prostrou-se ao lado da janela, abrindo a cortina devagar. O sol brilhava forte e entrava gradualmente no quarto. O garoto impressionou-se por ver que a vampira não parecia sentir o sol contra sua pele. Ela havia falado mesmo a verdade.
— Tem pessoas demais falando ao mesmo tempo. Não consigo ouvir — ela disse mantendo-se calma por um instante. — Espere… Esse… Cheiro…
Lenka grunhiu alto fechando a cortina com força. Ela pegou suas roupas espalhadas no chão jogando-as na cama enquanto tirava a camisa do loiro que a encarava confuso. Ele não fazia ideia do que poderia ter atiçado a loira, mas fazia uma certa ideia.
— Preciso ir, Oliver — ela falou terminando de ajeitar seu vestido. — Tenho que resolver uma coisa.
— Quando vamos nos ver de novo? — perguntou vestindo sua camisa antes usada pela vampira.
— Quando quiser, é só me chamar...
XxX
Miku e Luka terminavam de arrumar em silêncio a bagunça da festa da noite passada. Ambas estavam envergonhadas demais para dizer alguma coisa. Depois do que haviam feito e dito, fingir que estava tudo bem era difícil, mas elas sabiam como disfarçar.
A mais nova estava sentada no sofá enquanto a vampira de cabelos rosas terminava de guardar as poucas bebidas que sobraram. A mais velha evitava olhar muito para a outra, era melhor evitar diálogos ou mesmo troca de olhares.
— Luka… — a garota de cabelos turquesa chamou baixo, logo sendo encarada pela mais velha. — Sinto muito. Eu não devia ter falado aquilo. E-eu exagerei um pouco.
— Tudo bem, você estava certa, eu devia ter te contado antes — ela deu de ombros ao falar. — Eu não queria que você descobrisse sobre o casamento e o bebê tão cedo, mas como eu perdi a criança e provavelmente não irei mais casar, te perdoo pelo que disse.
— Tem tanta certeza assim de que ele não irá te querer? — Miku perguntou saindo do sofá e parando ao lado de Luka. As duas encaravam-se pela visão do espelho à frente de ambas. — Se ele quer casar com você, sendo quem é porque ele te ama.
— Quem iria querer casar com um monstro como eu? — a vampira sorriu falsamente. — Não irá demorar para que eu precise matar novamente. Como poderei casar assim?
— Luka, não menospreze-se assim! Você é esperta, bonita, qualquer um iria te querer, não pense que só por que você é uma vampira agora que você deixou de ser a garota de sempre.
A mais nova abraçou a mais alta por trás, logo sendo também envolvida pelos braços da rosada, que sorria. As duas ficaram abraçadas por longos minutos, até que finalmente a garota de cabelos turquesa soltou-se da vampira devagar.
— Eu te amo, Luka — ela sorriu.
— Eu também te amo, Miku, e muito.
— Promete nunca me abandonar? — os olhos verdes da mais nova brilharam de maneira infantil.
— Prometo — a mais velha voltou a abraçar a mais baixa.
As duas começaram a ouvir barulhos vindos do lado de fora da casa, por curiosidade, elas foram até a porta. A mais nova abriu a porta devagar, deixando que a luz do sol entrasse na sala. Por instinto, Luka foi para trás, fugindo do contato do sol. Miku voltou a fechar a entrada e encarou a amiga.
— Parece que temos um problema, não é? — a vampira assentiu devagar. — Não terá como você sair... Acho que posso ver o que é sozinha e então voltar e te dizer.
— Tudo bem — suspirou. — De qualquer forma, tome cuidado.
Miku sorriu novamente e entreabriu a porta, saindo pela pequena fresta sem deixar que a luz do sol penetrasse na casa. Ela correu para ver o que acontecia e saber o porquê de terem tantas pessoas reunidas no meio da rua naquela hora. Não demorou para que ela estivesse junto a multidão, tentando descobrir o que estava se passando no lugar.
— Miku…? — ouviu alguém chamar, logo ela virou-se para encarar a pessoa, levando um susto ao ver quem era. — O que está fazendo aqui?
— Ann... Onde está o Oliver? — ela perguntou tentando ser amigável.
— Ele voltou tarde e cansado, eu o deixei dormir um pouco mais — a senhora respondeu calma. — A Luka está bem?
— Sim, ela está… Por que a pergunta…? — a garota estava extremamente confusa.
— Encontraram um corpo hoje...
A mais nova gelou na hora. Mais um corpo havia sido encontrado e ela temia saber de quem era. Pela calma da mulher significava que ela poderia estar feliz com a morte. Logo sua cabeça encheu-se de pensamentos.
"R-R-Rin… Ela sumiu desde ontem… Será que… Oh, céus… É a Rin!"
XxX
A loira acordou um pouco cansada, passando os olhos pelo ambiente escuro. Ela queria saber onde o vampiro estava, só para ficar longe do local. Ela sentia-se envergonhada por ter entregado-se ao vampiro do jeito que fizera. Eles haviam feito sexo e ele havia a mordido. Era algo íntimo e ela sabia disso.
Rin levantou-se devagar e sentou na cama um pouco dolorida. Seus dedos foram em direção ao pescoço surpreendendo-se ao não sentir marcas de presas. Ela sentia a dor, porém, não sentia marcas. Isso a deixava confusa.
— Que bom que você acordou — a voz pouco emotiva de Len soou baixa no quarto. — Achei que dormiria pelo resto do dia.
— Mas… O que aconteceu na noite passada? — ela perguntou um pouco vermelha.
— Não se lembra?! — ele riu baixo vendo a mais nova tentar cobrir o corpo nu com a coberta.
— Lembro, mas quero saber o que aconteceu depois? — a loira ficava mais vermelha a cada palavra. — A última coisa que me vem à cabeça é o nosso último beijo.
Isso ela lembrava-se bem. O gosto de seu próprio sangue contra seus lábios era algo difícil de esquecer. O que acontecera depois não passava de borrões negros em sua mente. Ela não conseguia lembrar de mais nada.
— Você está melhor? — ela assentiu devagar a pergunta. — Vista suas roupas.
— Por quê? — a loira perguntou um pouco confusa.
— Não importa o porquê, só faça isso logo! — o vampiro falou com uma certa arrogância. — E seja rápida!
Rin tinha quase certeza de que Len era bipolar. Em poucos segundos ele conseguiu ir de calmo para completamente assustador, o que deixou a loira bastante nervosa. Era mais seguro que ela fizesse logo o que foi pedido por ele, para não ter mais nem um problema.
A loira não demorou a vestir o vestido, tendo uma ajuda do vampiro para fechar os botões da roupa. Ele beijava a nuca da garota após cada botão fechado, deixando-a bastante arrepiada.
— Irei lhe levar para casa — o loiro pronunciou friamente enquanto sorria.
Novamente submissa ao garoto ela acabou assentindo ao que fora dito pelo vampiro. Ele estava aliviado pela loira ter esquecido parte da noite passada. Ele também não pretendia contar o que havia acontecido após ela ter desmaiado. O plano dele era matar a loira enquanto a mesma dormia, porém algo o atrapalhou. Algo não...
Alguém.
XxX
A vampira abriu os portões da velha mansão com uma força extrema, fazendo um alto e estrondoso barulho. Ela não se importava em ser barulhenta ou escandalosa. Era exatamente isso o que ela queria.
— Tei! Sei que está aí! Apareça logo! — um berro era mais alto do que o anterior. Qualquer pessoa próxima ouviria bem.
Seus olhos percorreram todo o grande hall de entrada a procura da garota, porém não acabou encontrando-a. Grunhindo de raiva, ela seguiu em direção ao andar de cima, indo para a biblioteca.
Seu humor parecia estar horrível, o que era extremamente perigoso. De bom humor ela já era bastante perigosa, de mau humor, era melhor nem chegar perto. Era quase como pedir para ser morto.
Do jeito que a loira corria, parecia que seu humor estava pior do que era possível se imaginar. Ela abriu a porta da sala com força, encarando fileiras e mais fileiras de livros. No centro da sala, uma garota de longos cabelos prateados estava sentada em uma cadeira enquanto lia um livro. Ela ignorava completamente a vampira.
— Quem você matou?! — a loira foi direta. — Isso não fazia parte do plano!
— Primeiro, também é ótimo te ver, Lenka — a garota ironizou fazendo a vampira revirar os olhos. — Segundo, faz tempo que não seguimos mais o plano. Quando eu disse "aproxime-se dos amigos da garota", eu não quis dizer "durma com um deles"'
Lenka revirou os olhos novamente. Não era novidade nenhuma que a loira detestasse a garota de cabelos prateados. As duas trabalhavam juntas por falta de opções. Elas eram duas ex-amigas que não confiavam mais uma na outra. O tempo acabou separando-as.
— Não brinque comigo, Tei! — a loira aproximou-se da garota quase de maneira invisível, apertando o pescoço dela com força com uma das mãos. — Depois de tudo o que você já fez, dê-me só um motivo para o que eu não te mate agora!
— Você só não me matou em todas as oportunidades que teve por que precisava de mim — ela sorriu. — Sozinha você não conseguiria matar seu irmão. Estamos juntas nessa.
A garota sorriu vitoriosa quando Lenka soltou seu pescoço, possibilitando-a respirar novamente. A vampira sabia que Tei falava a verdade. Não lhe faltaram oportunidades para matar a garota de cabelos prata. Ela própria não sabia o porquê de manter a garota viva.
— Responda logo minha pergunta! — a loira exclamou irritada.
— Não fui eu quem matou alguém na noite passada — os olhos vermelhos de Tei encararam a mais nova com indiferença. — Você e Len estavam ocupados demais fazendo outras coisas e a outra vampira estava completamente bêbada. Quem é o assassino, Lenka?
— Você está mentindo…
— Quem dera estivesse, só estou dizendo a verdade — sorriu. — Agora, poderia ir embora? Quero terminar meu livro.
A vampira não chegou a dar uma resposta marrenta como queria, ela somente deu meia volta, saindo da presença da mais velha que sorria de maneira maldosa. Mexer com a cabeça da loira sempre fora algo fácil, mas recentemente andava mais fácil do que nunca.
Tei gostava de brincar com a "amiga", era boa em jogos que envolviam a mente e por causa da convivência de anos, a vampira estava acostumada com os jogos e conseguia entendê-los com facilidade. Ela sabia o que a garota queria dizer.
"Len, seu idiota… Falei para não distrair-se! Falei para não fazer nenhuma bobagem! Falei para não…".
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