Notas iniciais
Hellow my little cats! Tudo bem nessa linda~ou não~segunda feira? Como estamos no inverno, a fic também vai entrar no inverno, hehe. Agora não vai mais ter tempo bipolar, agora é neve, muita neve~imaginem aquele espaço branco sendo coberto por vermelho, hihi. Fiquem com esse capítulo maravilho que é a parte dois do outro capítulo. ~~

Luka não conseguia dizer mais nada. Ela se embolava com as palavras enquanto tentava secar as lágrimas que desciam com força. A principal pergunta em sua cabeça era "como?". Sempre cuidadosa, ela tinha dificuldade em saber o motivo de estar ouvindo tudo aquilo. Como eles haviam descoberto sobre ela? Quem havia contado?

As únicas pessoas que sabiam de seu segredo eram seus amigos e os irmãos, e até onde sabia, nenhum deles tinha encontrado com seus pais. Por um momento, a vampira sentiu todas as suas emoções sumirem e serem tomadas por um ódio profundo. Um sorriso um pouco maligno surgiu no rosto da garota. Sua paciência havia chegado ao fim.

— Quem contou? — ela perguntou séria, fazendo os mais velhos recuarem assustados. — Vocês jamais conseguiriam descobrir algo assim sozinhos. São idiotas demais para isso.

— Como ousa dizer isso?! — a voz alta da mulher foi ouvida, fazendo a vampira rir. — Está perdendo o senso de perigo?

— Você me chamou de demônio. Existe uma diferença… — o sorriso maníaco da jovem deixava seus pais assustados. — Mamãe, acho que é você quem está perdendo a noção de perigo… Sou uma vampira, posso te matar em segundos…

Luka sorriu novamente ao ver o espanto no olhar de seus pais. Ela não queria que eles ficassem assim, porém, a raiva que estava sentindo estava a enlouquecendo. Ao dizer suas últimas palavras, além de revelar o que já era óbvio, ela também admitiu algo para si. Ela não era mais humana. Era uma vampira agora. Tinha que parar de agir feito a garota que era antes.

Ela passou a passar a língua por entre as presas, não querendo provocar, somente fazia por senti-las latejar. Não tivera coragem de tirar sangue o suficiente de seu noivo para que sua sede cessasse. Por isso, ainda ansiava por sangue humano.

Há pouco tempo a dor de ouvir coisas duras vindas de seu pais a consumia aos poucos, porém agora, seu humor havia mudado. Sua raiva tinha a consumido por completo, seu choro tinha cessado, agora só sua risada histérica era ouvida.

— Irei me casar com o duque — ela disse calma. — Não era isso o que queria, mamãe? Que eu me casasse com um homem que tivesse dinheiro para que eu pudesse ter uma vida melhor? — sua risada escandalosa pôde ser ouvida. — Irei embora para sempre. Vocês nunca mais terão que se preocupar comigo... E eu terei a vida que você sempre quis mas não pôde ter, mamãe — sua expressão ficou séria de um momento para o outro. — Adeus.

Sem muito mais dizeres, Luka recolocou seu capuz e lançou um último olhar a seus pais, vendo-os retribuir o olhar, só que de maneira diferente. Eles a olhavam com um certo arrependimento. Sem se importar com isso, a vampira saiu da casa de cabeça baixa, não olhando para trás em nenhum momento.

Como a rua estava vazia, típica de um fim de tarde da aldeia, ela se aproveitou de sua velocidade para correr para trás de sua casa, onde ficava a saída para a cidade. Quando caiu no chão com força, a garota deixou as lágrimas correrem por seu rosto. Falar aquilo tudo tinha sido doloroso, porém, a única coisa que fizera fora retrucar o que havia ouvido.

Não demorou para que ouvisse um relinchar, fazendo-a olhar para cima e sorrir. Devagar, ela secou as lágrimas com a mão, saindo do chão em um pulo. Ela sentiu a língua do animal em seu rosto, o que a fez rir algumas vezes. Com uma das mãos, Luka acariciou a crina da égua, suspirando enquanto encarava o olhar inocente e confuso de sua "amiga".

— O que eu faço agora, Josephine? — ela perguntou ouvindo mais um relinchar. — Já iremos para casa. Antes, tenho que me despedir da Miku.

A vampira subiu na égua sem dificuldades, ouvindo o que parecia ser um grunhido, o que a fez rir, e soltar um pensamento parecido com "não sou tão pesada assim!", rindo novamente por estar quase iniciando uma discussão com um cavalo.

Luka sabia que em pouco tempo teria que ficar frente a frente com sua melhor amiga bruxa, sabendo que as duas não estavam no ponto mais forte de sua amizade. Ela não sabia como dizer para a bruxa que iria embora. O que iria dizer? "Miku, irei mesmo me casar com o duque que me traiu mais de uma vez. Iremos embora e eu não posso voltar porque meus pais descobriram sobre mim. Adeus". Não tinha como dizer algo assim.

— Só espero não ter mais nenhuma surpresa hoje…

Mais uma vez, a égua relinchou, como se quisesse dizer algo à vampira. Ela suspirou cansada, e passou a seguir caminho para a casa da feiticeira. Josephine era sua conselheira, por mais estranho que fosse. Como a égua parecia querer dizer algo, ela já sabia que mais coisas dariam errado a partir de agora.

XxX

A vampira sorriu ao ver o loiro na cama a olhar com um ar sério. Ela estava atrasada. E havia feito isso propositalmente. Queria ver se ele seria paciente para esperá-la, ou havia se arriscado na luz do sol. Era bom saber que ele não iria ser burro o suficiente para fazer isso. Seu sorriso era por causa disso.

— Você é fofo dormindo — ela disse com um sorriso malicioso no rosto. — Nem parece ser o garoto que faz sexo selvagem comigo quase toda noite.

— Você também é uma gracinha dormindo. Parece um anjo — o loiro sorriu, vendo a garota sentar na cama, e pegar sua mão. — Você tem a beleza similar à um anjo, mas na verdade é um demônio…

Lenka inflou as bochechas de maneira infantil, fazendo o vampiro soltar um riso baixo. Ela parecia uma criança em certos momentos, porém, ele adorava a infantilidade de sua namorada. Ele sentou na cama, beijando-a nos lábios delicadamente, vendo-a corar um pouco.

A vampira era bem humana em certos momentos, muitas vezes agindo feito uma adolescente mimada, o que não deixava de ser, já que foi criada em meio a vários mimos. Tudo por causa de sua parte humana… Não que não gostasse de sua parte humana, ela nunca se arrependera do acordo com a bruxa. Afinal, ela havia conseguido parte de sua vida de volta.

— Como está? — ela perguntou recebendo um abraço do mais velho. — Fiquei preocupada com você. Foi difícil para convencer sua mãe que ela não precisava se meter entre o que estava acontecendo entre nós — o vampiro virou os olhos vermelhos, causando risadas da namorada. — Menti e disse para ela que iríamos dar um neto a ela.

Oliver automaticamente arregalou os olhos, recebendo um sorriso travesso da vampira. Claro que ele não confiava em tudo que era dito pela loira, porém, ela era louca o suficiente para dizer algo comprometedor assim. Sua maior esperança era de que sua mãe não houvesse acreditado em sua namorada.

— Você disse que sangue de vampiro é venenoso, mas ontem deixou que eu tomasse o seu até que quase desmaiasse — sua voz soou calma, um pouco cansada, até mesmo sonolenta. — Não foi por isso que me deu seu sangue antes?

— É venenoso a humanos. Para vampiros é delicioso… Eu mesma amo o gosto — ela sorriu. — É um substituto para sangue humano. Consegue te deixar forte por um tempo até que consiga uma vítima.

A vampira deitou por cima do seu namorado, obrigando-o a deitar-se também. Mesmo com o pouco tempo de convivência, o loiro já tinha notado que a garota era bem manhosa. Parecia um gato, e amava ficar por cima. Ela adorava ser a dominante da relação, enquanto ele detestava que a loira mandasse.

— Se não estivesse tão mal e não fosse de dia, juro que não estaríamos mais conversando — a vampira inflou as bochechas, fazendo uma cara fofa. — Faz dias que não fazemos nada…

— Não fazem nem dois dias, Lenka… — ela bufou. — Para você isso é uma eternidade… — dessa vez ele ganhou um beijo ao invés de uma cara feia. — Pervertida.

Como uma gatinha, a loira miou de maneira maliciosa, querendo concordar com o que havia sido dito pelo mais velho. Ele sorriu involuntariamente e abraçou a garota pela cintura, fazendo-a ficar deitada por cima de si completamente.

— Pensou sobre o que eu disse? — a mais nova mudou de assunto do nada. — Preciso que diga logo o que irá fazer.

— Largar tudo e fugir com você… Excelente oferta. Irrecusável — ele disse calmo, de olhos fechados. — Claro que aceito. Acha mesmo que vou ficar aqui e correr o risco de ser morto? — um sorriso surgiu no rosto da vampira. — Posso fazer uma pergunta? — a loira assentiu um pouco confusa. — Você ainda tem um caso com seu irmão?

Lenka ficou boquiaberta por um momento. Sua principal questão era ele tinha descoberto isso. Ela não havia contado para ele sobre a relação com o irmão, tentava entender o porquê de ele ter descoberto isso agora.

— Não… Tenho mais nada com ele — ela suspirou. — Não se preocupe com isso. Ele está com a Rin agora, e nós estamos juntos.

— Como posso ter certeza de que você não está me traindo? — ele cruzou os braços bufando, vendo a loira sentar em seu colo. — Pensa que confio em você?

A vampira pareceu ficar triste por um momento, mas logo voltou ao seu estado sério, meio maníaco de sempre. Calmamente, ela selou seus lábios com os do loiro, passando as unhas afiadas no peito do vampiro, deixando-o um pouco apreensivo. Ela abriu devagar a camisa do garoto, encarando-o com um olhar assustador.

— Acha que estou te traindo? — ela perguntou sussurrando próxima ao ouvido do loiro, fincando as unhas na pele do maior, fazendo com que ele gemesse por causa da dor. — Não questione minha lealdade, você não sabe o que eu já fiz por ela.

Oliver pôde ver seu sangue nos dedos de sua namorada, e logo ela lambeu os dedos com um sorriso malicioso no rosto. Quando os lábios quentes dela tocaram os seus, ele sabia que estava perdido. Mais uma vez ele havia caído nos truques da loira. Ele sentiu-a apertar sua bochecha com um sorriso travesso.

— Não teste minha paciência, já tenho pouca, não queira me ver sem — a voz da loira saiu baixa. — O bom de ser um vampiro é que o que fez com você já sumiu. Que pena. Adoraria deixar um marcas pelo seu corpo.

O vampiro riu, tirando sua camisa um pouco ensanguentada e jogando-a no chão do quarto. A loira deitou no peito desnudo do mais velho, fechando os olhos azuis devagar, enquanto tinha seus cabelos acariciados por seu namorado. Oliver achava que Lenka era bipolar, uma hora o amava e na outra o detestava, porém, isso o deixava cada vez mais louco por ela.

— Preciso dormir um pouco. Passei a noite vigiando você — ela disse calma, passando as unhas levemente pela pele do loiro. — Só dormi por cinco minutos nas últimas vinte e quatro horas.

— Durma um pouco, princesa. Por me aturar, você merece isso — ele sorriu, observando o pequeno corpo quase desacordado da vampira em seu colo.

— Pode cantar para mim…?

O loiro não conseguiu controlar a risada. Ele esperava de tudo vindo de sua namorada, mas aquilo era demais até mesmo para ela, porém, ele não teve como não deixar de assentir ao pedido da garota, e logo passou a cantar a primeira coisa que viera em sua cabeça.

Foi possível ouvir uma risada baixa vinda de Lenka, mas não demorou para que ela se entregasse ao sono, dormindo ali mesmo. Ela parecia uma criança por causa de toda a serenidade que emanava. Pelo menos, nesses momentos ela ficava calada.

— Iremos passar toda a eternidade juntos — ele disse suspirando ao notar que a mais nova já tinha dormido. — Só espero que nada aconteça até irmos embora.

XxX

— Não é tão ruim assim — a loira falou apoiando-se no braço do sofá. — Pelo menos você irá casar — ela pensou bem antes de continuar a falar. — Do jeito que a minha vida anda, posso dizer que você tem sorte.

— É fácil para você falar, Rin — a vampira bufou. — O único problema da sua vida é o seu caso com um vampiro.

— Se soubesse pelo o que eu já passei hoje, não estaria falando isso.

As duas garotas estavam discutindo há algum tempo, desde que a mais velha havia chegado na casa da bruxa. Luka já tinha falado sobre o que acontecera há um tempo atrás, o que só causou risadas da mais nova. Ela já sabia que iria acontecer, era uma questão de tempo, mas em nenhum momento ela achou que sua amiga sempre tão comportada poderia fazer algo assim.

A feiticeira estava encolhida no colo da mais velha, fungando algumas vezes enquanto deixava as lágrimas correrem sem parar. Agora, suas lágrimas eram silenciosas, não existia mais som algum. Parecia que a única que não iria chorar naquela tarde seria a loira.

— Miku, fica calma, por favor! — a vampira tentou novamente consolar a garota de cabelos verdes. — Chorar agora… Depois de tanto tempo… Deveríamos ter te contado.

— Era melhor que eu nem soubesse — a voz da pequena garota soou bem baixa, quase inaudível. — Quando eu pedi para que ela morresse não estava falando sério…

— Ei, sua avó te amava — a mais velha disse sorrindo. — Ela me disse isso antes de morrer. Por favor, dá um sorriso — ela percebeu que teria que apelar um pouco. — Miku, sorria… — ela riu baixo, fazendo a loira sorrir. — Já que não quer facilitar…

Sem aviso prévio, Luka passou a fazer cócegas na barriga da bruxa, fazendo-a rir alto e tentar chutar a vampira enquanto ria ou chorava, não dava para dizer o que ela fazia. A mais nova de todas mantinha um sorriso no rosto. Mesmo não estando de bom humor, ela parecia estar feliz vendo as duas "brincando".

— Pare, Luka! Não vê que ela não sabe se ri ou chora mais? — ela não conseguiu controlar a risada. — Vai acabar matando-a de tanto rir.

A mais velha não deixou de sorrir, soltando a garota deitada em seu colo com delicadeza. A bruxa só parou de rir após alguns minutos se debatendo enquanto a sensação das cócegas não passava. Ela secou o rosto um pouco molhado e soltou uma risadinha baixa.

— Luka — a bruxa chamou baixo. — Você não acha que está muito feliz para o que está acontecendo? — a vampira a olhou um pouco confusa. — Você vai ter que sair de casa, não vai poder voltar mais, senão vai ser morta… Isso significa que não vamos mais poder nos ver…?

Vendo que a conversa iria ficar bem pessoal, Rin saiu da sala, indo em direção ao quarto da sua melhor amiga, já que era o cômodo mais afastado da parte da frente da casa. Percebendo que a loira tinha sumido, Luka suspirou antes de falar alguma coisa. Ela precisava ser cuidadosa. O emocional de Miku já estava abalado, ela não queria piorar nada.

A vampira ergueu rosto da mais nova com os dedos, fazendo-as se encararem profundamente. Ainda existia poucos vestígios de lágrimas no rosto da bruxa. Seus olhos estavam inchados, avermelhados, no mesmo tom de suas bochechas. A mais velha sorria, porém mantinha um olhar sério. Não demorou para que as duas ficassem próximas, e logo seus lábios se tocaram.

A mais nova fechou os olhos, não querendo olhar para os olhos vermelhos sem vida da vampira. Ela não queria ter que fitar a maior, mesmo estando tão próxima a ela. Luka separou-se da bruxa, deixando-as ligadas por um filete fino de saliva.

— Eu nunca vou te abandonar, Miku. Nunca — ela falou séria. — Não importa o que aconteça, ou quanto queiram nos separar, ou quanto temos que nos separar. Sempre irei voltar para te ver.

— Eu não posso ir com você? — a bruxa perguntou cabisbaixa.

— Alguém precisa vigiar a Rin. Não sei o que ela vai ser capaz de fazer se nós duas formos embora — a mais velha suspirou. — Se já está difícil controlá-la agora, imagine depois que eu for? Vai ser impossível. Preciso que fique.

— Mas… E o Oliver? — a garota disse confusa.

— Ele é um vampiro agora. Está namorando com aquela vampira idiota.

A bruxa ficou meio estatística. Conhecia Oliver desde criança, jamais pensaria que seu amigo de infância pudesse namorar com uma vampira, muito menos tornando-se um. Na verdade, ela nunca o imaginou com ninguém a não ser Rin. Já que o loiro tinha uma paixão ardente por sua melhor amiga, era difícil imaginá-lo com outra garota.

— Como descobriu? — Miku perguntou curiosa, vendo a vampira revirar os olhos. — Não foi de uma maneira boa, não?

— Não foi mesmo… — a mais velha bufou, lembrando-se da cena quase cômica.

Mesmo querendo esquecer parte do que tinha acontecido ontem à noite. Ela lembrava de estar com o duque, beijando-o de uma forma voraz, e logo sendo interrompida pela vampira loira, acompanhada de seu amante, que estava um pouco vermelho, talvez por ter que encará-la novamente após a discussão que tiveram.

Depois de uma longa conversa, cheia de provocações entre as duas vampiras, antes que pudessem se matar, seus namorados as puxaram, levando uma para cada canto. Claro que Luka sentia vontade, e ainda sente vontade de matar a loira, mas iria permanecer somente com o desejo.

— Você vai saber se virar bem, Miku — Luka sorriu. — É uma garota incrível e ainda tem poderes mágicos! — ambas riras por causa da animação da mais velha.

— Bruxas não são imortais, mas vivem bastante. Todos daqui irão morrer em breve, porém nós viveremos por muito tempo. Voltaremos a nos ver.

— Promete? — os olhos da pequena bruxa brilharam pela animação.

— Não. Não ando conseguindo manter promessas, mas se digo que vamos nos ver novamente, vamos nos ver novamente.

As duas se abraçaram com força, enquanto de longe, a loira vigiava as garotas com um sorriso no rosto. Enquanto elas estivessem bem, ela estaria feliz. Rin sempre se importou demais com os amigos, sabia que eles eram a única coisa que tinha, já que sua família praticamente inteira a detestava.

— Vocês deveriam ficar juntas — ela sorriu ao se reaproximar delas. — Luka, agora que vai sair de casa, não precisa ser mais a certinha de sempre.

Miku ficou vermelha com o que foi dito pela loira. Ela queria soltar-se dos braços da vampira, porém não conseguia já que esta a prendia com força no sofá. Luka deixou a cabeça cair para trás, encarando a mais nova que sorria. Ela voltou a apoiar-se no sofá, fitando as duas ex-amantes.

— O inverno está chegando, não? — a bruxa disse olhando a janela. — Esse sol significa que vai nevar em breve.

— Pelo menos irá parar de chover — Luka falou bocejando, tirando Miku de seu colo e levantando do sofá. — Já estou indo. Preciso fazer algumas coisas antes de voltar para a casa do duque.

— O que pretende fazer? — a loira perguntou curiosa. — Parece que irá aprontar alguma coisa.

— Só irei fazer algo que deveria ter feito há muito tempo…

Rin foi a que mais se assustou com o sorriso da vampira. Ela já sabia o que isso significava. Já tinha visto aquele sorriso uma vez, e isso não era algo bom. Miku parecia não entender a expressão de desespero da mais nova, mas a encarava com um sorriso. A loira só sabia de uma coisa…
Quando anoitecesse ela não iria sair de casa.

XxX

O vampiro levou a mão aos cabelos dourados, suspirando enquanto fechava os botões da camisa. Após um longo banho, ele estava mais calmo do que antes. Por causa da briga com a bruxa, suas roupas acabaram se sujando de sangue.

Obviamente, ele não se importou com o fato, já sabia que aquilo iria acontecer. Afinal, quando fora a casa da bruxa já estava sem paciência, não demorou para que ela o irritasse ao ponto de fazer algo drástico.

Ele decapitou a bruxa sem dó nem piedade, somente para se divertir. Mesmo tendo certeza de que a bruxa não morreria mesmo por estar sem a cabeça. Como odiava os malditos feitiços de Tei. Com o passar dos anos, Len já tinha feito de tudo com a bruxa. Queimar, decapitar, esquartejar, afogar, arrancar o coração… E a bruxa não morria. Nunca.

Em muitos momentos o vampiro pegou-se pensando em Rin. No quarto, ele podia sentir o cheiro viciante da loira, talvez porque suas roupas estivessem ali, no chão, do mesmo jeito que ela havia deixado. Por isso, ele pensava sobre o porquê de ter ido falar com a bruxa e ter deixado a loira dormindo sozinha.

O loiro deitou na cama escondendo a cabeça com um travesseiro. Ele conseguia ouvir uma aproximação, mas não conseguia sentir cheiro de sangue. Poderia ser tanto sua irmã quanto Tei. Qualquer que fosse, ele iria por contra a parede.

Sem fazer muito barulho, ele parou próximo à porta da casa, abrindo-a, ficando boquiaberto em seguida. A garota sorriu de maneira amigável, empurrando o vampiro para o lado e entrando na casa. Ela virou o olhar para o vampiro, fitando-o com as mãos na cintura. Ele não sabia o porquê de ela estar ali, porém, sabia que tinha algo a ver com Rin.

— Até que esse lugar é arrumadinho — ela falou baixo. — Imaginei que era um caos.

— Ah… Claro… — o loiro disse um pouco confuso. — O que você está fazendo aqui?

— Você é lerdo mesmo ou só precisa fazer isso para viver? — o vampiro riu de nervosismo, ajudando a garota a retirar a capa, enquanto a abraçava por trás. — Pode me soltar…?

Len riu baixo contra o ouvido da vampira. Ele passou os braços ao redor da cintura da garota, beijando-lhe no pescoço. Por mais que tivesse vontade, a mais velha não conseguia se soltar do vampiro. Ele exercia um poder estranho sobre ela.

— Já disse para me soltar — ela murmurou, tentando não ceder ao desejo pelo vampiro. — Estou falando sério.

— Por quê? Ninguém está aqui. Podemos fazer o que quisermos, Luka…

Os dois tinham a mesma altura, por isso, era bem mais fácil para o vampiro usar seus métodos de sedução. Ele passava a mão pelo corpo da vampira, apertando seus seios, fazendo-a jogar a cabeça no ombro loiro, gemendo alto.

— Vai dizer que não quer…? — ele perguntou baixo, ouvindo uma risada maliciosa da garota. — Por que não me mostra seu lado pervertido?

— Por que ele não existe — Luka falou alto, assustando o vampiro. — Escute bem o que eu vou te dizer, loirinho — ela colocou-o contra a parede, sem ter como escapar. — Estou de mau humor, sem paciência alguma, já passei por muita coisa hoje, e não quero aturar as suas brincadeiras! — a cada frase, Len se encolhia mais. — Agora você vai calar a boca e só falar quando eu disser que pode, entendeu? — ele assentiu devagar. — Ótimo, achei que você estivesse querendo ver o sol hoje.

Por um pouco de receio, o vampiro sentou-se em uma cadeira, deixando o espaço maior para que a garota se sentasse. Ambos pares de olhos azuis se encararam, porém de maneiras diferentes. Len estava irritado por ter que obedecer ordens. Ele odiava receber ordens, mas naquela situação não existiam outras opções. Luka mantinha um sorriso sádico no rosto, provocante aos olhos do loiro, porém, ele iria manter-se quieto, por medo do que a vampira poderia fazer.

— Sabe porque estou aqui? — a garota perguntou recebendo um balançar de cabeça como resposta. — Burro. Do jeito que imaginei — o loiro pensou em retrucar, mas acabou não fazendo. — Preciso contar a você algumas coisas sobre a Rin… — ela sorriu involuntariamente. — Existem coisas que você não sabe sobre sua princesa.

O vampiro notou um certo tom de raiva na voz da mais velha. Ela não parecia estar muito feliz em falar da loira, o que deixou Len um pouco desesperado. Do jeito que a vampira falava, parecia que iria soltar uma bomba há qualquer momento.

— Diga, como você definiria a Rin? — ela perguntou com um certo charme. — Uma palavra, e não falo em aparência.

— Teimosa — ele disse baixo. — Muito teimosa.

— Tem alguma coisa para beber antes que eu comesse a falar sem parar? — sua voz saiu baixa, sexy, bem provocante.

— Tenho vinho, sangue… O que você quiser… — o loiro falou no mesmo tom que foi usado pela mais velha, aproximando-se dela, que estava deitada no sofá. — O que você irá querer?

Aproveitando a aproximação dos dois, Luka chegou o rosto próximo ao de Len, sussurrando algo parecido como "Me surpreenda", fazendo-o sorrir de maneira pervertida, um pouco perversa. Ele deixou-a sozinha na sala, indo para a cozinha, para satisfazer os desejos da vampira.

Ela ficou observando o mais novo voltar com duas taças de vidro em uma das mãos, e na outra uma garrafa de vinho, parecendo ser bem antigo. Um sorriso brotou em seu rosto. Mesmo achando o vampiro um tonto, era impossível negar que ele tinha classe.

— Podemos continuar agora? — ele falou, deixando o líquido arroxeado na taça da garota.

— Ah, sim… Pelo menos ela não está tentando se fazer de boazinha com você… — a vampira sorriu, bebendo um pouco de seu vinho. — Sabe, a Rin era filha de lordes europeus, ela mesma é inglesa, veio para cá quando criança — deu mais um gole. — Essa teimosia que ela tem é por ter sido criada feito uma princesa, tinha tudo o que queria quando queria… Era insuportável. Quando a conheci, eu mesma não conseguia suportá-la...

— Você falou que ela era filha de lordes…? — o loiro perguntou confuso.

— Sim. Eles estão mortos — ela falou sem parecer dar muita importância. — Ou devo dizer que ela os matou? Pelo menos ela diz que matou… — suas unhas bateram na madeira do sofá com força. — Ela não contou isso para você?

— Eu não falo sobre meu passado, ela também não fala sobre o dela —ele falou surpreso. — Estamos falando da mesma garota? Essa não parece ser a Rin.

— Sim, mas com o tempo ela teve que mudar… Ela foi obrigada a mudar… — um pequeno sorriso surgiu no rosto da vampira. — Ela teve que aprender que o mundo não era um conto de fadas, e que ela não era uma princesa. Coitada… Ficou com o coração quebrado… Não me admira que tenha tentado se matar…

— Falando assim, parece que você a odeia — ele disse um pouco nervoso. Ele estava começando a achar a vampira assustadora.

— Somos amigas, porém ela é uma das pessoas mais irritantes que conheço. Eu estou fugindo do meu objetivo… Não vim aqui para ficar de papo.

— Sobre o que quer falar? — Len deu uma bebericada leve em sua bebida, mantendo um sorriso no rosto.

— Preciso que cuide da Rin…

O loiro quase engasgou com seu vinho. Ele sabia que Luka não confiava nele, e se estava pedindo isso era porque algo estava errado. A mais velha não pareceu estar se importando com aquilo, na verdade, ela se divertia com o pânico do vampiro.

— Não estou feliz com isso, mas você é o único que pode vigiar aquela maluca — a vampira suspirou, dando-se por vencida. — Irei embora, preciso que você fique com ela.

— Por que vai embora? — o loiro perguntou curioso. — O que aconteceu para tomar essa decisão tão de repente?

— Irei me casar… Não preciso mais ficar aqui — ela respondeu séria. — Não que eu pretendesse ficar por muito mais tempo, não preciso me arriscar tanto.

O vampiro deixou um sorriso escapar em seu rosto. Ele sabia que estava ouvindo mentiras, pôde sentir o nervosismo na voz da mais velha, porém, acabou ficando calado sobre isso, somente assentiu ao que foi dito pela garota.

— Já que irá embora, quer que eu fique de babá? — a vampira revirou os olhos, sem paciência para ouvir a voz do loiro. — O que eu ganho com isso?

— Você no momento não ganha um soco na cara — ela sorriu, vendo o mais novo fazer o que tinha feito há segundos. — Serei séria agora… A Rin ama você, e eu vejo em seus olhos que você sente algo forte por ela. E não negue.

— Eu não nego nada. Acho que ela é bonita, mas não estou tão desesperado para namorar uma humana.

Uma risada fria saiu dos lábios de Luka, ela deu mais um gole em sua bebida, mandando um olhar gélido para o vampiro. Ela sorriu, passando os dedos gélidos no rosto do loiro devagar. Seu corpo ficou perto do mais novo, fazendo-o olhar em seus olhos.

— Vi o estrago que fez nela, se quisesse somente usá-la já teria a matado há muito tempo. Estou certa? — perguntou sorrindo, fazendo o loiro bufar. — Estou. Diga, você gosta dela?

— Gosto, claro que gosto, mas não a amo — ele suspirou. — Irei fazer o que está me pedindo, mas se a Rin se tornar uma princesa mimada, não hesitarei em matá-la. Não preciso de mais uma princesinha para aturar.

— Você teria que irritá-la muito para conseguir fazer o lado negro dela, e acho melhor que não tente fazer isso — a voz da garota saiu baixa, um pouco cansada.

— Falo sério. Ela é insuportável quando quer.

— Não duvido. Do jeito que é teimosa… — ambos riram baixo. — Era tudo o que queria dizer?

— Ah, quero que você dê isso a ela — a vampira tirou de seu pescoço um colar fino, com um pingente um pouco avermelhado. — Quero que faça com que ela pense que isso é um presente seu e não meu.

Len pegou o colar com um pouco de receio, vendo o quanto era bonito. Ao balançar, ele conseguiu perceber que tinha algo líquido ali dentro, mas demorou para que percebesse o que era aquilo, e demorou mais ainda para entender as intenções de Luka. Além de virar "babá" da loira, agora ele teria de vigiá-la ainda mais. Caso Tei, ou mesmo Lenka descobrissem que Rin estava com algo assim, ela teria mais problemas do que já tem.

— Você não vai poder estar sempre com ela… Essa é a garantia de que nada vai acontecer — ela falou séria. — Ela não vai demorar para descobrir o que é isso…

— E só vai usar quando for necessário… — ele completou a frase baixo.

— Ainda bem que você sabe disso…

Luka deixou a taça apoiada no sofá, ajeitando sua capa negra, que o vampiro não havia conseguido tirá-la, por sorte. Ela ficou em pé e lançou um último olhar para o loiro, em seguida, sumindo na frente dos olhos claro de Len. Ao ver que estava sozinho, ele suspirou, fitando o colar em suas mãos. Seria um lindo presente para Rin. Com certeza ele daria aquilo para a loira para a loira na próxima vez que a visse. Ele faria muitas coisa quando a visse novamente.

Notas finais
E esse foi o último capítulo com a presença da rainha Luka, porém, ela não deixou de divar até o último momento. Mikuzinha vai sentir falta da rainha :( Nesse capítulo é possível tirar algumas lições... Luka é a mais diva do mundo Oliver é ciumento Lenka é infantil quando está com sono Luka é a única que consegue fazer o Len virar um bichinho assustado ~~ Momento merchandising~ Leiam a nova fic da tia Neko~ http://fanfiction.com.br/historia/623930/Dark_Fate/ ~~