Sadistic Vampire
28 Cold
Notas iniciais
O inverno castigava a aldeia desde que começara. A neve caía com força, fazendo a paisagem tornar-se branca, que quase sempre era manchada de vermelho por causa dos assassinatos que ocorriam quase todos os dias. Se antes os moradores já estavam com medo de sair de casa à noite, agora nem de dia saiam mais. O lugar que antes era fantasma estava pior agora.
Os vampiros haviam parado de matar, estavam concentrados em outras coisas, e também um pouco preocupados com o comportamento da bruxa. Ela estava matando dentro das casas, como tentara fazer com a loira há alguns dias atrás.
Conforme os dias foram passando-se, Miku acabou afastando-se de tudo e todos, parando até mesmo de falar com sua melhor amiga. Ela não tinha mais motivos para falar com ninguém. Quem a mantinha na "terra" era Luka, porém, após despedir-se da vampira, um vazio enorme formou-se em sua vida.
Lenka havia conseguido conseguido controlar os ciúmes de Oliver, não era difícil, ela só fazia o que sempre fizera para conseguir manter o irmão na linha. Os dois estavam sempre falando dos planos para irem embora, principalmente sobre a vontade da loira em voltar para a Europa, já que ela estava cansada do Japão.
Len sempre estava próximo de Rin, procurando não ser visto por ela enquanto tentava controlar os avanços de Tei. Ele não queria admitir o quanto era difícil controlar a bruxa sem sua irmã por perto. O que mais o irritava nos relacionamentos da vampira era que em quase todos ele ficava em segundo plano.
Já Rin estava se acostumando novamente a perder pessoas que gostava. Ela sabia que estava sendo observada de longe, mas sua hipótese se confirmou quando encontrou um pequeno colar por cima da rosa negra, que mesmo no inverno ainda mantinha-se perfeita como sempre.
Naquele tarde, a loira estava andava pela floresta enrolada em sua capa capa vermelha, pronta para encarar o vampiro sem temor. Os fios dourados estavam cobertos pelo capuz rubro, em seu pescoço, o pingente brilhava, já que era de prata. Seu olhar transparência uma falsa inocência, estavam um pouco nublados.
Ela conseguia ver seus passos na neve branca, sentia uma imensa vontade de jogar-se ali e ficar rolando por horas, porém não podia. Por mais que quisesse muito, aquela não era a hora de agir feito uma criança. Era hora de ser adulta. Pelo menos uma vez ela não tinha que agir como uma criança.
Rin ainda não sabia o porquê de querer ver o vampiro. Era somente uma vontade, afinal, desde o dia da festa os dois não tinham mais se visto. Embora soubesse que ele estava por perto quase sempre, ela não teve coragem para falar com ele. Ainda tinha as marcas daquela noite, principalmente no pescoço. Ele havia sido cuidadoso para fazer as marcas durarem.
A loira destacava-se na neve, principalmente por estar usando uma capa rubra. Caso não estivesse usando, já estaria junto à neve no chão. Estava muito frio, o tecido que usava era fino, não protegia-a do frio. Ainda faltava um certo tempo até que chegasse a casa de Len, porém, essa era a primeira vez que queria chegar logo lá.
Ao longe, de cima de uma árvore, o loiro assistia sua pequena dama andar por entre as árvores murmurando coisas sobre o tempo. Ele não deixou de rir ao ouvi-la dizer coisas nada bonitas, que jamais imaginou que ela pudesse dizer.
Talvez fosse por não sentir frio, ou quem sabe por estar achando a temperatura negativa bastante agradável, Len não estava tremendo ou reclamando. Usava suas roupas normais com somente uma capa negra para não sujar-se com a neve. Ele nunca gostou de neve, diferente de sua irmã que amava, e deveria estar se divertindo nesses momentos.
Cada vez mais, Rin se aproximava do vampiro, mas estava tão distraída que não notava isso, falava consigo mesma sem se importar com o que acontecia ao seu redor. Quando viu uma sombra escura cair em sua frente, ela pulou para trás, assustada com o que tinha acontecido. Ao ver que era somente o vampiro, soltou um suspiro aliviado. Pelo menos agra teria companhia para andar.
— Por que você se assustou tanto? Não sabe que moro por essa área? — ele perguntou com seu típico sorriso pervertido. — Sabe, você está tão pálida que só sei que é humana por ver suas bochechas vermelhas.
A loira baixou a cabeça, tentando esconder a vermelhidão em seu rosto. Isso causou uma risada doce vinda do mais velho, que logo tratou de levantar o olhar da garota, fazendo-a ficar cada vez mais envergonhada. Ele pegou-a pela mão, puxando-a para mais perto, quase dando-lhe um abraço.
— O que faz fora de casa há essa hora e nesse frio? — ele perguntou sério. — Você está congelando...
Ele passou a mão pelo rosto da mais nova, acariciando a bochecha rosada dela devagar, com um sorriso no rosto. Em seguida, beijou-a no rosto, quase nos lábios. Rin virou-se para trás, evitando olhar diretamente nos olhos azuis que quase a hipnotizavam. Assustando-a, ele a puxou para trás, colando seus corpos.
— Eu queria te ver — ela falou baixo, um pouco envergonhada, causando uma risada baixa do vampiro. — N-não ria…
— Você é uma graça quando está corada — o loiro sorriu. — Consigo sentir o calor do seu sangue quando isso acontece.
Len não conseguiu segurar o riso quando viu o arregalar de olhos da loira. Ele queria provocá-la, o que não era difícil no momento. Ela encheu as bochechas de ar, deixando-se com uma aparência infantil e fofa aos olhos do vampiro, ele continuou mantendo-a em seus braços, e só soltou quando ela ameaçou chorar.
— Queria ver-me e aqui estou… O que você quer? — ele perguntou passando os dedos pelo cabelo dourado da mais nova. — Deve ser algo sério para que saísse de casa nesse frio.
— Só queria ver você, passar um tempo… — ela corou ao falar. — Sem brincadeiras ou joguinhos. Só um tempo para conversarmos.
O vampiro assentiu devagar, pegando uma das mãos da loira com calma e delicadeza, o que a fez arregalar os olhos, e o fez sorrir. Rin ficou estática por um momento. Len nunca havia sido doce com ela, ele estava sendo bom com ela, diferente de sempre, onde ele costumava ser bem mais sério.
A única vez que ele havia pegado em sua mão tinha sido após a primeira noite que passaram juntos, porém, ele estava sendo tão grosso que a deixou com medo dizer algo errado e acabar sofrendo com as consequências. Agora, ele estava sendo mais agradável, deixando-a envergonhada. Há muito tempo ela não era tratada assim, e isso a trazia péssimas lembranças.
Ela conseguia perceber que o vampiro não parecia estar sendo afetado pelo clima frio, na verdade, ele parecia estar mais tranquilo conforme os flocos caiam no chão. Só nesse momento ela percebeu o quão baixa era ao lado dele, e também notou o quanto ele ficava bem com o cenário nevado.
— Gosta do frio? — ela perguntou baixo, vendo o loiro sorrir.
— Um pouco. Não posso andar no sol, então o que me resta é a neve… Nunca gostei de frio, sempre preferi o calor… — ele suspirou. — Com o tempo é possível se acostumar com essas coisas.
Rin viu a expressão de tristeza dele, por isso, segurou com mais força ainda a mão do maior, passando a outra mão pelo braço forte do vampiro, apertando também. Ele baixou o olhar para encarar a loira, dando de cara com os olhos curiosos da mais nova. Ele passou os dedos pelos cabelos da garota, rindo baixo.
— Quer passar a noite na minha casa? Duvido que queira andar tudo isso para voltar, e está muito frio… Podemos esquentar as coisas…
A jovem bufou irritada. Tudo o que ela queria era um pouco de paz, um tempo para que pudesse ficar com quem gostava, porém, Len queria provocá-la ao ponto de deixá-la vermelha. Como amava ver a loira quando corava.
Ela não respondeu nada sobre o que foi dito pelo loiro, apenas assentiu com calma a pergunta feita pelo vampiro. Quando se deu conta, o loiro já a pegava no colo, mantendo o olhar sério, meio cínico que sempre tinha. Por mais que tentasse, não conseguia se soltar dos braços do vampiro, que somente ria dela.
— Você é um pouco lenta… E está gelada demais… Aproveite — ele sorriu, vendo o olhar um pouco assustado da loira. — A viagem vai ser curta, porém… Prazerosa…
Tudo o que Rin conseguia sentir era o vento frio bater em seu rosto, seus olhos estavam fechados, para que não entrasse nada. Ela sabia que vampiros eram rápidos, mas não tão assim. Nos poucos momentos que abriu os olhos, ela pode ver somente borrões que eram para ser árvores, de certa forma, ela ficou impressionada.
Os dois estavam mais próximos da aldeia do que da casa de Len, mesmo correndo muito, ainda demoraria para que chegasse lá. Como ambos usavam capas, os tecidos se embolavam com o vendo, e toda hora a loira precisava puxar seu capuz de volta, para que seu rosto não fosse atingido por neve.
Ela só notou que havia chegado na casa do vampiro quando sua visão mudou do claro para o escuro. Um pouco antes de sair de casa, Len havia deixado somente algumas velas acesas, e nenhuma janela aberta. Ele queria pegá-la em casa e levá-la até a sua, porém, acabou não precisando já que ela também queria vê-lo.
— Pode me pôr no chão? — ela perguntou um pouco nervosa. — Já chegamos.
— Você é tão leve que nem notei que ainda estava te segurando… — ele riu, pondo a mais baixa no chão com um pouco de delicadeza. — Rin, já falei o quanto você parece uma boneca? — ela virou o olhar para o mais velho, que a encarava de volta com os olhos vermelhos. — A pele clara, bochechas rosadas, corpo pequeno, mas… Agradável… Diga, gostaria de ser minha boneca eterna? Pense como ficaria linda… Poderia ser assim para sempre.
Por algum motivo, a mente de Rin pareceu entrar em colapso. Ela sabia o que ele estava insinuando, porém, isso era o que queria há alguns dias. Agora, ela não sabia mais se queria ser uma vampira. Ainda mais do jeito que ele parecia querer. Ao ouvir a palavra "boneca" alguns flashes vieram à sua mente, fazendo-a engolir seco. Quando Len tinha ficado tão parecido com ele?
— L-Len, eu não… Posso aceitar… Não agora… — ela murmurou. — Eu não vou deixar que acabe com a minha vida para depois me jogar fora… — não posso passar por isso outra vez. — Irei deixar que faça, mas não agora — soltou um suspiro. — Eu vou ser para sempre sua.
O vampiro não conseguiu se controlar ao ouvir aquelas palavras vindas de Rin. Ele atacou os lábios da loira sem cuidado algum, beijando-a de uma forma selvagem. Primeiramente, a garota tentou recuar, mas sua cintura estava sendo empurrada contra a do mais velho, sem deixá-la com uma escapatória.
Com ajuda do loiro, ela encaixou as pernas na cintura dele, contornando-a com força para que não caísse. Ele tirou o laço bem-feito da capa da loira, e jogou o tecido vermelho no chão, assim como fizera com a sua. Rin sentia as mãos abusadas do maior apertarem sua bunda, assim como sentia o toque frio dos lábios do vampiro em seu pescoço. Ainda existiam marcas em seu pescoço, e pelo visto, mais se criariam nessa noite.
Len levou a garota até o quarto, sentando-a na cama sem quebrar o contato de seus lábios com a pele um pouco gélida da loira. Ele pretendia possuí-la aquela noite, mas antes precisava ter algumas respostas. Assim como ele, ela também escondia coisas, e por isso queria saber o quão obscuro era o passado de sua amante.
— Por que parou? — ela perguntou ao perceber que o loiro não a beijava mais.
— Rin, irei fazer algumas perguntas, e você irá responder… — ele disse baixo, próximo ao ouvido da loira.
Ela suspirou baixo. Até agora, Len estava sendo bonzinho demais, e estava tratando-a muito bem para quem a tratava feito um cachorro há alguns dias atrás. Por que será que ela ainda se surpreendia com as mudanças de comportamento repentinas do loiro.
— Tudo bem, mas saia de cima de mim, por favor — o tom infantil usado pela mais nova o fez consentir sem muita demora. Logo, o vampiro ficou sentado na beirada da cama, enquanto ela estava sentada próxima aos travesseiros. — Sobre o que quer perguntar?
— Algo simples… Por que não contou que matou seus pais?
Os olhos azuis da loira se arregalaram quase instantaneamente ao ouvir aquilo vindo do mais velho. Ela nunca nem falou sobre os pais para o loiro, nem sabia como ele descobrira isso. A última vez que havia falado disso fora com seu irmão, há anos atrás. Só de pensar nisso seu coração apertava. Quase quatorze anos depois ela teria que relembrar de tudo, e ainda teria que falar com Len… Seria difícil de aguentar.
— Eu não os matei… Somente causei a morte deles… — ela suspirou, apertando a mão do vampiro que segurava a sua. — Ateei fogo em minha casa, matando todos dentro. Só eu e meu irmão conseguimos sair, por muito pouco, porém conseguimos.
Por um momento sua mente voltou aquele momento de sua infância. Por que havia pegado o isqueiro escondido de seu pai? Para que havia decidido brincar com aquilo? Se nunca tivesse inventado isso, nunca teria discutido com seu irmão ao ponto de esquecem o objeto perto de uma cortina, nunca teria ocorrido o incêndio, jamais precisaria ter saído da Inglaterra e mudado-se para o Japão, não teria conhecido seus amigos e não estaria agora com Len.
— Não me peça para lembrar disso — sua voz saiu em um tom choroso. — Por favor, não faça isso.
— Sua infância deve ter sido parecia com a minha… Em meio a luxos, mimos… Você disse que tem um irmão, mas como é a única menina deve ter sido muito bem mimada — ele falou ignorando completamente o que ela havia acabado de falar. — Diga, o que fez com que você tomasse jeito?
Rin engoliu seco. Ela queria falar sobre o que tinha acontecido, ainda mais para o vampiro. Sabia que ele era mal induzido o suficiente para deixá-la pior do que da primeira vez. Ele poderia acabar de vez com ela. Se antes Rin quase se matou, agora, poderia pedir para ser morta. Sabia que o loiro não hesitaria.
— Len… — a loira jogou a cabeça no colo do vampiro, tendo seus cabelos acariciados por ele. — Quando eu tinha dezesseis, conheci um garoto… Foi amor a primeira vista. Ele era gentil, cuidadoso, amoroso... Me tratava feito uma princesa, do jeito que eu gostava. Ele me mimava, dizia que iríamos casar, ir embora desse lugar… E eu acreditei em tudo — sua voz já estava embriagada a essa altura. — Com o tempo ele mudou. Passou a me maltratar, me bater, dizer que eu era uma puta… Até que uma hora, eu não aguentei mais — ela suspirou. — Tomei alguns remédios que me fariam dormir e entrei na banheira de casa. Eu queria morrer, não aguentava, e sabia que ele não deixaria que terminássemos. Foi o único jeito que encontrei. Por algum motivo, até hoje não me contaram o porquê, eu conseguir sobreviver a tempo de tirarem-me de lá… — a essa altura, não tinha como dizer se Rin estava falando ou chorando. — Para mim isso foi terrível. Quando ele descobriu o que eu tentei fazer, passou a me tratar feito uma escrava sexual. Passou a dizer que eu só servia para dar-lhe prazer… Tive que aprender que o mundo não era um conto de fadas à força.
Ela não conseguia mais dizer nada. Pela primeira vez, a loira conseguia sentir-se segura nos braços do vampiro. Ele a abraçava sem fazer muita pressão, para que não a machucasse. Len conseguia sentir as lágrimas da loira encharcarem sua blusa, mas parecia não se importar com isso. No momento, ele queria que ela ficasse calma, e continuasse a chorar até que ficasse tranquila.
— Acho que minha irmã já contou o que aconteceu comigo, certo? — ela assentiu devagar. — Quer que eu conte a triste história de como me tornei o que sou hoje?
A garota concordou devagar, ajeitando-se um pouco mais no colo de seu amante. Ele esperava que com o que fosse contar conseguisse pelo menos deixá-la um pouco mais calma. Iria tentar fazê-la dormir, e como ainda estava de tarde, a noite ela já estaria acordada, pronta para fazerem qualquer coisa.
— Tudo começou com uma briga entre eu e aquela bruxa maldita, logo após que eu a larguei…
O loiro segurou a garota contra a parede pelo pescoço, dificultando sua respiração. Ele não parecia estar se importando com o fato de que estava matando-a, queria que ela morresse, queria que ela sofresse por tudo que tinha feito. Ela merecia isso. Havia o levado ao limite com o que tinha aprontado.
Após tomar a decisão de que não iria mais casar-se com Tei, ele havia quebrado os planos de seus pais. Mesmo sabendo que era errado, ele ainda queria fugir com sua irmã para bem longe de todos, porém, o que pretendia acabou mudando por causa da última ação da bruxa.
A albina havia convencido Lenka a dar um passeio pela cidade, mesmo sabendo que ela não estava passando bem por causa da perca do bebê. Por muita insistência, a loira havia aceitado o passeio proposto por sua amiga, com a condição de que não demorasse muito, já que ela não podia ficar muito tempo fora de casa.
Por uma distração, as duas perderam a noção da hora, saíram de dia e quando estava anoitecendo ainda não tinham retornado. Por causa da saúde frágil, a loira começou a passar mal enquanto passeavam pelo bosque ao lado da cidade. A bruxa não pareceu importar-se com isso, já que deixou a garota desacordada no meio das árvores e não se preocupou em pedir ajuda. Len teve que descobrir sozinho o que a noiva havia feito, e quando descobriu, só não a matou por que foi impedido.
Ter que voltar para casa com sua irmã no colo sabendo que seu pai nem queria que eles se tocassem foi difícil. Quando contou o que tinha acontecido, somente sua mãe acreditou, porém, era uma opinião que não valia nada. As únicas que valiam eram as de seu pai e do pai da bruxa, que havia mentido dizendo que fora ideia da loira sair de casa. E como ninguém mais acreditava nos irmãos, nenhum dos dois poderia ir contra a albina.
Naquela mesma noite, o loiro cancelou todos os preparativos para o casamento forçado. Mesmo tendo sido alertado de que era um erro, ele prosseguiu com essa ideia, sabendo que doeria mais em sua irmã do que em si. O único problema em seu plano era Tei. Ela não iria deixar com que ele seguisse com o que queria. Por isso estavam naquela situação.
A bruxa tentava com todas as suas forças soltar-se do aperto do vampiro, buscava por ar, porém não conseguia. Ela não queria ter que machucá-lo, porém, teve que queimar seu braço para que a soltasse.
Len segurou a parte do braço que havia sido queimada pela bruxa e então lançou-lhe um olhar de raiva, e voltou a prendê-la contra a parede, dessa vez, prendendo seus braços para trás, para que não conseguisse escapar.
— Me solte, Len — ela implorou. — Por favor, você está me machucando.
— "Por favor"… Está tentando fazer-se de inocente agora?! — ele disse irritado, assustando ainda mais a bruxa. — Eu te odeio, Tei. Entenda isso logo de uma vez!
Ao ouvir aquilo, a albina passou a chorar mais do que já chorava. Ela não aceitava que ele não a amasse. Ele era obrigado a amá-la, como se não tivesse uma segunda opção. O loiro pegou-a pelo braço, jogando no chão com força. Mesmo sendo jovem, Len tinha uma força quase sobre-humana, por esse motivo ele era tão briguento.
— Eu nunca poderia amar uma garota que nem você! Você é maluca! Jamais amaria você! Tudo o que você faz consegue deixar-me com mais nojo de você! — ele gritou, vendo os olhos apavorados da garota aos seus pés. — Não sei o que fez para convencer todos que você era a boa menina da situação, mas eu tenho provas de que você é uma bruxa. Não pense que não contarei para todos.
— V-você não pode! Eles irão me queimar! — ela berrou assustada, tentando sair do chão, porém, como o mais velho estava pisando em seu pulso, ela não conseguia sair do chão. — Você não pode fazer isso!
— Não posso? — o loiro sorriu de maneira maníaca. — Veja enquanto eu faço isso e você fica no chão.
Sem aviso prévio, Len pisou com mais força ainda no pulso de Tei, quebrando-o com a pressão. A bruxa não segurou o grito de dor, e também não continha seu choro. A última coisa que viu antes de desmaiar por causa da dor foi o sorriso psicopata de seu ex-noivo.
Rin não segurou o sorriso ao imaginar a cena. Como ela estava amando a ideia de ver a bruxa sofrer. Talvez estivesse passando tempo demais com o vampiro. Normalmente, não gostava de ver pessoas sofrerem, porém, imaginar Tei sofrendo estava sendo muito prazeroso.
Há alguns minutos, a própria loira secou as lágrimas, dizendo que estava cansada de chorar por um motivo tão antigo. Agora, ela estava sentada com a cabeça apoiada no ombro do loiro, enquanto ele lia um livro enquanto contava a história. Len não poderia dizer que sua amante estava chorando, já que não havia nenhum vestígio de lágrimas no rosto da jovem.
— Então, você ameaçou contar o que ela realmente era? — ela perguntou, vendo o maior assentir. — O que deu errado?
— Subestimei o que ela poderia fazer — ele suspirou. — Deixei com que ela me enganasse…
O loiro estava frente a frente com a bruxa, sem medo de encará-la. Ela já havia restaurado seu pulso, ele não estava mais quebrado. Ela segurava uma cesta na frente do corpo, e o olhava com um olhar meio infantil. O garoto sabia que aquilo "gritava" armadilha. Não era o momento certo de confiar em Tei, já que assim como ele, ela era bem vingativa.
— O que faz aqui?! — ele perguntou estressado. — Não era para você estar aqui…
— Len, você está certo — ela falou de cabeça baixa, colocando a cesta no apoio da varanda do loiro. — Tudo o que eu faço sempre te prejudica. Isso faz com que você não possa entender o quanto eu te amo, mas, eu quero que entenda os meus verdadeiros sentimentos… Então, eu trouxe isso.
O garoto não deixou de rir. A bruxa deveria estar achando que falava com uma criança. Os dois se conheciam desde a infância. Com o passar dos anos, ele conseguiu aprender todos os truques da bruxa. Não existia nenhum truque que não conhecesse.
— Pode dar para sua irmã, aposto que ela irá gostar — ela falou sorrindo. Se tudo saísse como planejado, teria um grande show mais tarde.
— Vindo de você? Depois de tudo o que a ela? Não — o loiro disse sério.
— Não quer nem saber o que é?
Por curiosidade, Len chegou perto da cesta, tirando o pano que cobria o que estava dentro. Qual não foi sua surpresa quando viu várias maçãs dentro da cesta. Maçãs envenenadas. O único motivo para Tei estar oferecendo algo para que ele desse a Lenka, no mínimo, uma das maçãs estava envenenada.
— Não coloquei nada. Peguei em casa e trouxe para cá… — ela sorriu ao ver o loiro pegar uma das maçãs e mordê-la. — Está boa?
O garoto assentiu devagar, dando mais uma mordida na maçã. Ele estranhou o sorriso da albina, por isso, colocou a fruta de volta na madeira, encarando-a com um olhar sério. Ela permaneceu sorrindo quando foi pega pela capa pelo maior. Tei não deixava de sorrir, o que só irritava o loiro.
— O que você colocou…?! — ele perguntou quase gritando.
— Nada demais… — ela sorriu. — Nada que possa te matar.
A bruxa sentiu o aperto do loiro ficar mais fraco, e logo ele caiu ajoelhado no chão, com a mão na garganta enquanto sentia uma imensa dor. Len sentia seu corpo queimar, a garganta ardia e sua cabeça girava, e ele sentia que iria desmaiar a qualquer momento.
— Sabe, Len — a garota falou, abaixando-se para ficar próxima ao loiro. — Se você não me ama, não irá amar ninguém, não irá ser amado por ninguém. Nem mesmo sua irmã irá te amar, ela irá te detestar… Até Len. Nos veremos novamente em breve.
— Ela falou isso mesmo? — os olhos da loira brilharam em curiosidade.
— Disse… Posso continuar? — ambos riram. — Depois disso, voltei para casa sentindo a dor do veneno em meu corpo, embora eu conseguisse ficar de pé, sentia que ia passar mal…
O loiro sentou no sofá com as mãos no rosto. Ele soava muito, estava sentindo muito calor, mesmo estando no inverno, estava muito quente. Sua irmã estava no andar de cima, provavelmente dormindo, seus pais deveriam estar em casa, mas ele não sabia se estavam. No momento, até mesmo se um demônio aparecesse na sua frente, ele ficaria mais feliz do que ver seus pais.
"Aquela bruxa maldi…" antes que pudesse concluir seu pensamento, o loiro colocou uma imensa quantidade de sangue para fora, deixando cair no chão. Ele olhou para a mão parcialmente ensanguentada, e olhou para o espelho que ficava no canto da sala, normalmente só usado por sua mãe.
Sua boca estava suja com seu próprio sangue, seus olhos azuis encontravam-se em um tom escuro, quase negros se não da cor da noite. Mais uma vez, Len vomitou muito sangue, tossindo enquanto sentia o líquido pingar em sua boca. Ele sabia que aquilo era obra de Tei, mas ainda não havia conseguido entender o que ela havia feito.
— L-Len… — ele sentiu o toque preocupado de sua mãe em suas costas. Logo, a mulher sentou-se ao seu lado, bastante assustada. — O que houve?
Antes que pudesse dizer alguma coisa, o loiro voltou a vomitar sangue, sujando parte da saia de sua mãe. Lily Kagamine arregalou seus olhos ao ver seu filho tão mal. Ele nunca ficava doente, diferente de Lenka, que vivia enferma. Ela passou as mãos pelo cabelo do filho, tentando pensar sobre o que iria fazer.
— Eu vou chamar seu pai. Ele irá saber o que fazer — antes que pudesse levantar completamente, a mulher foi puxada pelo jovem de volta ao lugar onde estava sentada.
— Não o chame. Sabe o que vai acontecer — ele murmurou com uma certa dificuldade, cuspindo mais uma vez o líquido vermelho.
Lily pensava em algo para fazer com seu filho. Ela poderia chamar Haku e Dell para ajudá-la, porém sabia que o loiro não gostaria disso. Ela só conseguiu passar a mão no cabelo de Len, enquanto o assistia vomitar quase todo o momento.
— Irei chamá-lo, não posso deixá-lo assim meu filho — ela falou, correndo em direção ao andar de cima, pronta para chamar seu marido.
Por mais que não quisesse nem olhar no rosto de seu pai, sabia que sua mãe estava certa. Dessa vez, ele precisaria da ajuda de seu pai, mesmo sabendo que não ganharia muita ajuda vinda dele. Caso saísse vivo dessa artimanha da bruxa, iria atrás dela sem nem pensar antes.
Ele sentia a garganta arder, e o cheiro de seu sangue no chão estava o enlouquecendo. Por algum motivo estranho, ele sentiu vontade de lamber o sangue em sua mão, e por uma vontade maior, ele fez.
— Len! — antes que pudesse terminar de saborear o gosto, a voz grave de seu pai soou alta, fazendo-o pular de susto. — O que pensa que está fazendo?
O loiro foi arrancado com força do sofá, sendo segurado pela gola da camisa pelo homem mais velho, enquanto Lily assistia a aquilo um pouco assustada, porém sem poder se intrometer. Os dois não tinham um relacionamento bom, após o conde descobrir do caso entre seus filhos, o ódio por seu primogênito só aumentou. O mais novo também não gostava de seu pai, na verdade, o detestava.
— Acha que fazendo uma cena dessas irá escapar da sua punição?! — o loiro sentiu um soco no estômago, o que o fez vomitar mais sangue — Vamos ver o quanto irá vomitar até que morra.
A mulher entrou entre seu marido e filho, conseguindo pelo menos fazer com que o homem soltasse o jovem, deixando-o cair no chão. O conde tentava não fazer muito barulho, para não acordar sua filha mais nova, que dormia no quarto de cima, porém, ele não podia admitir que sua esposa o encarasse de frente.
— Leon, por favor, você está fora de si! Nosso filho precisa de ajuda — ela falou um pouco acuada. — Pense em nossa menininha. Ela está muito mal, fazer algo a ele só irá fazê-la.
— Estou fazendo o certo deixando-os afastados! Não se meta nisso! — ele empurrou a esposa para o chão, fazendo-a cair sentada. — Irei mandar esse garoto para o meio do mar, mandar alguém o matar e dizer que o barco afundou. Finalmente levaremos a vida que queremos.
— "Que queremos"? Quero meus dois filhos juntos e uma família unida! Pense no que está fazendo! — a mulher berrou apavorada.
— Cale a boca, caso contrário será a próxima a ir embora daqui.
Nessa hora a mente de Len pareceu voltar a funcionar. Ele ficou no máximo, poucos segundos desacordado, mas isso foi suficiente para mudar algo dentro de si. O loiro sempre fora muito protetor com sua mãe e sua irmã, já havia perdido as contas de quantas vezes já tinha defendido a mãe de avanços de seu pai.
Ele levantou com um pouco de dificuldade, e com muita dor, logo chamando a atenção do conde. Rapidamente, ele devolveu o soco dado pelo homem, com muito mais força, fazendo-o tossir sangue. Ao sentir o cheiro do sangue, e ver o líquido escorrer pela boca de seu pai, ele surtou.
Sem agir por si mesmo, o loiro levou o rosto até a jugular do homem, arrancando-a com os dentes sem dificuldades. Ele deliciava-se com o sabor do sangue, não estava se importando com o fato de estar matando seu pai, Len queria mais. Muito mais.
Lily assistia seu filho matar seu marido completamente apavorada. Ela ficou ainda mais apavorada quando viu o jovem sorrir. Ela pôde ver os enormes caninos do loiro, que provavelmente haviam sido usadas para rasgar o pescoço do conde.
Ele respirava um pouco ofegante, mas mantinha-se sorrindo. Ele passou os dedos pelos lábios, sentindo o gosto metálico do sangue. Como havia gostado do gosto. Queria mais. Queria matar mais para poder ter mais.
— L-Len… — a mulher murmurou um pouco assustada. — Por quê? Por quê…?
— Mamãe… — ele sussurrou, encarando a mulher sentada no canto. — Eu sinto muito.
Avançando rapidamente, o loiro cravou as presas no pescoço de sua mãe, retirando o sangue dela com rapidez, para não fazê-la sofrer por muito tempo. Len pretendia continuar tirando a vida de Lily, mas parou ao ouvir passos se aproximarem devagar. Ele olhou para a escada, arregalando os olhos avermelhados ao ver sua irmã ali parada encarando-o em estado de choque.
Lenka encarou a cena completamente em pânico. Ela conseguia ver o corpo caído e parcialmente despedaçado de seu pai em um canto da sala, e via sua mãe ainda viva nos braços de seu irmão, enquanto era encarada por ele. A loira não conseguia dizer nada, não sabia o que fazer. Ela havia sido acordada por gritos de seu pai, o que era estranho já que ele não era de gritar. Ela ouviu tudo o que aconteceu em seguida, mas só tomou coragem para ver o que era todo esse barulho.
— Len… — ela murmurou, segurando a vontade de chorar.
— L-Lenka… — o loiro falou assustado. — E-eu…
Ela não controlou o choro, deixou as lágrimas saírem, correndo para fora de casa, esperando não ser seguida por seu irmão. Não que ele tivesse coragem de persegui-la. Até agora, o loiro nem havia entendido o porquê de ter feito isso. Ele havia acabado de matar os próprios pais, e sentia-se bem com isso.
— O que eu fiz…?
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