Notas iniciais
Posso até demorar para trazer os capítulos, mas quando demoro demais o capítulo sai gigante. Esse é aquele tipo de capítulo que fica maior do que você imagina. Hellow my cats~ Eu demoro mais apareço *---* Vou adiantar o próximo capítulo para não dificultar a minha vida. Mais uma coisa, eu não estou de férias. Minhas férias só começam dia 18, e vai acabar logo depois. Se eu já tivesse de férias o capítulo teria saído a muito tempo... Fiquem com o capítulo bem longo :)

Ao sentir o toque frio do vampiro em sua bochecha, a loira corou envergonhada, causando uma risada leve do loiro. Ela detestava demonstrar afeto em público, principalmente quando estava na frente de pessoas que não confiava. A garota conseguiu ouvir o loiro sussurrar um "Fique calma, só aguente mais um pouco", a verdade era que não existia nenhuma pessoa mais envergonhada do que Lenka.

A vampira tentava não surtar por causa da enorme sede que sentia. Sabendo que o namorado ainda não tinha muito auto-controle, quando saiam para matar, ela acabava deixando com que ele se alimentasse mais, para evitar problemas, e por isso, mal comia nos últimos dias. Por sorte, após a "reunião" de família forçada, Oliver havia prometido levá-la a cidade, para que pudesse comer sem problemas.

— Namoramos há algum tempo, e como não moro por aqui achamos melhor deixar em segredo — ela sorriu de maneira infantil ao responder a pergunta, mentindo descaradamente. — Pretendia conhecê-los só no dia da festa, porém, por um acaso, acabei conhecendo a Ann um pouco antes.

O loiro surpreendeu-se ao ouvir sua garotar falar com tanta confiança. Ela parecia estar convencendo seus pais, mas até agora seu tio ainda não havia demonstrado reações com o que era dito. O homem não andava confiando em ninguém de fora da aldeia, e estava achando estranho o fato de seu sobrinho estar namorando no meio de uma invasão vampira.

— Quantos anos falou que tem? Acabei não prestando atenção… — ele perguntou bebericando seu chá.

— Acabei de fazer dezenove — a loira falou tentando parecer que não estava mentindo.

— Fico feliz em saber que meu sobrinho conseguiu uma garota tão bonita que nem você. Pelo menos ele não corre mais atrás daquela loira — o homem disse sério. — Acho que são novos demais para morarem juntos, mas você parece ser responsável o suficiente para conseguir lidar com algo tão grande assim.

— Gumiya, pare de assustar as crianças — a mulher repreendeu, vendo o cunhado virar os olhos. — Vocês falavam em ir embora… Podem continuar agora.

— Como a Lenka tentava dizer antes de ser interrompida por perguntas idiotas — o vampiro sorriu, ganhando um olhar de raiva de seu tio. — Aqui não é o melhor lugar para ficar no momento. Com tantas mortes acontecendo, não acho que devemos ficar aqui por mais tempo, principalmente com a saúde crítica dela.

A vampira havia falado sobre os problemas de saúde que tinha. Por causa da parte humana, hora ou outra eles voltavam, fazendo-a passar mal, chegando a desmaiar em certos momentos. Após a rápida gravidez, a loira acabou entrando em uma séria depressão, seguida pela morte de seus pais. Oliver sabia disso, e por isso, não a forçava a fazer muitas coisas.

— A senhorita tem que tipos de problemas? — o homem de cabelos verdes perguntou desconfiado, dando uma leve cotovelada nas costelas de seu irmão, fazendo-o despertar de seu estado de sono.

— Alguns distúrbios alimentares, mas nada muito sério. O Oliver está somente exagerando — ela forçou um sorriso. Queria que tudo acabasse logo, para que pudesse sair.

— Como pretende morar sozinha com um homem sendo que tem a saúde fragilizada? Acha que ele irá trabalhar para que tenha mordomias? — mais uma pergunta.

Por um momento, Oliver pôde ver os olhos de sua namorada ficarem vermelhos. Por sorte, a vampira conseguiu manter a calma, fechando os olhos e soltando um suspiro quase imperceptível. Ela abriu as orbes azuis, encarando as três pessoas a sua frente com um olhar infantil. Ter que se passar por inocente para conseguir enganar a todos não era difícil, porém, também era muito irritante.

— Meus pais tem dinheiro para pagar médicos e outros cuidados. Poderemos viver com tranquilidade sem que o Oliver precise esforça-se demais.

Era mais uma mentira. Quando seus pais morreram, seu irmão acabou desaparecendo, e por isso, ela ficou com toda a herança, e não tinha ninguém com quem dividir já que tinha apenas dezoito anos e não era casada. Mesmo tendo passado quase cem anos desde que isso havia acontecido, grande parte do dinheiro ainda não havia sido utilizada.

— Não se exalte, mantenha a descrição — o vampiro sussurrou de cabeça baixa para que ninguém percebesse. — Ele está desconfiando.

— Por favor, Gumiya, não estresse a minha futura nora — Ann falou séria. — Oliver, Lenka, já podem ir. Só chamei-os para que a Lenka pudesse conhecer Al e esse estressado do Gumiya. Podem voltar a fazer o que faziam antes, só não quero escutar nada.

Os vampiros riram baixo, assentindo ao que foi dito pela mulher. Ela não sabia o que os dois faziam quando estavam sozinhos. Não era somente sexo, quando estavam juntos eles aprontavam cada vez mais com o passar do tempo… Digamos que não era só a bruxa quem andava matando.

Os dois entraram no quarto e soltaram um suspiro aliviado. A loira não conseguiria aguentar por muito tempo, e sua paciência estava por um fio. Mais alguma pergunta que pudesse incrimina-la e ela não controlaria mais seus atos. Oliver havia se acalmado por nenhuma tragédia ter acontecido.

— Acho que… Conseguimos? — ele perguntou assistindo sua namorada sentar em sua cama.

— Disse que meu auto-controle era perfeito. Embora ele tenha sido bem testado hoje — ela falou séria. — Acha que ele acreditou?

— Você é boa em fingir, mas ter resposta para tudo não ajuda muito.

Lenka quase deixou seu peso cair no chão, mas foi segurada pelo mais velho. O loiro já estava preparado para quando algo assim acontecesse, já tinha notado que ela não estava muito bem. Normalmente, a vampira era bem manhosa, quando não era, era porque não estava passando bem.

— Não se esforce muito — o vampiro sorriu, pegando a loira no colo, deitando-a na cama e sentando ao seu lado. — Acho que meus pais irão deixar. Eles pareceram ter se convencido.

— Acho que sim, mas ainda temos que decidir aonde vamos morar — ela disse sentindo as mãos do loiro em seu cabelo. — Mas isso nós decidimos depois — ela sorriu. — Sabe que quando faz isso eu acabo dormindo.

— Não tenho culpa se você é uma dorminhoca — ambos riram. — Você estava reclamando de sede, se dormir agora só irá acordar de noite. Poderemos sair.

— O que faz enquanto eu estou dormindo? — a loira perguntou fingindo estar desconfiada. — Sempre quer que eu durma…

— Gosto de ver quando dorme para imaginar que você é minha Bela Adormecida e eu sou um príncipe encantado que precisa lhe salvar — ele sorriu.

A vampira aproveitou o que foi dito pelo loiro e beijou-lhe nos lábios com delicadeza, vendo-o sorrir. Ela havia gostado da ideia de ser uma princesa, porém não queria que seu namorado fosse um príncipe encantado? Preferia que ele fosse o cavaleiro negro.

— Quando fico muito tempo sem sangue me canso mais rápido, por isso durmo tanto. Não sou uma dorminhoca.

O loiro revirou os olhos com um sorriso. Beijando a testa da loira enquanto passava a mão por sua pele fria, fazendo-a estremecer com o toque. Lenka estava cansada, mas não o suficiente para dormir. Na verdade, ela estava um pouco irritada. Não gostava de ser pressionada, principalmente por pessoas que não conhecia.

— Eu irei ver a Miku. Se quiser ficar acordada terá que ficar sozinha por um tempo… — ele falou em uma maneira de convencê-la a cair no sono. — Antes que pergunte, não vou levá-la comigo.

— Vai me deixar sozinha? Tudo bem, Oliver. Vá ver sua amiga e me deixe aqui sozinha — a loira falou sendo bem dramática.

Oliver não deixou de rir, fazendo a vampira fazer uma cara infantil, deixando-se com uma expressão inocente de criança enfezada. Ele deitou-se ao lado da garota, passando as mãos pela cintura da mais nova, beijando-lhe na nuca. Com o passar do tempo ele conseguiu notar o quão ciumenta a loira era.

— Só vou passar um tempo com a minha amiga de infância. Sei que ela está sofrendo com o que está acontecendo, só quero animá-la — o loiro falou próximo ao ouvido da garota. — Lenka, não seja tão ciumenta, você é a garota que eu amo.

A loira olhou para o mais velho, ainda não convencida do que ele havia falado, tudo o que fez foi bufar, tentando fazer um charme para o vampiro. Ele aproveitou que a garota estava virada, e retirou os fios claros da vampira da frente do pescoço dela, passando as presas levemente no pedaço de pele. Lenka era uma rainha do drama, principalmente quando o assunto era garotos.

— Awn, gracinha, não fique com ciúmes, só estou querendo visitar uma amiga. Somente amiga — ele falou tentando convencê-la a não ter uma crise de ciúmes. — Já disse que irei fugir com você. Não existe nenhuma garota que me faça desistir disso — sorriu de maneira amigável. — Você é a única pessoa que importa para mim.

A vampira arregalou os olhos por um momento, soltando-se do abraço do maior e sentando-se na cama. O mais velho não entendeu o que estava acontecendo, por isso, só ficou deitado esperando-a falar. Sua namorada o assustava as vezes. Ela pareceu entrar em choque. Era algo tão simples… Tão simples e até agora ela não havia pensado nisso.

— Oliver… — ela chamou-o baixo. — Diga, se alguém desse algo a você, que realmente importasse muito… Por quanto tempo guardaria?

— Pelo tempo que conseguisse, ainda se fosse algo vindo de alguém que eu gostasse muito — ele falou tentando entender o motivo da pergunta tão estranha.

— Você está bem?

— Estou, estou sim — a loira falou parecendo estar cansada. — Preciso ir.

Antes mesmo que Lenka conseguisse fazer alguma coisa, o vampiro puxou-a para a cama novamente, fazendo-a cair de costas no colchão. Ela não entendeu o que fez o loiro ter aquela reação, mas ela sabia que ele era tão ciumento quanto ela.

— Aonde você vai? — o loiro perguntou de maneira séria.

— Eu preciso falar com meu irmão — a garota falou sentando-se novamente na cama. — Não é para o que está pensando, só preciso conversar com ele.

Oliver não queria que a vampira visse o irmão. Ele não confiava nela, e não gostava nada do outro vampiro. Ela já havia falado que não queria mais saber dele, mas agora queria vê-lo, era impossível de aceitar que ela fosse até ele. Lenka bufou ao ver a possessividade do seu namorado. Tudo o que não queria era mais uma cópia de Len.

— Oliver, não seja ciumento — ela sorriu fraco, abraçando-o por trás. — Tenho que resolver uma coisa séria com ele — o mais velho sentiu um beijo na bochecha. — Você queria ver sua amiga, eu vou ver meu irmão. Troca justa, não?

— Tudo bem, tudo bem… — o loiro falou olhando para a vampira. — Mas eu vou levá-la até lá.

A loira fez uma cara de criança, mas acabou concordando com o que foi dito pelo maior. Não existiam motivos para desconfiar de um caso entre ela e o irmão. Fazia muito tempo que os dois não se relacionavam, não tinha um porquê para tantos ciúmes.

— Certo. Não quero que brigue com ele — a mais deu-se por vencida. — Estou falando sério.

— Não prometo nada, meu amor — ele riu alto.

A vampira mostrou a língua pelo namorado, vendo-o sorrir. Por mais que as crises de ciúmes fossem frequentes, era difícil que os dois ficassem muito tempo brigados, tanto que a loira já havia falado sobre o futuro dos dois, afirmando que ficariam em um vai e volta eterno.

— Quer ir agora? — o loiro perguntou um pouco mais calmo.

— Prefiro que sim — ela suspirou. — Oliver, não gosto que fique chateado comigo. Só preciso resolver assuntos antigos…

— Não fique nervosa — ele sorriu, passando a mão no rosto da loira. — Você é bonita. Tenho direito de ter ciúmes — sua voz saiu fraca. — Na festa, ouvi muitos falando o quão bela você é. Tive que me controlar para não arrancar-lhes a cabeça.

Lenka não deixou de sorrir, beijando o mais velho nos lábios com ternura. De uma maneira estranha, ela achava o ciúme obsessivo bem fofo. Chegava a dar risada algumas vezes. Ela passou as unhas pela nuca do namorado, arrepiando-o com o contato. Em seguida, beijou-lhe novamente, sem a doçura de antes.

Quando se deu conta, ela já estava em cima do colo do maior, tendo as coxas apertadas por ele. Suas mãos foram ao cabelo dele, puxando-o sem cuidado para si. Oliver deitou na cama, deixando o corpo da vampira ficar por cima de si. Ela sorriu durante o beijo, abrindo os primeiros botões da loiro.

— Não podemos fazer barulho — ele sussurrou. — Eles estão ouvindo atrás da porta, já que nós estávamos gritando — Vamos sair pela janela e eu vou te levar para a casa do seu irmão, certo?

— Como se eu tivesse alguma opção — ela sorriu. — Não feche a camisa, eu gosto assim — um olhar malicioso surgiu no rosto da loira, fazendo o mais velho rir.

— Como quiser, meu anjo.

O vampiro encarou os olhos azuis de sua namorada com uma certa malícia. Como ele pensava uma vez ou outra "tão angelical que nem parecer ser um ser da noite". Chamá-la de "anjo" era sua maior provocação. Ela sabia que não era um anjo, mas amava parecer-se com um. Com o passar dos anos, a aparência foi sua aliada na hora de matar.

O loiro foi o primeiro a sair pela janela que já estava aberta, dando um apoio para vampira conseguir sair. Por causa da roupa apertada, alguns movimentos eram difíceis, porém davam uma excelente visão para o vampiro.

Lenka podia sentir os flocos de neve na mão, diferente de Oliver, que estava tentando ao máximo desviar do gelado dos flocos. Ele sentiu a loira pegar em sua mão, deixando-o um pouco vermelho. Ambos não gostavam de demonstrar afeto em público, porém, não existia público.

— Ainda tem vergonha? — a voz da mais nova soou calma. — Achei que essa fase já tinha passado.

— Ainda acho estranho estarmos namorando… — ele passou a andar, sendo guiado pela loira. — É difícil crer que há poucos meses eu tinha ódio à vampiros e agora namoro com uma. Acho que aceitei com mais facilidade que eu tenha virado um do que o nosso namoro.

— Não estamos namorando… — ela disse sorrindo, fazendo o loiro paralisar. — Você nunca fez o pedido…

Oliver rosnou ao ouvir a risada da loira. A paranoia de que ela só estava o usando voltava quase sempre em sua mente. Quando haviam começado a namorar, acabou sendo por insistência da mãe do vampiro, já que ela não estava agradando-se com a ideia de serem amantes. A ideia do relacionamento sério partiu de Lenka, quando ela começava a demonstrar afeto pelo loiro.

— Eu havia esquecido de como era o inverno — a loira murmurou de cabeça baixa, mudando de assunto completamente, passando as botas no gelo com um pequeno sorriso.

— Você gosta? — o mais velho perguntou vendo a garota assentir devagar. — Combina com você.

— Está me chamando de fria? — ela riu. — Não que eu não seja, mas… Não diga isso.

— Seu toque é frio, o coração não bate mais… — ele falou abraçando a loira pela cintura. — Por que sente falta do inverno?

Lenka riu baixo, lembrando-se de partes estranhas do seu passado, tentando deixar de lado as mais sinistras. A loira sempre achou que após tornar-se uma vampira não teria nenhuma diversão, porém, ela estava errada. Talvez, a parte mais hilária de sua vida tivesse sido um encontro com a família real britânica, ao lado de Tei. Ambas haviam conseguido deixar a todos bêbados e depois fizeram-lhes de bonecos.

— Passei os últimos anos trancada em um palácio por causa do meu "marido" — disse pegando um floco de neve na mão. — Um homem bem mais velho do que eu, que só estava querendo o meu dinheiro.

— Se ele queria só o seu dinheiro, por que você estava com ele? — o loiro perguntou curioso.

— Eu estava interessada no dinheiro dele — ela riu. — Ele era um velho mal acabado, não ficamos nem seis anos juntos, e olhe que eu o envenenei para acelerar o processo. Como ele não tinha filhos, fiquei com tudo dele.

— Aonde guarda todo esse dinheiro? — mais uma pergunta. Como Lenka detestava curiosos.

— Com uma velha amiga. Fadas são seres confiáveis, e são uma graça, também não são difíceis de perseguir já que elas têm asinhas tão minúsculas.

Oliver riu ao imaginar sua namorada com uma fada. Lenka era bem irritadiça, e até aonde sabia, fadas eram seres que gostavam de pregar peças e fazer brincadeiras. Não parecia ser a melhor combinação de todas.

Eles voltaram a andar, dessa vez um pouco mais rápido para compensar o tempo que perderam ao pararem para conversar. A loira não queria que seu irmão e seu namorado ficassem juntos, principalmente quando tinha que falar algo tão sério com o irmão. Eles iriam começar a discutir, e ele não estava tão bem para separar os dois caso brigassem.

As árvores nevadas já eram capazes de camuflá-los completamente, fazendo parecer que ninguém andava naquela floresta. Em pouco tempo iria anoitecer, e a passagem da floresta ficaria bloqueada pelos homens da aldeia. Eles precisavam ser rápidos, já desconfiavam que Lenka era uma vampira, ser vista saindo da floresta a noite não seria nada bom.

— Oliver — ela chamou-o baixo.

— O que foi? — o loiro perguntou, encarando a mais nova com um olhar amigável.

— Tem algum problema se eu for sozinha? — a garota indagou baixo. — Sei que quer ir comigo, mas eu preciso resolver isso o mais rápido possível — ele manteve-se sério. — Oliver, isso vai fazer bem à nós, por favor.

O vampiro sentiu o abraço da loira em sua cintura, e acabou abraçando-a de volta. A vampira odiava pedir "por favor", por isso Oliver acabou concordando com o que foi dito pela namorada, fazendo-a dar-lhe um beijo em seu rosto. Ela sorriu, desta vez beijando-o nos lábios de maneira desajeitada por causa da afobação.

— Não vou demorar, eu prometo — ela sorriu, pegando na mão do mais velho e depois correndo para a floresta.

O loiro viu a namorada sair correndo por alguns metros, até vê-la desaparecer no branco da neve. Ele sabia que era bonzinho demais. Se fosse com Rin, ou mesmo Gumi, as duas nem teriam saído de casa, porém, Lenka conseguia colocá-lo contra a parede com muito pouco, ela exercia um efeito estranho de dominação em cima de si, e ele deixava, mesmo sabendo que não devia.

A verdade era que ele só havia a deixado ir sozinha porque não queria ter que encarar Len. O vampiro sabia que não podia encará-lo no momento, ainda mais sem saber em que lugar sua melhor amiga estava.

Sua melhor opção no momento era ir até a casa de Miku, para saber como a bruxa andava, mesmo não sendo a melhor opção do mundo, sabendo que ela não queria receber visitas. Ele não sabia como ela estava, e permanecia preocupado já que a bruxa tinha uma enorme falta de bom senso.

— Oliver…?

O vampiro olhou ao seu redor um pouco assustado. Não havia ninguém com ele, é só uma pessoa que conhecia tinha uma voz parecida com essa. "Mas isso é impossível… Eu devo estar enlouquecendo" ele pensou, voltando a fazer seu caminho, um pouco mais atento ao que poderia ouvir.

— Não me ignore, meu tempo é curto!

Ele virou-se para trás, pulando de susto ao ver quem falava consigo. Oliver não podia acreditar na visão que tinha, estava estático por causa do susto, porém, também estava feliz. Ele não conseguiu despedir-se dela antes de vê-la partir, mas agora sua amada prima estava ali, na sua frente, como se não tivesse morrido.

— Para um vampiro, você é bem burrinho — a garota falou um pouco debochada, vendo o mais velho olhá-la de olhos arregalados. — Olhe, não posso perder tempo, e tenho muitas coisas para falar com você.

— Gumi, pare, só um momento… — ele falou sério, fazendo a mais nova parar de tagarelar. — Eu vi você morta. Não é para você estar aqui. I-isso não é certo!

O vampiro sentiu o dedo indicador da garota encostar em seus lábios, querendo dizer que era para ele ficar em silêncio. A fantasma conhecia bem o primo, se ela deixasse, ele falaria por minutos e não deixaria que ela falasse. Havia sido difícil para Gumi conseguir a permissão para falar com o loiro, e ela não iria deixar que ele estragasse tudo.

— Vai me escutar? — ela perguntou, vendo-o assentir. — Muito bem. Saiba que eu ainda estou morta, isso não mudou, mas eu implorei para que o grandão deixasse que eu viesse até aqui. Tenho menos de uma hora, então fique quieto enquanto falo.

Oliver assentiu frustado por estar recebendo ordens de sua prima morta. Não que estivesse achando estranho essa conversa, não era normal, só um pouco assustador e bastante bizarro. Caso ainda fosse humano, já teria saído correndo dali o mais rápido possível.

— Achei que seria o último a tornar-se um vampiro, mas você conseguiu ser mais tonto do que a Rin — ela falou sorridente. — Mas você acabou ficando com aquela vampira antes que a Rin conseguisse se entender com o Len… Incrível.

— Mas foi você quem deixou que ele te matasse — o loiro falou fazendo a fantasma bufar de raiva. — Só estou dizendo a verdade.

— Não toque nesse assunto — a garota murmurou. — Está se adaptando a essa sua nova vida?

— Sim. Eu irei embora com a Lenka em alguns dias — ele falou encostando-se em uma árvore.

— Ah, sim… — ela sussurrou. — Você a deixou sozinha, não deixou?

— Eu pretendia falar com a Miku, e iria deixá-la ir sozinha…

O vampiro estava mais nervoso em ver a prima com as roupas que havia sido morta do que em estar conversando com ela. Gumi estava fazendo perguntas demais, e por isso, ele estava tão nervoso. Sua prima havia morrido antes do início de namoro, não tinha como ela saber sobre isso.

— Estive com a Miku hoje, e ela está muito bem, parecer ter se recuperado da perda do amor da vida dela e da avó. Eu a ajudei com as malas para que ela fosse embora.

— A Miku vai embora…? — o loiro perguntou um pouco surpreso.

— Por que ela ficaria? Não tem mais motivos — a fantasma deu de ombros. — Ah, acabei de lembrar! Vigie sua namorada.

— Como? Por que está dizendo isso? Gumi, você está me assustando agora…

Caso pudesse encostar na neve sem atravessá-la, a garota já teria uma bola bem grande no rosto do loiro para tentar fazê-lo se concentrar somente nela. Seu tempo estava se esgotando e até agora ela não havia feito nada do que precisava. A única coisa que pode fazer foi soltar um suspiro alto, preparando-se para dizer tudo o que precisava de uma única vez.

— Não me interrompa a partir de agora, por favor — ela falou séria, continuando sem nem esperar uma resposta. — Por estar morta posso ver tanto o passado quanto o futuro de todos, e por causa disso, sei de tudo o que irá acontecer nos próximos anos. Sei que você e aquela vampira vão ficar juntos por muito tempo, sei que a Miku vai ficar bem e superar tudo isso, a Luka vai ser casar com aquele duque… Mas a Rin… Eu não consigo ver o dela, e isso me preocupa. Só vejo um preto interminável. A Luka pediu para o Len que vigiasse a Rin depois que ela fosse embora. Não sei porque, mas ela parece confiar nele — ela lançou um olhar raivoso para o vampiro. — Sei que ele não quer fazer mal a ela, porém se não vejo o futuro dela, sei que é por causa dele.

Gumi ainda estava com um pé atrás com seu primo. Não era a primeira vez que o futuro da loira fica escuro. Da primeira vez, foi antes de Miku conseguir previr o que iria acontecer na festa. Por sorte, como Luka deixou a loira sozinha com o vampiro antes que ela conseguisse se encontrar com Oliver, caso contrário, a visão teria acontecido, e provavelmente Rin estaria morta.

— Sobre a sua namorada, não posso dizer que estou preocupada, afinal, não gosto dela, mas como você é meu primo, acho que devo contar a você que ela está correndo um sério — ela disse com muita calma. — Foi bom que tenha a deixado sozinha, com o irmão ela vai ficar bem, mas acho melhor que vá até lá e fique em um lugar onde não possa ser visto. Vá atrás dela e siga todos os seus passos.

— Quer que eu banque um espião louco? — ele perguntou um pouco confuso.

— Você não pode ter ficado burro depois de ter tornado-se um vampiro — a fantasma resmungou. — Acho que você conseguiu esse feito… Meu priminho está apaixonado! Ah, ah, outra coisa preciso que faça um favor para mim.

— Diga o que quer, eu faço, afinal, te devo uma — o loiro falou um pouco cabisbaixo, ganhando um soco da mais nova.

— Não deve, seu bobo. Foi um erro meu. Você não precisa se culpar — ela sorriu. — Afinal, tínhamos brigado. Eu não queria falar com você.

Oliver abaixou a cabeça, tentando esconder as bochechas coradas, mas acabou não conseguindo, já que a garota de cabelos verdes riu. Na noite antes da morte de Gumi, eles haviam tido uma grande briga. O vampiro desconfiava do comportamento da prima, e por causa disso colocou-a contra a parede para ter a resposta que queria.

Naquela noite, a garota disse que dormiria fora, com isso, ele conseguiu entrar no quarto dela, pegando seu diário e descobrindo tudo. O loiro não teve como conversar novamente com ela, no dia seguinte, acabou recebendo a notícia da morte.

— Não sei se irá aceitar o que quero agora, mas tenho certeza de que irá fazer — ela falou se balançando. — Eu quero que você mate meu pai.

O loiro não teve outra reação a não ser ficar boquiaberto. Ele ainda achava loucura estar falando com Gumi, ouvir essas palavras vindas de sua menininha não fazia muito bem para a mente já perturbada de Oliver. Gumi era a pessoa mais alegre que conhecia, ouvir algo assim vindo dela, mesmo sendo de seu fantasma.

— Por que eu faria isso? — ele perguntou um pouco receoso.

— Porque ele não se importou com a minha morte, matou a avó da Miku para que ela não falasse o que ele fazia escondido de todos e depois contou para a Miku sem dó, descobriu de algum jeito que até agora eu não sei que a Luka era uma vampira, fazendo com que ela tivesse que fugir para não ser morta! São bons motivos para você?!

O vampiro assentiu um pouco assustado. A garota não era de alterar a voz, então era muito difícil vê-la gritar com alguém. Ela pareceu acalmar-se, e se ainda estivesse viva, provavelmente estaria corada por ter ficado com raiva.

— Quando aprendeu a ser tão assustadora assim? — o loiro perguntou rindo.

— Truques pós-morte. Talvez um dia eu te ensine.

Ela teve seus cabelos verdes bagunçados pelo mais velho, que ria do que havia sido dito por ela. Se ele soubesse que provavelmente aquela seria a última vez que os dois iriam se encontrar. Era difícil para a fantasma aguentar passar do mundo dos mortos para o real, seria difícil conseguir fazer de novo sem a ajuda de alguém, e seu tempo era limitado, e estava chegando ao fim.

— Irei fazer isso — ele falou sorrindo. — Ele nunca gostou muito de mim mesmo.

— Eu iria dizer que isso é mentira, porém, eu estaria mentindo — ela sorriu um pouco vermelha. — Eu preciso ir agora. Ainda tenho que ir atrás da Luka e ela está muito longe daqui.

— Você não perde tempo, mesmo? — o loiro deu um beijo na testa da garota, fazendo-a rir. — Vamos nos ver de novo?

— Claro! — ele ganhou um soquinho fraco no braço. — Acha que vai se livrar de mim tão facilmente?

Eles riram alto, e logo o loiro puxou-a para um abraço apertado. Caso ela precisasse respirar, não estaria conseguindo agora. Oliver não queria soltá-la, queria mantê-la em seus braços pelo tempo máximo que conseguisse, mas, como não podia, ele sabia que era melhor deixá-la solta, sabia que ela voltaria.

— Até mais, Gumi — ele falou sorrindo, vendo-a retribuir o sorriso.

A mais nova acenou para o primo com um olhar amigável, e logo sumiu no ar, deixando somente o som de sua doce risada no ar. Oliver estava feliz por ter conversado com Gumi. Ele tinha que vê-la, precisava pedir desculpas a ela. Embora estivesse achando muito estranho o que estava acontecendo, ele estava feliz.

XxX

Lenka sentia vontade de vomitar por causa do que estava ouvindo. Ela achava a loira uma idiota, e ouvir tudo aquilo só estava deixando-a mais enjoada. A vampira não entendia como Tei achava as duas eram parecidas. Ela era dramática quando humana, mas não chegava a ser tão tonta quanto Rin.

Quando a loira deve certeza de que iria vomitar, ela abriu a porta da casa do irmão, tendo uma crise de risada ao ver o que estava acontecendo. O vampiro olhou irritado para a irmã, fechando sua camisa devagar enquanto a loira que estava embaixo de si fechava os olhos para tentar imaginar que aquilo tudo era somente uma imaginação e não estava acontecendo.

— Você já foi bem mais discreto, irmãozinho — ela riu baixo, ganhando um olhar reprovador do mais velho. — Precisamos conversar.

— Achei que não quisesse falar comigo — Len murmurou sem paciência.

— Não quero, mas como disse, precisamos conversar — a vampira falou um pouco séria. — Agora.

As duas loiras trocaram um olhar matador quando o vampiro suspirou dando-se por vencido. Por mais que quisesse ficar com sua amante, se sua irmã estava ali para vê-lo mesmo estando o odiando no momento, era porque algo estava errado.

Com muito cuidado, o loiro saiu de cima da mais nova, fazendo com que ela bufasse irritada. Rin queria um tempo só para ela e Len, mas era impossível. Sempre alguém aparecia e acabava com o clima dos dois. Se bem que ser pega no flagra quase transando com um vampiro no sofá era uma nova experiência que ela preferia não ter passado.

— Rin, se quiser pode ficar no quarto — ele falou tentando amenizar o clima.

— Para ficar como segunda opção enquanto você se acaba com ela? — a garota falou séria, pondo seu capuz de volta. — Obrigada, mas eu prefiro recusar.

Rin andou em direção à porta, ganhando um tchauzinho da vampira, que sorria feliz por não ter feito esforço para livrar-se da loira. Ela queria expulsá-la de qualquer forma, ela fez tudo ser bem mais fácil.

Antes que Lenka conseguisse falar o que queria, ela foi prensada contra a parede pelo irmão, sendo segurada pelo pescoço. Len odiava quando a irmã atrapalhava seu momento de sexo, normalmente, quando isso acontecia, ele a maltratava, porém, ela poderia não estar sozinha, então ele achou melhor do enforcá-la.

— O que está fazendo aqui? Espero que tenha um bom motivo — ele falou entredentes.

— Eu tenho. Será que pode me soltar? — o loiro a soltou, deixando-a livre para respirar. — Obrigadinha, bobão.

A vampira se aproximou da prateleira de livros do irmão, procurando pelos que tinham mais poeira. Seu olhar virou para um de capa de couro, antigo e bem empoeirado, mostrando que o loiro não mexia naquilo a muito tempo. Assim que ele viu o livro na mão da irmã, seu olhar ficou vermelho. Ele não estava pronto para encarar aquilo novamente.

— Lenka, não. De novo não! — o vampiro exclamou irritado, mas foi ignorado pela loira. — Está me ouvindo?! Lenka!

— Cala a boca, Len — ela falou virando os olhos.

A loira ignorava completamente o que seu irmão falava, passando as páginas do livro devagar. O livro era bem antigo, deveria ter sido escrito antes mesmo de ela ter nascido. No outro século, Len havia conseguido tirá-lo de Tei e dá-lo a outra bruxa, uma que ele estava namorando na época. Ela não conseguiu fazer muito com os irmãos já que a albina matou-a antes de algo ser feito.

— Lembra do que a Mayu falou antes de morrer? — ela perguntou finalmente achando a página que queria. — "O feitiço será quebrado quando seu bem mais precioso for quebrado" — os dois falaram ao mesmo tempo. — Ela falou algo sobre ser algo que a Tei não poderia tirar nunca, senão ela poderia ser morta…

— Esqueça, Lenka — o loiro falou sério. — Tentamos de tudo. Nada irá matá-la! Deixei-a sem a cabeça há uns dias atrás — ele suspirou. — Mas se você veio aqui é porque você tem mais uma teoria, não é?

— Não é mais uma teoria, Len! Agora eu sei mesmo o que é — o vampiro pensou em quantas vezes já havia ouvido essas frases. — Era algo tão simples que nem sei como não pensamos nisso antes.

— Você não desiste nunca, irmãzinha? — a loira negou. — Diga, qual seu grande plano mirabolante dessa vez?

— Nenhum. Só preciso ter certeza antes de agir, mas não posso fazer nada sozinha. Você é o único que pode pará-la, e sabe disso…

— Não enrole — ele disse sério.

A vampira bufou, fechando o livro e encarando o irmão em seguida. Quando Len ficava muito tempo sem sexo era insuportável, mas como já o aturava a muito tempo, estava acostumada a lidar com ele. A única coisa que fez foi passar a não no rosto dele devagar, tentando deixá-lo um pouco mais calmo. Ela sabia como controlá-lo.

— Lembra daquele medalhão que nossos pais te obrigaram a dar para ela quando ficaram noivos? — ela perguntou baixo no ouvido do irmão. — É aquilo, Len. Um bem precioso da pessoa que ela mais uma.

O loiro bufou, afastando-se da irmã devagar. Ela poderia ter razão, até onde sabia, a bruxa ainda não tinha se livrado daquele medalhão velho e acabado. Nenhum dos dois haviam imaginado aquilo antes, até porque, quando ouviam que era algo que ela não poderia tirar, já imaginaram ser algo que ficaria sempre com ela, porém, algumas vezes os dois já a tinham visto sem o colar.

— Não entendo muito de bruxaria, mas sei que está na época de fazer novamente aquele ritual louco… — a loira falou sentando ao lado do irmão. — Sugiro que transforme logo aquela loira idiota em vampira. Do jeito que a Tei é, sabe que ela não irá deixá-la escapar, sabendo que vocês estão juntos.

— Já passou dez anos? — o mais velho perguntou um pouco confuso. — Perdi a noção de tempo há anos.

— Acha que eu ainda me importo? Só sei que está na hora daquele ritual porque ela estava dizendo que iria comemorar o aniversário de cento e dez anos — ela disse um pouco estressada. — O ritual é preciso ser feito com alguém que tenha mais ou menos a idade dela. Oportunidade perfeita, não?

Len apoiou a cabeça no ombro da irmã, suspirando fundo. Já estava sendo difícil vigiar Rin e mantê-la afastada de Tei, agora sabendo disso seria mais difícil ainda. Suas outras namoradas tinham habilidades mágicas, e mesmo assim a bruxa conseguiu matá-las, mas a loira era uma humana, não sabia quanto tempo poderia aguentar lidar com isso.

— Problemas amorosos, não? — a vampira perguntou sorrindo. — Não pode ser piores do que os meus, mas sei que está em um estado crítico.

— Achei que sua vida amorosa estivesse muito bem, afinal arrumou alguém que ature sua bipolaridade… Qual o seu problema? — ele perguntou olhando fundo nos olhos da irmã mais nova.

— Ele está ficando ciumento demais. Não posso fazer nada sem que ele esteja por perto, senão preciso aturá-lo falando na minha cabeça. — ela suspirou cansada. — Parece que atraio homens possessivos.

Lenka acabou lembrando dos namorados que tivera e seu irmão não tinha matado. A vampira gostava de homens mais velhos, amava quando tinham dinheiro, como era filha de condes, muitos tentavam se aproximar dela e tirar a sua herança, porém, por ser uma vampira, era mais mortal do que uma cobra. Aparentava ser uma boa menina, mas mostrava a sua verdadeira face quando precisava.

— Também sinto ciúmes de você. Afinal, você é minha irmãzinha, mesmo sabendo que fiz muitas coisas ruins com você, continuamos sendo irmãos — ele bagunçou os fios dourados da garota devagar. — Você é linda, e bastante gostosa, chama a atenção de qualquer um. Acha mesmo que estou feliz sabendo que tem alguém abusando da minha garotinha? Sinto vontade de matá-lo, mas não faço isso por ser seu namorado e por ser o melhor amigo da Rin.

— Fique sabendo que, como sou sua irmã mais nova, devo opinar sobre suas relações amorosas. Mesmo que eu deteste a Rin, ela está trazendo meu irmão de volta. Len, fico feliz em saber que está voltando a ser quem era — ela sorriu.

— Todos tem seu lado humano, só que alguns demoram um pouco mais para mostrar…

Len puxou a irmã pela cintura, abraçando-a com uma certa força. Como ele era um pouco mais forte do que a loira, tinha facilidade em mantê-la presa, mas ela retribuía o abraço do mesmo jeito que ele. Lenka escondeu a cabeça no pescoço do irmão, aspirando o cheiro de sangue. Queriam enlouquecê-la, só podia ser isso.

— Acho que vou surtar — a vampira bufou irritada. — Preciso comer alguma coisa.

— Caso queira, estamos no meio de uma floresta cheia de animais. Divirta-se — ele sorriu, ganhando um soco da mais nova. — Continua não gostando? — ela assentiu devagar. — Fresca.

— Não vejo motivos para matar animais, só não vejo motivos para matar animais — a loira bufou novamente. — Preciso ir.

— Mas já? — o mais velho perguntou surpreso. — Aonde vai?

A loira cruzou os braços, olhando para o mais velho de um jeito frio. Ele entendeu o que ela queria dizer, então acabou rindo. Lenka deixou escapar um sorriso ao ver o irmão rir, mas não demorou para voltar com a expressão séria. Ele iria querer matá-la quando descobrisse o que ela pretendia fazer.

— Não pense que não estou com raiva. Ainda não quero falar com você — ela disse séria.

— Você fica fofa estressada — o mais velho riu.

A vampira corou, com uma certa vergonha do que foi dito pelo irmão. Ele não costumava chamá-la de "fofa" então não estava muito acostumada com isso. A única coisa que conseguiu fazer foi acenar para o garoto, recebendo um sorriso em resposta. Agora só teria que aturar mais uma pessoa para completar seu dia.

XxX

De cima de uma árvore, a jovem bruxa assistia tudo com um sorriso no rosto. Ela não pretendia distruir a vida de Len, mas precisava fazer para o próprio bem de seu amado. Queria que ele percebesse que a única pessoa que precisava era ela, não sua irmã ou seus pais. Queria que ele aprendesse a amá-la.

Sem fazer muito barulho, a albina entrou na casa, vendo o cenário de destruição que havia se formado. Ao parar no corredor, de frente para a sala, ela pôde ver seu ex-noivo segurando o corpo inerte de mãe nos braços. Ele não chorava, mas aparentava estar em pânico. Seus olhos normalmente azuis estavam avermelhados, os lábios sujos com o sangue dos próprios pais.

O loiro notou os passos da bruxa, e acabou olhando em direção a ela, grunhindo ao vê-la sorrir. Sem ter noção da própria força, ele colocou-a presa contra a parede, apertando seu pescoço com muita força. Len sentia vontade de mata-lá, precisava dela morta.

— O que fez comigo? — ele perguntou quase rugindo.

— Nada, Len. Nada demais… — a bruxa sorriu, livrando-se do aperto do loiro. — Fiz de você um imortal, assim poderemos passar a eternidade juntos.

O loiro olhou para a feiticeira com repulsa, enquanto ela sorria. Quando ele era criança sua mãe costumava assusta-lo com histórias de seres imortais que matavam para viver. Ele nunca acreditou nisso, mas já passou longas noites acordado com sua irmã por causa disso.

— Sua imortalidade tem um preço, mas eu acho que você já descobriu… — ela passou os dedos no rosto do loiro, sorrindo de forma psicopata. — Posso abusar de magias negras, serei imortal que nem você! Ficaremos juntos para sempre…

A bruxa acordou assustada, dando de cara com a vampira que a olhava irritada. Provavelmente, ela devia estar chamando-a há muito tempo, mas era impossível acordá-la quando caía em sono profundo. Ela dormia mais do que uma pedra. Para acordá-la, era preciso de um bom esforço físico. Lenka era uma ótima atriz. Estava de bom humor e mesmo assim conseguia fingir o mau-humor.

— Eu estaria em vantagem com você dormindo — ela falou séria, vendo a bruxa levantar-se da poltrona em que estava sentada. — Com o que estava sonhando?

— Algo que aconteceu há muitos anos. Nada que te interesse — a outra respondeu um pouco cansada, com a voz um pouco rouca. — O que traz você aqui?

A vampira procurou não dizer muita coisa, só passou as pontas dos dedos pelos livros, tomando cuidado para não se cortar. A albina olhava para a mais nova um pouco curiosa pelo que a garota fazia, ela não confiava na loira, sabia que ela estava tramando alguma coisa. Seu comportamento estava muito estranho.

— Como vai seu namorado? Ou já terminou com ele e não me contou? — a bruxa perguntou ganhando um olhar frio da loira. — Ainda pretende ir embora com ele? Que graça. Não vejo você tão apaixonada desde quando era huma…

Antes mesmo de terminar a frase, a bruxa engoliu seco ao ver o olhar da loira. Ela era assustadora quando estava com raiva, ou quando fingia estar com raiva. A vampira sentou-se onde sua amiga estava antes, suspirando fundo. Uma mentirinha não iria fazer diferença, certo?

— Homens são idiotas — a loira murmurou. — Terminei com o Oliver hoje.

— Awn, fofura, ele é um vampiro agora. Queria que ele continuasse o amor que era antes? Você era um poço de inocência, hoje é a maior puta que eu conheço… — a albina sorriu. — Não se preocupe, você ainda pode matá-lo.

Lenka olhou um pouco assustada para a bruxa. Ela não estava acostumada a ser chamada de "puta", mas não pela bruxa. Pelo menos havia ganhado um conselho de sua "amiga". Não que fosse segui-lo, mas pelo menos ela parecia estar acreditando no que era dito.

— Ele me deu isso — ela falou mostrando uma pulseira com pedras escuras, negras provavelmente. — Será que guardo ou devo jogar fora?

— Guarde. Isso é lindo — a bruxa notou o olhar meio perdido da vampira, demonstrando que ela deveria estar com fome. — Não anda comendo direito, loira?

— ela assentiu devagar. — Ai, ai… Parece que não aprende… Vou pegar um pouco de sangue fresco para você.

Ao ver Tei pulando até fora da biblioteca, a vampira passou a desconfiar de que algo estava errado. Ela não iria confiar completamente nela, iria seguir seu plano inicial para assim poder ir embora, voltar a jogar-se nos braços do namorado e ter uma boa noite de sono. Era bom que a bruxa não descobrisse sobre o que havia conversado com Len, ela não deveria saber que os dois haviam voltado a se falar.

Os minutos foram passando, a vampira já estava quase dormindo na poltrona, mas ainda estava alerta. Seu irmão não estava por perto, e Oliver deveria estar na aldeia. No momento, ela estava completamente sozinha e fora de seu estado mental perfeito. Quando notou a presença da bruxa, a loira abriu os olhos avermelhados, assustando a mais velha.

— Estou com dor de cabeça — ela falou suspirando, pegando o copo de sangue da mão da bruxa. — Não colocou nada aqui, certo?

— Eu testaria, mas não gosto de sangue — a feiticeira sorriu. — O sabor me enjoa.

Lenka virou os olhos, dando um pequeno gole no líquido no copo. Parecia sangue. E era, porém ela ainda estava um pouco desconfiada. Ela mantinha o olhar fixado em Tei, vendo-a sorrir de modo incomum. Como a desconfiança era maior do que a fome no momento, ela colocou o copo em cima de uma pilha de livros, pondo a mão na testa suspirando.

— Eu… Minha cabeça dói — a loira murmurou com um pouco de dificuldade.

— Deve ser sede. Beba um pouco mais… — a bruxa falou sorridente, tentando entregar o copo para a mais nova, mas a loira acabou jogando com o força o copo no chão, pondo as mãos na garganta como se quisesse arranca-la. — Está tudo bem, Lenka?

A vampira sentiu um grande quantidade de sangue escorrer para fora da boca, a loira caiu de joelhos no chão, colocando para fora o líquido em sua boca. A bruxa parecia não se importar, mas não estava tão feliz. Lenka não havia tomado todo o sangue.

— Ainda sou sua amiga, mas com você apaixonada não posso fazer mais nada com você — Tei falou séria, vendo a loira sufocar com o próprio sangue. — Não posso te deixar viva, você está sabendo demais… Achou mesmo que não soubesse sobre seu plano com o Len? — ela riu to, ganhando um olhar raivoso. — Irei matar seu namorado, assim vocês dois poderão ir ao inferno juntos — sem aguentar mais a perda imensa de sangue, a vampira acabou desmaiando por cima da enorme poça de sangue. — Tenha doces sonhos, vadia…

Notas finais
O amor é lindo, não? Mas pelo visto o amor acabou... O ciume está reinando no momento. O que posso adiantar sobre o próximo capítulo...? Ah, vai ter treta entre o Len e o Oliver por causa da Rin. Sempre por causa da nossa loirinha bonitinha e burrinha. Eu não sei o que dizer sobre esse capítulo. Foi a maior parte improvisada, só o final que estava planejado. So, xoxo. Eu prometo fazer uma nota final melhor da próxima vez.