Só podia ser Você

4 Kikyo ficou louca!


Notas iniciais
Boa Leitura e Desculpem os erros!

Capitulo 4

Kikyo ficou louca!

Meus finais de semana eram tão tediosos que às vezes eu ficava do lado de fora de casa procurando estrelas cadentes que realizassem desejos, – Quando morava com o vovô era diferente, lá raramente tínhamos tempo de sobra e de quebra eu conseguia uma graninha – Mas para me contrariar sempre que as procurava, elas insistiam em ficar ali, paradas como o vento e o tempo.

Essa era uma das poucas coisas que ainda creditava: Estrelas caindo com certeza podiam realizar desejos, se cruzar os dedos a sorte aumentaria, cantar canções infantis espanta maldições e claro se pegar o buque da noiva você é o próximo na lista de casamentos – Então eu sempre ficava longe deles.

Naquela noite nenhuma estrela caiu, mas eu poderia dizer que a estrela de Shikon no tama estava muito perto disso. Eu levei o maior susto com o estrondo que veio no meu quarto. A música melodramática no quarto ao lado aumentou e fiquei me perguntando o que afinal Kikyo estava fazendo em casa num sábado a noite.

Andei até a sala e vi Sota no computador jogando algum jogo idiota de montar, fui na cozinha e mamãe não estava ali. Depois voltei para a sala.

— Cadê seu pai e a mamãe? — Meu irmãozinho nem se deu ao trabalho de olhar para mim.

— Estão no vizinho, chamaram os dois para tomar alguma coisa. — Soltei um ‘ahh’.

— Sota... — O chamei suavemente. — ...Acho que a Kikyo não está bem... — Ele apenas mexeu os ombros.

— Ela não nasceu bem, tem defeito de fabricação, não é novidade. — Segurei o riso indo até ele.

— Ela é sua irmã, tem que ir lá ver o que ela tem! — O baixinho parou de jogar me encarando seco.

— Por quê? Ela me odeia! Se eu bater na porta vai me mandar sumir! — Fechei a cara apontando para a escada que dava para os quartos. Ele suspirou não gostando nem um pouco da ordem.

Andei com meu irmão até a porta do quarto dela. A música melosa tocava muito alto e... Sei lá o que essa doida está fazendo. Sota bateu na porta umas três vezes até ela responder.

— O que éééé?!! — Perguntou com uma voz engraçada sem abrir.

— Você tá bem? — Questionou o baixinho que me fitou seco esperando a resposta.

— DESINFETA!!!! — Ele acenou com as mãos para mim quando a outra revidou.

— Eu não falei?! — E nisso voltou para a sala. Engoli em seco. Cocei a nuca e fiquei nem um pouco conformada com aquilo.

Kikyo é de muitas histerias, porém não nos finais de semana, por que esses eram os dias que passava com os sogros. Então, das duas uma: Ou ela pirou ou o Inuyasha terminou com ela. E convenhamos que o Inu-boboca NUNCA iria fazer isso, ele falta lamber os pés dela, então fiquei preocupada com o fato de minha primeira opção acertar em cheio.

Eu voltei para o meu quarto. Depois voltei para a porta dela. Depois tornei a ir para o quarto e fiquei dando voltas com medo do que podia ter acontecido. Deus me livre essa maluca resolver fazer uma loucura comigo aqui. Então não tinha jeito... Abri a porta sem medo de ouvir ela me xingar.

— Kikyo...? — A chamei e me deparei com um quarto bagunçado, com tudo simplesmente revirado. Péssimo sinal, Kikyo é mais organizada do que eu. Respirei fundo e ela não estava no meio do monte de roupas no chão e na cama, então só podia estar no banheiro que tinha no quarto dela.

Quando abri a porta eu quase cai para trás no susto. Uma garrafa de saque, uma banheira transbordando água e uma adolescente nada certa da cabeça afundada nela com roupa e tudo. Virou o rosto com a maquiagem toda borrada pela água no meu rumo e soltou um sorriso amargo.

— Kagome-chan...! — Disse num timbre todo debochado. Ela estava bêbada. — Veio rir da desgraça alheia? — Neguei.

— Vim ver se estava viva, eu não me importo com você, mas minha mãe sim. — Sentei no chão do banheiro tirando a garrafa da mão dela. — O que houve Kikyo? Aconteceu alguma coisa? — Ela soltou uma risada macabra.

— Eu sendo consolada pela surripiadora... — Arqueei uma sobrancelha confusa. Surripiadora? Acho que ela não sabe o que é isso.

— Você e o Inuyasha brigaram? — Chutei e ela tornou a rir. Assim fica difícil te ajudar querida!

— O Inuyasha e eu? Brigando? Nunca brigamos, ele não é capaz de soltar um “A” contra minha vontade... — Comentou girando os olhos rindo.

— Então qual é o problema? — A enteada da minha mãe olhou para o nada do banheiro, abriu a boca buscando ar e seus olhos transbordaram.

— Deve ser eu... Tudo está de forma errada e... — Se virou para mim chorando com a voz tremula. — ...O Inuyasha... O Inuyasha... — Ela deixou o corpo afundar um pouco na banheira molhando o rosto. Se tirando o excesso de água. — ...Eu não o sinto, não sinto nada... Quando a gente transa é como se não tivesse nada mais... Ele não se importa e o pior é que eu também não... — Corei dos pés à cabeça. Eu não vim aqui para ouvir sobre a relação sexual dos dois e sinceramente não entendi o que isso quer dizer. — ...Não tem nada... Nada... Absolutamente nada... Como se eu estivesse morta... — Minha nossa estou boiando mais do que ela na banheira. Quero dizer, eu sou virgem, mas ainda sim entendo de algumas coisas e se sentir morta durante o ato não é algo que tenha lido como normal.

— Tenho certeza que uma boa conversa pode resolver os problemas de vocês dois, talvez apimentar o relacionamento... — Kikyo esbugalhou os olhos para mim como se eu a tivesse ofendido.

— Não-não conversamos... Ele não me conta nada, só... Fica lá repetindo o que eu já cansei de ouvir... Eu nem mesmo suporto os pais dele! Só sabem falar de negócios e você precisa ver como me olham... Como se fosse um fantasma a mesa... — Contou ressentida. — ...E o Inuyasha? Não tem nem forças para me defender... Só fica... Na mesma e na mesma... Sem nunca sair do lugar... — Respirou soluçando e choramingou. — ...As amigas da escola? Se tivessem oportunidade me roubariam o posto, ou seja, que belas amigas, não é? E claro não posso esquecer minha condição miserável de ter que morar com uma família ralé que não é minha... — Eu suspirei longamente diante tanta imaturidade.

— Por que simplesmente não muda esses fatos? Tipo, troca de amigas, por que as que tem é obvio que não podem ser chamadas de ‘amigas’, tenta se aproximar dos pais do Inuyasha se incomoda tanto que eles te tratem friamente, sobre o Inuyasha, converse com ele, diga o que espera dele e pelo amor de Deus Kikyo você é tratada como uma rainha aqui em casa não tem nenhum direito de reclamar. — Revidei já impaciente. Tanto melodrama por coisas podiam e podem ser muito bem revertidas.

— Para você é tão fácil, não é? Tudo sempre foi fácil para a Kagome-chan... —Arqueei uma sobrancelha quando ela debochou de mim falando aquilo.

— As coisas não são fáceis para mim também, eu nem gosto de estudar na Shikon no Tama, mas quer saber, eu tento deixar tudo favorável para mim e para os que estão ao meu redor, você que é a garota mais popular de lá deveria fazer o mesmo ao invés de embebedar e ficar amargurada. — Kikyo negou girando os olhos.

— Você não entende... Se estivesse na minha pele saberia. — Resmungou. Respirei fundo me levantando. Ela está bem, só não está nos melhores dias, então não precisa de mim.

— Olha, o que eu entendo é que você poderia muito bem estar jantando com seus sogros e tentando se aproximar deles hoje ao invés de estar afundada nessa banheira reclamando do destino. — Assim que eu disse isso e fiz menção de sair a enteada da minha mãe me fitou assustada.

— Jan-jantar? Que-que jantar? —Arquei uma sobrancelha curiosa.

— Ué, você não janta com eles todo final de semana? — Quando a pergunta saiu da minha boca e ela compreendeu um terror se apoderou dela. Kikyo se levantou da banheira desesperada.

— Hoje é sábado! Por todos yokais no inferno, hoje é sábado!!! — Quase me derrubou ao passar por mim indo para o quarto molhando tudo.

— É, hoje é sábado, qual a surpresa? — Se virou para mim amedrontada.

— Que horas são? — Olhei no meu relógio de pulso.

— Quinze para as sete da noite. — Ela tomou ar e começou a remexer no cabelo.

— Não vai dar tempo! Inuyasha não pode me ver assim! — Cruzei os braços concordado com a loucura dela. Realmente vai ser um espanto para ele ver a namorada sempre linda naquele estado deplorável. Ela andou até o espelho e assim que viu seu próprio rosto borrado pela maquiagem e com os olhos inchados de tanto chorar negou.

— Faz o seguinte, quando ele chegar eu digo a ele que você...

— NÃO!!! Nem em sonho você... — Me interrompeu me olhando pelo reflexo do espelho. Parou de falar e ficou estática. Engoliu em seco e se virou. — ...Kagome... — Mordeu o lábio inferior. — ...Você... Me ajudaria? — Certo, eu fiquei perplexa com a pergunta. Pensei um pouco em o que todo aquele olhar queria dizer, mas por fim afirmei.

— Claro Kikyo, já disse que posso falar para ele quando chegar que você não se sentiu bem. — Ela negou no mesmo instante se virando para mim.

— Olha, eu não posso faltar a esse jantar, e eles não podem me ver nesse estado! — Acenei com a cabeça.

— É só dizer que se sentiu mal, qual o problema? É só um jantar. — Ela voltou a negar.

— Não é só um jantar! Eu desmarquei o jantar daqui alegando que estamos em reforma na casa, de modo que só eu poderia comparecer! — Que mesquinha. Suspirei. — Se eu não for ou dizer que estou doente eles podem ir questionar meu pai e aí eu vou me encrencar mais ainda... Seria um desastre. — Corrigindo: É um desastre.

— Conte ao Inuyasha a verdade e pede a ele sigilo, tenho certeza que os dois podem achar um melhor jeito de resolver essa situação, já que ele conhece os próprios pais. — Kikyo rosnou.

— Você não entendeu estupida?! O Inuyasha é o primeiro que não pode saber ou se quer me ver assim! — Me chamar de estupida não te ajuda querida. Respirei fundo.

— Vocês são namorados há três anos, não acredito que ele nunca tenha te visto sem toda aquela pluma, então não seria tão horrível assim. — Ela engoliu seco.

— Escuta aqui, você vai me ajudar ou não? — Tornei a cruzar os braços. Ela não está sendo bem a pessoa mais bacana do mundo para merecer ajuda.

— Está bem, eu te ajudo, mas é pela minha mãe. — Ela deu de ombros. Pegou uma roupa no meio da bagunça na cama e me entregou encarando séria.

— Vista-se, você vai se passar por mim. — Franzi o cenho perplexa.

É o quê?