Só podia ser Você
5 Como NÃO ser a Kikyo
Notas iniciais
Capitulo Cinco
Como NÃO ser a Kikyo
Eu estava esperando Kikyo recobrar o juízo. Parada na porta do banheiro com a roupa dela na mão ainda não conseguia acreditar no que ela tinha acabado de me dizer. ‘você vai se passar por mim’ relembrei pela quinta vez sem ainda compreender.
Ok. É verdade, no passado pouco depois que minha mãe e o pai dela se casaram as pessoas diziam que éramos muito parecidas, então como forma de brincadeira nós trocávamos e eu ficava sendo ela e ela e vice versa. Mamãe era a única que conseguia nos diferenciar, o que tornava a brincadeira mais divertida ainda, pois gostávamos de enganar os vizinhos para que eles errassem.
Só que isso foi há muito tempo, éramos crianças brincando de ser gêmeas idênticas mesmo não sendo irmãs para valer. Hoje temos dezesseis anos e existe um grande, não, melhor dizendo, uma gigantesca, um abismo, um penhasco, um Evereste de diferença entre nós.
A começar pelos cabelos, os dela são maiores do que os meus, tá que a cor é a mesma, porém os meus são mais ondulados e os dela são lisos como se tivesse passado ferro de passar roupa. Outra diferença gritante entre nós são os olhos, e o tom de voz. Confesso que minha voz é mais alta e um pouco rouca quando insisto em gritar – O que não é tão incomum assim. Enquanto a dela é mais amena e doce – até quando histérica.
Eu não queria aprofundar esse assunto sobre sermos diferentes por que, afinal eu estaria me depreciando em dizer que Kikyo é muito mais bonita e arrumada do que eu. Quero dizer, ela tem todo um jeito delicado de andar, etiqueta e tudo mais, eu nunca poderia voltar a me passar por ela como quando crianças.
Por isso, fiquei ali, parada, esperando ela cair a ficha que a bebida tinha feito sua visão ficar turva e as ideias bagunçadas como o quarto. Quando ela olhasse para mim com clareza perceberia que EU não posso me passar por ela, por que já não temos nada parecido, talvez o branco dos olhos.
— O que está fazendo? — Perguntou apressada ao me ver ali quieta.
— Esperando você perceber o quanto essa ideia é ridícula. — Retruquei e ela não gostou nada do que ouviu.
— Fazíamos isso antes, não se lembra? — Afirmei que sim e sorrindo.
— Lembro muito bem, só que éramos crianças e nem tínhamos peito, como vou justificar para o seu namorado a mudança de volume no busto? — Ela franziu o cenho.
— Inuyasha não é muito perceptivo, ele não repara nos pequenos detalhes, você não tem que se preocupar com isso! Você disse que me ajudaria! — Ergui as mãos incrédula.
— Kikyo, eu não posso me passar por você, somos diferentes, e tem mais, temos cheiros diferentes, eles vão perceber, quero dizer, seu namorado pode não reparar em detalhes, mas e o irmão dele? — Ela apontou o dedo para minha gargantilha.
— Não vão perceber com isso. Diga que foi a única coisa que encontrou que combinava com a roupa, ele vai engolir, vai por mim, o Inuyasha ou a família dele nunca me questionam, especialmente o Sesshoumaru. — Replicou séria. — Vista a roupa, ele não vai demorar a chegar! — Engoli em seco negando.
— Não quero fazer isso, além de ter certeza que não vai dar certo... Eu acho meio... Errado. — Kikyo se aproximou desesperada.
— Kagome, por favor, os Taisho já não gostam de mim, se descobrirem que menti vão com certeza convencer o Inuyasha a me largar! Você só tem que chegar lá e fingir ser uma estátua, eles nem vão perceber a diferença! — Encolhi os ombros diante o pedido dela. — Por favor, eu juro que é a última coisa que vou te pedir na vida! — Suspirei longamente.
— Eu acho que não vai dar certo, mas se você insiste. — Entrei no banheiro, tomei um banho rápido e me troquei vestindo um dos vestidos dela. Era todo vermelho com a gola preta e o babado no final dele também. Quando saí dali quase fui intoxicada de tanto perfume. — Você quer me matar?
— Não seja idiota, se o Inuyasha te abraçar vai se impregnar com o seu cheiro e a gargantilha não vai fazer efeito quando se distanciar, assim, precisa estar perfumada e o que vai grudar nele é o cheiro do perfume. — Caramba, eu não tinha pensado nisso e me espantou que ela sim. Só aí me toquei de algo.
— Espera aí! O Inuyasha vai me abraçar? — Arregalei os olhos tendo a óbvia resposta. Claro que vai, eu vou ser a Kikyo e a Kikyo é namorada dele, é claro que ele vai me abraçar e querer bem mais do que isso! — Não, não e não! Isso não vai dar certo! Eu não quero abraçar nem beijar seu namorado boboca! — Kikyo me encarou com desdém.
— Não se preocupe, o Inuyasha é tão burro que qualquer desculpa que der a ele, vai acreditar. Como eu já disse, eles não me questionam. — Certo, isso é bem estranho.
— Então, eu posso dizer qualquer coisa e tudo bem para ele? — Ela mexeu os ombros se aproximando com a maquiagem.
— Tudo bem, ele sabe que eu detesto os pais dele e que não tenho humor nenhum quando vou para lá. — Isso é mais estranho ainda.
— Nossa Kikyo, eu não sabia que o clima por lá era assim. — Ela bufou ressentida.
— Enfim, de modo que só precisa entrar quieta e sair calada, tudo vai sair bem. — Senti um arrepio na espinha. Eu ainda não gosto nada dessa história e estou sentindo um comichão na barriga me dizendo para não seguir em frente.
— Kikyo, tem certeza? Não é melhor dizer que está passando mal? — Ela coçou os olhos inchados sujando o rosto mais ainda com o lápis.
— Tenho. — Bem que você podia ser mais gentil, mas claro isso é pedir muito para ela.
Estou a um ponto de me recusar a fazer parte dessa loucura. Quando ela começou a passar aquele tanto de maquiagem em mim quase tampando completamente minha cara, eu quase gritei ‘CHEGA!’. Depois vieram os brincos de ouro nenhum um pouco sutis, depois um colar por cima da minha gargantilha que estava escondida na gola.
Será que ela faz isso todos os dias, ou é só para me disfarçar mesmo?
— Kikyo...?! — Sota bateu na porta dando um susto em nós duas.
— Agora não! — Respondeu ela nada gentil. A encarei zangada, ela girou os olhos.
— Só vim avisar que seu namorado está buzinando na porta! — Me fitou assustada. Terminou rapidamente de passar o batom na minha boca e acenou para me levantar.
— Ahhh eu ainda acho isso muito errado... — Ela me deu um tapa no ombro pegando uma pulseira guardada na gaveta que tinha o mesmo talismã de flor do deserto. Colocou no próprio pulso.
— Lembra, é só fingir ser uma estátua, dê resposta breves e baixas, evite encarar o Sesshoumaru e vai ficar tudo bem. — Suspirei sem acreditar que ela queria mesmo seguir com isso. Quando me olhei no espelho precisei dar um passo para trás.
Eu não sei que macumba Kikyo tinha feito enquanto me maquiava, mas fiquei boquiaberta diante quem eu era no espelho e sério... Eu não era Kagome. As roupas, o rosto e o cabelo preso num peteado que não mostrava o comprimento... Não consegui acreditar.
— Anda! O que está esperando! — Me empurrou contra a porta do quarto. Sota que estava perto da escada arregalou os olhos.
— Depois conversamos. — Disse a ele sendo empurrada para a saída.
— Lembre-se... Seja uma estátua! Não diga nada que me comprometa! — Ordenou. Sabe que para alguém que precisa de ajuda, você está sendo bem exigente. — Finja que é como fazíamos antes... — E nem esperou eu dizer nada para tornar a me empurrar.
Como fazíamos antes? Antes você era legal! Antes você era boazinha! Antes você não tinha namorado! Antes, minha querida, eu não teria que mentir tanto e tudo não passava de uma brincadeira. Respirei fundo, para a sorte dela eu acho que consigo fingir ser mesquinha e esnobe como ela é.
Vi o carro esportivo vermelho atrás dos portões de casa. Engoli em seco. O que eu vou dizer para ele não querer vir com beijinhos e coisas melosas? Uma doença? Não, isso seria demais. Hum, machucado? Acho que perceberia, por que a espécie dele é boa em sentir cheiro de sangue. Droga.
Entrei no carro que tinha um cheiro forte de novo... Embora isso seja o que menos me impressionou, nunca entrei numa coisa dessas, provavelmente só a pintura valia minha alma. Sentei no banco de couro de cor cinzenta e tremendo muito coloquei o cinto. Não! Eu desisto! Não quero fazer isso! Está errado, muito errado!
Vagarosamente e MUITO nervosa mirei o rapaz do meu lado que me encarava. Oh droga! Ele descobriu, eu sabia! Eu sabia que não ia dar certo ele já sabe! Está claro e obvio!
— O..i...? — Falei baixinho um me segurando para não tremer suficiente para ele ver. Com típicos cabelos longos prateados amarrados, franja caindo sobre os olhos caramelados e claro, não podemos esquecer a tão inseparável jaqueta vermelha, ele me olhava, com uma sobrancelha arqueada e a boca entreaberta.
— Oi...? O que há com você? — Engoli seco. Tomei folego mexendo os ombros.
— Está sem cheiro... — Respondeu e eu sorri aliviada. É claro, é no mínimo estranho.
— Deve ser o colar, sabe?! Foi único que combinou com a minha roupa. — Levantou as sobrancelhas como se fizesse sentido.
— Você se importa demais com essas coisas. — Ligou o carro e eu pude respirar fundo concordando.
— Melhor do que não me importar com nada como você... — Murmurei num tom de crítica. Arregalei os olhos, lembrei que o colar inibi o cheiro e não a boa audição deles. O fitei sorrindo sem graça.
— O quê? — Neguei no mesmo tempo.
— Nada! Eu, não disse nada, vamos? — Mesmo estranhando acenou que sim dirigindo.
Quando a Kikyo disse que a tratavam como fantasma eu não dei muito crédito. Grande erro meu, pois fantasma era exatamente como eu me sentia – sorte minha ser acostumada com isso. O famoso Sr.Oyakata Taisho que tanto li nas revistas e jornais estava ali diante mim, conversando com a esposa e Sesshomaru, algumas vezes com Inuyasha que ignorava toda discussão sobre a empresa da família dele. Sesshomaru também era indiferente ao assunto – mas pelo menos parecia entender, ao contrário do irmão mais novo.
Eu? Digo, eu como Kikyo, fiquei de fora de tudo. Eles apenas me cumprimentaram na chegada e depois ficaram assim, um conversando com o outro e nunca fazendo perguntas para mim.
Era meio, constrangedor.
— O Sr.Mamoru tem mostrado uma postura digna diante os incontáveis insultos dos jornais, e é isso que o admiro mais. — Disse o pai do Inu-boboca. Me surpreendi com o assunto por que o Sr. Mamoru ao qual falavam era um humano que fez seus primeiros milhões e estava em toda capa de revista de ultimamente. — Encontrei ele no clube outro dia, me disse que a filha tem problemas para se adaptar ao novo ambiente.
— Pobre menina, deve ser horrível ter que ouvir as revistas dizendo que o pai dela tem a ‘Maldição da boa sorte’. — Sorri de lado ao ouvir a Sra.Taisho dizer.
— Isso tão infantil... — Murmurei sem perceber mais uma vez que estava numa mesa com yokais com magnífica audição. Tanto pai quanto os filhos me encararam.
— Infantil? — Perguntou o mais velho. Pigarreei sem graça com todos me olhando. Pensei em só abaixar a cabeça, mas eles poderiam interpretar isso como eu estar chamando o Sr. Taisho de infantil. Meu lábios tremeram, qual era a regra mesmo? Ser breve, falar baixo e não encarar o Sesshoumaru.
— Bom... — Respirei fundo pigarreando e resolvi dizer de uma vez. — ...Os hospitais dele, do Sr. Mamoru, são os únicos que oferecem tratamento tanto para Yokais quanto para humanos, antes dele só existia os postos que atendiam ou só humanos ou só Yokais, claro isso vocês devem saber. A questão que ninguém enxerga é que o Sr. Mamoru demorou anos até conseguir colocar na cabeça da comissão de ética do congresso que um hospital poderia atender tanto humanos quanto yokais e facilitaria para todo mundo o acesso, e também foi o único que investiu todas suas fichas nesse empreendimento, acho uma tremenda infantilidade da parte da imprensa dizer que um homem que lutou tanto pelo que acreditava não ter mais do que a ‘maldição da boa sorte’. — Respirei depois de falar, mas não tinha acabado. — Na verdade, é mais do que claro que o problema da imprensa com ele se trata de sangue, afinal o Sr. Mamoru veio do interior do país para trabalhar como enfermeiro e acabou se tornando um dos humanos mais ricos do país sem qualquer ajuda de ‘costa-quente’. — Pronto, terminei de entregar o jogo. Não segui nada das regras, parabéns para mim! Expressei minha admiração pelo Sr. Tamaki Mamoru, já que passei um bom tempo tendo as mesmas crenças que ele e esperando sinceramente que ele ganhasse as causas.
Eles me olhavam surpresos, principalmente Inuyasha e o pai. Me preparei para ser desmascarada, esperei eles começarem a me xingar ou alguma coisa do tipo. E claro, me preparei para o que vinha em casa, Kikyo morrendo de raiva querendo me matar com certeza.
— Não sabia que se interessava por esses assuntos...? — Foi meio uma pergunta misturada com afirmação do Sr. Taisho. Abaixei o olhar sem jeito.
— Nem eu. — Completou Inu-bobão do meu lado. Pigarreei sorrindo e disfarçando.
— Bom, eu leio e assisto jornais, e pode se dizer que compartilho dos ideais do Sr. Mamoru, então... — Tentei explicar, mas ficou foi pior, por que o namorado da Kikyo se virou para mim perplexo.
— Você gosta de jornais? Desde quando? — Tornei a pigarrear e olhar para todos.
— Bom, érr... Não é que eu goste, GOSTAR, sabe?! Eu apenas me inteiro dos problemas em geral, como por exemplo, o alto índice de desemprego dos hanyou. — Afinal Inuyasha era hanyou e Kikyo com certeza deveria saber dessas coisas.
— Desemprego? — Questionou ele confuso. Oh claro, como é filhinho de papai não deve nem saber o que isso significa. Suspirei afirmando.
— Algo que você é e nem vê por que tem o pai rico. — Disse rispidamente. DROGA! Da onde essas coisas estão saindo? Para de conversar Kagome!!! Você é uma estátua porra!
Lá estavam eles me encarando de novo espantados. Abaixei o rosto engolindo em seco. Se não me reconheceram antes, agora é que percebem que não sou a Kikyo.
— Estou pasmo, é a primeira vez que demonstra firmeza e convicção sobre algo. — Encarei o Sr. Taisho quando disse isso. Sorri sem jeito e a mulher ao lado dele afirmou sorrindo – Sesshoumaru me olhava desconfiado, embora eu ache que esse seja o único jeito que olha os humanos, com desconfiança e desprezo... Que droga eu não deveria encarar ele!!!
— A primeira vez que demonstra mais conteúdo do que aparência. — Sorri mais sem graça ainda. A Kikyo vai me matar... Ela mandou eu ficar calada e eu fico falando besteira.
— Então se interessa pelos negócios do Sr. Mamoru? — Abri a boca para falar, mas me segurei. Eu não poderia me empolgar.
— Eu não diria isso, mas a proposta dele é bastante aberta e tem dado certo, meu avô diz que antes de ter as redes Hitoshi era uma luta para ambas as espécies encontrar o lugar certo na hora certa, muitos yokais e humanos acabavam morrendo procurando um hospital que os aceitassem, então sim, o Sr. Mamoru acertou em cheio, na minha opinião. — O yokai sorriu largo para mim.
— Apesar disso ele tem muita desconfiança com quem associa, em especial de espécies diferentes, ouvi dizer que as empresas Kaze Kagura de medicamentos tentaram fechar acordo com ele, porém ele não deu tempo nem de proposta. — Comentou ele. Pensei seriamente se devia ou não responder.
— Eu li, e acho que tomou a decisão correta, essa empresa não parecia fornecer segurança de seus remédios quando se trata de humanos, li um artigo que disse que 40% dos medicamentos deles destinados a humanos possuem efeitos colaterais graves, e eles não se mostraram interessados em mudar essa realidade, apesar do número alto. — Retruquei o que deixou de novo todo mundo me encarando.
— Quando você leu isso? — Perguntou Inuyasha horrorizado. Mexi os ombros.
— Não sei, eu leio muito. — Franziu o cenho mais espantado ainda.
— Desde quando? — Argh! Droga! E como eu vou saber que a Kikyo não lê nada? Pigarrei.
— Desde sempre, se você não percebe, eu não tenho culpa. — Retruquei nervosa e a desculpa pareceu cair por que se virou para o outro lado sem jeito.
— Sinceramente estou tão surpreso quanto ele. — Disse o Sr. Taisho com um sorriso largo. Encolhi os ombros. Eu sabia que era uma péssima ideia. — Você parece ter convicção sobre o que fala, aposto que o Sr. Mamoru ia adorar conhece-la! — Meus olhos brilharam e não consegui esconder a felicidade. Cara, isso seria um sonho, depois da Midoriko o Sr. Mamoru era um ídolo para mim.
— Eu é que adoraria, ele é o humano mais sábio que eu conheço depois da minha... — Parei de falar na mesma hora. Minha mãe e a mãe da Kikyo eram criaturas distintas e de outro mundo. Yura não era sábia e nem um pouco sensata para alguém admirar, então segurei as palavras. — ...Da-da sacerdotisa Midoriko...? — Corrigi. Quando eu falei isso os olhos da mãe do Inuyasha brilharam.
— Gosta da Midoriko? E nunca me contou? Logo eu? Que estuda unicamente sobre ela? — Que merda, eu não dou uma dentro. Como é que eu ia saber que a mãe dele é arqueóloga e tem tanto interesse pela sacerdotisa? Engoli em seco. Kikyo vai definitivamente me matar. Só falta eu dar uma fora com o Sesshoumaru.
— Pois é... É que sou tão leiga nesse assunto, que... — Ahh ALGUÉM ME AJUDE!! Abaixei o rosto nervosa. Quero sair daqui urgentemente!
— Ah a sobremesa chegou! — Obrigada céus!!!
Comi o sorvete tão rápido que meu cérebro gelou. Eu tenho que ir embora daqui. Inventei uma desculpa sobre o Sr. Kouki estar preocupado e querer que eu volte mais cedo. Felizmente eles engoliram, mas com sorrisos muito largos. Kikyo vai me matar!!!
— Você... — Começou a dizer enquanto dirigia de volta para casa. O encarei inquieta. — ...Surpreendeu todo mundo... Acho até que o Sesshoumaru. — Arregalei os olhos.
— Desculpa... — Ele franziu o cenho espantado.
— O quê? Você-você me pediu desculpas? Pelo quê? Você nunca me pede desculpas para nada?! — Pensa rápido!
— São seus pais, eu não queria, não sei... Deixá-los com má impressão...? — Ahhh eu não aguento fazer mais isso! É muito difícil.
— Má impressão? Eles... — Pigarreou um pouco sem graça. — ...Você os conhece a bastante tempo Kikyo, são super-protetores, principalmente minha mãe e tem aquela ideia idiota que... Você sabe?! Você está comigo por dinheiro. — Engoli seco. Que assunto tenso, assunto que a Kikyo deveria estar tendo. O carro parou no sinal e ele me fitou. — Mas hoje tive a impressão de que não a enxergam mais assim. — Sorri sem jeito.
— Então eu não dei mancada? — Ele franziu o cenho, depois sorriu.
— Mancada? O que é isso? — Pigarrei.
— Bom, quero dizer, que não estraguei o jantar. — Negou sorrindo.
— Nunca. — Corei com o jeito que ele falou aquilo. Todo meloso. Quando olhei para fora percebi que não estávamos bem voltando para casa.
— Inuyasha... Onde você está indo? — Ele sorriu largo como se eu tivesse perguntando algo idiota.
— Como para onde? Para o meu apartamento! Tenho um presente para você e é claro vamos poder comemorar com muito requinte o primeiro dia que você se dá bem com os meus pais. — De repente uma batedeira no meu peito, eu sabia muito bem o que tudo aquilo queria dizer e só lamento Inu-boboca, mas isso não vai acontecer.
— NÃO!!! — Gritei o assustando.
— Não o quê? — Questionou horrorizado.
— Não posso ir para o seu apartamento! Não posso... Não posso... Não posso ir com você! Ahh Meu Deus, o Sr. Kouki... Digo, meu pai! Ele está me esperando! Eu com certeza não posso ir com você! —Ele estranhou bastante.
— Desde quando se importa com seu pai? — Arregalei os olhos sem respostas para aquela pergunta.
— A questão é que... Não posso, por favor, me leve para casa. — Franziu o cenho.
— Tem certeza? É um presente que você queria muito. — Pigarrei afirmando.
— Outro dia você me dá. — Ele piscou e acenou que sim.
— Tudo bem, você que sabe.
Caramba! Essa foi por pouco! Quando finalmente chegamos desci do carro correndo na esperança que AQUILO não acontecesse. Mas foi inútil.
— Espera, espera! Calma! — Me puxou pelo braço. Preciso de uma desculpa correndo. Eu sei muito bem o que ele quer e eu não vou dar!
— Inuyasha eu es... — Indecente maldito!!! Segurou minha nuca e me beijou a força. Ok, que ele tem um cheiro bom e lábios bem macios, mas EU NÃO SOU A KIKYO! Quase entrei em pânico quando o infeliz enfiou a língua na minha boca, precisei empurrar ele de uma vez. — Tá bom! Chega, não é?! — Com a língua ainda para fora me encarou surpreso. Depois sorriu.
— Você está muito estranha... — Me puxou levemente e não pude evitar o selinho demorado, apesar de não conseguir fechar os olhos. Isso é muito errado. — ...Eu gosto. — Sussurrou ao se separar de mim.
Corei dos pés à cabeça com tudo aquilo.
Respirei fundo, tentei amenizar e juntar tudo que aconteceu numa noite só — Nunca mais reclamo dos meus finais de semana serem parados.
Para só depois entrar em casa pelas portas do fundo com cuidado para o Sr. Kouki não me ver. E ao invés do meu quarto entrei no dela.
‘Aquela’ que devia estar no meu lugar, que devia ter ido no jantar, que devia ter estado com o namorado lá embaixo e ao invés disso ficou aqui sentada na cama me esperando com os olhos fundos.
— Eu NUNCA mais faço isso. — Falei claramente. Ela suspirou afirmando.
— Me conte tudo. — Dessa vez foi minha vez de suspirar longamente.
Ela não vai gostar nada do que vai ouvir.
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