Notas iniciais
Conheça Ryan Mason, e Declan Jones, dois semideuses que terão suas vidas modificadas drasticamente..

Sair da escola não foi difícil, ainda mais com a ajuda do professor. Notei alguns olhares desconfiados enquanto passávamos pelos corredores, mas não duravam muito todos estavam curiosos para saber o que havia acontecido dentro da sala de aula.


O Caminho até o acampamento meio-sangue era muito longo, o acampamento ficava em Long Island, sim eu sei, o mais correto seria pegar um avião, mas Larry disse que isso seria muito perigoso sem saber quem eram nossos pais.


– Meus pais são Richard e Kelly -eu disse confuso-
– Eu não conheço meu pai, moro apenas com minha mãe, e meus avôs -disse Declan- e o que teria a ver nossos pais com o avião ? é por causa da autorização no aeroporto ?


Larry nos fitou como se tentasse saber se estávamos brincando ou falando a verdade, por fim disse:


– Não, é por causa de Zeus.. eu acho que é melhor termos uma longa conversa nessa viagem... o que vocês sabem sobre mitologia ?
– Eu sei o básico, Zeus é o rei de todos, e ele teve um filho chamado Hércules, que matou um leão e usava a pele dele. -disse Declan- Eu vi o filme do Hércules centenas de vezes.
– Bom.. embora esses filmes não sejam muito precisos, é bom para vocês entenderem que os deuses tem filhos com humanos, e eles são chamados de semideuses ou meio-sangues e....
– Pera — parei de andar abruptamente, interrompendo Larry no meio de uma frase- você está achando que eu e Declan somos filhos de deuses ? ISSO É LOUCURA!
Larry olhou para os lados.
– Por favor, não chame a atenção, continue andando, a rodoviária está a apenas um quarteirão daqui. -disse ele em um tom mais baixo porém firme-
– Então, eu sou filho de um deus... e melhor.. eu tenho um pai ? -perguntou Declan-
– Sim, você tem, Declan, e temos que descobrir qual dos pais do Ryan é..
– MEUS PAIS SÃO HUMANOS, EU SEI MUITO BEM DA ONDE EU VIM! -eu disse já perdendo a calma com aquele assunto-
–Ryan.... não restam dúvidas de que você é um semideus, você cheira como um, você tem TDHA, coisas estranhas como hoje lá na escola acontecem com você.
Comecei a pensar, e algumas coisas faziam sentido, mas como poderia ser verdade ? Como deuses poderiam ser reais ? Isso era maluquice... se um dia eles tivessem sido reais deveriam já ter morrido.. né?


Devo ter ficado realmente muito tempo pensando nas possibilidades, porque quando voltei a mim, Declan estava com uma cara de pavor absoluto, e Larry parecia procurar alguma coisa dentro de sua mochila. Antes que eu pudesse perguntar, uma sombra enorme passou por cima de nós, era algo grande e não humano.


– Vamos.. precisamos correr -disse Larry ao pegar três moedas grandes de ouro que pareciam falsas de tanto que brilhava-


Sem saber pra onde, corri com Larry e Declan ao meu lado, mas estávamos indo no sentido oposto ao da rodoviária, então Larry deu um grande assovio e um táxi basicamente se materializou diante de nossos olhos, eu dei um passo pra trás espantado com aquilo, e então a porta traseira se abriu, Larry entrou e fez sinal para que Declan e eu entrássemos também, então a sombra passou sobre nós mais uma vez, e eu e Declan nos olhamos e nos jogamos dentro do táxi.


Depois de várias coisas estranhas que eu havia presenciado não achava que mais alguma coisa poderia me surpreender, mas eu estava muito errado, nos bancos da frente estavam sentadas três mulheres muito velhas, elas pareciam zumbis, tinham a pele com uma coloração estranha, poucos fios de cabelo e esses eram desgrenhados, a motorista não tinha olhos, apenas um dente, a do meio não tinha olhos e nem dentes, e a do lado do passageiro tinha apenas um olho e nenhum dente.


– Acampamento meio-sangue, Long Island -disse Larry-
– Você tem dinheiro para percorrer essa distancia sátiro ? -falou a velha do meio-
– Tenho três dracmas de ouro — disse Larry com a voz firme-
– Ah, mas isso era a nossa passagem a éons atrás, agora com isso só podemos ir até a metade do caminho — disse a velha motorista — Vocês descem em Washington.


Dizendo isso a motorista acelerou, e eu senti que meu corpo estava sendo levado em partículas como acontece com as imagens da tv, não dava pra distinguir o cenário lá fora, Larry pareceu querer vomitar, mas se controlou.


Então a velha do lado do passageiro que tinha o olho, se virou para receber as dracmas, e ficou me fitando, o olho dela, mexia em 360 graus, e isso era assustador e nojento, desviei o olhar do dela.


– Ahhh, o último tipo de semideus como você que entrou aqui, ameaçou a jogar meu olho pela janela — disse ela brava como se fosse eu que tivesse feito-
– O que ? -perguntei-
–Ahhh, você sabe, ainda sinto uma brisa em meu olho de lembrar o nome dele... Perseu Jackson.
– Hã, você quer dizer Percy Jackson ? do livro o ladrão de raios ? -disse Declan-
– Livro ? -riu a motorista- os mortais tem manias de fazer livros e filmes de semideuses, como Hércules, Aquiles, Perseu, porquê não do irritante Jackson?
– E porquê ele queria jogar seu olho pela janela ? -disse Declan-
– Porque temos o dom do futuro meu querido, não damos profecias como o oráculo de Delfos, mas temos uma vantagem sobre o amanhã -ela riu de uma maneira que me arrepiou-


Então o carro parou abruptamente quase fazendo meu estomago continuar, olhei pela janela e não consegui acreditar em 10 minutos havíamos chego em Washington D.C.


Larry entregou as 3 moedas de ouro e saiu, com cara de quem queria protestar sobre o aumento do transporte, Declan também saiu, antes de sair, me virei para as velhas, e perguntei:


– Vocês sabem de qual deus eu sou filho ?
– Sim querido, agora boa sorte! -assim que a velha motorista disse isso, foi como se os bancos tomassem vida, e me jogasse pra fora do táxi, me fazendo cair de cara na calçada, e o táxi se foi.


Me levantei me limpando, Declan me olhou:


– Se fosse eu, teria pego o olho delas, e ameaçado até que elas contassem tudo.
Estávamos, na frente do Monumento de Washington, em Constitution Gardens, Larry olhou em volta, respirou fundo, como se estivesse tentando sentir o cheiro de algo, então ele disse:
– Precisamos sair daqui, o táxi só nos deu alguns minutos de vantagem.
– Você está falando daquelas sombras ? -perguntou Declan-
– Sim.


Larry começou a andar rápido. Eu e Declan nos entreolhamos, e alcançamos Larry.


– Você sabe o que eram ? -perguntei-
– Suspeito.. de benevolentes. -disse Larry-
– Ahh, eu já ouvi falar disso na aula de história -eu disse- Acho que era... Fúr..


Nesse momento Larry tapou minha boca com sua mão. Tirei a mão dele, e antes mesmo que eu pudesse perguntar Larry disse:


– Nunca, fale alto o nome dos seres, eles podem te ouvir. Por isso chamamos elas de benevolentes, para que não nos ouçam.
– Ahh, desculpe. -eu disse-
– Tudo bem — Larry sorriu encorajadoramente- vocês dois vão aprender tudo que é necessário.
– Sabe, tem algum tipo de marca que os deuses deixam nos seus filhos para que a gente possa saber quem é nosso pai ? -disse Declan esperançoso-
– Infelizmente não Declan, teremos de ir até o acampamento e esperar que seu pai o reclame, mas em geral, isso não tem demorado.. bom antigamente demorava ou até nunca acontecia...
– Nossa, Nunca ? tipo você ia ficar a vida toda sem saber quem eram seus verdadeiro pais ? -perguntei-
– Sim.. -disse Larry- Sabe, as três bruxas tinham razão sobre Percy, ele não é apenas um personagem, quando ele passou pelo acampamento meio-sangue muitas coisas mudaram lá, ele percebeu que era injusto que alguns pais nunca reclamassem seus filhos, então pediu aos deuses, que reclamassem todos os filhos na idade máxima de 16 anos, e até agora isso está sendo cumprido. Eu sou um grande amigo de Grover Underwood, que é o sátiro que protegeu Percy..
– Então podemos conhecer o Percy ? -perguntei-
– Acho pouco provavel -admitiu Larry- Percy não participa mais de aventuras, está com Annabeth Chase, estudam e moram em Nova Roma, uma cidade do acampamento Júpiter, eles não costumam vir muito aqui, agora tem uma vida mais normal.
– Faz quanto tempo desde que Percy saiu do acampamento ? -Declan perguntou-
– Bom.. acho que fazem uns 6 anos mais ou menos.. talvez menos,talvez mais.. não sou muito bom com o tempo... -disse Larry-
– Nossa, então ele já está velho ? -perguntei-
Larry riu.
– Meninos, vocês poderão fazer todas as perguntas mais tarde, eu de vocês estaria mais preocupado em chegar em segurança ao acampamento e ser reclamado por seus pais.. vocês devem estar ansiosos para saber de quem são filhos.. bom, eu estaria.


Contínuamos andando, e então eu ouvi a voz de uma mulher me chamando, olhei do outro lado da rua e vi uma senhora, baixinha, com cabelos brancos presos em um coque alto, ela usava um vestido que parecia mudar de cor conforme olhávamos para ele, ela tinha olhos negros, e me chamava insistentemente e estava com uma bela cesta que parecia de café da manhã de novelas, aquilo me deu água na boca. Olhei para Larry e para Declan, eles estavam conversando, Declan parecia animado em saber que tinha um pai, acho que isso o empolgava mais do que o fato de possivelmente ser um semideus.


Sei que foi uma atitude muito burra de minha parte sabendo que estávamos sendo seguidos por fúri... quer dizer por benevolentes, mas aquela senhora parecia me hipnotizar, atravessei a rua e fui na direção dela, ela sorria amigavelmente.


– Olá Ryan Mason,está com fome ? -disse a senhora-
– Como você sabe meu nome ? — perguntei-
– Oras, eu sei de muitas coisas, mas não tenha medo.. sirva-se — ao falar isso, ela estendeu a cesta em minha direção me oferecendo todos os tipos de guloseimas, torradinhas e bolinhos que haviam lá-


Peguei um bolinho cautelosamente, eu nunca havia ido a Washington antes e não poderia ter alguém que me conhecesse lá. Antes que eu pudesse dar uma mordida no bolinho, a senhora falou:


– Você ficou muito bonito, nossa.. como demorei para te encontrar.


Parei o bolinho a meio caminho da boca, e fitei-a.


– A.. senhora estava me procurando ?


Fiquei olhando para ela, esperando a resposta, e então senti uma mão segurar meu braço, me virei de solavanco, e era Declan, me olhando assustado, Larry estava ao seu lado, ambos me olhavam desconfiados.


– O que você estava fazendo Ryan ? -perguntou Declan-
– Aonde conseguiu esse bolinho ? -disse Larry-
– Estava conversando com essa senhora, ela me deu o bolinho — falei me virando para a senhora novamente, mas quando me virei, ela não estava ali, havia apenas uma estátua antiga, bem maltratada, mal conseguia se ver o rosto dela.
– Cara, vimos você de longe falando com a estátua -disse Declan- Acho que você está pirando!


Olhei fixamente para a estátua, eu sabia que a senhora estivera ali, eu ainda estava segurando o bolinho que ganhará dela. Dei uma mordida no bolinho, que por sinal estava bem gostoso e nada envenenado, me virei para eles.

– Vamos embora antes que eu enlouqueça de vez...


Fomos andando em direção a rodoviária de Washington, enquanto andávamos olhei para trás mais algumas vezes, mas nem sinal da senhora que me dera aquele bolinho.

Notas finais
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