Notas iniciais
Ryan Mason, Declan Jones.. e Bill Gates ? O.O

Chegamos na rodoviária e para nossa sorte nosso ônibus não demoraria muito para sair, em 20 minutos já sairia, o que nos dava tempo de ir ao banheiro, e passar na lojinha de conveniências para pegar algo para comer, entramos na lojinha, e fomos procurar alguns salgadinhos e barras de chocolate, Larry achou também uma pequena revistinha aonde tinham os 12 deuses olimpianos e alguns caça-palavras e palavras cruzadas sobre eles. Compramos então a revistinha e alguns salgadinhos e seguimos em direção ao nosso ônibus, entramos no ônibus, eu sentei ao lado de Declan, e Larry se sentou no banco a nossa frente, ele fechou a cortina, e inclinou seu banco, naquele momento percebi que ele deveria estar muito cansado, ele havia destruído dois lestrigões, fugido com a gente para outro estado, estava desde Leesburg nos dando pequenas aulas sobre mitologia, e correndo um perigo que nem era dele, era meu e de Declan.


Fiquei me sentindo um pouco mal pelas impressões que eu tinha dele antigamente, eu estava totalmente errado, ele era um cara legal, e eu me sentia de certa forma protegido com ele, ele sabia muito mais do que eu sobre as coisas, e eu acreditava no que ele estava dizendo mesmo que parecesse absurdo, também comecei a perceber o quanto minha vida era perigosa e se tornaria mais complicada quando chegássemos nesse acampamento, eu não sabia o que iria encontrar lá, seria tipo uma escola que ensina as coisas mitológicas como a escola de Harry Potter ? Ou nos colocariam em batalhas um com os outros para verem quem era o mais forte como em Jogos Vorazes ?


Eu estava bem ansioso, e não consegui dormir durante a viagem. O motorista dirigia calmamente, e nada acontecia, Declan folheava a revista de deuses, ele já havia feito todos os jogos dela, e agora ficava escolhendo quem ele queria que fosse seu pai.


– Cara, ia ser muito legal se eu fosse filho de Poseidon assim como o Percy né ? Ou então filho de Apolo, ou de Hefesto, nossa isso me faria ganhar bastante dinheiro construindo coisas tecnológicas, tipo o Bill Gates... você acha que Bill Gates é um semideus ?
– Bill Gates ? Não sei, talvez... -eu disse achando certa graça na pergunta-
O resto da viagem seguiu com tranquilidade, chegamos na rodoviária de Long Island, Larry nos disse que dali poderíamos seguir apé, seria cerca de 20 minutos. Já estava no final no dia.


Fomos andando, Larry o tempo todo atento. Chegamos aos pés de uma enorme colina com um pinheiro no topo, porém eu sentia de alguma forma que nem tudo estava bem, senti os pelos de minha nuca se eriçando, logo uma sombra passou sobre a gente, eu olhei para cima, e vi um ser com asas como se fossem de couro, garras afiadas, e voava com uma incrível rapidez, ela desceu e parou na nossa frente, bem no nosso caminho para o acampamento, era a coisa mais feia e estranha que eu já tinha visto na minha vida.


– Ryan Mason, você tem de vir comigo, e quanto a vocês dois, serão meus lanchinhos -disse ela —
– O que você disse sua coisa feia ? -disse Declan- Você não vai levar meu amigo e muito menos me lanchar!


Ela riu freneticamente, e nos fitou com aqueles olhos vermelhos e aterrorizantes, eu não sei Declan estava com tanto medo quanto eu, mas se ele estava disfarçou bem.


– Quem você pensa que é semideus, para falar dessa maneira comigo ? Já tive coisas presas entre meus dentes maiores do que você. -disse ela-
– Aé ? Então tenta me mastigar bicho feio!


Dizendo isso Declan pegou uma pedra consideravelmente grande que estava no chão, e arremessou contra o bicho. O Bicho segurou a pedra antes de ser atingido, e a esfarelou entre as garras. Larry então tirou da bolsa uma flauta e a jogou para Declan. Que a pegou sem entender.

– Que é cara ? Quer que eu toque uma música pra esse bicho ? -disse Declan-
– Ela é uma fúria, só morre com bronze celestial... Por Pã ! — gritou Larry-
Ao gritar isso, a flauta que estava na mão de Declan se transformou em uma lança, a lança que estava com Larry mais cedo, eu nem tinha reparado que a lança havia sumido, agora tudo fazia sentido, ela tinha uma espécie de formato de bolso.
Declan foi para cima da Fúria, dando uma estocada, da qual ela se desviou, ele virou em solavanco dando um corte lateral com a lança, que passou raspando pelo tórax da fúria que novamente se esquivou, a fúria girou com as garras de fora,e Declan a bloqueou com a lança, as garras deram um corte lateral na blusa de Declan. Ela riu.


– Para um pirralho, você até que é veloz semideus. -disse ela-
– É ? Você ainda não viu nada. -disse Declan-


Ele partiu para um novo ataque, mas antes que chegasse na fúria ela desapareceu em pleno ar, deixando um cheiro de enxofre bem desagradável, naquele momento percebi o olhar do Declan brilhando, como se ele estivesse se divertindo muito, sinceramente eu já tinha visto o olhar dele daquela maneira antes, quando jogávamos jogos de luta, mas dessa vez era diferente, pois havia perigo real, aquele bicho poderia tê-lo matado, e ele não parecia estar com medo.


Larry o olhava atentamente, então disse:


– Vamos, subir a colina. — disse ele-


Olhei para Declan abismado.


– Como você fez aquilo Declan ? — eu disse empolgado-
– Eu não sei, eu só senti... — disse Declan olhando para a lança como se nem ele tivesse acreditado no que fizera-


Declan devolveu a lança pra Larry.


– Isso é seu instinto de semideus, é por isso que todo semideus, é diagnosticado com TDHA, déficit de atenção, e dislexia, a dislexia é por que sua mente esta conectada com uma linguagem mais antiga, vocês vão ver que ler em grego antigo é muito mais fácil, e o déficit de atenção te mantém vivo em uma batalha, faz com que você esteja atento a tudo, mas realmente sua coragem me impressionou muito Declan — disse Larry — Por Pã !


Ao dizer essa frase novamente, sua lança voltou a ser a flauta, que ele guardou na bolsa, enquanto subíamos a colina, Declan demonstrava sinais de extremo cansaço, e se ajoelhou no chão. Quando voltei para ajuda-lo, ele se levantou devagar e disse:


– Relaxa, eu to bem, vamos? — disse Declan-
– O.k. vamos.


Continuamos subindo , quando chegamos ao topo, olhamos para o acampamento, dava para vê-lo inteiro dali, a vista era a mais bela e mais impressionante que eu já tinha visto em minha vida.


Havia uma casa azul e branca, ela tinha vários andares e era enorme, haviam várias outras casinhas, dispostas organizadamente pelo campo, havia uma quadra de vôlei, um campo de morango que cintilava a luz do sol se pondo, e um enorme refeitório (pelo menos pensei que fosse pois haviam várias mesas e cadeiras) a construção de tudo parecia antiga embora bem conservada, tudo em um estilo grego, com colunas de mármore se erguendo.


Fiquei boquiaberto por um tempo, até perceber que Declan já estava descendo a colina em direção a casa maior, e Larry me chamando para que acompanhasse ele e Declan.


Desci com eles, ainda maravilhado com toda aquela paisagem, passamos correndo próximo a uma daquelas paredes de escalada, mas ela estava tremendo e escorrendo lava, fiquei imaginando que a pessoa teria que ser muito boa em escalada e muito rápida para conseguir subir aquela parede. Vou lhe dar uma dica simples, nunca corra enquanto olha uma parede de escalada, enquanto corria eu tropecei em algo no chão e cai em cima de um garoto desconhecido, ele tinha cabelos castanhos e olhos negros, a pele era assustadoramente branca, ele não ficou nada feliz, seus olhos cintilaram em um roxo frio e sem vida, me afastei dele.


– Desculpa.. eu não te vi.. e..
– Olha por onde anda novato — disse ele, ainda com o estranho brilho nos olhos, até que por trás dele apareceu uma garota de cabelos castanho, de olhos negros como os do garoto,ela parecia muito com ele.
– Nathan !! Ele acabou de chegar, está assustado, calma.. -ela me dirigiu um olhar compreensivo, e juro que pude sentir até um pouco de pena nos olhos dela-
– Meu nome é Brooke Collins — ela estendeu a mão para mim- e esse é meu irmão gêmeo Nathan, sinto muito pelo mal entendido.
– Foi culpa minha o incidente, e eu sinto muito — segurei a mão dela, e fiquei maravilhado com como o sorriso dela era caloroso, e sua expressão reconfortante, não pude deixar de notar, que apesar da grande semelhança entre os dois, pareciam tão opostos.


Larry veio correndo ao nosso encontro.


– Brooke, Nathan, vocês terão tempo para falar com Ryan depois, agora preciso dele. — disse ele ofegante, provavelmente por vim correndo-
– Ryan ? Este é seu nome ? — disse Brooke -


Naquele momento me senti muito idiota, ela havia se apresentado e eu nem sequer dissera qual era meu nome, concordei com a cabeça, e fui puxado por Larry.
Assim que entramos na casa nos deparamos com um homem de meia idade em uma cadeira de rodas, ele tinha o olhar preocupado e distante, ele me olhou como se me reconhecesse mas não conseguisse se lembrar do meu nome. Estendi minha mão na direção dele:


– Sou Ryan Mason, prazer em conhecer o senhor.


Ele segurou minha mão, e deu um leve sorriso.


– Sou Quíron -disse ele-

Notas finais
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