Sábado de manhã, o exército estava na cidade. Paola e sua mãe estavam preparando o discurso à presidência do grêmio (Sua mãe sempre a ajudava nesse tipo e coisa) em uma lanchonete situada em um dos extremos da cidade. Dois soldados entraram na lanchonete, e foi no exato momento que os dois entraram que um dos vidros da Lanchonete quebrou, estilhaços voavam por todos os lados. Paola, deitada no chão, lado a lado ao soldado, o olhou por alguns segundos. Os barulhos cessaram. Ela virou lentamente a cabeça, com receio. E do seu outro lado estava sua mãe. Uma poça de sangue rondava sua cabeça. Ela puxou o celular do bolso como se já soubesse o que viria depois. E como esperado, sentiu a vibração. O sangue da mãe já molhava seu cabelo. “Tempos de ódio sempre parecem demorar mais, então, odeie com prazer. Faça do ódio o seu hobbie.” Assinado: Rumoribus.

Domingo à noite, Paola estava sentada ao lado de sua mãe, no hospital, ao lado de sua mãe, logo após a terceira cirurgia. Alguém bateu a porta, Paola limpou o rosto e foi até lá. Eram os soldados da cafeteria, trazendo flores.

– E muito gentil, pode deixar ali – Ela apontou. – A polícia tem alguma coisa?

– Não, a polícia está sendo extremamente rigorosa quanto às informações do caso. Eles mencionaram Rumoribus, eles desconfiam dele, mas ninguém relatou ter recebido mensagens dele. Quem é ele?

– Quem são vocês?

– Eu sou Bruno, esse é o meu amigo Ricardo.

– É complicado. Apenas torça para não ser mencionado nas mensagens dele.

– E sua mãe?

– Provavelmente vai morrer; e se ficar viva vai levar muitas sequelas. Provavelmente vão pedir para desligar os aparelhos em breve.

– Você parece... Muito confortável com isso. – Bruno estava constrangido.

– Não passam de aparências – Ela se levantou, ajustou o vestido e abriu a porta – Agora gostaria muito de ficar sozinha com a minha mãe.

Ambos saíram, e Anne entrou acompanhada de Bárbara, trazendo mais flores.

– Mais flores? Não precisamos de mais flores, ainda mais de vocês. Se vocês acham que isso vai me fazer desistir da presidência do grêmio estudantil, vocês estão enganadas.

– Nós jamais pensaríamos isso Paola – Anne estava chocada.

– Na verdade eu pensei, mas foi passageiro. – Anne cutucou Bárbara.

Paola tomou as flores da mão de Anne e jogou-as no corredor.

– Agora vocês poderiam me fazer o favor de dar o fora daqui?

***

– Paola permitiu que os aparelhos fossem desligados. – Comentou Lídio.

– Quando? – Matheus Amil estava curioso.

– Quase agora.

Era tarde de domingo, e Lídio e seu companheiro de chapa estavam preparando um discurso.

– Lídio você já pensou que isso vai impactar no discurso do Grêmio da Paola amanhã?

Lídio vai até a outra poltrona e pega o celular.

– Acho que vai aumentar nossa chance de vitória.

– Lídio – Matt parecia nervoso – Você não vai ficar mexendo no celular enquanto eu reviso o discurso, vai?

– Não posso ficar muito tempo off, você sabe... – Ele parou de repente, seu olhos ficaram estatelados, ele ficou boquiaberto. “Eu sei o que você e Anne fizeram com aquele homem no último acampamento.” Assinado: Rumoribus.

– O que foi Lídio? – Matt estava curioso, mas Lídio não o respondia. Ele foi correndo até a porta, e quando ele abriu Anne estava lá, pronta para bater.

– Temos sérios problemas – Ela disse.

***

Era noite, a multidão de preto estava ali para se despedir da Sra. Versace. Paola usava um óculos escuros, seu corpo imóvel, ela observava o caixão. Seu irmão, Olavo, era consolado pelo melhor amigo, Danilo. Paola ainda estava brava com Danilo, mas ele jurava não saber do que ela estava falando. Pillar olhava para Olavo com uma expressão inquieta, ela parecia ansiosa.

– O que você tem? – Hill perguntou – Você tá interessada no irmão da sua melhor amiga?

– Hill, agora não.

– Vamos embora – Paola ordenou as duas com voz firme – Eu já me despedi o suficiente, não sou obrigada a ver tais formalidades.

Paola entrou no carro, e dirigiu como se não houvesse amanhã, enquanto tocava “Bad Girl” da Avril Lavigne.

– Paola vai com calma, você nem tem carteira, nem deveria estar dirigindo.

Começou a chover forte. Pillar e Hillary estavam assustadas no banco de trás. Ela aumentou a velocidade, e passou direto por um sinal vermelho, o carro ficou a dois centímetros de bater em um ônibus. Ela parou em frente à casa da melhor amiga da mãe dela. Era uma casa ainda mais bonita do que a sua, contando com três andares e um jardim imenso. Ela desceu e ambas a seguiram. Ela tocou o a campainha até que ela quebrasse, e Rúbia atendeu de roupão. Paola deu-lhe um tapa na cara.

– Filha da puta, você nem se prestou a fingir que era amiga da minha mãe no dia da morte, aposto que está com o ex-marido dela.

– Olha lá Paola – Disse uma voz masculina ao fundo — Eu sou seu pai.

Paola entrou, e pegou um vaso, atirando-o em seu pai, ele desviou, ela jogou outro, que acertou em cheio seu rosto, desferindo-lhe vários cortes.

– Que você acha que é pra entrar na minha casa...

Paola se agarrou nos cabelos de Rúbia, e finalmente começou a chorar. Ela a puxou para fora, e a jogou na lama, subiu em cima de seu corpo, as lágrimas se misturaram a chuva, ela deixou Rúbia nua na grama, suja de lama, e começou a lhe dar tapas, um atrás do outro, enquanto chorava freneticamente. Hillary e Pillar a observavam assustadas.

Quando se sentiu satisfeita, ela levantou, e observou a mulher nua suja de lama, o rosto inchado. Seu pai apareceu na porta, com alguns cortes profundos no rosto.

– Você nunca foi a melhor amiga da minha mãe. E você, nunca a mereceu- Ela se abaixou, e cuspiu no rosto de Rúbia.

Seu pai, tentou alcançá-la, mas um pouco tonto caiu na varanda.

– Filha... Você vai pagar por isso, eu... Eu não estarei mais ao seu lado.

– Você está comigo, contra mim, tanto faz. A única coisa que restará é o ódio. Você sabe por quê? Por que ódio pode viver sem nós... Mas nós... Nossa família... Nós... – Ela deu um sorriso torto — Nós não conseguimos viver sem ele. É uma maldição. Quando um morre, outra entra no ciclo. É a minha vez. – Ela rasgou o vestido preto molhado que estava usando, ficando apenas com a langerie e a bota que estava usando – Meu luto acaba aqui.

Ela volta em passos lentos para o carro. Hillary e Pillar a acompanham, ainda assustadas. Quando ela senta no banco, ela sorri, e depois usa o espelho para retocar o batom.

– Parece que eu surtei.

***

Thammy e Matt estavam sentados na praça onde ficaram pela primeira vez.

– Eu quero esclarecer as coisas. – Thammy nem se quer olhava para o rosto dele.

Antes de Rumoribus aparecer, Matt a havia traído com Hillary, e foi quando o grupo composto por Anne, Lídio, Matt, Thammy e Hill se desfez. Hill e Pillar começaram a andar juntas, Thammy se afastou do grupo e fez amizade com Ulisses e seu pessoal. Anne se afastou um pouco do grupo e se dedicou mais ao grupo de sempre. Só restaram Matt e Lídio.

– Thamyres, olha eu errei, eu sei que eu errei...

– E eu estou disposta a tentar de novo.

Ele ficou chocado.

– Por favor, não me chame de Thamyres.

***

Uma hora da manhã, Paola ainda estava vagando pela cidade, quando encontrou o soldado Bruno.

– O exército foi embora, não?

– Eu abandonei as atividades. Eu já tinha planejado ficar nessa cidade pra cuidar dos meus avós.

– E vai viver de que?

– Eu não gosto da polícia militar, mas vou iniciar minhas atividades como policial amanhã.

Paola se abraçou, para se aquecer.

– Você... Quer minha blusa de frio?

– Não obrigada, eu sei me cuidar sozinha.

O celular de Paola vibrou, e quando ela verificou ficou perturbada.

“Você pode enganar as pessoas, mas não a mim, eu sei que não é disso que você gosta” Assinado: Rumoribus.

Paola olhou em volta, estava deserto, exceto por Thammy e Matt sentados em uma praça.

– Algum problema?

– Eu preciso ir.

Paola caminhou em direção a eles esfregando as mãos nos braços.

– Olá!

– Paola! O que faz aqui? – Thammy estava surpresa.

Matt evitou olhar o corpo de Paola, havia acabado de reatar, mas era difícil, os cabelos negros e longos, o rosto branco simetricamente perfeito, olhos nariz e boca prefeitos, corpo escultural, busto farto, cintura fina. Era a mulher dos sonhos.

– Só passando o tempo. Vocês estão juntos novamente?

– Parece que sim, e você é a primeira a saber.

O celular de Thammy vibrou, e quando ela verificou a reação se repetiu. Pasma boquiaberta, ela leu:

“Será que ele voltaria se soubesse qual o seu novo hobbie viciante?”

Assinado: Rumoribus.

Para encerrar a noite, Rumoribus encerrou a noite, mandando, para todos da escola, exatamente a meia noite, a mesma mensagem. Todos olharam a mensagem com um ar de preocupação.

“Todos têm segredos. Há quem diga que somos o que queremos ser. Eu discordo. Somos o que somos. Aparentamos ser, o queremos ser. Mas eu vejo as pessoas por um ângulo que só elas mesmas podem ver. Eu sou o espelho da consciência, e sei tudo o que vocês fizeram ou fazem de mais podre e sórdido. E pretendo tornar público. Tomem cuidado com seus próximos passos, vocês podem estar em um campo minado. Um passo errado e você põe tudo a perder. Eu dei o nome, ‘Rumoribus’, é aquele que vai te fazer pensar duas vezes antes de agir”.