Rumoribus
3 Insanidade
Demétrio entrou no banheiro masculino e lá estava ela, debruçada sobre a pia, enchendo o lixo com lenços de papel. Úrsula, a professora de biologia não parecia bem. Ele tentou avisá-la que estava no banheiro errado, mas estava imóvel. Úrsula viu seu reflexo no espelho.
– Demétrio? Ela parecia constrangida e assustada O que você está fazendo aqui?– Esse... É... O...– Minha nossa, eu entrei no banheiro errado foi? Ela desajeitada pegou as coisas que estava sobre a pia, deixando alguns papeis cair. Demétrio não pensou duas vezes em ajudar. E entre os papeis um chamou sua atenção, mas antes que ele pudesse ler, ela o tomou de sua mão. Ele a olhou durante alguns segundos esperando que ela dissesse alguma coisa. Úrsula pegou com a outra mão os lenços de papel e saiu, sem dizer uma palavra se quer, e Demétrio a acompanhou com os olhos.***O auditório estava lotado, servidores e alunos estavam aguardando ansiosos pelo discurso de Paola. Muitos tinham receio que ela conseguisse se sair bem pelos acontecimentos recentes. – Bem, eu tinha algo preparado e ensaiado. E tenho certeza que cativaria a todos, mas depois do que aconteceu eu inferi que tinha que dizer o que meu coração mandasse. Eu perdi minha mãe nesse fim de semana, em um evento calamitoso que deixou meu coração lúgubre. E, de forma antagônica, isso me pungiu. Deixou a ideia de ser presidente do grêmio mais tenaz. Minha mãe era a pessoa mais ponderada, egrégia e oportuna que já conheci. Olvidá-la não vai ser fácil. Não se oblitera pessoas tão notáveis como ela. Eu não sei como induzi-los a votar em mim, e eu não quero. Por que, a exortação na maioria das vezes não é justa, nem franca nem confiável. Então eu quero apenas dizer que, eu sou toda ouvidos. Eu quero fazer o que minha mãe sempre fez comigo Ela começou a chorar Ouvir, compreender e fazer o que estiver ao meu alcance para ajudar vocês. Eu encerro, mas não pedindo para votarem em mim. Eu encerro pedindo para votarem com o coração. Ela saiu, aplaudida de pé, a maquiagem borrada. Ela encontrou Hillary e Pillar no camarim atrás do anfiteatro. – Como eu fui garotas?– Foi ótima, eu quase achei que você estava chorando de verdade — Pillar estava animada.– A ideia de passar maquiagem pra borrar foi ótima, eu acho que eu já ganhei garotas. – Eu vi alguns trouxas chorando na plateia. Hillary completou. – Gente eu preciso muito ir ao banheiro. ***Quando Paola está retocando a maquiagem, a porta bate sozinha. Donatella, que estava no banheiro tenta sair. A porta estava trancada. – Alguém trancou por fora. Paola vai até a porta e começa a surrar, sem sucesso. – Não vai adiantar, é hora do discurso do Lídio, não tem ninguém por perto. Ninguém vai ouvir. Paola se senta sobre a pia, aparentemente calma.– Donatella, eu preciso sair daqui, eu preciso ver o discurso dele. Donatella fixou os olhos azuis em Paola. Donatella era realmente bonita, os lábios carnudos pintados de rosa, a pele pálida, os cabelos loiros e curtos, repicados, as pernas cruzadas, ela usava uma sai curta e botas. – Olha, nós não vamos sair daqui enquanto ele não terminar o discurso. – Vamos, eu vou ligar pra alguém. – A operadora está fora do ar, estou tentando no momento. – Que saco! Quem foi a puta que me trancou aqui? – Cara, relaxa! Paola se aproximou de Donatella, ficando cara a cara. Ela estava vermelha de raiva, e Donatella não esboçava nenhuma reação. – Eu não posso relaxar, eu preciso sair desse lugar imundo e eu não preciso de alguém pra ficar me pedindo pra rela... Ela foi calada por um beijo de Donatella, um beijo longo ao qual ela queria evitar, mas não conseguia. Quando os lábios se separaram um momento de silêncio pairou, apenas olhos nos olhos.– Você nunca me enganou Paola, mas fique tranquila, eu não vou contar. Eu só acho que esconder sua opção não seja a melhor opção. Paola deu-lhe outro beijo, mas dessa vez ela usou as mãos também. Desta vez mais quente, os corpos estavam colados. As pernas longas e belas de Donatella estavam em volta da cintura de Paola. ***Lídio havia acabado o discurso, e andando com Matt ele ouviu uma voz que vinha de uma sala. Eles se aproximaram, era Danilo.– Ele está falando com alguém. Matt afirmou. – Vamos lá. Eu quero saber. – Mas Lídio...– Matheus Amil, agora! Quando eles se aproximaram, só ouviram Danilo repetindo Mariah. – Mariah? Lídio estava curioso Só existe uma Mariah, e é a Ex dele. – Ele deve estar sentindo falta, ela sofreu muito, foi humilhada, fugiu da cidade e depois foi diagnosticada com câncer.– É muito estranho, eu achei que ele já tinha superado. Mariah morreu há mais de um mês.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.
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