Rota Zero

64 Terror de Opelucid – parte 2


Notas iniciais
Bem vindos a mais uma semana do Terror de Opelucid. E desculpem pelo atraso. Eu iria postar o capítulo da minha casa, mas ao chegar lá descobri que não tinha feito uma copia do capitulo pronto que havia no computador do trabalho. Mas o que é um dia? Preparados? Então vamos lá.

Haila

TERROR DE OPELUCID – parte 2

Assim que saímos da cidade acompanhamos a rodovia até certa altura quando ouvimos o primeiro barulho de automóvel, então nos jogamos em direção à mata e continuamos por ela durante algum tempo, até finalmente conseguirmos visualizar a armação de concreto colossal, com vários andares de altura, entre meio duas enormes rochas.

Como imaginamos a represa estava sitiada por Team Plasma, alguns deles usando uniformes pretos e outros usavam vestimentas normais. Um pequeno grupo estava cercando a rodovia, segurando armas de grosso calibre nas mãos, claramente tentando intimidar qualquer um que se aproximasse.

Sobre a plataforma havia alguns outros, a maioria deles acompanhados por Pokémon. Todos em ultimo estagio evolutivo. – Onde estão Iris e o pai?

— Não sei, provavelmente na mesma situação que a nossa. Tentando descobrir um modo de entrar e saber o que está havendo lá dentro.

Continuamos pela mata alguns metros até conseguirmos ver o rosto dos Team Plasma envolvidos. Nos esgueiramos entre rochas, arvores e arbustos até uma distância bem curta da barragem.

Deedee percorreu o olhar por todos os agentes a vista, mas nenhum deles era Rose. De algum modo, talvez por sentir a ansiedade dele, também fiquei na expectativa de encontrar garota. Não que eu tivesse alguma afeição por ela, mas o que era importante para Dee também acabava se tornando para mim.

— Como pretende entrar? – Ele cochichou pra mim.

— Não faço ideia – rebati. E realmente não fazia, tudo o que podíamos fazer era esperar uma brecha, fosse lá qual fosse. Além disso entrar poderia não significar nada, quem sabia onde poderia ser a entrada para a tal caverna do lendário.

Foi quando ouvi o som de folhas sendo amassadas atrás de nós. Deedee e eu viramos o rosto juntos, quase como em um movimento ensaiado e acredito que o coração dele deva ter saldo assim como o meu fez.

Havia um homem de uniforme, com um sorriso malicioso no rosto apontando uma arma pra gente.

— Olha só, parece que temos visitas. Ergam as mãos. – Olhei para Deedee e ele me lançou aquele olhar de volta e o mais devagar que conseguimos nos levantamos, erguendo as mãos acima da cabeça. – Uma loira e um garoto de cabelo rosa, isso não pode ser coincidência. Vocês são os mesmo filhos da mãe que estragaram a operação na Seaside Cave.

— Não tome isso como pessoal – falei em um tom arrogante e vitorioso – mas as pessoas tem mesmo a mania de subestimar a nós dois.

— Não sou tão idiota quanto Thiers. Guerra vai ficar satisfeito com isso – cuspiu as palavras como veneno, – vocês estão mortos – começou a erguer a arma para nós acertar.

— Chiclete, agora! – Dee chamou.

O Pokémon saltou por detrás da árvore e acertou o soldado na nuca com um soco forte o bastante para quebrar ossos. O homem não teve tempo para reagir, seus olhos se viraram e ele despencou no chão de uma vez, atolando sua cara nas folhas secas.

Deedee ainda assim parecia impressionado que aquilo tinha dado certo. Depois de sermos capturados em Humilau pareceu certo que mantivéssemos um Pokémon de vigília e como Leaf já tinha se mostrado péssima em perseguições furtivas optamos por alguém mais gracioso.

Corremos até o soldado e tomamos sua arma. O objeto era mais pesado do que eu imaginei e gelado ao toque. Ergui aquilo do jeito que já tinha visto nos filmes e apontei para o homem. Deedee hesitou, mas cutucou o Team Plasma com os pés até ter certeza de que ele estava mesmo apagado.

— Obrigado Chiclete, você foi incrível – Dee agradeceu. Passando a mão no ombro do Pokémon que fez um movimento com a cabeça, mostrando o quanto tinha ficado satisfeito consigo próprio e com razão.

Entreguei a arma a Deedee por um segundo e comecei a vasculhar os bolsos do homem.

— Ele disse que Guerra não ficaria satisfeito. Pelo que fiquei sabendo esse é o pseudônimo de um dos chefes de operação da Team Plasma. Assim como aquele que encontramos na caverna.

— Pode até mesmo ser o mesmo. – Deedee parecia desconfortável segurando aquilo. Então encontrei algo relevante, um walkie-talkie, e parecia estar ligado porque emitia um chiado.

— O que vamos fazer com ele?

— Rezar pra Arceus que ele não acorde – fui sincera, não tínhamos levado cordas, fitas ou qualquer uma dessas coisas que víamos em filmes. Mas se eu tivesse levado uma pancada daquela dormiria horas, sem duvida.

Entreguei o walkie-talkie a ele e ele me passou a arma. De algum modo, no meio do mato, não tínhamos chamado tanta atenção e parecia que ninguém tinha notado nossa presença. E tendo apagado aquele guarda, aquela área provavelmente se manteria segura durante algum tempo. Até pelo menos notarem seu desaparecimento.

Ficamos ali durante longos minutos espiando entre as folhagens os movimentos da Team Plasma ou qualquer sinal de Iris e do pai, mas nada aconteceu até que o walkie-talkie chiasse e alguém começasse a falar.

“– Guardas em patrulha, Dreidran e Guerra estão subindo. – Uma pausa seguida de um chiado, – alerta nível dois – outra pausa – repito, alerta nível dois.”

Dee colocou sua mão sobre meu ombro e pela minha visão periférica pude notar que ele estava centrado no posto de vigia, ou de controle em cima da estrutura da represa. O som de agua caindo era tudo que podíamos ouvir, como um trovão baixo e continuo, mesclado ao barulho do vento nas arvores e o chiado do aparelho.

— Ele só pode ter confundido o nome, – Dee falou baixinho.

— Só pode – repeti. Eram nomes muito parecidos, Draiden e Deidran, mas estranhamente algo me dizia que o Team Plasma não tinha se confundido.

Foi quando ele surgiu, acompanhado por dois homens armados e mais alguém de cabelo loiro e sedoso. Eu nunca senti nada igual, foi como sentir todos os músculos do meu corpo se contraírem, uma corrente elétrica cortar todo meu corpo fazendo meus pelos se arrepiarem, enquanto gelo crescia no meu estomago.

Senti vontade de vomitar, mas não desviei o olhar, eles apenas se focaram ainda mais na cena inacreditável que eu estava vendo. – Ele... – Dee de alguma forma também estava sem palavras, – foi aquele homem que impediu que eu fosse roubado em Nimbasa, ele me salvou. Deidran.

O mesmo Deidran que eu salvei do Zoroak, o mesmo homem por quem Lenora estava apaixonado, era o mesmo homem que salvara Deedee. A frase veio a minha mente no mesmo momento. “Lenora tem seus próprios suspeitos” Roxie dissera em relação ao roubo do livro.

Ele tinha a sequestrado, ele deveria estar com ela. “Lenora era uma ótima líder de ginásio e não seria capturada facilmente” alguém me dissera em algum momento, eu não consegui mais me lembrar quem fora. Elesa talvez. Não qualquer um, alguém que ela confiasse e amasse. Alguém cujo qual ela não teria coragem de revidar.

— Rose, ela me disse esse nome em Nimbasa – Deedee se lembrou, parecia eufórico, assustado – ela comentara algo sobre Deidran não ficar satisfeito. – Me olhou chocado – não podem ser a mesma pessoa.

Mas para mim aquela cena tinha um significado a mais, ver Deidran não foi o que me deixara daquela maneira. Não somente. Algo que pra mim era impensável tinha mudado tudo. Deidran não estava sozinho. O garoto loiro ao seu lado, eu poderia reconhecê-lo em qualquer lugar. A qualquer hora. Era Jaden.

— Jaden está com a Team Plasma, ele é um Team Plasma – tive que me ouvir para acreditar, mas dizer aquelas palavras não conseguiu deixar aquela cena mais real.

Me encolhi no chão e coloquei as mãos sobre a cabeça. Não podia ser real, não podia. Eu deveria estar tendo outro pesadelo, só podia ser. As palavras do meu pai ainda estavam frescas na minha mente, “era tudo um jogo, Haila... eu achava que você só duraria quinze dias, mas Jaden acreditava um pouco mais. Dois meses. Foi por isso que não saímos atrás de você antes.”.

Ele nunca foi quem eu pensei que fosse, aquele não era meu irmão, não podia ser.

— Não pode ser – disse alto, sem medo de ser ouvida.

Deedee se inclinou depressa e pôs a mão sobre meu ombro.

— Haila o que está havendo?

Me levantei depressa e olhei de novo. Eles estavam entrando na cabine. Era ele, parecia mais velho, mais seguro, mas seu jeito de andar, seu corte de cabelo ainda era o mesmo. Meu coração batia tão forte que meu peito chegar a doer. Minha ânsia de vomito estava começando a sair do controle.

Aquilo era asco. Repulsa do meu próprio irmão ou a tudo o que eu acreditei que ele representava. Jaden era meu herói, era minha inspiração, era tudo o que eu gostaria de me tornar um dia e agora estava indo tudo por agua abaixo.

As palavras de Magnus pareciam cada vez mais reais. “Dois meses”. Eu estava chorando e não conseguia controlar, não queria.

— Haila – Deedee estava entrando em pânico – fala comigo, por favor. Fica calma.

Envolvi minhas pernas com os braços e comecei a balançar meu corpo para frente e para trás, eu estava chorando aos soluços e se o medo de morrer não fosse tanto eu estaria aos berros. Aos berros porque Jaden era um Team Plasma e tudo o que eu admirava nele e tudo o que ele foi pra mim estava morto.

Estava chorando porque Deidran estava com ele, porque ele mentira e manipulara e agora estava com meu irmão e eu o odiava, odiava com todas as minhas forças.

Minha respiração estava difícil, mas com a arma apoiada ao meu lado empurrei as palavras para fora.

— Deidran sequestrou Lenora, foi ele quem conheci em Nacrene City, aquele que salvei do Zoroak e aquele ao seu lado, o loiro, é meu irmão.

Deedee se permitiu sentar no chão, sua expressão estava tomada de terror e incredulidade – Jaden – repetiu o nome como se fosse um mantra. Algo religioso. Mas ainda sim não parecia real.

Engoli as malditas lagrimas e voltei a morder a parte interna do meu lábio. A ferida de poucos dias atrás ainda não tinha se fechado e novamente o gosto de sangue explodiu na minha boca, quente e ferroso.

Meus punhos se fecharam e os sentimentos mudaram dentro de mim. Eu podia sentir a vontade de chorar ainda lutando para me dominar, mas havia tanta raiva, tanta raiva junta que eu senti meu corpo inteiro queimar.

— Eu vou matá-lo.

— Haila, você não pode – Dee pareceu surpreso.

— Deidran e Jaden, eu vou mata-los. – Peguei a arma e procurei a trava. Já tinha visto aquilo em dezenas de filmes. Segurei a peça superior, puxei o pino e trouxe a armação superior para trás até ouvir o estalo.

Deedee se levantou e colocou a mão no meu ombro, fazendo Chiclete dar um passo para frente em reflexo, entrando no meu caminho.

– Se você os matar nunca saberá onde está Lenora. Ela pode não estar aqui – falou com urgência, – na verdade, ela nem deve estar aqui.

Foi quando o raio roxo chamou nossa atenção. Olhamos para a torre ao mesmo tempo, quando um Dragon Breath destruiu parte da parede e ergueu uma nuvem de fumaça e poeira.

Os tiros começaram, enquanto os dois e mais um soldado saiam intactos do lugar. Iris estava montada em um Salamance de tamanho surpreendente. O Pokémon ganhou altura depressa e enviou outra rajada que varreu parte da ala superior da represa. Deixando um pedaço da enorme parede de concreto negra pelo calor do ataque.

Gritos e o som de balas reverberaram em meio a mata. Iris tinha começado a guerra.

Seu pai surgiu apenas poucos segundos depois. Um Druddigon surgiu rasgando os céus, fazendo manobras aéreas surpreendentes, como se apenas deslizasse. Girou seu corpo e cuspiu algo como fogo azul, que acertou o outro lado da barragem.

A luz de uma barreira luminosa se ascendeu, um dos subordinados com um Bisharp estava usando Protect envolvendo Deidran e Jaden. Outro, com um Gorluk disparou usando Fly. O Pokémon ganhou os céus como um torpedo indo em direção a Iris.

Então finalmente o líder de ginásio entrou em cena. Ele estava nas costas de um Flygon e se jogou contra a enorme estatua viva, desaparecendo novamente de vista, enquanto caiam em direção ao rio.

Os soldados que cercavam a rodovia desviaram sua atenção para o pai de Iris, se enfiando na mata em direção ao rio. Enquanto outros vários saíram de uma das portas de metal que levava aos andares inferiores da parede da barragem.

Foi quando Jaden liberou um Pokémon que eu decidi agir.

— Precisamos ajudar, Dee.

— Roxie vai ficar louca com isso – ele disse sorrindo.

— Provavelmente – respondi começando a sorrir também. De alguma forma, mesmo que tudo estivesse parecendo louco, eu ainda tinha meu norte enquanto Deedee estivesse comigo.

Ele trouxe Chiclete de volta e libertou Bacon. O suíno pareceu animado. Já tinha passado por situações parecidas outras vezes e era o Pokémon mais preparado de Deedee para ocasião. Libertei Leaf, preparei a Great Ball de Serpio e sai correndo com a arma nas mãos, seguida por Dee que apenas enfiou o walkie-talkie no bolso. O aparelho ficara louco, lotado de vozes.

Assim que o primeiro raio de gelo foi lançado os tiros pararam, pelo menos na direção de Iris, e eu sabia exatamente que Pokémon Jaden estava usando. Saímos da mata já praticamente em cima do primeiro integrante da Team Plasma.

Deedee foi rápido e comandou Arm Thurst. O Pokémon simplesmente saltou sobre o homem acertando-lhe um soco no peito. Pude jurar ouvir o som dos ossos do homem se quebrar. Ele caiu no chão como uma pedra e começou a gritar e se contorcer de dor, abraçando a si próprio.

O segundo estava mais a frente, – Flame Charge – o corpo do Pignite se envolveu em chamas enquanto ele corria na direção do Team Plasma sem uniforme. Leaf acertou com suas folhas a mão do homem o fazendo largar a arma e logo em seguida Bacon o acertou, o lançando com uma força descomunal no parapeito atrás de si.

Olhei para o céu a direita e pude perceber que mesmo em meio à batalha contra Glaceon Iris notou nossa presença ali. Pulei para o canto e fui seguida por Deedee. Os soldados começaram a atirar em nossa direção, fazendo o cimento da construção explodir quando as balas o perfuravam sem misericórdia.

Nos ajoelhamos e cobrimos a cabeça por instinto, não tinha como sair dali.

— Matem os desgraçados – algum deles gritou.

— Atirem – o outro pediu em meio aos berros.

— Estamos sob ataque – alguém notara, dizendo pelo walkie- talkie.

Mas antes que eu pudesse pensar em qualquer coisa fomos surpreendidos por Gorluk. O Pokémon foi atirado com força na parede ao nosso lado, quebrando o parapeito e rolando pra cima da plataforma da represa.

O pai de Iris surgiu em seguida, abraçado ao pescoço do Pokémon que ganhava altura em um voo praticamente vertical. Em um movimento voltou para horizontal e já lançou um ataque na direção dos soldados que não reagiram a tempo. O Pokémon abriu a boca, criando um vórtice de areia que engoliu os dois soldados os arremessando dentro da agua, metros abaixo de nós.

O Gorluk não tinha terminado. Ele socou o chão com tanta força que o fez trincar em volta de seu punho. Urrou de forma assustado e ergueu a cabeça.

— Leaf, Solar Beam.

— Bacon, Arm Trusth.

O suíno saiu correndo na direção de Gorluk e o acertou na cara, fazendo sua cabeça se erguer com a força do golpe, mas ele não caiu, não era efetivo. Leaf ainda estava juntando energia e ele estava voltando a se levantar. Eu não podia hesitar, apertei o gatilho.

A arma bateu no meu peito com força levando lagrimas aos meus olhos no empuxo, mas não parei, voltei a apertar de novo. As balas estavam o acertando uma atrás da outras, fazendo lascas de pedra se soltarem, mas aquilo não era o suficiente para pará-lo.

Quando ele deu o primeiro passo furioso em nossa direção Leaf o acertou. O raio de energia o atingiu diretamente, uma pancada tão forte que fez o Pokémon recuar e pisar em falso, despencando no abismo de metros de altura.

Duddrigon pousou na nossa frente e suas garras começaram a brilhar, seus dentes estavam expostos e ele rugiu ferozmente. – Amigos – disse dando um passo para trás aumentando a distância entre nós.

A bala explodiu no ombro dele antes que Pokémon pudesse se decidir com que fazer. Ele urrou bestialmente e se inclinou, ficando com as quatro patas no chão. Apenas ouvimos o grito do homem e o bater das asas. O pai de Iris tinha pousado em cima do soldado com Flygon e agora ele jazia desmaiado sobre as patas do dragão.

— Volte, – o barbudo pediu, trazendo o Pokémon de volta a sua Ball. – você já fez o suficiente.

Saímos detrás da armação de concreto e nos pusemos de frente ao líder de ginásio. – Somos amigos.

— Eu percebi, – ele respondeu ríspido, – saiam daqui. Isso não é lugar para crianças.

— Iris não é muito mais velha que nós – Deedee respondeu arrogante me fazendo ficar satisfeita com seu pensamento rápido.

O homem vacilou por alguns momentos e então cedeu. – Não importa quem sejam, a policia está vindo. Segurem esses malditos por quanto tempo puderem. Há explosivos em toda a barragem, se esses desgraçados conseguirem detona-los a cidade inteira será inundada e incontáveis vidas serão perdidas.

Deedee vacilou e eu também, mas não o suficiente para que o líder percebesse. – Faremos tudo ao nosso alcance. – Dessa vez, pela primeira vez inclusive, Deedee e eu não estávamos lutando para sobreviver. Estávamos lutando para salvar a vida de outras pessoas, para garantir a segurança de milhares. Pela primeira vez não estávamos a mercê do destino ou sendo levados pela maré.

Unova estava se tornando um pandemônio e tínhamos, de alguma forma, nos tornado parte crucial do problema.

O líder apenas confirmou com a cabeça e tocou o corpo do Pokémon com os calcanhares o fazendo alçar voou com uma velocidade descomunal, fazendo a mim e a Deedee balançar com o deslocamento do vento causado pelas asas enormes do Pokémon.

— Nem acredito que Abóbora ficará assim, – comentei voltando a correr pela plataforma.

— Ele vai ficar assim? – Dee pareceu incrédulo.

O Persian veio na nossa direção rápido demais, o Team Plasma estava escondido atrás de outra viga de concreto. Leaf disparou depressa na direção do Pokémon se chocando com força contra ele.

Enrolou o chicote em seu pescoço e o arremessou de volta para seu trainer. Seus chicotes estavam ficando cada vez mais fortes com o uso constante e o impacto deixou o Team Plasma desorientado. Bacon finalizou os dois, usando Flamethrower de baixa intensidade que fez as roupas do homem entrarem em combustão.

Passamos por ele tão rápido quanto ele surgiu e finalmente o vi. Jaden estava sobre um dos pilares e o chão abaixo dele estava tomado por gelo. Glaceon estava em cima da estação de observação que Iris atacara, disparando ataques contra o Pokémon e a Champeon da Elite.

Seu cabelo esvoaçava pelo vento deixando seu rosto bem a vista. Nós éramos muito parecidos, a diferença era de menos de um ano para nós dois, mas agora, percebendo o brilho em seu olhar e o sorriso perverso que ele ostentava, ele não lembrava meu irmão. Ou pelo menos o que eu imaginei que ele fora um dia.

Ergui a arma e tentei mirar em sua direção. Minhas mãos estavam tremendo, tanto que eu mal podia segurar o objeto. Os músculos pareciam rijos e uma leve dor se apossara do meu polegar. – Pare ou eu juro que eu atiro.

Ele me encarou com olhos arregalados. Parecia não acreditar em seus próprios olhos. Outros Dragon Breath explodiu praticamente em cima de nós, mas o Bisharp surgiu logo atrás dele, criando uma barreira que nós cobriu a todos.

O céu se tornou chamas arroxeadas por um breve instante, criando um brilho fantasmagórico no rosto de Jaden.

— Haila, você está aqui.

— Traga seus Pokémon de volta ou eu vou atirar – Disse usando o tom mas firme que eu consegui forjar. Deedee estava imóvel ao meu lado, olhando para Jaden com espanto.

Ele riu, da maneira solta e carismática como fazia e saltou da plataforma, – Você sabe que não vai fazer isso. – Abriu os braços e começou a caminhar em minha direção. Seu rosto era o mesmo, de perto ele não parecia ter mudado um dia, mas ninguém poderia parecer mais diferente de si mesmo. A adrenalina ainda estava tomando conta do meu corpo e meu coração estava disparado no peito.

Porque no fim, Jaden tinha razão, ele podia ver a arma vacilar em minhas mãos. Podia ver em meus olhos a confusão, como ele sempre pudera fazer. Mas ele não era mais meu irmão e ele não contava com uma coisa. Uma variável nova. – Deedee.

Apenas precisei dizer seu nome e como ele havia me prometido no Contest. – Bacon, Flamethrower – ele comandou sem hesitar. As chamas do suíno trepidar a poucos centímetros de Jaden fazendo o garoto se assustar e dar um passo rápido para trás.

— O que você está fazendo? – Jaden pareceu pasmo,– você veio até aqui. Está na hora, finalmente.

A porta na qual Deidran tinha entrada se escancarou e soldados surgiram. O primeiro deles a perceber nossa presença não hesitou. Veio para cima de mim e tentou me acertar com um soco, mas eu consegui desviar e por instinto, como se os tempos de briga na escola tivessem voltado, me inclinei e acertei sua barriga.

Ele colocou um braço em volta e depois tentou me chutar. Sua bota acertou minha coxa me fazendo vacilar, então ele girou o corpo e me acertou um soco no ombro. A dor explodiu, fazendo até mesmo os músculos daquela região se contrairem. A arma caiu no chão e saiu rolando, desaparecendo da minha visão.

Serrei os punhos e saltei para cima do soldado, acertando um soco no seu queixo. Senti minhas juntas doerem com o impacto com o osso, mas continuei, acertei outro e depois outro até o Team Plasma perder o equilíbrio e dar dois passos desajeitados para trás e finalmente o chutei.

Eu ainda estava tremendo, mas a adrenalina estava me deixando alerta. Infelizmente de pouco adiantou quando o segundo soldado, assim que percebeu que seu parceiro apanhou para uma garotinha, fez o que qualquer um em sua posição faria.

Senti primeiro apenas uma pressão, mas logo em seguida a dor tomou conta do meu ombro inteiro, e o caos se instaurou. Ele me atingiu no braço. Pude sentir a bala cravando no osso. Não consegui pensar ou reagir, o impacto me levou ao chão e apenas consegui dar um grito, gutural e sem sentido de dor e pavor.

— Bisharp, Revenge – Jaden comandou, – não toquem nela. – Sua voz não parecia à mesma de sempre, estava tomada por algo monstruoso. Rouca e descontrolada como eu nunca vira antes. O Pokémon praticamente desapareceu dos meus olhos, surgindo em seguida em cima dos soldados, acertando-lhe golpes um a um, os deixando no chão com narizes e ossos quebrados.

Nessa hora de descuido Iris se jogou contra Jaden, ainda montada no Salamance. Glaceon o empurrou para o lado, fazendo-o rolar pelo chão e desviar do enorme dragão de escamas azuis.

Ele abriu a boca e a rajada de fogo arroxeado começou a inundar a plataforma. Senti os braços de Deedee me agarrando, me puxando para trás com violência, bem a tempo de me salvar. Nos trazendo para trás de outro pilar. Gritos e sons de tiro começaram outra vez, misturados ao constante barulho de trovão das aguas caindo abaixo de nós.

— Guerra está louco – alguém disse no walkie- talkie, uma voz feminina e desesperada, – ele matou Peter. Ele atacou a primeira equipe.

Me levantei depressa para saber o que estava acontecendo, sentia o sangue quente escorrendo pelo meu braço, mas lutei para ignorar a dor. Leaf e Bacon estavam junto conosco atrás do pilar e sem necessidade de comando eles reagiram, atacando soldados que surgiram a direita, de onde havíamos vindo, acompanhados de Pokémon.

Bacon partiu pra cima do Sawk, o Pokémon lutador azul, que usava algo como um quimono branco. Seu corpo foi envolto por chamas enquanto ele corria para um abraço mortal e Leaf usou Swift, acertando não somente o Unfezant como seu Trainer.

— Icy Shard – Ouvi a voz de Jaden.

— Flamethrower – Iris rebateu.

Os dois ataques se chocaram e apesar de Salamance ter desvantagem por ser um tipo dragão ele não parecia se importar com isso. Glaceon se jogou para o lado depressa, numa evasiva veloz, quando as chamas queimaram tudo em nossa direção. Bisharp defendia Jaden com um escudo quase constante. Enquanto Iris estava de pé sobre seu Pokémon, com seus cabelos soltos e volumosos.

— O pai de Iris – Deedee precisou gritar para ser ouvido. O líder de ginásio acabara de pousar alguns metros a frente, atrás da batalha entre Iris e Jaden. Ele socou um dos guardas e tomou a arma do homem, depois acertou um tiro na perna do soldado e desapareceu pela passagem. – Ele deve estar indo atrás dos explosivos.

— Vamos cuidar de Jaden, – disse com convicção.

— Tem certeza? – Ele não parecia estar certo se deveria ou não atacar. Ele entendia meus sentimentos complicados em relação à Jaden e era como se ele precisasse de algum tipo de permissão para se envolver.

Coloquei a mão no meu bolso e pequei a Greatball de Serpio, libertando o Pokémon bem ao meu lado.

— Toda a certeza do mundo.

Deedee deu dois passos para trás, mas eu me mantive firme. Serpio sibilou, abrindo a boca e revelando suas presas afiadas, depois deu uma balançada na cauda, fazendo seu chocalho emitir seu som típico.

Nunca ficávamos tão próximos desde que eu o limpara em Nimbasa e aquela posição não me era confortável, mas eu não podia mostrar medo perto dele. Tinha que confiar em Roxie e no seu julgamento.

— Deixe aquele Bisharp fora de combate, não se segure até ele cair – apontei para o Pokémon.

Serpio me olhou rapidamente e balançou a língua, como se tateando ar. Talvez procurando algum sinal de hesitação ou medo da minha parte, mas não havia, apenas determinação, raiva e dor. Meu braço doía tanto que era como se nada mais no meu corpo estivesse funcionado. Eu podia sentir meu braço latejar enquanto a cada passo mais sangue escorria.

O Pokémon saltou tão rápido que o ar deslocado fez meu cabelo balançar, girou no ar e enviou o Tornado de folhas na direção de Jaden. Bisharp defendeu o ataque, mas assim que ele baixou a barreira luminosa Serpio estava pousando ao seu lado, com o rabo tomado por um brilho esverdeado. O Leaf Blade acertou o chão onde o Pokémon estava, mas ele conseguira escapar ileso, saltando para trás velozmente.

— Haila, – Jaden me chamou,– pare com isso, agora. – Ele nunca tinha usado aquele tom comigo, tom digno do meu pai. Talvez ele o tivesse puxado mais do que eu pudesse esperar.

Mesmo assim Glaceon conseguiu acertar um ataque direto em Salamance fazendo o Pokémon vacilar. Iris chamou o Pokémon, mas ele parecia totalmente desorientado. Ela libertou um Garchomp e trouxe Salamance de volta.

— Hyper Beam. Em seguida Bite e Dragon Claw – a garota gritou e o Pokémon reagiu no mesmo instante, ganhando altura depressa e carregando o ataque.

— Double Team e Shadow Ball – Jaden respondeu depressa.

Glaceon de repente estava na companhia de uma dúzia de outros idênticos a ele, todos espalhados na nossa frente. Garchomp não hesitou, varrendo a plataforma com o ataque de cor negro-arroxeada. Fazendo Jaden correr para salvar seu próprio rabo.

Quando as copias de Glaceon lançaram as esferas escuras, Serpio acertou Bisharp com o Leaf Blade, arremessando o Pokémon para parede com tanta força que o som de metal chegou a reverberar.

Leaf e Bacon continuavam lutando contra o Sawk, mas já haviam dois Team Plasmas caídos ali, Deedee estava cuidando da nossa retaguarda com destreza. Quando o Pokémon finalmente sucumbiu às chamas de Bacon, Deedee o trouxe de volta, o substituindo por Marshmallow.

A Shadowball explodira em Garchomp causando uma leve cortina de fumaça, mas o Pokémon não pareceu sofrer grande dano. Desceu num rasante impressionante, cravando os dentes no dorso de Glaceon.

Jaden sorriu e mesmo com o Pokémon preso comandou – Ice Beam.

Garchomp foi atingido diretamente, tendo parte da lateral do seu corpo coberta por uma espessa camada de gelo. O dragão não suportou e urrou de dor, largando Glaceon no chão. O Pokémon gelado, mesmo sangrando se recompôs depressa, enviando outra onda de farpas de gelo em Garchomp.

Serpio acertou outro golpe em cheio em Bisharp, fazendo o Pokémon ser arremessado novamente contra a parede com tanta força que desta vez a parede chegou a rachar.

Havia mais soldados espalhados por toda a parte, o som de tiros fora plataforma tinha começado em algum momento que eu não sabia determinar. Fui o mais rápido até o parapeito e pude, junto a Dee, me surpreender com a visão.

A Policia realmente tinha chegado, acompanhada por um time Ranger. Pokémon estavam batalhando no meio de tiros e explosões. Gritos, urros e silvos de dor estavam preenchendo todo o campo de batalha como se realmente uma guerra tivesse tido inicio.

A plataforma inteira pareceu tremer em determinado momento e uma das canaletas que fazia o escoamento da agua pareceu se romper, fazendo com que uma grande quantidade de agua começasse a sair do tubo, caindo estrondosamente no rio abaixo.

— Temos que sair daqui Haila, não é seguro.

— Ainda não, – não tínhamos chegado nem perto de concluir nosso objetivo. Não tínhamos nenhuma pista de Rose ou Lenora. Não podíamos parar. — Não terminamos ainda.

Notas finais
Surpresa? previsibilidade? O capitulo ainda não acabou, na minha opinião a melhor parte ainda esta por vir. Conte-nos o que acharam. Amamos comentários e eu adorei escrever esse capitulo.