Rota Zero

65 Terror de Opelucid – parte 3


Notas iniciais
— Hodor! Uma semana de atraso Julio? — Desculpem Abiguinhos. Acreditam que, por algum motivo, achei que fosse a semana da tia Chibi? Bem, desculpas em dia. Está ai a parte final do Terror de Opelucid. Só pra fechar o capitulo mesmo, algo mais tranquilo, então vocês de coração fraco podem se acalmar. Vejo vocês nas notas finais?

Haila

TERROR DE OPELUCID – parte 3

A plataforma inteira pareceu tremer em determinado momento e uma das canaletas que fazia o escoamento da agua pareceu se romper, fazendo com que uma grande quantidade de agua começasse a sair do tubo, caindo estrondosamente no rio abaixo.

— Temos que sair daqui Haila, não é seguro.

— Ainda não, – não tínhamos chegado nem perto de concluir nosso objetivo. Não tínhamos nenhuma pista de Rose ou Lenora. Não podíamos parar.

Olhei para a batalha entre Iris e Jaden ficando cada vez mais violenta e senti meu estomago querendo se revirar. Meu braço ardia tanto que a dor agora parecia estar se alastrando ombro acima, fazendo meu pescoço doer também. Ainda sim eu não conseguia parar de pensar em Jaden.

Talvez ele tivesse todas às repostas que eu precisava e mesmo que não tivesse todas, eu tinha muitas que agora eu ansiava como a vida. Ele tinha que me dizer tudo, me dizer por que tinha se juntado a Team Plasma, tinha de me dizer porquê fez aquilo com meu pai, tinha que me dizer o porque tinha me enganado esse tempo todo. Ele tinha que me dizer quem ele era de verdade.

— Dissemos para o pai de Iris que faríamos tudo o que pudéssemos, – respondi o mais friamente que consegui, ignorando todos os meus anseios e duvidas, ignorando a dor crescente e pulsante no meu braço. – Essa é a coisa mais importante agora. Impedir que esse lugar todo exploda.

— Não podemos fazer muito mais – sua voz estava vacilante. Acompanhei seu olhar e reparei em nossos Pokémon, Leaf estava nitidamente exausta sua cauda estava para baixo e sua barriga se contraia depressa acompanhando sua respiração.

Serpio ainda tinha condições de continuar, estava atento a tudo a sua volta enquanto Marsh não demonstra muita coisa. Mas não era seguro estender muito mais a batalha. – Talvez não, mas temos que arriscar, por Lila e Des.

Eles ainda continuavam na cidade e se a represa fosse destruída a agua iria varrer tudo e todos. – Então vamos fazer isso, – ele estava preocupado e era minha obrigação fingir que não estava. Quando ele tinha ficado quase tão forte quanto eu?

Trouxe Leaf de volta e fomos em direção à escada, seguindo nossos Pokémon por ela abaixo. Conseguimos descer o primeiro corredor sem problemas, mas no segundo demos de cara com três Team Plasma. Eles corriam em nossa direção, carregando o mesmo calibre de arma que aqueles que abatemos mais cedo.

Serpio não parou, saltou para frente e girou seu corpo na diagonal, criando um Leaf tornado que preencheu o corredor com vento e folhas cortantes. Os gritos dos Team Plasma foram terríveis, mas Serpio os silênciou depressa acertando uma investida no primeiro, único que se manteve de pé, e golpes de cauda nos outros, que não tiveram tempo de reagir.

Seguimos em frente por mais um corredor até encontrar o próximo lance de escadas. O barulho de agua caindo pesadamente era constante, preenchendo nossos ouvidos, mesclado ao barulho dos nossos passos.

Quando alcançamos o quarto andar inferior meu braço queimava tanto que minha visão perdeu o foco. Diminui um pouco o passo, mas não parei de correr, Deedee estava ao meu lado e enquanto ele estivesse estaria tudo bem. Serpio não hesitaria em atacar e Mashmallow não parece estar menos preparado.

Quando os últimos degraus acabam finalmente os encontramos. Deidran estava lá, ao lado de uma Team Plasma uniformizada. Provavelmente a mesma vadia que gritara mais cedo pelo Walkie Talkie, apontando uma arma para o líder de ginásio e atrás dele um Pokémon de pelos pretos.

Meus olhos demoraram um pouco para entender o que eu estava vendo, mas no momento seguinte eu já sei qual Pokémon é aquele. As memorias da minha primeira batalha com Simi vem depressa. A queda e o desmaio de Cilan. Deidran caído no chão e o Zoroak sobre ele.

O Pokémon já tinha um treinador, o policial tinha me contado na manhã seguinte. Ele era o Pokémon de Deidran o tempo todo. Talvez tivesse se revoltado, tentado fugir e Deidran tivesse tentando recupera-lo quando se deparou comigo na floresta.

A cada momento eu apenas conseguia pensar em mais mentiras que ele tinha me contado. Que tinha contado para todos fingindo de bom homem. Mas ele não passava de mais um extremista idiota, egoísta e narcisista.

Um sorriso brotou no rosto dele assim que nos viu, desviando a arma apenas poucos centímetros para nossa direção para que pudesse nos atingir com mais facilidade se aquele fosse o caso. Mas se ele nos quisesse mortos já estaríamos.

— Haila, Dee – disse nossos nomes em um tom animado e convidativo, não fosse é claro pela arma na sua mão e o Pokémon assustador atrás de si, – fico tão feliz em revê-los.

— Não vou te dizer onde enfiar essa felicidade, pra não estragar seu sorriso amarelo – respondi em alto e bom som. Eu queria partir pra cima dele e talvez o faria se meu braço não parecesse que ia cair. Minha camisa estava manchada de sangue e eu podia sentir cada vez mais escorrendo.

— Mais respeito garota, – a Team plasma ao lado dele cuspiu, – ou arranco sua língua.

O líder dragão olhou para trás e eu pude ver a pena em seu olhar. Havia um corte na sua boca e um hematoma na sua testa. Se ele estava assim e de pé, imagine como estava o outro cara. – Deixe-os em paz, seu problema é comigo.

— Eu não tenho problema com ninguém, – Deidran respondeu depressa, fazendo um movimento careta com os ombros. – Conte a eles Deedee, como eu fui um herói o salvando do bandido em Nimbasa, – Deedee vacilou, não podia acreditar nas palavras do velhote. A face de Deidran mudou depressa, tomando uma forma raivosa e assustadora de um jeito que nunca imaginei ver, – conte – gritou e em seguida atirou na parede na nossa direção.

A bala explodiu na parede a poucos centímetros de Dee. Tão perto que era impossível saber se ele tinha uma mira muito boa ou tinha errado por pouco. Serrei os dentes para não gritar, mas Deedee saltou para trás, vacilando e quase caindo. Serpio ergueu seu dorso e sibilou com ferocidade na direção de Deidran, balançando a cauda com força, fazendo seu chocalho invadir o lugar.

Meu coração estava batendo de presa e eu podia sentir cada pulsação no buraco que havia no meu braço. Minha visão voltou a escurecer, fechando dos lados, até quase desaparecer por completo. Eu estava tonta e toda aquela situação não estava ajudando em nada.

— Eu não vou pedir de novo – continuou, voltando a sorrir.

— Ele... – as palavras não saíram. Deedee não conseguiu dizer de primeira. Eu queria matar Deidran. – Ele usou um Ambipom. – fez uma pausa rápida, e depois soltou quase como em meio a um suspiro – ele salvou Abobora.

O rosto de Deidran pareceu relaxar, olhou para o rosto do pai de Iris e comentou casualmente, balançando a arma enquanto falava, – está vendo, eu não tenho problemas com ninguém. Vocês estão tensos atoa. – Se ajeitou, arrumando a camisa em seu corpo e fez um movimento de cabeça para a vadia ao seu lado. – Engraçado termos nomes tão parecidos, não é? – Perguntou para o líder e continuou o olhando até que ele afirmasse com a cabeça. – Esses dois atrapalharam os planos de captura de um lendário segundo o relatório – contou a Draiden como se ele tivesse interessado, – duas crianças, você pode imaginar? Parece que essa serpente irritada comeu um dos Pokémon que estava fazendo a escavação, depois de matar um dos nossos.

Eu achei que as palavras me atingiriam como um soco, mas na verdade não surtiu esse efeito. Não me senti satisfeita, mas não houve nenhuma ponta de remorso. Se não fosse ele seriamos nós, e eu queria viver.

— Quando eu encontrei esse ai – olhou para Deedee fazendo um movimento de queixo, – eu duvidei. Ainda mais depois de ouvir o nome da sua companheira. – Olhou para mim, – Haila, achei que nunca mais veria seus lindos olhos. Você foi bastante útil, eu precisava ver Lenora abrindo o cofre, com o bom coração dela, era claro que ela te presentearia com uma das peças de menos valor de lá.

— Você está com ela? Não está? – Gritei, as palavras simplesmente fugiram da minha boca.

— Eu não pretendia explodir isso aqui – apontou para o teto e a parede com um balançar de dedos, mudando de assunto. Ele estava fazendo propositalmente, estava mexendo com nossos sentimentos, – mas é claro que em algum momento vocês iriam interferir. Vocês estão causando a destruição da cidade e a culpa por todas as mortes que vão acontecer será de vocês.

Não resisti, soltei uma risada irônica, – você não acredita mesmo nisso, não é mesmo?

— Eu acredito que com a ajuda dos lendários poderemos restaurar o verdadeiro equilíbrio, libertando os Pokémon da tirania humana.

— Hipocrisia ou isso será apenas ganancia? – O pai de Iris interrompeu o monologo que viria, sua voz estava carregada de nojo, – vocês vão capturar Pokémon lendários, desequilibrando todo o ecossistema de Unova para depois reorganiza-lo? Vocês querem o caos e depois que fizerem, desejam governar o que sobrar das ruinas.

Deidran ficou calado, olhando fixamente para o líder dragão. Pareceu ponderar as palavras dele por apenas um momento antes de sem emoção dizer – tão corajoso não é mesmo? Será uma pena não poder te deixar sair daqui para encontrar o corpo da sua filha dilacerado lá em cima.

Eu podia ouvir a respiração de Deedee atrás de mim, ofegante porem acelerada, como se tivéssemos corrido meia maratona, mas aquilo era medo, medo que compartilhávamos juntos. A raiva crescia exponencialmente dentro de mim em contra partida, quase ao ponto de explodir. Cada fibra do meu corpo queria quebrar os dentes de Deidran, cada um deles. Unova estava cheia de monstros e parecia que havíamos encontrado um dos maiores deles.

— E quanto a vocês meus jovens, – voltou a atenção para nós novamente, – você vai primeiro Haila, em homenagem a nossa antiga amizade. Eu serei rápido, juro. Afinal, você me ajudou a recuperar esse aqui – apontou para o monstro negro atrás dele.

— Pare de brincar com eles, – o líder dragão gritou furioso, perdendo o controle. Suas pernas chegaram a se mover, ele queria Deidran morto, mas antes que pulasse em cima do Team Plasma, a vadia ao lado dele ergueu a arma, sorrindo torto para ele.

Deidran parecia estar se divertindo. Deu passos lentos até o líder, ainda com a arma erguida e a posicionou bem na testa do homem. Os dois trocavam olhares firmes e corajosos, dignos de homens sem medo. – Eu não brinco. Você falhou em tentar me deter e desativar as bombas, assim como falhou em seu papel de pai. Sua filha deve estar morta a essa altura.

Deedee teve o impulso de gritar que ela estava viva, que estava lutando bravamente, mas alcancei sua mão, segurando com tanta força que temi tê-lo ferido com minhas unhas. Marsh e Serpio estavam agitados, podiam não entender perfeitamente o que estava havendo, mas sabiam o suficiente para se segurarem para não atacar.

— Eu não brinco – disse em um tom firme e claro, sem titubear ou pensar. Recuou alguns passos até se sentir a uma distância segura e deu as costas a nós. – Zoroak, acabe com ele. Vamos explodir esse lugar.

O Pokémon saltou sobre o líder dragão tão depressa que ele não teve tempo de reagir. Cravando as presas na garganta do homem do bigode grisalho com tanta violência que os dois foram ao chão.

Serpio reagiu tão rápido quanto, saltou sobre o Pokémon de pelos negros com as presas a mostra. Os dois foram para frente, largando o corpo de Draiden que não teve sequer tempo de gritar, no chão.

Sai correndo depressa, na intenção de ir atrás de Deidran e da vadia Team Plasma que o acompanhava. Eu precisava de resposta e ele as tinha. Eu precisava encontrar Lenora. Mas assim que cheguei ao líder dragão minhas pernas fraquejaram. Ele não tinha apenas se machucado, faltava um pedaço do seu pescoço.

Zoroak se soltou de Serpio e com um guincho de dor e raiva desapareceu no corredor. Serpio iria persegui-lo, mas assim que viu que eu parei sibilou na direção em que o Pokémon corria como se o ameaçasse de morte e parou.

Senti duvida apenas por um instante. Entre abandonar ele ali daquele jeito e ir atrás de Deidran ou apenas ficar com ele até seu fim chegasse.

Me abaixei ao seu lado e coloquei a mão sobre o seu peito que subia e descia com velocidade. Ele tentava cobri a ferida com a mão, mas não havia o que cobrir. Uma poça de sangue começava a se formar enquanto ele com a boca aberta tentava puxar ar, mas parecia que ele não podia.

Deedee se jogou ao meu lado e ficou sem reação, – ela está viva. Iris está lutando lá em cima, ela está bem, – falou tão rápido quanto pode.

Os olhos do líder dragão miraram em Deedee e sua mão esquerda livre subiu, agarrando a blusa nova de Deedee. Seus lábios se mexiam enquanto seu corpo começava a se convulsionar sem ar. Ele estava se afogando no próprio sangue e nós não podíamos fazer nada.

A cada segundo ele se debatia mais e mais, o chão onde eu estava ajoelhada já tinha se tornado um lago, ensopando ainda mais minhas roupas. Deedee agarrou sua mão e apertou forte e eu coloquei a minha por cima da dele, apertando junto.

Lagrimas vieram aos nossos olhos, mas até que o pai de Iris finalmente ficasse imóvel, com olhos lotados de terror olhando para o teto, não permitimos que elas caíssem.

Não precisava ter qualquer tipo de vinculo com a pessoa para se sentir como se o mundo estivesse quebrado depois daquilo. Deedee se sentou no chão e eu dei a volta até ele, envolvendo ele nos meus braços. Não para acalma-lo, mas porque eu também precisava.

Lagrimas silenciosas escorreram em nossos rostos enquanto nos permitíamos ter um minuto para sofrer por toda a dor e caos que a Team Plasma estava causando, por toda a angustia e desolação. Por todo o mal que jamais poderia ser justificado, independente de qual fim a Team Plasma propusesse.

A primeira bomba explodiu enquanto estávamos ali mesmo, fazendo toda a estrutura se abalar. – Temos que sair daqui – me levantei percebendo que Deedee ainda não tinha soltado a mão do líder, – Dee, – chamei mais uma vez.

Seus olhos estavam levemente vermelhos pelas lagrimas quando ele me encarou. A dor no meu braço, por mais que estivesse cada vez mais intensa, não se comparava a que eu senti vendo aquele olhar em Deedee.

Ele engoliu seco e fitou o corpo do líder mais uma vez, antes de passar a mão pelo seu rosto e fechasse seus olhos que ainda encaravam cheios de terror as luzes fluorescentes do teto. Não houve grandes palavras de despedida ou de afeto, que honrassem sua partida. Não houve tempo para que pudéssemos salvar seu corpo do rompimento da barragem. Apenas para mais uma olhada para que carregássemos sua coragem e sua partida conosco, enquanto pudéssemos nos lembrar.

Quando finalmente saímos ao ar livre estava prestes a escurecer, as explosões estavam acontecendo uma após a outras e a estrutura completa parecia tremer. A agua represada criava ondas e mais ondas ganhando fúria a cada explosão, enquanto agua jorrava das caneletas com mais força a cada instante.

Iris ainda batalhava com Jaden, seu Pokémon estava tentando se levantar enquanto Jaden olhava de braços cruzados para ela. Glaceon estava de pé, ofegante. Ele sozinho tinha abatido dois Pokémon da Champeon da região.

Dee e eu paramos sem reação a poucos metros dos dois. O suficiente para que pudéssemos ouvir a respiração alta de Glaceon. Iris nos olhou, buscando qualquer coisa em nossas faces e não foi preciso mais que um momento ou dois para que ela soubesse o que tinha havido. Ela não veria mais seu pai.

— Eu te odeio – ela gritou. Um grito cheio de dor, raiva e saliva. A champeon saiu correndo na direção de Jaden com os punhos fechados e um olhar animalesco no rosto. Mas ela não conseguiu se aproximar, Glaceon a acertou com um raio de gelo.

A campeã da Elite Four caiu com as pernas cobertas por gelo. – Jaden, pare – gritei e tentei correr em sua direção, mas Deedee me agarrou pelo braço ferido. A dor me fez vacilar e chicotear de volta, quase caindo em cima de Dee.

— Temos que sair daqui – os sons das explosões ficavam cada vez mais fortes e a estrutura começava a sucumbir. Podíamos sentir as vibrações dos andares inferiores começando a ceder.

Nossos olhos se encontraram por tempo suficiente para que eu não encontrasse meu irmão neles. Não havia aquele mesmo brilho, ou aquela mesma paixão que eu via a cada batalha. Não havia a bondade que ele sempre mostrara com mais facilidade do que eu jamais conseguiria.

Eu gostaria de acreditar que ele tinha sido submetido por alguma lavagem cerebral, porém algo gritava dentro de mim, tentando me alertar, que aquele não era o caso e me agarrar aquilo apenas me traria mais sofrimento.

Dei as costas e sai correndo ainda a tempo de ouvir o ultimo comando de Jaden – Ice shards, – o som das farpas de gelo e o ultimo grito da campeã de Unova.

A barragem se rompeu fazendo um som que eu jamais poderia esquecer enquanto eu vivesse. Centenas de milhares de tonadas de agua sendo libertados de uma vez, criando uma onda assustadora, que saiu varrendo tudo o que estava a sua frente. Engolindo a floresta como um monstro faminto, enquanto policias e Ranger ainda lutavam nas colinas mais altas que cercavam a barragem.

Deedee e eu não paramos de correr por instinto, acompanhados por nossos Pokémon. Continuamos correndo pela floresta cercados por todo o terror que tínhamos vivenciado, aterrorizados pelo som trovejante da agua indo em direção a Opelucid e não havia o que ninguém poderia fazer.

Continuamos correndo até eu perder o folego, até que toda minha energia se esgotasse e eu tivesse que me inclinar sobre meus joelhos para não desmaiar. Paramos a beira de uma pequena clareira e pudemos observar o mundo sendo varrido.

— Desmond e Lila – Dee lembrou ligando seu Xtransceiver.

A agua estaria lá em poucos instantes. Liguei o meu depressa e ignorei as notificações de chamadas perdidas de Roxie. Eu queria chorar, mas continuei até achar o numero de Desmond, porem assim que cliquei para chamar, Lila atendeu Dee.

— A barragem da usina se rompeu. A agua está indo para a cidade – Dee gritou em pânico e o rosto da garota se encheu de pavor junto. – A Team Plasma a explodiu.

— Temos que subir, – Desmond gritou, eles pareciam estar em uma delegacia ou algum lugar do tipo. – A Team Plasma explodiu a barragem – gritou para que todos no recinto pudessem ouvir e depois só houve confusão.

O barulho das folhas sendo pisoteadas me chamou atenção, quando me virei para trás já era tarde demais. O soco me acertou no meio rosto. Cai sem ter qualquer chance de lutar. – Sua vadiazinha, Thiers deveria ter te matado quando teve chance – o Team Plasma que derrubamos mais cedo estava furioso.

Se jogou em cima de mim e começou a me socar, um murro atrás do outro. Tentei erguer minhas mãos para me defender, mas a dor no meu braço e a perda de sangue me deixaram tonta e sem força.

Eu podia sentir seus punhos se chocando contra os ossos da minha face enquanto ele me xingava de tudo o que ele conseguia se lembrar. Deedee se jogou para cima dele, tentando impedi-lo, mas o Team Plasma não vacilou. Acertou Dee no estomago e ele caiu.

Ergueu o punho mais alto e socou com o todo o peso do braço. A dor me cegou e eu não conseguia reagir. Tentei mexer braços e pernas, mas não conseguia me desvencilhar. Ele não parava de bater, mais e mais forte.

Comecei a gritar como nunca me permiti gritar na vida. Eu não queria morrer. Não queria morrer. Não queria morrer. As palavras se repetiam na minha mente enquanto minhas mãos balançam no alto buscando qualquer coisa, mas ele não parava.

O sibilo de Serpio foi seguido pelo rosnado de Marshmalow, então a pressão sobre meu peito onde o Team Plasma tinha me prendido se alivio. Pude ouvir os gritos do homem, mas não meus olhos não voltaram a focar. Apenas fui engolida pela escuridão, gritos de dor e o som arrasador da agua.

=8=

Demorei a ter noção de onde eu estava, meus olhos não conseguiram focar toda aquela iluminação de primeira. Aos poucos, enquanto minha visão voltava às sensações, a audição e o tato também vieram.

Eu estava deitado em um lugar quente. Meu braço ainda doía, não tanto quanto antes, mas ainda era como sentir uma faca me cortar. Meus olhos não pareciam querer se abrir completamente, o que fazia sentido, já que o meu rosto quase todo ainda parecia arder um pouco e deveria estar deformado com o do pobre Audino de Clarice.

— Haila, como você está? – Dee quase se jogou para cima de mim. Ele tinha um corte na parte superior, próximo ao olho esquerdo, mas era apenas uma linha fina em seu rosto. Maldito sortudo.

Eu estava em uma tenda bem grande, em algum lugar. Havia muitas macas ao meu lado, onde crianças, velhos e adultos estavam sendo tratados. Muitas vozes, choro e lamuria preenchiam o lugar, além de um cheiro estranho no ar. Talvez fosse suor. – Onde eu estou?

— Em um dos acampamentos ao redor do que sobrou de Opelucid – ele respondeu se agachando do lado da maca que estava a poucos centímetros do chão de grama. Fechei os olhos me sentindo um pouco tonta e me dei um instante.

Eu me lembrava exatamente tudo o que tinha acontecido, como se tivesse acabado de viver, mas ainda sim tive que perguntar – o que aconteceu?

— Depois que corremos para a floresta o Team Plasma que derrubamos e roubamos a arma nos encontrou e te atacou, – só então notei suas olheiras. Ele parecia triste e cansado. – Serpio e Marshmalow acabaram com ele.

Franzi o cenho e continuei esperando, mas ele não continuou, – eles o mataram?

— Eu não sei, – balançou a cabeça negativamente. – Serpio o arrastou para longe e depois que percebi que você tinha desmaiado eu não sai de perto de você até ajuda chegar.

— Alguma noticia de Des, Lila ou Iris?

Ele balançou a cabeça negativamente de novo. – Fazem poucas horas desde que tudo aconteceu. Não deve ser sequer meio dia – ele ergueu o braço e mostrou o Xtransceiver desligado. Provavelmente sem bateria – eles estão sem sinal desde que a onda acertou a cidade.

Havia se passado pouco mais de doze horas desde que tudo ocorreu, provavelmente todos os Team Plasma estavam longe agora, mas eu queria me apegar a qualquer chaga de esperança disso estar próximo ao fim. – Então não há sinal de Jaden e Deidran também, não é mesmo?

— Nenhum. Mas é muito provável que eles tenham fugido assim como os outros.

Tentei me levantar, mas não consegui, estava me sentindo muito fraca e a dor pareceu se alastrar pelo meu ombro novamente. – Temos que ir atrás de Lila e Des. E falar com Roxie, ela deve estar louca atrás de nós. Precisamos contar o que sabemos.

— Você está muito fraca, perdeu muito sangue, mas segundo o medico você não precisa de uma transfusão – é claro que ele ia perguntar. Senti vontade de sorrir, mas não consegui. Ele colocou a mão no meu ombro bom, aquele que Serpio tinha ferrado e me obrigou a deitar. – eu vou cuidar de tudo. Apenas descanse.

Eu faria mais força se pudesse, mas estava me sentindo exausta. Eu seria apenas um empecilho se Dee tivesse que me arrastar por ai. Eu não fazia ideia do estado da cidade, mas confiava nele o suficiente para encontrar nossos amigos e dar um jeito em todo resto.

Inclinei a cabeça e suspirei profundamente, tentando ignorar toda a confusão a minha volta, porque sabia que assim que as lembranças se ajeitassem eu não conseguiria fazer isso na minha mente.

Jaden e Deidran eram Team Plasma.

Notas finais
Eu menti. Sou realmente uma pessoa Maldosa. E com M maiúsculo de Mau até os ossos. Gostaram? Queriam mais sangue? Menos Sangue? Sim, Opleucid... Lila, Desmond... e agora? Deixem sua opinião, estou ansioso pra saber! E me contem só uma coisa. Juro que quando criei Deidran 60 capítulos la atrás não lembrei que Draiden tinha esse nome. Deu muito trabalho diferenciar? Ficou muito confuso? Desculpem, a culpa foi minha.