Roses and Demons: Hell's Flower
6 Treinamento
Notas iniciais
Karin está bem diferente do que vocês lembram.
Fernand Astrock não poderia dizer que havia deixado completamente de lado suas preocupações, mas no fundo sabia que Luna estava coberta de razão. Mesmo que a situação fosse muito diferente do que ele gostaria, ainda assim era capaz de fazer alguma diferença. Para tanto, precisava dar um passo de cada vez. Chegaria o momento em que resolveria suas diferenças com William de uma vez por toda, mas primeiro tinha outras questões mais urgentes para resolver e um inimigo complicado para derrotar.
–Temos um pequeno problema aqui. A carapaça daquele monstro é resistente demais, nenhum dos meus ataques sequer o arranhou. Você tem alguma sugestão? – Perguntou o soldado.–Agora você pediu demais, Fernand. Quando disse que ia espancar o demônio, pensei que tivesse algo em mente. Além do mais, não era o William quem se preocupava em fazer planos? Sempre achei que você fosse do tipo que simplesmente quebra a cara de quem olha torto na sua direção. – Reclamou a ex-sacerdotisa, que, embora quisesse ajudar, não tinha menor ideia de como superar a defesa do inimigo. Inadvertidamente, contudo, ela deu a dica que seu amigo precisava.–Quebrar a cara. É, pode funcionar. Luna, vou precisar da sua cobertura, está na hora de testarmos até que ponto conseguimos aproveitar nossas novas manipulações. O manipulador da terra abriu um sorriso confiante, mas a garota não compreendeu suas intenções. Pelo contrário, se viu apenas ainda mais confusa.–O que você está pensando em fazer?–Não dá pra perder tempo explicando! Apenas se concentre em restringir os movimentos dele enquanto eu ataco! Dito isto, o guerreiro disparou. Estava preocupado com seus companheiros empericianos, acossados pelos demônios e incapazes de fazer muito além de se defender. Um tanto contrariada, Luna seguiu logo atrás, concentrando-se em comandar energias que ainda não eram totalmente familiares.–É mais fácil falar do que fazer. A despeito das próprias palavras, Luna foi capaz de invocar enormes raízes que estouraram o chão para se enrolar nas patas e braços do demônio. A besta urrou e se debateu, buscando se soltar, e Fernand, desta vez sem qualquer tipo de proteção adicional, ergueu uma grande de massa de rocha abaixo de si, elevando-se até a altura da cabeça de seu oponente. Em seguida, o manipulador da terra estendeu ambos os braços adiante e, em resposta, as pedras se juntaram em diversos pontos, avançando numa forma similar à de enormes punhos, como se a própria terra quisesse agredir aquela aberração de Pravus. Não somente isso, o guerreiro alterou a estrutura dos minérios, tornando-os em adamento, o que fazia seu ataque ser ainda mais devastador. Luna manteve-se firme, trazendo novas amarras para substituir aquelas que o inimigo estourava, enquanto Fernand mantinha uma ofensiva incessante, literalmente desfazendo toda a estrutura que o sustentava e carregando a si mesmo no último disparo. Antes que houvesse contato ele saltou, posicionando-se acima do demônio, e desceu desferindo um murro com seu braço direito, que havia previamente envolvido em adamante também. O golpe foi certeiro e atingiu o rosto, lançando pequenos jatos de sangue escuro para o alto. Enquanto caía, o manipulador da terra dirigiu seu olhar para a ex-sacerdotisa e gritou.–Agora o resto é com você, Luna. Acaba com ele! Finalmente entendo as intenções de seu amigo, ela acenou afirmativamente e puxou seu arco. Nisto o demônio conseguiu se libertar das raízes que se desfaziam e, ao ver Fernand logo abaixou de si, liberou um urrou repleto de ira e sede de vingança. Mas já era tarde demais, pois uma única flecha penetrou o centro da cabeça. Embora não tivesse atravessado pelo lado de trás, era evidente que o golpe foi suficiente para selar o destino do monstro. Com um sonoro estrondo, a criatura caiu e, diante dessa visão, os demônios menores recuaram apavorados. Lince observou atentamente, certo de que eles se reagrupariam e atacariam novamente, mas sorriu e comemorou junto com seus homens. Aquela vitória os colocava mais perto de cumprir a missão. Com os ânimos renovados, o grupo continuou avançando, sempre com cautela, e combatendo as forças de Pravus. Em pouco tempo tamanho distúrbio chamou a atenção dos demais empericianos, que se juntaram ao grupo de Lince. Outros demônios poderosos surgiram, mas foram todos derrotados pelos esforços conjuntos dos manipuladores, do capitão e dos próprios soldados. À noite, o líder do grupo enviado pelo rei Secrett se reuniu com Walters para discutir assuntos importantes. Fernand, sendo o vice comandante do grupo, também foi incluído na conversa e, apesar de Luna não ser oficialmente sequer parte do exército, depois de suas demonstrações de perícia durante o dia, ninguém se sentia realmente à vontade para recusar sua presença.–A situação em Himitsu é péssima. – Começou o homem resgatado. – Os conselheiros reais não conseguem chegar a um consenso com relação a nossas prioridades. Eles temem que ao afastar soldados das outras fronteiras outros reinos decidam se aproveitar da situação.–Se pelo menos tivéssemos a ajuda de Anya e suas bruxas. Só conseguimos evitar que a batalha em Chesord fosse um completo desastre graças a elas. – Lamentou-se Lince.–Quantas bruxas morreram nessas batalhas? – Perguntou Luna.–De acordo com a própria Anya, ela conseguiu reunir trezentas e setenta e oito bruxas, tanto entre aquelas que estavam sob sua tutela, quanto outras aliadas espalhadas por regiões próximas. – Explicou o capitão – Destas, duzentas e três voltaram vivas.
–Não me admira que ela tenha escolhido se afastar do conflito... – Comentou Fernand.–Seja como for, provavelmente nós seremos os últimos reforços por um longo tempo. O rei acionou todos os diplomatas e os enviou aos vizinhos numa tentativa de convencê-los do perigo que enfrentamos. Nossa única alternativa é resistir por tempo suficiente até que consigamos aliados. Karin Annings tinha apenas treze anos. Seus olhos eram da cor do caramelo e seus cabelos curtos, geralmente bagunçados, escuros como os de Luna. Já não trajava mais o vestido e a boina laranja que recebeu de presente de Yasmin, mas apenas roupas brancas comuns que a fariam parecer uma camponesa, não fosse pelas incontáveis manchas escuras e avermelhadas de sangue seco. A própria expressão da garota era diferente do seu costumeiro. Estava séria, até demais, enquanto recitava um encantamento, ajoelhada diante de uma massa de tiras cinzentas que se revolviam. O único aspecto que parecia não ter mudado era o cajado que ela portava, um presente de seu mestre, e um objeto de beleza inegável. Feito de mármore branco e magicamente reforçado, tinha como enfeite um octaedro cristalino e azul que pulsava com energia, assim como uma linha espiralada ao redor de toda a extensão, do mesmo material. A menina segurava sua arma na vertical, com as ambas as mãos, enquanto tentava comandar a magia corretamente. O que estava tentando fazer, contudo, se encontrava além de suas limitadas habilidades. O pouco tempo que passou no esconderijo de Madame Papillon foi suficiente apenas para aprender os princípios da magia Airanul e alguns feitiços básicos, como o de remendar vestes. Com seu nível de conhecimento, não tinha condições de moldar materiais brutos em algo que pudesse ser vestido.–É, não tem jeito, só consegui estragar os componentes. Agora vou ter que reunir tudo de novo. Um tanto frustrada, ela se levantou, recolheu uma adaga que havia deixado ali perto e então e olhou ao redor, pensando a respeito de que direção deveria seguir agora. Estava no meio de um bosque e, no fim das contas, concluiu que não fazia diferença. Para onde quer que fosse, seria apenas uma questão de tempo até encontrar o que estava procurando.–Pelo menos isso serviu como um bom treinamento. Quando eu tiver o suficiente vou me encontrar com Madame Papillon. Tenho certeza de que ela pode me ajudar.
Notas finais
Demônios ameaçam a segurança de Brokefront, mas a manipuladora é...
Capítulo 237: Implacável
Em breve.
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