Roses and Demons: Hell's Flower
7 Implacável
Notas iniciais
Tem sido difícil manter o ritmo com tantas responsabilidades ultimamente, mas farei um esforço adicional.
A chegada em segurança dos soldados empericianos foi motivo de comemoração no Forte Brokefront, principalmente pelo fato de que as baixas estavam longe de se equiparar ao aumento no contingente. Ver os ânimos elevados de seus subordinados foi um alívio para os comandantes do exército conjunto, pois a situação tornava contornos cada vez mais críticos.
Até então haviam enfrentado apenas grupos pequenos e desorganizados de demônios. Todos que ousaram tentar atacar Brokefront foram prontamente rechaçados, dentre eles muitos adversários de poder considerável. Os comandantes sabiam que era apenas uma questão de tempo até que sofressem uma agressão de maior escala e os movimentos dos demônios nas proximidades, assim como a relativa calma que já durava alguns dias, indicava que isto não tardaria a acontecer. Cedo pela manhã, Luna Watlear caminhava pelo acampamento depois de ter ajudado a preparar o café da manhã. Geralmente não se envolvia com os soldados, pois não queria atrapalhar seus afazeres. Limitava-se a observar, mas uma cena em particular chamou sua atenção.–Karin, aí está você! Onde tinha se metido? A garota, que Luna não via desde dois dias antes de partir junto com Fernand na missão de resgate, estava praticando técnicas de combate corpo a corpo com um homem de feições elegantes que a manipuladora da água quase não reconheceu, por estar sem a armadura que quase sempre protegia seu corpo. Era ninguém menos que o próprio Agas Pyrath.–Karin, você não deveria atrapalhar o senhor Agas! Ele é uma figura muito importante e cheia de responsabilidades. A manipuladora da luz respondeu com uma careta, mas o general chesordiano não estava nem um pouco incomodado. Pelo contrário, tinha um sorriso tranquilo no rosto.–Não precisa se preocupar com isso. Fico feliz em poder ajudar as amigas que estiveram protegendo minha filha, e a Karin aqui é bastante esforçada. Gosto de pessoas assim.–Eu não estou desperdiçando o tempo do tio Agas! Só quero aprender a lutar melhor. Apesar de não gostar muito de ser chamado de tio, o Pyrath preferia evitar criar mais confusão e decidiu que o melhor a se fazer era deixar que as duas manipuladoras se acertassem sozinhas.–Seja como for, agora eu realmente preciso ir. Os outros comandantes precisam de mim para ajudar a manter o lugar em ordem. Se quiser, pode conversar com algum dos meus auxiliares para continuar seu treinamento. As garotas se despediram do general e se sentaram ali perto para descansar, retomando a conversa logo em seguida.–Então Karin, o que você tem feito nesses dias? Eu tentei chamá-la para vir comigo numa missão especial, mas ninguém sabia onde você tinha ido.–Desculpe por deixar você preocupada, Luna. A verdade é que estive treinando muito para dominar meus novos poderes. Ainda não está perfeito, mas acho que melhorei bastante. A ex-sacerdotisa lembrava bem da demonstração que Karin Annings deu de suas habilidades pouco antes de Yasmin partir. A mistura do domínio sobre a luz e o vento concedia um poder praticamente telecinético, que mesmo na ocasião deixou Luna bastante impressionada. Ela podia apenas imaginar o quão poderosa aquela pequena manipuladora havia se tornado para considerar ter melhorado bastante. Mas o que deixava Watlear ainda mais surpresa era o fato de que sua amiga se mostrava extremamente dedicada a se fortalecer. Mais ainda do que quando ainda tinha dificuldades em controlar corretamente sua manipulação da luz ou mesmo durante o pouco tempo em que teve a oportunidade de estudar junto com as bruxas do clã Datch.–Você realmente está levando seus treinamentos muito a sério. Cheguei até a estranhar quando não via você na hora das refeições.–Yasmin disse que era para eu continuar me esforçando e me tornar mais forte. – Karin falou com um toque de melancolia. – Quando nos encontrarmos de novo eu quero que ela fique orgulhosa. Quero ser digna da confiança de vocês. O rosto de Luna também tomou ares de pesar por um breve momento, mas ela logo abriu um sorriso. Era um sorriso quase triste, mas também alentador, e fez com que Karin se sentisse um pouco mais tranquila quando a manipuladora da água colocou a mão gentilmente sobre sua cabeça.–Parece que todos ficaram meio tristes com a separação do grupo. Só espero que aquele babaca do William caia logo na real. Não é a mesma coisa sem eles aqui conosco. Um súbito guincho horrendo causou espanto no acampamento, e enquanto soldados deixavam seus afazeres de lado ou corriam para fora das tendas, uma dúzia de bolas de fogo desceram do céu, explodindo em vários pontos ao norte da fortaleza. Demônios alados sobrevoavam as tropas, preparando-se para atacar novamente, mas um deles rapidamente foi ao chão, atingido por uma flecha que Luna disparou por puro instinto. Karin fez questão de ajudar também, mas sua mira não era tão boa e o raio luminoso por ela disparado passou a pouco menos de um metro de distância de seu alvo. Profundamente insatisfeita, ela estendeu a mão direita na direção do mesmo inimigo e cerrou o punho. No instante seguinte, o demônio virou uma massa compacta e sangrenta.
–Deixe esses aqui comigo, Karin. – Disse Luna, percebendo que uma multidão estava se reunindo nas proximidades da muralha. – Estou com um mau pressentimento a respeito disso, deve haver mais demônios nos atacando perto do portão. Compreendendo os temores da amiga, Karin correu na direção norte, juntando-se aos soldados que se aglomeravam lá. Estavam todos diante de um dos portões instalados nas poucas aberturas deixadas por Ent na barreira e a quantidade de pessoas impedia que Karin conseguisse subir as escadas para ver o que acontecia do outro lado. Isto não lhe representava impedimento, pois a garota, ainda que um tanto desajeitada, conseguiu se elevar ao alto, flutuando devagar para perto de Fernand, que já se encontrava na parte superior. A situação era realmente preocupante. Um grupo de dezenas de demônios aguardava a cerca de um quilômetro de distância enquanto outros monstros alados invadiam o espaço aéreo da base militar e um beemote quase tão alto quanto a própria muralha, assemelhando-se a um touro com seus enormes chifres, iniciava uma investida com a intenção de derrubar os portões.–Maldição! Mande os soldados se afastarem o máximo possível! – Praguejou Fernand para um de seus subordinados. Enquanto o homem espalhava a ordem, o manipulador da terra fez seu melhor esforço para interpor uma barreira de rochas entre o monstro e seu objetivo. Contudo, não era capaz de transformar uma extensão tão grande e tão distante em adamante. O demônio simplesmente demoliu as pedras em seu avanço, correndo cada vez mais rápido.–Não se preocupe, Fernand, eu cuido disso. Somente então o sargento percebeu a presença da outra manipuladora levitando ao seu lado. Qualquer dúvida que ele sentiu no breve instante de conflito interno foi dissipada diante da expressão da séria, confiante até, da garota. Ainda assim, Fernand suava frio, se mostrando cada vez mais alarmado enquanto o demônio se aproximava rapidamente.–Karin, você tem certeza de que- O barulho de carne sendo esmagada e ossos se partindo retumbou antes que a frase pudesse ser terminada. Ao invés de atingir a muralha, o beemote se jogou contra uma imensa parede invisível que não cedeu e fez com que o único a ser ferido pelo impacto avassalador da investida fosse ele próprio. Fernand deixou escapar um assovio de admiração, reconhecendo que Karin realmente não era mais a menininha imprevisível que havia conhecido.–Pode deixar que eu dou um jeito neles. – Disse, Karin com um sorriso no rosto. Imediatamente, ela começou a girar seu cajado, criando oito esferas de luz tão grandes quanto ela própria ao redor da trajetória. Quando finalmente se deu por satisfeita, apontou a arma na direção do monstro caído e cada um dos globos liberou um raio luminoso. Os oito se juntaram um único golpe concentrado, abrindo um enorme buraco no corpo do demônio e uma profunda cratera no chão abaixo. Fernand estava estarrecido demais para reagir enquanto a manipuladora da luz flutuava até o chão. O diabo que se encontrava na vanguarda dos demais estendeu um dos braços, ordenando o ataque, mas Karin não estava nem um pouco intimidada. Enquanto avançava devagar, a menina gesticulava, comandando seus poderes elementais e derrubando seus inimigos com ataques que eles não tinham condição de evitar. Quando finalmente estavam prestes a alcançá-la, a batalha se tornou ainda mais brutal, com demônios sendo desmembrados, retorcidos ou tendo suas cabeças arrancadas. Com seu domínio mais aprimorado do que nunca, Karin não tinha a menor dificuldade em liberar todo o seu poder sem o risco de se sobrecarregar. Não somente isso, ela não demonstrava o menor escrúpulo de usar sua força total contra os demônios, tingindo o chão de sangue impuro sem sofrer um arranhão sequer. Mas por mais que seu controle cinético fosse eficiente, no fundo ela ainda preferia depender de seus poderes originais. Assim, quando se viu cercada pelos inimigos remanescentes, ela não hesitou. Ergueu o cajado ao alto e liberou um lampejo que envolveu os demônios e os destroçou até não restar nada.
Notas finais
Em Empericia, as bruxas tentam retomar suas rotinas normais.
Capítulo 238: Responsabilidade
Em breve.
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