Roses and Demons: Hell's Flower
8 Responsabilidade
Notas iniciais
Este capítulo não é uma referência ao Tio Ben.
Quando Karin terminou, não havia um único demônio vivo ao seu redor. Satisfeita, ela fez o caminho de volta até o portão, sorrindo de forma inocente. Fernand deu a ordem para que a passagem fosse aberta e então saltou do topo da muralha, elevando, a partir do solo, meia dúzia de apoios em pontos diferentes para descer até o chão.
–Vou te contar, Karin, nem eu ia querer arrumar confusão com você. Fez um bom trabalho, mas por favor não seja tão afobada da próxima vez. Pode acabar se machucando se correr para uma briga sem pensar.–Olha quem fala! Você é tão esquentadinho quanto eu!–Verdade! Os dois riram bastante enquanto voltavam para o interior do acampamento de Brokefront. Luna logo se reuniu a eles e soube a respeito dos feitos da manipuladora da luz, que invariavelmente se tornaram o assunto da noite. Todos os soldados que viram a cena ficaram maravilhados com a demonstração de poder. Contudo, Karin tinha planos diferentes para o futuro próximo.–Eu quero visitar a Madame Papillon. – Ela disse, sem hesitação.–A mestra da Samantha? – Perguntou Fernand. – Por que isso de repente?–Ainda não estou do jeito que gostaria. A ajuda dela é muito importante para que eu me torne mais forte. Apesar da explicação, Luna estava desconfiada de que a menina tinha algo em mente que não queria compartilhar no momento. Ainda assim, acreditava que o desejo de Karin, longe de ser apenas um capricho de criança, realmente era algo sério.–Entendo o que você está pensando, mas até onde sei, por enquanto não temos nenhuma conexão segura com o esconderijo.–É verdade. – O manipulador da terra concordou. – Inferno esteve aqui recentemente para conversar com os comandantes Froz e Agas, e ele mesmo só conseguiu chegar no forte abrindo caminho à força. Depois de concluir seu pensamento, o sargento se deu conta de um detalhe que o fez repensar a intenção de impedir sua amiga de deixar o acampamento.–Apesar de que, depois do que eu vi hoje, não duvido que a Karin seja capaz de descer a porrada até mesmo no Inferno. Nem o William completamente pirado teria massacrado aqueles demônios com tanta facilidade.–Fernand, você não está pensando em--! – Luna quis protestar, mas viu nos olhos do rapaz que ele estava sendo absolutamente sincero.–Nestes dias em que vocês estiveram ocupados eu andei treinando bastante. – Começou Karin. – Fugi do acampamento e passei bastante tempo numa floresta aqui perto. De vez em quando eu encontrava alguns demônios desgarrados, e a julgar pelo nível de poder tenho certeza de que sou forte o bastante para sobreviver lá fora. Os dois manipuladores mais velhos permaneceram calados enquanto ela continuava.–Eu sei que precisam muito de vocês aqui. Aliás, provavelmente logo vão precisar de mim também, mas é justamente por isso que eu preciso partir agora. Eu conheço o caminho e posso me virar sozinha. Juro que não vou fazer nenhuma loucura e que vou evitar lutas desnecessárias.–O que você acha, Luna?–Se nem Samantha tirou da cabeça dela a vontade de aprender bruxaria, acho que não adianta nem eu pensar em discutir... O templo parecia ser maior, mas a verdade, da qual Anya Wald já estava bem ciente, era que essa impressão se dava apenas pelo fato de que um número consideravelmente menor de bruxas o estava ocupando agora. Tão logo quanto a guerra entre Empericia e Chesord terminou, com ambos os reinos sendo obrigados a unir suas forças militares, a velha líder ordenou o retorno de suas irmãs. A essa altura, a rotina das bruxas empericianas já estava completamente de volta ao normal, mas mesmo assim, algo parecia estar fora do lugar. Uma sensação estranha pairava no ar, como se um desânimo generalizado se recusasse a ir embora, e Anya não tinha ninguém além de si mesma para culpar. Nem mesmo o rei Jack Secrett, pois ela sabia que a decisão de levar suas discípulas para as garras da morte fora única e exclusivamente sua. A líder era mulher já na casa dos sessenta anos, mas que ainda tinha traços de beleza no rosto. Seus cabelos eram completamente prateados e ela os mantinha presos em um pequeno coque na parte de trás, ao que seus olhos eram de uma tonalidade de azul que lembrava o mar. Durante a maior parte do tempo ela vestia um quimono cinzento e elegante com um faixa azul escura enrolada na cintura e amarrada nas costas. Embora fosse uma pessoa cheia de energia, algo que a tornava um tanto parecida com Ent, o manipulador das plantas, nunca em toda a sua vida Anya havia se sentido tão velha. Era como se a idade finalmente a tivesse alcançado, e isto a fazia até mesmo cogitar a possibilidade de ceder seu posto a outra pessoa. Porém, na situação atual, não podia se dar ao luxo de fazer isso, não com o risco iminente de uma invasão demoníaca. No fundo ela nem ao menos sabia ainda como deveria agir diante desse risco, mas de uma coisa tinha certeza: nunca mais tomaria uma decisão que exigisse o sacrifício de outras bruxas. Para evitar ser consumida pela culpa que sentia devido à morte de várias de suas discípulas durante o confronto anterior, Anya agora se dedicava integralmente a suas responsabilidades como mentora. Lecionava e cuidava do templo incessantemente, dedicando apenas algumas poucas horas de descanso para dormir. Manter a mente ocupada dessa forma realmente aliviava um pouco o desconforto, mas invariavelmente o cansaço e o estresse acumulados cobraram um preço alto.
Pela manhã, enquanto ajudava um pequeno grupo de garotas a identificar as propriedades de alguns fungos especiais, Wald sofreu um desmaio. Quando recobrou a consciência, horas depois, estava deitada em uma cama, sendo vigiada por uma de suas alunas mais promissoras, a filha do rei, Erika Secrett.–Pode ir descansar, Erika, eu já estou bem agora. – Apesar das palavras, a voz de Anya soava fraca.–Sinto muito, mestra, mas vou ficar de olho em você até EU achar que posso deixá-la sozinha. Agora por favor tome o seu chá. A líder percebeu então que na cabeceira ao lado da sua cama de fato havia uma xícara com líquido fumegante. Ela a pegou e sentiu o aroma, tentando decifrar o que estava prestes a beber. Não que tivesse alguma desconfiança, fazia aquilo por curiosidade.–Que chá é esse?–Por favor não me faça responder a essa pergunta. Gabrielle até tentou me explicar, mas eu já esqueci metade dos ingredientes que ela usou. Você sabe que ele é boa com esse tipo de coisa.–Sim, é verdade. – Anya lembrou o quanto a irmã do alquimista se esforçava para dominar o conhecimento sobre reagentes. Enquanto fazia isso, tomou um longe gole e depois colocou a xícara de lado.–Eu nunca vi você assim, mestra. É a primeira vez que enxergo cansaço no seu rosto e acho que entendo como deve estar se sentindo, mas queria que soubesse de algo. A velha nada respondeu.–O que eu vou falar agora é só a minha opinião, mas eu acho que não tem propósito nenhum passar anos aqui aprendendo técnicas de luta, magia e outros conhecimentos se não for para colocar em prática quando for preciso. Se a situação atual já é horrível, pense como seria se Vladmir Banemare tivesse tido tempo suficiente para criar um exército de demônios ainda maior.–Está querendo dizer que eu não deveria me sentir mal por termos perdido tantas de nós?–Não! – Exclamou Erika, com uma expressão de seriedade absoluta. – Estou dizendo que não deveríamos estar aqui, fingindo aqui que tudo continua normal, enquanto as crias de Pravus ameaçam destruir Chesord e Empericia!–Erika...–Os demônios são inimigos jurados de Argenta, nossa deusa, não é verdade? Se for assim, não é nossa responsabilidade mostrar para eles qual é o gosto do castigo que eles merecem por acharem que podem atacar nosso mundo? Sem mais nada para a dizer, as duas permaneceram encarando o vazio por alguns momentos, até que a princesa finalmente levantou, dizendo algo enquanto abria a porta para sair do quarto.–Enfim, se precisar de qualquer coisa é só me chamar, mestra.
Notas finais
Existirão arrependimentos independente do caminho escolhido, e não tomar uma decisão apenas tornará as coisas mais difíceis.
Capítulo 239: A Vontade das Bruxas
Em breve.
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