Roses And Demons: Warbloom
16 Ordem Natural
Notas iniciais
Não, não estou adiantando o capítulo desta semana. Na verdade postarei dois (embora o próximo deva estar pronto somente no domingo), para compensar o fato de que muito em breve terei de diminuir o ritmo por três semanas.
O comentário do inimigo recém-chegado causou reações distintas nas duas bruxas. Jenipher simplesmente ignorou, mantendo uma expressão calma, enquanto que Erika virou os olhos para o lado, tentando entender o que levaria alguém a dizer algo tão estúpido.
-Acho que esse imbecil não percebeu que somos bruxas, Jenipher. – Disse a loira em tom de desagrado. -Como assim, bruxas?! Após a exclamação do manipulador, os soldados que o acompanhavam começaram um burburinho, trocando palavras exaltadas. Evidentemente não se sentiam muito à vontade na presença de bruxas, mas permaneceram em seus pontos, ainda que vacilantes. -Eu devia saber que vocês malditas estavam de conluio com o exército de Empericia! São mesmo um bando de adoradoras de demônios! Quanto mais o homem falava, mais a irritação de Erika aumentava. Ela já estava prestes a saltar em cima do chesordiano para espancá-lo, mas foi detida pelo braço que sua companheira estendeu, barrando o caminho. A ruiva continuava inabalável. -Não se exalte, Erika. Pode deixar que eu lido com esta situação. -É bom ouvir a sua amiga, Erika. Ela com certeza parece ter as ideias no lugar e deve saber que não tem chance de vencer um manipulador da água. A indecisão dos soldados já estava dissipada graças à confiança enorme que aquele homem mostrava ao confrontar as bruxas. Todos agora acreditavam piamente que ele seria capaz de vencê-las. -Além disso, nem pensem que podem fugir de mim. Posso localizá-las facilmente usando meus poderes, da mesma forma que fiz anteriormente. Eu sou capaz de perceber toda perturbação na minha chuva artificial! -É verdade que conseguiu nos localizar com certa facilidade, mas parece que se esqueceu rápido de que eu dissipei aquela garoa sem o menor esforço. O comentário de Jenipher feriu o orgulho exacerbado do manipulador, que finalmente começava a perceber a ameaça que suas inimigas representavam. Porém, não queria parecer um fracasso diante dos soldados que tanto o admiravam, portanto deu a eles uma ordem impensada. -Afastem-se delas. Eu vou ensinar essas duas a respeitar as autoridades de Chesord, depois vou arrastá-las até o General Pyrath para entregá-las de presente! Apesar de preocupados, os guerreiros obedeceram e se afastaram, baixando as armas e limitando-se a assistir. Em seguida, filetes de água começavam a se formar ao redor de Jenipher e Erika, tornando-se maiores a ponto de gerar um turbilhão. Contudo, logo toda a água caiu, assim como o queixo de quem a manipulava. -O que vocês fizeram?! O tridente da ruiva brilhava fracamente. Seu inimigo tentava desesperadamente realizar algum tipo de manipulação, mas todos os seus esforços eram em vão. Aos poucos ele começava a entender o que se passava. -Você fez isso! Monstro! Demônio! -Eu chamo o encantamento que coloquei na minha arma de ordem natural. É uma magia capaz de reverter tudo ao seu estado original, como foi concebido pela criadora deste mundo. – Explicou a bruxa, mas o interlocutor não era capaz de compreender tais princípios. -O que você quer dizer com isso? -Ela quis dizer que enquanto estiver alimentando o tridente com sua energia espiritual ninguém ao redor dela consegue manipular elementos, seu retardado! – Disse Erika, no limite da impaciência. -Isso é trapaça! -Erika, já chega de brincadeiras. Acabe logo com essa palhaçada. A filha do rei empunhou suas adagas, que trazia presas à faixa em sua cintura, e imediatamente ativou o encantamento nelas presente. Com uma velocidade estupenda, desfez a distância que a separava de seu alvo em um segundo e fez a cabeça dele voar com um corte cruzado. -Quanto exagero... Diante da visão da derrota do manipulador, os outros soldados gritaram de terror e fugiram. O medo de sofrer o mesmo destino nas mãos das bruxas os fez esquecer a coragem e o dever, tornando-os um bando de covardes. -Ah, não enche o saco! Eu não conseguia mais aguentar ele falando, Jenipher. -Que seja, mas agora temos que ser ainda mais rápidas. Quando aqueles soldados contarem o que houve para seus superiores, certamente teremos uma tropa inteira em nosso encalço. Eram seis horas da manhã e Elbio estava morrendo de sono, mas não se atrevia a dormir. Mantinha apenas uma vela acesa no quarto em que repousava Rina, pois não queria atrapalhar o sono dela. Seu único pensamento naquele momento era que tal lugar, que mais parecia uma masmorra, não era onde a garota deveria estar. Queria levá-la para um local ensolarado, onde ela pudesse sentir o vento soprar, mas a doença a havia enfraquecido a tal ponto que sequer conseguiria caminhar para fora do quarto. -No fim das contas, não pude fazer nada... O rapaz começava a se sentir mal, observando com dificuldade, devido à baixa luminosidade e ao sono, o rosto pálido da bruxa e suas feições de sofrimento evidentes. Mesmo enquanto dormia ela sentia dor, e nada que Elbio fizesse poderia aliviá-la. Sentindo-se dominado pela angústia e o cansaço, ele se levantou e começou a caminhar em direção à saída. Precisava lavar seu rosto, assim talvez se sentisse melhor.
Quando chegou ao corredor iluminado por chamas mágicas no teto, Elbio não percebeu que alguém se aproximava. Somente quando a mulher falou foi que ele percebeu não estar sozinho. -Aí está você. Eu estava justamente vindo para conversar, Lumarc. Havia apenas uma pessoa que o chamava pelo sobrenome naquele esconderijo, e se tratava da líder. Uma mulher de idade avançada que vestia uma túnica negra de mangas curtas, desprovida de detalhes. Seu corpo era coberto por faixas, inclusive na cabeça, cobrindo o lado esquerdo do rosto e até mesmo seus cabelos. -Realmente chegou a hora dela, Madame Ancara? Não há mesmo nada que possamos fazer? -Eu lamento, mas preservar a vida de Rina é impossível. Contudo, ela me fez um pedido bastante intrigante. Elbio conseguiu vencer o sono por um momento e observar com atenção o rosto da idosa, que estava muito sério. O rapaz sentiu uma preocupação tão grande naquele momento que nem mesmo pode ocultá-la em sua voz trêmula. -Que tipo de pedido? -Ela deseja realizar o ritual das almas unificadas. Uma magia que, se bem sucedida, permitirá que ela continue a auxiliar as bruxas mesmo após a morte. -Isso significa que há uma chance de dar errado? -Sim, Lumarc. Este é um ritual jamais realizado antes por nós, e nem mesmo eu sei o que pode acontecer com a alma de Rina se falharmos.
Notas finais
O último desejo de uma bruxa. Uma grande mudança na vida de quem ela amou.
Capítulo 117: Almas Unificadas
Em breve.
Capítulo 117: Almas Unificadas
Em breve.
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