Notas iniciais
Santo atraso, Batman! Quase que não consigo postar este artigo antes de dormir. Ler Naruto hoje não foi uma boa ideia, pois fiquei ao mesmo tempo irritado e desmotivado. Mas enfim, como as mancadas do Kishimoto não são desculpa pra não atualizar a história, aí vai mais um capítulo.

A luminosidade ainda era esparsa, mas anunciava a chegada da manhã na região montanhosa onde se desenrolava a missão de Erika e Jenipher. Os únicos sons que elas ouviam eram aqueles causados por seus próprios passos e pela água que corria ali perto. Já estavam perto do ponto mais elevado e, devido a isso, começavam a sentir o quão devastador era o frio.

-Finalmente chegamos, Erika. Agora cumpra com a missão para que possamos sair deste local insuportável.

A loira acenou enquanto tentava evitar que seus dentes batessem uns contra os outros. Tão rápido quanto seus membros enrijecidos permitiam, ela estendeu a mão até a pequena bolsa que trazia consigo e retirou um frasco de lá.

-Só espero que isso realmente funcione. – Comentou a filha do rei.

-Não se preocupe, a Mestra Anya nos garantiu de que não há margem para falhas. Com isto conseguiremos uma vitória importante.

Erika acenou positivamente com a cabeça enquanto continuava a subir. Já não restava muito, só mais alguns passos e finalmente poderia considerar sua missão como um sucesso inegável.

O sono, que antes prejudicava severamente a concentração de Elbio, havia agora desaparecido por completo. Ele tinha noção de que o que acabara de ouvir era algo muito sério, mas sua ignorância com relação ao assunto o impedia de ter uma ideia correta da gravidade.

-Madame Ancara, afinal de contas do que se trata este ritual que você mencionou? O que acontece quando se unificam almas?

-Você entende a forma como as bruxas utilizam magia, correto?

-Sim, elas utilizam a própria energia espiritual e a concentram para gerar o efeito desejado. É parecido com a forma que os manipuladores utilizam seus elementos, certo?

O sorriso minúsculo da bruxa naquele momento era praticamente imperceptível na fraca luminosidade, mas ela estava contente em perceber que o rapaz entendia os conceitos de magia.

-Exato. Através de um extensivo treinamento nós conseguimos converter o poder presente na alma de cada ser humano, uma fração do poder da deusa criadora Prima que ainda reside em nós, em energia mágica. Contudo, esta é a mesma fonte de energia que nos mantém vivos.

-Eu me lembro de ter lido algo a respeito disso, que todas as magias existentes foram desenvolvidas para proteger a vida de quem a utiliza. Por isto quanto mais poderoso é o ritual, mais tempo ele demanda para ser realizado.

-Você aprendeu bem, Lumarc. É exatamente este o motivo dos sábios que ergueram a barreira ao redor de Chesord terem perecido, porque precisavam de uma grande quantidade de energia espiritual em um tempo muito curto.

Elbio não entendia o motivo da anciã ter decidido lhe dar uma aula sobre o uso da energia espiritual, mas imagina que havia um bom motivo para isso. Certamente, logo ela chegaria ao ponto principal.

-Enfim. Quando morremos nossa alma se desliga do corpo e é enviada para Utopia ou Pravus. Até aqui não é nenhuma novidade para você, Lumarc. Correto?

-Sim. – Disse o rapaz, ansioso para ouvir o que seria dito a seguir.

-O Ritual das Almas Unificadas é uma magia que quebra esta regra, integrando uma alma a outra. Isto significa que Rina, caso seja submetida, deixará de existir como pessoa, tanto neste mundo como no próximo. Ela será eternamente parte de uma alma alheia.

Elbio não conseguiu conter a frustração naquele momento e imediatamente protestou em voz alta.

-Por que ela faria uma loucura dessas?!

-Porque a pessoa a quem a alma dela for incorporada receberá um poder incrível. Segundo o que dizem os livros antigos, desta forma é possível usar magias de grande poder sem o risco de perder a vida, pois literalmente se possuiria duas almas, uma que mantém a pessoa viva e outra que lhe concede energia.

-Mesmo assim eu não entendo...

Ancara colocou uma de suas mãos sobre o ombro do garoto, que começava a chorar enquanto mantinha o rosto abaixado. Por mais que Rina estivesse prestes a morrer, uma escolha dessas seria loucura.

-Existem dois motivos para Rina desejar isso. O primeiro deles é o fato de que ela é extremamente leal às bruxas e deseja do fundo do coração que sejamos livres. O segundo é porque ela acha que não lhe deu tudo que merecia e, portanto, quer deixar um último presente.

-Espere, você não quer dizer que...? – Ele não tinha coragem para terminar sua pergunta.

-Sim, Lumarc. Ela quer que a alma dela seja unificada com a sua.

O sol já brilhava forte e o frio começava a se dissipar. Porém, esta era a menor das preocupações para as duas bruxas agora, pois como havia sido previsto anteriormente por Jenipher, um pelotão inteiro estava diante delas nas montanhas. Ambas haviam conseguido evitar as patrulhas graças às suas habilidades, mas não seria possível escapar de um grupo tão grande.

-E agora, Jenipher, o que faremos?

-Você pode tentar convencê-los a nos deixar ir usando o seu charme.

-Prefiro morrer do que fazer isso, então vai ter que ser do jeito mais difícil.

Erika empunhou suas adagas e imediatamente começou a alimentá-las com sua energia espiritual, ativando o encantamento presente nas armas. A ruiva, observando aquilo, não pôde deixar de criticar sua colega.

-Sua tola, que chance você acha que temos de enfrentar tantos inimigos.

-Nenhuma, Jenipher, mas eu vou atrasá-los o máximo que eu puder. Enquanto isso você foge, pois uma de nós precisa avisar que o plano foi bem-sucedido.

-Você é louca se acha que eu vou deixar que-

-Vai logo, sua idiota, eu não vou conseguir manter o encantamento por muito tempo!

Sem sequer ouvir o que mais Jenipher tinha a dizer, Erika disparou na direção dos inimigos, deixando-os confusos com suas investidas rápidas e mortais. Contudo, ela, assim como sua amiga, sabia muito bem que era apenas uma questão de tempo até que suas forças acabassem. A contragosto, a ruiva começou a correr.

-“Sua imbecil, se usasse esse poder para fugir teria muito mais chances de chegar ao acampamento do que eu!”

Notas finais
Capturada, Erika está à mercê do exército de Chesord.
Capítulo 118: Prisioneira de Guerra
Em breve.