Rosalie... Sweet Rosalie
9 VIII. «Ó beleza! Onde está tua verdade?»
Notas iniciais
Enjoy...
Podem ouvir: https://www.youtube.com/watch?v=W-TE_Ys4iwM
POV Emmet
Rosalie chegou há pouco tempo a casa. Tenho a certeza que foi ter com aquele idiota do King! Ouvi dizer que chegava hoje lá de onde quer que tenha dito que foi. Argh, que raiva! É nestas alturas que desejava que o Carlisle nos tivesse proibido de sair de casa!
Mas a Rosalie vai ver. Assim que ela disser ao “namoradinho” que já não quer nada com ele e que está indo embora ahhhhh! E se ela sofrer? Porque, sim, ele não se vai mostrar nem um pouco magoado. Mas se ele a deixar mal, eu corto-lhe a cabeça, eu arranco-lha e pego-lhe fogo. Ou talvez eu lhe arranque os membros lentamente. E tudo o resto que for desnecessário. A começar por aquele apêndice no meio das pernas. Coitadinho, vai ficar sem a única parte do corpo que utiliza para pensar.
Relaxa Emmet, tu não és assim... É aquela loira que te está a dar a volta à cabeça.
Talvez seja melhor ir apanhar um pouco de ar. Sinto que a minha cabeça vai explodir se ficar mais um segundo que seja neste quarto.
Ando ao longo do corredor e detenho-me um pouco na porta do quarto de Rosalie. Oiço um gemido baixinho. O meu impulso é abrir a porta. Foi irracional. Mas eu não podia, de forma alguma, estar preparado para o que veria a seguir.
Rosalie chorava baixo, abraçada aos joelhos, encostada à cama. Mas isso não foi o pior. Quando ela levantou os olhos e o seu olhar se cruzou com o meu... eu vi. O sangue manchava-lhe o rosto. Ela sangrava de um dos braços, reparei.
Aproximei-me dela, preocupado sobre onde ela se teria cortado. Rosalie afastou-me, escondendo o braço sangrando e limpando as lágrimas com as costas da mão, apenas sujando mais o seu rosto.
– Rosalie... — Disse, tentando aproximar-me, apenas para ser afastado.
– Sai daqui, Emmet! — Gritou. — Tu não tens nada com isto.
– Rosalie, deixa-me ver. Deixa-me ajudar-te. Foi o idiota do King?
– Porque achas que é tudo culpa dele? Ele é o único que não me julga!
– Ele é o único que não se preocupa! — Gritei, irritado. Porque raios, ela sempre o defende? E porque é que isso me afeta tanto?
Tentei aproximar-me e ela não me afastou dessa vez.
– Tu não te preocupas... Tu odeias-me. — Ela disse baixinho, reclamando. Estava cansada e não me empurrou quando lhe peguei o braço.
Ela não se tinha cortado acidentalmente. Foi propositado. Meu Deus! Como é que eu nunca tinha notado? Ela tinha o braço coberto de cicatrizes. Algumas, notava-se bem, eram muito antigas. Estava chocado. O que levaria uma rapariga tão bonita a fazer “isso” com o seu corpo?
– Quanto tempo? — Balbuciei.
– Um ano... talvez mais...
Abracei-a e deixei-a chorar no meu peito. Não importava o sangue que a cobria.
– Eu não te odeio Rosie.- Ela levantou os olhos para me encarar, não se livrando, no entanto, dos meus braços. — Eu digo todas aquelas coisas para te ver irritada, mas nenhuma delas é verdade.
– Emm, também não te odeio. — Ela confessou num murmúrio, enterrando a cara na curva do meu pescoço. — Estou cansada.
– Porquê?
– Porquê? Não sei. Não me lembro nem porque comecei. Acho que foi para descarregar a raiva que sentia. Agora, acho que apenas o faço para sentir alguma coisa.
– De todas as formas de sentir, porque não escolheste uma outra?
– Porque não faz diferença alguma! É o meu corpo. Ele já é nojento de qualquer das formas.
– Rosie, tu és linda.
– Não, não sou. Eu sou horrível. Eu sinto-me sempre como se as pessoas estivesse a gozar comigo. O tempo todo! Sussurrando uns para os outros o quão gorda e feia eu sou. De qualquer forma, porque haveriam eles de olhar? Tu não entendes como é estar rodeada de raparigas que podem comer e fazer o que quiserem, e sempre parecem perfeitas! Elas nunca têm de pensar duas vezes sobre calorias! Algumas vez te sentaste com os teus amigos e compreendeste que és o amigo menos importante do grupo? Que não faria diferença nenhuma se não estivesses lá?
Parou por uns momentos para controlar o soluçar e o choro compulsivo.
– Quando eu era mais nova, eu era extremamente gorda. E havia sempre uns médicos que iam nos pesar ao orfanato. Então, eles simplesmente apareciam, uma vez por ano. Eles pesavam-nos. E depois... Oh Emmet. Tu sabes o que significa mórbido? Obesidade mórbida. Imagina, chamar mórbido a uma criança de sete ou oito anos! Deuses, é uma criança! A sociedade atribui-nos rótulos desde que nascemos.
Fiquei sem reação. Quando é que a vida dela se tinha tornado tão triste? Agora entendo porque ela nunca fala sobre o futuro? Como é que se pode pensar no futuro, quando nem se sabe se lá chegará? Entendo porque ela diz que tenta viver um dia de cada vez. Ela tenta sobreviver e chegar ao dia seguinte. Ela acorda todos os dias com o único objetivo de chegar viva a casa.
Não sabia o que dizer.
– Às vezes as pessoas são bonitas. Não pela aparência física. Nem pelo que dizem. Só pelo que são.
Ela fez silêncio por um momento. Apenas conseguia ouvir a sua respiração acalmando-se.
– Emm? — Disse, com o som sendo abafado pelo abraço.
– Sim?
– Isso foi a coisa mais bonita que eu já ouvi. Mas Emmet, eu não vou parar.
– Eu sei. E é isso que me preocupa...
Ela olhou bem fundo nos meus olhos e sorriu. Um sorriso triste.
– Rosie, tu és muito mais do que aparências. Acredita nisso.
– Mas é isto que todos vêm. Ninguém está interessado no meu excecional gosto por Shakespeare. — Ela ironizou. Ela adorava maquilhar a dor com ironia.
– Ó beleza! Onde está tua verdade?
– Emmet, eu não vou parar. — Ela repetiu, como se precisasse desesperadamente que eu entendesse. Eu sabia que ela não iria parar. Ela não iria morrer se fizesse apenas cortes superficiais. E deveria ser essa a minha maior preocupação? Meros riscos na pele?
Ou as profundas cicatrizes na alma?
Notas finais
Espero que não me tenham abandonado.
Eu tinha o cap pronto, então, "very sorry" mas estava muito ocupada com a escola e outras coisas.
Rosalie em mais um momento "daqueles". Que acharam? Digam aí!
Vou tentar não demorar.
beijos e abraços apertados...
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