Roommate

23 She love her, but she didn't have time to say that


Notas iniciais
Aqui está mais uma capítulo estilo depressão para vocês. Peço que desculpem os erros e a falta de parágrafos (acho que eles não vão existir nos capítulos que eu postar até dia 20). Boa leitura!
Quinn sabia que devia ir para longe. Mas sua cabeça estava uma bagunça e tudo parecia ter sumido de lá. Seus pés a levavam para qualquer lugar, quando uma tontura repentina a abateu e ela apenas entrou no café mais próximo.

O sino da cafeteira tocou, fazendo as poucas pessoas que estavam ali olharem para ela. Mas seus olhos não registraram isso. Eles estavam opacos, frios e distantes.

Os passos eram fracos e cambaleantes e ela sentia que ia cair a qualquer momento. Não se preocupou onde estava sentando. Ela só precisava de estabilidade. Mas mesmo acomodada, Quinn sentia como se pudesse despencar de uma altura imensa.

Os objetos adquiriram dimensões diferentes e os sons pareciam longe. Ela sentia como se estivesse em um sonho. E algum ponto dentro dela rezava por isso.

Quinn amava Rachel. Ela havia descoberto isso há pouco tempo. Mas Deus, como ela amava Rachel. E agora, naquela cafeteria, Quinn descobriu que a amava mais do que podia suportar.

O café preto fumegante descansava a sua frente enquanto a fumaça subia até a altura de seu rosto e se dissipava no ar.

Os olhos de Quinn tinham atenção fixa na parede a sua frente. Ela não estava chorando. Ela estava em estado de choque. Como depois de uma noite perfeita de amor, Rachel foi capaz de fazer isso? Elas estavam bem. Ou ao menos melhorando. Rachel a chamara de 'meu amor'. E tudo isso, apesar de adquirir tanta importância antes, estava perdendo toda ela agora.

A dor em seu peito era avassaladora. Ela sentia martelos, facas e lanças sendo jogados contra seu coração já tão machucado.

Sentiu a extremidade de seu olho se encher de um pouco de água. A lágrima escorreu deixando em seu rosto uma trilha úmida.

Ela estava estática.

Não havia movimentos ou palavras. Sua respiração estava pesada e parecia levar todas as suas forças a cada vez que ela respirava. Quinn não sabia o que fazer. Ela poderia ir para casa de Santana ou qualquer outro amigo. Mas tudo parecia tão difícil. Qualquer movimento. Qualquer palavra. Parecia ter um peso maior, uma dificuldade maior do que realmente tinha ou era.

Ela sentia como se não fosse mais se recuperar. Quando Jane confessou que havia a traído, ela teve seu coração quebrado. Mas agora, agora ele estava despedaçado. E Quinn tinha certeza que alguns pedaços se perderam e ela nunca mais teria o coração completamente concertado.

Ela não conseguia lidar com esse sofrimento. Ela nunca seria capaz de lidar.

Ela precisava de Rachel.

Precisava de Rachel como precisava de ar ou água.

E ela sabia que talvez nunca mais teria Rachel.

Nunca mais teria ar ou água.

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Rachel empacotava suas coisas. As lágrimas incansáveis pingavam nas caixas de papelão, deixando círculos mais escuros. Todas as caixas estavam assim. O chão estava assim. Tudo o que ela tocava acabava ficando assim.

Ela não sabia exatamente em que momento havia se perdido. Em que momento tudo tinha dado errado. Talvez foi quando ela percebeu que se sentia atraída por Quinn. Ou quando elas se beijaram pela primeira vez. Mas isso não importava mais.

Rachel tinha cinco caixas com todos os seus pertences e mais duas malas com todas suas roupas. Entrar no quarto de Quinn para pegar o resto de suas coisas foi o mais difícil. Ela não conseguiu segurar as lágrimas e elas escorriam de um modo que Rachel achou que nunca fosse capaz de parar.

Ela se jogou sobre a cama de Quinn. O cheiro da loira estava por toda parte e isso só aumentava a sua dor. Aquele era o lugar onde elas tinham feito amor tantas vezes. Onde elas haviam compartilhado intermináveis momentos de cumplicidade e paixão.

E agora estava tudo acabado.

Rachel segurou com força o pingente de ouro da corrente que Quinn lhe dera de Natal. Ela se agarrou ao objeto como se fosse uma cruz e pediu que as coisas melhorasse. Pediu que ela conseguisse concertar si mesma e depois ter forças para concertar Quinn.

A morena seguiu até a sala com Louis em seus calcanhares. Ele sabia. Sabia que ela estava indo embora. E por mais que eles tivessem suas diferenças, Rachel passou a amar Louis e Louis passou a amar Rachel. Cada um de sua maneira. E saber que ela não o veria mais também doía.

Seus olhos percorreram a sala e pararam no porta-retrato cheio de fotos dela e de Quinn. E por um momento ela sorriu. O coração dela acelerou. E ela descobriu que amava Quinn. Droga. Ela amava Quinn. Mas agora já estava tudo arruinado. E pelo menos por agora, não havia concerto.

Essa descoberta deixou Rachel ainda pior. Ela havia arruinado sua própria vida. Ela estava cada vez mais fundo. Havia cavado seu buraco com a própria pá.

Mas ela continuaria amando Quinn independente de tudo. Ela amaria Quinn em silêncio. Amaria em sua mente. Amaria em seu coração.

E ela ia melhora. Ia conter seus medos e inseguranças até que ela fosse capaz de amar Quinn em todo seu corpo. Em todo o mundo.

xxxxx

"San?" Quinn finalmente foi capaz de encontrar sua voz.

"Q? Está tudo bem?" A latina estranhou a voz tremula da amiga através do telefone.

"É só... uma longa história." Ela disse com a voz mais nasalada que o normal.

"Tudo bem..." Santana disse sem saber o que fazer.

"Eu posso dormir aí hoje? Prometo que não vou incomodar." A morena do outro lado da linha respirou fundo. Essa era sua noite livre com Brittany. Mas ela não podia simplesmente dizer 'não' à sua amiga.

"Claro... Mas e a Berry?" Quinn sentiu choro ameaçar vir à tona, mas ela não podia desmoronar.

"Não existe mais Berry." A voz saiu falha e tão baixa que Santana teve que colar o celular a orelha para ouvir.

"C-como assim?" A latina estava confusa. Mas ela desistiu de perguntar quando ouviu Quinn chorando do outro lado da linha. "Quinn... Quinn... Só venha logo para cá, tudo bem?"

A loira desligou sem nem ao menos se despedir e se apressou em chamar um taxi. Ela não sabia quanto tempo aguentaria sozinha.

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Rachel se aproximou do porta retrato e deslizou a ponta do dedo por todas fotos, demorando nos sorrisos de Quinn. Ela sentiu uma última lágrima insistente deslizar por seu rosto. Rachel não se permitia mais chorar. Ela não tinha esse direito.

Retirou o quadro da parede com delicadeza e colocou em uma de suas caixas. Era seu presente de Natal. Era sua lembrança de Quinn. Era sua memória feliz.

Ela foi até a cozinha e encheu o potinho de Louis com água e comida.

Buscou o celular e discou o número de Kurt. Depois de três chamadas ele atendeu.

"Hey, Rach!"

"Oi, Kurt..." A voz dela saiu fraca e rouca. Como se não falasse há dias.

"Rachel? Está tudo bem?" Ele perguntou preocupado.

"Não." Era a única coisa que ela era capaz de dizer sem desmoronar.

"O que aconteceu? Onde está a Quinn? Você está em casa?"

"Eu não sei, Kurt! Eu não sei onde está a Quinn!" Ela não foi capaz de segurar o choro. "Nós terminamos..." Rachel disse a última frase extremamente baixo. Doía menos.

"Oh meu Deus!" Kurt estava completamente chocado.

"Eu posso dormir aí até achar um lugar para ficar?" Ela perguntou tímida e desolada.

"Claro. Claro que sim." Disse quase que imediatamente. "Você precisa de ajuda com suas coisas?"

"Sim..." Ela apenas suspirou.

"Eu chego aí em cinco minutos." Ele desligou tão rapidamente que Rachel mal teve tempo de se despedir.

Ela aproveitou esse tempo para andar pelo apartamento. Guardar lembranças. Reviver memórias.

Kurt não demorou nada mais e nada a menos do que o combinado para chegar. Blaine veio junto. Rachel ainda não o conhecia e esse realmente não era o melhor momento para apresentações.

Quando eles estavam prestes a fechar a porta do apartamento de Quinn, o choro vindo do fundo da garganta de Louis foi ouvido. Ele olhava para Rachel e ela sentiu seu olho lacrimejar.

A morena se aproximou do cachorro e se abaixou a sua frente.

"Adeus, Louis." O chorou se fez presente. "Eu vou sentir sua falta. Muito." Seu rosto estava completamente úmido. E as lágrimas desceram ainda mais rápidas quando o segundo ganido de Louis foi ouvido. "Mas eu vou fazer de tudo para voltar. Tudo bem?" Ela acariciou a cabeça do cachorro. "Eu prometo." Beijou a cabeça do animal e se afastou relutante. E antes de fechar a porta e olhou para trás. "Cuide da Quinn, tudo bem? Nós a amamos e se eu não posso estar por perto, eu quero que você faça tudo o que puder para mantê-la feliz." E então ela fechou a porta.

Blaine ajudou com as bagagem e o caminho até a casa de Kurt foi feito em silêncio.

Mas quando ela chegou ao destino, contou tudo ao amigo. Explicou tudo o que ela sentia. E como era idiota por ter feito o que fez.

"Eu não podia continuar, Kurt. Eu iria magoa-la, talvez ainda mais do que magoei. Eu não estava pronta." Ela chorava novamente.

"Rachel..." Ele suspirou e a morena sentiu o tom de reprovação em sua voz. "Você já pensou em como tudo isso podia ter sido evitado com conversa?"

"Eu... Não. Eu não sabia como falar com ela sobre isso."

"Rachel... Eu juro que não queria dizer isso, mas você é idiota." A morena olhou parar ele surpresa e em seguida começou a chorar ainda mais. "Ei, ei... Me desculpe." Ele abraçou a amiga. "Mas... Céus, Rachel! Você a ama e eu nunca te vi tão feliz como quando você estava com ela. E você realmente disse essas coisas para ela? De que com o Finn sua vida seria melhor? Pelo amor de Deus! Eu sei que ele é meu irmão, mas ele nunca seria capaz de te proporcionar o que ela te proporciona! Ele nunca seria capaz de te dar amor." Ele terminou e Rachel apenas chorava. Ela não tinha o que dizer. Esperava uma consolação e não uma bronca. Mas ela sabia que merecia.

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Quinn mal teve tempo de se acomodar no apartamento de Santana. Visto que Brittany a abraçou e não a soltou mais. Elas deram algo para Quinn comer, mas não falaram absolutamente nada.

A loira tomou um banho e Santana pode ouvir ela chorar. Mas não faria nada. Se Quinn precisava de tempo, ela o daria.

Mais tarde as três foram para a sala. Quinn estava com a cabeça descansando no colo de Brittany e Santana estava sentada no tapete branco e felpudo da sala.

Ela contou tudo. Tudo o que Rachel disse e tudo o que ela disse. Contou como estava abalada e como sentia que nunca mais fosse capaz de ficar em pé novamente.

Mas ela desistiu e decidiu ir dormir depois de ouvir Santana falando "Eu vou matar a Berry." após cada frase que Quinn dizia.

E ela se permitiu chorar mais um pouco antes de ceder ao sono.

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Depois de Rachel muito chorar no colo de Kurt, decidiu que tomaria um banho.

Ela sentou no box e deixou o jato de água cair sobre sua cabeça.As lágrimas se misturavam com a água e ela não sabe exatamente quanto tempo ficou ali.

Kurt ouviu o choro vindo do banheiro e decidiu entrar. Ele encontrou a figura nua de Rachel chorando mais do que nunca, com os joelhos sendo apertados contra o peito.

"Rach..." Ele disse com pena.

"Kurt." Ela tentou se cobrir mais.

"Rachel. Pare com isso." Ela parou de se cobrir, confusa. "Nós somos quase irmãos e não é como se eu gostasse do que você tem aí." Ele comentou risonho, arrancando um sorriso de Rachel.

"Eu só... não sei o que fazer, Kurt." Ela comentou completamente indefesa.

Ele olhou para a morena com ternura e acariciou sua cabeça encharcada antes de responder.

"Você não vai fazer nada agora. Dê a você e a ela um tempo." Kurt deixou o banheiro e na cabeça de Rachel só havia uma palavra...'tempo'.

O moreno de olhos azuis andou até a cozinha com o intuito de preparar algo para comer. No entanto, a campainha o interrompeu.

"Olá, Finn." Ele disse com um pequeno sorriso ao abrir a porta.

"E aí, Kurt. Eu trouxe as compras que você me pediu." Disse Finn entrando com oito sacolas nas mãos e depositado todas elas na bancada.

"Muito obrigado."

"De nada. Bem... Eu já vou indo." Mas antes que ele pudesse ir, algo o impediu.

"Kurt!" A voz abafada de Rachel foi ouvida vindo do banheiro. "Você pode trazer uma toalha?"

"Quem está aí?" Finn perguntou, embora ele já fizesse alguma ideia. Ele conhecia aquelas malas cor de rosa.

"Rachel..." Kurt respondeu temeroso.

Os olhos de Finn brilharam. Um brilho assustador que causou um arrepio em Kurt. E de repente ele se arrependeu por não ter mentido. Finn estava começando a entender o que estava acontecendo.

"Até mais, Kurt." O jogo estava finalmente virando a seu favor.