Roommate
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Notas iniciais
Melancolia era a palavra que descrevia Quinn e Rachel no último mês.
Quando Quinn voltou ao seu apartamento após o término, a sensação de vazio a tomou completamente. Não existia nada lá que deixasse ao menos uma pista que Rachel um dia passara por sua vida, tirando as memórias e o cheiro doce impregnado em qualquer canto.
Então ela chorou. Chorou tanto que em determinado momento, não existia água suficiente em seu corpo para que as lágrimas escorressem.
Ela tentava passar a maior parte do tempo longe do apartamento. No entanto, ela não podia deixar Louis totalmente sozinho. Mas ele parecia querer ficar.
Quinn via o quanto o animal estava sentido. Já virara rotina acordar e vê-lo sentado na porta do apartamento, esperando por alguém que nunca viria. Ele também não dormia mais com ela. Passava todas as noites deitado na cama que costumava ser de Rachel.
Ela percebera a ausência do porta-retrato que dera a morena de Natal. E não sabia exatamente o que isso a fazia sentir. Porque de certa forma ela sentia que Rachel não queria esquecê-la.
Uma semana após o termino, ela viu Louis vindo em sua direção com algo entre os dentes. Era o pequeno Rudolf. O elefante de pelúcia que fora presente para Rachel. Aparentemente ele caíra de uma de suas caixas na hora da mudança.
Quinn o abraçou forte, de forma que pudesse sentir Rachel dentro dele. E isso acabou se tornando um hábito todas as noites antes de dormir.
Rachel continuava no apartamento de Kurt. E o amigo parecia querer que ela ficasse.
Ela quase não comia ou falava. O rosto sem expressão era algo frequente. Já não se encontrava o maravilhoso sorriso de Rachel Berry. De fato, ele não aparecia há muito tempo.
Qualquer lembrança de Quinn fazia com que ela se sentisse mal. Mas mesmo assim, não fazia esforço algum para esquecê-la. Tanto que o colar que ganhara de Natal nunca saiu de seu pescoço.
Kurt tentava animá-la com qualquer coisa. Tickets para Broadway. Noite de musicais em casa. Karaokês. Mas nada, nada mesmo parecia tirá-la daquele buraco escuro que agora vivia.
Blaine estava sempre com eles. E Rachel o achava uma boa companhia. Ela realmente gostaria de tê-lo conhecido num momento menos negro de sua vida.
Já era noite quando Kurt adentrou o quarto de Rachel com o jantar. Ela pegou um resfriado nos últimos dias e agora recebia cuidado especial.
“Oi, Rach.” Ele disse baixinho.
“Oi, Kurt.” A voz nasalada soou.
“Eu trouxe sopa. Não sei se você gosta.” Ele disse hesitante.
“É claro que eu gosto. E na verdade, eu não poderia exigir nada de você depois de tudo o que fez por mim.” Ela disse enquanto tomava uma colherada do líquido.
“Não seja boba. É para isso que servem os amigos. E esse apartamento é praticamente seu também.” Kurt sorriu e Rachel tentou fazer o mesmo.
Um minuto de silencio se instalou, quando o moreno respirou fundo.
“Rachel.” Ele disse e ela se limitou a olhá-lo. “Já faz um mês.” Rachel sabia disso. Ela contava todos os dias.
“Eu sei.”
“Você precisa se reerguer.”
“Eu não consigo e não quero.”
“Não diga isso, Rachel.” Kurt estava assustado com a falta de brilho de sua amiga. “Se você quer Quinn de volta, não espere que ela venha até você, porque ela não vai.”
“Eu não sei se sou capaz de olhar nos olhos dela depois de tudo o que eu fiz.” Ela disse, derrotada.
“Eu encontrei Santana ontem.” Ele comentou e imediatamente atraiu a atenção de Rachel. “Quinn está tão mal quanto você. Ela ainda te ama. Ainda de quer de volta. Mas ela é quem está mais abalada, Rachel. Ela foi a vítima. Na verdade vocês duas foram. No entanto, por vilões diferentes. Você precisa se reerguer.”
Ela sabia que Kurt estava certo. Mas a ideia de sair daquele quarto era quase tão assustadora quanto a de ter que encarar Quinn novamente.
“E Rachel, eu não quero ser indelicado, mas meu salário não é suficiente para bancar nós dois nesse apartamento. Então... se não quiser fazer por você. Faça por mim.”
Rachel não tinha ideia do que dizer. Ela sabia que estava sendo um fardo. Que estava abusando de Kurt. Mas a ideia de arranjar um trabalho não passara pela sua cabeça.
“Você devia sair... procurar um bom agente.” Ele sugeriu.
“Não.” Disse ela. “Eu não estou preparada para Broadway agora. Eu... eu vou arranjar um emprego, não se preocupe.”
“Rach...” Ele tocou sua perna gentilmente. “Eu não quero que você trabalhe com algo que não quer. Tudo bem? Não foi isso que eu quis dizer.”
“Está tudo bem. Eu posso arranjar um emprego enquanto me ajusto. Só isso.” Ela tentou parecer confiante. “Acho que vou dormir. Boa noite, Kurt.”
“Boa noite.” Ele beijou sua testa e saiu do quarto.
Mas a verdade é que Rachel não dormiu. Ela pensou em tudo o que aconteceu nesse último mês. E decidiu que estava na hora de mudar. Não. Ela não iria desistir de Quinn. Muito pelo contrário. Quinn era o motivo da mudança.
Ela iria criar forças para se levantar na manhã seguinte e começar a primeira parte de seu plano para reconquistar Quinn Fabray.
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“Ouch.” Rachel murmurou quando abriu a cortina do quarto depois de exatos trinta e um dias. A luz que refletida na neve que descansava em sua janela atingiu seus olhos e causou um terrível incomodo.
Ela nunca a abria. E as únicas vezes em que saiu do apartamento, o céu estava cheio de nuvens carregadas. E ela tinha certeza de que esse estava sendo o pior inverno de sua vida.
Rachel rastejou até o banheiro e lavou o rosto. Ela estava horrível. Embaixo de ambos os olhos havia bolsas. E ela jurava que tinha engordado. Suas bochechas estavam mais volumosas e ela parecia um esquilo.
Agora mesmo que Quinn vai te querer de volta, Rachel... Pensou sarcástica.
Mas de alguma forma, ela estava recuperando a felicidade. Porque esse novo objetivo lhe trouxe animação. Ela sempre correu atrás de tudo o que queria. E força de vontade era algo que nunca lhe faltava. Ela só estava escondida nesses últimos dias.
Rachel sorriu para o espelho. Ela tinha que ser capaz de fazê-lo decentemente. No entanto, saiu mais como uma careta. E foi ai que ela descobriu que sorrir não é como andar de bicicleta. Você pode desaprender.
“Bom dia.” Murmurou para Kurt e Blaine que estavam sentados ao balcão da cozinha.
“Rachel!” Kurt disse animado. Fazia tempo que a morena não se levantava antes do meio dia.
“Hey, Rach.” Blaine cumprimentou. Ela tentou sorrir para os dois garotos e dessa vez tinha dado certo.
O café da manhã foi animado. Rachel começava a se sentir melhor. E ela começou a cogitar a ideia de que um pouco de contato humano teria deixado esse último mês bem menos difícil.
“Kurt?” Rachel disse enquanto guardava os pratos.
“Sim?”
“Você tem planos para hoje?” Ela perguntou sorrindo, porque sabia que o amigo estava o fazendo.
“Não importa. Eu faço o que você quiser.” Ele disse completamente animado.
“Eu queria fazer compras.”
“Garota, era disso que eu estava falando!” E sem que Rachel percebesse, Kurt a agarrou por trás e lhe deu um abraço bem apartado.
“Céus, isso teria feito toda a diferença.” Ela comentou sorrindo e abraçou o amigo de volta.
Felicidade. Sorrisos sinceros. Amigos.
As coisas estavam voltando ao normal aos poucos.
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“Tudo bem. Nós temos Tommy, Prada, Gucci, Giorgio Armani, Versace, Louis Vuitton, Fendi, Chanel... e muito mais! Oh meu Deus! Eu estou tão animado!” Kurt bateu palmas enquanto ele e Rachel encaravam o mapa do Outlet que se encontravam.
Rachel franziu o cenho e encarou as lojas a sua frente. Não era isso que ela estava procurando.
“Vem.” Disse puxando Kurt pelo braço.
Elas caminhavam sem rumo, olhando todas as lojas. Kurt começou a estranhar. Afinal eles já haviam passado por várias lojas famosas e com roupas maravilhosas. Mas Rachel parecia ignorar todas elas.
“Quantos turistas.” A morena comentou enquanto checava mais uma vez o mapa.
“Pois é. Mas então, Rach... já decidiu? Escuta, a Gucci está com uma grife maravilhosa e-“
“Eu quero entrar naquela.” Ela apontou para uma loja mais escura, com nome desconhecido.
E antes que Kurt percebesse, Rachel já estava o puxando para aquele ambiente esquisito.
Quando entraram, a única coisa que o moreno registrou foi “preto”. Muito preto.
“Rachel... por que você quer usar roupa de motoqueiro?” Ele perguntou, tentando não encostar-se a nada ali.
“Não é roupa de motoqueiro. É só... couro.” Ela disse simplesmente enquanto olhava as jaquetas.
“Muito couro.” Ele disse. “Então ou você é um cowboy, ou um motoqueiro.” Rachel ignorou o comentário.
“O que você acha?” Ela vestia uma jaqueta justa de couro preto.
Kurt fez uma careta enquanto tentava formular um argumento bom o suficiente para tirar sua amiga daquele lugar. Ele tinha certeza que haviam pulgas.
“Que tal nós procurarmos um vestido para você?” Ele quase implorou.
Mas ela novamente o ignorou e foi mais a frente.
“Oh meu Deus! Eu preciso disso!” Ela comentou empolgada, colocando uma calça de couro em frente ao corpo.
“Céus, Rachel! Você vai virar sapatona? Usar couro e não pentear o cabelo? Pelo amor de Deus!” Ele quase gritou.
“Kurt! Eu só quero mudar meu estilo.” Ela pareceu confiante.
“Seu estilo está ótimo, querida.” Kurt tentou completamente convencê-la com essa frase, mas ela pareceu nem ouvir.
“Kurt! Veja!” Ela apontou para o que parecia ser a Terra das Jaquetas de Couro.
“Céus...” Kurt suspirou. Ele estava tão perdido.
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“Você tem certeza disso?” Kurt perguntou. Ele estava arrasado. Deplorado. Sem vida. Sem esperança.
“Eu já falei que sim!” Ele respirou fundo e se jogou no sofá do cabeleireiro. A vida era uma droga, de qualquer forma.
“Vá em frente.” Ao menos ele conseguiu convencer Rachel a não cortar os cabelos. Eles haviam crescido consideravelmente no último mês. Mas a morena insistiu em fazer californianas.
Kurt achava o cabelo de Rachel maravilhoso. E o melhor era que ele não tinha química alguma. Isso é raro hoje em dia. No entanto, nada pode fazer para impedir a morena.
Ele assistiu todo o processo enquanto pensava no dia que havia vivido. Eles compraram milhares de peça de couro – sem antes conferir se era mesmo sintético, é claro. – e outras roupas que ele acreditava que Angelina Jolie facilmente usaria em um filme de espionagem. Nada contra Jolie. Mas o problema era que Rachel não era espiã.
A única coisa que ele aprovou foram as botas. Lindas, altas e de couro – sintético -.
“Prontinho!” O cabeleireiro disse enquanto avaliava seu trabalho.
Kurt teve que engolir tudo o que havia dito. Rachel estava linda. O cabelo castanho terminava em grandes cachos quase loiros.
“E então?” Rachel perguntou animada ao amigo.
“Linda.” Ele suspirou vencido, recebendo nos braços sua amiga.
Não demorou muito para que fossem para casa. O dia fora cansativo. Mas ao menos Rachel havia se divertido.
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“Isso está ótimo.” Rachel falou com a boca cheia de macarrão. Fazia tempo que ela não se alimentava direito. Carboidratos. Ela realmente sentira falta deles.
“Mas então, como foi o dia de vocês?” Blaine perguntou.
“Rachel resolveu se vestir como sapatona.” Kurt murmurou enquanto levava uma garfada à boca.
“Essa eu quero ver.” Comentou animado.
Rachel sorriu e engoliu a comida antes de dizer. “Kurt só está com inveja.”
“Inveja de quê? Estou felicíssimo com meu guarda-roupa, obrigada.” Todos menos Kurt riram.
“Mas é sério, Rachel. Eu realmente quero ver.” Ela se levantou animada e correu para o quarto.
Vestiu uma calça de couro, uma blusa cinza com um generoso decote (essa blusa: http://images6.fanpop.com/image/photos/33000000/Glee-cast-glee-33054817-3000-2045.jpg) e botas.
Deixou o quarto com o andar e rosto confiante. Certamente uma atitude diferente da Rachel Berry dessa mesma manhã. Os cabelos balançavam de acordo com seu andar e os olhos transmitiam calor e segurança.
Blaine ficou de boca aberta... Até ele lembrar que era gay e fecha-la.
“Uau.” Ele disse e Rachel sorriu.
“E então, Kurt?” Ela arqueou a sobrancelha.
“Tudo bem. Você está gostosa.” Ele admitiu vencido.
Rachel sorriu ainda mais. E Kurt concordou que não importava quanto couro sua amiga usasse. Vê-la sorrir era o que importava.
“Mas tem uma coisa que eu não entendo.” Kurt começou. “Não era Quinn quem vestia as calças nessa relação?”
“Sim...” Rachel concordou. “Mas eu prometi a mim mesma que iria concertá-la, Kurt. Eu preciso assumir o controle dessa vez.” Ela percebeu que isso tinha perfeita lógica.
“Você vai conseguir, Rach.” Blaine comentou e Kurt assentiu.
E mesmo que fosse difícil, ela sabia que teria seus amigos para ampará-la.
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