Notas iniciais
Olá! Eu sei que eu disse que não demoraria para postar. Mas eu tive uns probleminhas, tipo falta de inspiração. E também me concentrei nos meus desenhos (aqui está um deles para quem quiser ver: http://sphotos-c.ak.fbcdn.net/hphotos-ak-ash3/526328_500472853318670_88925927_n.jpg ). E além de tudo isso eu ainda fiquei deprimida. Porque Achele me deixa extremamente deprimida. É tipo... deprimente. Ok, parei. Enfim, aqui está mais um capítulo, espero que vocês gostem. Boa leitura!

Os olhos de Quinn dançavam pela sala bege que ela mesma decorara. O divã preto estacionado perto de sua poltrona de mesma cor. A sua mesa de madeira perto a estante de livros. O tapete felpudo no meio da sala. Isso era tudo o que ela tinha visto durante um ano inteiro.


Ela estudou para isso.


Então porque ela não estava feliz?


Ela era paga para ouvir e em seguida, para falar.


As pessoas vinham com os mesmo problemas. As mesmas histórias que davam num mesmo ponto. E no final, Quinn diria a mesma coisa.


Porque em algum momento ela leu sobre isso. Ela tinha um protocólo. Um roteiro. E não é como se ela realmente se importasse. Ajudar os outros era bom. Mas não quando ela sentia como se fosse uma obrigação.


E todos os dias as pessoas traziam milhões de informações sobre suas próprias vidas. E a única coisa que Quinn conseguia pensar era que ela conseguia ler bilhões de informações em uma única fotografia.


Ela via a beleza das cores. Das paisagens. De um sorriso natural.


Se Quinn pudesse abandonar tudo e sair por ai com sua câmera fotográfica, ela o faria.


E ela se perguntava o que Rachel acharia se tivesse escolhido sua arte ao invés do desenrolar de sua língua. Afinal, Quinn não era uma mulher de palavras. Era uma mulher de imagens.


A psicóloga se pegou pensando no que aconteceria se ela tivesse feito o que ela queria. Mas que, no entanto, não era o que ela precisava. Ela tinha que ter dinheiro. Uma carreira fixa e certa.


E as pessoas às vezes fazem isso, certo? Elas sacrificam seus sonhos por algo maior. Por uma necessidade. Por uma chance de sobreviver.


Se Rachel soubesse, provavelmente atiraria garrafas nela. A morena diria “Siga seus sonhos e acredite neles acima de tudo. Foi o que eu fiz.” Ao menos essa era uma das partes do seu discurso de dez páginas para quando ganhasse seu primeiro Tony.


Mas a diferença era que Rachel tinha alguém. Tinha uma família. Pais que a amavam. E o que Quinn tinha? Um coração quebrado sendo curado aos poucos por uma diva da Broadway. Era um começo depois de tudo.


xxxxx

Rachel estava deitada em seu sofá. Ela sentia Louis lamber seu dedão do pé há mais de quinze minutos. Mas ela não se importava. Não agora. Não com o tédio a consumindo.

Tic. Tac. Tic. Tac. Tic. Tac.


Isso era tudo o que ela ouviu por horas enquanto observava o teto branco do apartamento. E ela já tinha criado várias músicas com essa sequencia de sons. Era assim que sua mente funcionava. Ela até tinha criado uma com o som que Quinn fazia quando tinha um orgasmo. Mas Rachel nunca ia falar sobre isso. Nunca.


Agora que ela não tinha os ensaios durante a tarde e as apresentações durante a noite, sua vida era um completo tédio. Talvez ela arrumasse um emprego enquanto fazia testes.


A quem ela estava querendo enganar? Quinn nunca deixaria ela trabalhar em algo que não fosse o que a morena queria. E Rachel sabia que nunca arranjaria bons testes se não tivesse um representante.


Deus! Ela estava perdida.


Rachel chutou a cara de Louis quando finalmente se sentou. Não foi por querer. Mas ela agradeceu sua coordenação por falhar no momento certo.


Seu olhar parou no quadro de fotografias que Quinn dera a ela no natal. Ambas concordaram em pendurar na sala. E fizeram isso juntas. Quase como um ritual.


E a morena não pode deixar de sorrir. Porque ela podia ter seus problemas. Mas Quinn estava lá. E isso trazia o dobro de felicidade. As coisas pareciam estar se ajeitando. E todo dia Rachel agradecia por isso. Afinal a loira foi a melhor coisa que a acontecera.


Ela podia ter os momentos onde sentia culpa. Tristeza. Vazio. Mas então ela olhava para os olhos ora verdes, ora dourados, e as coisas pareciam fazer sentido de alguma forma.


E lá no fundo ela sentia que no final as coisas iam ficar bem. Quinn faria tudo ficar bem. Ela sempre faz.


O toque do seu celular levou-a para fora de seus devaneios. E quando alcançou o aparelho, sorriu ao ver o nome na tela.


“Oi, Kurt!”


“Oi, Rach! Você está em casa?”

“Sim. Bem, você sabe, agora eu não tenho nada para fazer.”


“Eu sei e sinto muito por isso.” Ele fez uma pausa. “Mas eu queria conversar com você. Posso ir aí?”


“Claro.”


“Quinn está?”


“Não, por quê?” Franziu o cenho.


“Porque eu queria falar com você a sós e eu sei como a Q pode ser estressadinha, fria, impulsiva, pavio curto-“


“TUDO BEM, KURT. Pare de listar os defeitos da minha garota.” Rachel disse incomodada. Não é que ela não admitisse que Quinn tinha defeitos. Mas isso fazia parte de quem ela era e a morena gostava de cada um deles.


“Hmm sua garota?” Ele riu. “Certo. Estou aí em dez minutos.”


Rachel revirou os olhos, divertida.


“Estarei esperando.” E a linha ficou muda.


Rachel aproveitou esses dez minutos para tomar um banho. Afinal a baba de Louis estava secando no seu pé e a sensação não era a das melhores.


E agora, toda vez que ela entrava no Box, as imagens dela e de Quinn fazendo amor exatamente naquele lugar apareciam em sua mente.


Depois que elas voltaram de Nashville as coisas mudaram consideravelmente. Elas dormiam juntas agora. Não foi uma decisão. É que Rachel não conseguia mais ver Quinn de roupas. E a loira alimentava cada vez mais essa “doença”. Então toda noite elas acabavam adormecendo lado a lado.


Desligou o chuveiro no exato momento em que a campainha tocou. Enrolou-se na toalha e correu com os pés ainda úmidos até a porta. Onde quase escorregou se não fossem suas mãos ágeis segurando firmemente o trinco.


“Olá.” Rachel disse enquanto tentava disfarçar seu momento de quase queda. Kurt deu uma risadinha, porque essa era Rachel Berry e ele a amava.


“Oi, Rach.” Beijou sua bochecha e se instalou no sofá.


“Eu vou me trocar e já volto.” Dessa vez ela andou até o quarto de Quinn, onde por algum motivo ela guardava algumas roupas.


Optou por vestir uma calça e um casaco de moletom. Penteou seus cabelos úmidos sem se preocupar em secá-los. E então voltou a sala.


“O que você queria conversar?” Perguntou enquanto se sentava ao lado de Kurt.


“É sobre Finn.” Ele disse ao encarar a amiga de forma séria.


Um arrepiou desceu pela espinha de Rachel.


“O que tem ele...?” Perguntou receosa.


“Depois que vocês se foram de Nash ele ficou meio louco.” Rachel franziu o cenho. “Quer dizer... Nós dividíamos o quarto e eu conseguia ouvi-lo murmurar milhões de coisas. E uma hora e outra sempre o seu nome ou o de Quinn era mencionado.”


A morena não falou ou expressou alguma reação. Ela apenas mirou seu olhar no chão e se dedicou em descobrir com o que ela tinha que se preocupar.


“E o que você acha que isso significa?” Finalmente desviou os olhos castanhos para os azuis e perguntou com um medo contido em sua voz.


“Eu não sei, Rach. Eu nem sei se é algo para se preocupar. Porque eu não acho que ele vá tentar algum ato criminoso para cima de vocês ou algo do tipo.” Ele deu de ombros. “Mas eu achei bom te avisar. Desculpa não ter dito antes, eu tinha tanta coisa para fazer, eu-“


“Kurt, tudo bem.” Ela mantinha o tom calmo. “Eu só... Não sei. Eu não sei o que ele pode fazer.” A morena murmurou. E as inseguranças e a culpa que há dias ela não sentia voltaram para si.


“Não se preocupe, Rach.” Kurt afagou seu braço. “Eu não estou querendo fazer com que você fique paranoica ou algo do tipo.” Ele sorriu. “Mas uma coisa boa que você poderia fazer é se manter longe dele. Você e Quinn.” Ela assentiu. Ela podia fazer isso.


“Certo.” Um momento de silêncio se instalou. Então Rachel decidiu quebrá-lo. “Você quer sair e comer alguma coisa? Eu estou morrendo de tédio.” Ela admitiu risonha.


“Eu adoraria. Mas infelizmente não posso.” A morena suspirou triste. “Eu meio que tenho um encontro daqui a três horas e preciso começar a me arrumar.” Rachel sorriu.


“Com quem?” Ela perguntou visivelmente mais animada.


“Você não o conhece...” Kurt murmurou tímido.


“Oh, vamos lá! Me diga o nome dele!” Rachel saltitava no sofá.


Kurt riu da animação da amiga que acabou contagiando a dele.


“O nome dele é Blaine.” Os olhos da morena brilhavam. “Eu o conheci no café aqui perto. Ele é lindo, Rach!” Ele levou as mãos aos olhos para então tirá-las de lá e batê-las contra o colo.


“Yay!” A diva batia palmas. “Nós podemos ir num encontro triplo!” Rachel se levantava do sofá enquanto imaginava tudo em sua mente. “Eu e Quinn, você e Blaine, Britt e Santana!” Ela olhou para o amigo com o sorriso de 1000 watts. “Isso vai ter tão divertido!”


Kurt riu e se levantou do sofá.


“É uma ótima ideia. Mas agora eu tenho que ir, porque isso aqui-“ Apontou para o próprio corpo. “-não fica assim sozinho.” Eles sorriram um para o outro. “Tchau, Rach. Qualquer coisa me liga.”


“Certo.” Ela levou Kurt até a porta, onde se despediram com um abraço. E então Rachel viu-se sozinha novamente.


Mas por sorte ou ironia do destino, seu celular apitou. Avisando uma mensagem de Quinn.


Eu estava pensando em levar minha princesa para jantar. Será que ela aceitaria? – Q


Rachel sentiu seu coração borbulhar e um sorriso ridiculamente grande tomar conta de seu rosto.


Ela ficaria lisonjeada. – R


Não esperou muito até receber a resposta da mensagem.


Certo. Avise-a que estarei aí para pegá-la em minha carruagem preta V8 às 19:30. – Q


Rachel sentiu que suas bochechas iriam arrebentar devido ao tamanho de seu sorriso, mas ela não se importava.


E o que ela deveria vestir? – R


O vestido longo de inverno que mandei o costureiro real preparar. Diga a ela que a peça está a esperando em sua suíte na torre mais alta do castelo. – Q


Rachel não conseguia acreditar em o quão incrível Quinn era e que ela a pertencia.


Quinn... É sério... – R


Mas meu amor, eu estou falando sério. Se eu mentisse para a princesa, seria levada ao calabouço. – Q


A morena sentia o coração fugir de seu peito a cada vez que Quinn a chamava de “meu amor”. No entanto, ela ficou intrigada com aquela história de vestido.


Seguiu até seu quarto e foi aí que reparou em uma caixa bem no centro de sua cama. E ela sabia que isso era coisa da loira.


Só se perguntava quando que Quinn havia colocado ali. Berry, você dormiu no quarto dela noite passada. Você nem sequer entrou no seu quarto hoje. Ela pode ter colocado lá a qualquer hora. Certo.


Ela se aproximou da caixa e então a abriu. Deslizou os dedos pelo lindo sobretudo preto (http://media.tumblr.com/tumblr_me0827xmEd1roh7mb.png) que descansava na embalagem.


Rachel mal podia acreditar que Quinn havia comprado aquilo para ela. Parecia caro. No entanto, era perfeito.


Bem, você mentiu. Não é um vestido de inverno. Infelizmente terei que te mandar para o calabouço. – R


Ao menos eu comprei algo que vai te aquecer. – Q


Você tem um ponto. Haha Mas Q... falando sério, isso deve ter sido muito caro e você não devia ter comprado. – R


Não diga isso. Eu queria te presentear. E se você quiser me recompensar por isso, vista-o essa noite.


Mas você gostou? – Q


Eu amei. É perfeito. – R


Eu não pude deixar de pensar em você quando eu o vi. Na verdade, eu penso em você o tempo todo. Mas eu achei simplesmente a sua cara. – Q


E você acertou em cheio. – R


Rachel se recriminava por não poder devolver as lindas palavras que Quinn lhe mandava.


Desculpe-me vossa majestade. Mas agora terei que deixá-la. E não se esqueça, sete e meia eu estarei aí. Te quero. – Q


Te quero mais. – R


xxxxx


Quinn era realmente pontual.Exatamente sete e meia ela está parada em frente ao prédio esperando Rachel descer. E quando a morena apareceu, ela perdeu o fôlego.


A diva usava o sobretudo preto que Quinn havia lhe dado. Acompanhado por uma calça jeans preta e justa. Botas de mesma cor. Assim como seu lenço. Os cabelos castanhos caiam em cascata sobre seus ombros. E os olhos eram marcados por uma forte linha de delineador. Alguns poderiam pensar que é muito preto. Mas para Quinn ela estava simplesmente perfeita.


A loira rapidamente saiu do carro para abrir a porta para Rachel que agradeceu com um sorriso. Quinn rodeou o carro respirando fundo. Porque ela não podia acreditar que aquela garota era dela.


Sentou-se no banco do motorista e encarou Rachel.


“Você está maravilhosa.” Quinn soltou.


“Obrigada.” A morena disse sentido o rubor invadindo as bochechas.


A loira se aproximou e encostou seu lábio de leve nos de Rachel. E essa, instintivamente, levou a mãos as bochechas de Quinn.


A loira aprofundou o beijo e sua língua foi muito bem recebida pela morena. Levou suas mãos a cintura de Rachel e resolveu aproveitar. Porque ela sabia que não poderia controlar a vontade de beijar aquela mulher. E esse tipo de comportamento não seria aceito no restaurante.


Quando se separam, ambas estavam ofegantes e com os lábios inchados.


Seguiram o caminho em silêncio. Porém em seus rostos constavam imensos sorrisos.


O jantar foi tranquilo e cheio de olhares e toques apaixonados. Elas conversaram sobre seus dias. Bem, na verdade, sobre o dia de Quinn. Porque Rachel pode descrever o seu em uma palavra, “tedioso”. E enquanto a loira falava, a morena observava cada movimento de sua boca, de seus dedos sobre o guardanapo. O quão doce era sua voz. E o quão delicada ela era ao piscar. Deixando seus cílios longos subirem tão vagarosamente que faziam seu coração parar.


Rachel definitivamente estava apaixonada por aquela mulher.


“Vamos?” Quinn ofereceu sua mão à morena após pagar a conta.


“Nós podíamos passear na Broadway, não podíamos?” Rachel olhou para ela com expectativa. O que fez a loira sorrir. Porque ela sabia que a morena lhe pediria isso e ela definitivamente não se importava.


“Claro.” Quinn lhe oferece um sorriso.


xxxxx


“Eu amo esse lugar.” Rachel suspirou enquanto caminhava de mãos dadas com Quinn.


E eu amo você. A loira pensou ao observar à morena.


Enquanto elas andavam, dois rapazes bem apresentados pararam em frente a elas e lançaram sorrisos sedutores.


“Boa noite.” Um deles disse.


“Boa noite.” Elas disseram em um uníssono, completamente confusas.


“Então, vocês gostariam de-“ Ele não foi capaz de continuar porque Quinn o cortou.


“Só um instantinho.” Ela disse. E então segurou o queixo de Rachel e guiou sua boca até a dela.


Elas movimentaram os lábios. E quando Quinn cortou o beijo, a morena, um tanto envergonhada, sorriu e escondeu o rosto no pescoço da loira.


“Desculpa, vocês queriam dizer alguma coisa?” Quinn perguntou com a inocência borbulhando em sua voz. Enquanto rodeava a cintura de Rachel com seus braços.


“Nós, bem- nós...” Um deles coçava a parte de trás da nuca tentando se explicar.


Quinn continuou olhando para os rapazes, completamente indiferente. Até que eles desistiram e seguiram o caminho oposto ao delas.


A loira sentiu Rachel rir contra seu pescoço. A morena levantou seu rosto até que pudesse olhar Quinn em seus olhos.


“Você é tão má.” Ela disse risonha.


“Eu não sou má. Eu apenas não vou tolerar essas pessoas que pensam que podem te ter. Porque você é minha. Assim como eu sou sua.” A loira rebateu o comentário de Rachel de forma doce. E logo depois depositou um beijo em sua testa.


Quinn amava aquela garota.


Notas finais
Eu tive que colocar aquele sobretudo da Lea na história porque eu simplesmente amei. Adeus.