O planeta MEGAV-011 era um importante campo de treinamento na Terra de Baixo para as Marias. O local era repleto de uma natureza inenarrável, com espectros selvagens que viviam por meio de instintos primitivos.

— Esse lugar é o inferno! — Rodrigo pôs as duas mãos na cabeça e se agachou. Ficou apavorado com o planeta.

O céu era vermelho e havia 2 estrelas que impediam que existisse noite. Ainda dava para notar cerca de 3 satélites orbitando o planeta.

Um arbusto se mexeu perto dele. Uma libélula com 1 metro de comprimento surgiu. Rodrigo correu apavorado, escorregou numa ravina e saiu rolando até um riacho.

— Ai! Minhas costas...

Alguns espectros bebiam da água. Um deles era um cervo com seis olhos e uma barata cascuda de 1 metro.

Apesar de estar num território muito estranho, não parecia ser tão destoante de alguma floresta tropical da Terra. Não identificou nenhuma planta conhecida, mas havia árvores estranhas e a água era potável.

— Droga... como vou conquistar um planeta inteiro? Aquela mulher é uma louca!

Algum espectro se aproximou dele e fez um barulho como se fosse um urso. Rodrigo se virou e percebeu a presença do monstro. Era uma criatura com 2,5 metros de altura, cheia de pelos pardos e fétidos, uma bocarra cheia de dentes afiados no meio do que seria a barriga e um único olho acima dessa boca. Os braços do monstro eram maiores e mais fortes do que de um gorila.

Rodrigo gritou e correu. Caiu no chão ao topar numa raiz e viu a criatura se aproximar. Ele fechou o olho e pensou em desistir.

Tudo ficou escuro.

Rodrigo mais uma vez acordou. Sua mente estava em frangalhos e sentia-se tonto. Olhou para os lados e viu que havia voltado para o topo da colina em que estava antes, ou seja, o primeiro lugar que pisara naquele planeta.

— O que foi que houve?!

...

Na Terra de Baixo, o planeta central do Império Scuti era o OBDIA-6. Duas vezes maior do que a Terra, com 5 satélites visíveis a olho nu. O céu era parecido com o terrestre, exceto à noite, pois dava para ver outras galáxias e nebulosas próximas. A população era basicamente formada por espectros que pagavam pela proteção do império, além de todos os monstros que trabalhavam para Scuti.

O castelo real ficava bem no centro do planeta. Tinha o tamanho do Burj Khalifa e o diâmetro de 200 mil metros quadrados. Suas paredes eram compostas por grandes pedras pretas (do tamanho daquelas das pirâmides do Egito) e com uma grande bandeira com o símbolo do império na torre central.

Os corredores eram cheios de estátuas do imperador e de tochas com fogo azul.

— Senhores mensageiros, o imperador os aguarda — o mordomo de Scuti era um espectro de pele vermelha, olhos amarelos e um chifre pontudo na testa. Vestia um terno preto elegante.

Cinco criaturas entraram no Grande Salão do Trono (do tamanho de um estádio de futebol) e caminharam até chegarem perto do trono. Eles olharam a criatura tirânica e titânica. Scuti possuía não menos do que uns 20 metros de altura.

Os espectros mensageiros eram os 5 vice-governantes do império e governantes dos planetas conquistados. Esses planetas eram os mais ricos após Obdia-6.

MENSAGEIRO #1

NOME: MORDECAI

Mordecai era presidente do planeta REVA-77. Ele também trabalhava para Scuti como mensageiro e guardião do governo.

MENSAGEIRO #2

NOME: CAPITÃO CTHU

O almirante e presidente do planeta aquático TRITON-33. Uma criatura com cabeça de polvo e asas de dragão. Carregava um tridente.

MENSAGEIRO #3

NOME: ANIBAL

Anibal era um espectro do tipo canino bipede que possuía duas cabeças. Era o presidente do planeta gelado chamado GRANI-12.

MENSAGEIRO #4

NOME: SERVESPINA

A mensageira feminina do grupo. Líder do planeta DOLLY-44, um mundo sem luz do dia. Era uma criatura sem pés e usava um chapéu pontudo.

MENSAGEIRO #5

NOME: TATSUNOOTOSHIGO

Um cavaleiro muito parecido com um samurai com a cintura pra baixo sendo um cavalo. Era o presidente do planeta FUJI-10, o planeta das montanhas.

A sombra de Scuti ficava por cima dos cinco. Ele deu um ordem para que os mensageiros deixassem os planetas que governavam para trás e dividissem o comando da Terra com base nos 5 continentes.

...

Horas e horas se passaram e nenhum progresso foi feito por Rodrigo. Obviamente ainda era cedo para dizer se ele fracassaria ou não, mas o fato era como faria isso. Até ontem o rapaz não passava de um aluno de escola particular de um bairro periférico de Fortaleza.

O monstro com a bocarra caminhava entre as árvores. Rodrigo ficou quietinho para não chamar atenção do espectro horroroso.

— Tenho que conseguir comida — seu estômago roncava.

Mais alguns metros caminhando, topou em uma ossada que muito se parecia de um ser humano. A roupa era distinta de uma peça moderna, pois parecia mais uma túnica branca usada por Amarilys.

— Oi.

— Quem é?

— Olhe para baixo.

O garoto olhou para uma poça d'água no solo e viu Amarilys.

— Como vai o treinamento?

— Quero voltar.

— Infelizmente será impossível... agora. Eu só queria te dizer duas coisas que esqueci. A primeira é que o tempo nesse planeta passa mais rápido, ou seja, 1 dia na Terra é 1 ano aí. E a segunda coisa é que se você morrer, volta à vida onde começou.

— É tipo um reset? O que é esse planeta? Um videogame?

— Pare com tantas perguntas. Saiba que o seu potencial tá sendo desperdiçado por causa dessa mente insegura. Ah! já viu o Mapinguari?

— Mapi o quê?

— É o monstro com a boca na barriga. Eles são chatinhos no começo, mas logo vai ser fácil derrotá-los. Boa sorte.

Rodrigo gritou para que Amarilys voltasse, mas a comunicação acabou. Quem estava atrás dele era o monstro anterior. Assim, Rodrigo resetou uma segunda vez ao ponto de partida.