Rodrigo e o horror de Scuti
5 Nasce um herói
Rio de Janeiro
Os monstros invadiram a cidade. Houve uma verdadeira guerra em cada canto e em cada rua. Pessoas estavam morrendo e as autoridades não suportaram a força destrutiva dos espectros. O Cristo Redentor foi mordido por morcegos gigantes, caindo Corcovado abaixo. Espectros reptilianos arrastavam humanos para lá e para cá como bonecos. Explosões causadas por espectros lançadores de fogo e inundações nas praias por conta dos espectros marinhos. Uma serpente marinha do tamanho de um ônibus começou a comer os banhistas. Um crocodilo com uma couraça espinhosa surgiu mastigando carros. As favelas estavam um caos.
Nesse ínterim, as Marias lutavam contra os milhares de espectros invasores. A poderosa protetora chamada Sílvia liderava os grupos no Brasil. Com o seu bastão dourado de fogo abicasiano, matava alguns monstros, queimando-os até sobrar a poeira.
— Seu filho já está salvo — falou Amarilys ainda em Fortaleza. Ambas se comunicaram pelo celular.
— Ele vai ter que aprender a ser forte. Quis poupá-lo de tudo isso, mas ele seria uma vitima do Scuti.
— Tem certeza que vai deixá-lo em Megav? Se ele voltar em uma semana, terá 21 anos.
— Não tenho outra escolha. O oráculo disse sobre um ser que vai transcender o poder do Império Scuti. E que ele será um herdeiro meu. Bom, só tenho Rodrigo como filho.
Durante a chamada, Sílvia matou um outro espectro.
— Alguma notícia do Harold?
— Ainda não.
— Não faça corpo mole. Procure um jeito de ir atrás dele. Você me deve muito, Amarilys!
— Pode deixar, senhora.
A médica girou o bastão dourado com apenas uma mão e criou um escudo protetor. Os humanos numa favela ficaram protegidos. Sílvia era muito forte e suportaria um bom tempo com o escudo.
...
Dez horas se passaram desde a chegada de Rodigo ao planeta Megav-011. Ele até conseguiu pescar um peixe com pinças de caranguejo. Claro que o espectro era pequeno. Mas o rapaz aproveitou para fazer uma fogueira (fruto do seu aprendizado assistindo Discovery) e assar o bicho. Comeu e ate gostou carne.
Um dia inteiro passou voando, mas a noite não vinha. Não tinha relógio de pulso e o seu celular ficara na sua mochila. Não tinha como saber as horas. O pior era que havia um loop desde que morreu 20 vezes para o monocelha ou Mapinguari.
— Não aguento mais o cheiro dessa besta do inferno — subiu ate o galho de uma árvore e dormiu um pouco.
Com o tempo, Rodrigo foi se aprimorando a viver naquele ambiente selvagem e desafiador. Claro que ainda "morria" nas mãos da besta e de outras criaturas. Ele até achou uma planta carnívora inteligente... que o matou. Assim, 2 dias se passaram e o número de mortes subiu para 50, no entanto o seu vigor não diminuiu nem um pouco, apesar de estar tantas horas sem se alimentar.
...
Mar do Sul da China
Das águas do mar emergiu uma criatura gigantesca, o espectro que havia destruído o submarino chinês no dia anterior. O monstro tartaruga-ilha tinha uns 80 metros, o casco em formato de montanha preta. Ele soltava lasers do casco, que servia como quartel-general do Almirante Cthu.
— Estamos nas águas de um continente chamado Ásia, almirante.
O polvo humanoide sabia que levaria um tempo para conquistar o maior continente do planeta, mas isso era fácil se comparado à conquista de um planeta.
— Levaremos poucos dias para conquistarmos a Ásia.
Os navios de guerra da China, Vietnã e Taiwan se uniram para uma intensa batalha marítima.
Paris, França
Os espectros-espectros, criaturas em formato de fantasma clássico (lençol branco), assombraram não só Paris e França mas também a Europa como um todo.
A Torre Eiffel foi apertada por uma cobra gigante chamada Titanoboa de quase 100 metros de comprimento. Ela apertava o pés da torre, amassando a estrutura do objeto com mais de 300 metros. Em poucos minutos, Eiffel desabou.
O espectro responsável pela invasão na Europa era Servespina.
— Espíritos demoniacos, espectros do inframundo, por favor, conquistem esse continente.
Muitos fantasmas em forma de fogo verde entraram nos corpos das pessoas e as possuíram.
São Paulo, Brasil
Mordecai ficou responsável pela parte de baixo da América, isto é, a América do Sul. Ele contou com a ajuda de um verme de areia com 65 metros de comprimento. O tal verme fazia gigantescos túneis, causando o desabamento de bairros inteiros da capital paulista.
Sidney, Austrália
Tatsunootoshigo cavalgava pelas ruas da cidade e matava cada humano que encontrava com a sua espada das trevas. O cavalo soltava fogo pela boca. O espectro ainda era rápido para se defender das balas dos fuzis dos militares, inclusive usando a espada para partir uma ao meio. O monstro que o acompanhava era um espectro espantalho vivo com a altura de 1,80, mas que tinha longas facas afiadas no lugar dos dedos. O espantalho esfaqueava qualquer humano que se aproximava.
Cairo, Egito
No topo da grande pirâmide, Anibal fez nevar em todo o país. O deserto deixou de ser de areia para ter uma camada de 1 metro de neve. Ele também chamou um exército de besouros gigantes para comer todos os seres vivos do continente africano, incluindo animais. O seu monstro era um escorpião com mais de 30 metros.
Nova York, EUA
A América do Norte também foi atacada, mas não tinha um mensageiro responsável. Um portal ainda maior surgiu no céu da cidade, apavorando os cidadãos. Milhões fugiram.
O presidente tentou acalmar os cidadãos, mas todo o seu esforço foi em vão. Ele e todos que trabalhavam na Casa Branca foram mortos por um gás venenoso de uma planta chamada erva genocida. As vinhas e raízes enormes tomaram conta de toda a região de Washington. Uma flor cresceu e destruiu a sede do governo americano. Tal flor tinha 50 metros e rosto com uma boca com dentes afiados. Qualquer inimigo que se aproximava, ela cuspia espinhos ou sementes tóxicas.
...
1 semana no planeta Megav-011 e Rodrigo ainda mantinha uma dificuldade. Ele sequer havia saído do território dos monstros monocelhos. Mas a sua perícia em sobrevivência melhorou muito. Agora sabia fazer uma fogueira e caçar pequenos espectros para alimento, exceto quando vez ou outra morria ao comer alguma planta ou criatura venenosa.
— Já são 7 dias nesse lugar — Rodrigo riscava uma pedra na parede de uma caverna. — Morri 102 vezes de lá pra cá. Acho que 90% das mortes foram por causa do monocelha. Hoje acordei me sentindo diferente. O que será?
O monstro monocelha caçava Rodrigo por toda a floresta e logo achou a entrada da caverna. Tal espectro entrou no recinto e viu a fogueira ainda acesa. Porém, antes de fazer qualquer coisa, Rodrigo deu um soco no único olho do monstro, perfurando o globo ocular.
— Maldito. Vagabundo! Agora chegou a tua vez!!
O protagonista usou toda a força que tinha para levantar a criatura de 500 quilos e arremessar na fogueira. O espectro pegou fogo e começou a se contorcer e a urrar.
— Como fiz isso? — indagou ao perceber que segurara facilmente o monocelha. — Mas não importa. Eu venci. A minha primeira vitória!
Rodrigo aproveitou para desmembrar o espectro e comer a sua carne.
7 dias se passaram na Terra. O planeta inteiro estava tomado pelo Império Scuti. Nem mesmo as Marias puderam conter o avanço dos espectros.
Sílvia pediu para Amarilys ver como Rodrigo estava e se o guri ao menos despertara alguma força durante todo o treinamento. A protetora voltou para a Lua e entrou no portal.
Do outro lado do planeta, o titã de 300 metros feito de pedra quente foi estraçalhado por uma pessoa. Aquele monstro era o espectro mais forte daquele ambiente, pois tinha uma força de 40 vezes a força de um humano.
— Nem eu venço o Ígneo. Incrível — falou Amarilys. — Rodrigo?
O rapaz agora era um jovem adulto de 21 anos, cabelos raspados, musculoso e cheio de cicatrizes. Ele vestia uma tunica encardida e vivia descalço. Uma barba rala nascera em seu rosto.
— Adivinha quantas vezes eu morri?
— Não sei. Talvez milhares de vezes?
— 102 vezes. Há 7 anos, quando derrotei o monocelha, não morro. Agora entendi como o meu corpo funciona.
O agora adulto Rodrigo estava bastante diferente de antes. Sua autoconfiança era muito grande.
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