Sul da Argentina

Havia uma batalha em curso entre as Marias e os espectros de Mordecai. A região mais afetada era a Patagônia, com centenas de mortos e feridos.

Havia tendas preparadas para atendendimento médico. Um homem humano foi levado para tratar de uma fratura no braço. Quem estava atendendo era Sílvia.

— Pode me passar aquele vidro de morfina?

— Sim, senhora.

Ela injetou a droga para que o rapaz não sentisse dor.

Depois de atuar na linha de frente no Brasil, Sílvia resolveu colocar em prática a sua atuação de médica. Juntou-se com um grupo de médicos argentinos para tratar de todos os feridos pela guerra.

— O rádio dele está trincado. Temos que fazer uma tala.

Uma Maria entrou na tenda e pediu ajuda à médica para ela salvar as demais durante uma batalha perto de uma área montanhosa.

— Eu não sei se posso deixar essas pessoas aqui sem cuidado — Ela pensou no filho e no marido. — Podem me esperar 1 hora?

— Sim.

O fato era que a força das marias diminuíram muito. Os espectros começaram a ganhar terreno no sul do país. Desde o início da invasão, a Patagônia era a única região ainda não invadida.

...

Rodrigo permaneceu voando até ultrapassar a borda da esplanada, passando pelas montanhas cobertas de neve.

— Interessante, Nya. A floresta de árvores altas deu lugar a uma floresta tropical. Parece até que estamos no Brasil.

— Ei, gato. Para de papo e me diz se dá pra saber se tem alguma concentração de vida por perto — resmungou Rodrigo ainda carregando o carro.

Eins verificou a topografia da região. Havia um bom número de locais com concentração de pessoas.

— Achei as vilas!!

Pouco tempo depois, todos já estavam na entrada da vila mais próxima da esplanada. Um local incrustado no meio da floresta. As casas eram feitas de madeira, com telhados de palhas. Algumas até sobre algumas árvores, mas a maioria era no chão. Tal vila ficava na encosta de uma montanha.

— Não dá para o carro passar por essas ruelas — Eins percebeu que as ruas eram estreitas e feitas de madeira.

— Meninas, podem sair. Melhor irmos atrás de informações — Rodrigo já havia escondido as asas.

Os quatro caminharam pela rua única e deixaram o carro para trás.

— Isso tá muito estranho. Sinto que estamos sendo observados — Rodrigo notou a presença de perigo.

Algo saiu de dentro de uma casa e partiu para cima de Eins. Era um sapo bípede com um olhar esbugalhado e dentes afiados. Era um froger pronto para matar os intrusos. Mas Rodrigo arrancou um pedaço da madeira do corrimão e evitou que o froger matasse Eins com uma faca.

— O-obrigado — o gato havia caído de medo.

Rodrigo deu um soco no espectro, fazendo-o cair sobre as casas. Logo, mais uns dez frogers surgiram, mas perderam a luta e foram amarrados.

— Olha aqui — Eins chamou Rodrigo para ver como era a situação no interior de uma casa.

O ambiente interno era sujo e desorganizado. Fedia como podre. Certamente era obra dos frogers. Eles eram conhecidos por terem 0% de noção de organização e limpeza.

— Espere... — Rodrigo pisou numa parte do chão — Deve ter algo aqui embaixo.

Rodrigo deu um soco no assoalho, arrancou um pedaço da madeira. Um buraco foi revelado. Era como um poço ou algo.

— Esperem aqui.

— O que vai fazer, nya?

Antes de responder, Rodrigo deu pulo para dentro do buraco e caiu numa parte cavernosa. Estava escuro, mas não era problema para o rapaz, haja vista tinha poder para criar fogo ao estalar os dedos. Uma chama surgiu na palma da sua mão aberta. O breu revelou estar com reféns. Cinco criaturas parecidas com as duas greys, tirando a parte que estavam desnutridos.

— Eins!

— Que foi?

— Achei reféns da raça dos greys. Parece que os monstros sapos os escravizavam.

Um grey que parecia ser ancião pediu ajuda ao rapaz. Este prontamente segurou todos e deu um pulo alto até voltar para a casa.

— Ajudem eles. Com certeza tem mais reféns nas outras casa.

Rodrigo foi de casa em casa atrás da vítimas dos frogers. Foram salvos 35 greys. 5 já estavam mortos.

Moradores agradeceram pela ajuda e perguntaram se eram do Rev-Lib, porém Rodrigo negou.

— Sou uma pessoa que veio de outro planeta para acabar com o governo. Meu lar também foi invadido por eles.

O ancião era um grey verde com a cabeça um pouco murcha. Ele era o único que tinha bigode e barba brancos. Usava um cajado e vestia uma túnica branca.

— Você tem que ajudar os revos. Eles lutam contra o governo há anos.

— Vou pensar no seu caso, vovô bilu. Mas quero saber se o dono desse planeta ainda tá por aqui.

Os frogers riram.

— Eu contei alguma piada?

— Mestre Tatsunootoshigo tá em outro planeta. Ele deve tá matando alguma raça inferior gegegegege! E não adianta se juntar aos revolucionários. O resultado...

Rodrigo não teve paciência e deu um chute nos frogers, que voaram para longe.

— Malditos. Para começo de conversa, acho sapos nojentos. E depois não pedi para abrirem essas bocas imundas!!

O ancião falou que conhecia o local em que os revos viviam. Mas não tinha fôlego para ir a um lugar tão longe.

— O senhor vai nos levar até lá. Melhor que esteja preparado — Rodrigo segurou o ancião no braço e o levou até o carro.

As duas greys preferiram ficar e agradeceram a carona.

Eins e o velho chamado Popujiji entraram no carro enquanto Rodrigo voou mais uma vez.

...

A nave de Mortuário chegou ao planeta e cortou o céu até pousar confortavelmente na frente do castelo. Ele foi recebido por todos os espectros.

— Chefe?!!

A nave abriu na parte de cima. Mortuário deu um pulo alto e voltou ao chão.

— Não pude pousar na esplanada.

Um espectro em forma de centopeia gigante surgiu e seria a carona dele até o local da queda do Chevette.