Rodrigo e o horror de Scuti

11 Punhos flamejantes do herói mestiço


Um tremor de terra foi sentido pelos moradores frogers da capital do planeta. A centopeia gigante corria pela rua principal, levantando poeira deixada para trás. Acima da cabeça do quilópode estava Mortuário, sentado com as pernas cruzadas.

Guardas reptilianos abriram as portas gigantes da cidade, permitindo que o monstro passasse sem parar.

A centopeia possuía uma velocidade incrível que ultrapassava os 300 quilômetros por hora. Passou pela neve e a floresta sem problema algum. Nada poderia parar o espectro de muitas pernas.

...

O velho Popujiji apontou o dedo para o horizonte com uma floresta cheia de árvores frondosas. Ninguém entendeu o que o velho queria dizer.

— É lá...

— Lá onde, nya?

— A árvore com copa azul.

Rodrigo viu uma árvore com as folhas azuladas no topo. Perguntou a Jiji o que significava. O velho revelou que era a entrada da base secreta dos revos.

— Não tô vendo nada... — Rodrigo bateu o rosto numa parede invisível e largou o carro — Essa doeu. Opa!

O carro estava prestes a cair quando o herói voou rápido suficiente para segurar a poucos metros do chão.

— Estão bem?

— Claro, nya. Eu apenas quase morri.

Como existia uma parede invisível no meio da floresta? As palavras de Jiji eram verdadeiras. Porém, era difícil acreditar que existia uma tecnologia tão avançada.

— É um parede de verdade, nya — Eins já estava fora do carro e tocando a superfície transparente.

— Silêncio todos. Alguém nos observa.

De repente, Greys armados com flechas e lanças surgiram diante dos três.

Enquanto isso, Pipepadopopuly recebeu uma mensagem de que havia intrusos no lado de fora da fortaleza. O grey se levantou e foi verificar a transmissão do projetor.

— São do império? — indagou um subordinado.

— Não sei. Espera! Aquele é o Jiji? O velho que ajudamos no passado? — Pipe pediu para que os três entrassem na fortaleza.

O grupo de Rodrigo foi escoltado pelos revolucionários por uma trilha dentro da floresta até chegarem a uma cachoeira numa lagoa pequena. Os soldados disseram que a entrada ficava na gruta atrás da queda d'água. Caminharam até a entrada e mais alguns metros para dentro da gruta. Alguns greys faziam a guarda do local.

— Podem passar — o revolucionário mostrou a eles uma parede. Rodrigo e Eins hesitaram. Jiji caminhou tranquilamente e atravessou a parede.

Rodrigo e Eins ficaram chocados, pois aquela parede parecia ser um holograma. O rapaz tomou coragem e passou por ela. A saída da gruta era imediatamente após o holograma. Ele viu o que tinha do outro lado. A floresta era falsa, ou seja, apenas uma imagem para confundir quem se aproximasse. Na verdade, a fortaleza da rev-lib era como uma vila na encosta de um morro. As casas eram umas encostadas nas outras. Os tetos das casas serviam como ruas ou passarelas para quem caminhasse por cima. Era como se fossem degraus onde a parte do meio ficavam as casas e na parte de cima o lugar para por os pés. Na parte mais alta estava uma abertura que era bem diferente das demais residências, pois se parecia com uma caverna arrojada.

— Nosso chefe espera. É lá em cima.

Rodrigo percebeu que o Jiji não poderia suportar a subida e o segurou no braço. Caminhou por toda a extensão da rua, que permitia a pessoa subir como se fosse uma passarela. A caminhada demorou um pouco, mas foi suficiente para o rapaz observar os moradores. Greys adultos e crianças observavam os visitantes. Por fim, chegaram ao Q.G dos revos. Ao lado da entrada, a árvore com folhas azuis. Era a única coisa que era vista de fora justamente para servir de ponto de localização.

— Aqui. Podem entrar.

Os três entraram na caverna. Dentro, era toda revestida com placas metálicas no chão e uma ponte de metal que permitia a passagem sobre um buraco com 20 metros de fundo. Havia fios grossos no teto que eram responsáveis pela parte elétrica. Lâmpadas fosforescentes iluminavam o teto. O quartel-general era cheio de recintos onde os soldados revos se encontravam. O recinto principal era a sala de operações e onde o líder ficava.

— Trouxemos eles, chefe — disse o grey assim que entrou.

Pipe se levantou da cadeira e caminhou até cumprimentar Jiji.

Rodrigo notou que o chefe dos greys era diferente dos demais. Normalmente, greys mediam entre 1,50 a 1,60 de altura. No entanto, o líder tinha uns 1,70. Além disso, seu corpo se parecia muito a de um atleta de MMA peso pena.

— Desculpa a intromissão e desculpa por ter chegado ao seu esconderijo, mas viemos em paz e com o intuito de lutarmos contra o império Scuti — falou Rodrigo, tomando a dianteira.

Os demais greys cochichavam após a fala de Rodrigo. Pipe mandou que eles saíssem e os deixasse com os convidados.

— Estamos lutando contra o governo há anos, mas o máximo que conseguimos foram algumas vitórias isoladas. Se veio aqui para nos ajudar é porque tem uma razão bem forte para isso.

— Meu planeta acabou de ser invadido pelo império Scuti. Toda a minha vida como era antes foi destruída por esses monstros.

— Esse é um sentimento que tenho desde quando eu me conheço por gente. Fujijuu era um planeta harmonioso. A minha raça evoluía em tecnologia rapidamente. Os frogers eram os brutamontes que viviam nos pântanos. Até que um dia o império e seus asseclas chegaram e tomaram o nosso planeta.

— Então temos coisas em comum. Mas não pense você que sou limitado fisicamente. Tenho força suficiente para chutar a bunda de todos eles.

...

Esplanada do Brutismo

Na tarde daquele dia, Mortuário e a sua centopeia gigante chegaram ao local da queda do carro e perceberam marcas de rodas. O quilópode gigante comeu os dois espectros que aguardaram no local.

— Uma nave comum não possui rodas. Isso é um veículo. Hum... em qual civilização possui uma tecnologia dessa?

Mortuário pensou na possibilidade de alguém da Terra estar em Fuji-10. No entanto, dificilmente um humano seria capaz de sobreviver ali. Apenas espectros sobreviveriam no universo da Terra de Baixo.

— Vamos atrás deles — falou para a centopeia gigante. Esta deu um urro.

Os dois passaram pelo mesmo caminho que o carro passou. A centopeia possuía o faro muito bem apurado. Pelo caminho, deixou um rastro de violência ao matar os crocodilos que ficavam na frente.

— Eles não vão para muito longe. Vou retalhá-los.

Mortuário e a sua centopeia gigante já passavam pela floresta de árvores grandes e estavam prontos para ultrapassar os limites da cratera.

...

Testemunhar aqueles greys magros e famintos foi um incentivo a mais para que Rodrigo lutasse contra o império. Nunca os perdoaria por fazerem tantas vítimas.

— Vocês podem me levar até a capital do planeta?

— Não é fácil. Existem espectros bestas selvagens ao redor. E a capital é rodeada por um grande muro espesso e com milhares de guardas. Mas eu não entendo. O que pretende fazer sem o presidente por aqui? Você não deveria tê-lo enfrentado na sua Terra? — indagou Pipe ao Rodrigo.

— O meu maior desejo era meter o soco na cara de todos eles, mas resolvi optar por livrar cada planeta que está sob domínio do império. São seis planetas principais. E vou destruir o domínio de Scuti em todos. Começando por aqui. Portanto, leve-me até a capital e deixa que eu faço o resto.

Pipepadopopuly não podia argumentar contra, pois possuía os mesmos sentimentos. Só não sabia como o protagonista faria para acabar com o império em Fuji-10.

— Confie em mim.

— Espera, nya. Preciso saber se vocês têm combustível.

— A gente usa um óleo para fazer nossas motos andarem. Será que serve?

O óleo tinha uma coloração verde e era natural da seiva das árvores daquela floresta. Eins quebrou a cabeça e se perguntou se o líquido seria capaz de fazer andar o seu carro.

— Ele pega gás, gasolina, diesel, querosene. Tem suporte para combustível sólido e também é carregável para ser usado a energia elétrica — falou Eins ao mostrar o carro. O veículo foi carregado por Rodrigo para dentro da fortaleza.

— A gente usa isso como combustível sujo, pois o limpo é usado pelo império. Eles surrupiaram nosas riquezas naturais. Mas descobrimos esse óleo chamado de GREDDA. Não é o melhor dos combustíveis, mas acho que vai servir no seu carro.

As palavras de Pipe encorajaram Eins.

Um barril de gredda surgiu. O bichano abriu o motor e pegou um pouco do óleo, pondo vagarosamente no buraco.

— Pode dar a partida — falou para Rodrigo, que estava no volante.

O carro ligou imediatamente. Foi pura sorte a gredda servir para o carro.

— Posso colocar mais, nya?

— Pode usar o barril todo se precisar — respondeu Pipe. — Temos abundância de gredda. Mas ela queima muito rápido, por isso não poderão percorrer longas distâncias.

Rodrigo saiu do carro.

— Só precisamos chegar até a capital. Você vem conosco?

Pipe olhou para Rodrigo e não soube responder. Estava dividido entre ir e ficar.

...

Nesse meio tempo, Mortuário e sua centopeia gigante chegaram ao vilarejo antes visitado por Rodrigo. Ele viu que as casas estavam vazias e mandou o seu monstro destruir tudo pela frente.

— Com certeza o intruso ou os intrusos apareceram aqui. Mas não há sinal de vida. Você ter comido aqueles frogers no caminho antes que dissessem algo foi um erro!

A centopeia correu para um próximo destino, deixando o espantalho para trás.

— Senhor... — um froger surgiu do escombro.

— Um inseto sobrou para contar história — Mortuário caminhou até ele e se agachou. — Que foi?

— Dois intrusos que não são desse planeta apareceram e nos derrotaram.

— Sabe para onde foram?

— A-acho que para o norte...

— Norte? — Mortuário percebeu que era o caminho que a centopeia foi.

Mortuário cortou a garganta do froger e o matou. Sentou no chão. Estava faminto e cansado, sem descansar desde o inicio da invasão na Terra. Ele olhou o cadáver do sapo e se preparou para comer.

Todos os greys que foram escravizados nesse vilarejo se foram sob orientação de Eins. Este falara a todos para fugirem dali, pois poderiam ser mortos pelos espectros do império. O bichano estava certo. Os greys saíram pouco tempo antes da chegada do Mortuário.

...

Os preparativos para a ida para o norte começou. Pelo menos metade dos greys da rev-lib se juntaram ao plano de Rodrigo para invadir a capital do planeta. Quem também tomou a iniciativa de ir foi Pipe. Ele queria muito acabar definitivamente com o domínio do império.

— Nós temos as nossas motos — Pipe mostrou os veículos. Eram motos feitas a partir de cascos de caramujos gigantes e com rodas em formato de octógono.

— Vamos na frente. Eins vai dirigir. Eu vou sozinho enquanto você me informa pelo rádio — disse ao lider dos revolucionários.

Antes, porém, Rodrigo parou a conversa e olhou para trás. Sentiu algo se aproximar depressa.

— O que houve? — indagou Eins.

Uma pancada muito forte foi ouvida da vila. Algo havia se chocado contra a parede invisível. Os guardas correram e avisaram que uma centopeia com mais de vinte metros tentava quebrar o muro.

— Não pode ser. Aquele monstro é um dos bichos de estimação do presidente. Será que nos descobriram? — questionou Pipe.

— Esse local é seguro, nya?

— Nunca fomos descobertos pelo império. E a árvore azul é o gerador natural que permite deixar o muro transparente. Mas ele pode ser quebrado se houver uma força extrema.

Rodrigo estendeu o braço para o lado e pediu que ninguém o seguisse. O rapaz avisou que tomaria conta do monstro sozinho. Apenas pediu para que confiassem nele.

A centopeia começou a danificar a parede e uma parte já estava visível. Era uma parede de concreto maciço, mas que não resistiria às cabeçadas do monstro quilópode.

A fortaleza era feita de duas coisas: um muro de 30 metros circulando toda a vila dos revos (circulava o morro) e uma cúpula de metal. Toda a estrutura era transparente por conta do poder da arvore azul, que deixava tudo transparente em contato com as suas longas raízes que lembravam fios elétricos. A árvore azul era chamada de levísivni ou leví. Sua seiva era a que causava a invisibilidade. A espécie era rara e dava em locais subterrâneos que apenas os greys conheciam.

O monstro quebrava a parede aos poucos. Percebeu alguém a poucos metros.

— Então é você que tá causando tudo isso? — Rodrigo olhava para o quilópode e cruzou os braços. — Podia parar de fazer tanto barulho?

O monstro deu um grito e tentou abocanhar o rapaz, mas este desviou facilmente.

— Calma lá! Não devia ser tão agressiva assim. Queria conversar mais um pouco.

A centopeia tentava abocanhar o herói de todas as formas. Usou a sua cauda para dar um golpe certeiro, fazendo Rodrigo bater no trondo duma árvore.

— Essa doeu. Mas não vai ser suficiente para me derrotar. Que tal uma verdura? — ele arrancou alguns galhos e jogou na boca do monstro. — Hahaha! Sabia que odiaria. Nunca pensei que fosse vegetariana.

Rodrigo arrancou uma árvore e usou como bastão para atacar o espectro. Ele bateu várias vezes até que a centopeia ficasse desorientada. Depois, usou golpes físicos para espancar até sair sangue verde da criatura.

— Toma essa!! — Deu um murro ainda mais forte, fazendo o espectro voar muitos metros no céu.

Rodrigo estendeu o braço direito e abriu a palma da mão. Um fogo vermelho se formou e criou uma bola flamejante que foi até a criatura e a queimou viva. Apesar dos urros do bicho, Rodrigo não teve pena. Aquela centopeia gigante fazia parte do problema maior tanto na Terra quanto e Fuji-10. A criatura caiu carbonizada.

— O que tá acontecendo lá fora, nya? — questionou Eins ao ouvir o barulho.

— Deve ser a coisa que tentou nos atacar. Seu amigo precisa de ajuda — afirmou Pipe.

Tanto Eins quanto Pipe estavam dentro do carro e a caminho do exterior da fortaleza. Os demais revos foram atrás com as motos.

— Que barulho é esse, nya?

— É o comunicador. Parece que o seu amigo já saiu para o norte.

— Já?!! Ele é apressado.

Pipe se comunicou com Rodrigo pelo comunicador e deu mais detalhes sobre a direção da capital.

...

Após devorar o froger, Mortuário se sentiu cheio e disposto. Deixou as sobras, apenas os ossos. Lambeu cada unha metálica que ainda tinha sangue e sorriu, mostrando os dentes afiados.

— Aonde foi aquela centopeia idiota? Mas não tenho uma boa sensação. Terei que voltar para a capital.

Ele deu um pulo e saiu de árvore em árvore numa velocidade consideravelmente alta.

...

A neve cessou de cair, mas ainda havia uma espessa camada no solo e nas superfícies dentro e fora da capital do planeta.

Os moradores, a maioria frogers, viviam com luxos que só aqueles que moravam na capital tinham. Escravizar os greys era a lei e o normal para os espectros anfíbios.

Greys viviam de ser escravos dos frogers. A raça grey possuía estágios da vida iguais a dos humanos, incluindo crianças. Por isso, era comum crianças serviram a seus mestres impiedosos.

Frogers não passavam por uma fase filhote. Botavam ovo pela boca e do ovo já nasciam adultos. Era uma raça adepta à partenogênese.

Os reptilians eram uma raça de fora do planeta que serviam como policiais do império. Eram responsáveis pela supervisão e confronto direto com os greys revos. Lagartos bípedes musculosos que andavam sem roupa, exceto partes de armaduras como protetor do tórax e armas brancas e de fogo.

Os astrooms era uma raça de espectros que viviam sempre com roupa de astronauta. Astrooms possuíam a aparência de humano, porém com a pele verde. Eram guardas reais e faziam apenas serviços menos braçal (como inteligência, espionagem ou ajudantes pessoais dos mensageiros).

A antiga Greykjavick, atualmente Krom, era uma cidade onde existia um governo muito antes da chegada do império Scuti. Os líderes eram escolhidos por sufrágio e um conselho com 5 pessoas serviam como chefes de governo mundial. E a infraestrutura do antigo governo ainda se mantinha em pé, como o castelo real (antes era cinza, mas pintaram de vermelho).

Alguns reptilianos faziam a ronda do lado de fora e por cima da muralha da cidade. Eles não perceberam, mas algo enorme se aproximava do céu. A neblina era intensa, por isso não puderam notar que era a centopeia gigante que havia sido arremessada do céu. O cadáver carbonizado do monstro caiu no chão e percorreu um caminho até destruir o portal da cidade junto com os guardas e um pedaço da muralha.

Uma aglomeração de dezenas e centenas surgiu para ver o monstro enegrecido pela queimada. Reconheceram ser o bicho de estimação do presidente e que havia sido usado por Mortuário horas antes.

Os guardas reptilianos se juntaram e perceberam que alguém caminhava na entrada da cidade. Um dos espectros falou para que atirassem. Assim, os guardas usaram armas de plasma para o ataque, mas Rodrigo desviava com facilidade.

O primeiro guarda recebeu um soco tão forte que destruiu os seus dentes. Caiu dezenas de metros. Mais alguns pegaram em espadas e lanças e avançaram.

Os frogers foram verificar a situação na entrada da cidade e viram dezenas de reptilianos no chão.

— Trabalha! — Um froger chicoteava uma criança grey enquanto a obrigava a carregar mantimentos para casa. — Não seja preguiçoso!!

O menino tropeçou e caiu, derrubando as frutas. Isso deixou o seu amo froger furioso, que já se preparava para chicoteá-lo. Rodrigo impediu isso e deu um chute na cara do espectro. O herói segurou a criança no braço e perguntou se ele estava com fome.

— Sim...

— Come — deu a fruta para ele comer.

— Gosta de voar? — a pergunta veio depois que Rodrigo viu dezenas de frogers surgirem. — Sobe nas minhas costas.

O pequeno grey subiu nas costas de Rodrigo.

Os frogers correram para pegar Rodrigo, mas ele pulou por cima dos espectros, pisando em suas cabeças. Uma batida de asas e o rapaz pousava no telhado de uma casa. Os frogers conseguiram pular alto suficiente e avançaram.

A consequência dos atos irresponsáveis dos frogers — inerentes à raça deles — fez com que Rodrigo acabasse com cada um deles. Um por um foi derrotado com apenas um soco ou chute. E o herói sequer precisou de fogo conjurado para aumentar a potência dos golpes. Por fim, colocou a criança no chão.

— Sabe onde estão os outros?

— Sei sim.

— Menino esperto. Agora vá. Tenho que acabar com o símbolo da opressão definitivamente — falou ao ver o castelo vermelho.

Próximo passo: colocar o castelo abaixo... e matar quem se metesse a besta!

Na entrada da cidade, Mortuário viu o corpo da centopeia e de seus subordinados. Ficou excitado por saber que a pessoa que fez aquilo ainda estava lá. Correu.

Enquanto isso, Eins e Pipepadopopuly continuaram o trajeto para o norte. O ambiente antes tropical ficou mais frio e com camadas de. eve no campo.

— Aquele doido já começou a batalha, nya. Ele vai ficar com a melhor parte.

— Com essa velocidade chegaremos não menos do que duas horas em Greykjavick.

— Pode deixar. Vou mostrar do que essa belezinha é capaz — Eins ativou o modo turbo.

Os guardas — reptilians e astrooms — que faziam o serviço de segurança do castelo vermelho foram abatidos um por um por Rodrigo. Ninguém escapou do punho flamejante do herói.

Rodrigo entrou num recinto que parecia um escritório. Um froger com um monóculo e terno de aristocrata estava atrás da mesa de madeira. Tal mesa possuía um desenho talhado com a figura do mensageiro e presidente.

— Então esse é o presidente esculpido na mesa? E quem é você?

— Morra!

O froger não quis conversa e foi para cima de Rodrigo, que revidou com um soco. O froger atravessou todas as paredes e caiu do lado de fora do castelo.

Esse lugar trouxe muito sofrimento aos habitantes desse planeta. Mas tem algo que me deixa com a sensação de que já vi algo parecido... — Rodrigo pensou no que poderia ser. A cor vermelha do castelo trazia uma vaga lembrança.

Com a derrota de todos os guardas do castelo, Rodrigo iniciou a destruição do lugar. Em pouco tempo, o castelo desmoronou.

Mortuário surgiu de repente e usou vários golpes cortantes que arranharam Rodrigo em muitos lugares. Até as suas asas tiveram algumas penas arrancadas.

— Você foi rápido. Impressionante — falou o espantalho ao se aproximar das ruínas do castelo. — Você não é humano, é?

Mortuário tinha o corpo marrom com costuras aparentes. Sua pele lembrava o tecido de um espantalho. Possuía olhos redondos, com grandes íris amarelas e sem pálpebras. Não possuía nariz, mas tinha uma bocarra cheia de dentes afiados para compensar. Seus braços eram longos e engrossavam nos pulsos e nas mãos. As mãos possuíam cinco garras com unhas metalicas que pareciam facas. Ele vestia uma calça verde e botas marrons. Ele usava um chapéu preto.

— Quer mesmo acabar com o império... Cê tá louco? Acha mesmo que vai sair vivo daqui?

Rodrigo sentiu uma presença forte de Mortuário. Não era uma criatura ordinária.

— Não importa o quanto se esforce, nunca conseguirá deter o avanço do imperador.

— É o que veremos.

Mortuário foi pra cima de Rodrigo e utilizou todas as suas garras para tentar eliminar o herói. Rodrigo teve um arranhão no rosto, mas conseguiu evadir da grande maioria dos ataques.

— Toma isso! Hehehe — Mortuário deu uma voadora. Rodrigo caiu longe e atravessou várias casas.

O espantalho pulava de telhado em telhado e soltou um golpe em que transformava o vento em navalhas. Rodrigo entrou numa casa e utilizou uma parede como escudo.

Nesse ínterim, Eins e Pipe viram uma multidão correr na direção contrária. Eram frogers. Eins parou o carro e tentou dar a volta, mas o grey líder pediu para ele esperar.

— Eles parecem amedrontados.

— Nya! O que Rodrigo fez?

Os anfibios passaram pelo Chevette. Eram centenas deles.

— Eles estão fugindo de Greykjavick. A batalha já começou. Vai logo.

— Calma, nya.

Mortuário se empoderava a cada momento em que Rodrigo se defendia das suas garras. Ele pensava que o herói não tinha como vencer aquela luta.

Os greys escravos, milhares deles, saíram das casas e assistiram à luta. O menino que fora ajudado por Rodrigo pegou uma pedra e jogou. Mortuário sentiu a pedra bater em seu braço.

— Moleque! Quanta coragem. Mas devia ter ficado na tua — o espectro foi para cima da criança e já preparava para matá-lo.

Rodrigo parou a mão de Mortuário poucos centímetros da criança. O herói segurava pela unha metálica afiada do vilão. Seu sangue escorria.

— Você acredita que pode me vencer? Acredita que sou tão ordinário a ponto de deixar que mate uma criança no meio da nossa luta? — Mortuário puxava a mão, mas sequer movia 1 milímetro. — Não estou aqui para me fazer de herói inconsequente que quer uma lutinha e pronto. Estou aqui para matar o tal Scuti e todos os seus subordinados conspiradores.

Mortuário tentou acertar o rapaz com a outra mão, mas Rodrigo desviou e socou o rosto do espantalho.

— Eu vivi 14 anos normais no meu mundo, na minha vida, como estudante do ensino médio. Mas eu tenho que agradecer um pouco à invasão de vocês. Eu não tinha perspectiva do que fazer da minha vida. Hoje sei que nasci de uma mãe Maria e de um pai espectro, pronto para acabar com a raça de cada filho da mãe que invadiu o meu planeta e o planeta dos outros. Não vou ter piedade de vocês.

Rodrigo quebrou a unha de Mortuário com a sua mão sangrando. Iniciou a sessão de espancamento. Cada murro era uma vingança, era uma punição. Todo o seu ódio, medo e revanchismo acumulados de 7 anos num planeta selvagem foram liberados nos punhos flamejantes. Cada golpe destruía os ossos do vilão e abria rachaduras no chão.

— Tudo bem. Ele já não vai mais fazer mal — disse o garotinho.

Rodrigo viu Mortuário desmaiado e surrado no chão. Respirou fundo e acariciou a cabeça da criança.

— Por um momento vi tudo vermelho. Talvez seja meu 50% espectro. Mas você me parou a tempo. Eu estava pronto para acabar com a vida dele.

O Chevette chegou à entrada da cidade. Eins e Pipe testemunharam o fim da capital Krom. O fim do terror que o seu povo passou por décadas.

Os greys seguraram Rodrigo e o jogaram para o alto como se fosse um popstar. Seu salvador.

Havia ainda alguns remanescentes reptilians e astrooms, mas foram os revos que iniciaram a batalha contra eles.

— Tá tudo bem agora. O meu sonho. O sonho dos meus ancestrais... Obrigado por tudo — falou Pipe ao Rodrigo.

Depois que descobriram que Pipepadopopuly era descendente de um dos 5 anciãos que governaram Greykjavick antes do golpe de estado do império. Mas o próprio Pipe não quis ser tratado como futuro líder. Ele preferiu que o antigo sistema político retornasse.

— Agora Greykjavick voltará ao que era antes. Muito obrigado.

— Eins e eu já estamos de partida.

— Já? — Eins perguntou, surpreso.

— Não podemos ficar aqui enquanto o império destrói a Terra. Você também quer o seu planeta livre deles, não?

Os greys da cidade ofereceram alimentos para a viagem. Também surgiram com o combustível usado nas aeronaves do império. Era muito melhor do que o óleo gredda.

— Tem como voltarmos para a Terra?

— Pedi para as marias batizarem o meu carro com a magia dos portais. Mentira, nya. O portal que viemos ainda está lá.

Mortuário, amarrado e amordaçado, foi colocado no porta-mala e lacrado. Nada podia sair dali.

Os dois entraram no carro e se despediram dos habitantes. O carro viltou a ter asas e subiu como um avião até a atmosfera do planta. Depois usou todo o seu turbo para sair da órbita. Era um adeus à Fuji-10.

— Passamos pouco tempo, mas vou ter saudade — falou Eins enquanto pilotava.

— Um dia eu volto aqui para uma visita. Quem sabe eu testemunhe a sociedade grey totalmente reformulada. Eu torço para que Pipe se torne um grande líder.

— E quanto ao espantalho ali atrás?

— Ele vai nos levar até o mensageiro. Eins, já comeu sushi?

— Por que sushi?

— Porque vamos diretamente para o Japão. O idiota ali atrás me contou que o Japão seria a sede do governo do seu mestre. Parece que eles acabaram com a Austrália, mas odiaram o fato de haver deserto por lá. Então se deslocaram para o norte.

— Vai enfrentar um mensageiro logo agora, nya?

— Sim. Estou ansioso por esse momento.