Rodrigo e o horror de Scuti

9 Fuji-10: O oriente da Terra de Baixo


O Chevette se aproximou da órbita do planeta Fuji-10. E era um planeta bem menor do que a Terra, talvez até do tamanho de Marte. A atmosfera era verde com oceanos azuis.

— É um pouco parecido com a Terra. Incrível — falou Rodrigo, admirando a maravilhosa joia daquele universo.

— Nunca pisei nesse planeta, mas conheço espectros oriundos daqui. Eles eram os meus clientes no meu planeta natal — comentou Eins.

— Garotas, vocês são desse planeta? — indagou Rodrigo.

— Somos — disseram em uníssono.

Ambas alienígenas eram greys com corpos voluptuosos.

— Vamos entrar na atmosfera em 10 minutos. Vai ter turbulência — Eins ativou o modo de caixa-preta do carro.

O veículo atravessou a atmosfera do planeta e logo pegou fogo por conta do atrito. Um paraquedas foi ativado faltando poucos segundos para chegar ao chão. O carro caiu no meio de um lago.

— Tem presença nesse lago... são peixes — Eins ativou o moto flutuante e fez o Chevette se movimentar como uma lancha.

Os espectros selvagens no lago eram gigantes. Havia peixes carpas com mais de cinco metros e arraias com ferrão na ponta da cauda como se fosse de escorpião.

O Chevette subiu em terra firme e saiu do modo de defesa. Todos saíram do carro e puderam apreciar a vista montanhosa. Uma cordilheira com montanhas de diversas formas (algumas com picos, outras achatadas e outras com formato de montanha-russa). O céu era verde claro com poucas nuvens e uma estrela amarela tal como o Sol.

— Que lugar mais pacato para ser o planeta de um dos mensageiros — Rodrigo levantou o braço e se espreguiçou.

— Não estamos aqui para passeio. Meninas, sabem algo sobre o quartel-general do mensageiro deste planeta?

As duas olharam para Eins com cara de que entenderem nada.

— Vai ser difícil extrair informação importante de duas concubinas. Desisto! Nya.

Rodrigo perguntou às duas se conheciam alguma civilização perto. Uma das greys apontou e disse que havia vilas pequenas atrás da cordilheiras.

— A gente pousou num ambiente selvagem — falou a grey de pele azul.

— Sim, sim. Aqui chamamos de Esplanada do Brutismo. Os espectros selvagens moram aqui — complementou a grey de pele vermelha.

A informação era a seguinte: Fuji-10 possuía uma infraestrutura tal como o Japão Medieval. As cidades eram governadas e ditadas pelos subordinados do mensageiro. Mas havia a Esplanada do Brutismo, que era uma vasta região (22% do planeta) que não havia uma vila sequer e era rodeada por montanhas com até 5 quilômetros de altitude.

— O que é isso? — Rodrigo viu Eins segurar um drone.

— Um drone-satélite de reconhecimento topográfico. Vamos ver como é a topografia dessa esplanada.

O objeto subiu até uns 20 quilômetros de altura e mapeou a região.

Minutos depois...

— Pronto — Eins mostrou o mapa no tablet. — A Esplanada é uma cratera com quase 1000 quilômetros de diâmetro. Provavelmente um corpo celeste com mais de 100 km de diâmetro impactou esse lado do planeta num passado remoto e criou essa região. As bordas da cratera formaram a cordilheira. Outras monstanhas surgiram no passado, dando origem a outras cordilheiras menores.

— Vai demorar pra caramba para atravessarmos este local — Rodrigo se desanimou.

— Não mais do que quando a gente tava no espaço, nya. O Chevette tem turbo, esqueceu?

Os quatro entraram no carro e partiram. Sorte que estavam num vasto campo com poucas árvores e obstáculos naturais. À medida que prosseguiam, o ambiente mostrava a sua verdadeira força ao revelar os monstros dali. Eram parecidos com animais da Terra, mas bem maiores.

— Nya. O que aquele lacoste tá fazendo? — indagou ao ver um crocodilo de dez metros correr atrás do carro.

Eins era um excelente piloto. Havia mais de 100 crocodilos gigantes descansando. Ele desviou de todos e ativou o turbo. O veículo praticamente soltava fogo pelas rodas.

— Ninguém pega o Eins... nyanyanyanya!!

...

Os moradores naturais de Fuji-10 eram os greys. A raça de espectros alienígenas que viviam em paz antes da chegada de Scuti e seus asseclas décadas antes. Tatsunootoshigo era apenas o 2° mensageiro a governar o planeta (o outro morrera de velhice). Entretanto, a sociedade grey não era totalmente leal às leis do império. Muitos aderiram ao movimento revolucionário de libertação. E, de vez em quando, pequenas batalhas iniciavam entre os espectros do governo e os greys libertadores.

O líder dos Rev-Lib era o Pipepadopopuly ou Pipe. O sujeito era um grey de 1,70 (alto para a sua raça) e atlético com pele marrom. Era a criatura mais procurada no planeta, mas nunca havia sido preso.

— Pipe... — um grey meio gordinho surgiu no recinto, que mais parecia uma caverna, e mostrou as notícias sobre a saída do presidente do planeta para outro planeta.

— Tatsunootoshigo não vai mais governar? Isso é uma boa notícia — falou outro grey.

— O império vai deixar um planeta próspero como o nosso abandonado? Conta outra piada. Eles vão nomear o 3° presidente. Escutem... não importa as circunstâncias, o império não vai desfazer de seus bens. Fujijuu nunca será liberta se não lutarmos.

Um 3° soldado esbaforido entrou no recinto e falou sobre a entrada de um meteoro na atmosfera na cratera da Esplanada do Brutismo. O objeto foi detectado por um satélite vindo da direção da órbita da estação espacial de Docko.

— Será que aquele polvo maldito lançou alguma tecnologia nova? Chefe?

Mas Pipe não soube responder à pergunta.

— Apenas esqueçam isso. Se formos lá agora, talvez nos encontremos com agentes do governo.

A preocupação de Pipepadopopuly não era em vão. Logo após a queda do veículo, dois espectros vestidos de astronautas surgiram e analisaram o local do impacto.

...

A sede mundial de Fuji-10 ficava a milhares de quilômetros ao norte da grande cratera, no pólo norte do planeta. Havia uma cidade que sempre nevava, cercada por muros enormes de pedra, casas em estilo oriental e um castelo central, que era a antiga casa de Tatsunootoshigo. O castelo era vermelho, com dois grandes andares e algumas torres cupuladas. A cor do monumento contrastava com a neve branca que insistentemente caía.

Espectros-astronautas faziam a segurança no interior do castelo vermelho enquanto os reptilianos ficavam do lado de fora. As casas orientais possuíam os frogers, que eram da raça dos sapos humanoides. Os frogers eram seres cruéis e sarcásticos, fiéis absolutos ao governo. Tratavam mal os greys. Eram seres naturais de Fuji-10, mas oriundos dos pântanos profundos longe da civilização dos greys.

...

Enquanto isso, a dupla de heróis atravessou boa parte da esplanada até chegar numa floresta com árvores gimnospermas gigantes iguais as sequoias da Terra. E eles passaram com certa folga, haja vista o espaço entre uma árvore e outra era grande suficiente para passar um carro.

— Nya... Vamos sair desse buraco em alguns minutos.

— Mas tem como passar pela borda da cratera? — questionou Rodrigo.

— Nya... Claro que sim — o gato ativou o aerofólio e duas asas laterais. O carro voou.

— Por que não fez isso antes?

— Gasta energia, nya.

As duas greys falaram sobre um certo grupo de pessoas que sempre estavam em guerra contra o governo.

— O que você acha, Eins?

— Nya... Se a intenção é derrubar o governo, termos mais aliados não será um problema. O ruim é acharmos eles. Vocês sabem?

As greys negaram com a cabeça.

Enquanto isso, os espectros que foram ver o local do pouso informaram às autoridades da sede do governo a respeito de marcas do que pareciam ser de rodas, rodas de algum meio de transporte moderno. Também relataram que a comunicação com a estação espacial foi interrompida.

Dentro do castelo, os espectros informaram para os seus pares na Terra sobre o que ocorreu nesse meio tempo.

Tóquio — Japão

Tatsunootoshigo conquistou o país em poucas horas. Humanos não foram capazes de derrotar o exército do mal mesmo com armas mais sofisticadas.

— Senhor Mortuário!

— Que foi? — o espantalho esquartejou os membros do congresso japonês.

— Temos um problema. Disseram que intrusos pousaram uma nave em Fuji-10 e a estação de Docko não respondeu às chamadas.

Mortuário ficou pensativo e resolveu voltar ao planeta. Porém, pediu que ninguém contasse a Tatsunootoshigo sobre esse incidente.

...

O Chevette perdeu a potência e começou a cair de volta ao solo. Um campo de plantação que parecia muito um milharal.

Minutos depois...

— É oficial. Preciso de combustível, nya.

— Cara... que chato ter que ir a pé atrás de alguma civilização.

— E o que faremos, nya?

Rodrigo pediu a Eins que entrasse no veículo. O gato não entendeu, mas acatou o pedido.

Rodrigo ficou de frente para o carro. Ele cruzou os bracos em forma de X rente ao peito e fez um esforço. Algo deformava em suas costas. Dois pares de asas negras surgiram em suas costas. As asas eram pretas, com plumas de pássaros tais como as asas das marias. A cor enegrecida era novidade. O par superior era grande, e o inferior, a metade.

— Você parece uma mistura de maria com espectro, nya — Eins ainda surpreso.

Rodrigo deu um sorriso, mas não quis contar sobre o seu pai. Agachou e levantou o carro com as mãos. Depois saiu voando com o veículo levantado.

— Que segredo! Devia ter me contado, Nya.

— Agora não é mais.

Os heróis continuaram a aventura agora com a carona de Rodrigo.

...

Algo acontecia na estação piramidal de Docko. Nos andares inferiores, um lastro de sangue, morte e destruição. Ninguém escapou de ser morto por Mortuário. O espantalho não admitia falhas.

O último sobrevivente era Docko, que implorava por sua vida em seu recinto.

— Eu já reclamei antes. Nosso governo deu a você todo esse aparato para não permitir que pessoas contra o nosso presidente adentre no planeta — Mortuário arranhava as garras metálicas pela parede de madeira.

— Por... por favor... Mortuário-sama!! E-ele era mais forte do que imaginei...

— Ele? Diga-me mais.

Docko revelou que havia um guerreiro muito poderoso, mas que não se parecia com espectro. A aparência era a de humano da Terra de Cima.

— Marias não podem sobreviver no nosso universo. Humanos também não. Seu tolo. Ele era um espectro.

— Ma-mas senhor... ele se parecia com um humano!

— Calado!! Talvez seja alguém de uma raça híbrida — Mortuário pensou que poderia ser um mestiço de humano com espectro.

— Por favor... Mortuário-sama... Mortuário-sama!!

Mortuário fatiou Docko sem dó nem piedade. Sua dúvida jamais seria sanada se não fosse para o planeta Fuji-10. Ele voltou à sua nave espacial e saiu da pirâmide (a nave de Mortuário era do tamanho de um carro. A aparência era de um ouriço do mar). Mortuário ativou um botão. Toda a pirâmide de Docko explodiu sem deixar vestígios.

Notas finais
Rodrigo mostrou mais uma parte do seu poder. Ele tem asas pretas que puxou de Haroldd (que as asas são pretas mas iguais de morcego) e plumadas que puxou da mãe. * Marias são uma raça da Terra dos Deuses. Elas não sobrevivem por muito tempo no universo dos espectros. Humanos também não possuem resistência. ** Tem um personagem que me inspirei pra fazer os poderes do Rodrigo (pelo menos as asas). É o Beelzemon de digimon.