Notas iniciais
Demorou, mas postei. Sinto muito pela demora de mais de um mês. É que deu um branco nessa história e não tive como escrever tudo de uma vez. Fui escrevendo pedaço por pedaço. E olha que o capítulo ia pra mais de 3 mil palavras! Mas deixa o resto para o próximo.

O nível do mar na região do sul da China aumentou alguns centímetros, arrasando partes costeiras de países. Tufões destruíram cidades. Tsunamis invadiram praias e ruas.

O plano do Capitão Cthu era fazer com que a região do leste asiático ficasse com boa parte do litoral debaixo de água. Desde o início da invasão, o mensageiro usou o seu poder para causar muitos problemas climáticos. Entretanto, nenhum deles seria capaz de realizar o seu sonho de mergulhar a Ásia nas águas do oceano. E é por isso que o seu plano maior é criar uma tsunami de 20 metros para arrasar de vez qualquer vida que ainda resistia.

— O máximo que consigo é criar ondas de até 30 metros, porém vai me desgastar demais — comentou Cthu aos seus subordinados. — Por causa do que houve com o Tatsunootoshigo, resolvi me poupar.

Os humanos-corais terminaram a construção do palácio e caíram logo em seguida. Mas não estavam mortos, e sim desmaiados.

— Mestre, já vai criar a onda? — indagou um astroom.

— Claro que sim.

O capitão se deslocou para o litoral e levantou os braços. Um redemoinho surgiu no meio das águas até o fundo (cerca de 200 metros). Com o seu poder psíquico, Cthu fez o chão rachar igual um deslocamento de placa tectônica. A água voltou ao normal. E uma coluna de 2 metros de altura viajou na velocidade do som.

— Quando essa coluna chegar nos países, ocorrerá o caos e a destruição.


Minutos depois na China, ondas de até 8 metros invadiram centenas de metros adentro. Quem estava no caminho acabou arrastado pela fúria do mar. Em lugares mais afastados como as Filipinas, por exemplo, receberam ondas de até 15 metros. Mas o Vietnã foi o local mais afetado, com ondas de 20 metros. Milhares de humanos morreram afogados. Humanos sobreviventes da invasão foram levados pelas águas. A onda viajou por boa parte do Pacífico e destruiu o litoral da Malásia, Brunei, Japão, Filipinas, Vietnã, China, Coréia do Sul, Indonésia, Cingapura, Papua-Nova Guiné e até o norte da Austrália.

Não satisfeito com o "pouco" efeito destrutivo da onda, Cthu resolveu juntar mais forças para criar ondas de 30 metros. No entanto, esperaria mais algum tempo. Ele estava preocupado com o fato do responsável pela derrota de um mensageiro resolver atacar.

...

— O que foi, Hopper? — perguntou Prisco ao ver a expressão de preocupado.

— Parece que Cthu iniciou a aquaplanagem do planeta que invadiu. Já criou ondas de 20 metros.

— Isso parece preocupante, mas ele tem poder de criar ondas muito maiores.

— Esse é o meu medo. Ele vai acabar com a vida nesse planeta. Ele vai destruir, assim como destruiu a nossa sociedade.

Prisco sentiu preocupação no semblante do líder. Era óbvio, pois Hopper tinha muita preocupação com a informante.

— Ela vai ficar bem, Hopper.

— Obrigado por suas palavras, amigo.

Um dos homens avisou que já estavam pertos da prisão.

— Lembrando que pode haver um informante do governo naquela ilha e por isso não revelamos as nossas verdadeiras intenções. Deixem que acreditem que estamos agindo em nome do império — avisou Hopper a todos os seus subordinados.

O grupo aportou com os seus barcos no píer da ilha e saiu. Ouviram barulhos e gritaria.

— O que é dessa vez? — indagou Prisco.

Um dos guardas do presídio correu e pediu a ajuda de toda a gangue do Hopper. Hopper empurrou o homem e falou que o seu grupo não era uma equipe de heróis.

— Alienígenas chegaram aqui e tentam soltar os prisioneiros!

— Você acha que eu sou o que? Algum tipo de herói marinheiro? Trabalho para o império, mas não sou um oficial. Chamem os guardas imperiais.

O guarda havia dito que os astrooms eram mesquinhos e que cobravam caro pela segurança. Mas Hopper não quis saber. Até que Rodrigo caiu em pé na frente dele.

— Você é de outro planeta? — Falou Hopper assim que viu o protagonista.

— Vocês são do império Scuti ou são da resistência? Estou procurando alguém que possa ser o meu guia até Atlantika.

Prisco viu o rosto de Hopper.

— Eu posso ser uma coisa ou outra. Sim, conheço Atlantika muito bem. Mas não vou ajudar alienígenas. Talvez eu queira te testar primeiro.

Rodrigo coçou o ouvido e tirou cera. Estava 0% interessado em lutar contra os managuarianos. Sua razão de chegar ao planeta Triton-33 era acabar com o governo do mensageiro e os seus minions. E só!

— Eu não tenho tempo para perder com vocês. Se não querem me ajudar, não atrapalhem — Rodrigo fez surgir as asas e voou para o último andar do presídio.

Hopper e os outros ficaram boquiabertos. Nunca viram alguém com tais poderes.

— Mudei de ideia. Vamos atrás daquele arrogante — falou Hopper com um sorriso no rosto.

Enquanto isso, Eins deu um cascudo na cabeça de Rodrigo e gritou para ele não agir impulsivamente. Segundo ele, alguns managuarianos trabalhavam para o governo, por isso havia o risco do mensageiro saber sobre a invasão.

— Você também é uma bola de nervos. Nem de pelo é!

— Não começa a brigar. Quer que eu te arranhe? E sim, achei o pai do garotinho.

O homem surgiu. Mas, infelizmente, não sabia exatamente a localização da capital mundial. Segundo ele, apenas uma vez na vida desceu para Atlantika. E tinha sido uns 20 anos atrás.

— Nós, managuarianos, fomos expulsos das nossas cidades quando o império se instalou. Somos proibidos de irmos até lá, principalmente para Atlantika. Mas às vezes a gente pode descer e trabalhar para os moradores.

— Moradores, nya?

— Eles são geckos. São uma raça que também vivia conosco no oceano. Mas eles nos traíram e resolveram viver sob o império. O Capitão Cthu deu clemência a todos os geckos e agora são moradores das cidades subaquáticas.

As palavras do homem foram reveladoras.

— Eu passei 1 mês em Atlantika, mas foi bem antes de ter um filho. Foi 20 anos atrás. Não tenho mais ideia de como está a cidade.

— Calma, a gente não vai te obrigar a nada. E você tem um filho muito esperto — disse Rodrigo.

— Muito obrigado.

Os gangueiros subiam rapidamente as escadas e apareceram no último andar. Eles apontaram arpões para os três.

— Não se mexam ou atiro — falou um membro da gangue.

Hopper ainda estava na parte de baixo quando viu um cetáceo enorme emergir. Azuro nadou até bater na estrutura abaixo da ilha, fazendo todo o local tremer.

— Não creio que esse animal está com eles. Chefe? — Prisco olhou para Hopper.

Hopper segurou um arpão e atirou contra Azuro, que sofreu um arranhão perto da nadadeira dorsal. Azuro olhou o homem que atirou e sentiu algo especial em seu corpo.

— O que está havendo? — indagou Prisco ao testemunhar que o corpo de Hopper brilhava.

Também brilhava o corpo de Azuro. Os dois brilhavam em sincronia. Foi quando o cetáceo descobriu que o homem era o seu neto. Assim, Azuro se comunicou com Hopper por telepatia.

— Quem é você?

— Meu nome é Azuro Atlantika, antigo rei de Atlantika. Fui amaldiçoado a viver nesse corpo de baleia por cinquenta anos. Fui liberto por essas pessoas que agora estão na ilha. Kyu.

— Meu... MEU AVÔ?!! Isso só pode ser brincadeira. Você morreu logo após a invasão do império. Meu pai me disse.

— Seu pai tinha 10 anos quando fui destronado, kyu. Era uma criança. Portanto, não tinha discernimento ainda. E mesmo se tivesse, ele não testemunhou o que realmente aconteceu comigo. O que me tornei depois de ser selado neste corpo.

Hopper se ajoelhou e pediu perdão por ter ferido o seu próprio avô.

— O que está fazendo, Hopper? — perguntou Prisco.

— Ele é o meu avô.

— Não brinca com isso, cara.

Hopper se levantou e revelou que havia se comunicado por telepatia com a baleia. Ela era o seu avô transformado. Prisco, no entanto, não acreditou.

— Parem com o ataque! — ordenou. — Não podemos atacar agora. Estamos do mesmo lado.

As ordens de Hopper foram cumpridas.

— Vai me contar o que raios você sabe? — indagou Prisco.

O líder da gangue pediu a todos que se reunissem perto dele a fim de contar a sua mais nova descoberta. A revelação chocante do seu parentesco com a baleia estranha deixou os demais sem entender.

— Não sabe como me sinto. Realmente é uma história muito estranha. Mas o meu corpo e a minha mente se conectaram ao da baleia e tenho plena certeza de que sou seu descendente.

Azuro emergiu e soltou água pelo nariz. O cetáceo sangrava nas costas pelo ferimento.

— Ué... pararam de atacar? — perguntou Eins ao perceber que não havia mais pessoas atrás deles.

— Acho que vai acontecer alguma coisa boa, Eins. E acho que Azuro já está agindo — respondeu Rodrigo.

O pai do garotinho ficou sem entender. Rodrigo agradeceu pela informação, mas não podia levá-lo para Atlantika. Seria muito perigoso, sobretudo a um pai com um filho esperando.

— Não o forçaremos. Você precisa ficar e voltar aos braços do seu filho — Rodrigo colocou sua mão sobre o ombro do senhor.

— Obrigado. Eu não queria ir mesmo...

Rodrigo agradeceu pela honestidade dele.

Rodrigo segurou Eins mais uma vez e voou. Eles pousaram ao píer.

— Não quero problema. Você deve ser o herdeiro do trono desse planeta, não é? Não precisa mais fingir que é um cara mau. Estou aqui para unir forças e acabar com a influência do mensageiro em Atlantika. Só quero que alguém me leve até lá.

Hopper levantou a mão e afirmou que levaria Rodrigo até a capital do planeta. Mas antes teria que conhecer o seu reduto.

— Tem certeza que não é armadilha, nya? — cochichou.

— Quem é mais forte do que eu nesse planeta? Ninguém. Portanto, fique calmo.

O herói aceitou a condição de Hopper.

...

Todos foram à base de Hopper. Quando tudo foi revelado. Hopper havia fingido que fazia parte de mercenários que ora trabalhavam para o governo e ora agiam por conta própria. Muitos managuarianos acreditavam que ele e sua equipe eram traidores por conta da suposta ajuda ao governo de Cthu.

— As pessoas que vocês prenderam? — indagou Rodrigo.

— Fingimos que levamos essas pessoas aos soldados do governo, mas...

Hopper abriu uma escotilha e mostrou vários homens reunidos no recinto.

— Então...

— Recrutei todos. E também temos algumas armas para combatermos os inimigos.

— Combater, nya?

— Como sabem, os astrooms e os geckos governam sob tutela de Cthu. Eles possuem o privilégio de terem poder de dissuasão. Armas de plasma. Neste universo, armas de plasma são as mais eficazes e sofisticadas. Mas eles proibiram aos managuarianos. Fomos obrigados a ter arpões e lanças. Isso seria insuficiente. Portanto, consegui entrar em contato com alienígenas que nos venderam as peças dessas armas.

Hopper explicou o necessário. Rodrigo lembrava desse tipo de aparato na pirâmide espacial.

— Se me derem licença... verei o meu avô.

— Ele foi tratado — falou Prisco. — Sabe, ainda é algo novo pra mim, mas confiarei em ti.

Hopper abraçou Prisco. Eram como irmãos.

...

Azuro se mantinha ainda na parte de fora do local. Estava com curativo na nadadeira dorsal. Ambos se conectaram por pensamento.

— Pode voltar ao normal?

— Não sei exatamente.

— Não sabe como?

— Antes de falar de mim, quero saber de ti. Seu pai morreu como?

O rapaz se agachou e pôs a mão atrás da nuca.

— Papai vivia obcecado com o fato do mensageiro ter destruído tudo. Ele... ele morreu tentando matar o Capitão Cthu. Fracassou miseravelmente.

Os olhos de Azuro se encheram de lágrimas. Seu filho caçula havia tentado algo grandioso, mas insuficiente.

— Papai sempre me dizia que era apenas uma criança inocente quando foi expulso de Atlantika. Mas ele havia se transformado num guerreiro. A vida fez meu pai criar uma casca ao redor da sua mente. Nem mesmo eu pude conter a raiva dele.

— E a sua mãe?

Hopper engoliu o choro.

— Está segura. Ela é a pessoa que menos corre perigo nesse momento.

— Pode me dizer onde está?

— Não. Nem pro meu avô posso dizer. Sinto muito.

Azuro entendeu e não fez mais perguntas.

Lágrimas caíam do rosto de Hopper.

— Só posso dizer uma coisa. Mamãe é uma astroom. Sim, eu sou mestiço.


Enquanto isso na Terra, um dos soldados mais confiantes do Capitão Cthu era uma mulher chamada Kreuk, informante que contava ao filho sobre o vilão.