P.O.V. Jane.

Quando começamos a descer, Hope começou a apertar a cabeça.

Renesmee tirou goma de mascar da bolsa.

—Mastiga.

—Porque apertar a cabeça?

—É a pressão no ouvido. E como ela é uma criança muito sensitiva é pior. Ela pegou isso de mim. Tudo é... mais. Emoções, sensações, sentimentos.

—E como sabe que veio de você?

—Eu sou a bruxa. E é meio óbvio não acha? Vocês tem sempre essa cara de peixe morto.

Ela colocou o chiclete na boca e começou a mastigar.

Finalmente pousamos e o carro estava nos esperando.

—Nossa! Que carro mais brilhante!

—Trouxeram um lanche?

A minha sobrinha olhou para o guarda e ele começou a apertar a cabeça e a gritar.

—Eu não sou lanche! E nem a minha mãe!

Então, ele se levantou.

—O que foi isso?!

—Isso fui eu. Te dando um aneurisma. As veias do seu cérebro estouram, mas como você cura rápido eu faço de novo, de novo e de novo. Seu feio!

Ela mostrou a língua pra ele.

—Como você fez aquilo?

—É um feitiço fácil. Aprendi quando tinha dois.

—Dois o que?

—Dois dias! Funciona muito bem contra ataques repentinos, mas não pode ser usado em qualquer um.

—Então, é especificamente para incapacitar um vampiro?!

—Não. Funciona em qualquer ser com habilidade sobrenatural de cura.

Elas cuspiram os chicletes e Renesmee colocou no bolso a embalagem com o chiclete mastigado.

—Isso é nojento.

—Você queria que eu fizesse o que? Jogasse no meio da rua?

Hope ficou olhando pela janela.

—Esse lugar parece... velho. É como... voltar no tempo. Vocês estavam aqui quando a cidade não era uma cidade?

—É claro. Porque acha que chama Volterra?

—Ah, eu bem que notei a semelhança.

Um carro passou e parou já que estava um trânsito infernal. O som do carro do lado estava no último volume, dava para sentir vibrar.

—Isso não vai acabar bem.

—O que?

Hope tapou os ouvidos. Tapou com força. Então, ela gritou:

—Para com esse barulho!

E os alto falantes e os vidros estouraram. Os vidros do nosso carro estouraram também. E Renesmee se atirou encima de Hope, para não deixar o vidro quebrado atingi-la.

—Ela fez isso? Você fez isso?

—Fiz. Mas, foi sem querer. Ás vezes, essas coisas meio que acontecem. Eu não consigo controlar minha magia direito ainda. Ela está diretamente ligada ás minhas emoções, então quando eu fico irritada, com raiva ou triste as coisas acontecem. Acontecem quando eu fico feliz também.

—E o que acontece quando você fica feliz?

—Uma vez eu trouxe flores mortas de volta á vida. E foi meio que sem querer.

—E o aneurisma em Afton?

—Aquilo foi por querer. Eu disse que não consigo controlar direito, não que sou completamente descontrolada. To melhorando com a idade.

—Porque fez aquilo com ele?

—Ele me chamou de comida. Como se eu fosse uma bolsa de sangue ambulante. Já tá chegando?

—Já.

Finalmente chegamos ao Castelo de São Marcus.

—Nossa! É a coisa mais bonita e assustadora que eu já vi.

Paramos na garagem subterrânea e ela foi o caminho todo de mãos dadas com a mãe.

—Que música horrível. Se eu ao menos entendesse a letra, talvez deixasse menos horrível.

—Acredite, não deixa.

—Mamãe?

—Fala querida?

—Você vai deixar a tia Jane com essa cicatriz na cara?

—A vadia tentou levar o meu bebê, então sim. É provável.

—Não devia falar palavrão na frente da criança.

—Tudo bem tia Jane, eu tenho a internet. Acredite, o Google tem seu lado ruim.

—O que quer dizer?

—Quando a gente procura alguma coisa, encontramos o que queremos, mas também encontramos acidentalmente coisas que não queremos. E foi assim que eu acidentalmente descobri de onde vem os bebês.

—Ah, aquele dia vai ficar na história. Jesus!

—Você descobriu de onde vem os bebês? Como assim?

—Eu ainda não entendi direito o que tava acontecendo. Eles estavam gritando e as coisas que não deviam aparecer estavam aparecendo.

Nossos olhos esbugalharam.

—Sem comentários. Quando eu comecei a ouvir os barulhos, eu tomei o computador dela.

—E a sua mãe, não te contou de onde vem os bebês?

—Contou. Ela me deu uma resposta, mas não foi uma resposta satisfatória.

Não pudemos nos conter, nós rimos.

P.O.V. Alec.

Nós entramos primeiro. Achei que assim seria, mais fácil.

—E vocês voltaram de mãos vazias. Porque?

—Não voltamos de mãos vazias, Mestre. As coisas, não saíram como planejado. Tivemos, uma surpresa.

Aro estendeu a mão.

—Não Jane, eu vou. Sou o responsável.

P.O.V. Aro.

Eu toquei a mão de Alec. E logo vi pelo o que ele era responsável.

Hope. Mais uma criança híbrida. Mais poderosa do que a mãe e o pai.

—Gostaria de conhecê-la.