Rockabye
15 Rebelião contida
Notas iniciais
P.O.V. Matty.
Estou preocupada com a equipe. Eles foram numa missão no Afeganistão e não conseguimos mais ouvi-los pelo rádio.
P.O.V. Jack.
Estamos cercados, sem comunicação e a munição está acabando. Então, eu vejo aquela figura. Toda de preto. Ela passava pelo campo como se não significasse nada pra ela.
—Hope?
Ela se colocou entre nós e o exército afegão.
—Isso é pra vocês aprenderem a não machucar os meus amigos. E pra vocês idiotas aprenderem a não me irritar!
O pai dela pulou de um dos prédios.
—Vai lá querida... coloca tudo pra fora.
Ela soltou um berro e saiu aquela luz azul.
P.O.V. MacGyver.
Essa foi a coisa mais impressionante que eu já vi. Uma quantidade colossal de energia azul, a energia era tão concentrada que atingiu o exército como uma rajada. Os que vieram depois, ela atacou fisicamente. Se movia tão rápido que meus olhos não conseguiam enxergá-la, dava pra ouvir os estralos dos pescoços sendo quebrados e os gritos dos soldados quando ela afundava os dentes nas gargantas deles e os estraçalhava.
Os tiros que eram disparados só a deixavam mais furiosa. Aquilo não era um simples ataque. Era um ataque de raiva, de fúria. Ela estava descontando a fúria nos soldados afegãos que tentaram nos atacar.
—A garota é uma força da natureza.
Ela olhou para o Jack e gritou:
—Cala a boca!
Mais soldados vieram e ela desceu a porrada neles.
—Tá esperando o que MacGyver?! Dá um jeito de falar com a Riley! Agora!
Consegui construir um dispositivo usando uma bateria de celular, um arame e uma garrafa PET.
Quando finalmente o resgate chegou, nós entramos no helicóptero e Hope colocou fones de ouvido.
Apesar do barulho das hélices eu podia ouvir o que ela estava cantando.
—All the King's Horses and All the King's men, never put my heart together again...
Ela estava chorando, dava pra ver as lágrimas.
Finalmente aterrizamos em solo americano e fomos direto para a sede da Fênix em Los Angeles.
A Riley e a Matty vieram correndo.
—Meu Deus! O que aconteceu?
—A gente tava encrencado. Se não fosse a Hope e a luz azul dela estaríamos mortinhos da silva.
—Luz azul?
—Magia Negra.
—Magia Negra? Usou magia negra?!
—Usei. E dai? Eu tava muito puta da vida e tava precisando descarregar, então eu massacrei todos os soldados afegãos terroristas que estavam tentando matar a sua equipe! Os idiotas conseguiram acabar num campo de batalha, sem munição e cercados pelo exército inimigo!
Hope começou a respirar fundo.
—Você descarregou matando pessoas?!
—Foi. E eu só matei aquela gente porque eles se enfiaram numa situação de vida ou morte estando em desvantagem numérica e tática. E eu massacrei eles. Supere. Tenho que ir. Quero trocar de roupa já que essa tá cheirando a sangue. Tá me deixando louca! Só mais uma pergunta. Quem era o líder da missão?
—MacGyver.
Ela caminhou até onde eu estava e me deu um tapa estalado no rosto.
—Imbecil! Vá estudar tática e estratégia em batalha antes de colocar a sua equipe em campo.
—Ai. Essa doeu.
—E mais uma coisa! Aprenda a se defender primeiro! Se não consegue nem defender sua própria vida, como vai defender as de outros?!
Ela não esperou a minha resposta. Saiu da sala como um furacão.
—Ai. Doeu mesmo. O meu rosto tá dormente.
—Ela te destruiu.
—Eu odeio dizer isso, mas ela está certa. Está certa MacGyver. Como líder da missão o que aconteceu hoje é responsabilidade sua. Se Hope não tivesse aparecido, vocês todos estariam mortos.
P.O.V. Hope.
Eu tava tomando banho já que o cheiro do sangue estava impregnado em mim. E quando o cheiro finalmente saiu, eu decidi tentar relaxar.
Enchi a banheira com bastante espuma, coloquei umas velas, peguei uma taça de vinho e me enfiei lá dentro.
Coloquei a música pra tocar, a mesma música de antes. Lost It All da Jill Andrews. Dentro do banheiro, eu não era Hope Cullen a Rainha do mundo sobrenatural, unificadora e bebê milagroso. Eu era só... eu.
Eu fico feliz que o Demitre tenha arrumado uma namorada, eu quero acreditar que ele é forte o suficiente para seguir a lei e não se alimentar da Riley. Quero que eles dois sejam felizes. Seja com quem for.
Acho que a parte ruim de se ser uma híbrida é ser de fato uma híbrida. Apesar de sermos mais fortes do que os puros sangues sempre tem o conflito de nunca sabermos o que realmente somos. Os dois lados lutando por dominância. A luz e a sombra.
A água começou a esfriar e eu sai da banheira. Esvaziei-a, me enrolei na toalha, me sequei, vesti o meu pijama, sequei meu cabelo no secador e deitei na cama.
—Boa noite Vilma.
P.O.V. Desconhecido.
Eu consegui a filmagem do confronto entre os meus soldados e os agentes americanos. Não tem como eles terem saído vivos.
E o que eu vi foi a arma mais letal já criada. A arma não era uma coisa.
Era uma pessoa. Uma garota. Ela massacrou os meus homens, as balas não atravessaram sua pele, era como se ela fosse feita de pedra.
A garota era uma Força da Natureza. Ouvi um dos agentes chamar ela de Hope.
Eu quero ela pra mim. Tendo ela do meu lado serei invencível.
—Hope. Você será minha Hope.
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