Rizzoli And Isles - O amor por trás do caso
7 Capítulo 7
Notas iniciais
E aquela noite continuaria...
Podia ser melhor, podia ser tudo o que elas queriam. E foi.
Como dizem, quando amamos uma pessoa ou estamos descobrindo sentimentos por ela, não existe forma melhor de ama-la. Amar cada pedacinho, cada detalhe... Amar quem só quer o bem, só quer dar e receber felicidade.
Continuaria...
Continuaria se Jane não sentisse a água correndo em seu corpo, num estado que nem ela mesma lembrou que estava. Levantou-se rapidamente ao notar que estava agachada, praticamente sentada no chão do banheiro com o chuveiro ligado. Recobrou os sentidos aos poucos e se deu conta que dormiu enquanto tomava banho. E o pior: havia sonhado que estava transando com Maura. Estava tão desorientada que, quando chegou em casa não pensava em nada a não ser tomar um banho gelado e uma cerveja para se recompor. Ouviu os latidos de sua cadelinha.
— Oh Joe, que foi? Eu estou aqui. – falava enquanto se enrolava na toalha, saindo do box. – Tá tudo bem. – passou a mão nela, na intenção de acalma-la e se sentou em sua cama. Não sabia o que pensar, estava em estado de choque. Em pouco tempo havia beijado Maura, claro, isso ela se lembrava porque realmente havia acontecido, e consequentemente, sonhou que estava transando com ela. “Deus, o que está acontecendo comigo? Esse sonho parecia tão real, que posso ainda sentir o perfume de Maura em mim...”. Foi despertada de deus pensamentos com seu celular vibrando.
“Jane, eu sei que você deve estar ainda mais brava ou magoada comigo... Me desculpe! Eu fui até a sua casa para te pedir desculpas, para tentarmos conversar novamente, mas você não me atendeu. Não quero que nada interfira na nossa amizade e farei de tudo para isso. Prometo que também vou tentar esquecer tudo o que fizemos e seguir com nossa amizade como sempre foi! E seguir com nossa vida... – Maura.”
— E seguir com nossa vida... – Jane falou para si a ultima frase de Maura. Ela não se deu conta de que Maura havia ido até sua casa, pois havia dormido no banho. Também, não teria como acordar ou tentar conseguir prestar atenção em qualquer coisa com um sonho desses... Não sabia o que fazer, não sabia o que pensar. Ainda estava sentada em sua cama, enrolada na toalha sem se mexer. Tudo estava acontecendo tão rápido, tudo estava tão fora de controle que nem ela mesma sabia como lidar, já que nunca foi muito boa com seus sentimentos e em expressá-los. Sim, sentimentos. Jane não podia negar que também havia gostado de beijar Maura. Não podia negar para si que também queria sentir o gosto dela novamente, os seus toques e suas respirações. Mas como lidar quando começa a despertar uma paixão por sua melhor amiga? Como lidar com uma sensação forte, como se já quisesse ter sentido essa vontade antes, mas só foi descoberta agora? Não seria Jane a primeira pessoa a aprender sobre isso.
Ela passou horas pensando no que fazer, em como lidar com isso, em como tentar esquecer todos os beijos, toques, caricia... Ainda mais: como lidar depois de ter sonhado que estava transando com Maura! Um sonho nada convencional, que na verdade parecia muito real. Como saber separar? Como saber lidar com Maura no trabalho? Olhar no fundo daqueles olhos verdes e não se lembrar dos mesmos olhos cheios de desejo, querendo mais do que sua amizade? Como não se lembrar dos mesmos olhos quando estavam supostamente deitadas na cama, em seu sonho? Embora soubesse dos seus desejos e dos desejos de Maura, achava que isso não estava certo. Que era empolgação e não podiam seguir em frente com aquilo. Tomou uma decisão que faria tudo diferente, que concertaria todo o mal entendido e se fosse preciso, se afastaria de Maura por um tempo até terem noção de seus sentimentos: apenas amizade. Jane só não contava que ao mesmo tempo em que era firme em suas decisões, também era coração mole e sempre fugia de seus sentimentos por medo. Sabia que a médica era uma mulher incrível, digna de qualquer pessoa se apaixonar... Mas elas? Eram amigas de longa data. Não podiam simplesmente colocar a par tudo isso por conta de uma curiosidade, talvez? Porque por mais que Jane soubesse que Maura era a ÚNICA pessoa capaz de lhe despertar essas milhares de sensações, sabia tão bem também que ela (Jane) era a pessoa que mais entrava em conflito consigo mesma tratando de seus sentimentos. Agora estava feito: ela estava em conflito, com medo, com desejo, vontade, curiosidade e mais, estava com um medo maior por saber que no fundo, bem lá no fundo, ela também sentia uma atração fortíssima pela loira! E não, não era confusão, não era curiosidade... Ela sabia muito bem o que era!!!
Maura estava pensativa, não conseguia esboçar um pensamento certo e nem concreto sobre o que estava sentindo. Não tinha cabeça nem para pensar o que cientificamente aquilo significava. Tinha ido até a casa de Jane para tentar conversar e se fosse de gosto da morena, esquecer o que aconteceu. Ela não estava disposta a perder sua melhor amiga, nem que isso custasse esquecer essa vontade louca de ter Jane para si, novamente, de novo, mais uma vez, sempre querendo mais. Mas era adulta e compreenderia a decisão da amiga. E por fim, juntas, conseguiriam seguir a vida...
***
Logo pela manhã, Jane passou na cantina para pegar seu café feito por sua mãe.
— Jane, que cara horrível! – disse Ângela entregando as panquecas felizes para a filha.
— Eu estou bem, obrigada! – respondeu pegando o prato e se direcionando para uma mesinha. Ângela a acompanhou.
— Oh, me desculpa querida... – disse se sentando. – Está tudo bem? Aconteceu alguma coisa?
— Nada. Apenas não estou nos meus melhores dias. – respondeu seco. Não queria ter que dar explicações para sua mãe. Porque se falasse qualquer coisa, teria que contar tudo e isso estava totalmente fora de cogitação.
— Jane!
— O quê?
— Eu te conheço, filha. – a encarava como se soubesse que algo de muita importância tivesse acontecido. – Vamos, conte-me o que houve...
— Mas eu já disse que não foi nada. – Ângela cruzou os braços e continuou encarando-a. – O quê? Qual é, será que pelo menos o meu café da manhã eu posso tomar em paz?
— Okay! Se você não quer falar tudo bem. – Jane revirou os olhos e viu a mãe acenando com a mão.
— Tá acenando para quem, miss Estados Unidos?
— Bom dia. – após ouvir essas palavras, Jane parou no mesmo instante de comer. O garfo nem chegou à boca e ela largou a comida e se levantou para ir embora. Maura havia chegado, para mais uma vez mexer com a falsa sensação de segurança de Jane. Passou batido sem ao menos olha-la. Nem o bom dia desejou de volta. Não estava mais uma vez pronta para encara-la e falar com ela. Ângela nada entendeu, apenas ficou olhando com cara de confusão a filha indo embora. Maura ficou sem jeito, não sabia se deveria ir atrás dela ou não. Por fim, voltou a olhar para Ângela e sorriu amarelo.
— Aconteceu alguma coisa entre vocês, querida?
— Nada de mais, Ângela! – também tentou ser direta sem muitas explicações. Ou teria urticárias. – Bom, eu vou, pois preciso terminar alguns relatórios.
— Mas você nem tomou café, Maura.
— Não, tudo bem. Eu estou sem fome, como alguma coisa depois. – sorriu para ela mais uma vez e rumou para o necrotério. Entendeu que Jane não queria conversar, entendeu que deveria deixar ela na dela. Não diria nada.
Jane quase derrubou um dos escrivães, esbarrando com ele na porta quando entrou em sua sala. Estava tão distraída, que automaticamente ficou ainda mais desastrada. Não desejou bom dia a ninguém. Apenas sentou em sua cadeira, e ficou parando olhando para a tela do computador. Mexeu no mouse e percebeu que a tela continuava preta.
— Mas porque diabos esse computador não está funcionando?
— Já experimentou ligar ele? – perguntou Frankie sarcasticamente entrando na sala e entregando uma arma para Jane.
— O que é isso?
— Uma arma!
— Sério? – Jane o encarava com a cara mais surpresa do mundo. – Por um instante pensei que pudesse ser a tocha olímpica!
— Essa arma foi encontra agora a pouco por um policial que estava fazendo ronda no bairro. Ela estava próxima ao banco da praça onde o garotinho foi encontrado morto.
— Oooh Frankie, você é um gênio. – falou dando um soco no braço do irmão. – Frost, vamos ver se tem digital.
As horas passaram arrastadas naquela manhã. Maura e Jane não haviam se encontrado e nem trocado nenhuma palavra.
***
— Aonde você conseguiu essa arma? – perguntou Jane entrando na sala e depositando o objeto em cima da mesa. O garoto que seria interrogado era Brad Thompson, 17 anos. Os Detetives sentaram-se e ficaram aguardando o garoto responder, mas nada dele falar.
— Esperem ai! – respondeu a mãe do garoto, Dora Thompson. – Essa arma não é de Brad. Ele não tem isso, não usa isso. Não foi ele quem matou aquele garoto.
— Senhora, por favor, peço que deixe apenas o seu filho responder ou teremos que tirá-la dessa sala. Estamos apenas fazendo o nosso trabalho. – disse Frost. Jane o encarava, ele não se intimidava e também a encarava, mas nada dizia.
— Novamente Brad, aonde conseguiu essa arma? – perguntou Jane. Ele novamente nada respondeu apenas encarava-a. A mãe do garoto começou a chorar. Frost pediu que ela se retirasse, estava emocionada demais e atrapalharia no interrogatório. – O meu humor está péssimo e eu não tenho o dia todo... Aonde conseguiu essa arma? – o garoto batia a mão na mesa e olhava para os lados. Jane foi ficando cada vez mais irritada. Levantou-se e ia saindo da sala.
— Hey, aonde você vai? – Jane apenas o encarou e saiu da sala. Agora era a vez do garoto ficar irritado. Não estava gostando de ser interrogado por aquela mulher, não iria responder por que ele não era obrigado e achava que só deveria falar na frente de algum advogado. O problema é que ele não conhecia Jane.
Meia hora havia se passado até os Detetives voltarem à sala de interrogatórios.
— Quer mais um café? – Jane ironizou se aproximando.
— Eu não sou obrigado a responder nada. Sei dos meus direitos e eu quero um advogado.
— Apenas responda a pergunta da Det. Rizzoli. – disse Frost.
— E daí? E se eu disser que essa arma não é minha? Nada vai mudar. Não fui eu quem matou aquele moleque.
— Achamos suas digitais na arma. Jonathan nos contou que foi você. – disse Jane, tentando fazer que o garoto falasse alguma coisa.
— O quê? – Brad se levantou da cadeira. – Eu vou matar aquele desgraçado. – Jane o segurou pelos braços.
— Ohh Bruce Lee, você não vai a lugar nenhum. Sente ai.
— Eu não matei aquele pirralho, foi o Jonathan! – disse Brad em tom de desespero. Notou que já havia se metido em encrenca mesmo. – Eu só emprestei a arma para ele atirar.
Jane e Frost se entreolharam. Estavam chocados. Brad tinha acabado de confessar que havia sido Jonathan o assassino do próprio irmão. E o pior: ele havia dado a arma para tal ato.
— Explique-nos o fato de suas digitais estarem na arma. – perguntou Frost. – Um de nossos policias a encontrou próximo a praça aonde você e seus amigos passavam. Por que atirou nele, Brad?
— Eu não o matei, já disse! Foi o irmão dele, o Jonathan. Pode trazer ele aqui e perguntar, eu só emprestei a arma pra ele. Mas quem atirou foi ele.
— E porque ele iria querer matar o Robson? Eram irmãos.
— Eu não sei dona, eu apenas emprestei a arma para ele.
— Brad, você não está colaborando. Estamos apenas tentando solucionar um caso. Eu sou a única que pode te favorecer com o promotor. Por que você matou o Robson? Aonde conseguiu essa arma? – perguntou uma Jane um tanto quanto enfezada, rangendo os dentes, se abaixando e se aproximando do rosto dele.
— Eu já disse, vocês precisam acreditar em mim. Eu não matei o moleque, tia. To dizendo que foi o irmão.
— Oh, pelo amor de Deus cale a boca. – disse Jane levantando a voz. – Por que você forneceu a arma para o Jonathan matar o irmão dele? – ele nada respondeu. Jane fechou a mão e respirou fundo. O encarou e saiu da sala mais uma vez. Agora já sabiam que Jonathan havia matado o irmão e Brad havia colaborado. Frost saiu em seguida da sala deixando Brad sozinho mais uma vez.
Jane precisava pensar. Desceu para a cantina para tomar um café. Ela estava nervosa além do comum com esse caso. Mas por quê? Já havia pegado outros casos parecidos com esse. Será que existia algo nesse caso para deixa-la assim?
Enquanto apertava distraidamente a cafeteira para que o líquido saísse, fitava o vazio.
— Jane, será que eu posso falar com você? – a voz, sim a única voz que era capaz de fazê-la derrubar o café sem esbarrar em nada, sem nem ao menos vê-la, mas só ouvi-la... A única voz da única pessoa capaz de tira-la de seu devaneio. – Oh, você está bem? Queimou sua mão? – perguntou Maura toda preocupada com cara de confusão, sem saber se pegava um papel para ajuda-la a limpar ou se ficava onde estava. Tentou a primeira opção. – Deixe-me ver sua mão. – mas Jane se afastou e a encarou.
— Não, obrigada. Tá tudo bem. – disse com um sorriso amarelo.
— Jane, você está fugindo de mim?
— Não, Maur. Não estou fugindo de você. – respondeu pegando outro copo para pegar um novo café.
— Sim, você está fugindo de mim! – agora a encarava de braços cruzados.
— O quê? Não, já disse que não estou. Só estou atarefada demais com esse caso, interrogando o suspeito que acabou de confessar. Inclusive... – deu um gole em seu café e foi se virando para sair. – Eu tenho que interrogar o outro agora. Me desculpe, depois conversamos. – mas Maura a conhecia muito bem e poderia não palpitar, mas afirmar com toda certeza que Jane estava evitando ela. Segurou-a pelo braço, fazendo-a encarar-lhe.
— Sim, você está. – Jane olhou aqueles olhos verdes fixo em si, esperando por algum tipo de explicação. Notou a preocupação de Maura por Jane estar lhe evitando. Lembrou-se dos mesmos olhos da noite anterior, do seu sonho e quase enlouqueceu sem saber o que responder. Mas claro, não diria que estava evitando falar com ela exatamente por esses motivos. Exatamente porque não conseguia encara-la agora sem se lembrar dos beijos, caricias, sonhos e a vontade louca que tinha de beija-la novamente.
— Qual é! Eu tenho um trabalho para fazer, não posso ficar parada aqui te dando explicações do que não existe! – Maura novamente cruzou os braços, encarando-a com cara de incrédula. – O quê? O mundo não gira em torno de você, Dra. Isles. E eu realmente preciso voltar ao trabalho. – Maura deu uma risadinha incrédula. Sabia que havia acontecido alguma coisa com Jane, que talvez ela ainda estivesse magoada e confusa em relação à noite passada. Mas Maura também estava. Ela só estava querendo conversar e se desculpar, não queria que ficasse um clima ruim entre elas. Afinal, eram amigas.
— Será que antes de voltar para o seu trabalho, você poderia me dizer o porquê de não ter me atendido ontem quando eu fui à sua casa, Jane?
— Por que... – porque eu estava sonhando com você, sonhando que estávamos transando e que por sinal, foi a melhor transa que já tive e só por isso que não te atendi. – Porque eu não estava em casa!
— Ah, estava sim! Eu vi o seu carro parado lá na frente. Bati várias vezes e você não me atendeu. Não respondeu minha mensagem. E desde manhã você está me evitando.
— Já disse, muito trabalho!
— Oh Jane, pare pelo amor de Deus. Você sabe que não estamos falando de trabalho. – Jane procurava não encara-la.
— Se não é de trabalho, já posso me retirar ou esse questionamento vai durar mais? – olhou-a mais uma vez e notou que ela realmente estava preocupada. E que depois dessas palavras, ficou triste. Não tinha condições psicológicas de conversar com Maura. Não agora, não ali. E não sabia quando teria. Estava nervosa, estava com medo. Maura estava coagindo ela de uma forma como nunca se sentiu antes, preferia interrogar o pior assassino do mundo. Era melhor mantê-la distante, pelo menos por enquanto. Saiu sem nada dizer. Maura também não disse nada. Ficou magoada com as palavras de Jane, não esperava que ela fosse agir e até mesmo reagir dessa forma. Isso não estava certo.
***
— Okay. Você sabe por que você está aqui novamente, não sabe Jonathan? – perguntou Frost. Jonathan havia ido novamente para responder ao novo interrogatório. Porém, estava sozinho na sala, sem sua mãe. O garoto começou a chorar.
— Por quê? Por que fez isso com o seu irmão? – perguntou Jane, mas o garoto nada respondia.
— Foi o Brad que atirou em seu irmão? – o garoto fez um negativo com a cabeça. – Então porque você fez isso? – mas o garoto nada respondeu. Os Detetives se entreolharam e ambos já sabiam aonde aquilo iria dar.
E o dia foi terminando exaustivo para todos da Homicídios. Prenderam e levariam para o juizado de menores nos próximos dias os menores, Jonathan e Brad pela morte de Robson Peter. Jane estava com mais uma daquelas dores de cabeça de matar. Não havia almoçado, tomou muitos copos de café e teve que fazer vários relatórios. Todos estavam cansados, só queriam ir para casa e descansar. Jane havia passado horas do dia pensando também em Maura e o que fazer em relação a tudo que estava acontecendo. Decidiu tomar uma decisão e foi até a sala de Cavanaugh.
— Hey, você já esta indo embora? – perguntou Frankie para Jane, que estava saindo da sala do Tenente.
— Estou! – respondeu revirando os olhos. – Eu estou com tanta dor de cabeça que tô quase dando um tiro para arranca-la fora. – Frankie riu, Jane o acompanhou.
— Não está afim de ir tomar uma cerveja no Dirty comigo?
— E eu tenho outra escolha? Ou tomo a cerveja ou me dou outro tiro de novo. – e Frankie a olhou sério, depois riu novamente. Conhecia a irmã e sabia o quão ela era capaz de se dar um tiro. Já tinha feito isso uma vez para salvar a vida dele, não custava nada dar outro agora para arrancar a cabeça. Ou pelo menos tentar arrancar da cabeça, aquilo que não saia do coração. E Frankie sabia muito bem o que não queria sair daquela cabeça.
Entraram no bar e Frankie com toda gentileza fez sinal para ela se encaminhar em direção à mesa.
— Hmm, se você não fosse meu irmão, diria que esta tentando ser gentil comigo porque quer usar minhas algemas.
— Oh meu Deus, Jane. Por favor! – fez careta de nojo e Jane caiu na gargalhada. Fez sinal para levarem suas cervejas até a mesa. – E como foi com o caso do garotinho?
— Foi tão ruim quanto os outros. Sabe, cada vez que eu pego um caso como esse, que fazem esse tipo de brutalidade com uma criança, eu fico cada vez mais enojada com esse tipo de ser humano. Como podem atirar em uma criança indefesa, com todo um futuro pela frente?
— Foi o irmão, né?
— Sim, ele com a ajuda do outro. Eu passei o resto do dia tentando entender o que se passa na cabeça desses adolescentes que se julgam donos do mundo. Um manda, da a arma e o outro vai e atira no próprio irmão. Como pode? – Frankie balançou a cabeça em negativo. Também havia ficado chocado. – E o pior de tudo, foi o motivo... – Jane deu um gole em sua cerveja – O Jonathan, o irmão, estava no segundo ano. E você sabe né, esses meninos querem ser os bambambam da escola. Andam largados, estilo maloqueiro... E o Jonathan queria a todo custo fazer parte desse grupinho. Grupinho esse que adorava zoar e tirar onda com os “nerds” estudiosos. Por fim, odiavam o Robson por ser um “nerd” e a condição para Jonathan entrar no grupo dos “donos” da escola, era ele matar o irmão. Num ato influenciado ele o fez, com a arma emprestada de Brad.
— Esses irmãos que atiram em irmãos... Esses irmãos que se atiram por irmãos... – deu um risinho para Jane, que também sorriu e logo fitou o vazio. Lembrou-se de tudo o que aconteceu no dia em que se deu um tiro. Tudo para salvar Frankie. Tudo para salvar o irmão que estava morrendo devido ao tiro que havia levado. Que estava sem quase respirar na mesa de um necrotério, sendo cuidado por Maura. Oh meu Deus, Maura... O que estava acontecendo com as duas? Frankie percebeu que a irmã havia ficado pensativa. – E como está a Maura? – aquele nome soou como um estalo em seus ouvidos. Será que Frankie havia escutado seus pensamentos? O porquê Frankie perguntaria de Maura, se ela estava bem? E aquele tom?
— Ué, está bem. – deu outro gole em sua cerveja e notou que Frankie a encarava. Assim como Frankie notou o nervosismo da irmã.
— E vocês estão bem? Digo, nunca se separam e parece que nesses últimos dias há algo estranho entre vocês.
— E porque não estaria bem? Não existe nada estranho, isso é coisa da sua cabeça.
— Jane!
— O quê? – o encarava agora.
— Vamos lá...
— Sério?
— Não adianta me olhar com essa cara não porque eu sei que está acontecendo alguma coisa e você não quer me falar. – Jane revirou os olhos. Sabia o quanto o irmão era esperto e insistente. Sabia que ele não desistiria até ela contar. Mas, contar o que? Que havia beijado Maura? Que quase havia transado com Maura? Aliás, que sonhou que estava no ato? Que estava perdidamente apaixonada por Maura? Perdidamente sim, porque quando conheceu Maura há anos atrás, sentiu uma coisa em seu coração que não soube explicar. Uma sensação que só sentia com Maura. Mas resolveu deixar isso pra lá. Mas agora? Agora estava tudo diferente. Estava voltando a mesma sensação em seu coração que há anos atrás havia deixado passar. Por medo, talvez. Maura havia lhe beijado e ao que tudo indicava, também sentia desejos pela Detetive. Mas não, estava fora de cogitação. Não contaria para Frankie, não agora.
— Não está acontecendo nada e eu não vou falar nada! – respondeu olhando para o irmão que balançou a cabeça em negativo. Uma hora ele conseguiria fazer Jane falar. Podia não ser agora, mas não iria desistir. – E eu estou morrendo de fome, vou pedir um hambúrguer, você quer? – ele fez sinal em positivo e fizeram seus pedidos.
— O que você tava fazendo na sala do Cavanaugh, Jane? Eu vi você saindo de lá com uma cara preocupada... Aconteceu alguma coisa?
— Eu fui pedir para ele me deixar ir para o treinamento em Washington! – respondeu respirando fundo.
— Você o que? – fez cara de confusão. – Você não precisa disso, Jane. É uma das melhores Detetives daquele departamento e tá indo se enfiar lá pra quê?
— Ele me disse a mesma coisa. – deu com os ombros. – Não vou perder nada se eu for, posso até ajudar em alguns casos. Vai ser melhor assim.
— E a Maura já sabe disso? – ela olhou incrédula para ele, sem entender. Por que isso importava agora? Por que ele tava tocando tanto em assunto com o nome de Maura?
— Frankie, você trabalha no comitê político da Maura?
— Hey, calma... Eu só perguntei porque como vocês são muito amigas e sempre estão juntas, contam tudo uma para a outra, eu só queria saber o que ela achava sobre isso, sobre sua ida...
— E desde quando Maura tem que achar alguma coisa? – perguntou indignada, fingindo estar brava.
— Você gosta dela, não é? – não, espera. Frankie estava mesmo perguntando aquilo?
— Dela quem? – fingiu não ter entendido.
— Como dela quem, Jane! Dela, da Maura. – gesticulou com a mão como se dissesse que ela, a loira, era a única pessoa capaz de fazer Jane se sentir assim, sem denominações ainda. Tossiu. Jane tossiu e Frankie franziu a sobrancelha.
— É claro que eu gosto, ela é minha amiga, Frankie! – respondeu tentando parecer natural, enquanto limpava a boca com guardanapo. Precisava fazer alguma coisa. Precisava dizer alguma coisa ou Frankie estenderia aquele assunto. – E você como um irmão, tá me saindo um bom Detetive, viu?
— Okay. Você não quer conversar e eu não vou falar mais nada. – tomou um gole de sua cerveja e Jane ficou observando os movimentos do irmão.
Sim, ela gostava de Maura. Como uma amiga. Mais que isso. Como uma irmã. Mais que isso, não como uma irmã porque você não beija irmãos, não quase transa com irmãos, não tem sonhos eróticos com irmãos, não sente o coração acelerado, mão suando, sentimentos indescritíveis passando pela cabeça e coração com irmãos... Você não deseja beijar a boca de um irmão, não odeia na mesma proporção que ama tudo o que a pessoa tem. Definitivamente ela gostava de Maura, não como uma irmã. Como uma mulher. Não diria isso ao irmão. Nem ela mesma sabia o que estava sentindo direito por sua melhor amiga. Mas Frankie era insistente, não sossegaria até que descobrisse o que realmente estava acontecendo. Jane não aguentava mais essa situação, precisava desabafar com alguém, e porque não seu irmão? Respirou fundo como num ato de coragem. Aquilo seria difícil, mas já estava tudo bagunçado mesmo.
— Okay... – Frankie que fitava o vazio, encarou-a curioso, como se dissesse com o olhar que ela podia continuar, ele seria todo ouvidos. – Nos beijamos!
— Você e Maura SE BEIJARAM? – Jane quase sacou da sua arma e atirou no irmão.
— Shhhhhh! – disse dando um tapa no braço dele. – Não quer anunciar no jornal também não, Nelson Rubens?
— Oh, me desculpe! Fiquei empolgado com tal revelação. – disse passando a mão no braço. Aquilo tinha sido realmente uma revelação. Além de Frankie ser o primeiro a saber, ele não sabia que já havia rolado um beijo entre elas. Pensava que até então só rolava “sentimento”! – Quando foi isso?
— Anteontem, ontem... – fitou o vazio novamente – Nós quase transamos!
— VOCÊS QUASE TRANS..... – Jane tapou a boca do irmão com a mão. Mas que droga, será que ele não podia falar mais baixo e ser um pouco mais discreto? Mais um pouco todos do bar saberiam que a Det. Rizzoli tinha beijado a Dra. Isles! Frankie tirou a mão da irmã da boca e a olhou como se pedisse desculpas.
— Tá vendo? Por isso é que eu não digo nada!
— Me desculpe, Jane. Isso não vai acontecer de novo.
— Droga! – fez cara de cachorrinho sem dono.
— Espera um pouco... Vocês se beijaram – Jane o encarava com cara de desaprovação. Se ele gritasse de novo era capaz dela dar um soco no irmão. Mas ele falava baixo, apenas para que os dois ouvissem. – E vocês quase? – fez sinal com o dedo e não disse nada. Não queria nem imaginar a cena, preferiu não completar a frase.
— Frankie, não me faz repetir isso de novo. Já está sendo muito difícil te contar.
— Mas Jane...
— Não Frankie, eu não transei com ela!
— Atrapalho? – disse Dean, o agente do FBI, praticamente parado de frente a mesa onde estavam. Agente esse que Jane conhecia muito bem. Ela olhou para Dean e sorriu amarelo, em seguida trocou olhares com Frankie perguntando se ele havia escutado a ultima parte da conversa. Ficou esperando por uma resposta de Jane, pois ela não dizia nada.
— Ah, oi Dean! – sorriu novamente. – O que você esta fazendo aqui?
— Bom, como eu fui até sua casa e você não estava, pensei que você só poderia estar em dois lugares: ou aqui ou na casa da Maura! Preferi arriscar a primeira opção, já que estava com sede e queria uma cerveja. – Jane deu um risinho. Frankie apenas observava. – Será que eu posso... – fez sinal com a mão, pedindo para sentar junto a eles.
— Oh, claro! – Jane afastou-se um pouco, dando espaço para que ele se sentasse ao seu lado.
— Cavanaugh me contou sobre sua decisão de ir para Washington!
— De ir para Washington? – perguntou sem entender. Não, pera, ela se lembrou que havia pedido ao chefe para ir para à cidade ao treinamento. Não fazia ideia do que estava fazendo e o porquê, mas já havia feito. – Ah sim! É, eu pedi ao Tenente que me deixasse ir. Acho que vai ser bom para mim.
— Embora eu fique feliz por saber que vamos mais uma vez trabalhar juntos, não acho que seria o caso de você ir, digo, precisar. É a melhor Detetive desse estado que conheço.
— Oh, obrigada. – mandou um sorriso. Conversaram durante mais algum tempo. Dean explicou que estaria em Washington também. Jane ouvia a tudo com um pequeno sorriso no rosto, mas na verdade sua cabeça estava em outro lugar. Será que mesmo brigada com Maura como estava, aguentaria ficar um mês longe da Legista? Estava cansada, precisava arrumar suas coisas para a viagem, que seria no dia seguinte. Despediu-se do irmão e de Dean e foi para casa.
Maura estava chateada. Não sabia o que fazer, como agir nem o que pensar. Queria de uma vez por todas resolver sua situação com Jane, mas essa não cedia e não queria conversar. Ficava fugindo. Cansada, Maura chegou em sua casa, tomou um taça de vinho, um banho e foi deitar. Tentaria novamente conversar com Jane pela manhã.
***
Ao chegar no Departamento, Maura foi direto ao andar da Homicídios procurar por Jane. A convidaria para tomarem café da manhã juntas e ela aproveitaria para conversarem. Chegou em sua sala e não a viu. Estranho.
— Bom dia rapazes. – desejou com um sorriso. Todos desejaram de volta. – A Jane ainda não chegou?
— Jane não virá trabalhar hoje, Dra. Isles. – responder Korsak.
— Não? – perguntou sem entender – Aconteceu alguma coisa?
— É hoje que ela vai para Washington.
— WASHINGTON? – aquilo saiu mais alto do que ela queria. – Jane vai fazer o que em Washington?
— Ontem ela pediu a Cavanaugh que mandasse ela para o treinamento. – Maura agradeceu a Korsak e saiu da sala. Isso não tava certo, Jane não havia lhe falado nada.
Jane terminava de fechar suas malas quando ouviu a campainha tocar.
— Você pode me explicar o porquê que não me disse que vai para Washington? – perguntou Maura entrando no apartamento de Jane. Sem bom dia, sem rodeios. Direta.
— Bom dia para você também, Dra. Isles. – falou se encaminhando para pegar água na geladeira.
— To esperando você responder! Ou vai me dizer que ia sem falar nada? Qual é a sua, Jane? Vai ficar fugindo de mim até quando? – cruzou os braços e ficou esperando a Detetive responder. A morena tomava sua água tranquilamente. Maura começou a ficar irritada com o silêncio.
— Eu vou para Washington porque eu preciso trabalhar, me aperfeiçoar e porque eu... To com vontade.
— Vontade? – a loira soltou um riso de deboche. – Desde quando você precisa ir fazer treinamentos de sei lá o que? É a melhor Detetive desse estado, Jane! Por favor.
— Você acha que eu vou lá para que? Para brincar, Maura?
— É isso que eu gostaria de saber. Mas ultimamente tem sido muito difícil conversar com você, já que você resolveu fugir de mim!
— Mas porque você insiste em falar que eu to fugindo de você? Que coisa!
— Porque você está!
— Maura, não vamos começar com esse assunto de novo, por favor. Eu preciso ir porque o voo sai daqui a pouco.
— PARA! Jane, para. Você sabe que está me evitando e nós duas sabemos o motivo. – Jane a encarou surpresa pela exaltação da voz. Sabia que aquilo poderia não terminar bem...
— Você quer o que? Que o mundo gire em torno de você e a cada passo meu eu preciso ficar te comunicando toda hora? – agora Jane que estava de braços cruzados, encarando-a.
— Você podia ao menos me avisar que havia tomado essa decisão. Porque até onde eu sei, foi você quem escolheu assim. – Jane revirou os olhos – Agora eu gostaria muito de saber o porquê dessa decisão, sem nem ao menos dizer nada. – Maura também estava de braços cruzados encarando Jane. A morena estava cansada de rodeios. Desde quando havia sido beijada por Maura, estava tudo uma confusão. Mal conseguia falar direito cinco palavras com ela sem discutirem. Estava sem saber o que fazer, como agir. Nunca havia se sentido assim, não gostava de pressão e não seria agora que iria gostar. Mesmo tendo Maura na sua frente, a pessoa que por mais que não quisesse, era a causadora dessa confusão toda. Então, confusão por confusão, resolveu fugir. Mas não fugir de Maura, mas de si mesma.
— Bom, pense como quiser... Fugindo ou não, num quero que as coisas piorem para nós.
— Piorar o que? – Jane estava ficando irritada. Não é possível que Maura fosse gênio até demais para algumas coisas e para outras fazia jus a cor do cabelo. O que ela queria escutar? Que era por causa do beijo, que Jane havia ficado mexida e estava sim fugindo por não saber lidar com seus sentimentos por sua melhor amiga? Pois bem, que escutasse.
— Pois bem. EU ESTOU SIM FUGINDO DE VOCÊ! Sabe por quê? Porque eu não consigo fingir que nada aconteceu, Maura. Olhar para você e não lembrar do beijo que trocamos. Não lembrar de ontem a noite na sua casa. Do que quase fizemos. E se eu não parasse, sabe lá Deus o que mais teria rolado entre nós. Isso não está certo, Maura. Não está! Somos amigas, melhores amigas. Esse tipo de coisa não deve existir entre nós, não deve. Eu não posso seguir com isso, não posso me deixar levar por impulsos e simplesmente esquecer o que somos e o que construímos. Isso não deve acontecer mais entre nós!
— Isso não é motivo. Vamos conversar, somos adultas, Jane.
— Ah isso não é motivo? É motivo sim, ou você acha que motivo é eu dizer que estou apaixonada por você? – Jane simplesmente falou, sem pensar nas consequências dessas palavras. Maura não entendeu o tom de Jane.
— Por que, você está? – sentiu uma imensa alegria em sem coração, mas ao mesmo tempo um medo enorme. Jane respirou fundo e a encarou. Não podia mentir para Maura, mas também não queria admitir nem para ela mesma que estava apaixonada por sua amiga, quem dirá dizer para a dona da paixão. Encontrou um brilho naqueles olhos verdes, esperando por uma resposta positiva. Já tinha ido longe demais com aquela conversa, porque não ir mais um pouco? Mas Jane abaixou a cabeça, respirou fundo outra vez e voltou a olha-la.
— Acho melhor você ir, já esta na hora do meu voo.
— Me responde Jane. Você está apaixonada por mim? – era nítida a confusão, a alegria, a felicidade e ao mesmo tempo o medo no rosto da loira.
— E se eu disser que estou, o que isso vai mudar?
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