Rizzoli And Isles - O amor por trás do caso
8 Capítulo 8
Notas iniciais
“Pouca coisa é necessária para transformar inteiramente uma vida: amor no coração e sorriso nos lábios...”
Um sorriso largo. Um sorriso lindo. Um sorriso de felicidade. Um sorriso não contido por ouvir as ultimas palavras dita pela melhor amiga. Um sorriso sincero, cheio de ternura, carinho, cumplicidade, amizade, medo, duvidas, mas ao mesmo tempo o mesmo sorriso que é esboçado por anos e anos de amizade. Porém com uma única diferença: amor.
Muitas das vezes em nossa vida não sabemos lidar com o que carregamos por dentro. Sentimentos. Essa pequena palavra que carrega um mundo de sensações, explicações e ilusões. Existem diversos tipos de sentimentos, os bons e os maus, o que gostamos e o que não gostaríamos de sentir, os que procuramos sentir e os que simplesmente surgem. Assim são denominados como amor, ódio, felicidade, saudade, raiva, tristeza e etc...
Jane havia descoberto que estava apaixonada por sua melhor amiga quando essa a beijou. Mas não que essa paixão tivesse surgido assim, por um simples beijo. Jane sabia que no fundo ela sempre esteve lá, mas foi despertada só agora. Nunca foi boa em lidar com seus sentimentos, principalmente que ha anos atrás, quando ela de fato havia conhecido Maura, ela soube que a loira havia despertado nela sentimentos que, até o atual momento, ela nunca havia deixado aflorar... Não sabia o que fazer, muito menos com o que estava sentindo! E aos poucos foram se aproximando, tornaram-se amigas e ela achou que isso fosse apenas o calor do momento. Sempre foram amigas. Melhores amigas. Tiveram momentos inusitados juntas. Maravilhosos, tristes, felizes, casos resolvidos, casos complicados, cumplicidade, parceria, lealdade e o principal: a amizade sincera. Sempre juntas. E como nunca soube o que fazer o que o sentia, entre tantas mil vezes, deixou isso para lá e seguiu normalmente a vida com sua amiga... Mas agora tudo estava diferente!
A campainha tocou...
Jane agradeceu mentalmente por a campainha ter tocado naquele momento. Aquele sorriso, aqueles olhos verdes brilhando, aquela pessoa, Maura, sua melhor amiga que lhe conhecia tão bem, se não melhor do que qualquer outra pessoa, estava lá e as duas sabiam o que aquele sorriso após as palavras ditas significava. Agradeceu, ou se não Jane não controlaria a vontade louca que estava de beija-la após seus olhos estarem na sintonia em que estavam. Caso contrário, seu plano não daria certo...
Ao ver quem estava do outro lado da porta, com a mesma facilidade em que o sorriso de Maura apareceu, desapareceu.
— Dean? – Jane perguntou surpresa por ver o agente do lado de fora do apartamento. Não estava esperando ninguém, muito menos ele. O agente sorriu para Jane e olhando dentro do apartamento da morena, notou que Maura estava lá. Acenou para ela com a mão e essa lhe acenou de volta, praticamente sem sorrir.
— Eu só vou para Washington amanhã. Então, quis vim ver se você queria carona e cia para ir para o aeroporto. – sorriu para Jane que ficou apenas encarando-o, como se nem tivesse prestando atenção no que o agente dizia. – Jane? – a morena sorriu.
— Ah, carona?
— Sim. Atrapalho? – perguntou olhando novamente para dentro do apartamento e notando que Maura estava parada, prestando atenção a tudo. Imóvel.
— Não, não. Bom, eu estava terminando as minhas coisas e o táxi que pedi deve estar chegando. Não precisa se preocupar, obrigada!
— Bom, nesse caso, nos encontramos amanhã então. Boa viagem, Rizzoli. E se precisar de alguma coisa, é só me ligar. – a morena mais uma vez agradeceu e ficou olhando o homem ir embora. Fechou a porta e se voltou para sala. Maura estava lá, do mesmo jeito que minutos atrás.
A loira a encarava, agora sem o lindo sorriso no rosto.
— Então era por isso que você não queria me falar? – apontou para a porta. – Por que vai estar com o Dean? É isso Jane? – a Detetive respirou fundo. Onde Maura estava querendo chegar com aquilo? Não queria estender mais aquele papo. Fugir sempre foi a solução né? Então.
— Maura, por favor... Se você não se importa, já esta na minha hora e eu preciso ir para o aeroporto. – mesmo com a vontade que estava de beijar a loira, Jane optou não prolongar aquele assunto ou teria que se explicar... E o pior: explicar seus sentimentos! Ela já havia tomado a decisão de ir para um treinamento, sem necessidade nenhuma, para ver se ficando longe ao menos conseguiria controlar tudo o que estava acontecendo e esquecer Maura. Lembrar-se dela apenas como sua melhor amiga. Será que a distancia seria suficiente?
Maura soltou um riso incrédula balançando a cabeça em negativo e foi andando até parar na frente da Detetive. Jane gelou ao ver a loira tão perto. Maura olhou-a nos olhos, como se quisesse entender tudo o que se passava com a morena, buscando respostas. Mas Jane nada disse. A loira se encaminhou até a porta. Não iria dizer mais nada, entendeu muito bem que Jane deu esse assunto por encerrado quando não respondeu sua pergunta. A morena tentou chama-la dizendo seu nome, mas a legista só parou na porta, olhou para traz mais uma vez.
— Adeus, Jane! – fechou a porta e foi embora.
Essas duas palavras pareciam de uma despedida sem volta, como se não estivesse feito a coisa certa. Respirou fundo outra vez, abaixou a cabeça e deixou que tudo ficasse por isso mesmo. Era melhor assim... E como uma boa policial, manteria seus sentimentos em cárcere privado! Gente que poderia descomplicar, mas adora complicar...
Maura estava triste, chateada, confusa, sem saber o que pensar. Há pouco tempo quase ouviu da boca de Jane que era apaixonada por ela. Mas Jane nada confirmou. Isso fez com que a legista ficasse mais confusa ainda. Não gostava de suposições, talvez nem fosse isso que Jane quisesse dizer. Mas então por que ela disse? Por que usou aquela forma para expressar o que talvez não pudesse ser? Chegou ao Necrotério ainda pensativa no que “não foi dito”.
Ainda no avião, Jane não conseguia parar de pensar em tudo o que havia acontecido. “Minha vida esta uma loucura... O que eu estou fazendo? O que deu em mim? Nunca fui assim... Deus, só posso estar louca mesmo...” E o avião decolou! Jane olhava para a cidade pensando na vida e em Maura. E assim seria a viagem inteira. E assim seria a estadia toda em Washington.
***
— Dra. Isles? Ok, já estou indo para lá. Obrigada.
Assim como o celular da Legista havia tocado, o dos Detetives também. Indicava um novo Homicídio.
***
— O FBI funciona como uma equipe de investigação de crime principal do governo dos Estados Unidos. Uma filial do Departamento de Justiça, a missão do mesmo é fazer cumprir as leis do país, defender-se contra ameaças urbanas e terroristas e prestar assistência a outros serviços repressivos a todos os níveis. Desde que o FBI lida com uma enorme variedade de investigações, um investigador/agente normalmente se especializa em um determinado campo. – começou dizendo sem nem ao menos dizer o “bom dia, sejam bem vindos todos à mais uma casa de aprendizagem blah blah blah..” Esses eram os pensamentos de Jane! – Bom, bom dia a todos, sejam bem vindos. Eu sou o Diretor James Comey e fico muito lisonjeado por estar lidando com os melhores policiais deste país. – salva de palmas foram escutadas. O Diretor estava ao lado do General, dois Supervisores e quatro Agentes.
Estava dada a largada! Jane estava “odiando” todo aquele falatório. No fundo, o FBI queria mandar em tudo e em todos. Vinham com esses discursos de que fariam de tudo pelo pais, trabalhavam junto ao governo, mas sempre metiam o bedelho nos casos da Policia. E Jane não gostava nenhum pouco. Na verdade nem entendia o porquê de estar ali, logo ali, com tantos agentes do FBI. Mas era para o seu bem e seria só um mês, passaria rápido...
Ficaram todos do recinto, que resultava em oito Detetives de diferentes Departamentos do país com sete oficiais da policia, ouvindo por um tempo todos os discursos. Diziam sobre como iria funcionar esses dias de treinamento e para que ele era destinado. Sobre os novos armamentos, os novos truques para as investigações e os disfarces a campo. Muitos conheciam a fama de Jane. Além dela sempre se destacar no estado de Massachusetts como a melhor Detetive junto com sua equipe, ela foi alvo de um serial killer por diversas vezes, resultando o envolvimento do FBI no caso. Conhecida também pelos casos solucionados e pelo ótimo trabalho, e claro, por ter se dado um tiro. Alguns vinham cumprimenta-la, outros apenas acenavam. Existia apenas ela e mais duas mulheres, o restante eram homens e todos contavam vantagem por isso, embora fosse apenas um lugar de trabalho. Por mais que não tivesse odiando tudo aquilo e não conhecesse quase ninguém, um grupo com dois homens e uma mulher se aproximou e começaram a conversar. Naquele dia não haveria treinamento, teriam o dia de folga para se instalarem e se familiarizarem com o lugar e com a cidade.
***
A cena do crime era em um bosque. Lugar esse aonde muitas pessoas costumavam fazer suas caminhadas matinais. Inclusive Jane e Maura. Os Detetives estavam todos conversando com algumas pessoas que estavam caminhando no parque, investigando qualquer tipo de prova que fosse. Maura atravessou a faixa amarela, caminhando em direção ao corpo. Havia alguns peritos e uns policiais tentando espantar os curiosos que se aproximavam.
O corpo era de um homem de mais ou menos uns 35 anos. Havia muito sangue em volta de seu corpo. O que mais chamou a atenção de Maura e dos Detetives foi o bisturi que havia fincado em seu peito e ao seu lado, do esquerdo para ser mais precisa, um boneco feito de palha, com a forma de um espantalho, com o “olho” pintado de roxo e uma blusa branca. Após examinar todo o local, checar alguns informações de pessoas que estavam no parque, todos voltaram para a Homicídios.
Chegando no Departamento, os Detetives foram para a Central e Maura para a cantina. Precisava tomar um café antes de iniciar a autopsia. Ângela sabendo o gosto da Legista, lhe serviu o café no balcão e notou que a loira estava cabisbaixa, triste.
— Maura querida, aconteceu alguma coisa? – a loira a encarou sem entender, com cara de confusão. – Digo, você está com uma carinha triste.
— Ah, não... Está tudo bem! Eu só... – fez uma pausa. – Ângela, Jane comentou com você que iria para Washington? Digo, te falou o motivo?
— Você conhece a Jane, né? Ela faz as coisas que da na cabeça e simplesmente avisa... – Maura soltou um riso. Sim, conhecia a autenticidade e impulsividade da Detetive. – Ela me ligou ontem à noite para avisar sobre a decisão. Embora eu tivesse dito que isso não era necessário, que ela não precisava ficar um mês fora, de nada adiantou. Ela resmungou e disse que já estava decidido! – percebeu a cara de paisagem de Maura... Sabia que havia acontecido algo entre elas. Respirou fundo e parou o que estava fazendo. – Vocês brigaram, não foi querida?
— Não! É... Nós só tivemos alguns desentendimentos. – Maura não sabia se podia contar à Ângela tudo o que tinha acontecido. Embora soubesse que podia contar com a italiana para qualquer coisa, não achava justo com Jane. Se acaso um dia eles viessem saber o que havia acontecido com as duas, os beijos e tudo o mais, seria por ela, por Jane. Mesmo querendo desabafar com alguém, contar sobre sua aflição relacionada aos seus sentimentos, aos acontecimentos, não faria. Não podia e não achava certo. Não por enquanto.
— Okay, querida! Eu entendo que você não queira me contar o motivo... Mas esses dias eu percebi o habitual mau humor de Jane e algo estranho entre vocês. – pegou na mão de Maura e lhe deu um sorriso. – Você sabe que eu estou aqui, para o que você precisar.
— Obrigada, eu sei que sim! – sorriu para Ângela também. Era bom saber que tinha o apoio dela, mesmo ela não sabendo do que se tratava.
Maura estava saindo da cantina quando encontrou com o Frankie na entrada da mesma.
— Hey Maura!
— Oi Frankie! – estava saindo quando ele a chamou.
— Você... Você está bem? Falou com a Jane hoje?
— Estou bem. Bom, nos falamos pela manhã antes dela viajar... – olhou para Frankie e não entendeu sua expressão – Por quê?
— Hã? Ah, não por nada... Só para saber! E vocês... Estão bem?
— Estamos bem? Como assim?
— Digo, Jane comentou com você que iria para Washington? E o que você achou?
— Ham... Bom, ela não havia comentado comigo nada sobre este assunto. Fiquei sabendo que ela ia pela manhã quando fui ao seu apartamento! E embora eu ache que ela não precise, ela sabe o que faz! – encarou Frankie novamente – Por que Frankie? Não entendi a pergunta...
— Nada não, Maura... Só para saber mesmo, já que Jane viajou correndo! Bom, se precisar de alguma coisa, saiba que estou aqui. – mandou um sorriso para a loira que sorriu de volta. Mesmo não entendendo o porquê daquela conversa, agradeceu e foi para o necrotério iniciar a autopsia.
Após iniciar a autopsia, Maura não deixava de pensar em Jane. Estava mentalmente abalada com tantos pensamentos passando por sua cabeça. E no final, nunca conseguia formar uma linha concreta sobre os últimos acontecimentos. Após algum tempo analisando o corpo, pediu alguns exames aos seus funcionários e ficou intrigada com a causa da morte e como ela foi gerada.
— Dra. Isles, descobriu a causa da morte? – perguntou Frost entrando no necrotério.
— Sim. Não. – a cara do Detetive era de confusão misturada com ânsia por estar vendo um cadáver. Era Detetive há anos, mas nunca se acostumava – Bom ele perdeu muito sangue.
— Então ele morreu por hemorragia?
— Não. Ele também teve esse bisturi fincado em seu peito, fazendo um grande corte e resultando a hemorragia.
— Então ele morreu por causa desse corte?
— Definitivamente não! – Frost franziu a cenho e encarou a médica. Definitivamente não estava entendendo aquela confusão toda. Se Jane estivesse lá, provavelmente tava fazendo algum sarcasmo totalmente irritada pela demorada e incompreensão de Maura.
— Então, nosso colega morreu.... – Maura o encarou confusa!
— Ele era seu colega, Det. Frost? – Frost segurou o riso. Claro, era Maura Isles.
— Não, Dra. Isles, eu não o conhecia. Estou esperando que você me diga quem ele é. Colega foi só foi maneira de dizer! – Maura fez um positivo com a cabeça, entendendo o que o rapaz havia acabado de dizer.
— Bom, eu fiz alguns exames e estou esperando os resultados. Ainda não sei sua identidade, só após os exames. Ele não ingeriu nenhum remédio, não tinha nenhuma doença crônica e levou esse corte feito com o bisturi, após morrer.
— Então ele morreu de que? Talvez pudesse ser algum assalto...
— Talvez! – Maura se encaminhou até maquina de raio x que ficava ao lado da mesa. – Ele levou um golpe na cabeça antes de levar o corte em seu peito, teve traumatismo craniano. Após, levou esse ferimento no peito e sangrou até morrer. Verifiquei o bisturi e não tinha nenhum digital nele.
Ficaram conversando mais algum tempo sobre a possível causa de morte e o motivo que o levou. Estavam praticamente sem pistas. As pessoas que conversaram no bosque, ninguém tinha visto nenhuma movimentação diferente naquela manhã, apenas o corpo. Olharam câmeras dos arredores, olharam os dados de registros de pessoas desaparecidas, de queixa sobre os mesmos, mas sem nenhum resultado. Só restava esperar os exames para saber quem era, contatar a família e seguir assim com as investigações.
Depois de algum tempo, Maura recebeu os resultados dos exames que esperava. Após analisar e descobrir quem era a vitima, mandou uma mensagem como de habito para avisar o Detetive. No caso, a Detetive. Ela havia mandado mensagem para Jane, como o habito, como se ela tivesse lá, trabalhando no caso. Respirou fundo e lembrou-se mais uma vez sobre a conversa que tiveram pela manhã. Uma tristeza tomou conta de si. Mas não se permitiria continuar assim, precisava trabalhar para espantar esses pensamentos. Mandou a mensagem para o Frost, o Detetive certo.
Após alguns minutos, os Detetives entravam no necrotério.
— Chamou, Dra. Isles?
— Sim. Aqui estão os resultados. – caminhou até a mesa e pegou alguns papéis. – Jack Torrance, 35 anos. Morto por traumatismo craniano devido ao golpe na nuca por um objeto não identificado, teve um corte de quatro centímetros em seu peito e teve hemorragia devo a muito sangue que perdeu. Pelo tempo da decomposição do corpo, ele morreu nesta madrugada.
— Então o corpo foi implantado no bosque? – perguntou Frost
— É possível. – respondeu Maura – Pedi para checarem as digitais nesse boneco, mas nada foi encontrado também.
— Deus, que bicho feio é esse? – perguntou Frost fazendo careta.
— Tá com medinho Frost? – ironizou Korsak – Parece um boneco de Vodu!
— Oh boy, isso é macumba? – perguntou se afastando
— Estudos dizem que os bonecos de Vodu são produzidos por voduístas. É um tipo de magia negra muito antiga, com intenção de prejudicar uma pessoa. Antes eram conhecidos como Kolossoi. Principalmente usados por quem pratica a magia negra, eles podem ser espetados por alfinetes ou agulhas, que é uma pratica de amaldiçoar um individuo. Por exemplo, cada ponto do boneco que é furado, a pessoa sentirá a dor no corpo, na cabeça, nos braços e pernas e se for atacado no coração, a pessoa pode até morrer. – os Detetives ali presente prestavam atenção em tudo o que Maura dizia, com cara de assustados. Embora suas crenças, aquilo não era comum.
— Estamos lidando com um caso de um assassino autor de mistérios? Voduísta? – perguntou Korsak. Os três se entreolharam. Sabiam que teriam um trabalho árduo com esse caso...
***
Após algumas horas no quarto que seria “seu” durante um mês, Jane olhava para ele tentando entender o que aquilo significava. Realmente não tinha necessidade de estar em um tipo de treinamento, não com o FBI que ela sabia muito bem no que aquilo resultaria. Mal havia ficado longe do trabalho e já sentia saudades. Sua vida sempre foi essa: trabalho, pegar bandidos, casa, trabalho... Não se sentia bem presa a um lugar, quando poderia estar ajudando nas buscas. Sentia falta também de sua equipe. Sentia falta de Maura e da sua boca de Google – boca... – Definitivamente Jane não sabia o que estava fazendo ali. “Aonde eu tava com a cabeça?”
Ouviu um batido em sua porta!
— Hey, Rizzoli! Eu e a Rafaela vamos ao Wash Pub. Viemos ver se você não quer vir com a gente! – perguntou Anthony. Anthony Hugh, Detetive do estado de Nova Iorque. Ele e Rafaela, Rafaela Cezario, Detetive do estado da Califórnia, conheceram Jane na apresentação do diretor do FBI. – Rola música boa, gente bonita e muitos drinks. – falando dando uma risadinha para a Detetive. Jane não pensou duas vezes antes de aceitar, já estava mesmo querendo tomar uma cerveja gelada.
— Claro! Me dão cinco minutos que encontro vocês na entrada. – falou dando uma risada para eles. Eles sorriram de volta e saíram.
Jane tirou algumas coisas de sua pequena mala, pegou seu celular e só então notou que ele estava sem bateria. Colocou para carregar, trocou de blusa, se olhou no espelho, viu que estava confortável e saiu ao encontro dos novos colegas Detetives. O bar ficava próximo ao hotel em que estavam.
Ao chegarem no bar, estava meio vazio. Era um bar simples, porém sofisticado. Tinha uma decoração colonial, mas ao mesmo tempo moderna. Uma garçonete os encaminhou para uma mesa. Fizeram seus pedidos e começaram a conversar, para se conhecerem melhor.
— Então você é a famosa Det. Rizzoli? – perguntou Rafaela em tom de brincadeira.
— Ai, ouvi bárbaros sobre você, querida! – disse Anthony.
— O quê? De mim? – perguntou Jane curiosa. Como aquelas pessoas a conheciam? Em seguida chegou a garçonete e entregou as bebidas para cada um.
— Típico de vocês beberem cerveja! – ironizou Anthony. Jane levantou a sobrancelha e o encarou desentendida.
— Típico de que? – perguntou
— Qual é, cerveja é a melhor bebida que existe. – respondeu Rafaela.
— Exato. Ruim é esses drinks doce que você esta bebendo. – disse Jane.
— Cerveja é ruim! Amarga, sem gosto. – fez cara de nojo – E é claro que vocês gostam né, queridas.
— Porque é boa, querido. – brincou Jane. Todos deram risada.
Ficaram por alguns minutos observando o local. O bar era aconchegante, iam muitas pessoas que trabalhavam pela redondeza.
— Fala um pouco de você para gente, Rizzoli! – disse Anthony fazendo as duas mulheres o olharem.
— Ham, bom! Essa vai ser boa – deu uma risadinha e uma respirada – Como já sabem, trabalho na Homicídios de Boston e moro por lá. Dirijo um Mercedes, tenho uma cadelinha e uma família italiana da pesada. – os outros Detetives deram risada. Jane era engraçada – Amo o meu trabalho e sinto que com ele não posso mudar o mundo, mas tento tornar um lugar melhor para vivermos.
— E o que te traz aqui?
— Faço a mesma pergunta desde a hora do discurso mais cedo! – disse revirando os olhos.
— Ué, pensei que quisesse entrar para o FBI! – disse Rafaela – Eu quero e muito. Bom, mas já que não quer entrar para o “bando”, o que a fez vir para um treinamento desses? Todos nós sabemos da sua conduta e de seus casos como Detetive de Boston.
— Ah, bom... Estava precisando de férias e resolvi vir dar uma passeada e atirar com as armas modernas do nosso país. – disse com o sarcasmo. Ambos deram risada. E claro, Jane ficou pensativa. Realmente não tinha motivos para estar ali, não estava feliz. Sua felicidade estava em Boston, lugar da onde nunca deveria ter saído.
— Com uma vida dessas, isso para mim cheira a romance! – disse Anthony.
— Romance, eu? – ele assentiu – Sério? Tipo bela e a fera? To até me sentindo no castelo com esse bar. – Rafaela caiu na gargalhada. Jane conseguia ser engraçada e rabugenta ao mesmo tempo. Mal sabiam eles.
— Ai que mau gosto! – disse ele dando um tapinha no ombro da Jane, que o encarou com os olhos franzidos – Ai vamos falar da Marilyn More com Elvis Presley, vamos falar da Diva Madonna com o Jesus Luz. E que Jesus, pecado... – disse se abanando. Jane estava desacreditada das coisas que ele dizia. Realmente ele não podia estar falando sério. – E não me olha com essa cara, eu sei que tenho bom gosto. Dentro do trabalho sou o Det. Hugh, aqui com vocês sei que posso falar dos homens bons da vida... – Jane continuava olhando para ele desacreditada. Nunca que olhando para ele poderia imaginar sobre esse “lado bom da vida” como ele citou. Mas deu risada. Ele era engraçado e no fundo seria uma boa diversão para sua estadia. – Agora é sua vez, Cezario. Conta um pouquinho de você para gente, querida.
— Não tenho muito que contar também. – disse dando um gole em sua cerveja. – Bom, eu sou brasileira, moro em CA faz dez anos. Me mudei para cá para estudar após terminar o colegial. Sempre quis ser policial... Desde pequena ficava assistindo aquelas séries com casos policiais e minha vontade só ia aumentado. Ai vi uma oportunidade, me formei e mudei para cá. Fiz todos os cursos e treinamentos para entrar para a policia. E cá estou, tentando realizar outro sonho que é entrar no FBI.
— Brasil? – perguntou Anthony animado – Sempre vou para lá nas minhas férias. Adoro aquele lugar, o Rio de Janeiro é divido. Belas praias, gente bonita e animada... São Paulo tem um clima rico, fino delicioso. Os lugares históricos são lindos.
— Também adoro viajar para lá todas as vezes que ganho algum postal. – disse Jane, ao que fez os dois dets. rirem!
— Eu morava em São Paulo, mas conheço o Rio também. Adoro aquele país. Sempre que posso também vou para lá, embora aqui seja o meu lugar.
— Ai você precisa conhecer Rizzoli! Assim que tiver uma oportunidade, vai para lá!
— Quem sabe um dia... – disse Jane com um sorriso.
Ficaram por mais um tempo conversando. Anthony falou de sua vida e em como se tornou Detetive. Assim como Jane e Rafaela. A conversa estava fluindo animadamente e gostosa, em meio as bebidas que tomavam. Rafaela e Anthony eram pessoas do bem e super engraçados. Sempre que Jane soltava uma piadinha ou o seu sarcasmo, eles davam risada. Estavam adorando a companhia de Jane. E como todos os assuntos surgem, tinham que falar de seus respectivos amores.
— Ah, eu morava com um bofe em NY, mas nossos trabalhos não conciliavam e ele exigia muito a minha presença, então, decidimos nos separar. Eu não vou largar o meu trabalho. Amo o que faço e quem quiser ficar comigo, que seja respeitando, entendendo e partilhando do mesmo. – disse Anthony.
— É... Esse negocio de trabalho com relacionamento é complicado! – falou Jane.
— Por quê? O seu “negocio” também não deu certo por causa do trabalho? – perguntou Anthony
— O que? Não não... Não foi isso que eu quis dizer, eu só... – ficou pensativa. Em seguida, deu um risinho – Eu nunca dei certo com relacionamentos. Então, meu trabalho é casado comigo.
— Você? Conta outra Rizzoli!
— É, também, outra vez não tenho muito o que contar sobre romances! – disse Rafaela dando risada. – Acho que esse negócio não é pra mim não.
— Gente! Espera que vamos fazer uma sessão agora. – disse Anthony batendo na mesa. – Vamos, me contem... Quem foi a moça que machucou o coraçãozinho de vocês? – Jane que estava dando um gole em sua cerveja, quase engasgou com o final da frase. Anthony a olhou de boca aberta. Sabia que tinha acertado em cheio. Jane sem saber o que dizer, só o encarou com os olhos arregalados. Anthony caiu na gargalhada. – Qual o espanto, Rizzoli? A mim você não engana não, querida! Nem você e nem a Cezario.
— Mas é claro que eu não te engano, porque não tem nada para enganar e nem é nada disso... – Jane se embolou nas palavras – Disso ai que você tá dizendo! – tentou não encara-lo, mas o mesmo a encarava com as mãos na cintura, como se realmente soubesse que ela estava mentindo e que era isso sim.
— Você, com esse jeitão de “sou mais macho que muito homem”, toda trabalhada no preto básico, cara de poucos amigos, temperamental, forte e com instinto de predominância, não faz o estilo lady que senta de pernas cruzadas, passa creme no corpo todos os dias e fica com homens. N-ã-o t-e-m. – Anthony fez questão de dar ênfase em suas ultimas palavras. Mostrou que a ele, Jane não enganava. Jane o encarava totalmente desacreditada. Não era possível que ele estava dizendo aquilo mesmo, não com toda aquela naturalidade de como se conhecesse ela ha anos, quando na verdade se conheciam fazia algumas horas. Mas ele parecia imbatível. – E se me disser que fica com homens, pois bem... Eu vou dizer que a briga deveria ser boa em quem dominaria a relação e o quanto isso deve ter te custado tempo jogado fora quando na verdade você não dava certo com ninguém enquanto perdia tempo de encontrar sua verdadeira felicidade.
Tá, okay... Por essa ela não esperava. Jane estava boquiaberta. Não conseguia dizer nada. Pensou em um primeiro instante ficar brava e mandar ele ir cuidar da própria vida, que da dela ela sabia cuidar muito bem, obrigada. Mas não! Talvez aquelas palavras tivessem algum sentido e ele realmente tivesse um pouco de razão, mas só um pouco talvez... Por que admitir isso para si mesma era algo muito difícil. Assim como admitir que estava apaixonada por Maura era algo que ela lutava constantemente. Mas o que fazer? Dizer que ele estava completamente ou levemente com razão? Dizer isso a uma pessoa que mal conhecia, e o pior, que seria seu colega de trabalho? Talvez não fosse o apropriado. Talvez pudesse ser bom desabafar com pessoas que mal sabiam de sua vida, que não fosse trabalho. Talvez isso pudesse lhe custar alguma dificuldade, mas depois alguma ajuda em como esquecer a melhor amiga. Talvez Rizzoli conseguisse falar...
— Será que podemos mudar o foco de mim, Ronaldo Esper? – disse Jane tentando fingir que estava brava, mas era nítida a confusão em seus olhos e os dois notaram isso. Anthony deu uma risadinha de lado olhando para ela e depois suspirou tomando um gole de seu drink. Assim, as outras mulheres também o fizeram.
***
Maura estava em seu escritório terminando um relatório quando ouviu batidos em sua porta.
— Dra. Isles, encontrei algo. – disse Susie entrando em sua sala.
— O que é isso Susie?
— É um tipo de um bilhete. Ele estava dentro das roupas da vitima. – Susie entregou o bilhete para Maura, que ao ler fez uma cara de espanto.
— Oh meu Deus, eu preciso mostrar isso aos Detetives. – disse se levantando de sua cadeira – Obrigada, Susie.
Maura fez o trajeto do necrotério até a sala dos Detetives apreensiva. Aquele bilhete significava algo. Algo que não era nada bom.
— Det. Korsak, os meus funcionários encontraram isso ainda pouco na roupa da vitima. Achei que deveria mostrar a vocês o quanto antes.
— O que é isso, Dra. Isles? – perguntou Frost.
— É um bilhete.
Assim que Korsak abriu o tal bilhete, dando espaço para que Frost também pudesse ler, os três se entreolharam e se entenderam pelo mesmo. Aquilo não era nada bom.
“Olá Detetives. Olá Dra. Isles.” — Korsak leu em voz alta o conteúdo do bilhete.
— Oh meu Deus, outro serial killer querendo brincar com a nossa cara não! – disse Frost sentando-se de novo. As pistas já eram poucas sobre o assassino, quase não obtiveram sucesso em nada durante o dia. Tudo o que não precisaram era de um bilhete desses.
***
Após as boas e as más conversar no bar, as risadas, as cervejas e as companhias agradáveis, Jane se encontrava em seu quarto deitada tentando ligar seu telefone, que até então estava carregando, sem bateria. Após algum tempo pensando se tomaria banho ou não, se ligaria para sua mãe ou não, se iria conseguir parar de pensar em Maura ou não, seu celular vibrou indicando uma mensagem.
“Tenho algo. Venha aqui. – Maura.”
Após ler essa mensagem, o coração de Jane disparou. Como Maura havia mandado aquela mensagem sem nexo para ela? Tudo bem, poderia ser sem nexo, mas era de Maura, algo que ela não esperava... Hesitou em responder. Responder o que? Falar o que? Mal sabia se Maura ainda queria conversar com ela depois de tudo... Mas a vontade que tinha era de responder, só não sabia o que.
“Dizem por ai que o amor não morre, ele mata!”
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