Notas iniciais
Hey! Esse capitulo tá engraçado e acho que vocês vão gostar! Eu peguei algumas falas do episódio 1.6 porque sou dessas #lixa rs Alguém ai gosta de jogar "Verdade ou Consequência"?

E o caminho até o alojamento foi tranquilo. Tranquilo?

Jane estava brava. E como se não bastasse, uma brava cinco vezes mais insuportável com sono.

— Maura, depois desse caso eu nunca mais vou querer trabalhar infiltrada assim. Toda vez quem tem que ir sou eu, tudo eu, droga! – Jane falava bufando – Tudo bem que no final consigo pegar o culpado, mas sempre acontece alguma coisa de ruim. No outro caso a gente ficou sem se falar, no outro quase tive que sair com a mulher que trabalhava no bar. Espero que nesse não me renda nada além de achar o sujeito e acabar de vez com esse joguinho de serial killer.

— Jane! Eu estou com você, vou te ajudar no que for preciso. Para de reclamar, isso logo vai acabar e não vai acontecer nada de ruim.

— Assim espero. Porque eu não vou aguentar mais uma noite naquele alojamento esquisito com festas esquisitas!

Maura caiu na gargalhada. Jane conseguia ser ainda mais reclamona quando estava com sono.

Chegaram e foram direto para o quarto. Jane só queria dormir, teriam poucas horas de sono até terem que voltar a circular pelos corredores da Universidade. Ao amanhecer, Frost e Korsak iriam atrás do dono da tal digital, ao que tudo indicava que também estudava na Universidade.

Tirou suas botas e se jogou na cama de qualquer jeito.

— Jane, você não vai tirar essa roupa e escovar os seus dentes? – disse Maura ajeitando o travesseiro.

— Não, Maura. Só quero dormir logo antes que amanheça.

— Estudos dizem que se você não fizer sua higiene bucal diária, no mínimo três vezes ao dia, a tendência de você criar carie é relativamente cinco vezes maior do que as pessoas que fazem regradamente. A começar pelo fio dental! Você sabia que o fio dental foi inventado pelo.. – mas Maura foi cortada por uma Jane bufando.

— Maura, qual é... Você vai querer mesmo ficar falando de dentista a essa hora? Eu só quero dormir em paz. – reclamou cobrindo a cabeça com o travesseiro – E eu já escovei meus dentes antes de irmos para a Central.

— Mas já faz tempo que você escovou. Além das caries, você...- mais uma vez interrompida

— Shhhhh! Você não consegue deixar essa boca de Wikipédia calada nem por um minuto?

Maura olhava para Jane com cara de brava. Odiava que ela a chamasse de Wikipédia. Cansou de dizer a ela o quanto aquele site não era confiável, pois algumas vezes não estava correto. Mas nem ia dizer o contrário, Jane só iria reclamar mesmo. E a morena conhecendo o jeito de Maura, levantou uma parte do travesseiro que cobria o seu rosto e olhou a cara dela com apenas um olho. Como imaginava, a cara da Legista era a mesma de todas as vezes a que a chamava de “Wikipédia”. Sorriu. Maura não mudava nunca. Não entendia o seu sarcasmo e fazia sempre a mesma cara linda. “Linda?” Jane se perguntou mentalmente se realmente tava achando a cara de brava da Maura linda. “E desde quando a cara de brava dela era linda?” Só podia estar com muito sono mesmo.

— Vem dormir Dra. bravinha. Amanhã escovo meus dentes cinco vezes mais pra limpar todas as cáries. – mandou um sorriso para Maura e fez gesto para que ela se deitasse.

Já passava das 5h da manhã. Maura não conseguia dormir. Levantou se, pegou um copo de água gelada e notou que Jane se mexeu na cama. Aproximou-se e notou que ela estava acordada.

— O que foi agora, Maur? – uma voz mais rouca do que o comum, Jane murmurava.

— Não consigo dormir, Jane. – respondeu sentando na cama.

— Qual é, Maura... Tenta dormir pelo menos um pouco. Eu sei que essa não é sua cama vinda de Paris feita pelo Papa XXV, que esse travesseiro não é de penas de Ema da Índia e nem esse cobertor é de 245mil fios vindo da Indonésia, mas você precisa descansar pelo menos um pouco ou amanha esse rostinho bonitinho vai ter olheiras.

— Jane!

— Tá bom, Maura... O que aconteceu pra você não conseguir dormir? – falou se virando para ela.

— Tava pensando nesse caso, na Cristine... Jane, você nunca teve vontade ou curiosidade para ter um relacionamento com mulheres? – a Legista perguntava animada

— Really? Você realmente me acordou para perguntar se eu quero virar gay, Maura? – Jane a encarava como um cão raivoso

— Fico pensando no tipo de mulheres que gostaríamos se gostássemos de mulheres.

— O que? Maura, são 6h da manhã e você fica imaginando essas coisas, pensando em que tipo de mulheres gostar enquanto temos um assassino pra pegar?

— Você definitivamente não faria o meu tipo. – rebateu Maura deitando novamente.

— O que significa com eu não seria o seu tipo?

— Porque você é mandona, Jane Rizzoli!

— Você também é. Do seu jeitinho suave e gentil, também é mandona.

Maura então se sentou na cama novamente, cruzou as pernas e fechou os olhos.

— O que você esta fazendo, Maur? – perguntou sem entender a posição da loira.

— Meditando. É muito estressante discutir com você.

— Okay. Talvez eu devesse ser uma lésbica.

— Bem, desejos podem se tornar realidade. – ainda em posição de meditação

— E eu definitivamente seria o homem!

— Isso é clichê. Por que seria o homem? – Maura voltou a deitar na cama encarando Jane animadamente.

— Porque sim!

— Porque você é mandona?

— Eu não sou mandona. E eu não sei por que to falando disso com você. Você fica com essas ideias moderninhas e não me deixa dormir. Boa noite, Dra. Isles. – e se virou pro outro lado.

Maura ainda desacredita que Jane havia deixado ela falando sozinha, virou para o outro lado para também tentar dormir.

Quem não conseguia dormir agora era Jane. Pensava no que Maura quis dizer com “ela não fazer o tipo dela”, de ficar imaginando qual seria o tipo de mulher que gostaria se fosse gay. Ela falava aquilo com tanta naturalidade, como se no fundo já tivesse tido algum tipo de sentimento ou desejo por outra mulher. Será que ela já havia tido? Será que Maura já havia tido algum tipo de envolvimento com outra mulher? E porque não ser o tipo dela? Qual seria o seu tipo? Ia perguntar para Maura sobre isso. Virou-se para olha-la e então pôde notar que ela já estava dormindo. Voltou para o outro lado ainda pensando sobre o assunto. Sobre se ela realmente deveria ser lésbica, afinal, todos comentavam e acham que ela era. Não sabia se era pelo fato dela ser uma policial ou por não ter sucesso em seus relacionamentos. E pensando nisso, se permitiu a pensar em como seria a mulher pelo qual ela se interessaria... Se seria outra policial, uma modelo, alguma jogadora de time de futebol. E se possível, torcedora do Red Sox. E que Maura seria a primeira excluída de sua lista, já que ela era um gênio boca de google que não ficava quieta por muito tempo. Que saia falando e filosofando sobre estudos sobre qualquer assunto, que não gostava das mesmas coisas que ela, que era cheia de requintes e moda, que vivia arrumada como se você sair em uma foto para capa de revista. Que...Até para comparar mulheres, Maura era a primeira da sua lista, pois sabia TUDO da Legista! Mas foi interrompida dos próprios pensamento com um “ Really, Jane?”. Virou-se ficando de bruço, colocou novamente o travesseiro em cima de sua cabeça com o intuito de espantar os pensamentos para então voltar a dormir.

***

Era 8h da manhã quando foram despertadas do sono pelo celular de Jane tocando com o despertador. A morena bateu a mão no criado mudo que ficava ao lado da cama para pegar o celular e parar com a musica. Olhou para o lado e não encontrou Maura. Chamou seu nome e ela não respondeu. – Onde será que ela está?— Foi até o banheiro e notou que a porta estava apenas encostada. Abriu na intenção de ver se a Legista estava lá. E ela estava... Apenas de roupão. Um roupão branco que estava meio caído de lado, deixando aparecer seus ombros que continham sardas. Passava creme em sua perna num movimento delicado, suave e gostoso. Jane não conseguia falar nada, apenas ficou olhando aquela cena por segundos. E lá estava a ela, que não ficava um dia sem se embelezar! “E como ela era linda passando creme em suas pernas. Como as sardas davam um charme em seu ombro, seguido do colo... Não Jane, não. O que anda acontecendo com você? Deu pra ficar admirando sua melhor amiga agora? Definitivamente deve ser o cansaço afetando meus pensamentos”...

E então Maura notou sua presença.

— Hey, bom dia. – falou com um sorriso meigo e doce, que Jane conhecia muito bem.

— Bom dia. – mandou um sorriso – Maur, você deveria trabalhar para a Jequeti! Parece uma revendedora ambulante com esse monte de produto que você carrega na sua bolsa.

— Jane! Isso não é Jequiti, é Natura. Os cosméticos da Jequiti não são tão bons e não combinam com o meu tipo de pele. – Jane a encarava com a sobrancelha levantada – Você sabia que na formulação dos produtos, eles... – foi interrompida, claro.

— Tá, tá, antes que comece a filosofar, já entendi que é uma droga. Quando terminar de usar o SPA, me avisa que quero escovar meus dentes. – Jane ia saindo, quando voltou ao banheiro. – E não demora porque quero tomar café ainda hoje.

Maura mandou um sorriso amarelo e continuou a passar o seu creme pelo corpo. – Jane e seu mau humor.— Em seus pensamentos, nem demorava para se arrumar.

Jane foi fazer sua higiene matinal enquanto Maura saia para comprar o café das duas. No meio do caminho, a Legista encontrou outra mulher que fazia parte da Fraternidade. Ela estava com alguns panfletos e um caderno de anotações na mão. Parou para falar com ela e então ela lhe entregou um flyer, dizendo que se tratava de outra festa que teriam em homenagem a Cristine. E que na festa haveria muitas brincadeiras entre casais. Caso elas quisessem participar, que avisasse a ela para colocar o nome na lista.

Maura não hesitou em dizer que elas iriam participar da tal festa com jogos para casais. Abriu um sorriso e ditou os nomes das duas. Pensou que talvez Jane pudesse não gostar, mas ela iria convencer a morena que seria uma experiência divertida e que também seria ótimo para continuar com o disfarce. Ao que no final das contas, elas iriam.

Foi até a cantina, comprou um cappuccino para Jane e para ela um suco de laranja. Não ia tomar o café daquela cantina, já que não era seu café orgânico, descafeinado e com grãos altamente selecionados.

Ao chegar no alojamento, Jane falava ao telefone com Frost.

— Alguma novidade sobre o caso? – Maura perguntou entregando o café para Jane.

— Frost me ligou para dizer que a digital pertence a Michel Neat. Ele é o capitão do time de Beisebol da Universidade.

— Então quer dizer que ele estuda aqui?

— Sim. Frost e Korsak estão vindo para buscar ele pra levar para a Central. – encarou a loira e zombou – Aposto que você não ta tomando café porque não é café orgânico, descafeinado e com grãos altamente selecionados.

— Não mesmo. Você tem noção da quantidade de agrotóxicos que eles usam nas lavouras de café, Jane? A maioria é feita com grãos transgênicos, o que ainda não existe um estudo concreto sob seus efeitos ao organismo e o excesso de cafeína é prejudicial à saúde. – explicou a Legista. Jane ria desacredita do quão era obrigada a saber de tudo aquilo mesmo contra sua vontade.

— Okay, já entendi google. Mas eu não vou deixar de ficar cafeinada, marrom e seja mais lá o que você acha de ruim. Agora vamos, temos que circular por ai antes de irmos para a Central. – falou se encaminhando até a porta.

— Jane? – disse a loira

— O que foi Maur?

— Quando fui até a cantina, encontrei algumas mulheres da Fraternidade e uma delas, a Jéssica, me entregou um panfleto. Vão fazer uma festa em homenagem à Cristine e querem nossa presença!

— E é claro que nós não vamos.

— Jane! Não é de bom tom recusar convites. Ainda mais quando esse convite é para homenagear uma pessoa que foi brutalmente assa.... – foi interrompida por Jane encarando-a.

— Dra. Maura Isles, o que a você está querendo dizer com isso? – esbravejou a Detetive.

— Que eu disse à Jéssica que iria confirmar com você. – disse de cabeça baixa, esperando a reprovação de Jane.

— Oh – Jane apontava o pescoço de Maura. – Tá começando avermelhar!

— Ohh... Jane, isso pode ser bom para o nosso disfarce e eu realmente... – interrompida de novo

— Maura? – continuou a encarar.

— Okay! Eu confirmei nossa presença no evento e nosso nome já está na lista! – respondeu com um lindo sorriso nos lábios, movimentando levemente a cabeça em direção ao ombro, deixando Jane sem resposta.

— Maura... Maura, você... Você não tem jeito. – rebateu bufando – Vamos logo antes que eu saia correndo daqui e acabe com esse disfarce.

Saíram do quarto e foram caminhar pela Universidade.

***

Caminhavam novamente naturalmente como um casal. Todos os outros casais de gays as achavam lindas, como se fosse num encaixe perfeito, uma feita para outra. E claro, Jane ficava sempre alerta, olhando a tudo e a todos. Vez ou outra também notava a cara de feliz e admirada da Legista com tudo aquilo. Ela parecia gostar e Jane não conseguia entender o porquê, já que estavam apenas disfarçadas.

Logo o celular de Jane tocou avisando ser uma mensagem de Frost.

— Vamos Maura. Frost já interrogou o Michel. Podemos voltar para a Central. – a Legista assentiu sorridente e rumaram para Central.

Ao chegarem no departamento, Jane foi para seu andar e Maura para o necrotério para ver como estavam as coisas e procurar novas pistas.

— Hey Frost, Korsak. – Jane os cumprimentou.

— Jane, bom dia. – respondeu Frost

— Hey Jane. – disse Korsak.

— E então, como foi o interrogatório?

— Michel é o capitão do time de Beisebol da BCU. Ele nega ter qualquer tipo de envolvimento com a morte de Cristine. Disse que na noite em que ela foi morta, ele estava treinando. – respondeu Frost

— Mas ele passou por todos aqueles casais quase no final da festa.

— Ele disse que passou por lá porque o quarto no alojamento em que ele fica, é ali perto. Por isso fez esse caminho.

— Conferiu o álibi dele?

— Conversamos com o treinador dele e ele confirmou. Olhamos também as câmeras e tudo confere. – respondeu Korsak.

— Ele inclusive citou que não tem nenhum tipo de contato com as pessoas que participam dessa Fraternidade. Ele não é a favor de casais gays, mas garantiu que não matou nenhuma daquelas mulheres.

— É o que veremos. – falou Jane. – Onde está Frankie?

— Na sala do Cavanaugh!

— Frost, consegue um mandado para examinarmos o alojamento de Michel? Vamos trazer todo seu equipamento de Beisebol para análise.

— Agora!

— Algo me diz que ele está nos escondendo alguma coisa. – concluiu a Detetive. – Korsak, vamos dar uma analisada nos outros jogadores do time também. São quantos ao total?

— Em torno de vinte! – respondeu o Sargento.

— Okay! Frost peça para os outros jogadores do time de Beisebol virem depor também. – Frost fez um gesto afirmativo e saiu da sala.

E a manhã correu tranquila na Homicídios de Boston. Todos estavam trabalhando arduamente nesse caso. Jane e Korsak ficaram checando as fichas dos outros jogadores do time de beisebol enquanto Frost e Frankie iam até a BCU para convocar os jogadores para um interrogatório.

Maura estava no necrotério examinando todos os exames novamente. Não havia encontrado nenhum indicio de drogas, nada que indicasse que ela foi violentada sexualmente e nenhum tipo de reação a agentes químicos.

— Rizzoli, você e a Dra. Isles precisam voltar para a Universidade. Não podem correr o risco de serem vistas enquanto interrogamos os outros jogadores. – disse Korsak.

— Vou ver se Maura tem alguma coisa e depois vou para casa.

— Não vão voltar para o alojamento?

— Vamos. Maura inventou de irmos a outra festa agora. – falou revirando os olhos.

— Festas? Tá evoluindo cada vez mais em seus disfarces hein, Rizzoli! – disse rindo.

— Korsak, da próxima vez quem vai pra essas festas em disfarce vai ser você, Frost e Frankie. – falou colocando seu casaco. – Me mantenha informada. – Korsak fez um gesto positivo e então Jane saiu da sala.

Jane chegou ao necrotério e notou pelo vidro que a Legista não estava lá. Caminhou até a sua sala e então avistou a loira sentada com uns papéis na mão.

— Me diz que você encontrou uma nova pista? – perguntou tirando-a de sua concentração.

— Hey Jane! Eu estava terminando de analisar o último resultado que Susie trouxe para mim.

— Eee....?

— E que Cristine tinha em seu organismo estrogênio e progestogênio.

— Que na minha língua é?...

— Anticoncepcional.

— Ela queria evitar filhos? Mas ela mantinha um relacionamento sexual com outra mulher. – falou Jane confusa.

— O anticoncepcional além de manter o controle da natalidade, pode prevenir doenças ovarianas, normalizar o clico menstrual. Também é utilizado no tratamento de acne e hirsutismo.

— Então ela estava tentando fazer um ursotismo, virar uma ursa? – perguntou ironicamente.

— Hirsutismo são presença de pelos terminais na mulher.

— Really? Cristine morreu por causa de uns pentelhos terminais?

— Jane!

— Okay google! Vamos. – falou Jane ainda rindo da cara de Maura. – Vamos almoçar para depois voltarmos para o alojamento. Frost e Frankie foram buscar os outros jogadores para interrogar e eles não podem nos ver aqui.

Passaram na cantina e encontraram com Ângela que preparou um delicioso almoço para as duas. Conversaram um pouco sobre o caso e Jane sempre reclamando. Reclamava mais ainda que estava com saudades de sua cama e tinha que dormir naquele inferno, como ela mesma se referia. Ângela e Maura riam do mau humor de Jane, nem se importando, pois conheciam a morena e seu drama. Despediram- se de Ângela e foram para casa tomar banho. Jane deixou Maura em sua casa e avisou que no final da tarde passaria lá, que ela não demorasse ou ia dormir sozinha.

***

Já passava das 18h quando Jane avisou Maura que havia chegado.

Do carro, a Detetive pode avistar a Legista vindo em sua direção. Ela usava um vestido tomara que caia vermelho que ressaltava suas sardas, com um decote em V nas costas formado por uma correntinha dourada. Um salto preto. O cabelo preso em um coque sensual que ressaltava seu colo amostra. Uma maquiagem leve marcando os olhos e um sorriso mais lindo e encantador do que nunca. Sim, Jane se permitia admirar a melhor amiga, a boca de Wikipédia que parecia o gênio ambulante mais lindo de Boston. Não que ela não achasse Maura linda absurdamente, mas algo estava diferente e ela temeu pensar se esse algo era o vestido e Maura ou ela mesma. Como tudo o que Maura usava, aquele vestido ficou perfeito em seu corpo, marcando as belas curvas que possuía.

— Jane?... Jane?.. – Maura estalou os dedos para chamar sua atenção

— Hã? Oi?... Ah, hey Maur. – Jane não tinha notado que a loira havia entrado no carro. Agora estava mais apreensiva, pois sentia o cheiro inebriante de seu perfume. E apesar de já ter sentido por diversas vezes, a Detetive vinha se sentindo incomodada com o cheiro... Era como se ele deixasse uma marca que teimava em não sair de seus faros...

— Vamos? – mais um sorriso perfeito aos olhos de Jane.

— Vamos, né? E tem outro jeito?

— Jane, você nem se arrumou? – Maura a encarava desacreditada.

— Você queria o que? Que eu colocasse um Fraque pra acompanhar o seu Gala, Rainha Elizabeth? To bem assim. – respondeu ironicamente.

Maura a olhou incrédula. Resolveu nem responder, pois sabia que Jane não trocava sua inseparável bota com calças largas e blusas básicas. Foram o caminho inteiro combinando que essa seria a ultima festa que elas iriam. Jane ainda dizia que iam ficar no máximo 10 minutos e voltariam para o quarto, estava muito cansada e não gostava de festas.

Chegaram e a festa já havia começado. As duas cumprimentaram Jéssica que estava na porta e entraram. Ao entrarem, notaram que havia vários cartazes e um quadro com uma foto de Cristine, em sua homenagem.

Jane estava inquieta. Definitivamente ela estava detestando essa missão.

— Maura, vamos ter que ficar muito tempo aqui ainda? – disse bufando.

— Mas não faz nem meia hora que chegamos. Relaxa, a festa esta divertida, vamos nos divertir com elas. – respondeu Maura com um lindo sorriso no rosto enquanto passava suas mãos por trás de Jane, na cintura, como se fosse abraça-la.

— Maaaauurr... – tentou se afastar.

— Calma, Jane! Dessa vez eu não vou te beijar.

— Acho bom mesmo... Esse pesadelo está chegando ao fim, estamos prestes a descobrir quem é esse desgraçado! – exclamou a morena.

— Oi meninas, desculpa interromper o papo de vocês. Montamos um grupo e vamos começar agora a jogar “Verdade ou Consequência”. Vocês gostariam de jogar com a gente? — convidou Jéssica.

— Acho... – Jane foi interrompida.

— Nós adoraríamos, não é, benzinho? — disse a Legista toda empolgada

Jane ia retrucar, mas sentiu seu braço sendo puxado por Maura para acompanhar Jéssica até o local do jogo. Ela conseguiu ficar ainda mais irritada. – “Jogo de verdade ou consequência? Sério?” Bufava em seus pensamentos.

As meninas sentaram em roda no chão. Maura foi a ultima a se sentar. Ficou pensando seriamente que teria que sujar seu Dior em um chão onde todo mundo havia pisado, onde teria milhões de bactérias. Começou a citar mentalmente algumas delas e então sentiu seu braço sendo puxado por Jane, fazendo-a se sentar.

Apresentaram-se uma a uma. Algumas eram novas na Fraternidade, inclusive Jane e Maura.

O jogo começou....

Giraram a garrafa e, para o desgosto da Detetive, a primeira pergunta seria para ela. – “Droga” bufou.

— Verdade ou Consequência? – perguntou Jennifer.

— Verdade. – respondeu Jane.

— Jane, como você descobriu que gostava de mulheres? Como foi para você se assumir lésbica?

— Pera ai, não era só uma pergunta por vez? – disse a Detetive insatisfeita com a brincadeira.

— Amor, uma pergunta complementa a outra! – disse a Legista com um sorriso sarcástico nos lábios.

— Pode escolher uma das duas pra responder então. – disse Jennifer.

— Foi... Foi muito difícil! – respondeu Jane. Curta e grossa.

— Nooooossa.... Que resposta mais vazia! Vamos aceitar porque é a primeira vez que você esta brincando e foi a primeira a ser “sorteada”. – brincou Amanda.

A brincadeira continuou e as meninas se divertiam. A cada segundo que se passava, Jane detestava mais aquela brincadeira. Até que foi a vez de Maura.

— Verdade ou Consequência? – perguntou Bianca.

— Consequência! – respondeu a Legista.

— Hmm... Corajosa! Jogue o dado e vamos ver o que sai. – Maura jogou o dado. – Que legal, “5” quer dizer que você tem que dar um selinho em todas.

— Inferno! Que bagunça é essa? – Jane levantou brava.

— Calma! Vocês aceitaram brincar e sua namorada que escolheu consequência. Eu não tenho culpa! – respondeu Bianca.

— Maura, olha o que você fez? Pode beijar todas se quiser, só não me beije. – disse com um olhar de fúria.

— Não faz parte das regras, mas se preferir pode escolher “verdade”, Maura. – disse Bianca tentando amenizar o clima.

— Nós não vamos jogar mais. – bufou Jane.

— Jane vamos só terminar, por favor? – a Médica falou com aquele olhar brilhante que ninguém, nem mesmo Jane em fúria, conseguia dizer não.

— Okay, Maura!

— Então eu escolho verdade! – falou a loira toda animada.

— Vamos lá! Maura, você já se sentiu atraída por alguma amiga? Fale nomes.

— Sim. Pela minha melhor amiga. – Maura fez uma pausa, olhou rapidamente nos olhos de Jane, abaixou a cabeça e respondeu. – Clementine!!!

Notas finais
Clementine? Beijo no ombro :*