Notas iniciais
Ai ai... Difícil essa Clementine, viu...

Após ouvir o nome sendo pronunciado por Maura, Jane não assimilou que o “Clementine” se tratava de seu segundo nome. Ficou encarando a Legista sem entender de quem se tratava e começou a pensar quem poderia ser, pois Maura nunca tinha lhe dito que conhecia outra mulher na qual ela se interessou com o mesmo nome que o seu. Pensou até mesmo em procurar por dados quando estivesse na delegacia, para então saber quem poderia ser e se era próxima a médica. Notou certo brilho nos olhos de Maura, que estava um pouco sem graça pela situação. Só então que começou a cair sua ficha. Só podia ser dela o nome, não se lembrava de nada, ainda que fizesse um esforço na memória, de sua melhor amiga falando sobre outra mulher com o mesmo nome. E o pior, que teve algum tipo de atração... A brincadeira continuava.

Só depois de se dar conta de que Maura havia falado dela, Jane levantou da roda e saiu pisando duro. Ficou atordoada com a situação. Pensou que pudesse estar enganada, que Maura tinha dito aquilo apenas para continuar nas aparências, insinuando que as duas começaram a "namorar" por serem amigas, mas não... Não depois de olhar nos olhos da Legista e saber decifrar que seus olhos estavam sim realmente diferentes, que estava sem graça com toda aquela situação porque era verdade! Jamais imaginava que sua melhor amiga havia sentido atração por ela, ainda mais Maura. Elas sempre dormiam juntas, será que surgiu daí esse sentimento? Sentimento? Até então apenas uma atração. Nunca havia pensado que isso tinha passado na cabeça da loira, sabia que ela tinha ideias modernas e que sem problema algum se houvesse uma mulher pela qual ela se interessaria, ela não iria hesitar em ficar com essa mulher. Mas nunca pensou que essa mulher podia ser ela, Jane. Não que ela também fosse preconceituosa ou que se importasse com o fato de haver casais gays, mas ela realmente não sabia lidar. Não sabia lidar porque era com ela, porque era com elas, era com Maura!!!

Ainda sem conseguir decifrar muito bem o que estava sentindo, só queria ficar sozinha com seus pensamentos. Não saberia como agir com Maura depois de ouvir que a amiga sentia atração por ela. Ficou mais irritada ainda porque estava sentindo uma coisa estranha, que não podia definir... Não sabia se pela surpresa de saber que a amiga sentia atração por ela ou por não conseguir entender seus próprios sentimentos e pensamentos, afinal, não é todo dia que se tem uma amiga atraída fisicamente e quem sabe sentimentalmente! Ficou indagando há quanto tempo isso podia ter acontecido, o porquê de Maura nunca ter comentado com ela, ainda que fossem amigas e só uma atração. Talvez não tenha comentado por medo, por vergonha, por achar que podia ser uma coisa boba passageira. Talvez porque tivesse ficado com medo da reação de Jane e não queria em hipótese alguma perder sua amizade. Mas dizer assim, na lata? Por trás de um caso? Em uma brincadeira de Verdade ou Consequência? Ela esperava ouvir tudo, menos que sua melhor amiga sentia ou já sentiu atração por ela. Só podia tá tudo errado mesmo...

Maura vendo a reação da morena, não soube o que fazer. Pensou que talvez ela pudesse estranhar aquilo e reclamar depois, mas não imaginava que seria largada ali, sem dizer uma única palavra. Então se levantou e foi atrás de Jane.

— Jane! Jane! – gritava – Jane, me espera! – sem sucesso.

A Detetive se encaminhava em direção ao alojamento, mergulhada em seus pensamentos. Estava confusa, nunca poderia imaginar que sua melhor amiga, sua colega de trabalho, poderia sentir algo por ela. Passou batido pela portaria do alojamento e não notou que Michel e Sarah, sua namorada, estavam sentados na escada da entrada. Entrou no quarto e buscou uma cerveja no frigobar, mas sem sucesso. Bateu a porta da mini-geladeira e quando ia sair do quarto, Maura chegou.

— Clementine? Sério?

— Jane! Me desculpa, não é isso que você entendeu.

— E o que eu entendi? – exclamou a morena.

— Estávamos todas brincando e eu não podia mentir. Você sabe que teria urticárias.

— Então você está me dizendo que se sentiu atraída por mim esse tempo todo e não me disse nada? Me deixou acreditar que eu era apenas sua melhor amiga, pra depois em uma brincadeira besta você dizer que se sente atraída por mim? – Jane balançava a cabeça em negativo, custava acreditar que era verdade, quando ela queria mesmo era que a loira dissesse que apenas tinha falado aquilo para continuar no disfarce!

— Mais você é minha amiga. Minha única e melhor amiga.

— E desde quando amigas sentem atração?

— Eu não sei como isso aconteceu, eu só...

— Sério? Você só o que, Maura? – Jane andava de um lado para o outro do quarto.

— Eu não quis que acontecesse!

— E você pretendia me contar isso quando, hein, Dra. Isles? – agora encarava a loira.

— Eu pensei que fosse uma coisa sem importância, por isso não te disse nada. Talvez porque ninguém nunca tenha representado o que você representa para mim. Porque você foi a única que aceitou ser minha amiga sem nada em troca. E eu vejo que você se importou e se importa comigo por todos esses anos da nossa amizade. E....

— Eeee?? ...

— Me desculpe. Eu não queria causar isso e... – Maura baixou a cabeça, não conseguia encarar Jane e nem terminar a frase.

— E eu entendi muito bem, Maura! Eu estou decepcionada com você, nunca pensei que seria capaz disso. Tá certo que você tem umas ideias moderninhas, mas não me inclua nelas.

Jane ia sair do quarto e então a Legista chamou por seu nome, segurando em seu braço, fazendo com que assim Jane olhasse para ela. Ficaram frente a frente, olho no olho. Jane olhava aqueles lindos olhos verdes que agora estavam com uma leve tristeza. Podia sentir que Maura estava nervosa, mas não conseguia compreender. Maura não conseguia dizer uma palavra, estava nervosa por estar frente a frente com Jane naquela situação. Suas palavras podiam dizer que estava brava, mas seus olhos demonstravam confusão. Queria dizer algo, mas aquele olho castanho não a deixava formular se quer uma única palavra. Pensou que talvez depois disso Jane nunca mais fosse querer ser sua amiga novamente. E então caiu num choro sentido, na qual Jane não entendeu.

— Me desculpe Jane. Eu não queria que nada disso tivesse acontecido. – formulou a loira. No final, saiu do quarto deixando Jane sem reação.

A Detetive ficou sozinha no quarto pensando em tudo o que tinha acontecido nos últimos minutos. Em tudo que tinha escutado e dito a amiga. Teve vontade de abrir a porta e ir atrás para pedir desculpas pra ela, mas não ia dar o braço a torcer, Maura que tinha que entrar por aquela porta e pedir desculpas a ela. Desculpas por ter confundido amizade com atração, desculpas por ter revelado isso a ela em um jogo, na frente de estranhos. Sabia que isso não ia demorar a acontecer, Maura não ia sair do prédio sozinha e em algum momento teria que voltar pra dormir.

Mas a Detetive foi surpreendida de seus pensamentos com um grito – Jaaanee... – “Maura” pensou. A Legista gritava ao som de uma voz abafada.

— Maur? Maura?.... Maaaura? – sem resposta. – Oh meu Deus, pegaram a Maura. – Pegou sua arma e saiu correndo pelo corredor do prédio a procura de onde vinha o grito.

Jane se culpava por ter colocado Maura em perigo. Na raiva, passou na entrada do alojamento tão depressa que não se deu conta que na escada sentados era Michel, que era um dos suspeitos, e Sarah. Com a arma em punho, saiu pelos corredores à procura da Legista. Não tinha certeza se havia sido Michel que tinha pegado ela, mas seus instintos dizia que não era só ele, mas sua namorada junto.

— Frost, preciso de ajuda. Acho que Maura está em perigo. Chame Korsak e Frankie e mande toda a equipe pra cá, não posso deixar que nada aconteça com ela. A culpa é minha! – a detetive falava com a voz embargada, suplicando para que viessem o quanto antes, pois não queria que nada acontecesse com a loira. E esperava que nada acontecesse mesmo ou ela não responderia por si.

— Que diabos está acontecendo, Jane? – perguntou Frost, mas ela já havia desligado.

Após desligar o telefone atônito, Frost não pensou duas vezes e avisou a toda a equipe para irem para a Universidade. Avisou Korsak e Frankie, passaram na sala de Cavanaugh e foram todos para lá.

***

Jane estava desesperada. Quase chorando e se culpando pelo que estava acontecendo com sua melhor amiga. “Se algo acontecer com Maura eu nunca vou me perdoar, nunca. Esses assassinos não devem estar muito longe. Maur, o que eu fui deixar acontecer com você? Espero que não tenham tocado num fio de cabelo dela ou eu não respondo por mim.”

De longe, em um corredor afastado de todos os quartos, dando acesso ao gramado da Universidade, Jane pôde ouvir uma voz feminina que dizia: “Eu vou matar essa sapatão loira.” Ao ouvir essas palavras a espinha da Detetive gelou. – Só pode ser a namorada de Michel.— Pensou em avisar Frost da onde era o locar, mas ao chegar mais perto, foi surpreendida por Michel pulando em cima dela, fazendo a cair no chão e deixando sua arma escapar da mão.

— Maura? Maaauraa? Fala comigo! – dizia Jane tentando se soltar dos braços de Michel, que tinha uma arma apontada para ela. – Me solta seu desgraçado! O que você fez com ela? Maura? Fala comigo, por favor... – Jane implorava para que Maura falasse com ela, pois ela estava esticada na grama desacordada. – Foi você seu imundo, que matou Cristine e as outras garotas, não foi? – ela perguntava a Michel tentando se soltar dos braços dele.

— Cala a boca, sua sapatona cumpridona! Não foi o Michel, fui eu. – disse Sarah se aproximando de Jane. – Ele não tem a coragem que eu tenho, mas eu estou ensinando a ele como se faz para acabarmos com essa raça de sapatão de uma vez por todas! – após essas palavras, Sarah deu um soco no rosto de Jane. – É bom que você tenha chegado para presenciar o que vou fazer com sua mulherzinha, vai ser o mesmo que vai acontecer com você. – Sarah então se aproximou de Maura novamente. Estava com um prego na mão.

— Nãaao, não toca nela sua desgraçada. Eu vou acabar com vocês. Você se acha esperta o suficiente para escapar da policia? Vocês vão mofar na cadeia e eu serei a primeira a fazer de tudo para que isso aconteça. Vocês vão pagar por todas as mortes das outras mulheres. Me solta Michel! – Jane tentava se soltar a todo custo das mãos de Michel.

— Cala essa boca imunda e fica vendo o que vai acontecer com você. – dizia Michel segurando o rosto da Detetive com força.

— Então você foi cúmplice dela em todos esses assassinatos, seu desgraçado? Usando um taco de beisebol para matar pessoas inocentes! Vocês são uns monstros, são feitos um para o outro. Mas a brincadeira de vocês logo vai acabar. – Jane dizia com a voz embargada, pois quase não conseguia falar com a força em que Michel a segurava. – Nãaaooo... – Jane soltou um urro ao ver que Sarah havia fincado um prego na coxa esquerda da Legista. – Parem com isso. Me matem! Me matem, não façam isso com ela. – suplicava a Detetive.

— Calma, uma de cada vez! Primeiro sua mulherzinha e depois você. Não tenha pressa, você também vai morrer! – dizia a mulher com um sorriso sarcástico no rosto enquanto tentava mais uma vez furar a coxa esquerda de Maura, que após receber a perfuração, deu sinal de que iria acordar do desmaio.

— Se você tocar em mais um fio de cabelo dela, eu vou acabar com você com as minhas próprias mãos. Nós não somos um casal, eu sou Detetive da Homicídios e ela é a Legista. Estamos trabalhando disfarçadas e logo a policia inteira de Boston vai estar aqui cercando vocês e não terão para onde fugir. Acabou o joguinho de serial killer para vocês, deixem ela em paz. – falou a morena em fúria.

— A lá amor, a sapatona tá dizendo que é policial e que vamos ser pegos. – falou Sarah a gargalhadas – Quem vai ser pega aqui vai ser você. Eu vou matar vocês duas, sua cola velcro do capeta. Nunca mais vão conseguir se tocar. Eu vou furar todas as partes dos corpos de todas as sapatão que existe para nunca mais pensarem em colocar o corpo com outra mulher.

— Vai amor, eu estou adorando matar essas mulheres que não sabem o que realmente é o amor de verdade. O que realmente é ser um casal de verdade. Vamos mostrar a elas quem manda aqui. Vamos torturar essas vadias e fazê-las sofrer. – dizia o homem incentivando Sarah a prosseguir com a tortura em Maura.

— Jane! Eles vão nos matar. – disse Maura com uma voz fraca. Havia despertado do desmaio.

— Não Maura, eu não vou deixar isso acontecer. Eles não vão te machucar mais, eu prometo. – afirmou a Detetive.

— Cala a boca. – disse Michel. – Vocês realmente querem que acreditemos que são da policia e estavam disfarçadas de casalzinho de sapatão? Que uma é Detetive e a outra Legista?

— Era só o que faltava. Elas querem que acreditemos que todo aquele amor era disfarce? Por favor! Elas eram o casal mais apaixonado do Campus. Que nojo dessas duas! – disse Sarah fingindo que ia vomitar.

— Seus homofóbicos desgraçados, nós não somos gay e nem um casal. Solte-nos, não a machuque mais, por favor. – disse a morena quase em prantos ao olhar para Maura que quase não conseguia se mexer.

— Então vamos ver o que a Barbie sapatão tem a dizer sobre isso. – disse Sarah se posicionando com um pano no pescoço de Maura para asfixia-la.

— Nós não somos um casal. Eu não sou gay e nunca fui apaixonada por Jane. Todo aquele amor que você disse ter visto é porque somos amigas há anos, e como nosso disfarce exigia que fossemos um casal e foi fácil, pois tínhamos intimidade, conhecíamos uma a outra. Jane é minha amiga e nunca quisemos mais do que isso uma da outra. Nós fizemos tudo isso para entrar no disfarce, foi horrível para mim e para Jane, mas é nosso trabalho. Solte-nos, por favor. – disse a Legista aos prantos. Quase não conseguia falar de dor.

— Viu, eu disse. – retrucou Jane.

— Vocês acham que eu vou cair nessa? – disse Sarah, que subitamente fincou o prego mais uma vez na perna de Maura, que não aguentou de dor e novamente caiu desmaiada.

— Maaauraaa, nãaao... – gritou a Detetive, que em um acesso de força e fúria conseguiu se soltar dos braços de Michel pegando a arma de sua mão, dando-lhe um tiro. Logo caiu no chão ao seu lado. Enquanto isso, Sarah tentava asfixiar Maura.

— Larga ela ou eu atiro. – ordenou Jane se aproximando de Sarah.

— Eu morro, mas antes eu mato essa vadia. – disse Sarah pegando um prego e levando ao pescoço de Maura.

— Então você vai morrer, mas na Maura você não toca mais! – gritou Jane enquanto disparava dois tiros em direção à Sarah, que caiu sobre Maura. A Detetive correu e tomou Maura para si. Tirou seu casaco e amarrou na perna de Maura com a intenção de estancar o sangue, colocando sua cabeça em seu colo, tentando acorda-la novamente. Sua perna sangrava muito, não sabia por mais quanto tempo ficaria desacordada. – Maura, fala comigo, por favor. Acorde! – suplicava aos prantos, verificando que a loira ainda estava viva, só estava desmaiada. Pegou seu telefone para avisar Frost e pedir uma ambulância, mas esse estava se aproximando delas junto com Korsak, Frankie, Cavanaugh e mais alguns policiais.

— Oh meu Deus, Jane! Você está bem? O que aconteceu com a Dra. Isles? – perguntou Korsak se aproximando.

— Eu estou bem, chamem uma ambulância o mais rápido possível, urgente, por favor.

— Dra. Isles? Não acredito Jane. Eles... – mas Frost foi interrompido por Jane.

— Não, eles não conseguiram. Maura esta desmaiada. Ela desmaiou com a dor e com a tentativa de asfixia. Por favor, uma ambulância. Precisamos tirar Maura daqui. – enquanto Jane explicava para Frost, ele encarou a Legista franzindo os olhos.

— Jane, esse vermelho do pescoço dela são urticarias?

— Eu não sei. A namorada de Michael tentou asfixiar Maura e... – foi interrompida por Korsak.

— A ambulância chegou. – gritou.

Os paramédicos chegaram ao local e com a maca, retiraram o corpo da Legista do chão. Jane não queria sair do lado dela, pediu para ir acompanhando ela até o hospital na ambulância. Foi atendida dentro da própria ambulância, mas precisava passar por outro medico para seguir com o procedimento.

A imprensa já estava começando a aparecer, os alunos todos em volta da cena do crime. As outras garotas da Fraternidade estavam inconformadas e todos estavam em choque com aquela cena. Não sabiam que os assassinos daquelas mulheres inocentes eram estudantes, alguns até colegas de Michel e Sarah. O Diretor da Universidade junto a Cavanaugh estava tentando contornar e abafar o caso para a imprensa. Frost e Korsak trataram de tirar os corpos de lá e foram para o hospital com Frankie.

Na ambulância, Maura começou a despertar de seu desmaio e viu que Jane estava ao seu lado.

— Jane, eu pensei que fossemos morrer. Minha perna está doendo muito. O que aconteceu com o seu rosto? – a voz de Maura quase não saia, ela estava muito fraca.

— Shhh, não fala nada Maura. Já estamos chegando ao hospital, você vai ficar bem. – respondeu com um sorriso, fazendo carinho em sua cabeça. – Me desculpe, eu coloquei sua vida em perigo. – Jane deixou um fio de lagrima escorrer de seus olhos.

— Não Jane, você me salvou. Obrigada por ter salvado minha vida. Vai ficar tudo bem. – mandou um meio sorriso.

A ambulância chegou ao hospital e elas foram encaminhadas para um atendimento. Jane teve apenas ferimentos leves no rosto e no braço. Fez alguns curativos e logo foi liberada pelo médico. Maura precisou fazer alguns exames, ficaria o dia em observação. Jane disse que ficaria o tempo todo ao lado dela, estava se sentindo culpada pelo que tinha acontecido com a melhor amiga, então resolveu que ficaria no hospital até ela ser liberada.

— Hey, você tá bem? – perguntou Frankie.

— Eu estou bem, só com o rosto dolorido mais não aconteceu nada de mais. – respondeu a morena. – Hey Frankie, você pode avisar a mamãe, por favor? Ela me ligou, está preocupada e a bateria do meu telefone acabou. Avisa a ela que Maura vai passar por alguns exames e assim que liberarem ela, nós vamos para casa. – Frankie fez um gesto em positivo e se afastou para telefonar para Ângela.

— A Dra. Isles vai ficar bem, Jane. – falou Korsak percebendo a aflição da Detetive.

— Cadê esse médico que não aparece com noticias. Se algo de ruim acontecer com Maura, eu nunca vou me perdoar, nunca. – Jane estava sentada com a mão no rosto, aflita.

— Calma Jane, daqui a pouco ele aparece. Devem estar apenas fazendo exames de rotinas, já que ela perdeu sangue. – disse Frost.

— Hey Rizzoli, você está bem? – perguntou Cavanaugh se aproximando deles.

— Sim senhor, só tive alguns ferimentos leves.

— E a Dra. Isles?

— Ela está bem, estão fazendo alguns exames nela. Estamos esperando o médico aparecer com noticias, senhor.

— Ok! Me mantenha informado e depois vá para casa descansar. Só me apareça no departamento amanhã. – disse Cavanaugh deixando o hospital. Jane apenas assentiu com a cabeça.

Já havia passado uma hora desde que estavam esperando por noticias de Maura. Para alivio de todos e principalmente de Jane, notaram que o médico estava se aproximando deles.

— Detetives. – o medico se aproximou, cumprimentando um a um. – Eu sou o Dr. Eduard Fyrnes e estou cuidando da Dra. Isles.

— Como ela está Dr.? Ela vai ficar bem? Onde ela está? Posso ir vê-la? – Jane encheu o médico de perguntas que sorriu

— Ela vai ficar bem, Detetive Rizzoli. Fizemos alguns exames como o procedimento exige e o resultado foi bom em ambos. Ela levou dois pontos na perna, embora os cortes tenham sido pequenos na extensão. Ela vai ficar em observação até o final do dia devido a urticárias que teve. Estamos aguardando o resultado do exame de sangue para saber o que ocasionou. – os três Detetives e Frankie se entreolharam.

— Dr. Fyrnes, a Dra. Isles costuma ter crises de urticárias sempre que desencadeia algum assunto que ela não esteja de acordo... e... Talvez ela tenha tido essa crise porque teve que... Bom, ficamos no aguardo dos resultados! – Jane preferiu não concluir o assunto explicando que toda vez que Maura mentia, tinha urticárias. – Posso ir vê-la agora?

— Sim, Detetive Rizzoli. Dra. Isles está no quarto 405 em observação. – Jane agradeceu e foi até o quarto falar com Maura. Não aguentava mais, precisava ver a amiga.

Ao chegar no quarto onde Maura estava, Jane pôde ouvir que ela conversava com uma enfermeira na qual estava ajeitando sua perna na cama. Ao ver a Detetive na porta, Maura abriu um sorriso e fez sinal para ela entrar.

— Foram 2cm de extensão mas sem nenhum nervo ou qualquer tendão danificado. Essas bordas logo vão cicatrizar e com... – foi interrompida por Jane.

— Pelo visto a Dra. está ótima. – falou com um sorriso sarcástico.

— Jane! – sorriu também. – Como você está? Seu rosto está inchado.

— Eu vou ficar bem, estava preocupada com você. – falou se sentando em uma poltrona ao lado da cama.

— Se precisar de alguma coisa, me chame Dra. Isles. – disse a enfermeira saindo do quarto. Maura agradeceu com um sorriso.

— Eu também vou ficar bem. Obrigada por ter salvado minha vida mais uma vez, Jane. Se não fosse por você, acho que Sarah e Michel teriam acabado comigo... Fui pega completamente de surpresa por eles. – agora se coçava – Droga! – exclamou.

— Maura, para de coçar que vai piorar. Tá muito vermelho, você vai ficar cheia de feridas.

— Jane eu não sei como explicar essa crise que... – mas foram interrompidas por Frost, Korsak e Frankie entrando no quarto.

— Hey Dra. Isles, bom vê-la novamente bem. – disse Frost mandando um sorriso.

— E acordada. – brincou Frankie.

— Como você está. Dra. Isles? – disse Korsak se aproximando da cama.

— Eu estou bem, foram só dois pontos devido a borda da extensão da ferida. – respondeu a loira com um sorriso. – Jane salvou a minha vida.

— E vai ficar melhor, pois logo sairá daqui e poderá voltar sua rotina ao normal. Agora acabou, esses crimes não vão mais acontecer.

— Ainda bem ou eu não aguentaria mais um dia naquele inferno. – falou Jane revirando os olhos e todos caíram na gargalhada. Ouviram alguém batendo na porta.

— Pode entrar! – falou Jane.

— Licença... – falou Jéssica, a garota da Fraternidade. – Depois do chato acidente que fiquei sabendo que ocorreu, queria saber como Maura estava. – agora se aproximava da cama. Jane estava com cara de caneca e não entendia o porquê dela estar lá. “O que será que essa garota veio fazer aqui? Nos convidar pra outra festa? Sério?”

— Obrigada por ter vindo. Eu já estou melhor, Jéssica. – respondeu Maura com um sorriso.

— Quando soube que vocês eram da policia e que estavam disfarçadas, fiquei chocada. Não consigo acreditar que não são um casal de verdade.

— Sabe que eu também não acredito? – falou Frankie ironicamente. Todos riram, menos Jane.

— Muito engraçado, Frankie. Você não tem que voltar para a Central, não? – disse a morena encarando o irmão.

— Ok, só queria saber com Maura estava. Você quer que eu te leve para casa?

— Obrigada maninho, eu não vou embora agora. Frost, me da uma carona? – Frost fez um gesto em positivo, Frankie se despediu de todos e voltou para Central.

— Bom, eu também vou embora. Só queria saber como Maura estava mesmo. – falou Jéssica. Estava sem graça, pois Jane a encarava com curiosidade. E por que tivesse descoberto que as duas não fossem um casal de verdade e ainda não tivesse acreditado em tudo isso, percebia que não era só curiosidade da Detetive – Bom, vou deixar meu telefone com você, Maura. Caso queira ir nos visitar, será muito bem vinda. – falou entregando seu cartão à Legista. Jane a encarava com a sobrancelha erguida. Maura agradeceu mais uma vez e Jéssica foi embora.

— Vejo que fizeram muitas amizades... – Falou Frost se entreolhando com Korsak que sorriu disfarçadamente.

— Vocês dois não tem mais o que fazer não? Vão trabalhar, vão. – retrucou Jane. Todos riram novamente, inclusive ela. Maura estava melhor e rindo, isso deixou Jane mais tranquila. Ela passaria apenas algumas horas a mais no hospital e depois poderia ir para a casa. Jane estava esgotada, só queria ir para a casa, tomar um banho e cair na sua cama. Mas não sairia de lá até Maura ser liberada para ir para casa. O médico que estava cuidando de Maura apareceu e disse que no exame de sangue também não havia dado resultado negativo nenhum. Maura explicou a ele que sempre tinha essas crises de urticárias quando se via na situação reversa a sua opinião. Disse que tomaria normalmente seu antialérgico, que ele não se preocupasse porque ela também era médica. Ele receitou repouso de dois dias para ela, alguns remédios e a liberou para ir para casa. Todos estavam felizes por finalmente Maura poder ir embora. Korsak voltaria para a Central e Frost as levaria para casa. Passou para deixar Maura em casa. Ângela já a esperava na porta de casa. Jane desceu do carro para ajuda-la a caminhar, pois não podia forçar sua perna e deveria ficar o máximo que pudesse em repouso. Ângela não pôde deixar de abraçar sua filha, pois estava preocupada. Jane rabugenta, logo se soltou alegando que ela estava apertando o seu braço machucado.

Após se certificar que Maura estava bem aos cuidados de sua mãe, Jane pediu a Frost que a levasse para casa, pois precisava de um bom banho e dormir. Ângela ainda insistiu para ela ficar, falando que iria preparar um jantar para elas, mas Jane não aceitou e foi embora. Após chegar a porta de sua casa, Frost perguntou se ela precisava de alguma coisa. Jane então agradeceu, disse que só precisava descansar e tomar sua cerveja antes de dormir. Despediram-se e Frost foi embora.

Ainda em casa sozinha, Jane não conseguia pensar em nada a não ser em um banho para espantar todo o mal que havia acontecido. Se permitiu tomar um banho mais demorado do que o normal. Ficou parada debaixo do chuveiro deixando a água escorrer por todo seu cabelo até a extensão de seu corpo. “Não existe nada melhor do que um bom banho para lavar a alma e deixar os pensamentos organizados. É o melhor lugar para chorar, pensar na vida e tomar decisões.” A Detetive estava muito confusa com todos os últimos acontecimentos. Sua melhor amiga declarou que sentia atração por ela, os assassinos quase mataram Maura e ela mais uma vez teve crise de urticárias. Crise essa que estava deixando Jane intrigada. “Crise de urticárias de novo? Será que Maura mentiu mais uma vez e ainda sente atração por mim? Mais eu daria minha vida se fosse preciso parar salvar Maura. Eu não quero perde-la nunca. O que está acontecendo comigo? Por que não consigo enxergar isso como uma coisa normal, natural entre amigas? Talvez seja porque Maura tenha dito que se sente atraída por mim. Agora eu não sei o que pensar, como agir com ela e nem o que falar. Maldita hora que tudo isso aconteceu...” Saiu do banho, pegou uma cerveja na geladeira e se sentou no sofá para relaxar.

***

— Maura, posso entrar? – disse Ângela batendo na porta da casa da Legista.

— Claro Ângela, entre.

— Como você esta, minha filha? Fiquei tão preocupada com você e com Jane. – disse Ângela se sentando no sofá, ao lado de Maura.

— Eu estou bem, não se preocupe. Se não fosse por Jane, eu não estaria viva. Ela salvou a minha vida.

— Graças a Deus que tudo ficou bem no final. Fico com o coração na mão só de pensar no perigo que meus filhos correm a cada dia que vão trabalhar. E agora como você também é minha filha, a preocupação só aumenta. – falou com um sorriso singelo no rosto.

— Isso não é verdade Ângela! Se você realmente tivesse com o coração na mão, você não estaria viva. E além do mais, você mesma não conseguiria arrancar seu próprio coração. Para que isso acontecesse, você precisaria de algum cirurgião que te...

— Maura querida, é só maneira de dizer que fico muito preocupada com vocês. – Interrompeu a mulher rindo da situação.

— Ah, sim. – sorriu Maura sem graça.

— Bom, trouxe o seu jantar para que você não levante daí pra nada e fique bem alimentada. Fiz uma sopa com as verduras que você adora.

— Você não precisava se incomodar. Eu pediria algo para comer.

— Não senhora. Jane exigiu que eu cuidasse muito bem de você. – disse se encaminhando até a cozinha para pegar o jantar de Maura. A Legista agradeceu com um grande sorriso. Adorava ser paparicada por Ângela, as comidas dela eram maravilhosas e Maura estava adorando ser tratada com tanto carinho por todos.

— Quer que eu dê na sua boca? – perguntou Ângela segurando a colher e fazendo aviãozinho. Ambas riram.

— Tudo bem, eu consigo comer sozinha.

Enquanto Maura comia, Ângela não pôde deixar de notar a vermelhidão no pescoço e nos braços de Maura.

— O que aconteceu? Teve uma crise de urticárias, Maura?

— Sim... – respondeu meio sem graça. – Eu não sei o que houve para ter essa crise. Acho que já esta ultrapassando os meus sentimentos de verdade-mentira. – mandou um sorriso amarelo – Essa sopa esta muito boa.

— Então tome tudinho. Quero ver você dançando e pulando novamente por aí. – as duas cariam na gargalhada. Como Ângela fazia bem para Maura.

***

Em casa, ainda em seu sofá estava Jane tomando sua terceira garrafa de cerveja. Não conseguia parar de pensar em tudo o que tinha acontecido nos últimos dias, no medo que sentiu ao ver Maura desmaiada no chão, do susto que levou quando ela disse seu nome em um jogo alegando ter se sentido atraída por ela, nas crises de urticárias, no selinho roubado e em tudo o que elas haviam discutido. Ainda estava se culpando por todo mal que havia acontecido com a amiga. Resolveu então em ir até sua casa para novamente pedir desculpas. Trocou de roupa, deu beijo em Jô e foi dirigindo até lá. Mas antes teve a ideia genial de comprar um presente para Maura na intenção de selar as desculpas. Pensou no vinho que a loira mais gostava, mas ela não podia beber. Então passou em uma floricultura próxima a casa de Maura e comprou um buque de Lírios rosa e laranja. Depois de escolher o primeiro buque que viu, foi para a casa da amiga.

— Ângela, mais uma vez obrigada pelo jantar e por se preocupar em cuidar de mim. – falou a Legista.

— Não foi nada querida! Você sabe que cuido de você como se fosse minha filha também. Agora eu vou embora! Você precisa de ajuda para subir para o quarto?

— Não, eu consigo caminhar até lá. Obrigada mais uma vez. – as duas se abraçaram e Ângela foi para a casa de hospedes.

Maura pegou seu laptop para checar seus emails, mas antes mesmo que pudesse analisar todos que havia chegado, a campainha tocou. – Oh meu Deus, será que Ângela não sabe que pode entrar? – se encaminhou com um pouco de dificuldade até a porta e se surpreendeu com a figura alta e morena parada em sua porta com um buque nas mãos. Sorriu ao ver que era Jane. – Olá! – abriu um sorriso e fez gesto para ela entrar.

— Espero não estar atrapalhando seu repouso. Dra. Isles. – mandou um sorriso, ajudando ela a caminhar até o sofá.

— Não, eu só ia checar alguns emails e depois ia subir para o quarto.

— Então vem, eu te levo de cavalinho até lá. Assim você não força sua linda perna.

— Jane! Eu consigo caminhar até lá. – falou Maura dando risada.

— Não mesmo. Você ouviu o que o médico disse: que era repouso total. Eu te ajudo, vamos. – falou a Detetive fazendo sinal para ela se levantar e irem para o quarto. – Você fez o curativo depois do banho, Maur? – perguntou sentando ao lado da amiga na cama.

— Não, ainda não. Pegue os remédios e faz para mim Jane, por favor?

— Hey, a médica aqui é você. Da ultima vez você me fez rasgar sua perna em um corte e não foi nada legal.

— É só um curativo Jane, para de ser medrosa.

— “É só um curativo Jane, para de ser medrosa.” – falou a Detetive afinando a voz, tentando imitar a loira. – Hey, trouxe isso para você! – entregou o buque para Maura, que ao ver abriu um imenso sorriso.

— São lindas, Jane!

— Eu espero sinceramente que me desculpe por toda a grosseria e por ter colocado sua vida em risco. – falou levantando da cama. – Onde estão os remédios para o curativo?

— Estão ali em cima da penteadeira. — respondeu apontando para o móvel — Elas são lindas. Você sabia que lírios rosa e laranja tem um lindo significado? Foi você quem escolheu?

— Não, mas fui eu sim que escolhi. Você sabe que não sou boa em escolher essas coisas. Mas achei lindo esse buque e deu vontade de comprar para você.

— Há pouco tempo, no século XX, os cultivadores de rosas começaram a produzir rosas alaranjadas. Elas são uma mistura literal das cores amarelas e vermelhas. As rosas alaranjadas são vistas frequentemente como uma ponte entre os sentimentos de amizade, simbolizados pelas rosas amarelas e os de amor, associados as rosas vermelhas. Dar um buque de rosas alaranjadas pode ser um sinal da existência de sentimentos românticos emergentes e do desejo de transformar um relacionamento de amizade a algo a mais. – disse a legista esboçando um pequeno sorriso. Jane estava parada pegando os remédios que estavam na penteadeira sem dizer nada. – E os lírios significam: eu te desafio a me amar! – concluiu. Ao ouvir as ultimas palavras de Maura, Jane se virou para ela derrubando todos os remédios que estavam em sua mão. – Jane, você tá bem? – perguntou a Legista percebendo que ela estava nervosa.

— Eu estou sim Dra. Google. Agora vamos fazer esses curativos logo e deixa o lírio literal para o Pedro II. – falou se abaixando até a perna de Maura.

Levantou a camisola da Legista subindo sua mão delicadamente até a parte do machucado, que ficava em sua coxa. Sentiu um leve arrepio ao tocar a pele macia e sedosa de Maura. Ficou parada olhando para aquela perna sem esboçar nenhuma reação. Não conseguia mexer a mão, estava nervosa e não queria demonstrar para Maura.

— Jane, tá tudo bem? – perguntou novamente a Legista.

— Tá, eu só... – se virou para encarar Maura. Só que Jane não contava que a amiga estaria de cabeça baixa para olhar ela fazer os curativos. Ao subir o rosto parar encarar Maura, seus olhos ficaram frente a frente e por alguns segundos fixados um ao outro. Não conseguiam dizer nada, mas também não conseguiam se mexer e desfazer aquela posição. Ficaram paralisadas ali até resolver se terminariam o curativo ou se dariam um beijo, já que ambas ansiavam por aquilo. Apenas ainda não sabiam... Ou sabiam. Quer dizer, não é todo dia que isso acontece entre amigas, porém elas eram mais do que isso... E a maneira de tratar o que estava acontecendo entre elas era exatamente essa: confusão, novas ondas de sensações e explicações inexistentes. Como agir? Ou melhor, como deveriam agir? Tudo era estranho e confuso, até mesmo o toque mais simples para a realização de um curativo. Até mesmo Jane que, ainda fosse "cabeça fechada" como julgava, sentia e entendia tudo o que estava acontecendo com elas, pois não era um incomodo normal. Seu medo estava se tornando real. Mas foram interrompidas por uma voz feminina no andar de baixo.

— Maura? Você está ai no quarto?....

Notas finais
Essa voz... Será o Feliciano querendo entregar remédio para elas? o.O