Rizzoli And Isles - O amor por trás do caso
13 Capítulo 13
Notas iniciais
A recuperação de ambas estava sendo ótima.
Maura ainda não havia tirado os pontos da mão, mas a cicatrização estava progredindo a cada dia. Jane também estava se recuperando bem, mesmo com o nariz quebrado. Ambas tiraram alguns dias de folga médica para se recuperarem... Cavanaugh também ordenou que nem aparecessem na porta da Central ou ele prenderia as duas!
O caso que há dias estava tirando o sossego de todos os policias havia enfim acabado. Não de uma forma agradável, mas pelo menos Frederik não atormentaria e nem tiraria a vida de mais ninguém. Maura ainda estava um pouco abalada com tudo o que havia vivenciado... O sequestro, os ferimentos, ver Jane quase morrendo na sua frente... O tiro que sem pensar duas vezes disparou, mesmo sem saber usar uma arma. Não pensava em mais nada a não ser defender Jane, nem para que isso ela tivesse que fazer o que fez... Não se arrependia ou talvez nessas horas Jane não estivesse nada bem, e até pior: morta! Mas também se sentia mal por ter atirado em alguém, em um ser humano como ela e como todos. Nunca pensou que pudesse ter que atirar... Mas assim como ela mesma já sabia, assim como Jane e todos os outros, ela agiu em legitima defesa e foi necessário.
— E o que você pretende fazer agora, querida? – perguntou Ângela. Ela e Jane estavam na sala de espera do hospital, pois iriam buscar Maura que já estava de alta!
— Eu não sei! – respondeu fitando o vazio. – Quero que isso passe logo, agora que esse pesadelo acabou... Só assim Cavanaugh vai me deixar voltar a trabalhar.
— Você não vai voltar para Washington, vai?
— Não. Na verdade... – respirou fundo, com pesar. – Eu não sei o que vai acontecer, como vai ficar minha situação. Eu não quero mais voltar para lá. Na verdade eu nunca deveria ter ido, porque se eu tivesse aqui, nada disso teria acontecido!
— Querida, não se culpe por uma coisa que você não teve absolutamente nada a ver! Muito pelo contrário, ainda foi a vitima disso tudo.
— Maura foi a vitima. Por minha causa! E olha o que aconteceu... – seu olhar era triste e distante.
Embora realmente não tivesse nada a ver com o tinha acontecido, sentia-se culpada mesmo assim. Culpada por que a chave de tudo sempre foi ela (Jane). Maura foi apenas uma ponte, de certa forma, para afetar Jane. Teve sua vida posta a risco, teve ferimentos graves, uma mão perfurada por um bisturi e isso era o que a morena mais temia... E se Maura não tivesse a mesma sorte que a sua? E se afetasse algum tendão da mão da loira e ela perdesse algum movimento? Ela era médica e seu instrumento de trabalho era sua mão... E pensando nisso, Jane ficava cada vez pior, mais triste e julgava-se culpada. Mesmo no final tendo dado tudo certo, ainda que degradante, havia acabado bem.
— Jane, ouça... – Ângela pegou na perna da filha, fazendo-a encarar-lhe. – Não se culpe por algo que você não imaginava que fosse acontecer! Infelizmente estamos sujeitos a tudo, eu sou mãe de policiais e só eu sei a batalha que travo diariamente pelas escolhas dos meus filhos. Maura é sua amiga, uma pessoa próxima a você e também trabalha no Departamento. Acaba ficando mais visada e virando alvo do que ser que seja e fica exposta de certa forma. Então querida, ainda que errado, ainda que esse louco tenha relativamente feito Maura vitima por causa de você, para te afetar, você não teve culpa. Mas agora acabou! Graças a você, Maura está bem.
— E conseguiu me afetar... Da pior forma! Graças a mim ela esta assim...
— Não pense assim! Podia ter sido qualquer um de nós... Ele só pegou a Maura porque ela é mais bonitinha do que eu. – disse Ângela rindo, tentando animar a morena.
— Sério? – respondeu Jane com uma careta. Estava desacreditada do que a mãe havia acabado de dizer.
— Eu estou brincado... Vem, não fique assim! – Ângela estendeu o braço para a morena que não fez menção em negar. Abraçou a mãe, sentia-se bem e confortável. Mas é claro que se tratando de Jane o abraço não durou mais do que quinze segundos...
— Tá bom, tá bom! – disse ela dando tapinhas nas costas de Ângela.
Se olharam com carinho e deram risada. Ângela estava aliviada por ter a filha por perto novamente, embora ela tivesse machucada e ainda fosse levar alguns dias para se recuperar, tudo estava bem.
— Você está ai! – disse Dean entrando na sala.
— Ah, oi Dean! – respondeu Jane com um sorriso. Ângela também sorriu.
— Bom, eu vou até a cantina pegar um café! Com licença... – respondeu Ângela se encaminhando até a porta e saindo da sala!
— Como se sente a salvadora do mundo? – perguntou em tom divertido se aproximando da morena. Jane apenas sorriu amarelo. Não se sentia uma salvadora.
— Eu vou ficar bem! Obrigada por tudo, Dean. – disse a morena ficando de pé! – Eu não tive tempo de agradecer tudo o que você fez por mim, desde Washington!
— Uhum. Não precisa me agradecer de nada... Só fique a salvo e não angarie mais nenhum serial killer com sangue Hoyt, por favor! – os dois deram risada.
— Vou tentar seguir essa recomendação.
— Você, bom... Eu não sei o motivo real pelo qual você foi parar no FBI, já que sua conduta, carreira e vida são aquele Departamento de Boston... Você vai voltar para Washington?
— Eu, enfim... Eu só... Bom, eu não vou voltar! Na verdade não deveria nem ter iniciado. Não sei como vai ficar minha situação, ainda não tive tempo de conversar com Cavanaugh. Mas o meu trabalho é esse aqui, é isso aqui...
— Entendo! Bom, nesse caso eu terei que vir te visitar então. – disse encarando a morena. – Não acho meio clichê, mas todo final de caso eu te chamo para jantar comigo – soltou uma risadinha. –Bom, eu vou embora amanha de manhã... Você gostaria de jantar comigo?
— Jantar?
— Jane? – disse uma voz doce. Maura adentrava a sala.
— Maura! – Jane sorriu largamente. Sorriso esse que não foi esboçado quando o agente entrou na mesma sala.
Jane correu para segurar a bolsa dela. Não que a loira não pudesse carregar sua bolsa, que na verdade nem estava pesada, mas Jane não queria que ela fizesse nenhum tipo de esforço. Tinha acabado de ter alta e o médico foi claro quando exigiu que não fizesse esforços e nem pegasse peso, então era isso que ela faria, se dependesse da Detetive.
— Como se sente, Dra. Isles? – perguntou Dean.
— Eu estou melhor, obrigada! – respondeu delicadamente.
— Maura querida! – disse Ângela entrando na sala. Correu para abraçar a loira. Estava feliz por ela estar bem e ter tido alta. – Como você se sente? Quando chegarmos em casa eu vou preparar um jantar delicioso para você. A comida de hospital é horrível e você precisa se alimentar bem...
— Mãe! – disse Jane olhando para ela como se avisasse que ela estava falando demais. – Bom, vamos? Dean... – Jane voltou sua atenção para o agente. – Desculpe! Mas... – ele apenas assentiu. Entendeu que esse pedido de desculpas era um “não posso, mas agradeço pelo convite”. O que podia fazer?
Maura apenas sorriu. Sentia se bem e feliz. Ângela era maezona e claro que iria querer que Maura comesse de tudo, que comesse toda hora e se quer respirasse para fazer esforço algum que fosse.
***
Ângela com a ajuda de Jane preparou um delicioso jantar. Maura ficou apenas olhando elas prepararem enquanto conversavam e riam sobre diversos assuntos. Não deixaram a loira nem colocar a mesa para o jantar. Ambas estavam bem, mais aliviadas. O jantar correu tranquilo e claro, nem o próprio copo da mesa Maura pôde tirar! Ângela e Jane se encarregaram de fazer tudo, inclusive lavar a louça.
— Bom, já esta ficando tarde e eu estou morta! – disse Ângela levantando do sofá.
— Morta? – Maura franziu o cenho em confusão. Por que Ângela estava dizendo que estava morta sendo que ela estava ali, viva e parada na sua frente? Jane levou a mão na boca para disfarçar o riso.
— É maneira de dizer, querida! – disse Ângela dando risada. Maura sorriu sem graça! – Bom, eu vou dormir. Você precisa de alguma coisa, Maura?
— Não Ângela, obrigada! – agradeceu sorrindo. – Obrigada por tudo, o jantar estava uma delicia.
— Bom, qualquer coisa eu estou aqui do lado, se precisar é só gritar! – deu um abraço na loira. – Inclusive Jane, eu estava pensando que você ou o Frankie podiam me dar uma arma, né? Para eu me proteger e proteger vocês. Se alguém chegar perto desta porta eu dou uma armada nele! – disse Ângela com o braço levantado, fazendo gesto como se tivesse com uma arma na mão. E claro, com uma “cara” de mau.
— Sério? Armada? – Jane começou a dar risada. – Com essa cara você vai é assustar alguém!
— O quê? Minha cara não está boa? – disse fazendo mais careta ainda! – E agora? Hmm? Eu sou mau! – disse imitando um super-herói x, que de herói não tinha nada, tava mais é para filme de comédia. Jane, Maura e Ângela caíram na gargalhada.
— Okay, essa cara está boa! Eu vou te dar a minha arma.
— Sério? – Ângela sorriu largamente.
— Não! Não, Mãe! – Ângela fez careta. Tinha ficado feliz por segundos pensando realmente que assustaria alguém fazendo cara de mau e usando uma arma, mas a verdade era que ela não tinha cara de mau e não sabia usar uma arma. Deu de ombros.
Desejou boa noite mais uma vez para Maura e deu um beijo na filha, que fez careta e depois acabou rindo. Tinha a melhor mãe do mundo. A mais carinhosa, a mais sufocante e claro, a com a cara de mau mais engraçada. O silêncio reinou entre as duas amigas que ficaram observando Ângela fechar a porta. Estavam sentadas no sofá da sala. Se olharam e sorriram. Não existia nervosismo, mas uma tensão gostosa no ar.
— Você vai voltar para Washington? – por fim Maura quebrou o silencio. Mesmo ele sendo gostoso, a loira precisava perguntar o que lhe incomodava.
— Não! Bom, na verdade eu não quero... Não tive tempo de conversar com Cavanaugh sobre isso. Ele praticamente me expulsou ontem quando fui até a Central. – as duas sorriram.
O silêncio voltou. Não que não tivessem assunto a serem conversados, mas as vezes o silêncio se fazia necessário para expressar palavras que não precisavam serem ditas. Mas como teriam todo o tempo do mundo para conversarem, Maura por hora resolveu perguntar outra coisa que tinha curiosidade.
— Não quis jantar com Grabriel Dean? – Jane a encarou sem entender. Depois se lembrou que Dean havia lhe chamado para jantar. Mas como ela sabia? – Ah, eu escutei ele te convidando quando eu entrei na sala para avisar que eu já estava pronta! – Jane apenas fez gesto em positivo com a cabeça.
— Na verdade eu nem respondi... – disse fitando a mesinha de centro!
— Me desculpe Jane, eu não queria atrapalhar. Você podia...
— Maura, não! Você não me atrapalhou e eu não ia jantar com o Dean. – respondeu encarando a loira.
— Hmm. – outro sorriso. De novo o silêncio. – E o seu nariz, como está? Ainda sente muita dor?
— Sinto, mas é bem pouca agora... É a segunda vez que isso acontece, eu vou ficar bem! – disse sorrindo. Maura também sorriu.
Naquele momento, mesmo com tudo o que tinha acontecido, parecia que tudo era motivo de sorrir! Mesmo quando mal falavam, o sorriso não saia dos rostos de ambas. Ficaram conversando por mais algum tempo. O assunto era pouco, as vezes ficavam apenas olhando para o nada. Estavam felizes e isso era nítido. Nítido inclusive para Ângela que mesmo sem estar na presença das duas, pensava em como Jane se transformava quando estava com Maura! E em como elas eram felizes, uma com a outra. Por fim, todas resolveram que iriam dormir.
— Bom, eu vou embora! Estou cansada e você também deve estar! Você quer ajuda para ir para o quarto?
— Jane! Eu estou apenas com a mão machucada... – disse rindo.
— Ué, assim eu evito que você queira jogar peteca!
Ambas caíram na gargalhada...
— Obrigada, mais uma vez... Por tudo!
— Por favor Maur, não queira mais ajudar o primeiro que bater a sua porta. E menos ainda abra essa porta para quem quer que seja!
— Sim senhora, Detetive!
— Boa noite, até amanhã.
— Boa noite, Jane!
Se abraçaram e Maura ficou por segundos observando Jane caminhar até seu carro e entrar nele. Fechou a porta e fez uma careta de dor, mas logo sorriu. Sentia-se tão bem ao lado de Jane, estava tão feliz por ela estar de volta, que se tornava distraída e acabou esquecendo-se da sua mão machucada... Tanto que a usou para fechar a porta. Mas não importava. Ela era forte, era médica e logo estaria com a mão boa novamente. Claro, cuidando muito bem dos ferimentos, comendo desesperadamente a mando de Ângela e praticamente sem mover o braço a supervisão de Jane! Sorriu... E pensando nisso, era melhor dormir ou ficaria assim, ora se lembrando do infeliz momento em que resolveu ajudar aquele homem, ora rindo feito boba ao pensar nos pequenos momentos da volta da Jane. Claro, os momentos bons!
Jane também estava feliz. Mais precisamente aliviada... Maura estava bem e fora de perigo. Mais ainda pela legista não ter tido mais do que um corte na mão. Sentia falta dela, sim, e muita. Mas o mais importante era que tudo tinha acabado bem, todos estavam bem, logo ela voltaria a trabalhar e pronto, vida normal novamente. Fez uma careta! Jane já era distraída, quando estava pensando algumas certas coisas e claro, com sinônimo de paixonite aguda, conseguia ser ainda mais e resultado disso, foi coçar o nariz e quase soltou as mãos do volante para fazer “carinho” nele para parar de doer.
***
— Surpresa! Bom dia, sapatão do dia! – disse um Anthony todo animado, praticamente pulando em cima de Jane, adentrando o seu apartamento.
Jane pensou que por algum instante pudesse estar sonhando, ou melhor, tendo um pesadelo. Não, pesadelo não, uma miragem do além do fim do mundo misturado com o apocalipse cheio de fogo vindo da babilônia! Mas ela realmente estava engana.
— Acorda Rizzoli! Hora de tomar café! – disse Rafaela mostrando a variedade de coisas que tinha na mão, entrando no apartamento da morena. Jane só podia estar vivendo o pior dia da sua vida. Era oito horas da manhã e ela só pensava em dormir e aproveitar seus dias de folga dormindo. Mas isso não iria ser possível.
Jane apenas sorriu amarelo. Não ia convidar eles para entrarem, pois os mesmos já estavam dentro de seu apartamento. Fechou a porta e bufou, ainda estava de pijama.
— Ah que devo essa visita tão agradável às cinco horas da manhã? – disse abrindo os braços e fingindo um sorriso.
— Oh Ted, você me respeita e melhora essa cara! Vamos embora antes do almoço e viemos dar o prazer de você tomar café na nossa companhia. Portanto, vá escovar esses dentes que eu e a Rafa colocamos a mesa. Estamos à vontade!
— Ah, fiquem a vontade!
Jane sorriu. O que podia fazer? No máximo matar o desgraçado que havia dado o endereço de seu apartamento para eles. Foi escovar os dentes, mas continuaria de pijama, pois se dependesse dela, passaria o resto do dia no sofá assistindo televisão, vendo o canal de esportes, filme, qualquer coisa que a distraísse, já que ela não podia tomar cerveja devido os medicamentos.
— Pronto. Já podemos tomar o café da manhã real. – disse sentando a mesa.
— Adorei a camisola, Jane! – ironizou Cezario.
— Aé? Depois te passo o telefone do meu estilista. Ai menina, ele é bárbaro! – falou revirando os olhos, totalmente empolgada.
Os três se olharam e caíram na gargalhada. Eram impossíveis. Se fizessem um concurso, não saberiam dizer quem seria o vencedor.
— E então, quem foi o falecido que deu o meu endereço para vocês? – perguntou observando as coisas postas à mesa!
— Ai que horror, Jane! – respondeu Cezario dando risada.
— Se bem que... – Anthony ficou em silêncio. Jane e Rafaela o olharam sem entender.
— Thony! – disse chamando a atenção dele, depois dando risada.
— Não, espera... – disse ele colocando a mão no rosto, dando risada.
Claro, ele só podia estar falando de Dean! O único que tinham contato em Boston, por enquanto, pois não tinha como ser com outra pessoa. E como Anthony já não gostava da ideia...
— Como você se sente? – perguntou Rafaela.
— Ah eu vou ficar bem! Ainda sinto algumas pontadas no nariz, mas nada de absurdo... Semana que vem volto a trabalhar e já o quebro de novo!
— Deusolivre! – disse Anthony batendo na madeira com toda sua delicadeza. – Não nos dê outro susto desses novamente, Sa!
— Tive que segurar o Thony quando ficamos sabendo... Ele quase desmaiou!
— E ainda tomei três doses de vodka de uma vez!
— Mas você não perde uma, né? Eu aqui quase morrendo e você tomando doses e mais doses...
— Se quiser podemos tomar uma agora!
Jane e Rafaela se entreolharam desacreditadas! Anthony estava mesmo falando sério que queria tomar uma dose de vodka às oito horas da manhã?
— O quê? Nem parece que são macho! – ironizou vendo as caras de inconformidade de ambas. Jane revirou os olhos. Já tinha cansado de dizer a ele que não era macho!
— E a Maura, como está? – perguntou Rafaela.
— Ela esta bem melhor! Por sorte nenhum de seus nervos e tendões foram afetados. Ela ainda permanece com os pontos, creio que daqui alguns dias já deve tirar...
— A prinçapa salvando a princesa da torre do mal...
Jane não sabia mais o que fazer. Rafaela estava começando a pensar da mesma forma! A cada dez palavras que Anthony falava, no mínimo onze era piadinha, ironia e até mesmo alfinetada. Era incrível como ele ficava pior e mais engraçado a cada dia.
Ficaram conversando por mais algum tempo até terminarem de tomarem o café da manhã. Era notório que a amizade dos três crescia a cada dia! Com o tempo, cresceria muito mais.
— E o que você pretende fazer agora, Jane? – perguntou Hugh.
— Eu pretendia estar dormindo nesse minuto, mas...
— Olha que mal agradecida, Thony! – disse Cezario arregalado os olhos e abrindo um pouco a boca. – Só por isso vou tomar sua cerveja!
— Ah, mas não vai mesmo! Não, isso é tortura... – disse fazendo cara de dó. – Só porque eu estou tomando remédio e não posso beber!
— Isso, toma mesmo Be! – disse Anthony incentivando Rafaela. – E se não fosse tão ruim, eu também tomaria uma só para fazer inveja para ela.
Quando Jane menos esperou para tentar argumentar, Rafaela, que já estava à vontade, abriu a geladeira da casa da morena e pegou uma cerveja. Jane revirou os olhos.
— Quem tem amigos como vocês não precisa de mais nada de ruim nesse mundo!
— Ai, a gente sente tanto seu carinho, Sa!
— Vem cá, você faz piadinha quando está interrogando também, Lombardi? – perguntou Jane. Rafaela deu risada.
— Filha, você nunca me viu interrogando. Sou mais sinistro que o James Bond, me respeite! – respondeu fazendo cara de superior.
Claro que Jane e Rafaela não seguraram a risada.
— E quanto a Maura... Vocês já conversaram? – pronto, tava demorando pra ele tocar nesse assunto. Jane revirou os olhos. Sabia que uma hora ou outra isso ia acabar acontecendo.
— Conversamos!
— Jane!
— O quê?
Ele apenas ficou encarando ela. Ela bufou. Só podia ter jogado pedra na cruz mesmo.
— Querida, você sabe que uma hora ou outra terão que conversar... Para que ficar adiando quando se pode resolver com precisão? Abra teu coração para ela, pois sei que o dela já esta aberto só esperando um sinal seu.
— E você quer que eu diga o que? “Oi, o meu amigo Thony disse que eu tinha que vir abrir meu coração para você, pois o seu já está aberto”? Do jeito que ela é, vai me corrigir dizendo que o coração não se abre, que nem o meu e nem o dela está aberto, caso contrário estaríamos morta!
— Por que ela diria isso gente? – perguntou Rafaela confusa.
— Só por causa do fato dela ser o Google com cabelos!
— Ai Jane, você jura mesmo que ela é tão nerd assim? – perguntou o Detetive.
— Isso é pouco perto da enciclopédia que é essa mulher!
— Então é melhor você procurar na internet o que vai dizer! – ironizou Cezario! Anthony caiu na gargalhada.
— E sem erros, caso contrário ela iria te corrigir e perceber que você tinha entrado no site de mensagens de amor! – completou o homem ainda rindo.
— Olha que inferno! To morrendo de rir. – a morena fingiu estar rindo. – Vocês ajudam muito!
— Não mais agora é sério... Não adie sua felicidade, Rizzoli! Nada melhor do que você ter com quem compartilhar seus melhores e piores momentos... E você ganha em dobro, porque além de tudo ela é sua melhor amiga!
— É, eu sei... – disse Jane com um fino sorriso. – Bom, mas eu não sei o que fazer. Nesse caso, eu não faço nada e vocês cuidam da própria vida!
— Jane, para! Seja racional pelo menos cinco minutos da tua vida! – disse Rafaela sentando no braço do sofá, ao lado de Jane. Jane a encarou curiosa, a amiga nunca tinha tido a expressão tão séria como estava agora. Só tinha visto essa mesma expressão quando estavam em treinamento no FBI. – Ou você vai lá, conversa com ela, falar sobre seus sentimentos e sua confusão, ou eu e o Thony que vamos!
A tarefa de tentar fazer Jane enxergar que só seria feliz ao lado de Maura, porque a loira era a mulher que ela amava, estava ficando insuportavelmente difícil. Todo mundo entendia, inclusive eles, o quão difícil estava sendo para Jane assumir que gostava de uma mulher e que essa mulher era sua melhor amiga. Mas ou ela tomava uma atitude ou viveria nesse impasse. O que era mais provável, já que Jane enfrentava tudo, menos o seu coração. Mas com eles presente na vida da Detetive, isso não aconteceria. Não mesmo!
— E ainda apresento uma bofe para ela, porque eu não sou obrigado... Daquelas bem caminhão! – Anthony estava decidido a não dar paz para Jane.
Jane revirou os olhos pela milésima vez. E o que mais ela poderia fazer? Eles estavam certos mesmo. Ficaram por mais algum tempo conversando. Jane agradeceu imensamente por terem ido visitá-la! Sentiria saudade dos amigos. Combinaram que assim que pudessem, se encontrariam novamente. Anthony antes de ir embora deu várias recomendações para a morena, disse ainda que qualquer coisa ela poderia ligar para ele que ele lhe daria conselhos para a hora “H”! Embora fossem mais irônicos do que ela, a policial sentiria falta da companhia e deles pegando em seu pé! Saíram dizendo que quem sabe eles não voltariam a Boston!
***
Os dias correram tranquilos. Sempre que Jane estava sozinha ou via Maura, ficava imaginando em como seria ter Maura mais do que sua amiga! Adorava a loira, mas mais do que adorar, amava seus piores defeitos... Defeitos esses que acabavam se tornando o mais fofo, até mesmo uma qualidade! Isso era mais do que uma amizade, é amor!
— Doem? – perguntou Jane entrando na casa da loira atrás dela, apontando para a mão da Legista. Tinham acabado de chegar do médico, pois Maura tinha ido tirar os pontos. Sentia-se bem melhor e sua mão estava apenas com a cicatriz!
— Um pouco! Na verdade coça bastante. Mas isso é normal, vai passar... – respondeu sentando-se no sofá.
Jane foi até a cozinha e serviu vinho para as duas. Assim como a morena, Maura já tinha parado de tomar remédios e havia deixado aquele vinho separado para elas para quando voltassem do hospital...
— Tim-tim! – Maura levantou a taça. Jane fez o mesmo!
— E a que vamos brindar, Doutora?
— A nós! – encostou sua taça na taça de Jane. – A você, a mim. A vida... A nossa vida!
Jane nada respondeu. Apenas enfatizou a taça de Maura que já estava sobre a sua e tomaram um gole do vinho.
— Eu sei que você não deve ter preparado nada, mas diz que tem algo para comer que não seja verde?
— Não, eu não preparei ou sua mãe me colocaria de castigo! – deram risada. – Deixo você escolher... Mas só hoje aceito comer pizza de calabresa!
— Sério? – disse Jane abrindo o sorriso. A loira assentiu.
E antes mesmo que ela desistisse, Jane correu para ligar e fazer o pedido da pizza. Não era todo dia que a loira aceitava comer pizza sem antes dar o sermão do “Vida e Saúde” e ainda deixar Jane escolher o sabor. E desastrada como era, Jane deixou um pouco do seu vinho cair sobre o sofá!
— Oh meu Deus Maur, me desculpe! – disse desajeitada, depositando a taça em cima da mesinha de centro e passando a mão para tentar limpar e conter a absorção.
— Tá tudo bem! – respondeu a loira também levando sua mão até o local.
As mãos de ambas se tocaram. Nada disseram, apenas observaram o toque. Maura sorriu.
— Agora temos a mesma cicatriz! – disse com um pequeno sorriso olhando para a morena.
Os olhos se encontraram e Jane pode ver o brilho dos lindos olhos verdes! Sorriu meio triste lembrando-se que isso não era um bom sinal, embora sua mão estivesse debaixo da mão de Maura.
Talvez essa fosse a hora de alguma das duas tomarem a atitude de iniciar o beijo. Mas ambas tinham medo. Não queriam dar um passo em falso, principalmente Maura que já havia iniciado um beijo que havia resultado no afastamento de Jane.
— Maura, eu... – disse Jane um pouco sem graça, tirando sua mão debaixo da mão de Maura.
— Tudo bem Jane! – respondeu a loira abaixando a cabeça, com um pequeno sorriso.
— Me desculpe, eu sou um fracasso... – também abaixou a cabeça.
— Não diga isso, acontece com todo mundo!
— Todo mundo quer te beijar?
— Sim! Todos nós estamos sujeitos a acidentes... Derrubar vinh... – só então a loira levantou a cabeça e se deu conta que não era sobre o vinho que Jane falava. Ficou com a boca um pouco aberta, como se fosse dizer uma palavra, mas não dizia. Jane a encarava com um sorriso de lado. Será que ela tinha escutado direito? – Você... O quê?
Jane foi chegando perto, finalmente tomando a iniciativa. Ela queria beijar Maura. Maura queria beija-la. Então, porque não deixar isso acontecer? Ela era forte, decidida, era a Detetive Jane Rizzoli e sim, tinha atitudes! Mesmo depois de vários puxões de orelha de Hugh e Cezario, ela enfim deixou que isso acontecesse.
E aconteceu...
O beijo aconteceu! Já havia acontecido, mas esse era diferente... Era com entrega! Tinha outro sabor, tinha gosto de necessidade. Tinha um gosto doce, completando uma boca a outra. Aconteceu devagar, lento... Teriam todo o tempo do mundo para fazerem o que quer que fosse, mas aquele momento era delas. Era como se em trinta e sete anos nada fizesse sentido para Jane e só agora, ali, com sua boca na boca de Maura era que ela podia sentir que gosto realmente tinha o amor!
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