Rizzoli And Isles - O amor por trás do caso
14 Capítulo 14
Notas iniciais
“Chamamos céu, aquele azul, depois do primeiro beijo....”
Era como se nada mais fizesse sentido! O amor ele cria como por enquanto algo inexplicável, numa espécie de mágica. É como se tudo o que você mais desejou, desde um simples objeto até o sonho que você mais achou impossível de se realizar, fossem nada. Nada porque tudo o que você precisa estava ali, com você ao seu lado. Tudo o que você mais desejou sempre, estava acontecendo em um simples beijo.
O destino sempre colocará pessoas na nossa vida... Basta você saber aproveitar as grandes oportunidades. E talvez pelo destino ou até mesmo pelo acaso, Jane e Maura se conheceram, viraram amigas e estavam apaixonadas! Era como se por toda a vida nunca tivessem sentido o que sentiram após o beijo. A necessidade que aquilo tinha, aquela sensação gostosa de descoberta, aquele olhar brilhante de felicidade e medo, insegurança e certeza. O sorriso largo e tímido... O amor que sempre existiu aflorando da forma mais pura.
Após o beijo, Jane permaneceu com os olhos fechados e abriu um risinho de lado. Maura abriu o mais lindo sorriso ao notar que sua morena ainda permanecia com os olhos fechados sem nada dizer, apenas sorrindo. Sem ter o medo e carência da incerteza do que estavam fazendo, sem ter o clima de que aquilo não podia ter acontecido. Felicidade maior não poderia existir. Finalmente aquilo indicava que elas poderiam viver juntas, como um casal quem sabe!
— Maur, fala alguma coisa! – falou Jane com a voz mais rouca que o normal, tentando desfazer a cara de boba que ela e Maura estavam... Ela estava nervosa. Não sabia que tinha essa coragem para tomar a iniciativa de um beijo. Um beijo em uma mulher, um beijo em sua amiga... Seu medo era nítido. Tudo era novo, mas o medo maior era por descobrir que realmente estava apaixonada por Maura, sua melhor amiga de anos... Será que sempre foi apaixonada por ela, mas nunca havia percebido? Será que todos estavam certos quando as viam como um casal? Será que elas sempre foram tão juntas ao ponto de parecerem mesmo um casal? Ainda levaria um tempo para se acostumar com isso. Existiam muitas perguntas em sua cabeça.
Mas a loira nada disse!
Existe forma melhor do que você dizer para a pessoa que você ama que está feliz por estarem assim, perto uma da outra, que quer ficar ao lado dela para sempre, do que com um beijo? A loira não disse nada, não por palavras... Mas seu beijo diria muita coisa.
— O que estamos fazendo? – perguntou Jane após separarem do beijo! Maura a olhou desentendida. Como o que estavam fazendo?
— Você... – Jane entendeu o que ela quis dizer!
— Não Maura, não! Eu não me arrependo... Eu só...
— Para mim, tudo é novo também, Jane! No fundo eu acho que sempre quis isso, mas nunca tive coragem de dizer ou fazer!
Ao mesmo tempo em que a morena estava surpresa, estava feliz!Não que ela não soubesse que Maura já tinha tido algum interesse além de amizade por ela, mas ainda assim tudo era novo. Era novo para ela. Era novo para a loira. Ambas estavam descobrindo ou redescobrindo que se amavam não só como amigas, mas como mulher.
— Eu só não...
— Não se preocupe! Temos todo o tempo do mundo... – disse com um lindo sorriso!
Desde quando Maura tinha um sorriso tão lindo, tão encantador, tão perfeito, tão tão? Jane perguntou para si mesma se era realmente sério que ela estava apaixonada por Maura, porque sempre, durante anos olhou para aquele mesmo sorriso, só que agora ele estava diferente, estava mais lindo do que o comum. Não que ela não achasse o sorriso da loira lindo, mas tinha algo em especial naquele dia... Que fosse! Ela só tinha vontade de ficar ao lado da loira mesmo, então porque não deixar essa paixão aflorar?
A pizza chegou para a felicidade das duas, pois assim como Jane, Maura também estava faminta! E momento melhor não podia existir... O clima estava agradável e quem as visse naquele momento saberiam de certo que uma era a razão da felicidade da outra.
— Gosto assim, com muita cebola! – disse Jane com a boca cheia apontando para a pizza.
Maura riu e apenas balançou a cabeça! Tinha que concordar que a pizza estava uma delicia, embora comesse raramente, pois não era saudável, ainda mais para uma janta e ela enumeraria todos os contras mentalmente!
Ficaram conversando que nem viram a hora passar.
— Vou para a casa, Doutora! Amanhã finalmente volto para a Central... Não aguentava mais ficar longe! – Maura sorriu.
— E eu só daqui a alguns dias...
Maura abriu a porta e Jane parou de frente para ela...
— Bom... – ficaram se olhando. Maura sempre com um risinho no rosto. Estava tão feliz que nem se lembrava dos momentos ruins que havia passado nos últimos dias.
As duas não sabiam o que fazer! O que dizer, como se cumprimentar. Como a loira mesmo havia dito, teriam todo o tempo do mundo... Então não tinham com o que se preocupar!
— Então tchau, Maur! – Jane acenou com a mão.
— Tchau Jane! – Maura também acenou e ficou observando Jane caminhando em direção ao carro!
Teriam todo o tempo do mundo, mas porque perder tempo se podiam usar todo o tempo que o mundo estava dando?
— Jane?
— Hum? – a morena virou e Maura já estava quase atrás dela.
Ficou notando a loira se aproximando sem nada dizer e quando menos esperou, Maura entrelaçou os braços em seu pescoço e lhe deu um selinho! Jane como foi pega de surpresa, apenas fechou os olhos e ficou parada, estática!
— Agora sim, boa noite! – disse Maura sorrindo, ainda com os braços no pescoço de sua morena.
Foi a vez de Jane de nada dizer! Estavam na rua, na porta da casa da loira, mas quem se importava? Jane aprofundou o beijo entrelaçando seus braços na cintura de sua loira.
— Você invadiu o meu espaço pessoal, eu poderia te prender por isso, Doutora! – disse sem desvencilhar ainda do beijo. Maura sorriu na boca de Jane!
— Então eu teria que te denunciar, já que suas mãos estão sobre o meu corpo sem a minha permissão, Detetive! – respondeu dando outro selinho na morena até se separem por completo!
— Vou levar isso como um elogio! – disse a morena rindo e abrindo a porta de seu carro. Maura apenas balançou a cabeça rindo. Do carro, os olhos de Jane cruzaram com o de Maura e seus olhares sorriram...
Um dia descobrimos que se apaixonar é inevitável... Porque somente quando encontramos o amor, é que descobrimos o que nos faltava na vida!
Maura fechou a porta atrás de si com o sorriso mais bobo, doce, apaixonado e lindo do mundo! Não se lembrava de quando havia se sentido assim antes... Na verdade nunca havia se sentido assim, pois com ninguém, nem mesmo com Ian ou qualquer outro ex-namorado que ela pudesse se lembrar, havia se sentido assim. Só Jane lhe despertava isso. Estava disposta a ariscar sua amizade com a morena para viver o amor que sentia. E quantas vontades sentia... Sim, agora tinha toda a certeza do mundo de que amava Jane, estava completamente apaixonada por ela e queria passar o resto da vida ao seu lado!
“ Eu te vi e já te quis
Me vi tão feliz...
Um amor que pra mim era sonho...”
Jane não queria nem ficar pensando no que estava pensando que estava sentindo! Nada como um sorriso para denunciá-la. Mas seu maior medo era de arriscar sua amizade com a loira... E se depois vissem que não era nada daquilo que queriam? Ela não queria perder sua única e melhor amiga... E sua família, sua mãe, irmãos e amigos? Embora Jane tivesse uma opinião forte, formada e fosse dona de si, por outro lado ela se importava muito em questão da família... O que sua mãe iria achar? O que seus irmãos poderiam pensar? Isso com toda certeza seria mais um problema para a Detetive... Tinha acabado de beijar Maura na porta da casa dela... E se sua mãe tivesse visto? Com toda certeza esses eram os pensamentos que iriam atormentar a morena, mas no momento ela só queria se lembrar do gosto maravilhoso que tinha o beijo de Maura, da boca fina e macia, perfeitamente encaixada a sua! Será que todos estavam certos quando diziam que ela nunca dava certo com nenhum homem? Será que Maura era mesmo o grande amor de sua vida? Será que a loira também a via dessa forma?
“Surpreendente provar,
Do que eu só ouvi falar...
E você resolveu me mostrar...”
***
— Quanto animo logo cedo, para o primeiro dia de volta ao trabalho... Viu o passarinho verde ou isso tudo era saudade do trabalho? – perguntou Ângela depositando o prato de panquecas para a filha em cima da mesa. Jane fez careta.
A verdade era que ela realmente estava com um brilho diferente nos olhos e um sorriso radiante. Diferente dos outros dias que ela chegava com seu habitual mau humor e desejava bom dia aos colegas de trabalho porque era obrigada... E como toda mãe, claro que Ângela ia perceber, ainda que mínima, a mudança repentina de Jane.
— Hm, isso parece estar com uma cara ótima! – disse Frankie chegando à mesa em que elas estavam e roubando um pedaço da panqueca da irmã.
— Frankie! – disse ela tentando segurar sua mão, mas já era tarde, pois ele já havia pegado metade de sua panqueca! – Mãe!
— Frankie, pare já de comer a panqueca da Jane! – disse Ângela também segurando a mão dele. – Eu preparei para você também...
— Só por isso vou comer metade da sua panqueca também! – disse Jane.
— Ah não vai não! – respondeu sentando-se.
Jane apenas fez careta e continuou comedo...
Estranho! Esse foi o único pensamento que Frankie teve após notar que sua irmã nem ficou reclamando a vida como ela sempre fazia, nem se importou muito por ele ter pegado sua panqueca, nem tentou brigar com ele, continuar com a careta ou o que quer que fosse... Algo estava diferente e ele havia notado isso.
— Esta animada para voltar a trabalhar ou virou um dos engomadinhos do FBI? – perguntou ele, fazendo-a encarar-lhe!
— Engomadinho, sério?
Ele apenas balançou a cabeça como quem dissesse “vai saber...”. Ela fez careta. Ele riu. Sentia falta da irmã, até mesmo de seu mau humor.
— Bem vinda de volta. – disse dando um soquinho em seu braço... – E a Maura?
Ela parou na mesma hora de comer e por mais que quisesse disfarçar, não conseguiu! Ficou espantada, como se tivesse medo do sentido da pergunta. Mas é claro que Frankie não deixou isso passar despercebido.
— E então... – ele insistiu achando tudo muito estranho.
— Ela tá bem!
— Bem?
— É Frankie, bem!
— Vocês conversaram?
— Sim!
— Sim?
— Não?
— Não? – perguntou ele com a confusão.
— Sim! – ela estava adorando confundir o irmão, assim conseguiria disfarçar, mudar de assunto, já que ele não insistiria porque ela estava tirando uma onda, mas o fato era que Frankie não desistiria e insistiria no assunto até entender.
— NÃAOOOOOOO! – disse ele colocando o dedo no ombro de Jane, dando uma empurradinha, mostrando toda sua surpresa. Ela franziu o cenho e não entendeu. Ele mostrou que já tinha entendido tudo!
— Não? – perguntou encarando-o.
— Nãaao!
— Frankie, pare pelo amor de Deus! – ela já havia se enchido com esse assunto. – Tenho mais o que fazer do que ficar brincando de jogo da velha com você!
— Vocês conversaram sobre... – disse ele fazendo gestos, apontando para ela e não completou a frase. Ela ia falar alguma coisa, mas ele a interrompeu. – E não minta para mim!
— No que a Jane vai mentir para você, Frankie? – perguntou Ângela chegando e depositando o prato de panquecas em cima da mesa. Havia pegado só o final da conversa... Por sorte!
Jane apenas o encarou e levantou uma das sobrancelha. Ângela olhou para Frankie, depois para Jane e voltou a olhar para Frankie, aguardando que ele respondesse.
— Ué mamãe, se ela havia gostado... – olhou para Jane e a morena só o encarava com a sobrancelha levantada.
— Gostado do que, Frankie? – perguntou Ângela olhando pros dois, alternando. A italiana já estava ficando impaciente por não dizerem nada, apenas ficarem trocando olhares e Jane com cara de paisagem...
— Gostado do treinamento, de estar no FBI... Essas coisas! – Ufa, essa foi por pouco, Jane pensou. Mas ainda assim, mataria o irmão. E claro, Frankie importunaria Jane até ela contar tudo!
Ao chegar em sua sala, Jane foi recebida por seus amigos a cumprimentando!
— Bem vinda de volta de novo! – disse Frost, sorrindo. Ela sorriu de volta.
— Por que não ficou mais tempo de férias, Jane? – perguntou Korsak.
— Ah, bom ver você também, Vince Korsak! — Korsak riu balançando a cabeça em negativo.
— Não, eu disse que poderia ter aproveitado mais, já que a Dra. Isles ainda está de “folga”.
— E o que eu tenho a ver com isso?
— Ué, assim poderiam aproveitar mais tempo juntas, viajarem, sei lá...
— E porque eu iria querer aproveitar o meu tempo junto com a Dra. Isles? – indagou ela com uma sobrancelha levantada. Realmente não estava entendendo onde Korsak queria chegar. Frost riu de lado, sabia que aquilo iria ser bom e só ficou observando.
— Vocês estão sempre juntas, sei lá, pensei que pudessem querer mais uns dias de folga juntas e...
— E vá fazer o que você faz de melhor: comer rosquinhas! – respondeu Jane sentando em sua mesa. Frost não segurou o riso. Korsak fechou a cara.
— Jane, Jane... Escuta essa! – disse Frost fazendo Jane encarar-lhe! – As melhores pistas de Korsak, são os granulados que ele deixa cair pelo caminho até chegar á cena do crime... Sempre autêntico, não Det. Donuts?
— Espere, espere um pouco... Estou sentindo o computador de Frost queimar! Oh meu Deus! – disse Korsak levando a mão a cabeça e arregalando os olhos. – Oh não... Isso é cheiro de velho encalhado....
— Começou o boomerang! – disse Jane que só observava as alfinetadas. – Hey, vamos parar? Isso daqui não é um playground, okay? Okay!
Ao final, os três se olharam e riram...
— E como está a Dra. Isles, Jane? – perguntou Korsak.
— Mas que diabos você cismou com a Maura hoje, Donuts? – Frost que estava olhando para o computador apenas levantou o olhar por cima da tela para espiar Jane! – Se quer saber dela, ligue para ela!
— Okay Det. bravinha... Só gostaria de saber como ela está! – respondeu Korsak levantando as mãos.
— Talvez ele queira levar-lhe umas rosquinhas! – disse Frost, voltando a olhar para a tela do computador.
Jane percebeu que havia sido “delicada” demais com o amigo.
— Hey, desculpa... – disse ela sorrindo e olhando para ele. – A Dra. Genio está bem, okay? – ele apenas afirmou com a cabeça rindo. Ela continuou rindo e olhou para tela de seu computador...
Maura estava bem! Bem até demais... E lá estava a Detetive com os pensamentos nela, na noite passada e de como estava se sentindo tão bem, como nunca havia se sentido. Nunca!
“ Os pensamentos vão te buscar...
Em um segundo encontrar o sorriso que me encantou...
Rever os brilhos dos teus olhos, me ensinou o que é o amor!
O primeiro beijo ainda está na mente....
O seu cheiro ainda está presente em mim!
Parece que foi ontem que me conheceu...
E hoje é o meu amor e o seu amor sou eu!!! “
Suspiros... Suspiros, Maura, suspiros....
— Mas que diabos aconteceu com a Rizzoli? – perguntou Cavanaugh entrando na sala e percebendo a cara de paisagem paradise que Jane estava fazendo. – Ela está segurando no mouse, olhando para a tela do computador desligado? – perguntou abismado, olhando aquela cena, se aproximando da mesa de Korsak e parando ao lado dele!
Mas quem se importava? Aliás, quem disse que Jane se importava? O filme dos momentos do beijo e de todo o tempo que havia passado com Maura na noite anterior estava passando em sua cabeça... Um sorriso bobo teimou aflorar em seus lábios sem que ela própria se desse conta. Ainda mais na frente de todos, inclusive de seu chefe que só a observava. Frost pigarreou na tentativa de tira-la de seu devaneio, para quem sabe assim ela perceber que todos a olhavam, inclusive Cavanaugh. Mas ela estava tão concentrada na boca de Maura que nem se notou.
— FOGO! – Cavanaugh literalmente gritou e Jane só faltou dar um pulo da cadeira com o susto que levou. Olhou para ele e para todos que estavam em sua sala e notou que todos a olhavam com um ar curioso. Ela franziu a sobrancelha não entendendo nada. – Está com algum problema, Rizzoli?
— Não? – respondeu, soando como uma pergunta!
— E o seu computador, está com algum problema? – ele a encarava e ela entendia cada vez menos.
— É... Não sei! Está? – respondeu olhando para Frost que soltou um riso baixinho.
— Okay, pare de sonhar acordada e vamos á minha sala! – disse o Tenente apontando para porta.
Ela ainda estranhando tudo, ficou pensando o que ele estava querendo insinuar falando que ela deveria parar de sonhar. Fez cara de pouco caso para todos na sala e foi atrás do chefe.
— Vejo que está melhor! – disse Cavanaugh sentando em sua cadeira e fazendo sinal para que Jane se sentasse!
— Estou sim, obrigada senhor!
Ele olhou para ela e apenas acenou em positivo. Começou a mexer em alguns papéis sem nada dizer. Ela apenas o encarava com uma sobrancelha levantada.
— Aqui está o relatório que o FBI me enviou dos seus dias de treinamento... – dizia sem tirar os olhos dos papéis! – Rizzoli, você quer me contar o porquê de realmente ter ido para aquele Centro ou você realmente quer nos deixar para trabalhar com eles? Só vejo elogios aqui! – disse gesticulando e apontando para os papeis.
— Não! Eu jamais pretendo sair daqui! Aqui é o meu lugar, onde eu quero fazer a minha carreira, onde eu cresci e aprendi! Onde tive a oportunidade de me tornar uma Detetive, uma mulher Detetive! Se... Bom, se eu fui para lá, não foi na intenção de sair da Homicídios, muito menos de Boston! Eu só... – não sabia como explicar para o chefe que havia “fugido”. Cavanaugh ouvia tudo atento.
— Então você foi para lá... – respirou e continuou! – Rizzoli, você é a minha melhor Detetive! Quando você entrou na minha sala, pedindo para que eu a deixasse ir, eu não encontrava outra explicação que não fosse a de você querer fazer uma carreira no FBI e estava vendo isso como uma oportunidade! Eu não podia negar isso a você, embora achasse que não precisava de treinamento algum! Se realmente queria entrar para o FBI, eu não poderia barrar. Mas...
— Senhor, eu agradeço a compreensão, mas em nenhum momento eu tive a intenção de fazer carreira no FBI! Eu só... – sua perna balançava.
— Você está com algum problema com esse Departamento? – ela apenas balançou a cabeça em negativo! – Está com algum problema com seus colegas de trabalho?
— Não senhor!
— E a Dra. Isles? – Jane franziu o cenho e fez cara de desentendida.
— O que tem ela?
— O seu problema! – apontou para a Detetive. – É com ela?
— O quê? Não! Não... Eu, eu e Maura nos damos muito bem!
— Até demais... – respondeu naturalmente. Jane não entendeu o “até demais”, mas resolveu não questionar! – E então... De volta ao trabalho?
Jane respondeu sorrindo, levantando da cadeira e deixando a sala.
O dia correu tranquilamente, embora Jane tivesse na vontade de que acontecesse um novo caso parar trabalhar. Havia ficado muitos dias fora e sentia falta da adrenalina e claro, não que gostasse quando alguém morria, mas se sentia útil por poder levar paz às famílias que perdiam seus entes queridos, e com isso colocar bandidos atrás das grades!
E assim passou alguns dias, com apenas um caso de suicídio, ao que haviam concluído com a ajuda do “Pike Bass”, como Jane havia apelidado ele naqueles dias.
***
— Bom, eu pensei que você poderia ter cerveja na sua geladeira, mas trouxe um pouco mais. Vinho. Comida japonesa e... – dizia Maura toda atrapalhada parada na porta do apartamento de Jane, tentando mostrar tudo o que trazia na mão. Jane riu com a cena e Maura a olhou incrédula, porque em vez dela ficar rindo, podia ajudar a loira com todas as sacolas.
Jane pegou algumas sacolas e a bolsa dela e abriu mais espaço para que ela entrasse.
— Espero que você tenha trago um dorflex também, porque acho que minha espinha foi parar no tornozelo com o peso dessa sua bolsa!
Maura revirou os olhos. Como Jane era exagerada... Ela nem levava tantas coisas assim na bolsa.
— Isso é impossível! – respondeu virando-se para ela após colocar as sacolas em cima do balcão. – Sua espinha nunca poderá parar em seu tornozelo, uma vez que você fique...
As outras palavras foram sussurradas, pois Jane a calou puxando-a pela cintura e dando lhe um beijo.
— Você não ouse nunca mais me interromper! – disse a Legista após se separar do beijo.
— Nunca mais? – ironizou Jane.
— Nunca. Nunquinha. – respondeu fingindo irritação.
Mas é claro que não estava irritada. Se fosse em outra época, outro dia, com outra pessoa, ela até poderia estar pois não gostava de ser interrompida de nenhuma maneira. Mas quem se importava? Ela estava beijando Jane. Sorriu a ver a cara de “superior” que Jane a olhava, como se dissesse: você não me convence! A loira “pulou” em Jane novamente e a beijou, agora com mais paixão, pois paixão não faltava para elas... Mas Jane o interrompeu, pois estava ficando um pouco fora de controle...
— É... Acho melhor a gente comer se não vai esfriar! – disse com a mão no rosto, ajeitando o cabelo e andando pela cozinha! Maura concordou com apenas um sorriso meio sem graça.
Estavam no sofá conversando sobre qualquer coisa enquanto bebiam... Vez ou outra, Maura notava que Jane levava a mão aos ombros, como se algo tivesse lhe incomodando. Jane notou que a loira já havia notado o seu incomodo.
— Não adianta ficar prestando atenção em mim para começar a soltar a enciclopédia... Quando eu disse sobre o doflex, eu realmente estava falando de verdade, pois minhas costas estão me matando! – disse com uma mão na cintura, fazendo cara de dor.
— Suas costas não te matam Jane! – a morena ia revirar os olhos e reclamar, mas a loira se antecipou. – Okay! Vamos, me diga aonde dói? – disse depositando sua taça ao lado do sofá e virando para que a morena mostrasse qual parte doía.
— O quê? Não, você não vai colocar a mão em mim, tá doendo de verdade. Muito. Mais que muito, de matar! – Maura revirou os olhos. Jane conseguia ser insuportavelmente linda teimosa.
— Jane! Me deixe ver. – ganhou um negativo com a cabeça. – Isso é resultado se sua má postura. A começar pela sua cadeira, que você não senta corretamente.
— Okay Dra, eu só estou exausta e preciso de paz. Paz...
Maura levantou se e parou de frente a morena, estendendo lhe a mão.
— Venha, eu vou te fazer uma massagem!
— E desde quando você sabe fazer massagens? – perguntou com uma sobrancelha levantada, encarando a loira que já estava começando a ficar sem paciência.
— Por que você é sempre tão chata assim? – perguntou com incredulidade.
— Hey, eu estou doente! Você deve me tratar muito bem! Sabia que eu posso morrer? – Maura cruzou os braços e começou a bater o pé. Jane estava achando graça de toda aquela situação.
— Você não está doente e não vai morrer Jane! – disse ainda de braços cruzados. – Venha, vamos para o seu quarto!
Começou a caminhar... Parou no meio do caminho e olhou para a morena que ainda estava sentada no sofá, mas logo levantou-se para fazer o que a loira havia dito e foi seguindo os seus passos até o seu quarto.
— Tire a blusa e deite se na cama!
— Ei! Eu não vou tirar a minha blusa! – disse cruzando os braços e olhando para a loira com a maior incredulidade do mundo. Maura revirou os olhos.
— Jane Clementine Rizzoli! – disse também cruzando os braços. Jane revirou os olhos. – Você quer que eu faça massagem em você ou não? E não adianta revirar os olhos! – disse em tom de autoridade, levantando o dedo.
Jane arregalou os olhos e ficou olhando para Maura com os braços cruzados e a feição séria. Não revirou os olhos, mas bufou vencida e tirou a camisetinha que estava como a loira havia mandado! Praticamente jogou-se na cama.
— Oh meu Deus, de bruços, Jane!
Bufou novamente e virou de uma vez, como uma criança emburrada fazendo tudo por obrigação. Já estava ficando irritada. Maura estava mandando nela e isso não era certo, não gostava de ser mandada... Estava parecendo sua mãe.
— Espere ai que eu já volto!
A loira foi até a sala e pegou um creme de corpo dentro da sua bolsa. Voltou para o quarto e Jane permanecia do mesmo jeito, com o rosto enfiado no travesseiro! Devagar, Maura foi tirando os seus sapatos e prendendo o seu cabelo como pode.
— Já acabou? – perguntou uma morena impaciente. A Legista nada respondeu.
Debruçou na cama e sentou “nas pernas” de Jane.
— Você vai fazer massagem ou vai ficar... – mas Jane calou-se quando sentiu as mãos de Maura em seu sutiã, abrindo-o.
— Shh... Levante-se para que eu possa tirá-lo!
Jane nada disse, apenas fez o que ela havia dito.
Em pingos lentos, Maura foi deixando o creme cair em pontos estratégicos nas costas de Jane. Começou a espalhar por toda a extensão de forma lenta e delicada. Com o toque, a morena se arrepiou por inteira. Maura sorriu ao ver como a pele dela respondia ao seu toque. E com as mãos delicadas porem firmes, começou a movimentar em círculos, subindo da cintura até a nuca. A cada novo movimento inesperado, Jane se arrepiava cada vez mais. Existia um silêncio gostoso no ar, elas não falavam nada, mas curtiam cada minuto a atenção de receber o toque e de dar o toque!
Maura foi se mexendo e se ajeitando um pouco mais acima no corpo de Jane e começou a depositar creme em seu ombro e seus braços. Jane estava adorando cada movimento que a médica fazia, mas estava com medo das reações que tinha o seu corpo... Ao mesmo tempo em que relaxava ficava rígida. Maura apertava toda a extensão de suas costas, ora com movimentos circulares, ora com apertões delicados. Após massagear cada centímetro, a loira sentou-se na cama e pediu para que Jane virasse de frente para ela. A morena foi virando-se lentamente sem nada dizer. Ela estava um pouco envergonhada, pois estava sem sutiã e ainda embriagada pelos toques de Maura. A loira tentou disfarçar, mas não pode deixar de olhar, ainda que rapidamente, os seios nu da Detetive. Sorriu para ela meio sem graça. Não sabia se “sentava” em Jane para continuar a massagem ou se permanecia onde estava. Mas já tinha começado, então resolveu terminar e sentou sobre as pernas da morena novamente que apenas a encarava.
Mais uma vez começou a depositar lentamente gotas de creme sobre o corpo da morena... Bem devagar, com um pouco mais de receio, Maura tomou nas mãos o abdômen definido da morena, que imediatamente enrijeceu. Seus olhares se cruzaram, mas nada foi dito. Com movimentos um pouco mais rápidos e apertados, Jane deixou uma respiração “alta” soltar. Maura já nem media mais seus movimentos, estava totalmente enfeitiçada por sentir a pele macia e quente de Jane... Seus olhos agora olhavam para os seios nus sem o menor pudor. Seu corpo foi ficando incomodado por estar sobre o corpo de Jane, por todos os toques e por tudo o que aquilo significava! Sua vontade era de beijar loucamente a boca de sua morena. Jane também já estava ficando fora de si. Maura sentada em seu colo, sua mão fina e delicada, lhe apertava com vontade e seus olhos a olhavam com desejo... E sem pensar em nada, Maura foi subindo as mãos entre os seios da morena, massageando levemente. E mais uma vez a respiração de Jane foi alta, pesada. Já nem sentia mais dores, sentia apenas o seu corpo respondendo a cada toque. Maura foi descendo a mão direita devagar, agora sem o menor medo, passou pelo seio esquerdo da morena. Ambas fecharam os olhos. Já não existia mais barreira alguma entre a intimidade e o desejo das duas. Sabiam muito bem o que aquilo significava e tinha um nome: tesão! Estavam excitadas, não precisavam esconder, suas feições denunciavam, ainda que com um pouco de raciocínio tentassem esconder. Seus olhares se cruzaram e nada precisava ser dito.
A loira abaixou o tronco, ficando totalmente com o corpo em cima do corpo de Jane e a beijou com vontade. Uma vontade louca, como nunca tivera antes. Uma vontade que parecia que precisaria de horas para ser saciada... Após minutos de beijos e respirações incontroláveis, separaram-se!
— Maur... – a morena disse com um fio de voz rouca.
Mas a loira não a deixou que continuasse, tampou sua boca com um dedo e olharam-se sem nada dizer.
Os olhos faiscavam de tanto desejo!!!!
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