Notas iniciais
Oooi :) Primeiro, quero pedir desculpas pela demora... Sei que todo capitulo peço, mas eu nunca vou me cansar, desconto =P rs Sério gente, desculpa! Ando trabalhando muito e minha percepção de criação anda péssima... Queria agradecer a todas as pessoas que comentam! Eu leio todas vocês e me amarro nos comentários... Eles me fazem uma pessoa muito feliz :) Logo logo responderei todos eles. Gente, as vezes fico em duvida sobre a minha concordância em relação as falas e casos... Sério, se eu tiver indo pelo caminho errado me avisem, please! E Frederik, hein? Hoyt forever s2 ps. Eu não ia dedicar capitulo a ninguém, porque a farofa é muito grande e se eu dedicar pra uma, terei que dedicar pra todas, já que são todas ciumentas #lixa Mas Brunão, tamo junto ca Rafa =*

— Charlie... Charlie... Charlie...

O homem cantava, andava, pulava, ria, sorria e chorava ao mesmo, olhando para as duas mulheres amarradas e desacordadas. Sua intenção não era estupra-las ou até mesmo abusar de alguma forma, mas sim tirar-lhes o que era importante para ambas: uma à outra. Ele tinha cegueira, gana e ódio por lembrar que seu pai havia morrido pelas mãos de Jane. Desde criança, Frederik via o pai como um herói. Nunca havia aceitado que ele o tinha abandonado com sua mãe logo após o seu nascimento e voltado para Boston. Conforme os anos foram passando e ele foi pegando certa idade, suficiente para entender as coisas, acompanhava pelas mídias a vida “errada” de seu pai e sabia que ele era mau, tinha uma péssima fama e que havia cometido vários crimes. Mesmo com todos os maus exemplos e com toda a delicadeza e dedicação de sua mãe, Frederik não aceitava que Hoyt não estava nem ai para ele. Ele queria vê-lo, queria abraça-lo, queria mostrar sua nota na escola, que eram sempre ótimas... Queria ajuda com o dever de casa, embora não precisasse, pois era muito inteligente. Queria de alguma forma que o pai estivesse por perto, presente, participando da sua vida, levando ao parque, aos passeios de shopping no final de semana, as festas que tinha na casa dos amiguinhos, nas festas da escola que todos os outros iam com seus pais, menos ele. Isso tudo foi virando uma revolta enorme dentro de sua cabeça... Ele acompanhava tudo por noticiário, jornais, televisão, internet e até mesmo quando a própria policia se pronunciava! Sua mãe soube após o seu nascimento quem era Hoyt, mas nunca mentiu sobre a identidade do pai para ele. E claro, mesmo com toda a história exposta da pior forma, sabendo que seu pai não era um bom homem aos olhos de todos, mesmo sua mãe lhe ensinando o certo e o errado, dando todo o amor e carinho, tentando ser de alguma forma o pai “não presente” na vida de Frederik, ele tinha uma raiva imensa. E essa raiva crescia a cada dia. No final, a raiva virou ódio pessoal ligado a Jane por ela ter matado Hoyt, seu pai... Coisa que ele jamais admitiria... Jamais!

E pensando dessa forma, pensando que Jane havia lhe tirado a coisa mais bonita, mais importante, mais linda de sua vida, ele queria fazer o mesmo por ela: tirar-lhe tudo, inclusive a vida. Por anos pesquisou sobre a vida da Detetive, o que fazia, por quanto tempo já era policial, quem era sua família, a fama que tinha, e claro, sobre sua inseparável amiga Maura Isles. E como não era novidade para ninguém, ela e Jane eram amigas há anos. Algumas pessoas até diziam que eram namoradas, mas só diziam, porque nunca tiveram a confirmação necessária. E vendo toda essa jornada, Frederik não pensava em outra coisa a não ser afetar Jane começando com Maura, e se fosse necessário, por sua mãe, Frankie e TJ. Por isso, suas vitimas sempre eram casais homossexuais. E claro, ele também via Jane e Maura como um casal, tanto que sua escolha foi afetuosa na loira exatamente por pensar que ela, por sua vez, participando da família da morena, fosse tão importante a ela como Hoyt era importante para ele.

Mesmo lhe dando todo amor, carinho, atenção, afeto, tudo o que uma mãe pode dar a um filho, Frederik era uma criança fechada, calada, mal brincava com as outras crianças... Preferia ficar trancado em seu quarto, vendo televisão e até mesmo olhando para o nada... Sua mãe por diversas vezes entrou no quarto e notou que o filho ficava sempre olhando para a janela, fitando o vazio, como se procurasse algo perdido no tempo, como se tivesse esperando alguém chegar... E claro, esse alguém era o seu pai, que na verdade de pai não tinha nada.

— Onde está você? Charlie... Charlie!

Frederik estava chorando. Um turbilhão de sensações era o que tinha dentro de si. Finalmente havia encontrado Jane. E nesse momento, ele estava com ela em suas mãos, para fazer o que bem entendesse. Mas sua intenção era matá-la. Matá-la da mesma forma que ela havia matado Hoyt. Mas antes de tudo, sua intenção era vê-la sofrer, ainda que pouco depois de tudo o que ele havia sofrido esses anos todos... Ele tinha sede por vingança!!!

***

— Já ligou no celular dela Frost? – perguntou Cavanaugh.

— Ela não vai atender... – disse Dean.

— Por que ela não vai atender? Onde diabos se meteu a Rizzoli? – perguntou ele bravo.

— Ela foi até em casa tomar um banho e até agora não voltou, Sean! — respondeu Korsak.

— E o celular dela esta em Washington... – todos o olharam com cara de confusão. – Ela o quebrou depois que recebeu a ligação!

Eles haviam passado o restante da madrugada juntando as peças de onde poderia estar Frederik. Estavam apenas esperando Jane voltar de seu suposto banho em sua casa, para irem até o local verificar.

— Será que ela não pegou no sono? – perguntou o agente Clark.

— Jane não pegaria no sono... Não com Maura sumida! – disse Frankie entrando na sala. Todos ficaram prestando atenção nele, já que estavam todos reunidos para iniciar a força tarefa. – Eu precisava conversar com ela, precisava pedir desculpas, então fui até sua casa... Estou vindo de lá! E lá, ela não está... Nem o seu carro! – completou com um semblante preocupado.

Todos se entreolharam.

— Será que? – Frost nem completou a frase. Apenas fechou os olhos, soltando um riso e balançando a cabeça em negativo.

— Mas vocês não deveriam ter deixado a Rizzoli ir para a casa dela sozinha! – Cavanaugh estava exaltado.

— Sean, nós precisamos ir. E se ele tiver com ela? E se ele tiver com elas duas onde nós pensamos que ele possa estar? – dizia Korsak se aproximando do Tenente.

— Mas nós não podemos iniciar sem a Rizzoli! – disse Dean. – E se ela apenas saiu, ou esta a caminho daqui, sei lá?

— Dean, pense um pouco! O alvo era ela... E se esse desgraçado apenas estava esperando ela voltar para simplesmente pegá-la? – disse Korsak. – Droga, eu falhei com ela de novo.

— E eu não deveria ter deixado ela sair daqui sozinha, não deveria.... – disse Frost.

Ele estava inconformado. Saiu da sala feito um furacão, estava chateado, pois a história no passado com Hoyt havia sido péssima e na consequência, ela havia trocado de parceiro por motivos até então desconhecido por ele... Mas entre as conversas, Korsak acabou contando o que havia acontecido naquele dia. O dia em que Jane evitava tanto falar, até mesmo lembrar. Consequência disso, ele era seu parceiro e sua obrigação era zelar por ela.

— Já amanheceu! Não vamos esperar mais, vamos até o local! – disse o agente Clark!

Todos apenas assentiram concordando. Não dava mais para esperar. Todos pegaram suas armas e seus distintivos e desceram. Encontrariam o lugar. Encontraria Jane e Maura. Encontrariam a paz, pois todos estavam ainda mais apreensivos depois do suposto sumiço de Jane.

***

O nariz ardia... A garganta seca, uma dor de cabeça insuportável e um peso nos olhos como se tivesse ficado dias sem quase respirar. Jane foi voltando aos poucos do desmaio causado pelo clorofórmio. Demorou um tempo para raciocinar onde realmente estava. Mas subitamente se deu conta após ouvir um choro com a voz doce e conhecida chamando por seu nome.

— Jane acorde, por favor... – Maura estava próximo a Jane, mas suas mãos estavam amarradas a uma cadeira e ela não conseguia sair do lugar.

— Maura! – Jane tentou se mexer, mas também estava com as mãos amarradas por uma corda a uma pilastra de madeira. Passou o olho pelo local e não teve duvidas de que estava vivendo novamente no inferno, só que com a diferença de que Maura também estava lá.

Jane só pensava e esperava que Korsak, Frost, Frankie e Dean pensasse como ela e fosse até o local. Caso contrário, não sabia o que podia acontecer ali! Mas de uma coisa ela tinha certeza: não deixaria que nada acontecesse com Maura e nunca, jamais iria se intimidar com o homem só porque ele era uma cópia de Hoyt.

— Jane, você... Você... – Maura não conseguia falar, estava chorando muito. Estava desesperada, já estava presa ha muito tempo, estava fraca, pois não havia comido nada. Seu corpo estava todo dolorido e estava esgotando suas forças. Imaginou por diversas vezes como seria rever Jane depois de tudo, mas nunca pensou que pudesse ser daquela forma horrível.

— Maura, eu vou tirar a gente daqui! Não se preocupe, vai ficar tudo bem... Você tá bem? – Jane tentava manter a calma e acalmar Maura.

— Ele vai nos matar, Jane! – o choro aumentou.

— Não vai, Maur. Não chore! Logo todos estarão aqui, okay? Se mantenha firme que eu vou dar um jeito de tirar a gente daqui.

A morena sorriu para ela. Ah, que sorriso... Aos olhos de Maura esse sorriso era o que dava paz, onde quer que fosse, até nos piores momentos.

— Que cena linda! – Frederik surgiu de um canto escuro batendo palmas. – Linda! Eu estou totalmente comovido. O quê? – apontou para elas. – Oh não, não parem por minha causa... Continuem, eu estou adorando!

Ele tinha um sorriso nos lábios... Após essas palavras, continuou acariciando seu boneco feito de palha, com o “olho roxo” e uma blusa branca e ficou gesticulando como se falasse com ele. Jane tentou se soltar mais não conseguia.

— O que você quer de mim? Me solte, seu desgraçado! – disse rangendo os dentes. – Eu não tenho medo de você e também não tenho problema nenhum em mandar você viver junto com o seu papaizinho!

— Tcs tcs, negativo! – disse ele fazendo negativo com o dedo. – Quem vai te matar sou eu e da mesma forma que você matou O MEU PAI! – disse com a maior cara de ódio indo pra cima de Jane.

— NÃO! – Maura deu um grito chorando.

— Não se preocupe Doutora, você morrerá primeiro! – disse em tom provocativo, sorrindo, ainda muito próximo de Jane, olhando nos olhos dela.

— Você não vai encostar um dedo nela, seu louco! Eu te mato antes. – disse a morena encarando ele da mesma forma que ele a encarava.

— Oh Jane... Esse lugar num é tão? – fez um gesto com a mão. – Tão... Me ajuda, vamos dar um adjetivo para ele!– falava agora caminhando pelo local. – Deve ser o seu preferido não é?

— O que você quer de mim?

— Você nem imagina? – disse se aproximando de Maura e pegando em seu cabelo. A loira pendia a cabeça de lado com nojo do homem.

— Não encosta nela, seu desgraçado! – ela tentava a todo custo se soltar. – Eu já estou aqui! Não é a mim que você quer? Solte ela, deixe ela ir!

— E perder a sua cara de sofrimento e dor, de derrota e ódio por mim? Jàmai!

Maura tentava se soltar da cadeira, mas sua força era mínima e seus braços estavam entrelaçados sem muita opção para tentativas. Embora tentasse transpassar calma e firmeza, Jane temia pelas duas! Sabia que o homem era louco, mas não imaginava que fosse tanto. Claro, a herança do pai foi fatal...

— Eu passei ANOS da minha vida esperando por esse momento... O momento em que eu teria você, assim, submissa a mim. Você tem noção do que é viver olhando para o seu pai apenas por foto? TEM JANE? – Frederik estava chorando. Praticamente gritou essas palavras no rosto de Jane. – As únicas coisas que eu tinha do meu pai era a certeza de que ele existia e existia dentro de mim e a noticia de que uma policial, sapatona dos Estados Unidos havia matado ele! – o choro havia aumentado. – Essa... – apontava o boneco na cara de Jane... – Essa é a ultima imagem que eu tenho dele! Da forma que você o matou! – continuava com o boneco no rosto de Jane.

Só então que as coisas foram ficando mais claras para Maura... Todo esse tempo ele dava sinais e ninguém conseguia entender o porquê daquele boneco horrível nas cenas dos crimes. Hoyt havia morrido no ambulatório da penitenciaria com uma roupa branca cirúrgica... Estava com o olho deformado devido ao sinalizador que Jane havia jogado em seu olho... Era aquilo que o boneco significava: a forma como Hoyt havia morrido! Maura só havia conseguido decifrar agora, estando diante de todas as evidencias, o que aquilo significava. Esse homem era mais louco do que ela e todos pensavam...

— Tenho certeza que a Dra. Isles sabe o que é viver com a impotência da ausência de um pai! Não é, Dra. Isles? – disse ele mandando uma risadinha para ela. Maura nada respondeu.

— Você é louco! – disse a morena.

— Oh, a grande Detetive Rizzoli presa em um porão, totalmente impotente... – agora Frederik segurava um bisturi na mão. Foi se aproximando de Jane. – E suas mãos, ainda doem?

— Estão perfeitas pra acabar com você! – disse dando uma risadinha.

— Magnifique! – disse ele se aproximando de Maura. – Vamos ver se as mãos da Doutora também estão boas...

— NÃO! Não toque nela, seu desgraçado! Sai de perto dela agora... – Jane rangia os dentes. Só de imaginar do que ele era capaz, seu sangue fervia. Ainda mais com o que ele estava prestes a fazer.

Frederik desamarrou Maura que tentou lutar com ele, mas foi em vão! Ele era mais forte e a jogou no chão.

— Você não sabe o que é perder um pai, Jane... Não sabe o que é perder a pessoa que você mais ama no mundo! Non, non, non... Não sabia! Agora você vai ver ela morrer!

E então Frederik ficou por cima de Maura que tentava a todo custo se soltar, chorando desesperadamente. Segurou suas mãos ao alto de sua cabeça e olhando para a Detetive com a pior cara do mundo, com um sorriso cheio de ódio e cinismo, ele fincou o bisturi na mão esquerda de Maura! A loira soltou um urro e então desmaiou de dor.

— NÃO!

— Veja só! Agora o casal é igual, ambas com o mesmo ferimento causado por mim e por meu pai.

— Saia de cima dela agora, seu desgraçado! – Jane começou a chorar.

Se chacoalhou de todas as formas possíveis até conseguir soltar uma das mãos presas. E com muito esforço, com toda força que sabia e ao mesmo tempo não sabia que possuía, arrancou a corda da pilastra com todo seu desespero e praticamente pulou em cima dos dois, caindo de lado com o homem.

Frederik tomou um susto e com a queda, deixou o outro bisturi que segurava cair de sua mão. A luta entre os dois era constante. Ele era grande e forte, deu um soco no rosto de Jane lhe arrancando sangue. Ele alcançou o bisturi com o pé, o pegou e tentava a todo custo atingir Jane, mas ela segurava sua mão e ficavam trocando de posição, até Frederik acertar o braço de Jane, fazendo um corte não muito profundo.

— Eu vou matar você, sua desgraçada. Da mesma forma que você matou o meu pai! – Frederik estava em cima de Jane que também já estava fraca devido a luta e aos ferimentos.

Ele levantou as duas mãos segurando o bisturi e quando foi fincar em Jane, ela desviou e logo em seguida movimentou suas pernas fazendo o homem ficar sem proteção. E como num movimento rápido, Jane conseguiu ficar por cima dele e pegou o bisturi que estava caído ao seu lado.

— Quem vai morrer como seu pai, é você! – ergueu as duas mãos e com toda sua força, fincou o bisturi no peito de Frederik. – EU VENCI!

E o pranto de Jane aumentou. Assim como o de Frederik.

— Eu só... Eu só queria... – Frederik não conseguia falar direito. A cada palavra dita, saia sangue de sua boca! – Pai, eu poderei te ver agora... – tentou sorrir... – Eu vou te ver, papai! – Virou para o lado e sua respiração foi ficando cada vez mais fraca, até desfalecer.

Jane caiu de lado, ao lado do homem morto e com o resto de força que tinha, fechou os olhos chorando muito. A sensação era a das piores, nunca havia imaginado que precisaria passar por isso novamente. Nunca pensou que Hoyt pudesse ter um filho e que esse filho nutria a mesma doença por ela, como o pai! Nunca pensou que isso pudesse chegar a afetar Maura, que estava desacordada, ferida. E o pior: tinha o mesmo ferimento na mão que o seu.

Se aproximou da loira que ainda estava desmaiada e de uma certa forma ficou aliviada por ela não ter visto cena tão degradante. Acariciou o seu rosto e continuou chorando. Cortou um pedaço de sua camisa, arrancou o bisturi da mão de Maura e com o pedaço do pano, enrolou a mão de Maura forte na tentativa de parar de sangrar. Colou a cabeça dela em seu colo e chorando ficou chamando por seu nome...

— Vamos Maura, acorde! Por favor, acorde...

A morena olhava pra todos os lados. Tinha a chance de sair de lá, mas Maura estava desacordada e os outros policias não chegavam. Com muita dificuldade conseguiu pegar Maura no colo e subiu em direção à saída da casa. E com muita sorte, seu carro ainda estaria lá com as chaves no contato, como ela havia deixado por precaução, caso conseguisse recuperar Maura e tivesse que sair correndo do lugar. Mas quão foi sua surpresa quando saiu do porão e notou que o lugar não era o mesmo que ela havia ido... Claro, Frederik não seria tão burro ao ponto de ficar em um lugar na qual mais cedo ou mais tarde os policias achariam. Provavelmente deveria ter levado elas até lá quando estavam desmaiadas... Mas nada explicava o fato do porão ser exatamente igual ao porão em que Hoyt havia pegado ela! Seu desespero só aumentou, lembrando de que estava num lugar que não conhecia e não fazia menor ideia de onde estava, não tinha um telefone, seu carro não estava lá e, claro, seria mais difícil dos Detetives e os Agentes as encontrarem...

Aos poucos, ainda nos braços de Jane, Maura foi despertando... Só conseguia soltar gemidos de dor!

— Jane... – sua voz quase não saía.

— Não, não fale nada, sh... – Jane sorria para ela, com o rosto cheio de sangue!

— Oh meu Deus, o que houve com o seu, AI!

— Não fale nada, tá tudo bem... Eu vou tirar a gente daqui!

— Cadê o?...

— Acabou Maura, acabou! Esse louco já está no lugar devido.

A loira sorriu com lagrimas nos olhos... Ainda sentia muita dor.

— Não consigo sentir minha mão...

— Não pense nisso, okay? Olhe para mim, Maura! – Jane tentava anima-la, pois percebeu que ela estava prestes a desmaiar novamente! – Não tire os olhos de mim, Maur! Eu vou procurar água para você beber...

— Não me deixe aqui sozinha, não me deixe Jane!

— Não não, pronto, eu não vou sair daqui, okay? – Jane passou a mão pelo braço da loira, que ainda estava com a cabeça em sua perna.

Maura tentou sorrir com muito custo, seus olhos corriam lagrimas. Sua mão doía muito, latejava e por estar tão fraca, não tava conseguindo suportar. Jane entendeu aquele olhar.

— Maura, olha... Você precisa ser forte para que a gente saia daqui! Eu vou lá fora olhar pelos arredores para ver se acho algum lugar, se ele deixou o carro em algum canto... Vou procurar por algum telefone... Você fique aqui, está bem?

— Mas e se? – a cara de Maura era de assustada.

— Não se preocupe, o pesadelo acabou. Eu só preciso achar um jeito de tirar a gente daqui!

Maura apenas assentiu! Com muita dificuldade foi se levantando e ficando sentada, num canto. Jane olhou mais uma vez para ela antes de sair e sorriu. Maura também sorriu. O sorriso que dava força para ambas...

Maura estava mais calma, embora a dor estivesse ficando cada vez mais insuportável. Mesmo naquelas condições e mesmo estando machucada, sabia que Jane jamais a abandonaria, não deixaria que nada lhe fizesse mal, nem mesmo Frederik.

Assim que Jane saiu da casa, que mais parecia um casebre, o sol forte lhe penetrou a alma e ela começou a soluçar num choro sentido, ajoelhada no chão. Não era o seu corpo e nem seus ferimentos que doíam, era sua alma. Estava vulnerável e a cada minuto sentia um pesar emocional imenso. Não podia fraquejar, não agora... Não podia falhar, tinha que tirar Maura dali! E só de pensar em tudo o que Maura havia passado nas mãos daquele louco, seu desespero aumentava por imaginar que poderia ter perdido Maura pra sempre. E o que mais indagava, era sua consciência acusando, dizendo que era culpa sua.

Passou a mão no rosto, com muita dificuldade, pois notou que seu nariz estava quebrado e seu rosto doía muito, respirou fundo, ainda que com dificuldade, se levantou e foi a procura de algo que pudesse ajuda-las a sair daquele lugar.

***

— Droga! – disse Frost dando um tapa na viatura.

— Mas é claro... Ele não ia facilitar assim! – disse Korsak balançando a cabeça.

Os policiais haviam ido para o mesmo lugar em que Jane havia ido. Eles tinham uma sintonia tamanha, por pensarem que Frederik poderia estar no lugar em que achavam que estavam, da mesma forma em que Jane havia pensado. E claro, ele estava lá onde ambos haviam imaginado, mas ele era esperto... Sabia que mais cedo ou mais tarde teria toda a policia de Boston atrás dele e das duas mulheres. Mas com um pouco de sorte, despistou todos eles dando tempo para matar as duas como havia planejado. Mal sabiam eles o que havia acontecido...

— Eles estiveram aqui! – disse Frankie se aproximando. – Essa é a bolsa de Maura! – disse mostrando o objeto. — Provavelmente ele deve ter dado um fim no celular dela.

— Mas onde diabos esse sujeito se meteu? – indagou Cavanaugh.

— Eles não devem ter ido muito longe. – disse Dean.

— Precisamos voltar para a Central e traçar outro plano. Precisamos eliminar algumas hipóteses de onde não possam estar! – disse o agente Clark!

— Sean, não podemos perder tempo! Não sabemos para onde ele as levou. Temos que procurar agora, antes que seja tarde demais. – disse Korsak.

— Não temos tempo pra perder ficando aqui, Detetive! – disse Clark. – Precisamos traçar outra linha, porque procurar a cega que nos faz perder tempo.

— MAS É CLARO! – disse Frost, como se tivesse acabado de ter uma ideia. – Vamos, pensem um pouco. Ele deve ter usado o carro de Jane para saírem daqui. Somos policias e todos nós sabemos que nossos carros possuem dispositivos que possam ser encontrados através de um GPS. Eu só preciso... – disse levando a mão a boca.

Todos os homens ali reunidos pararam para prestar atenção no Detetive. Frost entrou em seu carro, tirou de lá um tablet e depois de alguns minutos sorriu.

— Pegamos você!

E Frost indicou o local para todos de onde eles poderiam estar. Lugar esse que não ficava muito longe de onde estavam. Todos entraram em seus carros e rumaram para lá.

***

Jane sorriu ao ver seu carro parado a poucos metros do lugar. Tentou andar o mais rápido que pode, pois estava sem forças para correr. A emoção e a esperança lhe davam forças. Estavam à salvas! Ela as tiraria daquele lugar horrível. Mas ao ir se aproximando do carro, só deu tempo de levar os dois braços ao rosto... O carro explodiu! Explodiu da pior forma possível. Explodiu a poucos metros dela, a poucos minutos de estar completamente morta e estraçalhada como o que havia restado do carro. Seu coração disparado foi parando aos poucos. Caiu sentada no chão, pois suas pernas haviam falhado. Sentiu suas forças se esgotarem! Por Deus, como sairiam daquele lugar?

— Oh meu Deus, não! – disse Korsak ao ver de longe a explosão e a fumaça preta atingindo o céu.

Dean nada conseguiu dizer. Todos estavam boquiabertos e a raiva de cada um só aumentava. Agora seria questão de honra colocar Frederik em seu devido lugar.

Maura que a tudo ouvia, começou a chorar desesperadamente. Foi se encolhendo e seu medo aumentando. Foi tentando se levantar, com muita dificuldade e foi tentando se equilibrar para ficar de pé. Por Deus, nada poderia ter acontecido a Jane. Foi se encaminhando com muita dificuldade até a porta...

— Aonde você pensa que vai, Dra. Isles?

Maura congelou ao ouvir aquelas palavras. Foi se virando devagar para trás e quão foi sua surpresa ao ver o homem parado a poucos metros de si. Nada disse, apenas tentou correr para sair daquele lugar. Frederik correu atrás dela, até alcança-la e joga-la no chão.

— Sai de cima de mim, seu desgraçado. – Maura tentava empurrar o homem, mas sem muito sucesso.

— Aonde tá aquela vagabunda da Jane? Ela te deixou aqui? FALA SUA VADIA, CADE A JANE?

— Vejo que o bonequinho de Vodu acordou! – disse Jane se aproximando. Tentou despertar Frederik para que ele saísse de cima de Maura.

— Eu vou te matar sua desgraçada. Eu vou te mandar para o inferno. Eu vou vingar o meu pai – disse correndo em direção a Jane.

E os dois se atracaram numa luta, e mesmo com toda dificuldade do mundo, Jane se defendia como podia. E vendo que Jane não aguentaria por muito tempo, Maura pegou a arma de Jane que ela havia escondido consigo quando Jane saiu, pois havia encontrado a mesma num canto do velho casebre, apontou na direção de Frederik e desajeitadamente atirou na perna do homem. Após atirar, o choro de Maura aumentou e ela deixou a arma cair no chão.

— Ahh...

E após o tiro, Frederik ficou com mais ódio ainda. Tentou se equilibrar para não cair, pois ele também estava muito machucado. Apertou com uma mão o pescoço de Jane, com toda força que tinha. Jane tentava tirar a mão do homem, mas ele era muito forte. Ela batia em seu peito com soquinhos, balançava a perna e tentava se mexer a todo custo para desfazer aquela posição, até ir perdendo lentamente as forças, pois estava ficando sem respirar. Frederik arrancou o bisturi que tava fincando em seu peito com uma mão.

— Eu venci!

Seus movimentos foram interrompidos com dois tiros no peito. E aos poucos ele foi caindo de lado... Deixou o bisturi escapar de sua mão e olhando para Jane que tentava voltar a respirar compassadamente, caiu de lado. Dois fios de lagrimas correram de seu rosto até parar de respirar por completo, com os olhos abertos. Frankie havia prontamente atirado assim que chegaram ao local e todos os outros se aproximaram.

— Oh meu Deus, Jane! – disse ele abaixando para ajudar a morena. — Acabou, acabou... Você está bem? – ela apenas fez positivo e levantou a cabeça para olhar Maura.

— Maur! – disse tentando se levantar até conseguir ficar sentada.

— Não não, calma, ela esta bem...

Frost se aproximou de Maura e abraçou. A loira chorava muito.

— Tá tudo bem, tá tudo bem... – disse ele tentando consola-la.

Todos respiraram aliviados. O pesadelo havia acabado. E finalmente acabado para elas, ainda que uma vez pensaram que tinha acabado. Agora era definitivo!

Decidiram por eles mesmos levarem elas até o hospital. Assim não perderiam tempo até a ambulância chegar, pois elas estavam muito machucadas. Ao chegarem lá, ambas foram atendidas as pressas. Jane havia quebrado o nariz e estava com o braço muito machucado devido ao corte. Maura estava com a perna ralada e, claro, com a mão cortada profundamente.

— Oh meu Deus, Jane! – disse Ângela chorando, entrando no quarto. Correu para abraçar a filha!

— Está tudo bem, Mã. Aiii... Mãe! – disse Jane tentando fugir do abraço de urso de Ângela. Mas não porque ela não queria abraçar a mãe, mas sim porque estava com o braço machucado.

—Oh, me desculpe minha filha! Eu fiquei com tanto medo. – disse ainda chorando. Era mãe de dois policiais ha muito tempo, mas jamais se acostumaria com o perigo em que eles corriam... Principalmente nessas ocasiões!

— Não fique, eu estou aqui e está tudo bem. – disse com um sorriso doce para sua mãe.

— Oh Jane, você não come há quantos dias? Esta mais magra... Seu rosto tá horrível! – da mesma forma que o sorriso doce apareceu, apareceu uma careta.

— Sério?

Frankie que a tudo ouvia, deu risada.

— Você está bem? – perguntou se aproximando da irmã.

— Eu vou ficar! Obrigada por me salvar!

— Era o mínimo que eu poderia fazer... E faria qualquer coisa para te salvar!

Se aproximaram e se abraçaram.

— Pelo menos não fui eu quem quebrou seu nariz dessa vez!

Todos deram risada.

Ao entrar no quarto em que Maura estava, Jane notou que ela dormia. E se não fosse pelo soro e por estar em um hospital, ela diria que a loira parecia um anjinho adormecido. Se aproximou da cama com todo cuidado para não fazer nenhum barulho para não acordar a loira e sentou numa poltrona que tinha do lado da cama. Ficou com algum tempo olhando para Maura... Um filme de tudo o que havia acontecido passou por sua cabeça! Pensou por algum momento que poderia ter morrido, que Maura poderia ter morrido ou as duas ao mesmo tempo... Se lembrou do desespero que ficou só de imaginar e ver o homem fazendo mau à loira na sua frente. Não saberia o que teria feito se caso Maura não tivesse sobrevivido... Mas de uma coisa tinha certeza: não sabia o que seria da sua vida sem Maura!

A loira foi acordando aos poucos e tentou se mexer na cama, mas o soro lhe incomodou e logo ela abriu os olhos... Se deparou com o sorriso mais lindo, radiante e machucado a sua frente.

— Hey... – disse Jane ainda sorrindo.

— Você está ai... – disse com a voz bem baixinha, sorrindo.

— E não sairei daqui por nada nesse mundo! Como você se sente? – disse fazendo carinho no rosto de Maura.

— Meus tendões não foram rompidos, minha rede dorsal foi atingida sem muitos danos, ao que implica que minhas veias metacarpais não fora atingidas, por sorte!

— De volta a terra, Wikipédia! – as duas deram risada. – Fico feliz que esteja bem.

— Eu estou bem graças a você que me salvou... Duas vezes! Obrigada, Jane.

— Eu jamais deixaria que algum mal te acontecesse... Maura, eu fui uma idiota, me desculpe! Eu prometo que nunca vou sair de perto de você, que o que eu puder fazer para que nada de mal de aconteça, eu farei!

Maura sorriu largamente. Estava com muita dor, mas estava feliz por ter Jane de volta, lhe protegendo e lhe prometendo nunca mais sair de perto de si! Mas o contato visual de ambas foi interrompido.

— Licença! – disse uma voz feminina adentrando o quarto. Voz conhecida por Jane. Voz desconhecida por Maura.

— Cezario! – Jane sorriu ao ver a mulher indo em sua direção. Maura tentou sentar mais na cama para ver quem era essa Cezario e de onde Jane a conhecia.

— Ai Sa, eu fiquei com tanto medo quando eu soube... Falei pra Rafa para a gente pegar a vassoura dela e vir voando, mas essa mania de vocês de...

— Esse é seu modo de dizer que estava com saudades de mim? – perguntou Jane rindo!

— Jane! – disse ele se aproximando da morena e dando um abraço nela.

Rafaela também a abraçou!

— Você nos deu um susto, Sa! – disse Anthony dando um tapa no braço dela.

— Você está bem, Jane? – perguntou Rafaela.

— Eu vou ficar bem. Nada que umas cervejas não resolvam!

Todos deram risada.

— E você, famosa Maura, como se sente? – disse Thony!

— Famosa? – mesmo sem conhecer as duas pessoas ali, Maura não deixou de sorrir delicadamente.

— Ai, você é mais linda do que a Jane disse, mais ainda do que eu imaginei. Mesmo nessa cama de hospital, a phynés permanece!

— Thony!

— O que foi, Jane? – disse ele jogando um sorriso para ela. – Desculpe as brincadeiras, querida... Eu sinto muito por tudo o que aconteceu com vocês.

— Se não fosse por Jane ter me salvado, eu nem sabia o que teria acontecido. – respondeu Maura.

— Ai, não sabia que Jane fazia a linha Chapolin Colorado! – disse Anthony dando risada.

— Não contava com a minha astucia! – Rafaela imitou o personagem.

Jane fez careta, mas logo acompanhou todos na risada.

Estava feliz por rever os amigos, mais ainda por eles terem vindo de Washington só para saber como ela e Maura estavam... Sabia que eles estavam tentando distraí-las fazendo piadas. Embora Anthony fosse um verdadeiro farofeiro, a todo custo querendo lhe converter e lhe fazer assumir sua “sapatonidade” como ele mesmo dizia, eles eram ótimas pessoas e mostrou que estavam preocupados.

Ficaram por mais algum tempo conversando e Jane contou a Maura como havia conhecido eles. Claro, vez ou outra, Anthony ou Cezario soltavam uma piadinha. O tempo passou e eles nem notaram.

Maura estava bem e a salvo. Jane ficaria bem. Tinham pessoas amigas maravilhosas. Logo esqueceriam o pesadelo que foi aqueles dias......

Notas finais
Eai... Curtiram o filho do Hoyt?