Rizzoli And Isles - O amor por trás do caso
9 Capítulo 9
Notas iniciais
“Eu conto até dez...
Só restou para mim, lembrar da tua voz..”
Jane passava o dedo no celular, tentando achar respostas que só ela mesma podia dar. Queria responder algo para Maura, mas sabia que a Legista havia mandado aquela mensagem sem nexo por engano, que no final das contas deveria ter sido para outro Det. para informar algo sobre o caso, como ela sempre fazia. Mas ainda assim, sentia a necessidade de mandar alguma coisa, de falar com ela, saber como estava. Se é que ela ainda queria papo com Jane. Mas também não sabia o que mandar, o que falar. Então, o que fazer? Jane não era muito boa em tomar certas atitudes relacionadas a sentimentos. Estava com medo, mas não com medo de Maura, medo de si e do que estava sentindo. Nunca havia se sentido assim, nunca havia sentido isso por ninguém. Por fim, resolveu ligar para sua mãe que provavelmente já deveria ter saído da cantina.
— Jane? – disse Ângela do outro lado da linha – Minha filha, eu estava preocupada, você demorou para ligar. Eu liguei e seu telefone caiu na caixa postal. Tá tudo bem?
— Oi Mã – disse com um risinho do outro lado da linha – Eu estou bem! Me desculpa, cheguei e já fui para a apresentação chata e depois meu celular ficou sem bateria. Sai para beber alguma coisa e voltei só agora. – respirou fundo – Como estão as coisas por ai?
— Por aqui está tudo bem, querida. Você comeu, Jane? Levou casaco né? Por que está com cara de que vai esfriar. Não fique sem comer, não estou ai para fazer seu café da manhã, mas mesmo assim coma. Não se entupa apenas de café, Jane... Porque se eu...
— Sério? – disse revirando os olhos – Espera só um pouquinho que eu vou pegar papel e caneta para não esquecer de anotar nenhuma recomendação.
— Engraçadinha! – Jane soltou um riso.
— E o Frankie?
— Ele está bem. Hoje é o turno dele.
— Bom, agora vou dormir. Amanhã eu ligo de novo, Mã!
— Você já ligou para a Maura, querida? – embora Jane lutasse para não lembrar-se de Maura, tinha sempre alguém que não a deixava esquecer por muito tempo. Droga, porquê Ângela estava perguntando isso? – Ela estava triste, preocupada com você. Eu perguntei, mas ela não me disse o motivo. Vocês brigaram?
— Boa noi...
— JANE CLEMENTINE RIZZOLI! – Jane bufou, revirou os olhos e só faltou socar a cama. Não por ouvir seu nome completo, coisa que odiava. Mas sim porque sua mãe era insistente, e claro, uma hora iria perceber que havia acontecido algo entre ela e Maura.
— Mãe! – fingiu irritação na voz – Não aconteceu nada e eu não vou ligar para a Maura. – agora foi a vez de Ângela bufar – Não agora! – completou. Sabia que uma hora ou outra acabaria ligando para Maura. Ainda eram amigas, né? Isso. É isso.
— Mas querida! Ela estava triste, então...
— Mã?
— Okay! – Ângela parou de falar e de súbito ficou um silencio na linha – Jane?
— Oi, ainda estou aqui. Bom, nos falamos amanhã então. Boa noite, Mã!
— Boa noite querida. Se cuida!
E desligaram o telefone. Jane se afogava em seus pensamentos, como se passasse um filme em sua cabeça desde a época que conheceu Maura. O acaso de um caso em que estava trabalhando as fez cruzarem o caminho uma da outra, de uma forma engraçada. No mesmo dia em que se conheceram, ninguém poderia imaginar, nem mesmo elas, que teriam uma amizade de anos. Uma linda amizade feito a que tinham. E que agora, no fundo, era muito mais do que isso.
“Você não sabe nada e não há nada para saber...
Vou revirando o meu passado, procurando algo errado...
Nas lembranças espalhadas de nós dois...”
***
Maura estava indo embora quando encontrou com Frost e Korsak no elevador.
— Alguma novidade sobre o caso? – perguntou a médica.
— Bom, interrogamos a família. Ele era filho único, seus pais estavam chocados. Conversamos com eles, mas sem muito sucesso. – respondeu Korsak – A mãe nos disse que ele se encontrava com alguém ha algum tempo, mas era muito discreto e não lhes contou sobre essa pessoa. Ele foi encontrado sem seu telefone. Ou seja, estamos praticamente na estaca zero.
— Eu ainda estou impressionado com aquele boneco e com o bilhete! – indagou Frost – Isso é incomum. Não deixaram rastro de nada. Quem quer que seja que tenha cometido esse homicídio, ou é muito esperto ou está querendo fazer algum jogo.
— Espero que não seja mais um daqueles Seriais killers. – disse Maura e todos ficaram em silencio, trocando olhares.
Ao chegar em casa, Maura tratou logo de tirar os saltos e tomar um banho. Estava cansada e teve um dia exaustivo e cheio de emoções! Quando voltou, deu morangos para Bass e ficou conversando com ele, como se o mesmo lhe entendesse. Procurou por uma garrafa de vinho para beber e sentou-se no sofá, permitindo também se afundar em pensamentos.
“Não fica se escondendo porque eu sempre vou te achar...
Não fica procurando o que eu tenho pra mostrar...
Só deixa acontecer!
Não vai se arrepender...”
Ao mesmo tempo em que estava magoada com Jane por tudo o que havia acontecido e por tudo que não foi dito, sentia falta da morena. Ficava preocupada, querendo ligar e saber como ela estava. Sentia falta da voz rouca entrando em sua sala perguntando se havia encontrado algo sobre o caso, toda aquela impaciência e sarcasmo que ela vivia... Dos olhos fortes e do cuidado que ela tinha. Entendia por ela estar confusa com os sentimentos, os últimos dias tinham sido de muitos acontecimentos. Mas Maura também estava! Era tão novo tanto para Jane quanto para ela. Ela também não havia escolhido se sentir atraída e no final das contas apaixonada pela melhor amiga. Nunca imaginou que isso aconteceria entre elas, não com beijos e caricias, porque Maura sempre soube de sua atração pela amiga, porém, nunca havia aflorado da forma que estava e no passado ela havia decidido deixar isso para lá. E no fundo, Maura sabia que a Detetive também havia gostado, pois além de corresponder, conhecia a amiga. Mas então porque não conversarem feito adultas para verem se poderiam dar certo? Maura queria e queria muito. Não se importava com clichês. Era adulta, dona de si e ficaria com uma mulher, mas desde que essa mulher fosse Jane. A pessoa que mais lhe fazia bem na vida. A única pessoa que seria capaz de despertar nela todos os sentimentos, já que sempre fez tanto por ela (Maura). A começar pela amizade que Jane lhe ofereceu. A família, a proteção incansável que a morena tinha por ela, sendo capaz de dar a própria vida pela loira, a socialização com as pessoas que eram vivas e todas as coisas boas da vida que Maura não conhecia. Amava Jane e já estava se conformando com o sentimento crescendo em seu peito. Esperaria ela voltar para conversarem como duas amigas adultas e acertarem a situação delas. Maura não desistiria. Lutaria por Jane e por seu amor.
“Eu sinto falta do seu cheiro, teu contato, um desespero!
Só restou pra mim lembrar da tua voz...”
Após os pensamentos, Maura adormeceu no sofá e não se deu conta, só quando acordou com seu celular tocando.
— Dra. Isles! – disse ainda sonolenta – Det. Frost? Aconteceu alguma coisa?... Okay, me passe o endereço por mensagem que logo estarei lá... Obrigada.
Havia acontecido um novo homicídio...
A cena do crime era em um prédio. A vitima havia sido morta em seu apartamento. Chegando lá, Maura notou alguns policiais em volta do prédio. Havia pouca movimentação, pois era madrugada. Frost, Korsak e Frankie examinavam o local. Era um apartamento bonito, simples, porém sofisticado e muito bem conservado. Colocou suas luvas, deu boa noite aos rapazes ali presente e foi examinar o corpo.
A vitima era um homem entre 30 e 40 anos. O corpo estava estirado na sala, próximo ao sofá com uma poça de sangue em volta e cheirava mal. O lugar estava um pouco bagunçado. Algumas revistas espalhadas pelo centro da sala, um vaso de flores quebrado e o sofá fora do lugar. Havia um bisturi fincado em seu peito, como o da outra vitima. Logo Maura lembrou-se e chamou os Detetives para lhes mostrar. Em seguida, do lado esquerdo da vitima, havia um boneco feito de palha, parecendo um espantalho com o “olho” pintado de roxo e com uma blusa branca. Todos se lembraram do mesmo bisturi e do mesmo boneco que haviam encontrado na outra vitima. Olharam-se e estavam certos de que era o mesmo assassino. Sabiam que era um ataque de um novo serial killer e que aquilo era algum tipo de sinal. Após algum tempo, Frankie encontrou a carteira dele espalhada pelo chão e entregou para Korsak.
— Henry Elliot, 38 anos. – disse Korsak – Não foi assalto, pois não levaram o dinheiro que está na carteira.
— Porque na verdade o assassino já havia encontrado o que estava procurando... – disse Frost mostrando um porta retrato para eles.
— Oh meu Deus, é o Jack Torrance? – Frost fez um afirmativo com a cabeça.
— Pela temperatura e pelo corpo já ter começando a entrar em decomposição, ele foi morto a mais de doze horas. – conclui Maura.
— Então eles foram mortos juntos?
— É possível! – respondeu a Legista.
— Talvez seja ele a pessoa que a mãe de Jack citou. – mostrou outro porta retrato de uma foto com os dois homens de mãos dadas. E nelas, continham alianças.
— Mortos, juntos, como um casal. – disse Frankie. Todos pararam o que estavam fazendo, até mesmo de respirar e se olharam. Não era possível.
Maura fez sinal para retirarem o corpo. Quando o corpo foi virado, havia um papel no bolso da calça da vitima. Abriu e leu em voz alta para todos.
“OLÁ DETETIVES. OLÁ DRA. ISLES. ESPERO NÃO TER ATRAPALHADO O SONO DE VOCÊS. DA PRÓXIMA VEZ PROMETO QUE ME POLICIAREI COM HORÁRIOS. TENHAM UMA BOA NOITE, DETETIVE RIZZOLI, DETETIVE KORSAK, DETETIVE FROST E CLARO, DRA. ISLES.”
Maura terminou de ler o papel assustada. Como podia esse ser saber o nome de cada um deles? E por que pareceu que o seu ficou em evidencia? Começou a ficar mais preocupada do que o comum. Não era possível. Frost ficou inconformado. Esse assassino estava de longe tirando onda com a cara de policia. Korsak balançou a cabeça em negativo, sabia que teriam muito trabalho e ficariam sem sossego. Frankie nada disse, apenas ficou observando a reação de todos. Precisavam encontrar logo esse assassino, quem quer que fosse.
— Det. Korsak, amanhã pela manhã eu iniciarei a autopsia. – disse Maura. Korsak fez um positivo com a cabeça.
— Quer que eu te acompanhe Maura? – perguntou Frankie.
— Não, Frankie! Não precisa se incomodar, obrigada.
— Mas ainda assim eu irei. Não podemos descuidar com um assassino desses à solta. Não depois de citar o seu nome. É meu dever e minha obrigação cuidar de você, já que Jane não esta aqui! – Maura o encarou confusa. Não havia entendido sua colocação. O que Jane tinha a ver com aquilo? Mas não falou nada, deixou passar. Desejou boa noite para os senhores e foi embora.
Frankie foi acompanhando Maura de sua viatura até a casa dela. Realmente estava preocupado, ainda mais depois desses últimos assassinatos. Ficaria sempre por perto para protegê-la, como Jane faria. Esse era seu pensamento, cuidaria de Maura enquanto Jane não estivesse em Boston. Sabia que a irmã um dia ainda lhe agradeceria por isso. Por que no fundo, ele sabia que Jane gostava de Maura e Maura de Jane, que um dia elas ficariam juntas. Ainda mais depois do que a Detetive havia lhe contado. Do carro, os dois se despediram, Maura agradeceu e entrou em sua casa. Frankie estava mais tranquilo.
***
“Amanheceu e quer saber ainda nem dormi!
Traz de volta seus defeitos tão perfeitos...
Meu medo insiste em afastar seus sentimentos...”
Jane havia acordado na madruga. Adormeceu pensando em Maura e parece que com o mesmo intuito havia acordado. Sozinha, naquele quarto de hotel, se deu conta de como estava sendo idiota infantil fugindo de Maura e de seus sentimentos. E o pior: dos próprios sentimentos! Ela era adulta. Era Jane Rizzoli, a Detetive que não se abatia e nem se curvava perante um problema. Seu lema era encará-lo de frente e resolvê-lo o quanto antes possível. Mas porque que com Maura havia sido diferente? Estava sendo diferente? Talvez porque “problemas” relacionados à amor fosse um pouco diferente. Bem diferente...
Tomou a decisão de que quando voltasse à Boston, conversaria com a loira e quem sabe ela compreendesse a morena e por fim voltariam com suas amizades como sempre foi. E quem sabe, se Jane soubesse lhe dar com os próprios sentimentos, não se tornariam algo mais? Adormeceu novamente e acordou com o seu casual despertador de todos os dias.
Desceu para tomar café e encontrou Rafaela sentada em uma das mesas.
— Bom dia! – desejou Jane se aproximando com um sorriso. Rafaela fez sinal para ela se sentar.
— Bom dia, Rizzoli! – desejou com outro sorriso.
— E o Hugh? Ainda está no sono de beleza? – disse com um sorriso irônico.
— Depois de tudo o que ele bebeu ontem, deve estar é na beleza da ressaca.
Ambas deram risada e puderam ver Anthony se aproximando. Sentou-se, colocou a mão na cabeça e nada disse.
— Bom dia, John Collins. – disse Jane em alto tom, propositalmente.
— Ou seria: Bom dia, Margarita! – ironizou também Cezario.
— Oh lord, eu não sabia que a voz de sapatão de vocês era tão insuportável! – respondeu Anthony, ainda com a mão na cabeça. Jane hesitou em dizer algo para repreender aquela colocação, mas zoar com o novo parceiro estava mais divertido.
— Oh Hugh, desculpe a nossa indelicadeza. Talvez para nos desculpar você queria mais uma dose de Dry Martini! – Jane fez menção de chamar um garçom e Anthony a olhou desacreditado. Como ela podia fazer aquilo se sabia que ele estava de ressaca, com dor de cabeça e querendo esquecer o gosto de tais bebidas que ainda insistiam estar em sua boca? As duas mulheres deram risada da cara do próprio.
— Quando eu crescer quero beber igual a você! – disse Rafaela.
— Por isso que eu só bebo cerveja...
— Shhh! – ele fez sinal para se calarem – Falem comigo só dia trinta de fevereiro e, por favor, tenham a voz mais fina. – voltou a colocar a mão na cabeça. Realmente tinha bebido bastante na noite anterior, mas nada que o pudesse deixar bêbado, já que estava acostumado. Porém, a falta de alimentação adequada e a mistura de bebidas às vezes acaba atrapalhando e a traquina ressaca surge sem dó nem piedade.
Ficaram mais algum tempo conversando e dando risadas lembrando da noite passada. E enquanto tomavam café, também falavam sobre o que teriam para o dia de treinamento. Ambos eram “novatos” a treinamentos ligados ao FBI. Após algum tempo, viram outros policias que também estavam hospedados no mesmo hotel se aproximarem e acenarem com a mão, inclusive Dean, que havia acabado de chegar.
— Bom dia. – desejou Dean se aproximando de todos. Todos o desejaram de volta. – Vejo que já fez amizades, Jane! – Anthony o encarou curioso. Já se conheciam? Para estar chamando-a de Jane, só podiam se conhecer, já que todos se reportavam um ao outro apenas pelo sobrenome. Claro, no trabalho, mesmo porque exigia toda essa formalidade. E apenas íntimos, fora do trabalho, se chamavam pelo primeiro nome.
— É, deixa eu te apresentar. Esse é Det. Hugh e essa é a Det. Cezario. Detetives, esse é o agente Dean. – ambos se cumprimentaram com um aperto de mão.
— Vocês se conhecem? – perguntou Anthony com toda curiosidade e postura que possuía.
— Ah, bom... Nós já trabalhamos juntos em alguns casos, mais especificamente no caso que todos os casos eram o mesmo ligado a um Serial Killer tentando me matar. – respondeu Jane com um sorrisinho. Anthony levou a mão à boca e praticamente se arrependeu de ter perguntado.
— Bom, ainda não tomei café. Posso me sentar? – perguntou Dean apontando para a cadeira e todos prontamente fizeram positivo com um sorriso.
Ficaram mais algum tempo conversando e vez ou outra, Anthony percebia que Dean olhava para Jane com um olhar diferente. Sabia que existiu ou existia algo a mais além de terem trabalhos juntos. Mas nada disse nem diria, não ali, não nessas hipóteses.
***
“Eu conto até dez...
Imaginando abrir os olhos e te ver aqui!
Seu medo insiste em afastar meus sentimentos...”
Maura realizava a autópsia praticamente sem se dar conta de que havia um novo corpo de um possível “novo” serial killer em sua mesa. Seus pensamentos estavam longe... Longe de estar ali, mas ali apenas desejando que alguém estivesse ali. Ali, perguntando se já havia alguma resposta sobre o caso, quando na verdade ela tinha tantas outras respostas para dar...
— Dra. Isles, descobriu mais alguma coisa? – perguntou Frost entrando no necrotério, tirando-a de seus pensamentos.
— Sim. – respondeu pegando alguns papéis – Ele morreu de hemorragia.
— Então ele não morreu da mesma forma que o outro, Jack Torrance?
— Não. Sim! – Frost já se preparou para a boca de google começar – Ele morreu de hemorragia, porém, teve os mesmos ferimentos do que Torrance! Ele foi golpeado na nuca, mas ainda estava vivo quando recebeu o corte feito pelo bisturi em seu peito.
— Então eles foram mortos da mesma forma, pela mesma pessoa, só reagiram diferentes às causas da morte porque o organismo de um é diferente do outro! – Maura fez um afirmativo com a cabeça dando um sorriso pelas palavras de Frost, como se tivesse orgulhosa.
Ficaram por algum tempo conversando e Frost voltou para a Central. Ele e Korsak iriam interrogar algumas pessoas... Familiares, vizinhos, amigos e todos que pudessem estar ligados de alguma maneira as vitimas. Levaram em conta os bilhetes e os bonecos, que pareciam ser iguais. Tiveram a ajuda de Maura para olharem alguns registros de casos semelhantes, que pudessem conter as mesmas características. Pesquisaram o que significava aquele boneco e o mesmo sempre interligado a algum tipo de Vodu. Só que não eram muito religiosos e sabiam que isso se tratava de um psicopata tentando mandar algum tipo de mensagem desconhecida por eles.
— Hey Korsak, encontrei algo. – disse Frost. Korsak se aproximou de seu computador.
— Oh boy, o que ele está fazendo?
— Parece algum tipo de sinal. – respondeu. Maura se aproximou dos rapazes.
— O que está na mão dele é um bisturi? – perguntou a loira. Frost fez sinal de positivo.
— Desgraçado. Ele foi esperto! Usando essa roupa, touca e óculos de sol, sabia que não conseguiríamos reconhecê-lo mesmo olhando as fitas. – esbravejava Korsak.
— Det. Korsak, esse sinal... – Maura levou a mão à boca, franziu a sobrancelha e fez cara de pensativa. Os Detetives ficaram olhando para ela esperando que continuasse. – Esse si... – levou a mão à boca novamente com cara de espanto. – NÃO! Não pode ser... – os Detetives olharam o vídeo mais uma vez e o sinal do assassino: ele mostrava o bisturi à câmera e dava risada. Todos fizeram cara de espanto. Não podia ser...
***
— O FBI tem um alvo bem amplo, muitas divisões diferentes foram criadas para processar informações e administrar incidentes. Logo após o marco de 11 de setembro, o FBI obteve mudanças operacionais e organizacionais, e ampliou a missão da agência: prevenir de ataques terroristas, reagir a operações de inteligência estrangeira contra os Estados Unidos e cuidar de ataques baseados em crimes de internet e outros crimes de alta tecnologia. Mesmo que ser um investigador, um agente, do FBI possa ser perigoso, a Agência tem um registro de segurança excelente: apenas trinta e três agentes foram mortos em ação. – discursou o General. Jane revirou os olhos. O FBI se “achava” demais... – Hoje vamos aprender sobre o sequestro! Completo, teórico e prático, mostra a realidade atual dos sequestros, perfil das vítimas, perfil dos sequestradores, tipos de sequestros, áreas de risco e seus números, e modus operandis dos sequestradores.
— Falta muito pra chegar a hora do almoço? – Jane perguntou baixinho para Rafaela. As duas deram uma risadinha baixinha, tentando disfarçar. Anthony as olhou balançando a cabeça em negativo. Não tinha escutado o que tinham dito, mas sabia que boa coisa não era.
Estavam todos dentro de uma sala de reuniões. Viam vídeos e mais vídeos de registros do FBI, intercalando entre ocorrências e aulas explicativas. Vez ou outra o General e alguns agentes falavam algo, explicando também sobre os vídeos, táticas de defesa e ataque. O foco não era trabalhar na força bruta, mas sim com cautela e cuidado, para agirem na hora certa!
Enquanto para a maioria ali presente, o dia tivesse sendo muito produtivo e informativo, para Jane só mais um dia chato e tedioso. Ainda no segundo dia já estava achando aquilo tudo uma porcaria chata, quando na verdade ela queria estar em Boston trabalhando em seus casos, fazendo o que realmente fazia de melhor e o que mais gostava. Mas como ela mesma havia optado por isso, só lhe restava viver os dias mais chatos de sua vida contando para que eles acabassem.
Já era noite quando os três, Jane, Rafaela e Anthony se encontraram no Wash Pub.
— E ai, vamos fazer uma rodada de shots de tequila? – sugeriu Jane.
— Tomando suco, Hugh? Num tem vergonha nessa cara não? – disse Rafaela. Jane caiu na gargalhada. Estava adorando tirar onda com Anthony. E pelo visto, Rafaela também era assim e entrava na onda. Anthony fingia que nem era com ele.
— Se você tivesse tomado cerveja, não estaria assim.
— Nós avisamos. Cerveja é a melhor bebida que existe!
— Eu já falei hoje o quão insuportável vocês são? – disse dando risada. As mulheres o acompanharam. – Credo! Só não estou com vontade de beber hoje. Estou tomando o meu suco de laranja com limão para limpar o meu organismo. Tenho um mês para beber, ficar como ontem e fazer aloka!
— Oh não, por favor, não... Se você ficar pior que ontem, eu tenho até medo do que essa “aloka” possa fazer. – disse Jane dando risada.
Ficaram conversando e vez ou outra Jane ou Rafaela soltava uma piadinha sobre a noite passada e claro, Anthony fazia careta para elas e também caia na gargalhada. Os três estavam se dando muito bem. Eram Detetives de sucesso. Tinham histórias de batalhas de vida parecidas.
— Então você conhece o bofe de outros carnavais, Rizzoli? – perguntou Anthony ironizando. Jane revirou os olhos. Pensou que eles já pudessem ter esquecido isso, mas pelo visto não. Ainda mais Anthony. Pelo pouco tempo de convivência, sabia que ele não deixava passar nada, ainda mais quando isso lhe custava boas piadinhas. Vendo a reação de Jane, os dois deram risada.
— Anthony, assim você deixa moça sem jeito! – ironizou também Cezario.
— Até eu ficaria sem graça... Credo Rizzoli, que bofe feio, caído, murcho! – Rafaela tentava segurar o riso mais não dava, não depois da ultima frade de Anthony. Jane tentava fingir irritação, que estava brava, mas não conseguia. Anthony era um palhaço, ela também caiu na gargalhada.
— Vem cá, você cismou comigo, né? – perguntou Jane. – Por que você não mira um pouco na Cezario e me erra?
— Por que a Cezario é uma bofe descente, resolvida! É mais legal ironizar você, uma bofe enrustida! – respondeu mandando um beijinho cínico para ela.
— Bofe, eu? Sério? – ela perguntou com as sobrancelhas levantadas e apontando para si.
— Vai me dizer que você se acha a bailarina de balé, vestidos, saltos, bolsas e maquiagens, moda e mundo cor de rosa? – Jane revirou os olhos. Realmente odiava tudo isso. Não se considerava mulherzinha que fazia todos esses tipos de coisa. Odiava saltos, roupas apertadas e principalmente quando tinha que as usar em alguma ocasião. Odiava mais ainda quando era pequena e sua mãe lhe obrigava a fazer aulas de balé, embora fosse uma ótima bailarina.
— Mas isso não quer dizer que eu seja uma bofe, me respeite! – disse Jane dando risada. Já estava se acostumando com a “marcação” de Anhony.
— Ai Rizzoli, sua sapatonice enrustida cansa a minha beleza! – disse revirando os olhos.
***
Havia se passado uma semana desde que Jane havia ido para Washington. E consecutivamente fazia uma semana que ela e Maura não se falavam. No decorrer dessa semana, havia acontecido mais dois homicídios iguais aos outros. Mais um casal havia morrido e os Detetives não conseguiam pistas, ainda mínimas que fossem.
“Eu conto até dez...
Traz de volta seus defeitos tão perfeitos...
Pra que você entenda o quanto eu ainda te quero
Saiba que ainda espero!”
Maura estava no Dirty tomando sua taça de vinho, na mesa em que elas costumavam se sentar, sozinha e pensando na única pessoa que lhe deixava preocupada, com saudades, com vontades, com amores, com tristezas, com desejos e com uma vontade louca de ouvir a voz mais linda, rouca, sexy e a preferida de Maura.
— Hey, Maura! – disse Frankie, fazendo-a encara-lo, já que a mesma olhava pela janela fitando o nada – Posso falar com você?
— Oi Frankie! – disse com um sorriso – Claro! Aconteceu alguma coisa?
— Não, nada de mais... Tem falado com a Jane?
— Não, não nos falamos desde quando ela foi para Washington! – respondeu fitando o vazio. Claro, ato esse que não passou despercebido por Frankie.
— Maura, eu quero que você saiba que pode contar comigo, para o que for. Para tudo mesmo. Sei que esses dias não tem sido fáceis, esses assassinatos têm deixados todos preocupados por não termos quase nenhuma pista envolvente, sei também que você pediu para não preocuparmos Jane quando ela ligasse falando sobre... Mas na verdade, não é só isso que te preocupa... – ela o encarou desentendida. Realmente não sabia do que ele estava falando quando disse que não era apenas isso que a preocupava – Sei que as coisas não estão boas entre você e Jane!
— Sabe? – ela franziu a sobrancelha.
— Sei! Nós conversamos um dia antes dela viajar! E...
— E...
— E ela me disse que vocês se beijaram! – Maura estava surpresa. Fez menção em dizer alguma coisa, mas ficou apenas com a boca aberta sem conseguir dizer nada. Frankie havia pegado ela de surpresa. Ela não imaginava que eles haviam conversado sobre esse assunto, já que Jane insistia em fugir do mesmo.
— Frankie... – respirou fundo, não sabia o que dizer.
— Não, tá tudo bem Maura. Eu entendo que esteja tudo em plena confusão para vocês duas. Vocês são amigas, sempre foram a vida inteira. Deve ser muito complicado ter esse tipo de sentimento depois de tantos anos de amizade e convivência. Sei que nenhuma de vocês duas escolheu isso, porém, tudo se encaminhava para que isso acontecesse.
— Como assim?
— Maura... A vida de vocês duas só corre tudo bem, quando estão juntas, juntas que eu digo, uma perto da outra! Vocês vivem juntas todos os dias. Quando não no trabalho, na casa uma da outra ou com nossa família. Criaram um vinculo além da amizade, se você for parar para pensar... Os relacionamentos de nenhuma de vocês duas dão certo! Por mais que tentem, não da certo. Já parou para pensar que talvez não dê certo porque não era para dar, porque não era a pessoa certa? Já parou para pensar que essa pessoa certa pode estar na sua frente?
— Frankie, eu amo a Jane! Eu não queria que nada disso tivesse acontecido. Foi maior do que eu, eu jamais queria magoá-la e colocar em risco nossa amizade!
— Eu sei disso! A Jane também sabe! Mas você conhece a minha irmã, ela é cabeça dura, sempre foge dos “problemas” relacionados a sentimentos. – Maura sorriu. Sim, conhecia como ninguém sua melhor amiga, seu possível amor. – Ela também te ama, acredite! Ela só não sabe lidar com esse sentimento novo. Jane é outra pessoa quando está com você, Maura. Ela faz coisas e deixa de fazer coisas por causa de você. Ela também só ainda não se deu conta que existe algo além de amizade entre vocês.
— Eu tenho medo de ter estragado tudo, Frankie. De ter dito coisas que não deveria e fazer a Jane se afastar de mim... Eu não quero em hipótese alguma que isso aconteça.
— E não vai, acredite! Jane esta confusa. Desde quando ela era adolescente, ouvia piadinhas de que ela era “sapatão”. – Sapatão? Maura o olhou com confusão, como se dissesse que não sabia o que era aquilo e logo Frankie entendeu. – Sapatão é o termo que usam para dizer que uma mulher gosta de outra mulher. – explicou rindo. Maura também riu. – Sempre diziam que ela gostava de mulheres e que ela nunca ficava com meninos por causa disso, por sempre afastar eles por causa de sua opção. Ela no começo ligava, mas depois nem deu mais trela. Nós nunca ligamos, sabíamos como Jane era e o gênio que tinha... Tenha paciência! Deixa ela pensar um pouco em tudo o que aconteceu e digerir. Jane é uma coração mole, se faz de dura, bota a armadura da Detetive temida e que nada atinge, mas no fundo ela é uma boa pessoa, uma mulher querendo amar e ser amada, uma pessoa que só quer o bem de todos, que pensa nos outros primeiro, antes de pensar em si mesma.
— Frankie, obrigada por conversar comigo e me entender. Suas palavras me confortaram. Eu só quero a felicidade de Jane. Eu só quero fazê-la feliz!
— E fará. Disso eu tenho certeza! – disse com um sorriso. – Eu só quero a felicidade da minha irmã! Só quero a felicidade de vocês. E no que eu puder ajudar, eu o farei. Estamos juntos nessa, conte comigo.
— Obrigada mais uma vez! – agradeceu com um sorriso.
— Nem que para isso eu tenha que prendê-la e só soltá-la quando ela decidir conversar com você para se acertarem! – Maura deu risada, Frankie a acompanhou.
Ficaram por mais algum tempo conversando até irem embora... Maura estava mais tranquila, mais relaxada depois da conversa com ele. Frankie tinha razão, assim como ela sabia... Jane estava confusa. Teria paciência. Esperaria ela voltar e diria tudo o que estava sentindo. E mesmo com tantos problemas, Maura foi dormir mais tranquila e relaxada.
***
Jane não estava aguentando mais de tanta vontade que estava de falar com Maura. Era quase uma hora da manhã quando ela resolveu ligar para a Legista. Discou o numero, mas antes mesmo que pudesse chamar, ela desligou. Estava com medo, estava nervosa, não sabia qual seria a reação de Maura. Mas já havia ficado muito tempo sem falar com ela! Respirou fundo, prendeu o cabelo e discou o numero dela mais uma vez. Mesmo que fosse tarde e Maura pudesse já estar dormindo, ela precisava ligar, precisava ao menos que fosse dizer um oi...
— Jane? – perguntou Maura sonolenta! Jane sorriu boba do outro lado da linha. Como estava com saudades daquela voz.
— Oi Maur...
“Aonde quer que eu vá...
Eu sei vai ser você...”
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