Rizzoli And Isles - O amor por trás do caso
10 Capítulo 10
Notas iniciais
Difícil de dizer qual coração palpitou mais.
Difícil dizer quem mais estava ansiosa, que mais esperava por esse telefonema. Ainda que fosse para brigar, discutir ou até mesmo se chatear, mas são nesses momentos que uma pessoa percebe que não vive sem a outra. Tudo que se constrói é pensando um no outro, um ao outro, um pelo outro. Aprendem com o que passou que cada detalhe vai somar. E a essa altura, difícil de dizer o que sentiam. Pareciam duas adolescentes esperando um mínimo sinal que fosse da pessoa que estava apaixonada. As vozes se eram necessária para acalmar um coração perdido, procurando pelo outro que sempre esteve ao seu lado, ali, te aquecendo sempre da melhor forma possível. O único coração capaz de fazer ao outro tudo o que fazia, vice e versa. A ÚNICA pessoa capaz de despertar sensações que nunca tiveram sentido por ninguém, uma pela outra... Coração quando nasce para ser apenas de uma pessoa, pode se passar anos a fio, pode se envolver com outros corações e ter sentimentos, mas apenas é completo quando acha a verdadeira razão por ele bater. Jane havia encontrado sua razão. Maura havia encontrado sua razão. Juntos batiam, formavam um só...
“Como vai você?
Eu preciso saber da sua vida...
Peço a alguém pra me contar sobre o seu dia!
Anoiteceu e eu só preciso saber...”
Mesmo querendo falar tudo de uma vez, pedir desculpas, ao menos ainda assim, tentar ter a amizade que tinham, Jane estava ansiosa, nervosa e sem saber como agir. Não podia mais negar seus sentimentos e nem o tamanho da falta que Maura fazia em sua vida, a tamanha saudade que estava da Legista e de sua voz doce que lhe dava segurança, conforto, carinho e amor... Ficou em silêncio, resultando também no silencio de Maura. Pensou até mesmo que a amiga havia desligado, assim, ficou apreensiva e com medo, pensando que Maura não queria mais falar com ela.
— Maura, você tá aí? – perguntou com a voz mais baixa, mais rouca, mais linda – pensou Maura! Jane estava um pouco tremula, sua voz denunciava, ainda que no fundo ela tentasse esconder.
— Oi... Eu estou aqui sim! – foi o máximo que Maura conseguiu dizer. Na verdade queria dizer muitas coisas, dizer assim na lata, tudo de uma vez. Estava nervosa, estava ansiosa e na mesma proporção que estava surpresa estava feliz de ouvir a voz que mais linda, de que tanto amava... Saudades, saudades, saudades... Eram essas as palavras que seu coração sussurrava... O que dizer? Deus, como era difícil. Ainda mais depois de tudo. Precisavam se ouvir, saber como estavam.
“Como vai você?
Que já modificou a minha vida!
Razão da minha paz já esquecida...
Nem sei se gosto mais de mim ou de você!”
— Está tudo bem? É uma hora da manhã... – por fim disse Maura.
— Oh Maur, me desculpe! Eu não quis te acordar e... – Jane só pensava que precisava encontrar uma desculpa rápida, afinal, o que explicaria ela ligar para a loira aquela hora da noite? Só para dizer um oi? Só para dizer que estava com saudades? Só para dizer que a amava? Jo Friday! – E eu queria saber como a Jo está! Minha mãe me disse que você se ofereceu para ficar e cuidar dela na minha ausência. – “Sério Jane? Isso é o máximo que você consegue dizer? Definitivamente eu me decepciono...” Esses eram os pensamentos da Detetive. Fechou os olhos franzindo-os e deu um tapa na testa. Se sentia ridícula!
— Ela está bem, Jane! – era nítida a tristeza no tom de voz da loira. Sério mesmo que Jane havia ligado para ela aquela hora apenas para saber de Jo? Maura pensou em perguntar se era apenas isso que Jane desejava e logo desligar para acabar com aquela tortura. Já sabia mesmo que a cadelinha estava bem! Mas não. Não. Maura era decidida. Estava decidida. Não iria deixar passar a iniciativa que a morena havia tomado de ligar para ela. – Inclusive ela está com saudades! Toda vez que chego do trabalho, ela fica me olhando como se procurasse você em mim...
Ao contrario dela, Jane sempre soube que Maura era uma pessoa decidida... Sentiu um arrepio enorme e um aperto gostoso no coração por ouvir aquelas palavras. Sentia se feliz por saber que Jo, sua Jo, sua Maura, sentia falta dela. Mesmo com todas as burradas que havia feito até o momento. Não sabia como seria, mas queria muito concertar de alguma forma. Então, precisava além de ter medo e sentimento enrustido, ter pulso firme, ser decidida e começar concertando o que havia feito.
— Maura, me desculpe! Eu sinto muito... Fui uma tola...
— Jane...
— Não Maura, não diga nada! Eu não deveria ter feito isso, ter te tratado daquela maneira e ter saído de Boston como eu sai! Eu só... – respirou fundo. Tinha começado que fosse até o final. Uma hora isso precisava acabar! – Eu só não sabia como agir, como lidar com você e com tudo o que aconteceu. Eu sempre fui péssima com isso e você melhor do que ninguém sabe! – as duas soltaram um risinho. Sim, tanto Jane quanto Maura sabia que a Legista a conhecia como ninguém, talvez até melhor do que qualquer outra pessoa. Mas, nem tudo era tão fácil assim, nem tudo poderia ficar tão exposto, mais do que Jane estava exposta. – E claro, eu precisava vir para o treinamento, para melhorar algumas técnicas e tudo o mais... – Maura não hesitou. Jane sempre recuaria, mas estava tão feliz da amiga cair em si e ter “iniciado” aquela conversa, que as ultimas palavras sobre treinamento, blah blah blah, não lhe fizeram efeito.
— Tudo bem... – respondeu carinhosamente que era como se Jane pudesse visualizar através daquela voz, o rosto delicado, frágil, fino e lindo falando com uma expressão que só aumentava sua vontade de vê-la! – Eu não quero brigar com você! Eu não me sinto bem, sinto sua falta... – tentou ponderar suas palavras. Teria todo o tempo do mundo para dizer tudo. – Me desculpe!
— Okay, Dra. Isles! – Eita função seguida do sobrenome forte! Tão forte que não poderia ser descrita por nenhuma das duas. Uma com a saudade que estava de pronuncia-lo e a outra com a saudade que estava de escuta-lo! – Me diz, como andam as coisas? Como está tudo lá no Departamento? Frankie me disse que estavam trabalhando num caso, mas não mencionou nada...
— Está tudo bem! É apenas mais um serial matando vitimas sem grau de parentesco algum, mas no final sempre descobrimos que eram casais... – não queria preocupar a morena, porque teria que dizer sobre as suspeitas de todos e isso não seria nada bom para Jane que estava longe.
Ficaram conversando por mais alguns minutos. Embora ficassem ponderando as palavras a serem ditas, tinham muitas novidades para contar. Jane ficou falando o quão insuportável o FBI era, em como se achavam melhores em tudo e o quanto aquilo tudo estava sendo chato, embora ela estive lidando e aprendendo com os melhores... Maura dava risada, sabia que Jane era encrenqueira e sempre reclamava de tudo. A médica falou também que havia ido visitar algumas agencias de carro, pois iria comprar um novo. Contou também que Ângela havia marcado um jantar com todos, inclusive com Lydia para ficarem mais tempo com TJ. Jane sentia saudades... Já estava na hora de voltar!
“Vem, que a sede de te amar me faz melhor!
Eu quero amanhecer ao seu redor...
Preciso tanto te fazer feliz...”
Foram dormir ambas com um sorriso bobo no rosto. Estavam precisando dessa conversa, desse contato indireto tão importante aos seus ouvidos e corações. Agora a espera seria para a volta da Detetive... Os dias a serem contados ainda seriam longos... Ou não!
***
Maura acordou naquela manhã mais radiante. Não tão radiante se Jane estive lá, tivesse dormido com ela abraçada e lhe acordando com um beijo depois de uma noite maravilhosa juntas. Sim, enquanto Jane lutava e brigava consigo mentalmente por ter se imaginado transando com sua melhor amiga, Maura já havia visualizado tudo e sua vontade e curiosidade só aumentava. Ainda no banho, pensava em como seria ter uma vida amorosa com Jane. Acordar com ela ao seu lado, ir com ela aos lugares que sempre iam juntas, fazer o que sempre faziam juntas, porém com uma grande diferença: namorando! Se tudo o que faziam juntas era maravilhoso, imagine com a vantagem de existir beijos, abraços, caricias e amor? Maura sorria abobada só de pensar nessas possibilidades! Havia perdido tanto tempo sem ter esses sentimentos maravilhosos que só queria pensar na volta de Jane e em um recomeço perfeito ao seu lado!
Maura estava indo para a garagem, quando ouviu um gemido vindo de sua calçada! Se aproximou do portou e notou que havia um homem caído sentado com a mão na perna e a mesma sangrava um pouco. Não pensou duas vezes antes de sair para ver se podia ajuda-lo.
— Senhor... – disse se aproximando. – Está tudo bem? Você esta ferido? Quer que eu chame alguém, alguma ambulância?
— Ai... Moça, me ajude por favor... – dizia com cara de dor! – Um cachorro me mordeu na rua de traz quando eu passava e eu não consegui correr. Só consegui chegar até aqui. – ele a olhava com os olhos marejados e Maura via a sua expressão de dor.
Ajudou o homem a levantar e pediu para que ele entrasse com ela em sua garagem e que esperasse, pois iria buscar sua maleta de primeiros socorros. Quando voltou, o homem não estava mais lá...
***
Após outra reunião pela manhã, os agentes e Jane estavam nas dependências do hotel. Hugh notou que Jane estava menos mau humorada e menos rabugenta. Porque embora fosse poucos dias de convivência, haviam criado um vinculo de amizade e cumplicidade que ele a conhecia bem e poderia até afirmar que ela estava mais feliz, que deveria ter acontecido algo. Sabia também que ela escondia alguma coisa. Não que fosse ruim, mas que no fundo tinha medo de falar! Ele respeitando durante esse tempo, resolveu não querer falar sobre. Mas hoje, ah hoje ela teria que lhe contar...
— Viu um passarinho verde essa noite, Rizzoli? – perguntou esboçando uma cara cínica. Só esperava que a amiga não lhe dissesse que havia dormido com o veio murcho do Dean.
— Passarinho verde? – perguntou com cara de confusão. Realmente não tinha entendido. Rafaela olhava para eles esboçando também um sorriso. Entendia muito bem aonde Anthony queria chegar, pois também havia notado que Jane estava diferente.
— Ai, vai me dizer que não conhece essa expressão?
— Conheço, claro que eu conheço... Mas o porquê eu teria visto um passarinho verde? A janela do quarto estava fechada... – respondeu também cinicamente.
— Pensei que em Nárnia tivessem passarinhos verdes... – disse mais cinicamente ainda. Rafaela agora gargalhava... Não sabia quem era pior dos dois. Entendia que Anthony estava tentando fazer Jane falar, mas sabia também que Jane era dura na queda e que seu sarcasmo era seu forte, ainda mais quando queria fugir de algum assunto! Jane deu uma risadinha...
— Não entendi, Det. Hugh! – continuou com a risadinha. Todos acabaram rindo.
A amizade que criaram só aumentava a cada conversa, a cada risada e a cada cinismo, porque era difícil de dizer quem era mais cínico, o mais debochado e o mais brincalhão dos três! Jane já sentia se bem e a vontade ao lado deles para falar sobre qualquer coisa. Ela estava tão mais leve e feliz por ter falado com Maura na noite anterior, porque não contar para eles o que tanto queriam saber? Assim Anthony largava um pouco do seu pé, quem sabe... Mas, vossos celulares haviam tocado e indicava uma mensagem de um dos agentes do FBI avisando que teriam um treinamento.
Ao chegarem no local aonde seria o novo treinamento, se depararam com uma estrada de terra cheia de arvores ao redor... O lugar era bem grande, como uma espécie de sitio com a área reservada exatamente para isso. Estavam todos lá, inclusive Dean que abriu um sorriso enorme para Jane, que retribuiu, mas não na mesma proporção. Entregaram coletes à prova de bala para cada um e armas variadas. Ouviram atentamente todas as explicações e como deveriam agir daqui pra frente. Teriam que simular o resgate de um refém que estava em um carro com três sequestradores. O carro estaria em movimento, então, a atenção teria que ser maior para agirem, pois o risco era maior. Em um dos carros que fariam a perseguição estava Jane, Rafaela, Anthony e um agente. Todos os policiais presentes foram distribuídos em carros para se iniciar a prova. Não diriam onde o sequestrador estava com a vitima, teriam que correr contra o tempo para encontrarem o carro que estava naquela dependência e assim, salvarem a vitima. Todos eram grandes policiais, mas nunca haviam trabalhados juntos, então teriam que redobrar a atenção e entenderem um do outro para conseguirem trabalhar em equipe. E como se aquilo fosse sorte ou até mesmo destino, Jane, Rafaela e Anthony se entreolharam com olhares confiantes e firmes, como se eles se entendessem apenas com o olhar dizendo que era a hora de agir e que um confiava no outro!
Como de costume, Jane prendeu seu cabelo em rabo de cavalo, colocou sua arma na cintura, apertou seu colete e sorriu para os três! Adrenalina... Era disso que ela estava precisando, era isso que ela queria e pelo visto os amigos também, pois estavam todos com a mesma feição. Ficou acordado entre os três que quem conduziria o carro seria Cezario. O agente não poderia dirigir, então, teria que ser entre eles e essa decisão foi aprovada por todos. Agora era só agir...
***
— Estou tentando desde mais cedo, mas ela não atende! – disse Frost.
— Mas que diabos aconteceu com ela? Vou ter chamar o Dr. Pike até conseguirmos falar com ela. Não podemos esperar mais, precisamos iniciar essa investigação e o corpo não pode ficar lá parado, estamos perdendo provas. A imprensa ta chegando para um prato cheio! – disse Cavanaugh.
— Vou na cantina perguntar para Ângela se ela tem alguma noticia dela... – Korsak disse se encaminhando até a porta.
Havia acontecido um novo. Todos estavam apreensivos. Não haviam conseguido falar com Maura para iniciarem com as investigações, precisavam que ela fosse até o local examinar o corpo para assim iniciar a autopsia e as investigações. E até o momento, ela não tinha aparecido no Departamento.
— Hey Ângela...
— Hey, Korsak! – respondeu com um sorriso. – Você quer um café?
— Eu aceito, obrigada. Ângela, você tem noticias da Dra. Isles? Ela não apareceu até agora e não estamos conseguindo falar com ela.
— Bom, quando eu sai pela manhã ela ainda estava em casa, pois seu carro estava na garagem... – fez cara de preocupação. – Oh meu Deus, será que aconteceu alguma coisa com ela?
— Não, talvez ela só não esteja podendo atender o telefone... – disse tentando parecer tranquilo, mas no fundo também estava preocupado. Maura nunca havia se atrasado tanto, e mesmo que isso acontecesse, ela atendia aos telefonemas ou avisava quando precisaria se ausentar.
Foi até a sala de Cavanaugh e ligaram para o Dr. Pike. Era a ultima saída deles, não poderiam esperar mais. Mesmo que isso resultasse em uma demora eterna e estresses tendo que esperar por resultados que nunca vinham, já que Dr. Pike era de longe a cópia de Maura, só que o contrário. Dr. Pike chegou à cena do crime, examinou o locar lentamente, ficou falando tudo o que via gravando em seu radio gravador, falando sobre teorias existenciais que ninguém entendia... Andava de um lado para o outro olhando o local e gravando. Abaixou até o corpo e continuou falando em seu radio gravador. Korsak não aguentando mais aquela demora, pediu firmemente para que ele assinasse a remoção do corpo de uma vez por todas e iniciasse a autopsia.
Após iniciar a autópsia, Pike encontrou um bilhete grudado em um boneco feito de palha com o “olho” roxo e uma camisa branca. A vitima havia sido morta da mesma forma que as outras vitimas passada, o assassino era o mesmo, o serial kiler atacando novamente e mostrando mais uma vez sua forma de matar seguido de um sinal com um bilhete e um boneco. Chamou os Detetives e lhe entregou o bilhete.
“VEJO QUE ESTÃO SE DIVERTINDO COM AS MINHAS OBRAS DE ARTE. MAS QUEM NÃO ESTÁ SE DIVERTINDO SOU EU... PENSEI QUE PUDESSEM DESCOBRIR A MINHA IDENTIDADE MAIS FACILMENTE, MAS VOCÊS ME DECEPCIONARAM DETETIVES. CADÊ A DET. RIZZOLI? ACHO QUE ESTÁ NA HORA DELA VOLTAR, POIS TENHO ALGO ESPECIAL PARA ELA...”
Todos se entreolharam, inclusive Cavanaugh que estava na sala de autópsias. Sentiram a raiva e o ódio dominando a todos. O medo dessas palavras deu um peso profundo em todos. Não sabiam qual era sua intenção, mas só de imaginar já ficaram apreensivos.
O dia passou lento, sem muitas respostas e estressantes para todos da policia de Boston. Não sabiam mais por onde procurar o desgraçado que estava matando casais e mandando bilhetes ameaçadores com pistas que levava a lugar nenhum. Já não sabiam mais o que fazer. E como o dia passou, passou sem nenhuma novidade de Maura. Tentavam desesperadamente ligar para ela, mas o telefone só chamava e ela não atendia... Com medo de qualquer coisa possível e para prevenção, foram até sua casa.
***
Após o treinamento Jane ficou subitamente quieta na volta para o hotel. O treinamento havia sido um sucesso! Todos os três, Jane, Rafaela e Anthony estavam satisfeitos com vossos desempenhos. Eles haviam conseguido capturar a vitima. Trabalharam em equipe e com seus conhecimentos, usaram de todas as armas e formas para ser feito o resgate. Jane foi a porta voz que se enfiou no meio entre os policias e os sequestradores. Por fim, recuperaram a vitima e ninguém saiu ferido. Hugh vendo o desanimo e a feição da amiga mudada, tentou anima-la.
— Nossa, você é boa nisso, hein Be? – disse dando um tapinha no braço de Jane, que sorriu de volta.
— Eu sou boa em tudo!
— E muito modesta também! – disse Cezario dando risada. Mas ainda assim, Jane não conseguia disfarçar sua feição de incomodo.
— Tá tudo bem, Jane? – perguntou Anthony
— Tá, eu só... Eu só to me sentindo um pouco estranha, sei lá! Uma sensação ruim.
— Deve ser pelo acontecido... Mesmo sendo um treinamento, ficamos apreensivos e no final é desgastante! Esse nosso trabalho é desgastante... Logo passa querida. Bamos, bamos, bamos... Andiamo tutti noi prendere tequila! – disse Anthony animadamente segurando nos ombros das duas mulheres fazendo elas caminharem em direção a porta novamente. – Merecemos depois do show de hoje.
Ao chegarem no Wash Pub, Anthony já tratou de pedir para a garçonete três doses de tequila antes mesmo de sentarem a mesa. Ele estava animado e queria que suas amigas ficassem animadas também. Jane olhava para ele dando risada. Havia visto o outro lado do amigo no treinamento. Sério, centrado e com uma cara totalmente diferente da que estava acostumada. Ele era ótimo. A sintonia entre os três era perfeita.
— Acho que tivemos um ótimo desempenho nesse treinamento... – disse Rafaela feliz.
— Verdade! – respondeu Jane.
— Acho que nós somos o melhor trio desse lugar. E falando em trio... – a garçonete havia chegado e deixado as doses de tequila em cima da mesa.
Os três se entreolharam, colocaram o sal na mão, pegaram o limão com uma mão e seguraram o copo com outra... Fizeram um brinde e tomaram todos ao mesmo tempo. Jane fez uma careta no final, assim como os outros dois Detetives. A tequila desceu rasgando.
— Vamos tomar outra! – disse Anthony
— Nossa senhora, você tá que tá hoje hein, Thony! – disse Jane dando risada. – Eu quero cerveja!
— Eu também quero cerveja!
— Ai não, vamos tomar pelo menos mais uma dose de tequila... Depois vocês bebem cerveja! – e levantou a mão fazendo sinal para a garçonete. Após ela chegar a mesa e ele pediu outras três doses, Rafaela pediu cerveja para ela e para Jane e a confirmação veio com uma piscadinha da garçonete, que não passou despercebida por Anthony! – Ui ui ui, piscadinhas à postos...
— Você não perde uma hein Thony? – disse Rafaela dando risada.
— Hugh parece peneira! Não deixa de passar nenhum pó!
— Claro filha, não vim nessa vida a passeio não! – todos deram risada.
— Tequilas e cerveja para vocês. – disse a garçonete. – Precisa de mais alguma coisa? – perguntou agora olhando para Rafaela.
— Por enquanto não querida, obrigada.
— Se precisar de alguma coisa, qualquer coisa, é só me chamar! – outra piscadinha para Cezario. E saiu da mesa.
Jane e Anthony trocaram olhares com ar de deboche... Aquilo seria motivo para zoarem eternamente Rafaela. Rafaela era muito bonita, embora andasse bem simples, seus olhos azuis, a pele morena e o cabelo castanho claro chamavam muito a atenção.
— Alguém vai dormir acompanhada hoje... – disse ele.
— Melhor do que nós... – ironizou Jane.
— Qual é! Ele ainda é uma criança. Vocês parem, hein?
— É só vocês ficarem amiguinhas da garçonete que ela logo trata de arrumar uma garçonete pra você também, Jane!
— O que? E quem disse que eu quero uma garçonete, cupido? – respondeu Jane.
— Ah, porque você já tem a sua né? – Jane ficou quieta e só deu uma risadinha. Tudo que ele precisava... – E eu gostaria muito de saber sobre a sua “garçonete”, Rizzoli!
— Não tem nada pra saber...
— Que tal começar me contando sobre esse “nada”? Já é um ótimo começo.
— Você não vai me deixar em paz até eu falar, né?
— Não mesmo! – disse sorrindo. – E ficaria muito feliz se você me contasse... Gostaria muito de saber quem é a sortuda dona desse coraçãozinho!
— Qual é Jane, você está entre amigos... Abra-se para nós.
— Não, mas também não se abra muito porque não gosto disso... – disse Anthony fazendo cara de nojo, arrancando risada das amigas...
— Ela é muito especial... – Jane começou a dizer fitando o vazio com um sorriso de lado. – É a pessoa mais inteligente que eu conheço nesse mundo, uma boca de google ambulante com o sorriso mais doce, a inocência mais linda e a pessoa que me fez descobrir sentimentos que nem eu mesma sabia que possuía... Ela é minha melhor amiga!
Anthony e Rafaela estavam de boca aberta! Nunca pensaram que Jane pudesse ser dessa forma, falar dessa forma carinhosa e mudar completamente de expressão ao se referir a Maura. Ainda que não soubessem quem era a mulher nem o seu nome, sabia o tamanho do poder que ela tinha sobre Jane e o quanto Jane gostava dela.
— Ai que sapatão mais apaixonada, gente! Fico até arrepiado...
— Anthony!
— Ai me desculpe, Sa! Eu fico emocionado com essas histórias... Nos conte mais! – disse ele cruzando as pernas e colocando uma das mãos no rosto. Estava adorando aquela história.
— Sa? – Jane e Rafaela perguntaram juntas.
— Sa, sapatão! Apelido carinhoso... – as duas deram risada. Como esse Anthony era formidável.
Jane contou algumas coisas sobre sua história com Maura. Como haviam se conhecido, como brigavam feito cão e gato no primeiro caso juntas, como se tornaram amigas... Como uma fazia a diferença na vida da outra, vice e versa. Como Maura era, seu jeito ingênuo, inteligente de sempre ter uma explicação cientifica pra tudo, mesmo sendo uma coisa simples... Do quão adorável essa qualidade dela era, embora Jane ficasse irritada a maioria das vezes, mas no final amava isso nela! Do quão ela sentia falta de sua melhor amiga... De como tudo havia acontecido, do beijo e da fuga de Jane para Washington. Mas é claro que ela não disse com todas as letras que havia ido para esse treinamento porque estava fugindo de seus sentimentos e dos sentimentos de Maura.
— Que história linda, Jane! Eu to cada vez mais apaixonado por essa Mara. Quero conhecê-la logo! – disse Anthony
— Mas vocês namoram? – perguntou Rafaela
— Não não... Nós... Bom, depois do beijo que demos e da nossa quase transa, nós não tocamos mais no assunto! Embora ela tentasse sempre conversar, eu fugia. Não sabia como olha-la nos olhos, não sabia como agir com ela e isso me assustava. Me assustava mais ainda o fato de ver que ela levava isso naturalmente!
— Mas é claro, Jane! Pela história de vocês já da para ter uma noção do quanto vocês se precisam... E no final, isso iria acabar acontecendo! Tudo trilhava para ficarem juntas... – disse Anthony.
— Vocês precisam conversar e acertar isso de uma vez por todas... Fugir não é a melhor solução. – disse Rafaela.
— Sim, mas tudo é muito novo. Mais para mim do que para ela, que sempre foi decidida e encarou isso de forma adulta enquanto eu não sabia nem o quanto isso importaria para nós. – respondeu Jane. – Eu não sei o que fazer direito, em como minha família agiria... Nós trabalhamos juntas e isso implicaria em muita coisa. Minha mãe mora na casa de hóspedes dela, a trata como uma filha, eu não sei qual seria sua reação... E tem meus irmãos também... E...
— Jane para! Para para para. Você não tem que viver em função do que os outros falam... Você tem que viver em sua função e em prol da sua felicidade. O resto é só uma consequência! O que os outros pensam ou deixam de pensar não importa! Claro, temos sempre que nos preocuparmos com nossos familiares, mas tenho certeza que sua mãe não iria se opor, pelo contrario... Se já trata Maura como filha, iria adorar ter as filhas dela felizes, ainda que fosse uma com a outra. Se todas as pessoas que vivem ao redor de vocês conhecerem essa história, ao saberem que estão juntas, só vai confirmar o voto de felicidade que fazem para que isso aconteça! – Anthony falava sério. – A coisa certa a se fazer é quando você voltar, conversarem sobre o que aconteceu e sobre seus sentimentos... Não adianta fingir ou fugir que é pior! Depois você fica ai, nessa vida enrustida que só por Deus... – deram risada. – Mas é sério, querida! Se você realmente gosta dela como mulher, lute! Eu entendo que é tudo muito novo, que vocês são melhores amigas e isso é assustador, mas se todas as pessoas pudessem se apaixonar por seus melhores amigos, tenho certeza que seriam mais felizes. Vá em busca de sua felicidade, Jane. Não a deixe passar por medo do que possa acontecer! Você só vai saber quando realmente vive-la... E tenho certeza que serão muito felizes e que eu e Rafa seremos padrinhos de seu casamento!
— Casamento? Sério? – Jane olhava para ele emburrada. Mal tinham ficado direito e ele já pensava em casamento? Tava parecendo sua mãe querendo casa-la e pedindo netos...
Ficaram por mais algum tempo conversando... Vez ou outra Hugh e Rafaela tentavam dar conselhos para Jane em como agir quando chegasse em Boston. Eles nunca haviam visto Maura nem trocado uma única palavra sequer, mas já adoravam-na e estavam ansiosos para conhecer a tão famosa Legista chefe boca de google.
Avistaram Dean entrando pelo bar. Jane fez sinal para mudarem de assunto. Todos entenderam.
— Hey Jane, posso falar com você? – perguntou o agente se aproximando da mesa em que estavam.
— Claro! Senta ai. – fez sinal para ele se sentar em uma das cadeiras vazia. – Tá tudo bem? Você está com uma cara de preocupado...
— Eu estou indo para Boston! – respondeu ainda sério... – A homicídios está com um caso que não foi solucionado e está deixando todos sem muitas pistas concretas! O FBI vai tomar a frente, a partir de agora. Estou indo para ajudar, pois foram muitas vitimas e temos os mínimos de provas. Achei que você devesse saber!
— Que caso? – perguntou Jane preocupada. – Quando eu falei com Frankie e Maura eles não me disseram nada...
— O caso do assassino de casais! Parece que outro casal foi atacado pela manhã...
— Droga! Eles devem estar muito preocupados... – disse Jane fitando o vazio... – Se eu tivesse lá...
— Bom... Vamos trabalhar arduamente para juntos solucionarmos esse caso...
— Obrigada por avisar, Dean! Vou ligar para o Frost.
Jane pediu licença para eles e foi para fora do bar para usar o telefone... Ligou para Frost mas só caia na caixa postal. Ligou para Frankie e esse não atendeu. Ligou para sua mãe e o telefone dela também só chamou e ela não atendeu.
— Droga, esse povo tem telefone pra que? Ninguém atende não? – disse Jane para si mesma. – Vou ligar para Maura.
O telefone da legista chamou, chamou, chamou... Jane estava desistindo e ia desligar, quando percebeu que havia atendido.
— Maura? – perguntou a morena. Mas a Maura nada respondeu. – Maur? – Jane ouviu uma respiradinha...
— Hello, Jane!!!!!
“Vem,
Que o tempo pode afastar nós dois...
Não deixe tanta vida pra depois.
Eu só preciso saber, como vai você.....”
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